31/01/2009

Tadjine crombet bel kefta (II)

Logo no dia em que escrevi sobre, me pareceu vir a ser efémera a experiência exótica aqui paredes quase meias.
Há já uns dias, semanas mesmo, que o prazo expirou. Portas cerradas.
Dou conta disso hoje. Fora de prazo também.
Ouve-se e não se acredita

Disse a Procuradora na RTP* que não há no caso Freeport sequer um suspeito.
Muito bem. Não há.
É precisamente por não haver que não consigo perceber que depois dissesse de alguém “não posso dizer [o seu paradeiro] senão ele foge”.
Só poderia estar a tentar dizer uma piada.


* Curiosamente o registo do programa está truncado na parte final.

30/01/2009

Desentranhando memórias

A rede tem uma distorção assinalável. Omite grande parte do trivial do tempo que a antecedeu e replica e enfatiza o mesmo trivial dos tempos depois dela.
E fica muito à mão dos que usam o argumento do caixeiro sem mercadoria: Isso não há. Nunca houve.
Como os tempos são cada vez mais de memória curta – muita informação pode apenas ser guardada por pouco tempo onde pouca informação era guardada por muito tempo – há factos que são riscados da História como as personagens contrárias das fotografias soviéticas.
Claro que tudo isto já acontecia antes da rede. Agora apenas se vê tal fenómeno ampliado.
Quase desde o início deste blogue manifestei aqui a intenção de retirar das brumas do tempo uma tragédia esquecida – o descarrilamento do Rápido do Algarve.
Tinha já nesse tempo percebido que esse era um dos factos omitidos.
Mas não era só na rede. Já antes, nos jornais, nas rádios e na televisão não se lia, não se ouvia uma única referência a tal, nas habituais listas de acidentes ferroviários em que toda a gente cita as mesmas fontes incompletas.
Este acidente que eu trazia na memória por relatos ouvidos na infância e que sabia ser de uns anos antes, situava-o nos meados dos anos 50.
Queria saber exactamente em que dia ocorrera e qual a proporção que atingira e se a minha memória e as poucas referências que mais tarde ouvira a este e àquele se compaginavam com o sucedido.
Nos últimos dez anos talvez, aproveitei todas as ocasiões para perguntar aos mais antigos sobre o caso. Obtive algumas respostas depois dessa demorada perquisição. Mas todas elas vagas.
Até que, há um ano e tal, uma nova googlada mostrou a ponta do fio da meada.
O acidente do Rápido do Algarve estava agora ao alcance de uma mão.

28/01/2009

E.N. 15, 2005

Sócrates

A única coisa verdadeiramente preocupante a respeito de Sócrates é a sua falta de inteligência. O resto são ataques de mentes equivalentes.
A questão não é o homem. É o cargo que ocupa.

27/01/2009

Jus

Falou o ministro da Justiça, na abertura do ano judicial, de um mundo em melhoria.
Não faço ideia se a matéria em apreço, aquilo a que ainda insistem em chamar justiça, está ou não num caminho de melhoras.
A verdade é que a tragi-comédia que está presente em todo o lado nesse mundo deixa já poucas hipóteses para a coisa piorar.
É pois provável que melhore. Desde que se perceba que o estado actual é miserável. Incluindo naturalmente o processo legislativo.
Se não se perceber tal, a coisa continuará como dantes, Quartel-General em Abrantes.
Honra

No jornalismo confunde-se amiúde a crítica com a calúnia, a apreciação com o insulto.
O episódio de hoje, no programa de Mário Crespo, é exemplar.
À pergunta deste: “Era possível no ambiente governativo que se vivia, obter favores por dinheiro?” respondeu o entrevistado, o ministro da Presidência, que considerava tal pergunta um insulto.
Acredito que qualquer homem honrado reagiria da mesma forma.
O extraordinário é que no seguimento dessa entrevista tenha havido vários comentários a reprovar a atitude do ministro, do homem. Como se pôr em causa a honorabilidade de alguém, da forma que foi posta, fosse coisa relevável.
Sobre a essência do caso, continuo a não tecer considerações.

25/01/2009

Dias de colecção

De vez em quando, a ideia parva.
A que não sendo com toda a certeza original é bizarra. Coisa de gente sem afazeres, dirão.
É, pelo menos, mais um motivo para olhar para as paredes.

24/01/2009

A degradação

Há degradações aqui e ali que são bem notadas.
Hoje a que me saltou à vista veio em forma de DVD Planeta Ronaldo.
Como brinde do Expresso.
Pus-me a pensar qual seria a reacção do meu Pai se há 36 anos - tantos quantos leva o Expresso e é lido cá em casa – lhe oferecessem uma revista de futebol junto com o jornal.
A minha foi só irónica. Tanto quanto o poderia ser com o interlocutor.
RTP

Ouvi agora mesmo uma justificação sobre a repetição de programas na RTP.
Sabemos todos qual é a verdadeira razão para a repetição ad nauseam de concursos e quejandos.
E o que foi dito foi naturalmente um chorrilho de lugares comuns sem sentido, retirados da cartilha de qualquer marqueteiro de meia-tigela. Não seria razoável esperar mais.
A forma como fizeram o bolo, metendo no mesmo saco repetições assinaladas, em horário e canal diferente e repetições aldrabadas, de concursos emitidos sem referência de repetição no horário habitual, ainda agrava mais a ideia com que se fica.
Uma mediocridade sem justificação. Nem a falta de dinheiro a explica.

23/01/2009

Simplex

Por mor das circunstâncias, plastifiquei-me a cem por cento aqui há dias.
Na mesma leva, registei-me no Portal do Cidadão e lá pedi uma certa certidão.
Ontem, recebi um e-mail a pedir-me que reformulasse o pedido pela segunda vez, uma vez que as trocas de correspondência electrónica até então havidas com os serviços não eram bastantes.
Hoje tinha a certidão na minha caixa do correio – na tradicional, na de alumínio.
Nem me deram tempo de reformular o pedido.
Onde?

Onde andarão aqueles geniais estadistas que prometeram ao povo cento e cinquenta mil empregos?

22/01/2009

Materno

Há qualquer coisa de profundamente imbecil na rebarbativa insistência da utilização de materno – o tio materno – nesta notícia de hoje.
É uma das justas medidas da imbecilidade do jornalismo actual.
Não teço qualquer consideração sobre a essência da dita notícia.

21/01/2009

Atraso mental

Só num sítio em que o atraso mental seja prevalecente é que uma medida tendente a acertar as retenções na fonte – a reduzir o erro no seu cálculo ou na sua estimativa – pode ser entendida como tendo algum tipo de significado para além da mera correcção.

20/01/2009

Barack

Sobre Barack Obama já ouvi, já ouvimos afinal, quase tudo o que é possível ouvir.
Que é um iluminado foi uma das coisas mais divertidas de entre essas.
Há uma muito curiosa também – que ele é negro. Sendo o homem um mulato, ainda não ouvi ninguém chamar-lhe branco. Coisa que seria tão natural dizerem dele como o é, afinal, chamarem-lhe preto ou negro.
Dir-se-á que aos brancos ele se afigura preto. Seja. Nesse caso seria de esperar que aos pretos se afigurasse alvo. É até provável que haja negros que lhe chamem branco, uma vez até que o homem foi criado pelo lado branco da família. Mas se os há, não se ouvem. Estão abafados pelo clamor geral.
E é também curioso que chamar preto a um homem que é metade branco metade preto nestas circunstâncias não seja considerado um rótulo racista, à luz da mentalidade modal dos dias que correm.
Coisas!