10/07/2010

Da gentileza

A gentileza é algo que eu valorizo, determinismo à parte.
É qualquer coisa que me desarma.

Nunca fui um interneteiro.
Vi-me num IRC meia-dúzia de vezes, dez anos atrás.
Troquei umas dezenas de moedas a partir de um forum, na era do Euro.
Recebo uns três a cinco mails por mês. Ou menos. Exceptuando os dos comentários. Sequer sou alvo de spam por aí além. Já aqui o disse.
Não ingressei em nenhuma rede social, apesar do blogue.
Conheci duas pessoas por causa dele.

Não sei quem é Fernando Vilela.
Não sei quando e com que frequência visita este blogue.
Sei apenas que, por várias vezes, teve a gentileza de me enviar fotografias de placas toponímicas com dias do ano.
Fê-lo sem fazer a menor ideia de quem eu sou, apesar do blogue.
E desta vez, enviou-me esta:



A gentileza é algo que eu valorizo, determinismo à parte.
É qualquer coisa que me desarma.
Bem haja, Fernando Vilela.
Espanha, 2010

08/07/2010

A menoridade de sempre

É pelos vistos, a causa das coisas.
A ser verdade que se tratava de um atraso para uma cerimónia de tomada de posse.
Acções do Estado (II)

Estou aqui a ouvir o Ministro das Comunicações no Telejornal e até agora, para além de não ter dito coisa alguma, pareceu sempre um apresentador de programas de vinhos – disse nada com ênfase e palavras extraordinariamente escolhidas e aparentou estar convencido do que dizia. Efabulando com conceitos absurdos.
Seria de esperar mais?
Acções do Estado

Esta gente que nos governa, estes e outros que os antecederam, ainda não percebeu que quando se vende uma coisa se perdem os direitos que sobre ela se têm.
E que excepções de soberania são incompatíveis com a integração europeia.
É uma questão de capacidade. Não tem nada a ver com política nem com outra coisa qualquer.
Sabe-se que a política não é linear. Sequer é racional. É uma conjugação de forças, como quase tudo neste mundo. Avaliá-las mal é que é uma incapacidade. Racional ou artística.
Tempo


imagem do IM

Foi este gráfico que me despertou a curiosidade.
O aumento brutal da temperatura entre as duas e as três da manhã, antecedido de uma outra variação anómala entre a meia-noite e a uma, pôs-me a pulga atrás da orelha.
Vejo agora que se tratou de algo mais vasto do que um fenómeno na zona de São Teotónio.
Algo que me desperta recordações de uma certa noite do final da década de 80 ou dos primórdios de 90 em que da varanda do monte via o céu vermelho a sul, a trovoada seca e as descargas nuvem-nuvem.
Disseram-me depois que na zona central do Algarve a temperatura havia subido entre a meia-noite e as três da manhã de forma semelhante à de hoje.
Depois choveu forte e secou depressa.
Lá na vila só fez “travoada”.
E eu era muito mais novo.
Maura, a mulher-cobra e Paulo, o polvo palpiteiro

Uma das coisas por que valerá a pena passar os olhos depois do Mundial é o nascimento e a evolução da fábula do polvo palpiteiro. Propagando-se à ecúmena.
Nada mais do que uma mulher-cobra dos tempos que correm.
Não me recordo se essa também dava palpites ou era apenas uma atracção de circo.
A nível regional.

07/07/2010

Noites longas

Um alentejano contando mais de meio século tem nas suas memórias incontáveis noites de calor.
No meu caso prazenteiras.

É por isso mesmo que estranho a razão pela qual estas noites quentes me trouxeram à memória não uma das muitas que já tive o prazer de atravessar mas uma cena de um filme – a cena inicial de Body Heat em que Ned Racine (William Hurt) contempla um incêndio longínquo enquanto fuma um cigarro e ignora a mulher que se veste nas suas costas.
Não me recordo de outra cena de filme que tanto me tenha instilado uma sensação de calor.

FADE IN:

EXT. NIGHT SKY

Flames in the night sky. Distant sirens. Pulling back,
we see that the burning building is mostly hidden by dense,
black shapes that define the oceanside skyline of Miranda
Beach, Florida. We're watching from across town. The
sound of a bathroom shower comes to a dripping stop at
about the same time we see the naked back and head of Ned
Racine. We continue to pull back into

RACINE'S APARTMENT - NIGHT

Racine, dressed in undershorts, is standing on the small
porch off his apartment on the upper floor of an old house.
Racine lights a cigarette and continues to stare off at
the fire. We've passed him now, into the bedroom of the
apartment, and the shape of a young woman, Angela, flashes
by, drying her body with a towel.


trecho do guião em http://www.imsdb.com/scripts/Body-Heat.html

05/07/2010

O Princípio

Um princípio, enquanto não me convencerem do contrário, é uma lei. Segundo a qual. Segundo o qual.
Não consegui ainda perceber o que é o princípio do utilizador-pagador.
Porque não é um princípio segundo o qual quem utiliza e só quem utiliza seja o que fôr, paga.

É apenas um lugar-comum que fica bem numa argumentação vazia de conteúdo.
Sempre dá um ar...

01/07/2010

Imposto sobre a estupidez

Todos os agravamentos que ora e doravante sofrermos nos impostos, nas taxas e nas alcavalas serão devidos à nossa própria estupidez. E à estupidez dos que escolhemos para nos governarem.
Também é estúpido dizer isto, uma vez que nada disto começou hoje.
Remontará talvez ao reinado de D. Fernando. Nesse tempo, porém, a democracia era outra. Como se conta que se viu na aclamação do seu meio-irmão.
Palavra do dia



O Priberam elegeu hoje o King.
Parece-me bem. 1 de Julho, o início dos três meses em tempos consagrados ao cansaço dos ociosos excessos.
Cheira essa palavra a férias grandes, trazendo tudo o resto atrás.

Nunca joguei a versão “a parceiros”. Mas sim a “a três”, com o morto.

30/06/2010

Trabalho de campo

Hoje em dia há máquinas que registam na foto as coordenadas esféricas e o azimute.
E para quem não tem nada disso, há o Google.



Antes ou depois, há a discussão sobre se isto é bom ou mau.
Big Brother is actually watching you.

28/06/2010

Aprendizagem

Uma das coisas que é impossível transmitir aos novos é o que é o envelhecimento.
Seja porque o exposto é intrínsecamente verdadeiro, seja porque os novos não querem ouvir ou não são capazes de entendê-lo, seja porque os velhos querem poupar aos novos as notícias dessa provável fatalidade, seja ainda porque os anciãos têm mais com que se preocupar.

Ia escrever que, com a idade, se deixa de aprender nas viagens, como se deixa de aprender em quase tudo, contrariando o “todos os dias se aprende” e indo ao encontro do “burro velho não aprende línguas”.
Não se aprende, apenas se toma nota, se verifica.
Ia escrever mas...
Ocorreu-me então que, algures em certa rua de uma cidade média do mundo ocidental, se me entranhou a ideia de que a civilização (ou o IDH, como se pretende medir tal coisa) se relaciona com o cheiro a mijo (haveria que criar uma escala para o graduar, eventualmente com a ajuda dos cães ou das borboletas, caso não exista já) através de uma equação diferencial.
De que forma, não faço a menor ideia.

Aprende-se, afinal, a congeminar disparates. Que não são mais do que aproximações, afinações, de disparates antigos.

26/06/2010

Palpite falhado

Com algum estrondo.
O somatório da diferença de golos dos terceiros classificados de cada grupo dá -10, tal como há quatro anos na Alemanha.

Hespanha Velha, 2010