04/07/2023

Salvaguardas e bolas de berlim na praia

Não me tirei ainda dos meus cuidados para tentar perceber a lógica das salvaguardas nos rótulos dos alimentos que começam por “pode conter”.
Agora ver numa bola de berlim que pode conter vestígios de peixe é que me deixa logo informado: esta é uma bola de berlim de praia, feita na praia e numa praia de pescadores. Só pode ser.
A não ser assim é mais uma notícia do manicómio.

Porto, 2008

03/07/2023

O parafuso de Costa

Costa já nos habituou a ouvi-lo com o desconto devido.
Desta feita, foi o parafuso a menos e o parafuso a mais nas travessas da ferrovia.
Tudo sem pensar um único segundo que fosse.
Já a quantidade de dislates que supostos especialistas debitarama tal propósito, no caso a utilização ou não da bitola ibérica na ferrovia a instalar, é significativa da incompetência em que o país está mergulhado.
Começando pelo desprezo de um dado: os troços existentes em bitola europeia em terras de Espanha; e acabando pela probabilidade por um deles aventada de os salários e as pensões serem mais baixos se se escolher a opção que eles rejeitam.
A má opção, é já certo, contribuirá no entender de tais figuras para o agravamento das alterações climáticas, talvez por ser menos resiliente e sustentável.
Portugal depende e dependerá sempre do que for feito em Espanha. Será sempre a tal ilha de que tantos falam se os espanhóis não se dispuserem a instalar bitola europeia até à fronteira e em pontos que não obriguem a dar a volta ao bilhar grande.
Também eu sou a favor da bitola europeia. A questão é que, no estado actual, a bitola ibérica leva-nos à fronteira de França. A bitola europeia deixa-nos na fronteira com Espanha, depois de reconvertermos as bogies do material circulante ou de encomendarmos composições novas.

01/07/2023

Retenção de líquidos

Já no tempo dos outros, que são afinal a face oposta da mesma moeda, houve alguém que teve a brilhante ideia de dividir subsídios habitualmente pagos nas férias e no Natal pelos 12 meses.
Depois disso houve ajustamentos das retenções na fonte que deram maior liquidez ao fim do mês e menor estorno na altura do acerto de contas do IRS.
Tudo como forma de mostrar aos simples que estavam a ganhar mais.
Voltou a receita.
Não sei se há muita se pouca gente a perceber a mistificação.
Sendo que há uns anos achava as retenções demasiado pesadas, acabando por beneficiar muito as Finanças que dispunham do dinheiro devido uns quantos meses, mas ao mesmo tempo tinha a impressão (achismo puro) que para uma boa parte dos contribuintes o estorno do IRS era uma espécie de mealheiro que preferiam fosse substancial. Talvez alguns achassem até que era uma benesse.
Para me tirarem as dúvidas, é fazerem um referendo.

30/06/2023

Jornalismo



Quantos carimbos e certificações terá a criatura que escreveu esta legenda?
Notícias do manicómio

Diz uma jornalista num canal de televisão que as pessoas que procuram "mentores" são pessoas preparadas.

28/06/2023

O flautista de Hamelin



Posso dizer desta personagem que é das poucas se não a última que me surpreende.
Como o patriarca dos Buendía que sucumbia às mercancias do pulante Melquíades este homem dedica-se, a sezões, a maravilhas incontáveis.
Já o vi fazer carimbos em cortiça com a efígie de navegadores portugueses (ainda guardo algures a carimbadela com a cara de, julgo, Bartolomeu Dias), já o vi empenhar-se em criar puzzles a três dimensões, onde deu mostras de aguda inteligência topológica, já me pôs a par das propinas que recebeu por desencantar penicos de loiça por esses montes, já me brindou com palestras sobre a pirâmide do conhecimento onde coloca os doutores no supremo vértice, já o vi empoleirar uma colecção de bicicletas de criança em cima da mesa das refeições que adquirira em troca de qualquer serviço.
Desta última vez, surgiu-me encarnando a figura do flautista de Hamelin, não com ratos ou crianças mas com dezenas de cães novos que o seguiam pelos corgos. Disse-me que eram uma criação para vender aos caçadores da zona.
Para rematar, mostrou-me uma sólida laje de betão (armado?) que tinha ali junto à porta e que calculava muito por alto ter 600kg (pelas minhas contas terá uns 250kg). Dela pretendia fazer o tampo de uma mesa para os petiscos, que a de plástico não tinha durado ao sol impiedoso das serranias. Havia um pequeno contratempo na coisa: a argola em ferro de armar que auxiliara na carga e na descarga de tal peça, estava naturalmente saliente no centro da mesa. Lamentava-se da impossibilidade técnica de a virar ao contrário, deixando a dita para baixo para não interferir com os bródios sonhados.
Ainda me levou a ver um atado recentemente adquirido de portas velhas em madeira vitalícia, segundo ele. Que aquelas sim, depois de cortadas à medida do monte, durariam muito mais do que o pinho, são vitalícias.
Ainda teve tempo para me informar que Putin tem os melhores e mais modernos aviões que há e que o curso da guerra fez baixar muito as cotações das propriedades ali da zona.
Herdei-o juntamente com a terra onde nasceu e vive desde sempre.

imagem encontrada aqui

22/06/2023

O mundo certificado e certificável

Só se ouvem vozes a acusar os responsáveis pela operação do submersível que visitava o Titanic de não terem a certificação do veículo.
Imagine-se o que seria o mundo se toda a actividade experimental tivesse que ser certificada. E por quem?
É todavia claro que a partir do momento em que há actividade comercial ou paracomercial, as exigências de segurança devem ser observadas.
Este caso que agora culminou está na zona cinzenta entre experimentação e turismo.

Nota à margem: este caso foi um dos muito poucos em que se usou correctamente a palavra implosão.
Sintra, 2006

21/06/2023

CNN

Na CNN Internacional, hora após hora no noticiário, o submarino perdido continuava a ter oxigénio para 30 horas.

20/06/2023

Pensar

A revista Sábado, cujo lema é "pense por si", está agora a publicar um encartável cujo tema é "pensar como".
"Pensar como" é muito mais adequado aos tempos que correm, nisso viram eles a oportunidade.
Se pensar é algo que seja transitivo.

19/06/2023

Uma casa no deserto (II)

A coisa deu-se vai para vinte anos. Num vagar de filmes antigos, deparei com um cenário em terras de Espanha que me encheu as medidas. Era uma casa e o seu entorno, algures na costa.



17/06/2023

Cristina Reyna

Fiz em tempos o elogio da senhora.
Alia a uma competência que sobressai do panorama jornalístico uma bela figura (quanto à beleza - nos dias politicamente correctos que correm, estas coisas só são ditas pelos resistentes).
Disse ontem que ia sair da pantalha, ao fim de 30 anos. Já estou com saudades.



14/06/2023

Feira do Livro de Lisboa

Cinco anos sem comprar um único livro. Desta feita nem lá fui.
Atingi há muito a posse da quantidade de livros que posso ainda ter expectativa de ler, o que refreou o meu ímpeto de feirar.

Meninos às compras

Está um desgraçado na CPI da TAP a ser inquirido.
Afinal foi lá para ler um longo discurso. Muito provavelmente com a indicação de um marqueteiro ou similar.
Depois foi respondendo ao lado à pergunta que lhe foi formulada, de uma forma infantil.
É desta tropa que estamos servidos.

13/06/2023

Marchante

A minha limitadíssima capacidade musical e a senilidade concomitante tiveram ontem um episódio assinalável.
Numa première de marchas de Lisboa pela televisão (as coisas a que a velhice nos faz assistir) e ao fim de um bom trecho de marchas atrás de marchas, dei por mim a pensar que as marchas eram todas iguais ou que tinham, pelo menos, uma parte que, se não era sempre igual, era muito parecida, tinha as mesmíssimas rimas e os mesmos acordes.
Só um bocado depois disso é que veio a epifania: havia ali uma marcha que era repetida por todos.
Nessa altura já ela se tinha entranhado na minha cabeça – creio que o objectivo de quem se lembrou de tal estava atingido.

12/06/2023

Sindicalismo

Os sindicatos dos professores acordaram agora para o respeito.
Que para ser respeitado é preciso respeitar.
Antes tarde que nunca.
Aguardamos as próximas manifestações para ver a consequência.

E especulando:
Quando Costa se queixou do cartaz que disse racista, ouviu-se uma voz a gritar que era mentira.
Se esta palavra - mentira - se referia à avaliação que Costa fez do cartaz, então o portador daquela voz, supostamente um professor, considera que uma opinião é uma mentira.
Espero estar enganado ou então que tal personagem seja mestre de uma qualquer disciplina artística, onde a razão pode ser desconsiderada*.

* coisa que se aplica ao autor dos cartazes, depois de o ouvir.

(actualizado cerca das 16:40)