11/03/2016

Mais do jornalismo sem ponta por onde se lhe pegue

Uma sumidade jornalística escreveu no DN que Raymond Tomlinson, recentemente falecido aos 74 anos, foi o criador do símbolo "arroba" (@) para usar na internet.
Conseguiu aquela figura o feito de criar um símbolo mesmo antes de haver nascido.
Consegue esta tropa fandanga que decerto será certificada e carimbada o prodígio de escrever diariamente sobre o que não conhece.

09/03/2016

Dignidade de Estado

Haverá quem ache digno o cerimonial (no caso, a ausência deste) de troca de cadeiras entre Presidente eleito e Presidente cessante, pela frente do presidente da Assembleia da República?


imagem da RTP
Profecia falhada

Falhada a segunda profecia de Sinistro Salgado aqui promulgada há exactamente cinco anos.

07/03/2016

Gin (recorrência)

Balbuciadas vezes
Anoitece
Onde te espero.
Aqui
Numa varanda de tê-zero
Ou além
Em areias sem ninguém.
Tabaqueadas vezes
Escurece
Ao som da telefonia
Perto de mim.
Ciciadas vezes
Acontece
Beberes o meu gin.

SG, inéditos, 1995

28/02/2016

Fio da navalha

No fio da navalha sempre a imperfeição entre lembro-me tão bem e já foi há tanto tempo.
Que pode ainda inundar de humores o que quer que seja.
Abençoado seja aquele que ontem fez sessenta anos.

26/02/2016

Oráculos

Para que se cumpra o que mal sussurrou o oráculo há que ir a Beja comprar um Mitsubishi.

20/02/2016

Barbacena, 1991

Dos factos

Não me recordo de alguma vez ter tido notícia da morte de um escritor enquanto o lia.
Já há muitos anos que não pegava num livro imediatamente a seguir a tê-lo comprado.

07/02/2016

Tales from Brigadoon



A primeira vez que avistei Brigadoon vai para quarenta anos. Isso mesmo repeti por lá ontem e hoje.
Assim, mostrando-se ele a mim por dois dias, contei cervejas bebidas há quatro décadas, enunciei companheiros de noitadas e revi, passo a passo, as celebrações de um novo alvor. Frio.
Pressenti a vertigem quando me recordaram que os sexagenários (ou os que quase o são) haviam desertado há muito da cena quando eu presumia contar as tais cervejas.
Sim, nesse tempo – disse a voz – éramos aqueles que agora se encostam ao balcão.
E não estes.
E não estes.