30/04/2005
O ciclo fecha-se (com fé)
Quando, na noite de 18 de Maio próximo, Pedro Barbosa levantar a Taça UEFA em pleno Alvalade XXI, um ciclo de quase 50 anos estará fechado.
Um ciclo iniciado a poucos quilómetros, no Estádio Nacional, a 4 de Setembro de 1955, com o primeiro de todos os jogos das competições europeias de clubes.
Com o Sporting como anfitrião e o Partizan de Belgrado como adversário.
Pelo meio, passou pela conquista da Taça das Taças em 1964.
E ao completar-se, de verde e branco, 50 anos depois, carrega de simbolismo a vitória.
Vamos a eles!
Quando, na noite de 18 de Maio próximo, Pedro Barbosa levantar a Taça UEFA em pleno Alvalade XXI, um ciclo de quase 50 anos estará fechado.
Um ciclo iniciado a poucos quilómetros, no Estádio Nacional, a 4 de Setembro de 1955, com o primeiro de todos os jogos das competições europeias de clubes.
Com o Sporting como anfitrião e o Partizan de Belgrado como adversário.
Pelo meio, passou pela conquista da Taça das Taças em 1964.
E ao completar-se, de verde e branco, 50 anos depois, carrega de simbolismo a vitória.
Vamos a eles!
29/04/2005
Passagem para Lisboa
Os pais não costumam revelar aos filhos as patifarias que faziam aos seus pais, na juventude.
Ou talvez o façam quando tal já não tem qualquer importância como exemplo.
Do meu pai, recebi sempre mais exemplos do que lições. Serviram-me bem, assim o creio.
Mas, um certo dia, já a coisa não faria grande mossa na sua reputação, veio a história.
Que estava já no Porto, a acabar os estudos, quando foram inauguradas as carreiras regulares entre a Invicta e a capital, por via aérea.
Nesses dias, a muito consabida e anormal necessidade de novos livros e compêndios, chegou por carta ao Alentejo.
Poucos dias depois, num fim-de-semana, chegou a casa mais depressa do que os pais calculavam.
Não acredito que o meu avô não tivesse dado pela coisa.
Lembrei-me hoje disto, dizem que a TAP faz sessenta anos. Não foi a 14 de Março?

imagem do Dakota das páginas da TAP
Os pais não costumam revelar aos filhos as patifarias que faziam aos seus pais, na juventude.
Ou talvez o façam quando tal já não tem qualquer importância como exemplo.
Do meu pai, recebi sempre mais exemplos do que lições. Serviram-me bem, assim o creio.
Mas, um certo dia, já a coisa não faria grande mossa na sua reputação, veio a história.
Que estava já no Porto, a acabar os estudos, quando foram inauguradas as carreiras regulares entre a Invicta e a capital, por via aérea.
Nesses dias, a muito consabida e anormal necessidade de novos livros e compêndios, chegou por carta ao Alentejo.
Poucos dias depois, num fim-de-semana, chegou a casa mais depressa do que os pais calculavam.
Não acredito que o meu avô não tivesse dado pela coisa.
Lembrei-me hoje disto, dizem que a TAP faz sessenta anos. Não foi a 14 de Março?
imagem do Dakota das páginas da TAP
O assunto é sério
E por demais debatido.
Já ouvi descrições das mais variadas formas de lhe fazer face.
Uns dormem com um caderninho na mesa de cabeceira - já o fiz. Outros levantam-se a meio da noite e resolvem o assunto, outros ainda têm um gravador de bolso ou o telemóvel à mão para fazerem o relato da ocorrência.
Há também os que acordam a testemunha mais à mão para lhe dar conta. Creio ser esse o processo mais falível e mais arriscado.
O certo é que tenho a convicção de que ontem, depois de ter visto Bob Hoskins no papel de Mussolini, me surgiram em catadupa linhas e linhas de texto sobre a primeira metade do séc. XX, as ideologias perfeitas e as tentativas de as aplicar.
Hitler morreu em 1989. Estaline ainda está vivo. Outros, menos conhecidos, mas igualmente "perfeitos" são dados como desaparecidos. Ou não será assim?

imagem de
E por demais debatido.
Já ouvi descrições das mais variadas formas de lhe fazer face.
Uns dormem com um caderninho na mesa de cabeceira - já o fiz. Outros levantam-se a meio da noite e resolvem o assunto, outros ainda têm um gravador de bolso ou o telemóvel à mão para fazerem o relato da ocorrência.
Há também os que acordam a testemunha mais à mão para lhe dar conta. Creio ser esse o processo mais falível e mais arriscado.
O certo é que tenho a convicção de que ontem, depois de ter visto Bob Hoskins no papel de Mussolini, me surgiram em catadupa linhas e linhas de texto sobre a primeira metade do séc. XX, as ideologias perfeitas e as tentativas de as aplicar.
Hitler morreu em 1989. Estaline ainda está vivo. Outros, menos conhecidos, mas igualmente "perfeitos" são dados como desaparecidos. Ou não será assim?
imagem de
27/04/2005
25/04/2005
Discussões
Uma das discussões mais estéreis e absurdas que ocorreu há um ano atrás, centrava-se na queda de um "R". Como se não tivesse havido uma revolução em 1974 ou se as coisas desde então não tivessem evoluído.
Nunca percebi o que sustentava tanto ímpeto polemista à volta do caso. Mas não era decerto a letra em causa.
Dir-se-á que o homem não vive sem estas querelas. Sem querer pôr os outros na ordem ou na desordem. A mim tanto se me dá. Não pretendo iluminar ninguém.
Mas quando se fala no 25 de Abril, percebe-se que ainda não decorreu o tempo suficiente para poder para ele olhar com distanciamento. Até os que depois dele nasceram parecem submetidos a umas quantas verdades indiscutíveis.
Não posso saber o que desencadeou de facto a revolta dos militares. Não estive presente em nenhuma das reuniões preparatórias e apenas sei o que li e ouvi depois.
Tenho como todos os que tinham já idade para tal, uma ideia do clima que se vivia.
Da inevitabilidade da queda de um regime podre por dentro.
No qual ninguém já acreditava.
E da iminência dessa queda, reflectida nos inúmeros boatos que, independentemente da origem, coincidiam na notícia.
Claro que havia também os que achavam que a coisa se prolongaria por mais uns quantos anos, tendo em conta a forma como o regime se defendia dos seus adversários. Creio que não eram muitos os que assim pensavam.
Penso pois que a razão directa pela qual caiu é de somenos importância. Se era um maior ou menor descontentamento dos militares com a questão dos milicianos, se era outra coisa qualquer.
Nestas coisas da História, encontrar explicações é quase sempre tropeçar num episódio como o descrito por Luz Soriano na "História da Guerra Civil" quando relata a queda de Lisboa a 24 de Julho. Ou ainda mais remotamente na aclamação do Mestre de Aviz.
Mas houve uma revolução nesse dia. Uma revolução que não terminou com a conquista da cidade.
E houve naturalmente uma evolução. Que teria existido independentemente do resto.
Não percebo que dúvidas é que isto suscita ou suscitou o ano passado.
Uma das discussões mais estéreis e absurdas que ocorreu há um ano atrás, centrava-se na queda de um "R". Como se não tivesse havido uma revolução em 1974 ou se as coisas desde então não tivessem evoluído.
Nunca percebi o que sustentava tanto ímpeto polemista à volta do caso. Mas não era decerto a letra em causa.
Dir-se-á que o homem não vive sem estas querelas. Sem querer pôr os outros na ordem ou na desordem. A mim tanto se me dá. Não pretendo iluminar ninguém.
Mas quando se fala no 25 de Abril, percebe-se que ainda não decorreu o tempo suficiente para poder para ele olhar com distanciamento. Até os que depois dele nasceram parecem submetidos a umas quantas verdades indiscutíveis.
Não posso saber o que desencadeou de facto a revolta dos militares. Não estive presente em nenhuma das reuniões preparatórias e apenas sei o que li e ouvi depois.
Tenho como todos os que tinham já idade para tal, uma ideia do clima que se vivia.
Da inevitabilidade da queda de um regime podre por dentro.
No qual ninguém já acreditava.
E da iminência dessa queda, reflectida nos inúmeros boatos que, independentemente da origem, coincidiam na notícia.
Claro que havia também os que achavam que a coisa se prolongaria por mais uns quantos anos, tendo em conta a forma como o regime se defendia dos seus adversários. Creio que não eram muitos os que assim pensavam.
Penso pois que a razão directa pela qual caiu é de somenos importância. Se era um maior ou menor descontentamento dos militares com a questão dos milicianos, se era outra coisa qualquer.
Nestas coisas da História, encontrar explicações é quase sempre tropeçar num episódio como o descrito por Luz Soriano na "História da Guerra Civil" quando relata a queda de Lisboa a 24 de Julho. Ou ainda mais remotamente na aclamação do Mestre de Aviz.
Mas houve uma revolução nesse dia. Uma revolução que não terminou com a conquista da cidade.
E houve naturalmente uma evolução. Que teria existido independentemente do resto.
Não percebo que dúvidas é que isto suscita ou suscitou o ano passado.
23/04/2005
22/04/2005
Jornal
É verdade. Há muito que não lia um jornal diário em papel.
O há muito é o bastante para significar que certas coisas me espantaram.
A primeira foi ter verificado que ainda existe a secção da necrologia.
Foi nos antigos "O Século" e "Diário de Lisboa" que fiz o meu tirocínio como leitor de jornais.
Mais n' "O Século" pois era este o único que o meu avô assinava. Aqui pelas bandas dos subúrbios citadinos, o meu pai trazia os dois. Um à hora do almoço, outro à hora do jantar.
E em dias de guarda, lá vinha a formidável pontaria do homem que lançava jornais às janelas, a quase quinze metros do chão. Ignoro se o formato tablóide dá dobra para tal projéctil.
N' "O Século", depois de ultrapassada a fase em que só lia as maiúsculas, a morbidez inclinava-me para as secções Viação Perigosa e Dia-a-Dia. Notícias breves de acidentes de automóvel e de rixas de vizinhos. Claro que havia também as insuspeitas doenças súbitas. Desaguava então na referida necrologia.
Hoje, verifiquei por exemplo que as múltiplas chamadas dos pequenos anúncios envolvendo nomes de localidades não se referem a andares à venda mas a bustos 44, atendimentos personalizados e massagens não sei de onde. Verifiquei que as farmácias de serviço, no caso era uma necessidade, não figuram. Verifiquei muitas outras coisas de somenos importância - que ainda há estranhas formas de ajudar os apostadores a jogar no totoloto, horóscopos, palavras cruzadas e outros passatempos com letras. Mas falta o salto de cavalo. O salto de cavalo em falta é imperdoável.

Soluções no próximo número
É verdade. Há muito que não lia um jornal diário em papel.
O há muito é o bastante para significar que certas coisas me espantaram.
A primeira foi ter verificado que ainda existe a secção da necrologia.
Foi nos antigos "O Século" e "Diário de Lisboa" que fiz o meu tirocínio como leitor de jornais.
Mais n' "O Século" pois era este o único que o meu avô assinava. Aqui pelas bandas dos subúrbios citadinos, o meu pai trazia os dois. Um à hora do almoço, outro à hora do jantar.
E em dias de guarda, lá vinha a formidável pontaria do homem que lançava jornais às janelas, a quase quinze metros do chão. Ignoro se o formato tablóide dá dobra para tal projéctil.
N' "O Século", depois de ultrapassada a fase em que só lia as maiúsculas, a morbidez inclinava-me para as secções Viação Perigosa e Dia-a-Dia. Notícias breves de acidentes de automóvel e de rixas de vizinhos. Claro que havia também as insuspeitas doenças súbitas. Desaguava então na referida necrologia.
Hoje, verifiquei por exemplo que as múltiplas chamadas dos pequenos anúncios envolvendo nomes de localidades não se referem a andares à venda mas a bustos 44, atendimentos personalizados e massagens não sei de onde. Verifiquei que as farmácias de serviço, no caso era uma necessidade, não figuram. Verifiquei muitas outras coisas de somenos importância - que ainda há estranhas formas de ajudar os apostadores a jogar no totoloto, horóscopos, palavras cruzadas e outros passatempos com letras. Mas falta o salto de cavalo. O salto de cavalo em falta é imperdoável.
Soluções no próximo número
20/04/2005
Mania de ser elefante
Mais tarde ou mais cedo, havia de acontecer.
Não me faltavam, nem a nenhum de nós, suponho, lições sobre como e porquê reescrever a história.
Talvez o porquê seja inatingível, na medida em que não acredito que a história se decida por vontades e com explicações claras e objectivas. Mas isso é, com perdão do conceito redundante, outra história.
Esta mania de recordar factos passados só se torna perigosa quando eles se avivam na mente de quem escuta. Quando o interlocutor percebe que não há ali invenção ou fantasia. Foi assim mesmo. Também se recorda afinal.
Eventualmente recorda-se de um ou outro esqueleto que guardou no armário desde essa época.
Pois é. Por alguma razão, existe esta figura do direito ao esquecimento.
Esta mania de ser elefante trouxe-me um dissabor. Cuja causa não entendi nem quero entender. É o meu direito à ignorância.
Mas é, por outro lado, a confirmação do que há muito sabia. Para alguns, o esquecimento é fundamental. Afinal, assim são as coisas na nossa cabeça. Não sabermos já o que almoçámos anteontem.
Mais tarde ou mais cedo, havia de acontecer.
Não me faltavam, nem a nenhum de nós, suponho, lições sobre como e porquê reescrever a história.
Talvez o porquê seja inatingível, na medida em que não acredito que a história se decida por vontades e com explicações claras e objectivas. Mas isso é, com perdão do conceito redundante, outra história.
Esta mania de recordar factos passados só se torna perigosa quando eles se avivam na mente de quem escuta. Quando o interlocutor percebe que não há ali invenção ou fantasia. Foi assim mesmo. Também se recorda afinal.
Eventualmente recorda-se de um ou outro esqueleto que guardou no armário desde essa época.
Pois é. Por alguma razão, existe esta figura do direito ao esquecimento.
Esta mania de ser elefante trouxe-me um dissabor. Cuja causa não entendi nem quero entender. É o meu direito à ignorância.
Mas é, por outro lado, a confirmação do que há muito sabia. Para alguns, o esquecimento é fundamental. Afinal, assim são as coisas na nossa cabeça. Não sabermos já o que almoçámos anteontem.
18/04/2005
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