08/06/2007

A voar sobre as oliveiras

E eu pairava enquanto ela falava ao telefone com alguém.
Estava animada da tradicional vontade de ajudar quem não queria ser ajudado.
Era qualquer coisa com um irmão que não encontrava um papel qualquer da tropa. Nem queria encontrar.
Entre duas passagens baixas, que eu andava mais para o lado da estação de caminho-de-ferro do que ali por cima das oliveiras, disse-lhe que perguntasse ao contra-almirante o que havia de fazer, que mesmo há bocado o tinha visto através daquelas vidraças velhas da porta, velhas de distorcer as imagens.

06/06/2007

Ignorância batimétrica

Segundo uma jornalista da SIC, o Rio Douro, em certo sítio, tem cerca de 400 m de profundidade.

É a chamada falta de noção das proporções.
MOPTC

Vi e ouvi um certo número de pessoas, algumas delas com responsabilidades públicas, dizerem-se ofendidas com a afirmação do ministro de que a margem sul é um deserto, não tem isto, não tem aquilo.
Não consegui ainda, vários dias volvidos, perceber em que medida pode esta afirmação ser ofensiva.
A2, 2004

05/06/2007

Um homem vestido de Pateta

Uma das reticências que se me punham em criança quando me falavam da Disneylândia era deparar-me com um tipo vestido de Pateta.
Uma palhaçada igual aos Pais Natal do Chiado.
Não mudei de reticências quarenta e tais anos depois.
Ainda me admiro é com a quantidade de gente adulta que se dispõe a figurar para a posteridade ao lado do homem vestido de Pateta.
Ou de Pim.

04/06/2007

De uma rua a outra

Vai-se, pelas minhas contas, a uma velocidade média de 8,6 x 10-4km/h. Mas isso são as minhas contas.

03/06/2007

Megafonia

Das recordações que guardo do ano de 1974, há, das muitas que ainda hoje me inquietam, uma em particular que também me intriga.
Estávamos nos dias de Setembro em que se resolveu retomar, lá na vila, o costume perdido das festas de verão.
A mobilização popular era feita ao som exaustivamente repetido do Avante, da Carvalhesa e de outras inevitáveis nesses dias quentes. Dessas outras, havia uma cujo refrão soava "Ó liberdade, como é bom viver!"
Não consegui, depois que me dei a esse trabalho, identificar a bendita canção que tantas vezes fui obrigado a ouvir, do alvor ao sol-posto, em megafonia.
Gostava de o fazer nem mais uma vez que fosse, tal como a "O cigano do amor". Mas isso são outras contas.


espólio Campos Vilhena, foto de MSG



Corrija-se o texto, substituindo Carvalhesa por Internacional. A memória atraiçoa-me mais uma vez, pelos vistos.

01/06/2007

28/05/2007

Sem Norte

De repente, as figuras do debate futebolístico percebem que não sabem onde é que fica o Norte no Estádio Nacional.
O moderador, lesto, diz sorrindo que o Sul é o lado da tribuna.


trecho da Carta Militar de Portugal (norteada) - IGEOE

A tribuna fica do lado esquerdo da imagem. A poente, portanto. Para ter sombra à tarde.
A ponte no Montijo e o aeroporto em Rio Frio

Desde sempre - e o meu desde sempre é desde os anos 60, que 59 ainda não contou - ouvi falar na ponte que se haveria de construir para o Montijo e no aeroporto que se haveria de implantar para as bandas de Rio Frio.
A ponte estava implicitamente traçada no plano rodoviário de 1945 como sendo o troço inicial da E.N. 4: Lisboa - Elvas (fronteira) - o km 13 está à saída do Montijo.
Já o aeroporto poder-se-ia antever na polarização de estradas nacionais à volta da região.
E.N. 4, E.N. 5, E. N. 10 e E.N. 11 - estradas principais. E.N. 118, E.N. 119 - estradas de 1ª categoria. Das seis, só a E.N. 4 e a E.N. 10 (de Cacilhas ao Cais do Cabo), que era no plano uma semicircular da margem sul, não têm origem no Montijo.
Mas tudo isto ignorava eu na altura. Apenas ouvia aqui e ali algumas referências prospectivas e me punha a imaginar uma ponte com extensão para vencer o Tejo naquela zona onde as margens por vezes se escondem uma da outra.
A ponte já lá está.


trecho do Plano Rodoviário de 1945 (JAE) - clicar para ampliar



Correcção: A E.N. 11 não começa mas termina no Montijo.