04/11/2010

Os mercados



Vai para um quarto de século, ao balcão do banco onde fazia as minhas apostas na bolsa, um alpaca, acenando com um folheto, enumerava-me, de acordo com as tabelas constantes do dito folheto, as vantagens de ir a uma certa OPV.
Depois de o ouvir até ao fim, respondi-lhe que considerava esta coisa dos mercados mais como um reflexo do faro de alguns e menos como uma sólida consequência de uma conta de somar. A palavra que usei era uma derivada de psique, disso recordo-me.
E apesar de não ter a menor recordação da cara dele – ainda que considere ter uma razoável memória fotográfica – tenho a lembrança do tipo de morfologia indumental e do ricto que talvez significasse a distância benevolente face a um indivíduo mais novo e mais ignorante dos segredos da vida.
Passava-se esta cena no tempo fervilhante que antecedeu a noite do “gato por lebre”, única ocasião em que um político me fez sair da cama mais cedo. No dia seguinte, à primeira hora, dei ordem para vender tudo.
Talvez ao mesmo alpaca.
Muitas vezes até hoje me lembrei dele.
Por ter achado que ele estava convencido do que dizia, ao contrário do que sucede com o vulgar vendedor.
É isso que acho muitas vezes a propósito daqueles que, com responsabilidades, dizem não concordar (mais significativo do que não perceber) com a evolução dos mercados - que estão mesmo convencidos do que dizem.
Não digo que não seja um grosseiro erro meu. De avaliação.

03/11/2010

Os bois



Como é preciso arrumar os bois partidários em manjedouras (sempre a olhar para um palácio) admira-me que esta iniciativa para criar uma comissão ainda não tenha sido copiada cá.
Sem submissão a sufrágio, naturalmente, e com fundos do erário público.
Será por causa dos cortes na despesa?

02/11/2010

O obamismo

Gerou o Tea Party.
Equivalem-se em profundidade. Em substância.
Os que criaram o mito Obama, creram na mais velha das crenças: serem todos mais felizes, mais ricos, mais saudáveis, mais bonitos por causa de um só homem.
Os outros crêem na mais velha das crenças, antes daquela e vice-versa, que é tudo simples desde que reduzido ao canónico. Um argumento (crença) de rabo na boca, perto de La Palisse.
Por se equivalerem em profundidade e substância é que germinam (germinaram) a par, na mesma terra.
Uma soma de zeros dá zero.
Classificá-los, a uns e outros, com outros apodos é não atentar à soma.

As meninas do Tea Party fariam as delícias de um velho amigo. Que assevera haver um tom de voz que é inequívoco quanto à capacidade mental das mulheres e que gosta delas assim.
Quanto a mim, não estarei instalado na residencial das eleições americanas.
Ou seja, um sítio de eleição para os primeiros dias de Novembro.

01/11/2010

Terrorismo

Não faço a menor ideia se estes alertas para o terrorismo que volta e meia são substanciados por episódios mais ou menos rocambolescos são ou não legítimos.
Acho irrelevante que o sejam ou deixem de o ser.
O que é relevante e notável é que o mundo ocidental tenha estado a salvo de um atentado de grandes proporções desde Julho de 2005. Há mais de cinco anos.
Isto significa que tem sido feito muito bom trabalho de sapa. Não pode haver disso a menor dúvida.
O que não quer dizer que um dia destes não sejamos atacados em grande escala pelos nossos inimigos. Por uns inimigos que nem sabemos que temos.
É uma questão de tempo, apenas.
Classe média

Estou um bocado farto de ouvir a classe média queixar-se de que não pode trocar de carro, ir de férias para o estrangeiro, comprar uma televisão plana, ir ao cabeleireiro ou ao restaurante todas as semanas, etc. etc..
Os pobres não passam bem nos telejornais, é certo.

31/10/2010

Restos de colecção (73)


em clicando, ampliará
Tac tac bagatelas

Há-de haver uma razão maior para David Cameron ter recebido (para as objectivas) Angela Merkel, de mangas arregaçadas.
Ou não.
Das horas que são

Atentando às pretensões dos insatisfeitos com a mudança da hora, percebe-se que a maioria o que quer não é este ou aquele fuso horário, quer dias mais longos. É só isso. E não lhes fazem a vontade.

29/10/2010

Serão loiros ou ruivos?

Os Maomés ingleses e galeses.
Raoul’s umbrella*


© Disney / Cameron Mackintosh - imagem encontrada aqui

Confirma-se. Foi em 1994, pelo São Miguel, na feira de Ourique, a última vez que comprei um chapéu de chuva.
Um daqueles azuis, a sério. Que ostentei, alardeando a minha deambulação feiral com uma namorada improvável.
Esse outono e esse inverno e os do ano seguinte terão sido provavelmente os últimos em que me dotei de tal adereço para me abrigar da chuva.
Faço conta de ir hoje comprar um.
O que dá, se só andei duas invernias com o último, quinze anos. Mais perto de um terço da minha vida do que de um quarto.
Isto deve querer dizer qualquer coisa sobre:
A meteorologia dos últimos anos nos locais onde costumo hibernar.
Os meus hábitos de vida e de indumentária.

O cajado do de Ourique vai dar uma belíssima bengala.

*jogo de palavras enigmático.

28/10/2010

Da loja do chinês


(em clicando, ampliará)

Nem isto é nenhuma novidade nem se dá o caso de traduções realmente importantes não serem feitas pelos mesmos meios.
Esta é só especialmente ridícula.

27/10/2010

26/10/2010

Restos de colecção (72)


in Ministério das Obras Públicas - Plano Comemorativo - 1966

25/10/2010

Javardo



Quando vi este sinal no anúncio, veio-me à memória um outro, com três porquinhos de rabo retorcido, feito à medida.
Esse é mais difícil de filmar/fotografar.

24/10/2010

Às tantas

Trazem esta história à baila para ver se ensinam alguma coisa. É raro, mas acontece.
Medidas simbólicas

Há umas coisas a que alguém deu o nome de medidas simbólicas e que são as primeiras medidas com um algum alcance que um governo toma.
Desde o fecho dos hipermercados nas tardes e noites de domingos e feriados até à deslocação de secretarias de Estado para fora da capital, temos que considerar a abolição de portagens na CREL, a possibilidade de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica fora das farmácias e outras que agora não me ocorrem.
Verifica-se que deste lote só sobrevive a última.
No resto, temos um rol de asneiras que, a prazo, foram corrigidas. O que é significativo.
Ainda não consegui que alguém me explicasse a repercussão que a abertura dos hipermercados nas tardes e noites de domingo tem para o pequeno comércio retalhista.
Acho que, com isto, não quebrei a promessa que fiz. Levo isto à conta de História.