16/02/2008

A roda da fortuna

Há neste caso ruidoso do Casino de Lisboa uma questão que é afinal a questão essencial e que anda completamente esquecida:
Um casino em Lisboa foi uma “ideia de génio” para devolver, à laia de chamariz, a afluência ao Parque Mayer.
Uma espécie de ovo de Colombo.
Vê-se agora que sim, que foi.
A dissolução

Eu tenho perfeita inconsciência de que os profetas da desgraça estão presentes em todas as eras.
E tenho igual inconsciência de que as projecções a um tempo que não seja alcançável não valem absolutamente nada. Descontando alguns raríssimos casos de visionários que agora sabemos terem-no sido. Eles próprios é que não o puderam comprovar.
Há alguns anos, quase vinte, disse a uns quantos com quem discutia a então adivinhada guerra dos eslavos do sul com os seus vizinhos que talvez um dia ainda tivéssemos que agradecer aos sérvios por não se quererem submeter na sua própria terra.
Acabadas as guerras acesas naquela zona, acantonados os sérvios, o ocidente prepara-se para lhes ferir mais um golpe decisivo.
É o próprio ocidente que se fere a si próprio. A pouco e pouco, fere-se de morte. E não se apercebe de que o faz.
Memória ferroviária

Haveria um sem fim de palavras se me pusesse a discorrer sobre as minhas memórias do túnel do Rossio.
Não as encontro.
Remeto-me (vos).

15/02/2008

E se...

Há quem efabule a partir de caminhos que a História não traçou. Fazendo comparações entre este e outro mundo, dito paralelo.
Nunca passei grande cartão a esses exercícios do “e se...”. Mas...
Mas interesso-me por coisas, objectos que não foram. Dos quais no entanto se conhece o sonho.
Tropecei ontem numa comunicação simposial – Consideração dos sismos no estudo dos novos edifícios para os Ministérios das Obras Públicas e das Comunicações (1) – da qual extraí indicações suficientes para me lançar a, com alguma fantasia, fazer esta fotomontagem.
Estão no documento as alturas de alguns corpos dos edifícios e a planta de implantação. O resto é aposta minha em cima de uma foto de Barao78 depositada na Wikimedia.




(1) – Engºs A. Bonneville Franco, F. Anjos Dinis, J. Cardoso de Lemos, L. Leal de Faria, Úlpio do Nascimento, G. Páscoa, D. Muralha, S. Fonseca e Ag. Técn. Engª. S. Pacheco, comunicação ao Simpósio sobre a acção de sismos e sua consideração no cálculo de construções in Boletim da Ordem dos Engenheiros, IV – 23 de 1-12-55, memória nº 120.

12/02/2008

Em busca de um deus

Vá lá saber-se quantos factores concorreram para que esta memória se reavivasse.
Um acaso talvez levou-me ontem (hoje) a escolher a foto da E.N. 373 (uma ampliação mázinha feita a partir de uma prova de contacto 24x36).
E um outro acaso fez com que rememoreasse os sucessos de uma data quatro anos anterior à foto.
Ao mesmo tempo, um aconchego a isso tudo. A companhia dessas andanças deu sinais de vida. Tudo isto junto...
Nesse dia de Abril de 91, andávamos em buscas de sinais de Endovélico, esse deus antigo como o são, ou devem ser, todos os deuses e que suscitava alguma curiosidade nessa época.
O certo é que o nosso useiro caracoroísmo de encruzilhadas nos levou àquele troço da 373.
Antes da ponte, um sinal à direita mandava-nos para a Mina do Bugalho. Obedecemos.
Mal virara o volante, o olhar perdeu-se no vale à esquerda e na estrutura que o vencia.
Qualquer coisa forte nos pregou àquele trecho de paisagem. É provável que tenhamos dispensado um ou dois cigarros à contemplação. Qualquer coisa nos venceu ali, numa batalha de que não tomámos conhecimento.
Seguimos para a Mina e da Mina para o Rosário, arrepiando parte do caminho.
E do santuário para Terena, por vaus quase secos e caminhos onde só os rústicos como eu fazem passar carros de cidade e estrada nova.
Aconteceu com esse episódio a curiosidade de o julgarmos imortalizado em foto e não o encontrarmos no rolo.
Passaram os tais quatro anos. Ou quase.
Um dia encalhei aqui numa estante num dossier pelo qual me lembrava vagamente de já ter passado os olhos.
Foi nesse momento que percebi que projecto era aquele, que ponte era aquela.
Tempos depois, bati esta foto aqui do post abaixo.
Ontem (hoje), pela primeira vez, percebi que a busca por Endovélico se nos apagou da mente naquele momento extático.
Acho tudo isto muito estranho.
E.N. 373, 1995

11/02/2008

Espólio (29)

No betão.
É no betão que te comemoro hoje. 90 anos depois.
Numa folha das tuas a que deste forma de pedra. E que resiste.

10/02/2008

A moeda do Crato


imagem do BCE

Já passou mais de um mês e ainda não tenho um exemplar que seja desta moeda ou dos seus submúltiplos.
Ao trazer hoje isto à baila assinalo também uma efeméride.
Que agora é maré delas.
Aqui ou no Crato.

09/02/2008

Coisas que vale mesmo a pena ler

Este post no Fiapo de Jaca.
A questão das percentagens

A incapacidade para lidar com a matemática de uma esmagadora percentagem da população e de muita gente licenciada só por si não justifica a asneirola.
É preciso aquele quê de estupidez adicional que afiança ser a nossa ignorância coisa negligenciável.
Desta feita, foi ao ler Medina Ribeiro no Sorumbático que tomei conhecimento de mais estes dois fascinantes disparates.
Vão para a colecção das percentagens.

Eu um dia ainda hei-de dizer o que pode, de facto, desvalorizar 400%. Ou mais.
Alguém arrisca um palpite?
Galardão

Agradeço à Dona T. a distinção que confere a estas páginas.
O galardão é, ainda por cima, bonito.
Não sei o que mais dizer. Não me sinto capaz de nomear outros cinco.

Montalegre, 2001

08/02/2008

Investimento e eficácia

À recentemente retomada discussão dos investimentos e da sua (in)eficácia no Portugal dos últimos séculos, há pouco ilustrei-a com o seguinte quadro:
Uma extensa fila de gente derramava-se da porta da papelaria aqui ao lado. Faltava quase nada para as 19 horas.
Quando lá entrei em busca da revista, depois da hora fatídica, não me contive – perguntei quantas pessoas tinham ficado de fora do sorteio.
A resposta foi que o número era incontável. Para eles que não viam muito para além da porta.
Agitprop

Outro dos sintomas denunciadores da pseudo-intelectualidade, nacional e estrangeira, é a confusão entre ciência e propaganda.

07/02/2008

06/02/2008

Quarta-feira de cinzento



Vejo agora que esta imagem me perseguiu estes anos todos, sem que eu desse por ela.
Era a minha companheira de imaginadas aventuras ao volante, vestida carnavalesca e empoadamente de madeirense, emoldurada na mesinha do telefone.
Ali, logo à vista de quem lhe entrava em casa.
Talvez que essa recordação se cimentasse pelo facto de eu pertencer a um subgrupo que não ostentava fotografias. Nem nas paredes, nem nas mesas nem em lado algum.
E que não andava por aí mascarado.
E.N. 117, 2006