Execrável
É a palavra que encontro para classificar o nível médio dos comentários aos Jogos Olímpicos nos canais de televisão.
A coisa vai dos erros grosseiros, típicos de quem não percebe o que está a ver, à emissão de opiniões que são dispensáveis, com o seu paroxismo a ser atingido na minha apreciação por um tipo que teve a lata de criticar o público que na opinião dele sofre de medalhite aguda ou crónica.
É tudo tão mau que está em perfeita sintonia com o estado a que chegámos. Não há surpresas, o homem não mordeu o cão. Isto não é notícia.
Mas é talvez altura de começarmos, os que ainda podem fazê-lo, a pensar na forma de escolher melhor quem faz estes e outros trabalhos e também de preparar essa gente.
É que a mediocridade é um lamaçal espelhado. Os medíocres olham-se nele e concluem que tudo vai bem.
04/08/2012
03/08/2012
01/08/2012
Fará
Fará trinta e seis anos daqui a umas horas, restávamos só nós dois da trintena do costume.
Naquela noite éramos novatos no sítio.
Alternámos então, do banco frente ao mar na noite quente, a caminho da barraca das cervejas por rodadas que esgotávamos placidamente e sem grandes conversas.
Esse foi o prenúncio de um Agosto agitadíssimo, do qual saímos todos muito diferentes.
O ter amigos velhos dá nisto – trinta e seis anos depois estamos prestes a violar uma regra sagrada, aquela que dita que os negócios são à parte.
Sugiro-te que, entre todas as cervejas que bebemos juntos, pelos séculos dos séculos, consideremos essas o selo do negócio que iremos firmar.
Fará trinta e seis anos daqui a umas horas, restávamos só nós dois da trintena do costume.
Naquela noite éramos novatos no sítio.
Alternámos então, do banco frente ao mar na noite quente, a caminho da barraca das cervejas por rodadas que esgotávamos placidamente e sem grandes conversas.
Esse foi o prenúncio de um Agosto agitadíssimo, do qual saímos todos muito diferentes.
O ter amigos velhos dá nisto – trinta e seis anos depois estamos prestes a violar uma regra sagrada, aquela que dita que os negócios são à parte.
Sugiro-te que, entre todas as cervejas que bebemos juntos, pelos séculos dos séculos, consideremos essas o selo do negócio que iremos firmar.
31/07/2012
30/07/2012
28/07/2012
27/07/2012
Especialistas
Os tipos que relatam o desfile olímpico para a RTP anunciam a representação do Reino Unido e a tentativa de Ian Thorpe, que eles tomam por americano e confundem com Phelps, de bater o recorde do número de medalhas olímpicas.
São dois erros crassos, que qualquer criança que houvesse feito o trabalho de casa, não conhecendo o assunto, não cometeria.
Os tipos que relatam o desfile olímpico para a RTP anunciam a representação do Reino Unido e a tentativa de Ian Thorpe, que eles tomam por americano e confundem com Phelps, de bater o recorde do número de medalhas olímpicas.
São dois erros crassos, que qualquer criança que houvesse feito o trabalho de casa, não conhecendo o assunto, não cometeria.
26/07/2012
O junkie das palavras

Não sei quantas pessoas haverá, em todo o universo, que se possam procurar e encontrar no Google Street View. Calculo que uma ínfima, muito ínfima, porção.
Pois bem, eu não te procurei. Apenas seguia um link encontrado algures. E lá estavas tu, tal como da outra vez, quando passei de carro.
Pareceu-me que num ciclo mais saudável. Apenas seis meses depois, diz a data da foto. Assim o espero.
Talvez agora, pegando na última frase desses dias, o junkie seja eu. O das palavras. As que não te disse, as que não me disseste.
Não sei quantas pessoas haverá, em todo o universo, que se possam procurar e encontrar no Google Street View. Calculo que uma ínfima, muito ínfima, porção.
Pois bem, eu não te procurei. Apenas seguia um link encontrado algures. E lá estavas tu, tal como da outra vez, quando passei de carro.
Pareceu-me que num ciclo mais saudável. Apenas seis meses depois, diz a data da foto. Assim o espero.
Talvez agora, pegando na última frase desses dias, o junkie seja eu. O das palavras. As que não te disse, as que não me disseste.
25/07/2012
Carta ao senhor Primeiro-Ministro
Já é longínquo o tempo das cartas ao poder. Seja a do Aónio (Aonio?), Cidadão campónio, dada ao prelo; seja a menos aberta do Bispo do Porto, que afinal todos conheceram pelo menos de título; sejam as que saíram mesmo nos jornais ou até as que deram forma a federações sindicais.
Todas elas pretenderam ou chamar atenção ao poder estabelecido, fosse ele qual fosse, ou promover a crise, no sentido mais antigo da palavra grega.
Pois eu pretendo não ter qualquer tipo de influência que a isso leve, o que me tranquiliza quanto a eventuais consequências da minha epístola.
Escrevi aqui, num tempo em que o senhor ainda estava algo longe da cadeira de São Bento, que o considerava um tipo capaz, que nos pouparia a dislates em que o seu antecessor se mostrou pródigo. Não há nisto qualquer tipo de clubismo anti-PS ou pró-PSD, uma vez que entendo serem ambos os partidos faces diversas da mesma moeda. Antes existe um certo horror ao disparate e à mediocridade que, como sabemos ambos, campeia em ambos os partidos.
Não me incomodam as suas expressões populares que tanta tinta fazem correr – é natural que assim seja, o povo revê-se no popularucho e não resiste a comentá-lo, esteja ele o povo à mesa do café – se é que ainda está – ou nas redacções dos jornais, das rádios e das televisões.
Não me incomodam as suas tentativas para pôr as contas na ordem e impôr racionalidade nisto tudo. Aplaudo-as.
Não me incomodam sequer alguns excessos de zelo que nesse campo se têm visto.
O que me incomoda, senhor Primeiro-Ministro, é algo que também incomoda muitos dos meus compatriotas. Talvez até o incomode a si, que tenho por não ser insensível ao desnorte.
É que pretenda levar o país para um caminho exemplar e carregue consigo a fancaria a que aqui aludi faz tempo, ainda o senhor estava num certo limbo, dando logo aí péssimo exemplo.
Escrevi aqui há meses suficientes que no governo havia pelo menos um ministro inenarrável. Há mais do que um. Mas esse dá um péssimo exemplo às massas. Ou será que não dá?
O que me incomoda, senhor Primeiro-Ministro, é a ausência de capacidade de extirpar cancros que corroem o cimento social – a instalação do chico-espertismo um pouco por todo o lado, como bem indicava o falecido Ernâni Lopes; as chorudas golpadas dos ditos consentidas por nulidades intelectuais omnipresentes e que, só por serem nulidades, não se podem dizer cúmplices.
O que me incomoda é, como já outros disseram, um desfile de asneiras que exala um cheiro a fim de regime.
Lembro-me da série quase interminável de disparates que antecederam o 25 de Abril de 74.
Estamos lá quase.
É isso que me incomoda. A mim, e perdoe-me a presunção, a muitos mais.
O senhor, justamente por ser mais capaz do que os outros, tem maiores responsabilidades. Se isto correr mal, não tem desculpa.
Dato esta carta de 25 de Julho. Uma data apenas simbólica – para mim ainda mais que as raízes estão-me nesses campos - mas que os intelectuais da praça, os tais de que se deve ter socorrido para eliminar ou suspender os feriados de 1 de Dezembro e 5 de Outubro devem ignorar.
Já é longínquo o tempo das cartas ao poder. Seja a do Aónio (Aonio?), Cidadão campónio, dada ao prelo; seja a menos aberta do Bispo do Porto, que afinal todos conheceram pelo menos de título; sejam as que saíram mesmo nos jornais ou até as que deram forma a federações sindicais.
Todas elas pretenderam ou chamar atenção ao poder estabelecido, fosse ele qual fosse, ou promover a crise, no sentido mais antigo da palavra grega.
Pois eu pretendo não ter qualquer tipo de influência que a isso leve, o que me tranquiliza quanto a eventuais consequências da minha epístola.
Escrevi aqui, num tempo em que o senhor ainda estava algo longe da cadeira de São Bento, que o considerava um tipo capaz, que nos pouparia a dislates em que o seu antecessor se mostrou pródigo. Não há nisto qualquer tipo de clubismo anti-PS ou pró-PSD, uma vez que entendo serem ambos os partidos faces diversas da mesma moeda. Antes existe um certo horror ao disparate e à mediocridade que, como sabemos ambos, campeia em ambos os partidos.
Não me incomodam as suas expressões populares que tanta tinta fazem correr – é natural que assim seja, o povo revê-se no popularucho e não resiste a comentá-lo, esteja ele o povo à mesa do café – se é que ainda está – ou nas redacções dos jornais, das rádios e das televisões.
Não me incomodam as suas tentativas para pôr as contas na ordem e impôr racionalidade nisto tudo. Aplaudo-as.
Não me incomodam sequer alguns excessos de zelo que nesse campo se têm visto.
O que me incomoda, senhor Primeiro-Ministro, é algo que também incomoda muitos dos meus compatriotas. Talvez até o incomode a si, que tenho por não ser insensível ao desnorte.
É que pretenda levar o país para um caminho exemplar e carregue consigo a fancaria a que aqui aludi faz tempo, ainda o senhor estava num certo limbo, dando logo aí péssimo exemplo.
Escrevi aqui há meses suficientes que no governo havia pelo menos um ministro inenarrável. Há mais do que um. Mas esse dá um péssimo exemplo às massas. Ou será que não dá?
O que me incomoda, senhor Primeiro-Ministro, é a ausência de capacidade de extirpar cancros que corroem o cimento social – a instalação do chico-espertismo um pouco por todo o lado, como bem indicava o falecido Ernâni Lopes; as chorudas golpadas dos ditos consentidas por nulidades intelectuais omnipresentes e que, só por serem nulidades, não se podem dizer cúmplices.
O que me incomoda é, como já outros disseram, um desfile de asneiras que exala um cheiro a fim de regime.
Lembro-me da série quase interminável de disparates que antecederam o 25 de Abril de 74.
Estamos lá quase.
É isso que me incomoda. A mim, e perdoe-me a presunção, a muitos mais.
O senhor, justamente por ser mais capaz do que os outros, tem maiores responsabilidades. Se isto correr mal, não tem desculpa.
Dato esta carta de 25 de Julho. Uma data apenas simbólica – para mim ainda mais que as raízes estão-me nesses campos - mas que os intelectuais da praça, os tais de que se deve ter socorrido para eliminar ou suspender os feriados de 1 de Dezembro e 5 de Outubro devem ignorar.
24/07/2012
A nota do dia
Lendo esta nota do Presidente da República endereçada ao Parlamento e à sua Presidente apenas ficamos com mais um prego para pregar no caixão da excelsa democracia parlamentar que tais brilhantismos alberga.
Lendo esta nota do Presidente da República endereçada ao Parlamento e à sua Presidente apenas ficamos com mais um prego para pregar no caixão da excelsa democracia parlamentar que tais brilhantismos alberga.
23/07/2012
22/07/2012
HGU en rose ou hádestermuntavercõisso
Aquilo que eu não sabia antes de começar este Tour é que o homem que venceu o sprint nos Campos Elíseos em 2008 acabou por arrebatar le Tour en rouge. Belo prémio!
Aquilo que eu não sabia antes de começar este Tour é que o homem que venceu o sprint nos Campos Elíseos em 2008 acabou por arrebatar le Tour en rouge. Belo prémio!
21/07/2012
O controle emocional dos fogos
Passo sempre ao lado dos comentários dos jornalistas e das suas apreciações.
Nos directos ou nos gravados atento ao que diz o povo. E o povo, mais desconto menos desconto, mais interesse menos interesse, lá vai desenhando por palavras o que sucede, o que sucedeu.
Nestas coisas do fogo, esclarecida que está por mim a ausência de um comando conhecedor e capaz na maior parte das circunstâncias em que o fogo excede a dezena de hectares, começo a suspeitar que há, na utilização de aeronaves, um comando e controle demasiado emocional a pôr e a dispôr.
E a suspeita resume-se a isto:
Havendo sete ou oito frentes a que acudir, não se trata de uma de cada vez até a extinguir.
Vai-se rodando entre elas, de forma a calar os insatisfeitos, e fazendo um arremedo de combate ao fogo que será naturalmente pouco mais do que ineficaz, a partir do momento em que se retorna a uma frente num ponto em que ela está com a mesma força que tinha quando da passagem anterior.
Não posso afirmar que assim é. Mas lá que parece, parece.
Passo sempre ao lado dos comentários dos jornalistas e das suas apreciações.
Nos directos ou nos gravados atento ao que diz o povo. E o povo, mais desconto menos desconto, mais interesse menos interesse, lá vai desenhando por palavras o que sucede, o que sucedeu.
Nestas coisas do fogo, esclarecida que está por mim a ausência de um comando conhecedor e capaz na maior parte das circunstâncias em que o fogo excede a dezena de hectares, começo a suspeitar que há, na utilização de aeronaves, um comando e controle demasiado emocional a pôr e a dispôr.
E a suspeita resume-se a isto:
Havendo sete ou oito frentes a que acudir, não se trata de uma de cada vez até a extinguir.
Vai-se rodando entre elas, de forma a calar os insatisfeitos, e fazendo um arremedo de combate ao fogo que será naturalmente pouco mais do que ineficaz, a partir do momento em que se retorna a uma frente num ponto em que ela está com a mesma força que tinha quando da passagem anterior.
Não posso afirmar que assim é. Mas lá que parece, parece.
20/07/2012
Do 1 ao 563
Não parece mas são 566 livros*. Custou (recuperar o extraviado e comprar o que faltava) mas foi.
Mais uma nota para os tipos que sabem exactamente quantos parafusos tem a torre Eiffel.

com a devida vénia aos autores das capas e a quem as publicou em sites de leilões, alfarrabistas, etc.
* falta na composição o 200 da Vampiro que também se inclui nas contas.
Não parece mas são 566 livros*. Custou (recuperar o extraviado e comprar o que faltava) mas foi.
Mais uma nota para os tipos que sabem exactamente quantos parafusos tem a torre Eiffel.
com a devida vénia aos autores das capas e a quem as publicou em sites de leilões, alfarrabistas, etc.
* falta na composição o 200 da Vampiro que também se inclui nas contas.
19/07/2012
E contudo ela move-se
Faz um ano que se iniciou a crise sísmica em El Hierro.
Pode ver-se aqui, atendendo aos últimos dois anos aproximadamente, a diferença entre a frequência de sismos no ano que decorreu e no ano anterior e ainda o acumulado da energia libertada nos mesmos intervalos, segundo os dados do IGN de Espanha.

Faz um ano que se iniciou a crise sísmica em El Hierro.
Pode ver-se aqui, atendendo aos últimos dois anos aproximadamente, a diferença entre a frequência de sismos no ano que decorreu e no ano anterior e ainda o acumulado da energia libertada nos mesmos intervalos, segundo os dados do IGN de Espanha.
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