04/10/2025

Português

Não me recordo de os meus pais me haverem alguma vez alertado para os erros de escrita nos jornais ou na televisão, bem como da locução nesta última.
Educar hoje um infante exige dos pais que, a par do bom uso da língua, o alertem para a quantidade enorme de asneiras que se lêem nos jornais e se vêem e ouvem nas televisões.
Não é coisa muito recente mas tem piorado muito.



Na reportagem o mentecapto que tocou na catenária tão depressa era homem como mulher como indefinido como tinha 18 e ao mesmo tempo 22 anos.
A minha campanha (IX)

IA

Já não nos bastava a ascensão dos ígnaros a doutores nem a normalização da asneira que os simples promovem ao debaterem entre si, temos agora o algoritmo bronco (IA) a dar opiniões e recomendações. Está por todo o lado.

03/10/2025

Escrever na pedra

Há alguns anos uma mente iluminada da autarquia de Vila Franca de Xira resolveu substituir as placas toponímicas em pedra por outras mais “resilientes, sustentáveis, responsáveis e ecológicas” (nota minha).
Aos despojos diz que deu forma de monumento: o Muro da Identidade.
Calculo que a razão para apear as placas de pedra tenha sido o risco de alguma mal fixada vir a cair na cabeça de uma criança. Não vislumbro outro...
Vamos nestes dias votar para eleger esta gente.





As imagens das placas novas são do Google Maps

30/09/2025

Ó boi, olha para o palácio!

Uma mente brilhante ou um aldrabão encartado que disso tirou dividendos, tratou de mandar colocar um sinal de trânsito (j3a) indicativo do Palácio Nacional de Queluz na entrada do próprio palácio.
Ou, como na mítica fábula, para os bois olharem para o palácio e saberem para o que estão a olhar.



Assim escrevia García Márquez nos seus “Cem Anos de Solidão”:
Ante a ameaça de esquecimento do que representava uma árvore, uma casa, uma vaca, decidiram fazer rótulos e pendurá-los nas coisas cujos significados temiam perder: "isto é uma árvore"; "isto é uma casa"; "isto é uma vaca"...

29/09/2025

Liceu

No dia em que quase 50 anos depois de ter deixado o Liceu, alguém me liga de lá a chamar-me professor. Por um engano.
Paz na terra

Terá havido poucas ocasiões em que Trump tenha mostrado à saciedade como o está a fazer hoje, que fala para o Grande Infantário.
Sendo ele inevitavelmente parte dele.

27/09/2025

Impedância



Agora que todos os pobrezinhos da língua se esmeram a incluir o vocábulo "resiliência" na sua faladura, é mais do que tempo de incluir também "impedância" no discurso dos desvalidos.
Calculo que, a adoptarem tal, o façam ao abrigo da mesma certidão técnica que usam para a pobre "resiliência".

24/09/2025

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 31



Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real.

23/09/2025

Casos da bola

Diz que o Benfica e o Rio Ave levantaram a questão de poderem ou não incluir no jogo adiado que irão disputar hoje os jogadores inscritos após a data em que o jogo deveria ter ocorrido.
Já agora... não se lembrou o Benfica de perguntar se o treinador teria de ser o que estava em funções em tal data atrasada?

21/09/2025

10 pontos para a Palestina

“Quando não há ideias próprias, conhecimento e reflexão sedimentados, o pateta alegre segue o rebanho.
É o que se vislumbra com o reconhecimento de um estado inexistente, à laia de quem atribui pontos num festival da Eurovisão.
” – escrevi isto aqui em Julho passado.

Num cenário de devastação e morte estas declarações simbólicas servem de muito pouco.
Mas é assim o mundo em que vivemos. Vive de representações. De gestos ditos largos. Inúteis.


Imagem daqui

19/09/2025

Há 10 anos

Há 10 anos os turcos não estiveram com contemplações: abateram um avião russo no seu espaço aéreo.
Hoje parece que está tudo à espera que os russos pisem o risco, o tal risco que já pisaram há muito.
Terreno mole.
O debatente

Algures lá para trás, o debatente ocupou o lugar do ferrabrás. A pouco e pouco tornou-se o líder aparente.
Nesta nossa civilização quem não debata não vinga.
Como se o bom governo fosse fruto do palavreado, do sofisma, da omissão, do eufemismo.
Mas é o que temos. Convencidos que estão os simples, resta arregimentar os que ainda vislumbram para além do véu com sinecuras, prebendas e vigarices.
Há ainda um punhado de homens que não se integram na lei geral. Pode ser que se julguem acima das circunstâncias e que tenham nojo do palco. Mas talvez fossem esses que, independentemente dos valores de cada um, pudessem ainda dar um alento à sociedade mole e viciada em que vivemos.
Não tenho grandes esperanças. Continuo a ver vendedores de ádipe ofídico um pouco por todo o lado.