29/07/2023
27/07/2023
25/07/2023
24/07/2023
22/07/2023
19/07/2023
18/07/2023
Bosques
Não necessitaria de ser o feliz proprietário de um bosque para ver com bons olhos finalmente uma corrente que, ao contrário dos que querem ladrilhar a floresta, defende os bosques espontâneos, multiespécies, de árvores e arbustos autóctones por isso adaptados ao clima e fixadores de água.
Num tempo de "subsílios", ainda não são reconhecidos os proprietários que, ao invés de optarem pelo rendimento mais favorável e mais imediato, dele abdicam em prol do mundo silvestre.
Veremos o que se segue.
Não necessitaria de ser o feliz proprietário de um bosque para ver com bons olhos finalmente uma corrente que, ao contrário dos que querem ladrilhar a floresta, defende os bosques espontâneos, multiespécies, de árvores e arbustos autóctones por isso adaptados ao clima e fixadores de água.
Num tempo de "subsílios", ainda não são reconhecidos os proprietários que, ao invés de optarem pelo rendimento mais favorável e mais imediato, dele abdicam em prol do mundo silvestre.
Veremos o que se segue.
15/07/2023
14/07/2023
Num tempo
Num tempo de gentes sem memória, de gentes sem razão, de gentes dadas a aflições por tudo e por nada, faz calor.
É essa a notícia: faz calor. E para as gentes sem memória, é uma coisa nunca vista. E para as gentes sem razão, é algo inconcebível que há-de ter culpados. E para as gentes dadas a aflições, é o desespero.
É nisto que estamos.
Num tempo de gentes sem memória, de gentes sem razão, de gentes dadas a aflições por tudo e por nada, faz calor.
É essa a notícia: faz calor. E para as gentes sem memória, é uma coisa nunca vista. E para as gentes sem razão, é algo inconcebível que há-de ter culpados. E para as gentes dadas a aflições, é o desespero.
É nisto que estamos.
09/07/2023
04/07/2023
Salvaguardas e bolas de berlim na praia
Não me tirei ainda dos meus cuidados para tentar perceber a lógica das salvaguardas nos rótulos dos alimentos que começam por “pode conter”.
Agora ver numa bola de berlim que pode conter vestígios de peixe é que me deixa logo informado: esta é uma bola de berlim de praia, feita na praia e numa praia de pescadores. Só pode ser.
A não ser assim é mais uma notícia do manicómio.
Não me tirei ainda dos meus cuidados para tentar perceber a lógica das salvaguardas nos rótulos dos alimentos que começam por “pode conter”.
Agora ver numa bola de berlim que pode conter vestígios de peixe é que me deixa logo informado: esta é uma bola de berlim de praia, feita na praia e numa praia de pescadores. Só pode ser.
A não ser assim é mais uma notícia do manicómio.
03/07/2023
O parafuso de Costa
Costa já nos habituou a ouvi-lo com o desconto devido.
Desta feita, foi o parafuso a menos e o parafuso a mais nas travessas da ferrovia.
Tudo sem pensar um único segundo que fosse.
Já a quantidade de dislates que supostos especialistas debitarama tal propósito, no caso a utilização ou não da bitola ibérica na ferrovia a instalar, é significativa da incompetência em que o país está mergulhado.
Começando pelo desprezo de um dado: os troços existentes em bitola europeia em terras de Espanha; e acabando pela probabilidade por um deles aventada de os salários e as pensões serem mais baixos se se escolher a opção que eles rejeitam.
A má opção, é já certo, contribuirá no entender de tais figuras para o agravamento das alterações climáticas, talvez por ser menos resiliente e sustentável.
Portugal depende e dependerá sempre do que for feito em Espanha. Será sempre a tal ilha de que tantos falam se os espanhóis não se dispuserem a instalar bitola europeia até à fronteira e em pontos que não obriguem a dar a volta ao bilhar grande.
Também eu sou a favor da bitola europeia. A questão é que, no estado actual, a bitola ibérica leva-nos à fronteira de França. A bitola europeia deixa-nos na fronteira com Espanha, depois de reconvertermos as bogies do material circulante ou de encomendarmos composições novas.
Costa já nos habituou a ouvi-lo com o desconto devido.
Desta feita, foi o parafuso a menos e o parafuso a mais nas travessas da ferrovia.
Tudo sem pensar um único segundo que fosse.
Já a quantidade de dislates que supostos especialistas debitarama tal propósito, no caso a utilização ou não da bitola ibérica na ferrovia a instalar, é significativa da incompetência em que o país está mergulhado.
Começando pelo desprezo de um dado: os troços existentes em bitola europeia em terras de Espanha; e acabando pela probabilidade por um deles aventada de os salários e as pensões serem mais baixos se se escolher a opção que eles rejeitam.
A má opção, é já certo, contribuirá no entender de tais figuras para o agravamento das alterações climáticas, talvez por ser menos resiliente e sustentável.
Portugal depende e dependerá sempre do que for feito em Espanha. Será sempre a tal ilha de que tantos falam se os espanhóis não se dispuserem a instalar bitola europeia até à fronteira e em pontos que não obriguem a dar a volta ao bilhar grande.
Também eu sou a favor da bitola europeia. A questão é que, no estado actual, a bitola ibérica leva-nos à fronteira de França. A bitola europeia deixa-nos na fronteira com Espanha, depois de reconvertermos as bogies do material circulante ou de encomendarmos composições novas.
01/07/2023
Retenção de líquidos
Já no tempo dos outros, que são afinal a face oposta da mesma moeda, houve alguém que teve a brilhante ideia de dividir subsídios habitualmente pagos nas férias e no Natal pelos 12 meses.
Depois disso houve ajustamentos das retenções na fonte que deram maior liquidez ao fim do mês e menor estorno na altura do acerto de contas do IRS.
Tudo como forma de mostrar aos simples que estavam a ganhar mais.
Voltou a receita.
Não sei se há muita se pouca gente a perceber a mistificação.
Sendo que há uns anos achava as retenções demasiado pesadas, acabando por beneficiar muito as Finanças que dispunham do dinheiro devido uns quantos meses, mas ao mesmo tempo tinha a impressão (achismo puro) que para uma boa parte dos contribuintes o estorno do IRS era uma espécie de mealheiro que preferiam fosse substancial. Talvez alguns achassem até que era uma benesse.
Para me tirarem as dúvidas, é fazerem um referendo.
Já no tempo dos outros, que são afinal a face oposta da mesma moeda, houve alguém que teve a brilhante ideia de dividir subsídios habitualmente pagos nas férias e no Natal pelos 12 meses.
Depois disso houve ajustamentos das retenções na fonte que deram maior liquidez ao fim do mês e menor estorno na altura do acerto de contas do IRS.
Tudo como forma de mostrar aos simples que estavam a ganhar mais.
Voltou a receita.
Não sei se há muita se pouca gente a perceber a mistificação.
Sendo que há uns anos achava as retenções demasiado pesadas, acabando por beneficiar muito as Finanças que dispunham do dinheiro devido uns quantos meses, mas ao mesmo tempo tinha a impressão (achismo puro) que para uma boa parte dos contribuintes o estorno do IRS era uma espécie de mealheiro que preferiam fosse substancial. Talvez alguns achassem até que era uma benesse.
Para me tirarem as dúvidas, é fazerem um referendo.
30/06/2023
28/06/2023
O flautista de Hamelin
Posso dizer desta personagem que é das poucas se não a última que me surpreende.
Como o patriarca dos Buendía que sucumbia às mercancias do pulante Melquíades este homem dedica-se, a sezões, a maravilhas incontáveis.
Já o vi fazer carimbos em cortiça com a efígie de navegadores portugueses (ainda guardo algures a carimbadela com a cara de, julgo, Bartolomeu Dias), já o vi empenhar-se em criar puzzles a três dimensões, onde deu mostras de aguda inteligência topológica, já me pôs a par das propinas que recebeu por desencantar penicos de loiça por esses montes, já me brindou com palestras sobre a pirâmide do conhecimento onde coloca os doutores no supremo vértice, já o vi empoleirar uma colecção de bicicletas de criança em cima da mesa das refeições que adquirira em troca de qualquer serviço.
Desta última vez, surgiu-me encarnando a figura do flautista de Hamelin, não com ratos ou crianças mas com dezenas de cães novos que o seguiam pelos corgos. Disse-me que eram uma criação para vender aos caçadores da zona.
Para rematar, mostrou-me uma sólida laje de betão (armado?) que tinha ali junto à porta e que calculava muito por alto ter 600kg (pelas minhas contas terá uns 250kg). Dela pretendia fazer o tampo de uma mesa para os petiscos, que a de plástico não tinha durado ao sol impiedoso das serranias. Havia um pequeno contratempo na coisa: a argola em ferro de armar que auxiliara na carga e na descarga de tal peça, estava naturalmente saliente no centro da mesa. Lamentava-se da impossibilidade técnica de a virar ao contrário, deixando a dita para baixo para não interferir com os bródios sonhados.
Ainda me levou a ver um atado recentemente adquirido de portas velhas em madeira vitalícia, segundo ele. Que aquelas sim, depois de cortadas à medida do monte, durariam muito mais do que o pinho, são vitalícias.
Ainda teve tempo para me informar que Putin tem os melhores e mais modernos aviões que há e que o curso da guerra fez baixar muito as cotações das propriedades ali da zona.
Herdei-o juntamente com a terra onde nasceu e vive desde sempre.
imagem encontrada aqui
Posso dizer desta personagem que é das poucas se não a última que me surpreende.
Como o patriarca dos Buendía que sucumbia às mercancias do pulante Melquíades este homem dedica-se, a sezões, a maravilhas incontáveis.
Já o vi fazer carimbos em cortiça com a efígie de navegadores portugueses (ainda guardo algures a carimbadela com a cara de, julgo, Bartolomeu Dias), já o vi empenhar-se em criar puzzles a três dimensões, onde deu mostras de aguda inteligência topológica, já me pôs a par das propinas que recebeu por desencantar penicos de loiça por esses montes, já me brindou com palestras sobre a pirâmide do conhecimento onde coloca os doutores no supremo vértice, já o vi empoleirar uma colecção de bicicletas de criança em cima da mesa das refeições que adquirira em troca de qualquer serviço.
Desta última vez, surgiu-me encarnando a figura do flautista de Hamelin, não com ratos ou crianças mas com dezenas de cães novos que o seguiam pelos corgos. Disse-me que eram uma criação para vender aos caçadores da zona.
Para rematar, mostrou-me uma sólida laje de betão (armado?) que tinha ali junto à porta e que calculava muito por alto ter 600kg (pelas minhas contas terá uns 250kg). Dela pretendia fazer o tampo de uma mesa para os petiscos, que a de plástico não tinha durado ao sol impiedoso das serranias. Havia um pequeno contratempo na coisa: a argola em ferro de armar que auxiliara na carga e na descarga de tal peça, estava naturalmente saliente no centro da mesa. Lamentava-se da impossibilidade técnica de a virar ao contrário, deixando a dita para baixo para não interferir com os bródios sonhados.
Ainda me levou a ver um atado recentemente adquirido de portas velhas em madeira vitalícia, segundo ele. Que aquelas sim, depois de cortadas à medida do monte, durariam muito mais do que o pinho, são vitalícias.
Ainda teve tempo para me informar que Putin tem os melhores e mais modernos aviões que há e que o curso da guerra fez baixar muito as cotações das propriedades ali da zona.
Herdei-o juntamente com a terra onde nasceu e vive desde sempre.
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