O herdeiro mínimo
Tornei-me hoje herdeiro de um extinto clube cultural e desportivo dos trabalhadores de um igualmente extinto organismo público.
Uma herança mínima – meia dúzia de livros com cheiro a bafio, destinados ao lixo.
Mas ainda assim uma herança. Livresca. Mais uma.
Se a A.S.A.E. sabe disto...
11/11/2007
Autoridade
A página da Autoridade Nacional de Protecção Civil para os incêndios florestais continua em grande.
Seis cavadelas, seis minhocas. O que é dizer que para seis incêndios constantes, há seis mapas da senhora da Asneira.
No verão, não se passava isto. Os mapas correspondiam aos locais assinalados nos registos.
Não é de facto um bom sinal.
A página da Autoridade Nacional de Protecção Civil para os incêndios florestais continua em grande.
Seis cavadelas, seis minhocas. O que é dizer que para seis incêndios constantes, há seis mapas da senhora da Asneira.
No verão, não se passava isto. Os mapas correspondiam aos locais assinalados nos registos.
Não é de facto um bom sinal.
10/11/2007
Este post serve para se saber que foi neste dia que se completaram as 100 000 visitas contadas pelo Bravenet
Começando pelas cem mil visitas.
Há uns anos que o termo “barreira psicológica” se generalizou aplicado a preços, a valores. É uma generalização parelha à da igualmente psicológica chicotada que essa sim não tem rival, como a ginjinha.
Já barreiras psicológicas há muitas, dentro da cabeça de cada um.
No mito dos algarismos, estas barreiras são pois isso mesmo, psicológicas. Dá-se a elas algum valor. O suficiente para a cerimónia, de que se tratará no parágrafo seguinte.
Eu a esta dou o mesmo valor que à passagem do século e do milénio.
Nesses, não se sabia desde quando é que se contava. Nesta, não se sabe quantas visitas não contou nem quantas contou a mais, muito menos quantas vieram antes de estar o contador a funcionar. É um marco que não se sabe bem o que marca. Mas marca e marcará 100 000 antes do dia findar e ser São Martinho e se beber água-pé, se fôr fácil de encontrar, e se comerem castanhas, se o preço não fôr escandaloso.

Passando pois para um certo balanço da coisa, que é uso e costume fazerem-se estes em ocasiões que tais. E eu, sendo assim, vou com os outros.
Ainda aqui ando, quatro anos e três meses depois – La Palisse, a quem venho atribuindo coisas que não disse, não diria aqui melhor.
Quanto aos outros, as afinidades que aqui encontrei por via do H Gasolim Ultramarino, ajudaram a compôr a ideia que transporto da vida real, de que surgem mais pelo lado da comunhão no horror ao disparate do que da proximidade política, clubística ou em quaisquer outros interesses que imaginar se possam.
Em suma, dos que acham que vale a pena pensar nas coisas mas que perceberam que não é com grandes teorias que se ultrapassam os obstáculos do quotidiano.
Dos que acham que vale a pena pensar nessas mesmas coisas antes de sobre elas discorrer.
Dos que enfim acham que mesmo discorrendo sobre elas, depois de sobre elas pensar, jamais se saberá o mínimo essencial. Seja lá isso o que fôr. Mas creio que Sócrates terá dito algo a propósito.
Não este, é claro.
Começando pelas cem mil visitas.
Há uns anos que o termo “barreira psicológica” se generalizou aplicado a preços, a valores. É uma generalização parelha à da igualmente psicológica chicotada que essa sim não tem rival, como a ginjinha.
Já barreiras psicológicas há muitas, dentro da cabeça de cada um.
No mito dos algarismos, estas barreiras são pois isso mesmo, psicológicas. Dá-se a elas algum valor. O suficiente para a cerimónia, de que se tratará no parágrafo seguinte.
Eu a esta dou o mesmo valor que à passagem do século e do milénio.
Nesses, não se sabia desde quando é que se contava. Nesta, não se sabe quantas visitas não contou nem quantas contou a mais, muito menos quantas vieram antes de estar o contador a funcionar. É um marco que não se sabe bem o que marca. Mas marca e marcará 100 000 antes do dia findar e ser São Martinho e se beber água-pé, se fôr fácil de encontrar, e se comerem castanhas, se o preço não fôr escandaloso.
Passando pois para um certo balanço da coisa, que é uso e costume fazerem-se estes em ocasiões que tais. E eu, sendo assim, vou com os outros.
Ainda aqui ando, quatro anos e três meses depois – La Palisse, a quem venho atribuindo coisas que não disse, não diria aqui melhor.
Quanto aos outros, as afinidades que aqui encontrei por via do H Gasolim Ultramarino, ajudaram a compôr a ideia que transporto da vida real, de que surgem mais pelo lado da comunhão no horror ao disparate do que da proximidade política, clubística ou em quaisquer outros interesses que imaginar se possam.
Em suma, dos que acham que vale a pena pensar nas coisas mas que perceberam que não é com grandes teorias que se ultrapassam os obstáculos do quotidiano.
Dos que acham que vale a pena pensar nessas mesmas coisas antes de sobre elas discorrer.
Dos que enfim acham que mesmo discorrendo sobre elas, depois de sobre elas pensar, jamais se saberá o mínimo essencial. Seja lá isso o que fôr. Mas creio que Sócrates terá dito algo a propósito.
Não este, é claro.
09/11/2007
QI
Qual será o QI da pessoa ou das pessoas que preencheram os últimos registos da página dos incêndios florestais?
Em 8 registos diferentes, apenas 1 tem uma imagem aceitável do Google Maps. Os outros 7 são um disparate completo.
Isto, embora a um grau de responsabilidade muitíssimo mais baixo, faz lembrar a história do CODU e da dificuldade em identificar correctamente um local.
Qual será o QI da pessoa ou das pessoas que preencheram os últimos registos da página dos incêndios florestais?
Em 8 registos diferentes, apenas 1 tem uma imagem aceitável do Google Maps. Os outros 7 são um disparate completo.
Isto, embora a um grau de responsabilidade muitíssimo mais baixo, faz lembrar a história do CODU e da dificuldade em identificar correctamente um local.
07/11/2007
06/11/2007
A repórter
A repórter está no sítio.
Fala, fala, fala, dando as suas opiniões.
Quando um dos protagonistas se pronuncia, ela continua a falar.
Depois, pára, diz que alguém está a falar sobre qualquer coisa mas não deve ser sobre...
(mudei de canal)
Afinal era mesmo sobre...
O jornalismo é assim. A toda a hora, todos os dias. Papagueado, preconceituoso, autista, muitíssimo mal informado e incapaz de raciocínio.
A repórter está no sítio.
Fala, fala, fala, dando as suas opiniões.
Quando um dos protagonistas se pronuncia, ela continua a falar.
Depois, pára, diz que alguém está a falar sobre qualquer coisa mas não deve ser sobre...
(mudei de canal)
Afinal era mesmo sobre...
O jornalismo é assim. A toda a hora, todos os dias. Papagueado, preconceituoso, autista, muitíssimo mal informado e incapaz de raciocínio.
05/11/2007
Efemérides – o retorno de 10 anos
Há exactamente 10 anos atrás, contados dia por dia, a conversa era sobre o período de retorno de cheias. Grandes barbaridades ouvi então serem proferidas, como seria de esperar.
10 anos volvidos, exactamente 10 anos, há um retorno da ceifeira, que veio outra vez assim por junto.
Coincidências.
Há exactamente 10 anos atrás, contados dia por dia, a conversa era sobre o período de retorno de cheias. Grandes barbaridades ouvi então serem proferidas, como seria de esperar.
10 anos volvidos, exactamente 10 anos, há um retorno da ceifeira, que veio outra vez assim por junto.
Coincidências.
Efemeridades – uma insistência
Na minha limitável experiência de vida, há poucas coisas mais efémeras do que as considerações feitas debaixo do chuveiro com base nos diversos aromas (devo dizer fragrâncias?) das substâncias do detergimento.
Tão efémeras são, que delas não retenho mais do que a sua esbatida projecção neste plano da memória.
É-me mais fácil recordar os hinos entoados na correnteza do que duas ideias ali geradas.
É a distância que me separa de Arquimedes.
Na minha limitável experiência de vida, há poucas coisas mais efémeras do que as considerações feitas debaixo do chuveiro com base nos diversos aromas (devo dizer fragrâncias?) das substâncias do detergimento.
Tão efémeras são, que delas não retenho mais do que a sua esbatida projecção neste plano da memória.
É-me mais fácil recordar os hinos entoados na correnteza do que duas ideias ali geradas.
É a distância que me separa de Arquimedes.
03/11/2007
02/11/2007
O culto dos mortos

ossos humanos espetados num muro de um cemitério abandonado - foto do autor
Para muitos, o estabelecimento do culto dos mortos é um dos mais importantes marcos na História. Até o primeiro que diferencia a espécie.
Há uns anos, num funeral, um amigo acompanhava o olhar que lançava sobre sepulturas das seguintes palavras: “Isto está no fim. Já reparaste bem no número de crianças e juvenis que se vêem nos enterros?”
Ontem, ouvi na RTP que cinquenta por cento dos mortos da área de Lisboa (do concelho?) são já cremados.
Mesmo dando o devido desconto a este tipo de números e notícias, percebe-se que a cremação cresceu muitíssimo nos últimos anos. E não é decerto por nenhum fenómeno cultural, no sentido tradicional da palavra, que tal acontece.
É um fenómeno cultural, sim, mas porventura advindo da constatação de que uma sepultura é, independentemente da prole, um local abandonado.
Sabemos todos que os cemitérios estão há muito cheios de sepulcros abandonados, de jazigos sem manutenção.
Conhecem-se até casos de cemitérios completos abandonados e devassados.
Poder-se-ia dizer que isso tinha a ver com a falta de descendência, com a mudança de território, com o desconhecimento dos costados ou o mero distanciamento de gerações.
Não consigo nunca afirmar que os factos na História se devem a isto ou àquilo. Não aceito essas relações de causa-efeito. Mas observo.
E se é verdade que estes fenómenos que aponto não são novos, também é verdade que se observou ao longo das últimas décadas um afastamento das crianças e dos jovens dos tratos com a morte.
Se este fenómeno das cremações é essencialmente urbano – e é aqui, nas grandes aglomerações que essa possibilidade existe – já a ausência de crianças e adolescentes dos enterros é um fenómeno que tenho observado um pouco por todo o lado.
Põe-se a questão que de saber se essas crianças, se esses adolescentes uma vez maduros manterão o culto dos mortos ou não. Nem que seja nas romarias anuais deste dia 2.
Põe-se a questão igualmente académica de saber se a cremação, se disponível em todo o território, seria igualmente praticada na mesma razão que dizem que o é em Lisboa.
Sem a presunção dos que afirmam, parece-me que o meu amigo tinha razão. Que isto está no fim.
Mais sobre as cremações na imprensa: 1 2 3 4 5 6
ossos humanos espetados num muro de um cemitério abandonado - foto do autor
Para muitos, o estabelecimento do culto dos mortos é um dos mais importantes marcos na História. Até o primeiro que diferencia a espécie.
Há uns anos, num funeral, um amigo acompanhava o olhar que lançava sobre sepulturas das seguintes palavras: “Isto está no fim. Já reparaste bem no número de crianças e juvenis que se vêem nos enterros?”
Ontem, ouvi na RTP que cinquenta por cento dos mortos da área de Lisboa (do concelho?) são já cremados.
Mesmo dando o devido desconto a este tipo de números e notícias, percebe-se que a cremação cresceu muitíssimo nos últimos anos. E não é decerto por nenhum fenómeno cultural, no sentido tradicional da palavra, que tal acontece.
É um fenómeno cultural, sim, mas porventura advindo da constatação de que uma sepultura é, independentemente da prole, um local abandonado.
Sabemos todos que os cemitérios estão há muito cheios de sepulcros abandonados, de jazigos sem manutenção.
Conhecem-se até casos de cemitérios completos abandonados e devassados.
Poder-se-ia dizer que isso tinha a ver com a falta de descendência, com a mudança de território, com o desconhecimento dos costados ou o mero distanciamento de gerações.
Não consigo nunca afirmar que os factos na História se devem a isto ou àquilo. Não aceito essas relações de causa-efeito. Mas observo.
E se é verdade que estes fenómenos que aponto não são novos, também é verdade que se observou ao longo das últimas décadas um afastamento das crianças e dos jovens dos tratos com a morte.
Se este fenómeno das cremações é essencialmente urbano – e é aqui, nas grandes aglomerações que essa possibilidade existe – já a ausência de crianças e adolescentes dos enterros é um fenómeno que tenho observado um pouco por todo o lado.
Põe-se a questão que de saber se essas crianças, se esses adolescentes uma vez maduros manterão o culto dos mortos ou não. Nem que seja nas romarias anuais deste dia 2.
Põe-se a questão igualmente académica de saber se a cremação, se disponível em todo o território, seria igualmente praticada na mesma razão que dizem que o é em Lisboa.
Sem a presunção dos que afirmam, parece-me que o meu amigo tinha razão. Que isto está no fim.
Mais sobre as cremações na imprensa: 1 2 3 4 5 6
01/11/2007
John Bull and the outstanding police

imagem da Sky News
Houve uma sentença no caso Jean Charles de Menezes.
Don’t say!
Ora aqui está como, independentemente do que esteja escrito na dita sentença, não retiro uma linha ao que aqui escrevi.
imagem da Sky News
Houve uma sentença no caso Jean Charles de Menezes.
Don’t say!
Ora aqui está como, independentemente do que esteja escrito na dita sentença, não retiro uma linha ao que aqui escrevi.
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