18/07/2024
16/07/2024
Ainda não se conhecem as razões...
Quando há destes casos como o do atentado contra Trump em que é abatido o criminoso, é indispensável que nos dias seguintes os papagaios das televisões repitam a frase "Ainda não se conhecem as razões que levaram o suspeito a atentar contra a vida..."
Esta gente fica pendurada numa impossibilidade que acha possível - descobrir os motivos.
É só por uns dias. Depois calam-se.
Quando há destes casos como o do atentado contra Trump em que é abatido o criminoso, é indispensável que nos dias seguintes os papagaios das televisões repitam a frase "Ainda não se conhecem as razões que levaram o suspeito a atentar contra a vida..."
Esta gente fica pendurada numa impossibilidade que acha possível - descobrir os motivos.
É só por uns dias. Depois calam-se.
14/07/2024
No país dos mentecaptos
A magnífica CP que tantos dissabores já me causou, fez-me ontem a última, depois de anos sem a haver utilizado.
Dirigi-me a um apeadeiro e encontrei naturalmente o acesso da rua ao cais de embarque condicionado por portões automáticos.
Olhei em volta para tentar encontrar uma máquina dispensadora de bilhetes e nada. Nem máquina nem indicação de onde a encontrar.
Depois de inspeccionar o local com alguma atenção percebi ao longe uns muretes que bem poderiam esconder uma escadaria que desse acesso a um subterrâneo. Dava. Porém, nada de sinais.
Já dizia o velho RC que, por cá, com a sinalização existente, quem conhece o caminho nunca se perde.
Lá encontrei as maquinetas de bilhetes. Quem tem cartão de viagens deposita-o no lugar certo e faz o carregamento da viagem. E quem não tem? Seria suposto haver bilhetes ou cartões ou o raio que os parta que pudessem depois ser carregados na mesma máquina. Pois não havia em nenhuma das duas máquinas disponíveis.
Querem os mentecaptos que o povo ande de transportes públicos.
Meu rico carrinho que deixei em casa.
A magnífica CP que tantos dissabores já me causou, fez-me ontem a última, depois de anos sem a haver utilizado.
Dirigi-me a um apeadeiro e encontrei naturalmente o acesso da rua ao cais de embarque condicionado por portões automáticos.
Olhei em volta para tentar encontrar uma máquina dispensadora de bilhetes e nada. Nem máquina nem indicação de onde a encontrar.
Depois de inspeccionar o local com alguma atenção percebi ao longe uns muretes que bem poderiam esconder uma escadaria que desse acesso a um subterrâneo. Dava. Porém, nada de sinais.
Já dizia o velho RC que, por cá, com a sinalização existente, quem conhece o caminho nunca se perde.
Lá encontrei as maquinetas de bilhetes. Quem tem cartão de viagens deposita-o no lugar certo e faz o carregamento da viagem. E quem não tem? Seria suposto haver bilhetes ou cartões ou o raio que os parta que pudessem depois ser carregados na mesma máquina. Pois não havia em nenhuma das duas máquinas disponíveis.
Querem os mentecaptos que o povo ande de transportes públicos.
Meu rico carrinho que deixei em casa.
13/07/2024
Tributo
“A Ri está aqui a fazer barulho. Espera aí um bocadinho.” – a minha intertecladora, de vida rústica em local presumivelmente ermo, parecia alertada por uma guardiã canina, madrugada dentro.
Foi esta a primeira vez que lhe conheci o nickname. Há uns bons vinte anos.
Desfeita a confusão, que não era cadela a ladrar mas pessoa a teclar, cujos avisos do MSN assim soavam, fiquei curioso com a Ri.
Assim, fui espreitar-lhe a escrita. Daí a que começássemos a trocar galhardetes fui um curto passo.
E a coisa foi.
Um desafio diferido começou em data imprecisa e dizia respeito a uns peixes-chocos que haveriam de ser tragados em meio a uma conversa certamente animada. Figuraram tais peixes ou chocos na badana do H Gasolim Ultramarino por anos, como lembrança do combinado. E foram sendo acrescentados ou traçados em cruz à medida que boas e más surpresas surgiam no debate transoceânico.
E assim, cerca de uma década depois dos latidos imaginados, apareceu na badana um carimbo de despacho.
Hoje, que a Ri passa por desventura única, saltam estas memórias a terreiro. Com um abraço apertado.
“A Ri está aqui a fazer barulho. Espera aí um bocadinho.” – a minha intertecladora, de vida rústica em local presumivelmente ermo, parecia alertada por uma guardiã canina, madrugada dentro.
Foi esta a primeira vez que lhe conheci o nickname. Há uns bons vinte anos.
Desfeita a confusão, que não era cadela a ladrar mas pessoa a teclar, cujos avisos do MSN assim soavam, fiquei curioso com a Ri.
Assim, fui espreitar-lhe a escrita. Daí a que começássemos a trocar galhardetes fui um curto passo.
E a coisa foi.
Um desafio diferido começou em data imprecisa e dizia respeito a uns peixes-chocos que haveriam de ser tragados em meio a uma conversa certamente animada. Figuraram tais peixes ou chocos na badana do H Gasolim Ultramarino por anos, como lembrança do combinado. E foram sendo acrescentados ou traçados em cruz à medida que boas e más surpresas surgiam no debate transoceânico.
E assim, cerca de uma década depois dos latidos imaginados, apareceu na badana um carimbo de despacho.
Hoje, que a Ri passa por desventura única, saltam estas memórias a terreiro. Com um abraço apertado.
11/07/2024
Godard
Recebi há dias um mail do meu banco a anunciar grandes melhorias no atendimento ao público.
Entretanto, surgiu um caso que não consegui tratar pela internet, dizendo eles que tinha que me dirigir a uma agência.
Sabendo que as condições de atendimento eram, regra geral, más, lá fui até à agência para comprovar as melhorias. Lá chegado, dei com uma avaria no dispensador de senhas e o caos instalado. Fugi.
Dali, ainda me dei ao trabalho de tentar uma outra agência. Entrando nestoutra deparei-me com grande número de esperantes que, à falta de lugar onde se sentassem, se arrimavam às paredes, não sem que de quando em vez uma funcionária viesse deixar uma cadeira dos lugares vazios dos colegas em falta para acorrer a uma grávida, a um idoso...
A cena era pois a de uma “moldura humana” – expressão futeboleira – cercando um espaço exíguo onde por vezes esperava aquele que presumia ser o próximo a ser atendido.
Até que, saído do nada, entrou na dita cena um infeliz mancebo que alguma maleita de nascença deixou incapaz. Era corpulento, pesadão, e movia-se aos saltos e em círculos no exíguo espaço deixado pelos clientes, debitando frases curtas num inglês de cobóis.
Estive neste filme duas horas até que me atenderam.
O banco não me disse mais do que um manual de instruções dado aos funcionários me diria pela internet.
Diz que melhoraram muito o atendimento ao púbico.
Recebi há dias um mail do meu banco a anunciar grandes melhorias no atendimento ao público.
Entretanto, surgiu um caso que não consegui tratar pela internet, dizendo eles que tinha que me dirigir a uma agência.
Sabendo que as condições de atendimento eram, regra geral, más, lá fui até à agência para comprovar as melhorias. Lá chegado, dei com uma avaria no dispensador de senhas e o caos instalado. Fugi.
Dali, ainda me dei ao trabalho de tentar uma outra agência. Entrando nestoutra deparei-me com grande número de esperantes que, à falta de lugar onde se sentassem, se arrimavam às paredes, não sem que de quando em vez uma funcionária viesse deixar uma cadeira dos lugares vazios dos colegas em falta para acorrer a uma grávida, a um idoso...
A cena era pois a de uma “moldura humana” – expressão futeboleira – cercando um espaço exíguo onde por vezes esperava aquele que presumia ser o próximo a ser atendido.
Até que, saído do nada, entrou na dita cena um infeliz mancebo que alguma maleita de nascença deixou incapaz. Era corpulento, pesadão, e movia-se aos saltos e em círculos no exíguo espaço deixado pelos clientes, debitando frases curtas num inglês de cobóis.
Estive neste filme duas horas até que me atenderam.
O banco não me disse mais do que um manual de instruções dado aos funcionários me diria pela internet.
Diz que melhoraram muito o atendimento ao púbico.
10/07/2024
06/07/2024
Coisas que não interessam a ninguém
Do meu palpite inicial sobre os quatro semi-finalistas, só saiu um.
Nunca saberei se seria este ano que ganharia a aposta.
Do meu palpite inicial sobre os quatro semi-finalistas, só saiu um.
Nunca saberei se seria este ano que ganharia a aposta.
05/07/2024
02/07/2024
Rebanho
Vai aumentando o número de vezes em que uma qualquer afirmação do tipo 1+1=2 é sujeita a escrutínio e divide as hostes em dois rebanhos ditos de contrárias cores políticas. Que julgam ter todo o direito à sua "opinião".
Tudo tido como normal entre os simples.
Vá lá perguntar-se às ovelhas as razões das suas posições...
Vai aumentando o número de vezes em que uma qualquer afirmação do tipo 1+1=2 é sujeita a escrutínio e divide as hostes em dois rebanhos ditos de contrárias cores políticas. Que julgam ter todo o direito à sua "opinião".
Tudo tido como normal entre os simples.
Vá lá perguntar-se às ovelhas as razões das suas posições...
28/06/2024
O discurso de ódio
Não há cão nem gato que não seja contra o discurso de ódio. Tal como não há cão nem gato que não seja pela paz.
Ora como qualquer pessoa razoável evita o ódio e a guerra e ambos contudo persistem, talvez convenha pensar no que leva a um e a outra.
E quantas são as manifestações pacifistas ditas inclusivas de qualquer tipo que lhes estão na génese.
Ponham (inclusivamente) sete gatos dentro de um saco e depois queixem-se e culpem os gatos...
Não há cão nem gato que não seja contra o discurso de ódio. Tal como não há cão nem gato que não seja pela paz.
Ora como qualquer pessoa razoável evita o ódio e a guerra e ambos contudo persistem, talvez convenha pensar no que leva a um e a outra.
E quantas são as manifestações pacifistas ditas inclusivas de qualquer tipo que lhes estão na génese.
Ponham (inclusivamente) sete gatos dentro de um saco e depois queixem-se e culpem os gatos...
26/06/2024
O sismómetro embebível (ep. hors-série)
Que diabo! Hoje estou farto de sentir microssismos.
Aqui por baixo não passa nenhum metropolitano.
Que diabo! Hoje estou farto de sentir microssismos.
Aqui por baixo não passa nenhum metropolitano.
24/06/2024
Lombroso
As caras dos homens dão-me indicações de confiabilidade: neste confio naquele nem por isso.
A confiança surge-me com aqueles que ostentam cara de “boa senhora” no dizer do velho RC.
Não consigo aplicar o mesmo diagnóstico às caras das mulheres, vá lá saber-se...
É um sistema epidérmico em que não há sistematização possível, análise pormenorizada, atenção aos padrões.
Ilustração em Cesare Lombroso, o homem deliquente, p. 273 da edição de Ricardo Lenz Editor.
As caras dos homens dão-me indicações de confiabilidade: neste confio naquele nem por isso.
A confiança surge-me com aqueles que ostentam cara de “boa senhora” no dizer do velho RC.
Não consigo aplicar o mesmo diagnóstico às caras das mulheres, vá lá saber-se...
É um sistema epidérmico em que não há sistematização possível, análise pormenorizada, atenção aos padrões.
Ilustração em Cesare Lombroso, o homem deliquente, p. 273 da edição de Ricardo Lenz Editor.
20/06/2024
Uma mulher inteligente
Ao contrário do que sucede com os elementos da turba que, na bola, vêem a sua imagem no écran gigante e se apressam a acenar para o dito écran, a mulher bonita virou a cabeça para a câmara que a focava e acenou.
Os mais cínicos dirão que o cameraman era um conhecido e que a coisa foi combinada.
Ao contrário do que sucede com os elementos da turba que, na bola, vêem a sua imagem no écran gigante e se apressam a acenar para o dito écran, a mulher bonita virou a cabeça para a câmara que a focava e acenou.
Os mais cínicos dirão que o cameraman era um conhecido e que a coisa foi combinada.
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