14/04/2016
13/04/2016
12/04/2016
Repito
Se o tempo já não é o que era e há muito que ouvimos tal ladaínha, quando é que o tempo era o que era?
Se o tempo já não é o que era e há muito que ouvimos tal ladaínha, quando é que o tempo era o que era?
11/04/2016
A cervejaria literária
A cervejaria figura nos mapas mentais da zona. É ponto de referência a indicar a quem navega de ouvido.
E, depois de mais de uma dúzia de anos a viver na zona e de já andar nas vizinhanças quando ela abriu as portas, descobri finalmente um potencial literário na cervejaria da esquina.
Venho de me (em)beber em fatos e gravatas de três em três meses, em dialectos incompreensíveis, em contas que não se acertam entre os comensais e o prestável empregado de camisa branca.
Dir-se-á que todas as cervejarias e congéneres têm qualidade literária. Discordo.
Ele há sítios que têm apenas qualidade pictórica, porque lá dentro nada se passa,
Lembro-me de um recinto assim no Estoril em que num vasto armazém presidido por um cornudo troféu taurino, apenas residiam duas mesas e respectivas oito cadeiras, enquanto enquadravam, atrás do balcão, a pouco pomposa estalajadeira, duas compridas e nuas prateleiras para consumo da casa, uma máquina de café, a citada cabeça de toiro e dois ou três pares de bandarilhas.
A cervejaria figura nos mapas mentais da zona. É ponto de referência a indicar a quem navega de ouvido.
E, depois de mais de uma dúzia de anos a viver na zona e de já andar nas vizinhanças quando ela abriu as portas, descobri finalmente um potencial literário na cervejaria da esquina.
Venho de me (em)beber em fatos e gravatas de três em três meses, em dialectos incompreensíveis, em contas que não se acertam entre os comensais e o prestável empregado de camisa branca.
Dir-se-á que todas as cervejarias e congéneres têm qualidade literária. Discordo.
Ele há sítios que têm apenas qualidade pictórica, porque lá dentro nada se passa,
Lembro-me de um recinto assim no Estoril em que num vasto armazém presidido por um cornudo troféu taurino, apenas residiam duas mesas e respectivas oito cadeiras, enquanto enquadravam, atrás do balcão, a pouco pomposa estalajadeira, duas compridas e nuas prateleiras para consumo da casa, uma máquina de café, a citada cabeça de toiro e dois ou três pares de bandarilhas.
09/04/2016
07/04/2016
Cangalhas
O Ti Manel desatava um arame que fechava uma grande armação de ferro e dizia para o outro:
- Estas cangalhas pesam parece-me que é dezoito quilos.
João haveria de se aperceber que ele iria dizer esta frase até ao fim da vida, sempre com o ar de quem não sabia muito bem qual era o peso.
SG, inéditos
O Ti Manel desatava um arame que fechava uma grande armação de ferro e dizia para o outro:
- Estas cangalhas pesam parece-me que é dezoito quilos.
João haveria de se aperceber que ele iria dizer esta frase até ao fim da vida, sempre com o ar de quem não sabia muito bem qual era o peso.
SG, inéditos
06/04/2016
05/04/2016
Notícias
Vem aí mais uma onda de salivação ao pronunciarem off-shore.
Não é pois claro que é criminoso todo aquele que ousa ter bens no estrangeiro?
Vem aí mais uma onda de salivação ao pronunciarem off-shore.
Não é pois claro que é criminoso todo aquele que ousa ter bens no estrangeiro?
03/04/2016
28/03/2016
27/03/2016
Locais de sonho
Estaremos porventura longe de entender os mecanismos do cérebro.
A tal história da máquina que pretende entender a si própria.
Entre eles, os dos sonhos talvez sejam os que mais especulação geraram e geram.
Nos meus, o que mais me encanta e perturba são os tais locais que são bem conhecidos nos sonhos e inexistentes na realidade.
Suponho que a maioria das pessoas tem os seus.
Locais que visitamos durante algumas épocas, que abandonamos ou a que voltamos anos mais tarde, encontrando tudo quase na mesma.
Preparo-me para executar uma monografia topográfica desses locais. Da praia quase inacessível na foz de um rio que se avista de um denso pinhal sobre uma ravina à outra que tem mar dos dois lados e onde a maré sobe a olhos vistos quando me aventuro mais além.
Da encruzilhada entre pinheiros onde sempre chego de uma estrada de pó e onde sempre viro à direita para mais poeiredo.
Do restaurante com cheiros de estufa que fica numa outra encruzilhada talvez no meio de um outro pinhal. Com meio telhado, como se visto em corte.
Do pelourinho de gaiola no meio da praça que comunica por túnel com a sala contígua à da loiça chinesa e à grade na entrada na casa que deixa adivinhar subterrâneos em níveis sucessivos.
Da outra casa que paira sobre uma abrupta colina às passagens mais ou menos apertadas que conduzem a um alçapão no monte.
Ainda no monte, há a estrada de trás, a que passa por uma espécie de pequeno cemitério sem mortos, com jazigos de mármore e lajes no chão, cheirando a mofo, onde invariavelmente encontro o meu caseiro na lide.
Há o mosteiro na estrada para o monte do meu tio, derruído, mas com notáveis arcarias no interior.
Há o entroncamento ferroviário em local verdejante. Onde comboios passam devagar. A estação ferroviária de grandes dimensões no barranco e que se distingue por estar implantada perpendicularmente à linha.
Ainda o monte com uma confusão de casas de vizinhos perto da muralha. Espécie de enclave de gente estranha nas minhas terras. O vale cavado que leva a uma espécie de porta no montado. Porta imaginária, invisível.
A casa com pátio interior que também lá fica.
A outra, cuja magnífica porta só descobri na hora da partida. E em cujo sótão sei que nunca estive. E era importante que lá tivesse estado.
A garagem em rampa, com o Volskwagen azul estacionado, brilhante nos cromados. A escada em caracol da traseiras.
O laboratório de paredes exteriores amarelas e sombreadores de betão que tanto destoa da casa.
O restaurante ao pé da ribeira onde muito raramente vou.
O outro, que afinal é uma cervejaria enorme, embora pareça de fora uma tasca insignificante.
O balneário lá de casa, cheio de instalações diversas. E com um chão de mosaicos de cimento com escorredores. Amplíssimo, no meio de uma espécie de armazém. E a casa no sótão, como se fosse uma casa na árvore.
O café com iguais mosaicos de cimento e aspecto de mercado. Sempre cheio de gente e que suspeito se situa no Bairro Alto, ali para os lados do Conservatório.
Os edifícios magníficos que hão de estar ali para os lados da rua dos Condes, onde, para um dos quais, se entra por uma extensa galeria subterrânea, para aceder a uma espécie de repartição pública.
O enorme armazém de víveres que fica junto ao porto, sob uma loggia modernista, ao fundo da qual se passa ao cais.
A discoteca vermelha para onde se entra por um sistema de escorregamento e se sai de elevador.
E a outra, com níveis sucessivos de pistas e portas estanques.
A estação de comboios, mais outra, em que existe também um sistema de escorregamento e passagens que se só se transpõem com contorcionismos.
O túnel ferroviário onde apenas circulam máquinas a vapor e que, lá para o meio tem uma espécie de clareira talhada na rocha, iluminada e ventilada no topo e onde uma casa se inscreve numa das paredes.
A estrada de montanha que já referi aqui e da qual encontrei curiosas coincidências entre o meu rascunho topográfico e uma imagem de um anúncio.
Os nichos de tele-transporte nos túneis de metro da Rotunda.
Não os maço mais. Isto é afinal mais um rascunho para memória futura.
Estaremos porventura longe de entender os mecanismos do cérebro.
A tal história da máquina que pretende entender a si própria.
Entre eles, os dos sonhos talvez sejam os que mais especulação geraram e geram.
Nos meus, o que mais me encanta e perturba são os tais locais que são bem conhecidos nos sonhos e inexistentes na realidade.
Suponho que a maioria das pessoas tem os seus.
Locais que visitamos durante algumas épocas, que abandonamos ou a que voltamos anos mais tarde, encontrando tudo quase na mesma.
Preparo-me para executar uma monografia topográfica desses locais. Da praia quase inacessível na foz de um rio que se avista de um denso pinhal sobre uma ravina à outra que tem mar dos dois lados e onde a maré sobe a olhos vistos quando me aventuro mais além.
Da encruzilhada entre pinheiros onde sempre chego de uma estrada de pó e onde sempre viro à direita para mais poeiredo.
Do restaurante com cheiros de estufa que fica numa outra encruzilhada talvez no meio de um outro pinhal. Com meio telhado, como se visto em corte.
Do pelourinho de gaiola no meio da praça que comunica por túnel com a sala contígua à da loiça chinesa e à grade na entrada na casa que deixa adivinhar subterrâneos em níveis sucessivos.
Da outra casa que paira sobre uma abrupta colina às passagens mais ou menos apertadas que conduzem a um alçapão no monte.
Ainda no monte, há a estrada de trás, a que passa por uma espécie de pequeno cemitério sem mortos, com jazigos de mármore e lajes no chão, cheirando a mofo, onde invariavelmente encontro o meu caseiro na lide.
Há o mosteiro na estrada para o monte do meu tio, derruído, mas com notáveis arcarias no interior.
Há o entroncamento ferroviário em local verdejante. Onde comboios passam devagar. A estação ferroviária de grandes dimensões no barranco e que se distingue por estar implantada perpendicularmente à linha.
Ainda o monte com uma confusão de casas de vizinhos perto da muralha. Espécie de enclave de gente estranha nas minhas terras. O vale cavado que leva a uma espécie de porta no montado. Porta imaginária, invisível.
A casa com pátio interior que também lá fica.
A outra, cuja magnífica porta só descobri na hora da partida. E em cujo sótão sei que nunca estive. E era importante que lá tivesse estado.
A garagem em rampa, com o Volskwagen azul estacionado, brilhante nos cromados. A escada em caracol da traseiras.
O laboratório de paredes exteriores amarelas e sombreadores de betão que tanto destoa da casa.
O restaurante ao pé da ribeira onde muito raramente vou.
O outro, que afinal é uma cervejaria enorme, embora pareça de fora uma tasca insignificante.
O balneário lá de casa, cheio de instalações diversas. E com um chão de mosaicos de cimento com escorredores. Amplíssimo, no meio de uma espécie de armazém. E a casa no sótão, como se fosse uma casa na árvore.
O café com iguais mosaicos de cimento e aspecto de mercado. Sempre cheio de gente e que suspeito se situa no Bairro Alto, ali para os lados do Conservatório.
Os edifícios magníficos que hão de estar ali para os lados da rua dos Condes, onde, para um dos quais, se entra por uma extensa galeria subterrânea, para aceder a uma espécie de repartição pública.
O enorme armazém de víveres que fica junto ao porto, sob uma loggia modernista, ao fundo da qual se passa ao cais.
A discoteca vermelha para onde se entra por um sistema de escorregamento e se sai de elevador.
E a outra, com níveis sucessivos de pistas e portas estanques.
A estação de comboios, mais outra, em que existe também um sistema de escorregamento e passagens que se só se transpõem com contorcionismos.
O túnel ferroviário onde apenas circulam máquinas a vapor e que, lá para o meio tem uma espécie de clareira talhada na rocha, iluminada e ventilada no topo e onde uma casa se inscreve numa das paredes.
A estrada de montanha que já referi aqui e da qual encontrei curiosas coincidências entre o meu rascunho topográfico e uma imagem de um anúncio.
Os nichos de tele-transporte nos túneis de metro da Rotunda.
Não os maço mais. Isto é afinal mais um rascunho para memória futura.
23/03/2016
Democracia e liberdade
Segundo alguns entendidos, os ataques terroristas não são contra a civilização ocidental e os infiéis de Alá ou conduzidos por um ódio indirigível. São contra a democracia e a liberdade.
Isto mesmo quando sejam perpetrados onde não cabem democracias nem amplas liberdades, calculo.
Segundo alguns entendidos, os ataques terroristas não são contra a civilização ocidental e os infiéis de Alá ou conduzidos por um ódio indirigível. São contra a democracia e a liberdade.
Isto mesmo quando sejam perpetrados onde não cabem democracias nem amplas liberdades, calculo.
21/03/2016
18/03/2016
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