Por artes não se sabe de quem, fui parar a uma varanda vagamente em Beja.
Dela avistavam-se naves industriais, hangares, parques pavimentados, courelas semeadas, renques de oliveiras, alqueves e algum, pouco, alcatrão.
A varanda era vagamente particular, vagamente pública.
Por ali se encontravam mais caras desconhecidas do que familiares.
O que não obstou a que o meu amigo me aparecesse com uma gravata vagamente preta vagamente vermelha anunciando o óbito de um corpo com 270 kg.
E não obstou à bebida vagamente em café vagamente em cerveja.
Uma outra cara conhecida e zás.
Na oficina do defunto, talvez do defunto, um chiste.
Um chiste a propósito de alguma memória comum ou de algum motivo de calendário de parede.
E espreitei para onde devia estar o túnel que liga a Linha do Sul à tal estação terminal que fica por detrás do barranco.
Lá estava, mesmo em frente à porta da oficina e embutida na parede do túnel, uma construção que eu nunca tinha visto.
Um misto de Gaudí e Manini.
Quis explorá-la e rondei a belíssima porta, entre duas torretas semicilíndricas em cujas pequenas aberturas se distinguia breu dentro do breu.
Entrei. Alguém conhecido guiava-me, subindo sucessivos lanços de escada que desembocavam, numa mal amanhada espécie de construção escheriana, do lado de fora dos corrimões do lanço seguinte.
Lá em cima não percebi quem era quem.
Só me recordava da paisagem fabricada que se avistava da varanda.