20/11/2010

Pacifismo

Disse aqui há tempos que começaria a levar a sério uma certa tropa dita ambientalista no dia em que ela começasse a dizer que é preciso reduzir a população mundial.
Digo agora que começarei a levar a sério uma certa tropa dita pacifista no dia em que a ouvir dizer que é preciso exterminar a raça humana.

19/11/2010

Tradução instantânea

Estou aqui a ouvir Rasmussen e a intérprete de português cuja tradução soa em dois canais – SICN e TVI24.
Tenho a perfeita consciência da minha incapacidade para uma tal coisa.
Talvez por isso valorize mais quem o faz.
A intérprete tem sido irrepreensível, considerando a tarefa.
Lembrou-me a cimeira de 1996 da OSCE em Lisboa.
O intérprete que um canal de televisão lá colocou não fazia a menor ideia do que era tradução instantânea.
Depois de ter gaguejado, parado e quase chorado, disse algumas vezes “mas é impossível...”.
Foi substituído, ao fim de um dos mais longos períodos de bizarria televisiva, por alguém com a mesma desenvoltura da senhora de hoje.
A diferença entre os capazes e os incapazes é, afinal, fácil de traçar.

17/11/2010

Da bola (cont.)

Não estamos esquecidos das péssimas exibições da selecção nacional de futebol em tempos recentes.
Mas aqui vejo substanciada a minha opinião de que, nos últimos jogos oficiais, as equipas portuguesa e espanhola se equivaleram.
Portugal tem uma das melhores equipas de futebol de todo o mundo. Não é preciso o ranking da FIFA para sabermos isso.
Tal como no anúncio acho que do iogurte, faltou “um bocadinho assim” em algumas ocasiões, para trazermos a taça. Aos espanhóis não faltou nos dois últimos anos.

Hoje, porém, não faltou nada. Foi um olé a feijões.
As oportunidades nem sempre se repetem. Quando é a sério.

adenda da responsabilidade do jornal "Marca":
Da bola

Dos últimos jogos oficiais com a Espanha – 2004 e 2010 – ficou-me a ideia de que se o resultado fosse o inverso, ninguém ficaria escandalizado.
Já aqui o disse.
A ver vamos o que dá este amigável.
Do último (0-3 em Guimarães em 2003) não ficaram grandes recordações.
Nesse sim, o resultado espelhou bem o que se passou em campo.

16/11/2010

Teoria do campo onírico

E era neste comboio que eu dormia, no competente wagon-lit, algures na Linha de Sintra.



Talvez ainda venham a lume, a talhe de foice, as circunstâncias que aqui desembocaram.

15/11/2010

Futuro

Qual a altura da torre São Rafael (ou seria São Gabriel?) no Parque das Nações? – era a pergunta do concurso televisivo.
As respostas mais disparatadas foram 12 m e 1000 m.
Ambas foram dadas por professoras.
É este o futuro que se prepara para o país.


Correcção: calcular a altura de uma torre qualquer em 12 m não é um disparate. Só o é sabendo de que torre se trata. E saber de que torre se trata não é propriamente uma exigência para qualquer professor.
Já responder 1000 m é não ter a "noção das proporções", coisa que se requer em qualquer professor, de qualquer área.

14/11/2010

Da idade e das falhas de clarividência

Uma coisa que me assusta ou que me assustou e já não me assusta ou que me assusta cada vez menos é não ter a paciência, a concentração e a clarividência para, por exemplo, ao construir um algoritmo em que entra uma constante k (que é de cálculo simples), encontrar o seu valor pelo dito cálculo mas ir lá por iterações.
Uma espécie de bilhar à zona.

13/11/2010

Imagem do dia



E não. O carro não é meu.
E sim, foi a primeira vez que vi um carro novo com a matrícula errada na papelada.

12/11/2010

Câmbio

Quando ouço falar em propostas de regular câmbios entre diversas moedas – regular como, em favor de quem? – ocorre-me a velha história dos vizinhos em guerra que me foi contada lá na tenra idade em que era preciso perceber os paradoxos e testar a lógica:
Os carrapatenses estavam em guerra com os pulguícaros.
A moeda de Carrapatécia era o carrapato, claro. Enquanto a de Pulguícara era a pulga.
Abertas as hostilidades, o governo de Carrapatécia decidiu que a sua moeda, o carrapato, haveria de valer duas pulgas e não mais uma – que a paridade tinha sido frequente em tempo de paz.
Os pulguícaros, de imediato, retorquiram – a pulga passou a valer dois carrapatos.
Não tardou que os fronteiriços, arteiros no contrabando, iniciassem jornadas que tais:
Os de Carrapatécia muniam-se de mil carrapatos, que era muita massa, trocavam-nos na sua terra por duas mil pulgas e, cruzando a fronteira, aventuravam-se em país inimigo onde gastavam mil e quinhentas das duas mil pulgas e trocavam as restantes quinhentas por mil carrapatos.
Logo tornavam, a salto, ao país natal com os alforges cheios e o mesmo dinheiro com que tinham saído de casa. Tudo legal, excepto o contrabando e a violação da fronteira.
Os de Pulguícara haveriam de lhes ficar atrás?

11/11/2010

11 de Novembro



clicando, ouvirão a Madelon
imagem composta a partir de duas encontradas aqui e acolá

10/11/2010

Um número tipo-Erdős

Tenho a ideia de que a maioria das pessoas se deteve já a magicar sobre as redes de conhecimentos – sobre quem conheceriam os seus conhecidos e sobre quantas pessoas seriam precisas intercalar, partindo delas até se chegar a determinado indivíduo.
Alguém deu a esse número, com uma pequena diferença de conceito, a designação de número de Erdős.
Não se trata de nada mais do que do número de passos do caminho mais curto entre dois nós, numa dada rede.
As actuais redes sociais virtuais possibilitam a quem as gere obter uma boa aproximação sobre a moda desse número.
Ou seja: considerando, por exemplo, o universo do Facebook, qual será a moda do número mínimo de passos necessários para se ir de um indivíduo a outro, aleatoriamente escolhidos?
Qual será o número inteiro a partir do qual, temos apenas uma percentagem marginal de relações binárias indexadas a esse número e aos seus sucessores em ordem ascendente?
Qual será a correlação que existe entre uma amostra feita no Facebook e o mundo real?
Qual será o número tipo-Erdős mais frequente na ecúmena, considerando pessoas que se cumprimentaram pelo menos uma vez?


exemplo meramente ilustrativo e sem significado a partir de um mapa do Facebook
(clicar para ampliar)

09/11/2010

FCP



Desde a 6ª jornada que o Futebol Clube do Porto parece ter o titulo assegurado.
Isto por comparação com o que aconteceu nos últimos quinze anos.
Não há nenhum caso em que uma tal diferença de rendimento – 100% para o Porto contra 61 % de Académica, Braga e Guimarães que eram então os segundos classificados exaequo – tenha sido superada nos jogos restantes.
O Porto é portanto campeão no final de Setembro!

Não sou propriamente um apreciador das cores portistas. Não que não torça pelo Porto nas competições europeias, mas fico incomodado com o grupo de pessoas que, à volta dele, acendem uma certa raiva anti-lisboeta e anti-sulista.
Raiva essa que não se nota em mais clube nenhum, do norte ou do sul, do continente ou das ilhas. Raiva da qual acabam por ser vítimas, por ricochete.
Essa raiva, extravasada dos lindíssimos contornos do Estádio do Dragão, só tem algum paralelo recente nas declarações de alguns madeirenses.
Quanto ao clima cismático que pretende criar, excluindo os episódios madeirenses, só indo buscar a linha de Rio Maior em 1975 ou o nebuloso caso do movimento independentista algarvio se encontram similitudes. Num contexto completamente diferente.

O Futebol Clube do Porto, apesar de ou contando com esta singularidade, merece o crédito das suas façanhas futebolísticas.
Mas não cria simpatias entre os que hostiliza, directa ou indirectamente.

08/11/2010

Coordenadas

Então trata-se de encontrar os pontos estruturantes do desenho, em coordenadas esféricas.
Adaptadas aos hemisférios, e em proporção resultante da média de ambas (uma é rectangular, outra quadrada e a cruz tem nas duas proporções diferentes em relação à altura), de um lado, a bandeira da Cruz Vermelha, do outro a da Suiça.
Isto para ilustrar a bola que ressaltou nas cabeças dos que acompanhavam à última morada uma de duas pessoas.
Vista de um balão goodieariano, em trajectória ascendente, depois de uma justificada e indignada charutada desferida por um dos circunstantes.
A história é muito mais complicada do que os cálculos.


imagem adaptada do Google maps

04/11/2010

Os mercados



Vai para um quarto de século, ao balcão do banco onde fazia as minhas apostas na bolsa, um alpaca, acenando com um folheto, enumerava-me, de acordo com as tabelas constantes do dito folheto, as vantagens de ir a uma certa OPV.
Depois de o ouvir até ao fim, respondi-lhe que considerava esta coisa dos mercados mais como um reflexo do faro de alguns e menos como uma sólida consequência de uma conta de somar. A palavra que usei era uma derivada de psique, disso recordo-me.
E apesar de não ter a menor recordação da cara dele – ainda que considere ter uma razoável memória fotográfica – tenho a lembrança do tipo de morfologia indumental e do ricto que talvez significasse a distância benevolente face a um indivíduo mais novo e mais ignorante dos segredos da vida.
Passava-se esta cena no tempo fervilhante que antecedeu a noite do “gato por lebre”, única ocasião em que um político me fez sair da cama mais cedo. No dia seguinte, à primeira hora, dei ordem para vender tudo.
Talvez ao mesmo alpaca.
Muitas vezes até hoje me lembrei dele.
Por ter achado que ele estava convencido do que dizia, ao contrário do que sucede com o vulgar vendedor.
É isso que acho muitas vezes a propósito daqueles que, com responsabilidades, dizem não concordar (mais significativo do que não perceber) com a evolução dos mercados - que estão mesmo convencidos do que dizem.
Não digo que não seja um grosseiro erro meu. De avaliação.

03/11/2010

Os bois



Como é preciso arrumar os bois partidários em manjedouras (sempre a olhar para um palácio) admira-me que esta iniciativa para criar uma comissão ainda não tenha sido copiada cá.
Sem submissão a sufrágio, naturalmente, e com fundos do erário público.
Será por causa dos cortes na despesa?

02/11/2010

O obamismo

Gerou o Tea Party.
Equivalem-se em profundidade. Em substância.
Os que criaram o mito Obama, creram na mais velha das crenças: serem todos mais felizes, mais ricos, mais saudáveis, mais bonitos por causa de um só homem.
Os outros crêem na mais velha das crenças, antes daquela e vice-versa, que é tudo simples desde que reduzido ao canónico. Um argumento (crença) de rabo na boca, perto de La Palisse.
Por se equivalerem em profundidade e substância é que germinam (germinaram) a par, na mesma terra.
Uma soma de zeros dá zero.
Classificá-los, a uns e outros, com outros apodos é não atentar à soma.

As meninas do Tea Party fariam as delícias de um velho amigo. Que assevera haver um tom de voz que é inequívoco quanto à capacidade mental das mulheres e que gosta delas assim.
Quanto a mim, não estarei instalado na residencial das eleições americanas.
Ou seja, um sítio de eleição para os primeiros dias de Novembro.