12/10/2024

Memória



Escrevi aqui há uns anos que, nos tempos que correm pouca coisa existiria na memória colectiva de um povo.
Aos antigos, ainda ouvíamos falar do ano da neve* (1954) com grande precisão de detalhes. Pouca informação de cada vez possibilitava armazenamento de longos períodos, uma vez que a memória humana não é ilimitada.
Ao consultar o Facebook, esse manancial sociológico dos dias correntes, se percebe que a memória dos povos é curtíssima.
Sendo a memória humana limitada, é provável que o bombardeamento constante de nova informação leve a esvaziar as gavetas mais remotas.
O certo é que se verifica que grande parte das pessoas com idade para terem retido memórias de decénios atrás, estão completamente baralhadas a respeito dessas mesmas memórias ou simplesmente não as têm. E mostram uma ignorância muitas vezes agressiva.

*para os do Sul
Lumpenificação, xenofobia ou uma solução saturada

Como já escrevi aqui, o problema não é um azul no meio dos verdes, um amarelo no meio dos vermelhos, um preto no meio dos brancos. O problema é uma solução saturada onde já não é possível dissolver seja o que for.
Para quem, como eu, cresceu e viveu num meio de iguais, ditos remediados provenientes das mais diversas partes, onde cada um respeitava as regras subentendidas e, para lá de um ou outro conflito mais exacerbado mas esporádico, tudo decorria num ambiente amigável, ver-se agora rodeado e apertado por gente sem qualquer ligação ao lugar, sem qualquer respeito pelas regras implícitas, muitas vezes sequer sem capacidade de as entender, querendo impor a sua presença torrencial e alienígena sem o mínimo esforço para se integrar, importando pouco ou nada se é azul, preta ou amarela, é um desgaste que bem dispensava.
É certo que esta gente, pelo pouco discernimento que aparenta ter, vem para cumprir tarefas que os indígenas recusam. Tudo isso se sabe. Talvez fosse o caso de se saber escolher gente mais facilmente solúvel, que a há, contraditório que isto possa parecer com a solução saturada.
Os idiotas instalados em redomas à prova de incómodos persistem em ignorar esta realidade. É muito longe dos seus ambientes climatizados.

11/10/2024

2028

Assim à primeira, parecia uma moeda que tivesse viajado no tempo.
Mas não. É mesmo do ano passado.

09/10/2024

Presidente

O Presidente da Assembleia da República confunde-se a ele próprio.
Não sendo capaz de explicitar os termos de uma singular votação.
Um espectáculo lamentável!

08/10/2024

Palestina

Há quem ache que a guerra entre israelitas e palestinianos começou há um ano.

07/10/2024

Desnorteado mas não desorientado

É isso mesmo que eu sou. Um desnorteado mas não um desorientado, já que todas as minhas pulsões vão para sul e para oriente.
Vá lá um homem explicar isto a alguém.

05/10/2024

Espaço multidimensional

Uma daquelas tristes figuras que ampara um microfone disse hoje que algures lá para Barqueiros, Mesão Frio, caiu uma pedra de muitas dimensões.

Mourão, 2013

03/10/2024

IRS jovem

Qual será a percentagem dos que sendo muito qualificados e capazes acabam por emigrar não por razões económicas mas porque não estão para ser governados por idiotas?
Jornalismo

É certo que os topónimos com o tempo passam a designar áreas diversas das que designavam inicialmente. Pode ser por decisão política, por prática consuetudinária, etc.
Também certo é que só por profunda ignorância da geografia lisboeta se pode designar um ponto próximo do Alto de São João como sendo a Penha de França ou Santa Apolónia.
Pois foi isto mesmo que sucedeu ontem e ainda sucede hoje em todos os meios de imprensa que referiram e referem o triplo homicídio ocorrido na zona do Alto de São João. Ainda que ali seja hoje freguesia da Penha de França.

30/09/2024

Infantis

Aqui a ouvir dois aparentes ingénuos a perorar sobre a coerência das posições de cada estado face a dois conflitos diferentes.
Como se houvesse alguma coerência nos seres, nos estados, para além da própria sobrevivência.
E como se houvesse uma espécie de lógica do bem, que seria “administrada” pelo Direito Internacional dando o mesmo peso a fracos e a fortes estados.
Esta gente nasceu ontem ou quer evangelizar-nos com toda a desfaçatez?

28/09/2024

Derrames

Não temos nesta altura outra solução para os problemas que não seja derramar dinheiro sobre eles.
Derramar inteligência e idoneidade que seguramente seria um remédio mais eficaz, torna-se impossível pelo simples facto de os capazes fugirem do lodo que é a administração pública como o diabo foge da cruz.
Espiral descendente.

26/09/2024

Passa-culpas

Só um défice intelectual muito acentuado de ambos os lados explica as diversas manifestações de passa-culpas entre PS e PSD.

24/09/2024

Céu de 24000



Outros céus milenares:
Multicare

Já aqui tinha mencionado a péssima página que a Multicare tem para os subscritores. Na sua versão para Windows, tem listas sem possibilidade óbvia de as percorrer, impossibilidade de recuar passos sem voltar ao início, etc.
O tempo passa e a má qualidade mantém-se. Que tipo de gente programa estas coisas?

23/09/2024

Um tubo de nada

Das minhas recordações mais remotas vem a minha ideia de que os adultos por vezes falavam em "tubos de nada".
Fazia para mim mais sentido existir um "tubo de nada" do que um "tudo-nada".
Expressão que hoje se ouve pouco e que há pouco abriu esta gaveta da memória.