O jogo
Posso situar a cena no tempo – foi em final de Agosto de 1991 ou de 1992. Posso situá-la no espaço – eu estava de costas para o fantasma da gloriosa oliveira milenar que tanta sombra me deu em miúdo e apontava os olhos à porta de peões da garagem, onde não se divisava a porta traseira esquerda de carro algum, enquandrando a senhora na parede do poço.
O trauma, que provavelmente me fez guardar esta recordação tão vividamente, esteve no facto de pela primeira vez estarmos dessintonizados numa conversa.
Se eu fizer um esforço de memória sou levado a constatar uma de duas coisas: os meus esforços de memória são em vão; as pessoas com quem hoje falo estão muitas vezes mais propensas ao alheamento numa conversa que elas próprias iniciaram do que estavam há vinte ou mais anos, ponhamos o traço por alturas deste episódio.
E com isto quero reforçar a ideia de que a nossa sintonia era boa não a atribuindo a uma alheada concordância da parte dela, coisa que seria de resto facilmente detectável.
Quando falávamos de alcagoitas não falávamos de bolas-de-berlim e quer estívessemos nos pontos mais opostos de uma discussão quer em posições coincidentes, mantínhamos essa organização mental que nos é (era) natural. Em suma, nunca argamassávamos argumentos.
Ora o que nos tinha trazido para a sombra já só existente na memória, muitas camadas de cal abaixo da superfície da parede, da gloriosa oliveira milenar tinha sido o facto de ser mais fácil entabular uma conversa na rua (ainda que murada do quintal) do que dentro de casa onde trepidavam, encostados às duas esquinas do largo, dois altifalantes que iam debitando o melhor da música de feira daquele início dos anos 90. Dentro de casa não se aguentava o som.
Estávamos a planear uma fuga quando a conversa aconteceu, vinda sabe-se lá de onde, talvez de ela ter o livro em seu poder e estar a lê-lo por aqueles dias.
O certo é que passada a primeira volta de argumentos, ela me disse que não tinha achado boa a minha descrição do livro e que o livro era bastante mais interessante do que eu lhe tinha dado a supôr, quando lho quis emprestar.
A partir daí entrámos em dessintonia, eu a falar-lhe de um livro, ela de outro. No fim, achámos curioso que tivéssemos ideias tão diferentes sobre um objecto e fugimos dali até à hora em que a música também ela mudava de sítio.
Andei à procura dele nas estantes e nada. Acho que ela não se lembrará de tal discussão.
Como é que aquelas duas pessoas existentes em 1991 ou 1992 puderam ler um livro em que os jogos de Conway eram o prato forte e divergir?
05/01/2013
04/01/2013
03/01/2013
Estátua de Febre a arder
Nem sei se a palavra Febre em José Afonso se referia à deusa ou ao estado da estátua. Ou, o mais provável, que se tratasse de uma ambiguidade bem escolhida.
Ora eu que vinha aqui disposto a fechar as contas do ano transacto, classificando-o, depois de tudo revisto e aprovado, como um zero à esquerda, um ano em que, para a generalidade da ecúmena, nada aconteceu, vi-me forçado a protelar tal incumbência que os novos códigos dizem ser de exigir a todos os que têm a mania de opinar ( e nada há mais inútil do que uma opinião, salvo duas opiniões ou mais ) por causa do falhanço ou do acerto de tal Deusa.
Não cheguei a perceber se ela estava e está do lado da febre ou dos febris. Ou, o mais provável, que se mantenha numa ambiguidade bem escolhida, dos dois lados.
Umas 60 horas de improdução – mais menos menos coisa – foi quanto me rendeu a prenda que me ofereceram no final do ano passado. As primeiras 57 horas de 2013 mais umas 3 de 2012.
Foi todo o tempo de estar sem poder ler um livro, falar com alguém, ver televisão, etc.
Os meus votos de bom ano vão acompanhados desta foto do sítio da Agoda que se refere a um certo hotel em Bali.
Um chamam-no Febri’s outros Febris. Estou longe de considerar que uma das estátuas da fonte é de Febre, a deitar água. Mesmo assim...
Foram 60 horas e deram este lindo resultado – lembro-me de ter finalizado assim um relatório na Faculdade e de, ao contrário do que eu esperava, ter sido bem aceite tal desabafo.
Nem sei se a palavra Febre em José Afonso se referia à deusa ou ao estado da estátua. Ou, o mais provável, que se tratasse de uma ambiguidade bem escolhida.
Ora eu que vinha aqui disposto a fechar as contas do ano transacto, classificando-o, depois de tudo revisto e aprovado, como um zero à esquerda, um ano em que, para a generalidade da ecúmena, nada aconteceu, vi-me forçado a protelar tal incumbência que os novos códigos dizem ser de exigir a todos os que têm a mania de opinar ( e nada há mais inútil do que uma opinião, salvo duas opiniões ou mais ) por causa do falhanço ou do acerto de tal Deusa.
Não cheguei a perceber se ela estava e está do lado da febre ou dos febris. Ou, o mais provável, que se mantenha numa ambiguidade bem escolhida, dos dois lados.
Umas 60 horas de improdução – mais menos menos coisa – foi quanto me rendeu a prenda que me ofereceram no final do ano passado. As primeiras 57 horas de 2013 mais umas 3 de 2012.
Foi todo o tempo de estar sem poder ler um livro, falar com alguém, ver televisão, etc.
Os meus votos de bom ano vão acompanhados desta foto do sítio da Agoda que se refere a um certo hotel em Bali.
Um chamam-no Febri’s outros Febris. Estou longe de considerar que uma das estátuas da fonte é de Febre, a deitar água. Mesmo assim...
Foram 60 horas e deram este lindo resultado – lembro-me de ter finalizado assim um relatório na Faculdade e de, ao contrário do que eu esperava, ter sido bem aceite tal desabafo.
31/12/2012
Pessoalmente*
Não tem isto nada a ver com a tropa fandanga que nos comandou e comanda – raras excepções assinaladas – e as consequências dos seus actos.
Só tem a ver comigo.
Sou incapaz de prosseguir a série de alusões ao futuro que tenho feito aqui ano a ano. Ainda que, impulsivamente, tenha construído o quadro.

Não apenas por ter sido particularmente certeiro no agoiro para 2012.
Diz-se assim, com propriedade, tornar descontínua a série. Porque há o desejo de a retomar mais à frente, se ainda fôr a tempo.
*Com a acepção que lhe dá o visconde da Apúlia aos 1:51 deste filme.
Não tem isto nada a ver com a tropa fandanga que nos comandou e comanda – raras excepções assinaladas – e as consequências dos seus actos.
Só tem a ver comigo.
Sou incapaz de prosseguir a série de alusões ao futuro que tenho feito aqui ano a ano. Ainda que, impulsivamente, tenha construído o quadro.
Não apenas por ter sido particularmente certeiro no agoiro para 2012.
Diz-se assim, com propriedade, tornar descontínua a série. Porque há o desejo de a retomar mais à frente, se ainda fôr a tempo.
*Com a acepção que lhe dá o visconde da Apúlia aos 1:51 deste filme.
29/12/2012
Senhora dos Cabos
Esta noite deste-me uma tareia moralista.
Uma tareia com textura de peixe cozido. Não deixou marcas mas tinha espinhas.
Fomos ainda ao terraço ver o mundo. Instruídos e invectivados pelo homem da posse.
Convenci-te a regressar no meu BMW 700. O SL estava cá, estacionado onde apenas experimentámos os bancos.
Não dizias a frase que eu esperava porque não querias trair a tua própria confiança.
Foi uma espécie de enfim, tu sabes que envolveu aquela esquina mal definida.
Até hoje. De manhã.
Esta noite deste-me uma tareia moralista.
Uma tareia com textura de peixe cozido. Não deixou marcas mas tinha espinhas.
Fomos ainda ao terraço ver o mundo. Instruídos e invectivados pelo homem da posse.
Convenci-te a regressar no meu BMW 700. O SL estava cá, estacionado onde apenas experimentámos os bancos.
Não dizias a frase que eu esperava porque não querias trair a tua própria confiança.
Foi uma espécie de enfim, tu sabes que envolveu aquela esquina mal definida.
Até hoje. De manhã.
27/12/2012
26/12/2012
Mitos
Há mitos e mitos. Uns interessantes e inverificáveis, outros parvos e cuja falsidade é facilmente verificável.
Ouvi por estes dias a já mítica asserção de que há agora menos filas de trânsito em épocas de ponta porque os condutores sabem finalmente fasear as suas deslocações ao longo do dia.
Sendo que a própria frase é já uma má formulação. O que será fasear uma deslocação? Fazê-la por fases? Não é a isto que se refere quem papagueia esta frase. Pretende referir-se a uma espécie de acordo entre os condutores, partes tu às oito, abalo eu às dez. Vale a pena perder tempo a qualificar esta noção? Não vale.
Há ainda a ideia afirmada que é por via das muitas informações de trânsito que as pessoas fogem às filas.
Se há verdade nessa afirmação – um bloqueio de uma estrada ouvido na rádio leva com grande probabilidade os condutores a mudarem de percurso, também é preciso avaliar o impacto que tem nesses mesmos condutores ouvir que a estrada tal está desimpedida, circulando o tráfego com grande fluidez. Se houver muita gente a quem tal estrada sirva, não se irá acumular lá esse tráfego dirigido pelo ouvido?
É uma ciência cheia de falhas e com pouco ou nenhum estudo feito.
Mas uma frase destas há-de fazer bem a alguma coisa. Caso contrário não seria dita. Ou seria?
Há mitos e mitos. Uns interessantes e inverificáveis, outros parvos e cuja falsidade é facilmente verificável.
Ouvi por estes dias a já mítica asserção de que há agora menos filas de trânsito em épocas de ponta porque os condutores sabem finalmente fasear as suas deslocações ao longo do dia.
Sendo que a própria frase é já uma má formulação. O que será fasear uma deslocação? Fazê-la por fases? Não é a isto que se refere quem papagueia esta frase. Pretende referir-se a uma espécie de acordo entre os condutores, partes tu às oito, abalo eu às dez. Vale a pena perder tempo a qualificar esta noção? Não vale.
Há ainda a ideia afirmada que é por via das muitas informações de trânsito que as pessoas fogem às filas.
Se há verdade nessa afirmação – um bloqueio de uma estrada ouvido na rádio leva com grande probabilidade os condutores a mudarem de percurso, também é preciso avaliar o impacto que tem nesses mesmos condutores ouvir que a estrada tal está desimpedida, circulando o tráfego com grande fluidez. Se houver muita gente a quem tal estrada sirva, não se irá acumular lá esse tráfego dirigido pelo ouvido?
É uma ciência cheia de falhas e com pouco ou nenhum estudo feito.
Mas uma frase destas há-de fazer bem a alguma coisa. Caso contrário não seria dita. Ou seria?
24/12/2012
Restos de colecção (78)
3 números - 5$00.
Verso e lista de prémios do sorteio de Natal da Liga de Cegos João de Deus, em 1965 - aqui.

(clicar para ampliar)
3 números - 5$00.
Verso e lista de prémios do sorteio de Natal da Liga de Cegos João de Deus, em 1965 - aqui.
(clicar para ampliar)
23/12/2012
Janela (Não vejo a Fernanda)
Desta janela
Não vejo Cacela.
Deste patamar
Não vejo o mar.
Desta altura
Não vejo a loucura
(E) desta varanda
Não vejo a Fernanda.
Deste postigo
Não vejo o umbigo.
Desta abertura
Não vejo a loucura
Deste local
Não vejo o Natal
(E) desta varanda
Não vejo a Fernanda.
Deste terraço
Não vejo um abraço
Deste telheiro
Não vejo dinheiro
Desta vidraça
Não vejo uma praça.
Desta bandeira
Não vejo uma eira
(E) desta varanda
Não vejo a Fernanda.
SG, inéditos, 1997
Desta janela
Não vejo Cacela.
Deste patamar
Não vejo o mar.
Desta altura
Não vejo a loucura
(E) desta varanda
Não vejo a Fernanda.
Deste postigo
Não vejo o umbigo.
Desta abertura
Não vejo a loucura
Deste local
Não vejo o Natal
(E) desta varanda
Não vejo a Fernanda.
Deste terraço
Não vejo um abraço
Deste telheiro
Não vejo dinheiro
Desta vidraça
Não vejo uma praça.
Desta bandeira
Não vejo uma eira
(E) desta varanda
Não vejo a Fernanda.
SG, inéditos, 1997
19/12/2012
Coisas desagradáveis
Habituado que estava a consultar as efemérides no sítio do Observatório Astronómico de Lisboa, verifiquei hoje que a data e hora do solstício de Inverno não se conseguem saber.
O que aparece agora é uma aplicação do Google, com a habitual confusão de coisas em português e inglês. Tem carradas de palha e não tem o solstício.
De cavalo para burro, on y va.
NOTA MUITO IMPORTANTE: É falso o que aqui escrevi. Alertado que fui para o erro, aqui me penitencio. A informação está disponível onde sempre esteve. Eu é que vou minguando nas faculdades. É no almanaque e não nas efemérides, onde se acede à tal tabela do Google, dispensável, que a informação está e sempre esteve.
Agradeço a chamada de atenção e peço desculpa pelo erro. É a segunda vez em menos de um ano. Da outra, eu próprio dei pelo erro.
Habituado que estava a consultar as efemérides no sítio do Observatório Astronómico de Lisboa, verifiquei hoje que a data e hora do solstício de Inverno não se conseguem saber.
O que aparece agora é uma aplicação do Google, com a habitual confusão de coisas em português e inglês. Tem carradas de palha e não tem o solstício.
De cavalo para burro, on y va.
NOTA MUITO IMPORTANTE: É falso o que aqui escrevi. Alertado que fui para o erro, aqui me penitencio. A informação está disponível onde sempre esteve. Eu é que vou minguando nas faculdades. É no almanaque e não nas efemérides, onde se acede à tal tabela do Google, dispensável, que a informação está e sempre esteve.
Agradeço a chamada de atenção e peço desculpa pelo erro. É a segunda vez em menos de um ano. Da outra, eu próprio dei pelo erro.
Série “coisas que me vêm à cabeça” – coisa primeira
O meu velho amigo Ziffel cantando esta moda enquanto comíamos linguiça assada nos abandonados grelhadores das esplanadas algarvias alta noite, horas nem por isso mortas.
Mesmo que se trate aqui da composição de duas memórias distintas.
Porque ele cantava esta canção antes e depois dos petiscos.
Porque assávamos linguiças nos grelhadores dos restaurantes, para acabar as noites.

postal publicado pela T lá nos Dias que Voam
O meu velho amigo Ziffel cantando esta moda enquanto comíamos linguiça assada nos abandonados grelhadores das esplanadas algarvias alta noite, horas nem por isso mortas.
Mesmo que se trate aqui da composição de duas memórias distintas.
Porque ele cantava esta canção antes e depois dos petiscos.
Porque assávamos linguiças nos grelhadores dos restaurantes, para acabar as noites.
postal publicado pela T lá nos Dias que Voam
18/12/2012
Crise - disse a Terra
Desde dia 5 e com maior frequência desde dia 14, sexta-feira passada, que a terra treme num conflito entre os anjos e o inferno, ali perto de Jaén. Uma das muitas crises sísmicas que o ano nos trouxe e que os registos hoje nos revelam por estarem muito mais acessíveis do que no passado.

As marcas representam os epicentros e variam em diâmetro com a magnitude referida à escala de Richter. Dados (actualizados cerca das 21:00) e mapa do IGN de Espanha. (clicar para ampliar)
Estava capaz de apostar que 2013 nos trará um abanão significativo.
Em 2007 não considerei a aposta ganha.
Desde dia 5 e com maior frequência desde dia 14, sexta-feira passada, que a terra treme num conflito entre os anjos e o inferno, ali perto de Jaén. Uma das muitas crises sísmicas que o ano nos trouxe e que os registos hoje nos revelam por estarem muito mais acessíveis do que no passado.
As marcas representam os epicentros e variam em diâmetro com a magnitude referida à escala de Richter. Dados (actualizados cerca das 21:00) e mapa do IGN de Espanha. (clicar para ampliar)
Estava capaz de apostar que 2013 nos trará um abanão significativo.
Em 2007 não considerei a aposta ganha.
Rigor
Ainda a propósito dos detalhes que desagregam a razão, quando esta se dedica à técnica (ou à ciência propriamente dita), li no Expresso de sábado passado que o laureado com o prémio Pessoa deste ano de 2012 vivia no Alentejo. Numa vila chamada Carrapateira.

Há no Alentejo algumas Carrapateiras. Disso não há a menor dúvida. Vilas não conheço, pode isso ser ignorância minha.
O que me faz espécie é que o laureado, Richard Zenith, viva no Alentejo e se faça fotografar na praia da Bordeira que fica logo ali ao pé de uma Carrapateira algarvia, que não é vila mas aldeia. E na praia do Amado que também é logo ali e muito perto da mesma Carrapateira.
Nada me leva a duvidar que o homem viva no Alentejo, como diz o Expresso, e que lhe tenha apetecido ser fotografado na praia da Bordeira, à Carrapateira. E na praia do Amado.
Mas se por um acaso se tratar de um erro situar esta Carrapateira no Alentejo é daqueles erros que arrasam um edifício racional. Na técnica (ou na ciência propriamente dita). No jornalismo, a ser erro, pode sempre ser considerado liberdade poética*. Nunca crassa ignorância. Num jornal dito de referência.
* é alem do Tejo, para quem está em Lisboa.
Ainda a propósito dos detalhes que desagregam a razão, quando esta se dedica à técnica (ou à ciência propriamente dita), li no Expresso de sábado passado que o laureado com o prémio Pessoa deste ano de 2012 vivia no Alentejo. Numa vila chamada Carrapateira.
Há no Alentejo algumas Carrapateiras. Disso não há a menor dúvida. Vilas não conheço, pode isso ser ignorância minha.
O que me faz espécie é que o laureado, Richard Zenith, viva no Alentejo e se faça fotografar na praia da Bordeira que fica logo ali ao pé de uma Carrapateira algarvia, que não é vila mas aldeia. E na praia do Amado que também é logo ali e muito perto da mesma Carrapateira.
Nada me leva a duvidar que o homem viva no Alentejo, como diz o Expresso, e que lhe tenha apetecido ser fotografado na praia da Bordeira, à Carrapateira. E na praia do Amado.
Mas se por um acaso se tratar de um erro situar esta Carrapateira no Alentejo é daqueles erros que arrasam um edifício racional. Na técnica (ou na ciência propriamente dita). No jornalismo, a ser erro, pode sempre ser considerado liberdade poética*. Nunca crassa ignorância. Num jornal dito de referência.
* é alem do Tejo, para quem está em Lisboa.
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