22/01/2011

Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença segunda

Uma medida da idade é a frequência com que as nossas histórias, reais e inventadas, nos rebentam na mente como episódios de amor mal resolvidos.

20/01/2011

Coisas que os antigos diziam de outra maneira

Depois de construíres uma reputação, ela paga-te, destruindo-te.

17/01/2011

O anspeçada fotógrafo

Verifica-se que, desde a minha despromoção a anspeçada no final de 2006, o número de fotografias tiradas diminuiu.
O valor do ano de 2005 refere-se a cinco meses.
A azul claro, um valor médio ponderado para o ano inteiro.
Se em 2011, como espero, recuperar a minha condição de cavaleiro, isso reflectir-se-á no número de fotografias?
A ver vamos – por um óculo. Por um diafragma.

16/01/2011

Céu de 19000



E outras histórias.
A materialização de sete sonhos ali, na mesa do fundo, entre a juíza e a espanhola perdida em Trás-os-Montes.
De origem perfeitamente definida.
Boa tarde sou eu.
E assim foi. Sob o céu de 19000.

13/01/2011

Balanço do ano

Espero que o Brasil tenha fechado já o ano de 2011 no que concerne a catástrofes.

11/01/2011

Notas de viagem



Que não se fale da azeda troca de palavras ali ocorrida pouco antes.
Não se tratava senão de uma sala de viagem.
Por ali me deitava numa divã encostado à antepara de vante.
Quando a paisagem lá fora escureceu a uns milhares de pés de altitude, o meu espanto foi apaziguado pelo esclarecimento de um passageiro habituado – é o túnel de verificação de sinais, faz um espécie de check-up à aeronave, a meio do Atlântico.
Quando de imediato uma volta apertada e descendente terminou numa aterragem na ilha, calculei que o avião chumbara no teste.
Enganei-me.
Era uma paragem para desentorpecer as pernas e comer o farnel.
Estranhei que o caminho para o Brasil tocasse os Açores. Mas comi a sandes na mesma.

10/01/2011

Break-even

Tenho pensado nisto ultimamente.
Quando devo eu parar de comprar livros, por me ser já impossível lê-los?
Diz o INE que a minha esperança de vida é de 31,8 anos*, média que aliás eu fiz, e não o INE, combinando o local de residência com o de origem.
Isso dá, pela dita média, 1654 semanas.
Há dois anos e meio que me dou ao trabalho de ir tombando os livros que compro e os que vou lendo.
Verifico que, desde essa altura, leio cerca de 1,8 livros por semana.
Minoremos isso para 1,5.
Se me mantiver em estado de manter esse ritmo de leitura, ainda dá para quase 2500 livros.
Dos tombados, tenho cerca de metade disso para ler. 1222 neste preciso momento.
Dos que tenho nas estantes sem estarem registados nem lidos, creio que umas centenas.
Estou portanto na fase de só comprar muito criteriosamente.
Ainda dá tempo para os ler todos, espero.

Entretanto, já depois de ter alinhavado estas palavras acima na sexta-feira passada, tive tempo para arrematar mais 35 deles.

* Adenda em 12 de Janeiro de 2011 – não sei como é que cheguei a 31,8 anos quando o resultado é 26,7. Suspeito que troquei as contas por um palpite. Chumbo em ciências exactas.

09/01/2011

Surpresa

Quando se diz que se está surpreendido por uma revista, qualquer que ela seja, levantar um problema da governação de um país, qualquer que ele seja, sem que tal problema tenha sido debatido nas devidas instâncias, isto revela o quê?
Isto não é uma atitude semelhante à que condena ou diz não entender os mercados? – em suma uma ocasião em que mais valia nada dizer.

08/01/2011

Uma era

A SIC Notícias começou a emitir há dez anos – não falam por lá de outra coisa, hoje.
Independentemente do meu juízo normalmente negativo do jornalismo, causado pela impreparação de muita gente que aparece a papaguear coisas que não entende, a caracterizar coisas que desconhece e a empolar nadas, é positivo que haja um tal canal de televisão e os seus congéneres. Fará talvez com que deles saiam no futuro profissionais mais preparados, dadas as exigências que presidem a um canal de notícias, diferentes das que geraram grande parte dos profissionais de agora.
Mas com eles acabou uma era. A da televisão generalista e gratuita. Gratuita se fizermos um esforço para esquecermos a antiga taxa de televisão e a contribuição áudio-visual que ainda hoje se paga para o serviço público.
O que resta dessa televisão é pouco mais do que refugo, para não lhe chamar coisa pior.
Um equador



Um equador separa dois mundos - a face oculta e o lado solar. Para lá dele todos os locais distam de cada um de nós, no pólo pessoal, mais do que qualquer um dos que ficam aquém.
No nosso pólo, deitados na horizontal, caminhamos erectos sobre um ponto desse equador.
Assim nos deitemos de cabeça à roda, assim circularemos sobre tal linha.
Que cada um saiba onde passa o seu equador, dado o pólo onde escolha deitar-se.

Talvez ainda volte a falar do meu, dos sítios por onde passa.

07/01/2011

Percentagens



A título de curiosidade, o número de votos recolhidos e as respectivas percentagens pelos presidentes reeleitos:




1980 Ramalho Eanes 3262520 56,44%
1991 Mário Soares 3459521 70,35%
2001 Jorge Sampaio 2401015 55,55%


dados da CNE*

* embora o número de votos apenas conflitue com os dados do antigo STAPE, a fórmula de cálculo das percentagens, diversa de organismo para organismo, dá valores diferentes aqui e acolá.

06/01/2011

Duas notas com ano e meio

“[...] Sobre isso já disse o que disse, mas cabe ainda acrescentar que, sendo leitor do Expresso desde 1973, apreciei devidamente a arrogância publicitária do BPP na Revista do dito ao longo dos anos (alguém já terá enumerado os colaboradores voluntários de tal publicidade?).
Fiquei, talvez por não ser parte do público-alvo da coisa, quase desde o primeiro momento, com a devida erisipela ao ler as notas à margem dos textos dos convidados. [...]
”
aqui, em 9 de Junho de 2009

Finalmente, alguém se lembrou da lista dos que fizeram propaganda ao BPP.

Alguém dizer agora, como disse Manuel Alegre, que não sabia para que serviria o texto que escreveu, não abona nada em seu favor.
Tal como não abonava a seu favor então e agora, a declaração de Cavaco Silva que tinha (tem) perdido muito dinheiro com as suas aplicações financeiras.

“Diz o Presidente da República que está a perder muito dinheiro com as aplicações das suas poupanças. [...]”
aqui, em 3 de Junho de 2009

04/01/2011

A burra de Wim Wenders

Tenho uma certa predilecção pelos filmes de Wim Wenders, é certo.
Não contava, porém, ver-me a braços com uma burra teimosa pertencente a um dos meus velhos amigos, figurando esta – que não eu - num filme do dito.
Tanto andava por ali, cavalgando-a em pêlo, apenas com uma corda a jeito de rédea, como via do alto a sombra de alguém sobre o caminho, a puxá-la.
A sombra, apenas. A que se acrescentava a da sirga muito para além das mãos da sombra.
No final, havia um almocreve escondido, com carroça e tudo, dentro de um retábulo.
O meu amigo foi lá acordá-lo, de má catadura.
De Wim Wenders, nem o rasto.