15/11/2022

8 x 109

11 anos bastaram para, mais dia menos dia, mais milhar menos milhar, adicionarmos 1000 milhões de criaturas ao rebanho humano.

Qual será a percentagem de jornalistas que ao afirmarem que a população mundial atingiu hoje o número de 8 mil milhões se apercebem de que se trata de um dia simbólico em que um algoritmo qualquer atribui esse valor aos habitantes da ecúmena?
Vi até uns que afirmaram que tal tinha acontecido pouco depois do meio dia!

Ainda que a curva da população pareça estar a crescer com uma derivada com tendência decrescente, não é decerto menos preocupante esse crescimento.
A exaustão de recursos, o estrago no habitat e a pressão das migrações de zonas superpopuladas e de fracos recursos para o mundo mais desenvolvido prometem um cenário muito pouco agradável se o travão ao crescimento não for accionado com alguma força.
Não se vislumbram grandes preocupações a respeito, antes se apela para o crescimento.

14/11/2022

Telefonemas

Cada vez mais é improvável conseguir-se junto dos prestadores de serviços um canal escrito – e-mail por exemplo – sem duvidosas limitações de caracteres mas com intrincados passos até que se lá chegue. Talvez por haver grandes limitações na escrita de quem seria suposto responder-nos – especulo.
O certo é que a maioria das respostas que se obtêm por escrito destas instituições são chapassete – um somatório de banalidades e de conselhos pueris mesclados com pouca informação relevante, as mais das vezes repetindo passo a passo a nossa reclamação.
Fujo dos denominados call center como o diabo da cruz.
A probabilidade de ter que dialogar com um ser irracional é tremendamente grande.
Há pouco, obrigado que acabei por ser a tal, encontrei uma criatura que não sabia ou não queria entender a diferença entre condições contratuais gerais e consições contratuais particulares.
Alegava em contrapartida que me ia enviar um estafeta – era esta a sua argumentação.

11/11/2022

COP 27

Não há coisa alguma que ocorra debaixo do Sol que não seja fruto das alterações climáticas.
Os povos do deserto e os povos da tundra glaciar decerto merecerão grossas indemnizações, de acordo com os critérios politicamente correctos.
Notícias do manicómio.
Vá lá

Mais vale tarde do que nunca.
Há umas figuras de almanaque que acham que não é boa altura. Como se estas coisas tivessem altura para ser postas em prática.

08/11/2022

Oposição

Terá existido algum momento em que a oposição em Portugal depois de 1975, tenha tido um programa, uma alternativa ao governo?

07/11/2022

COP 27

Será de esperar alguma coisa mais do que decidir quem haveria de pagar o quê e quem haveria de receber o tal? Sempre no condicional.
Nos documentos da última COP pode ler-se ainda esta pérola do politicamente correcto:


(clicar para aceder ao documento)

05/11/2022

Um quarto de século

E assim de repente, passaram vinte e cinco anos desde as últimas grandes cheias no Alentejo.


imagem do IM

01/11/2022

Sismos

Em 1985, levando à risca uma regra inventada que contava 230 anos entre o sismo de Lisboa de 1531 e o de 1755 (foram na realidade 224) e que daí em diante o ciclo se repetiria, o governo de então achou por bem dotar grande parte dos edifícios públicos de avisos sobre o que fazer em caso de terramoto.
Com esse cálculo e essa regra inventada nem lhes ocorreu que o ciclo se tiivesse eventualmente completado em 1969, 214 anos após 1755.
O certo é que passou um modismo nesses dias que não teve qualquer continuidade.
É certo que há, de vez em quando, uns exercícios de simulacro para aferir qualquer coisa e que também de vez em quando se lembram de instruir as crianças para uma tal eventualidade, muitas vezes de forma contraditória, aconselhando hoje o que desaconselhavam ontem.
Estamos sediados sobre falhas sísmicas. Mais dia, menos dia teremos novas disso.
Não vejo grande atenção ao caso, a não ser por repelões.



imagem de Sinalux

31/10/2022

A bem da Nação

No Estado Novo não havia ofício que não fosse exarado a bem da Nação.
Nos dias actuais, sem ditames oficiais, não há discurso nem propaganda que não inclua as palavras sustentável e resiliente.
O Estado Novo orgulhar-se-ia decerto destes discípulos obedientes.

30/10/2022

Pobreza confrangedora

É a qualificação que faço das intervenções dos intelectuais brasileiros de serviço às televisões portuguesas.
A sua argumentação, embora mais polida, está ao nível do povão mais recôndito. E bate certo com a qualidade de ambos os candidatos.
Nada ali cola com a razão.
Empate técnico entre os dois lados da barricada.

29/10/2022

A senhora da gadanha

Estava sentada no cadeirão às quatro da bússola. Só dei por ela, vestida de negro como nunca a tinha visto, e eu já a vira decerto algumas vezes, quando me virei para trás.
Começou por uma conversa eclesiástica. Disse qualquer coisa sobre três mil e duzentas comunhões, creio que em simultâneo.
Depois o discurso descambou para uma espécie de prognóstico médico feito a compasso. Foi este evoluindo com trejeitos do vestido negro no cadeirão até que o seu olhar se fixou no meu e me disse que o prazo estava a acabar.
Percebi então que estava por horas. Que não veria o dia de Domingo.
Não deve ter sido calmamente que a escoltei até à porta da rua e me despedi dela.
Geração mais qualificada de sempre

Uma senhora legendada como professora universitária proferiu por duas vezes a palavra órbitra.
Incidente federal

Um jornalista americano usou o adjectivo “federal” para classificar o pisoteio de centenas de pessoas em Seul.
Um cabal exemplo de cabeça formatada.
Noves fora, nada


imagens de páginas das respectivas campanhas

28/10/2022

Путин

Há, nas afirmações de Putin e de acordo com as traduções ouvidas e lidas, algo que subscrevo: o mundo ocidental está demente.
A sanha do politicamente correcto em esmagar a ciência, em negá-la a cada passo, impondo modelos acordantes com uma mentalidade doentia esmagou por ora a razão.
Nisso ele tem razão.

27/10/2022

Neo-surrealismo prático

Na estética surrealista uma afirmação do tipo a+b=verde seria uma manifestação artística e nada mais. Afastar-se da razão faria toda o sentido como atitude.
O que se verifica hoje entre as camadas mais jovens, ainda que supostamente cultas, é a utilização no quotidiano prático da afirmação a+b=verde para regular as suas acções.
Não há ali pinga de lógica que se detecte.
Não faltam na publicidade emitida nas televisões alguns exemplos desse ilogismo prático de premissas disparatadas.
Resta saber se essa irracionalidade abraça quem não faz uso diário da razão e da lógica se, pelo contrário, se destina a impressionar pela negativa quem ainda raciocina: E dar com isso destaque à marca.
É um mistério para mim.