27/08/2011

Manhattan submersa

Ilustração e interpretação poética do barulho que os comentadores e os repórteres fazem a propósito do furacão Irene e da sua eventual passagem por Nova Iorque:



Adaptação de folheto turístico do Empire State Building do início da década de 60.

26/08/2011

Um Cristo-Rei de plástico


fotografia de Teresa Guerreiro

Há uns anos – e se o tempo passa depressa aqui nos blogues – ostentei aqui a minha honesta intenção de adquirir um Cristo-Rei de plástico igual aos que com que me confrontei amiúde na minha infância nas mais diversas casas.
Ao que parece tais relíquias foram sendo rejeitadas através das décadas sem que tenham aparecido na Feira da Ladra ou em lojas de monos.
Pois bem, mão amiga firmou-se no botão da máquina e bzzzztchtk, alcançou este plano de um Cristo-Rei em plástico chinês, se é que se pode designar assim aquela resina de fractura concoidal que é habitual nos santos de plástico hodiernos.
Já sei onde ele mora. Agora é só arrematá-lo e partir depois em busca da buzina de bexiga. Só depois virá a andorinha de louça.

24/08/2011

Armagedão

Um dos hipotéticos cenários para uma destruição em grande escala que alguns calculam poder ser muitíssimo mais grave do que os recentes casos dos maremotos do Índico e do Mar do Japão e do sismo de Port-au-Prince, é a erupção de um dos vulcões de La Palma, nas Canárias e um subsequente colossal deslizamento de terras.
Creio que este cenário terá sido já objecto de correcções de tiro após os maremotos recentes. No sentido de calcular menores estragos em sua função.
O que suscita este tema é a actual crise sísmica em El Hierro que pode prenunciar uma erupção, coisa que não sucede, segundo os dados que consultei, desde 1793.
La Palma é logo ali ao lado. A 100 km.
O assunto nem por isso tem sido objecto de notícias.


sismos em El Hierro desde 8 de Julho p.p. - imagem composta a partir de cartografia e dados do IGN de Espanha

23/08/2011

Deus é grande!

A tradução que talvez melhor se encaixe para الله أكبر será “Louvado seja Deus!” em vez de “Deus é grande!”. Isto porque, na minha qualidade de absoluto leigo em linguística, considero que o espírito da coisa dita se vulgarizou mais na língua portuguesa naquela expressão do que nesta outra, mais à letra.
“Bendito seja Deus!” e “Graças a Deus!” são, terão sido, ainda muito mais vulgares na nossa língua do que “Deus é grande!”.
Todas elas louvam Deus de uma forma semelhante. Ainda que alguns defendam que Alá é mais qualquer coisa do que Deus e que esta frase significa isso mesmo. Partindo assim do absoluto divino para o relativo divino. Mas isso é outro assunto.
Pergunto-me quantos anos teríamos que recuar na nossa História para irmos dar a uma época em que qualquer uma destas expressões estivesse permanentemente na boca dos circunstantes face a qualquer acontecimento extraordinário que suscitasse a invocação do divino em catadupa.
São esses anos todos que nos separam civilizacionalmente, entre massas, do mundo que traz na boca tal expressão a cada passo, a cada meia-dúzia de segundos.
Eh, pá!
Explosão

A vingança de Kadhafi vem em forma de terramoto em Washington. Literalmente.


© USGS

22/08/2011

Facínora


imagem da RTP

O facínora de quem se fala agora tem umas estranhas semelhanças de nome e de aspecto com um homem que acampou em São Julião da Barra aqui há três anos e meio.
Bem sei que nada disto é novo, que sempre assim foi, mas às vezes dá vontade de confrontar certos artistas com a sua arte.

20/08/2011

Tubarone!!!

Em tempos, conheci uma figura de almanaque que, entre outras, tinha a actividade de guia turístico marítimo na costa algarvia.
Uma das suas especialidades era causar o terror pânico às camones apontando os tubarões que por ali andavam. Gritava Tubarone!!! e esperava que elas se agarrassem a ele em busca de protecção.
Tudo isto ele contava com grande detalhe e exagero entre umas mines e umas alcagoitas na esplanada da praia de que também era concessionário.
Nesse tempo longínquo ainda as televisões (a televisão) não sabiam que havia tubarões na costa sul.

19/08/2011

Preconceito

Tenho um preconceito que me diz ser hoje a Espanha um dos sítios mais equitativamente divididos entre crentes e antieclesiastas.
Mistérios da toponímia ou da ortografia

Há pouco, a página dos fogos da ANPC mostrava estas duas entradas:



Nenhum dos topónimos é reconhecido pelo mapa do IGEOE. As ligações ao Google vão dar a locais onde os topónimos são outros.
Digamos que um fogo está no limite e o outro se apresenta mortal.
Tenebra ou assim

18/08/2011

A bomba de neutrões

Ainda que a bomba de neutrões cause danos às estruturas abióticas, seria talvez uma arma mais interessante, aplicada com certo critério, do que a descabelada destruição dos motins da mole.
A factura a pagar para a reconstrução seria mais baixa e os efeitos pretendidos mais eficazmente conseguidos.
Ou não?

17/08/2011

Restos de colecção (74)



in Association Internationale Permanente des Congrès de la Route - IX Congrès International de la Route, Lisbonne 1951 - Compte Rendu des Travaux du Congrès

16/08/2011

Dupla sem xis

Eu estava convencidíssimo de que ele não conseguiria.
Não que as circunstâncias me tivessem dado muito tempo para tal conjectura.
Mas naquele relâmpago em que pressenti a jogada, talvez por conhecê-lo de ginjeira, antevi o acto falhado.
Jacinta, Eduarda... ficas a conhecer a mulher da minha vida.
Dos encontros casuais – o meu, com ele e Jacinta, o dos três com Eduarda que tal como eu viajava sózinha, resultou este passe que relato.
Ele e Jacinta há muito que se haviam separado. Eduarda tinha sido posterior na lista.
Pois ainda hoje penso que ele conseguiu.
Que conseguiu deixá-las a ambas no mesmíssimo ponto – na dúvida, se é que no fundo, no fundo, a dúvida existia, convencidas de que era a si própria que ele se referia.
Ambas no mesmíssimo ponto. E eu, que tal julgo ter testemunhado, não fiquei a saber.

14/08/2011

Ciclismo e protagonismo

Vi há pouco Marco Chagas receber uma placa comemorativa da sua vitória na Sertã, na Volta de 1976.
Isso lembrou-me uma coisa. Fui ver aos jornais e sei agora que faz hoje exactamente 32 anos que, estando sentado no poial de uma das portas de casa, provavelmente tabaqueando a fresca da hora de jantar, vi um grupo de ciclistas envergando as camisolas do Lousa Trinaranjus sentar-se no poial em frente, em descanso de jornada.
Entre eles estaria eventualmente Marco Chagas. Que sendo pouco mais velho do que eu já era uma figura destacada e acabaria por vencer a Volta desse ano, ainda que depois lhe tenha sido averbada a desqualificação.
A cena ainda me aparece à frente dos olhos. A calma estival alentejana, o quase silêncio, as cores do crepúsculo, e as cores garridas do fardamento dos ciclistas a pintalgar grande parte do meu campo de visão.
Nenhum desses poiais existe hoje.
O sítio é agora muitíssimo agreste. Duvido que alguém ali se sente à espera de nada.


postal ilustrado edição da equipa

Este postal, que também acabei de encontrar, remexendo nos arquivos, embora seja cinco anos posterior, dá uma indicação sobre o porquê da pernoita lá na vila da equipa do Lousa Trinaranjus.
Troço cronometrado

Diria que desde 1985, pela 120 a caminho de Alfambras, que não me sintonizava tão bem com dois volantes – o que me seguia à frente e o que me perseguia.
Foi ontem à tardinha no troço do Gradil. O da frente era um C2, o de trás um 308. Não seria por nenhum de nós que se faria o mercado das pastilhas de travão.
Devemos ter feito tempos idênticos. E foi, claro, preciso aos três ultrapassar o consabido concorrente atrasado dos fins-de-semana.


Trecho de um mapa do ACP com o velho troço do Gradil assinalado

12/08/2011

Meninos d’ouro

O pagode pagava melhor as alcavalas se visse um lote de meninos d’ouro levar cada um o seu bem colocado chuto no cu.
A coisa continuando e tal não acontecendo, vamos ter merda a sério.