01/09/2012

Procuração harmónica

A literatura está cheia de exemplos. A vida, sendo ou não espelho da literatura (há quem bizarramente, estabeleça a relação reflexa – pondo a literatura a espelhar a vida) não o está menos.
É portanto um caso vulgar.
Diria um velho amigo que ser um homem pai é das coisas mais vulgares do mundo. Porém, com ele, até aquele dia, nunca tinha acontecido.
Continuamos portanto no domínio dos lugares comuns.
O facto é que comigo nunca tinha acontecido. E aconteceu duas vezes, num intervalo curto.
Procuração pode ser o acto de procurar algo ou alguém e pode ser o acto de dar a outrem os poderes que se detêm.
A harmonia pode ser muita coisa. É um conceito demasiado vago e com significados quase diversos para que se possa extrair dele um sumo muito particular. Mas serve aqui vagamente como desígnio artístico e como modulador de frequências.
Da frequência com que se procura que vai sendo multiplicada.
Do encaixe artístico de uma silhueta num vulto. Por procuração.
E Ela assim se multiplica. Nesta e naquela. Cada vez mais frequentemente se procura.

31/08/2012

Fina-se



Uma designação que já significou, no meu jargão mental, uma entidade espacio-temporal bem definida.
Aquecimento

Não me dirijo a quem recolhe dados e os trata mais ou menos.
Ou a quem os analisa com espírito crítico. Sabendo que um ínfimo troço de uma curva não nos diz absolutamente nada sobre o seu desenvolvimento.
Dirijo-me, inutilmente, às entidades cavalares que nos sintomas concordes vêem e cantam a desgraça que eles anunciam e se calam aos sintomas discordes.
Ora isto de querer descobrir o futuro a partir de uma folha de excel é qualquer coisa que só ocupa almas equídeas.
Ouvir dizer que em Agosto se registou uma temperatura de -1,2ºC * na zona leonesa de Sanabria é uma curiosidade.
Os cavalos, tivesse a coisa sido de 48,8ºC (mais 50ºC), haveriam de vir ameaçar os crentes com volteios litúrgicos do século XVI. Como o sintoma discordou muito da cartilha que aprenderam, calam-se e metem a viola no saco.
Alguma vez os equídeos perceberão que nada sabem do mundo?
Alguma vez os homens perceberão a exacta mesma coisa?


quadro da AEMET de Espanha
* link perecível

29/08/2012

Rastos

Tropeçando no mundo de Alice em bólides azuis, avivou-se-me a memória recente:
Estes dias de Perseidas, já dia, pouco distante do ponto em que há um ano avistei o dito bólide, rasgou-se por sobre o volante a fina risca no céu do sul.
Ocorreu-me que os céus estrelados e riscados são agora uma memória.
Dos tempos do décubito dorsal sobre o passeio da ponte, varapaus de marmeleiro, conversas retomadas, grilos e rãs a competirem com o débito do gira-discos a pilhas. Era o início da década de setenta e tudo podia estar escrito nas estrelas.
Sabiamo-lo na altura. Não o sabemos hoje.
Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença décima

É inútil estabelecer axiomas nas ciências.

Obs: A matemática sendo ab initio uma ferramenta, uma complicação da contagem e da aritmética, tornou-se ciência à medida que a sua complexidade mereceu apreciação. Não a incluo nesta sentença.

28/08/2012

K G I

Ia no K em 2005, no G em 2008 e vai no I este ano. Mais ou menos pelos mesmos dias.
Parece este ter um menor grau de organização comparativamente ao de 2008. Diferença essa que é notória face ao de 2005.
De qualquer forma, rebentassem os diques, a catástrofe seria de dimensão igual à de 2005 em Nova Orleães.


imagens da NOAA (clicar para ampliar)

27/08/2012

Voz

- Essa mulher que esteve aqui à porta tinha voz de homem.
- Mas era um homem!
- Ah, então era um homem que tinha voz de mulher com voz de homem.
O tempo passa e a caravana ladra

Lembrei-me hoje de um post do Besugo na sua Gravidade Intermédia (entretanto suspensa das leis que determinam a queda dos graves) o qual subscrevi há cerca de um ano.
Lembrei-me hoje e espero não me lembrar muitas mais vezes este ano. Embora uma nefasta suspeita se tenha instalado – o homem que vê muito mais do que eu ao olhar para onze tipos aos pontapés na bola, que eu não consigo avaliar e acertar como ele, teria publicado algo de semelhante este ano se não tivesse suspendido os intermédios graves no éter.
Serviço público

A tropa fandanga que se encarrega das notícias na RTP não rouba só imagens na net. Hoje repetiu, quase letra a letra, as dores de alma que ontem emitiu sob a forma de rotundo disparate que só se entende por má-fé ou estupidez retinta. Casos em que chamar a tal serviço público é apenas uma piada.
Depois da dita repetição surgiu mais uma pérola: uma das igrejas de Olivença está em território espanhol. O caso aqui é ainda mais grave: num país que não reconhece a soberania espanhola sobre territórios ocupados, numa televisão pública ser isto dito revela que ou alguém foi propinado pelos interesses de Castela, Aragão e limítrofes ou está uns degraus abaixo de cão. É a mesma conclusão que tirei acima mas com maior gravidade no efeito, logo nos epítetos. Ou é cupidez ou estupidez.
Nada nos serve.

26/08/2012

Estudo

Há um tipo – hoje cruzei-me com ele – que se dá ao trabalho de mandar estudar o Relvas. Temo que incorra num grave equívoco – é que o Relvas com ou sem estudos é o Relvas. A vida é assim e não me consta que o dito Relvas tenha exibido o canudo para que o tratassem com a dignidade referente ao grau que obteve. O facto de não me constar não quer dizer nada mas dá a ideia da minha situação no caso. A qual é de absoluto distanciamento.
Dito isto, e a propósito de estudos – eu que sou um péssimo exemplo na matéria não me demito de dar nota dos disparates que ouço e vejo, pagos com o dinheiro de todos – fiquei ontem encantado com o início do telejornal da RTP.
É que quando se falou da própria RTP, o jornalista mencionou as receitas previstas para o ano que vem – 145 milhões de euros da taxa do audio-visual a somar a 60 milhões de euros de publicidade. Rematou que nem um cêntimo sai do orçamento do Estado.
Disse, agravadamente e em seguida, que a verificarem-se as previsões orçamentais da casa, o próximo ano fechará com um balanço positivo (disse lucro, o homem) de 25 milhões de euros, visto que a despesa prevista é de apenas 180 milhões de euros e que a receita, somando as parcelas acima mencionadas é de 205 milhões de euros.
Pergunta então um tipo sem estudos carimbados e certificados se o facto da taxa do audio-visual não estar orçamentada (não faço ideia se está ou não, nem isso me interessa) tem alguma importância se quem paga é o mesmo. É a tal questão muito discutida nestes dias se o pagode paga por multibanco, por cheque, por transferência bancária ou em numerário.
Questão que só uma sociedade dominada pela loucura ou pelo atraso mental pode discutir honestamente.
Ora isto é o suposto serviço público. E se o serviço público é este somatório de disparates...

Veja-se o Telejornal de 25 de Agosto de 2012 – parte I (entre os 8:00 e os 10:00 minutos da emissão, mais coisa menos coisa)

24/08/2012

Vidal Fitas

Bem sei que já aqui disse que, em ciclismo, o nome é tudo.
E que o meu interesse em Vidal Fitas resultou em parte do seu nome em parte da sua constante necessidade de se apartar dos demais, fugindo ao pelotão as vezes que podia enquanto ciclista.
Hoje, anos passados em que já o ouvi as vezes bastantes para ficar com uma imagem vocal, incluo-o naquele conjunto de indivíduos com quem teria gosto de compartilhar uma refeição. Ainda com mais gosto depois de o ouvir ontem no final da etapa que acabou no Sabugal.
Falando ele de ciclismo ou do que quisesse. Falando eu de nada ou do que ele quisesse ouvir.
Note-se a subalternidade que o último parágrafo revela.
Quem sabe se as minhas raízes na serra algarvia não se aparentam com as do homem?


imagem da RTP

23/08/2012

1,7 qualquer coisa

Saturação

Toda a solução tem para determinado soluto um ponto de saturação. Que varia com as condições ambientais.
Cheguei eu ao ponto, com estas condições de verão menos, em que é automático o desligar da janela de tv sempre que alguém fala em nome do PSD, do PS, do CDS, do PCP ou do BE.
Dei-me disso conta há já alguns dias. Não é a primeira vez que acontece nem, espero, será a última.
Há de facto ainda algumas condições ambientais em que consigo ouvir os dislates que os associados de tais siglas proferem.
Como de costume, não sei se isso é mau ou bom. Termos que a razão há muito me convida a evitar.
Gente com jeito para o desenho

Um dos meus amigos quando vê qualquer informação ilegível sentencia que o desenho foi feito pela filha do patrão que tem jeito para o desenho.
Ora um bom exemplo disso é a informação que a RTP apresenta na transmissão da Volta a Portugal sobre a distância a percorrer e a diferença entre grupos (diferença esta que motivou já uma belíssima explicação por parte de um comentador, mas isso é outro assunto).
Afira-se pela mesma informação fornecida pela Eurosport na Volta a Espanha.
O ilegível e o legível.
Foi decerto a filha do patrão com jeito para o desenho quem escolheu o tipo e o tamanho.
Coisas simples mas tão difíceis para esta gente!


imagens do Eurosport e da RTP (clicar para ampliar)

22/08/2012

Perguntas evitáveis

Quando se transfere o trabalho repetitivo para uma máquina, fazem-se opções sobre o nível de interferência que queremos ter no dito trabalho.
Quando me deitei à tarefa de criar um ficheiro da biblioteca preocupei-me naturalmente em uniformizar os nomes dos autores.
Um dos passos dessa tarefa foi transferido para a máquina que faz comparações de tamanho do nome e depois letra a letra, trocando ou não o último nome de posição. Num determinado intervalo requer a minha autorização, enquanto antes desse intervalo faz a exclusão imediata e depois dele inclui o nome na lista na sua forma canónica, que serviu de padrão.
Um descuido com um intervalo demasiado amplo de indefinição fez com que o algoritmo formulasse perguntas evitáveis. Estas são apenas um exemplo das muitas a que tive que responder.

21/08/2012

É pelas artérias que se faz a circulação*

Olhando para o estado geral da obra da auto-estrada Sines – Beja percebe-se há tempo que esta ou está parada ou avança sem progresso mensurável.
Sabe isto quem por ali passa.

Nos documentos que consultei, antes de escrever estas linhas, não consegui confirmar a afirmação do ministro da Economia de que o governo é alheio ao caso.
Alheio no sentido formal, contratual, creio entender. Obviamente não o é em termos práticos.
Quanto mais não seja, caso se trate de uma concessão em que o concessionário tem a obrigação de efectuar os trabalhos dentro de um prazo determinado, de denunciar o contrato de concessão (os documentos mencionam o ano de 2012 para a entrada ao serviço).

Sabemos porém todos que no fim quem paga a conta são sempre os mesmos. Nós, os contribuintes. E que, destes, quem mais paga são aqueles a quem o fisco mais vai buscar em percentagem dos seus haveres. Atente-se aos impostos directos e indirectos.

Estará o país em condições de se dar ao luxo de deixar a construção de uma auto-estrada em meio, atirando para o lixo, à medida que o tempo passa, uma parte considerável do trabalho já realizado?
Se não está, o governo pensa que sim, que está. Ao dizer que é alheio à questão.

É claro que há a hipótese de se ter chegado à conclusão de que a auto-estrada é um investimento inútil e ruinoso (“obras que apenas geram despesa”) e que parando agora ainda se minimiza o prejuízo.
Nesse caso, o país esteve em condições de atirar ao lixo o nosso dinheiro em investimentos deste calibre. No fim pagaremos todos, haja ou não falência da concessionária.

E estará o país em condições de se dar ao luxo de ter auto-estradas construídas e ao serviço que servem muito menos gente do que deveriam servir, com o consequente ganho para a economia e o seu propósito de construção justificado, por estarem taxadas de forma a espantar os potenciais utilizadores?
Se não está o país em tais condições e se o número de utilizadores delas desviados é significativo, tornando-as em investimentos inúteis, logo em dinheiro jogado à rua, não estaremos ainda a tempo de corrigir o erro?

* arterial ou oxigenadora

20/08/2012

Escapou-lhe

Está um tipo na televisão (TVI 24) que acaba de dizer que só falta ver o Benfica a jogar de azul e o Porto a jogar de vermelho.
Escapou-lhe qualquer coisa.
Ermida da Senhora de Araceli, 2012