29/12/2012

Senhora dos Cabos

Esta noite deste-me uma tareia moralista.
Uma tareia com textura de peixe cozido. Não deixou marcas mas tinha espinhas.
Fomos ainda ao terraço ver o mundo. Instruídos e invectivados pelo homem da posse.
Convenci-te a regressar no meu BMW 700. O SL estava cá, estacionado onde apenas experimentámos os bancos.
Não dizias a frase que eu esperava porque não querias trair a tua própria confiança.
Foi uma espécie de enfim, tu sabes que envolveu aquela esquina mal definida.
Até hoje. De manhã.

26/12/2012

Mitos

Há mitos e mitos. Uns interessantes e inverificáveis, outros parvos e cuja falsidade é facilmente verificável.
Ouvi por estes dias a já mítica asserção de que há agora menos filas de trânsito em épocas de ponta porque os condutores sabem finalmente fasear as suas deslocações ao longo do dia.
Sendo que a própria frase é já uma má formulação. O que será fasear uma deslocação? Fazê-la por fases? Não é a isto que se refere quem papagueia esta frase. Pretende referir-se a uma espécie de acordo entre os condutores, partes tu às oito, abalo eu às dez. Vale a pena perder tempo a qualificar esta noção? Não vale.
Há ainda a ideia afirmada que é por via das muitas informações de trânsito que as pessoas fogem às filas.
Se há verdade nessa afirmação – um bloqueio de uma estrada ouvido na rádio leva com grande probabilidade os condutores a mudarem de percurso, também é preciso avaliar o impacto que tem nesses mesmos condutores ouvir que a estrada tal está desimpedida, circulando o tráfego com grande fluidez. Se houver muita gente a quem tal estrada sirva, não se irá acumular lá esse tráfego dirigido pelo ouvido?
É uma ciência cheia de falhas e com pouco ou nenhum estudo feito.
Mas uma frase destas há-de fazer bem a alguma coisa. Caso contrário não seria dita. Ou seria?

24/12/2012

Restos de colecção (78)

3 números - 5$00.
Verso e lista de prémios do sorteio de Natal da Liga de Cegos João de Deus, em 1965 - aqui.


(clicar para ampliar)

23/12/2012

Janela (Não vejo a Fernanda)

Desta janela
Não vejo Cacela.
Deste patamar
Não vejo o mar.
Desta altura
Não vejo a loucura
(E) desta varanda
Não vejo a Fernanda.
Deste postigo
Não vejo o umbigo.
Desta abertura
Não vejo a loucura
Deste local
Não vejo o Natal
(E) desta varanda
Não vejo a Fernanda.
Deste terraço
Não vejo um abraço
Deste telheiro
Não vejo dinheiro
Desta vidraça
Não vejo uma praça.
Desta bandeira
Não vejo uma eira
(E) desta varanda
Não vejo a Fernanda.


SG, inéditos, 1997

21/12/2012

Equador pessoal* e rumos a laser


*(clicar na imagem para aceder à definição)

19/12/2012

Coisas desagradáveis

Habituado que estava a consultar as efemérides no sítio do Observatório Astronómico de Lisboa, verifiquei hoje que a data e hora do solstício de Inverno não se conseguem saber.
O que aparece agora é uma aplicação do Google, com a habitual confusão de coisas em português e inglês. Tem carradas de palha e não tem o solstício.
De cavalo para burro, on y va.


NOTA MUITO IMPORTANTE: É falso o que aqui escrevi. Alertado que fui para o erro, aqui me penitencio. A informação está disponível onde sempre esteve. Eu é que vou minguando nas faculdades. É no almanaque e não nas efemérides, onde se acede à tal tabela do Google, dispensável, que a informação está e sempre esteve.
Agradeço a chamada de atenção e peço desculpa pelo erro. É a segunda vez em menos de um ano. Da outra, eu próprio dei pelo erro.
Série “coisas que me vêm à cabeça” – coisa primeira

O meu velho amigo Ziffel cantando esta moda enquanto comíamos linguiça assada nos abandonados grelhadores das esplanadas algarvias alta noite, horas nem por isso mortas.
Mesmo que se trate aqui da composição de duas memórias distintas.
Porque ele cantava esta canção antes e depois dos petiscos.
Porque assávamos linguiças nos grelhadores dos restaurantes, para acabar as noites.


postal publicado pela T lá nos Dias que Voam

18/12/2012

Crise - disse a Terra

Desde dia 5 e com maior frequência desde dia 14, sexta-feira passada, que a terra treme num conflito entre os anjos e o inferno, ali perto de Jaén. Uma das muitas crises sísmicas que o ano nos trouxe e que os registos hoje nos revelam por estarem muito mais acessíveis do que no passado.



As marcas representam os epicentros e variam em diâmetro com a magnitude referida à escala de Richter. Dados (actualizados cerca das 21:00) e mapa do IGN de Espanha. (clicar para ampliar)

Estava capaz de apostar que 2013 nos trará um abanão significativo.
Em 2007 não considerei a aposta ganha.
Rigor

Ainda a propósito dos detalhes que desagregam a razão, quando esta se dedica à técnica (ou à ciência propriamente dita), li no Expresso de sábado passado que o laureado com o prémio Pessoa deste ano de 2012 vivia no Alentejo. Numa vila chamada Carrapateira.



Há no Alentejo algumas Carrapateiras. Disso não há a menor dúvida. Vilas não conheço, pode isso ser ignorância minha.
O que me faz espécie é que o laureado, Richard Zenith, viva no Alentejo e se faça fotografar na praia da Bordeira que fica logo ali ao pé de uma Carrapateira algarvia, que não é vila mas aldeia. E na praia do Amado que também é logo ali e muito perto da mesma Carrapateira.
Nada me leva a duvidar que o homem viva no Alentejo, como diz o Expresso, e que lhe tenha apetecido ser fotografado na praia da Bordeira, à Carrapateira. E na praia do Amado.
Mas se por um acaso se tratar de um erro situar esta Carrapateira no Alentejo é daqueles erros que arrasam um edifício racional. Na técnica (ou na ciência propriamente dita). No jornalismo, a ser erro, pode sempre ser considerado liberdade poética*. Nunca crassa ignorância. Num jornal dito de referência.
* é alem do Tejo, para quem está em Lisboa.
Santo Amaro de Oeiras, 2012

17/12/2012

O detalhe

Uso o galicismo porque é o que mais convém para explicar a lentidão do raciocínio – o detalhe. O meu Pai, ainda que pertencendo a uma geração afrancesada, diria o gato.
Hoje é comum chamá-lo bug.
E foi um detalhe que, arruinando razões e implicações, me fez perder semanas para pôr em ordem uma insignificante aplicação que trabalha coordenadas esféricas.
O detalhe que afasta as letras das técnicas. Nas técnicas, um pequeno e insignificante (nada disso!) passo em falso deita o edifício por terra. Nas letras há sempre lugar para a poesia.
Nas técnicas, um sinal trocado é traço por cima.
Nas letras, uma perversão das regras pode, ao contrário, ser aplaudida.
O caso aqui é que levei semanas a pôr na ordem a função que andava à solta.
Coisa que em outro tempo faria numa hora. O caso típico em que as faculdades analíticas mostram o seu acentuado declínio.
Era, afinal, um detalhe.

16/12/2012

Notícia com 36 anos

Ainda que o conceito de “mudança de vida” seja uma bizarria poética...


(em clicando, amplia)
do arquivo online do Diário de Lisboa do acervo da Fundação Mário Soares

15/12/2012

Avaria ou o quê?

A cena repete-se. O sismómetro acusa uma série de pequenos abalos desde há dois ou três dias.
Estará avariado?

14/12/2012

RTP

Ouvir na RTP que a NASA explica por que é que o mundo não vai acabar mostra claramente uma de duas coisas: o que é a RTP; o que é o pagode.