Ibn LadenO homem que foi morto entre o desligar do computador e o ligar da televisão do quarto – aqui falava-se do ataque a Kadhafi, ali já se viam as garrafais
Breaking News e o competente tom assanhado do jornalista – esteve para morrer muito mais tarde. É que entre Van Vogt e as notícias do mundo para a sossega, estava mais inclinado para o primeiro. Morreria hoje por esta hora, mais coisa menos coisa.
Este homem, a quem associei por via das notícias soltas que sobre ele lia ou ouvia antes de 2001 uma imagem de magnata árabe-ocidental traficante de armas, que talvez se pavoneasse em iates de luxo pelo Mediterrâneo, entre Monte Carlo e Portofino, enchendo páginas de revistas sociais, revelou-se-me com o estereotipo que depois lhe colaram, muito diferente do meu julgamento inicial.
Mas de um a outro retrato, tudo o que sabia era o coado por múltiplas intervenções dos criadores de mitos.
E foram os criadores de mitos que criaram Osama Ibn Laden.
E foi o Ocidente que encheu esse mito como um balão.
O homem está morto, disseram-me ali na televisão do quarto pelas três e tal da manhã.
O mito é que não.