16/04/2022

Jornalismo de “qualidade”

Um rapaz sem noção da História nem da Geografia explica, com recurso a mapas, por que é que a Rússia não quer a Ucrânia na NATO.
Um outro diz que algures havia "um cheiro químico".
Ainda um outro leu uma notícia que soou como a estafada expressão "Quarteto Três Irmãos, Pedro e Paulo". O número que pronunciou ao início e o número que pronunciou a meio, não havendo um no fim, mas respeitantes à mesma grandeza, eram diferentes. Não se deu conta.
Uns apenas papagueiam o que lhes é escrito por pares igualmente qualificados, outros opinam com a clarividência que lhes é própria.
Não raro somos confrontados com o deslumbramento juvenil dos ditos, face à História do Mundo. Epifanias.
Nessas alturas, tendem a explicar-nos com alarde aquilo que acabaram de entender.
Nada disto é novo. Já há quarenta anos, um dos meus tios se divertia a registar num caderninho as calinadas das caras da televisão. Mas hoje está muito pior, há muito mais gente infantil e sem capacidade de raciocínio a ler notícias.

15/04/2022

Путин

Um certo dia, passou aqui a tiro. Por detrás das barreiras da auto-estrada.
Minutos ou horas depois, os ares de Mafra deram nisto:

14/04/2022

Pronúncia e palavras

Custa-me ouvir pretensos especialistas portugueses residentes no estrangeiro que falam com pronúncia e palavras estrangeiras.
Conheço gente capaz que reside há décadas fora de Portugal e fala com um sotaque nitidamente original e usa as palavras correctas do Português sem encalhes.
Se esta gente é especialista, a sua qualidade intelectual é basto duvidosa.

13/04/2022

Rendo-me

Há uma senhora no Ministério que, de há uns tempos para cá, talvez por afinidade visual, me deixa algo intrigável.
Ela tem mesmo aquele subido e já longínquo encanto?

Intrigável - o m.q. intrigado, no vocabulário de meu defunto amigo P.

12/04/2022

J. B.

O homem, que tinha notoriamente um perímetro cefálico abaixo da média e me fazia lembrar um velho conhecido igualmente irrequieto, espreitava com desmesurada insistência, a espaços como sezões, os televisores desligados.
Parecia esperar que deles brotasse a informação de que era a sua vez.
Quando o altifalante debitava outros nomes fazia esgares de indignação.
Durou isto tempo infindo. Até que fiquei a saber o seu nome.
A minha vez ainda não tinha chegado.

11/04/2022

Tira e põe

O conjunto de contribuintes e o conjunto de consumidores finais não serão exactamente sobreponíveis mas têm uma larga mancha comum.
Quando a política é feita de malabarismos, opera-se um tira e põe entre impostos directos e indirectos.
Paga sempre o mesmo. Mas os responsáveis apregoam as medidas de tira e põe como sendo lanças em África.
É a pobreza que temos.

09/04/2022

Politicamente (in)correcto

Ou se tratou de uma fífia politicamente (in)correcta ou de uma alfinetada a despropósito.
O facto é que usar a palavra governanta numa alusão indirecta à ministra da Defesa é um acto falhado.

07/04/2022

Criptomoeda

D. Pixote caiu hoje da cama. Não o fazia há cerca de sessenta anos.
Fê-lo ao desferir tremendo pontapé ao franchisável.
Tem, é claro, um galo na cabeça.

06/04/2022

Imagens

Será talvez equívoco meu, que a memória trai.
O facto é que me parece que a quantidade de imagens atrozes nas televisões é muito invulgar.
A ideia que tenho é que éramos, no geral, poupados a este tipo de exposições até esta guerra chegar ao ponto em que está.
Estarei enganado?

04/04/2022

Guerra

Uma certeza que temos é que os russos não virão por terra até aqui. Não têm como.
Mas estamos a tiro.

31/03/2022

“Peaners”

Fazer oposição culpando o governo pela crise internacional e pelo surto dos preços do crude é um sinal de infantilidade.
Infantilidade que, sabemos, é útil na política quando o alvo são os simples.
O resto – qual resto? - são "peaners", como diria um certo vulto da bola.
Portugal, 2008

25/03/2022