31/07/2006

Ponte Raínha Dona Amélia* (sobre o rio Tejo), 2006







* ambas as pontes têm este nome.
Cidadania e impostos

Diz-se que é hoje que o Fisco vai publicar a lista de devedores que se inscrevem em certo critério. Como todos os critérios, vai penalizar o que deve d e desculpar o que deve d-1. É a vida!
A mim, a lista em si diz-me pouco. Mas diz-me o facto de se começar a apontar o dedo às pessoas, na praça pública.
E a apontar a umas mais do que a outras.
Gostava eu também de saber quais são os autarcas que fazem rotundas desnecessárias, que as enfeitam com bizarrias caras e, por vezes, estupidamente perigosas; quais são as empresas públicas que esbanjam o dinheiro dos contribuintes considerando que o dinheiro não lhes pertence, a eles contribuintes; quais são os subsídios que o Estado dá e a quem, seja para a bola seja para associações que nunca existiram seja para realojar quem anda de Mercedes seja para muita outra coisa, à custa de todos.
Gostava eu também de saber para onde vai o dinheiro que lhe entrego. Mas não consigo. Da mesma forma popularucha que, dizem, se vai aplicar a alguns devedores.

E passando dos devedores aos outros... que raio! Não há assassinos neste país? Não há gente que ou mata ou deixa quase morto o seu semelhante? Onde é que estão as fotografias deles? Quem são?
A escumalha que anda de faca e de pistola a assaltar nas ruas e os imbecis que andam na estrada a fazer uma ceifa. Quem são? Quero ver os nomes deles numa lista de fácil acesso, sendo assim.

30/07/2006

Espólio (18)


Espólio Campos Vilhena - Foto de MSG

Vila Nova de Milfontes, Agosto de 1972
UN

Vejo pouca lucidez na avaliação do que se está a passar com as instalações das Nações Unidas em Beirute. Tal como a vi em Bagdade aquando do atentado que matou, entre outros, Sérgio Vieira de Melo.
Bem sei que já disse aqui que estranho os que querem explicar a História. Mas ainda estranho mais os que o querem fazer sem qualquer tipo de ponta por onde se lhe pegue.

Recordo, a propósito do bombardeamento de hoje, um post quase com dois anos. Ainda faltavam cinco dias para Arafat morrer.

26/07/2006

2000 anos depois

Nunca convivi bem com as explicações históricas. Que estabelecem causas, efeitos e a forma como estes se relacionam com outras causas e outros efeitos.

Todavia, ocorre-me que esta guerra tem episódios com 2000 anos e ainda não foi ganha por nenhuma das partes.

Haverá, terá havido uma guerra definitivamente ganha?
Benavente, 2006

24/07/2006

O compositor emérito ou a quase morte de outro artista

[Com o razoável conhecimento que tenho da parte de Almeida que fica extra-muros, não há meio de conseguir encaixar lá aquela carreira que mais parece a de Pinhel e menos a de Trancoso. E o respectivo hotel. Para não falar da distância a que fica a Estação C.F. de Pinhel.]


Outra vez o Lopes.
Com aquele vozeirão que o caracteriza, antes sequer de me cumprimentar: A gaja tá farta de perguntar por ti!
A gaja? Qual gaja, pá?
A jornalista, pá. Começou a falar-me que conhecia cá um tipo, começou a dar-me pistas e eu, de repente, vi que eras tu. Perguntei-lhe o nome e assim que ela o disse, comecei aos gritos. Ela não se assustou, vê lá tu. Ficou tão entusiasmada que me obrigou a ligar-te logo. Tens sempre a merda do telefone desligado. Nem sei para que queres tu dois telemóveis...
Essa mulher está cá em Almeida? Aqui no hotel?
Sim, homem. Aqui no hotel.
Ouve lá, Lopes, e tu? O que é que andas aqui a fazer?
Tenho aqui uma obra. Estou aqui esta semana. Lembrei-me que é nesta altura do ano que costumas andar por estes lados, já te tinha tentado ligar antes de conhecer a F.. Mas ela não falou contigo? Vieste aqui por acaso?
Claro. Sabia lá eu que tu ou ela andavam por estas bandas. Ela atão...!
Porra! Ca ganda pontaria. Vai lá, pá, vai lá ver se ela está no hotel. Mas olha, preciso de ajuda esta noite para uma coisa lá na obra. Não te metas já debaixo das saias da moça.
Tá bem, pá. Arranja aí um sítio para um petisco que depois ajudo-te.
São seis horas. Às oito, estou no bar.

Entrei. Vinte e dois euros por noite, é tudo do que me lembro da conversa do recepcionista.
Disse-lhe que não valia a pena mostrar-me o quarto.
Dei com o bar por acaso. Apeteceu-me um café.
O homem estava entretidíssimo com uma mesa de mistura de sons. Só que não se ouvia um pio. Olhou-me de lado e com um ar mais do que entediado, lá acedeu a tirar uma bica.
O sítio era penumbroso. Acho que lhe ficava a matar. O ambiente e as fileiras de cursores coloridos que ele manuseava, numa espécie de deleite que eu não percebia de onde lhe vinha.
Saí.

Ouvi a voz do Lopes ao fundo das escadas.
E a voz dela em cima. Vinha a descer, de vestido cinzento azulado e ar descomposto.

Confesso que não percebi a fundo o objecto da estada dela naquelas paragens. Mostrou-me um quadro que pintava daquilo que se avistava de uma das duas janelas que o quarto tinha. Era a estação de caminho-de-ferro de Pinhel e as casas à volta. Disse-me que tinha passado uma vez o São João com os pais numa daquelas casas ao pé da estação. Que vira o mastro de uma daquelas janelas.
E eu que pensava que ela nunca tinha vindo a Portugal.
Esta noite não posso jantar contigo. O Lopes já me angariou para o ajudar na obra. Mas a partir de amanhã, sou teu valete.
Ela concordou. Disse que também tinha umas coisas para escrever e que assim aproveitava e as despachava.
Óptimo - disse eu.

Voltei ao escuso ambiente do compositor emérito no dia seguinte. Nem me prestou atenção, apenas se levantou, tirou o café e voltou para os cursores.
Foi a olhar para ele que fiz as contas ao dinheiro que ia gastar, por cada dia a mais que ali ficasse na estimável companhia. Até parece que via o recepcionista, na sua refinada caligrafia, a escrever por extenso vinte e dois euros.




O corre-corre tomara conta da casa. Havia gente para lá e para cá, decidindo isto, ajeitando aquilo.
Há muito que não me sentia um príncipe. Qualquer ordem que desse era prontamente atendida.
Alguém me dizia que o fato ficara deslumbrantemente novo. Que o homem era um mestre. Que cerzira todos os buracos da traça com uma maestria nunca vista e que, mais, acertara todas as medidas às minhas dimensões actuais.
Isto para não falar do pastiche que dera ao tecido. Dum novo-velho admirável.
Só vendo - dizia eu, embora, com tanto entusiasmo do outro, julgasse que seria mesmo assim.
O fato veio e de facto estava impecável.
Muito bem, já só falta a gravata. Tragam-me a MINHA gravata.
Claro que vieram cinco ou seis antes da tal. Mas apareceu.
Depois de terminado o atavio, disse para quem me escutava, antes que fossem buscar o Hudson côr de rato à garagem:

Vou a pé, para poder saudar o povo nas janelas.

Ela esperava-me na Casa do Povo. Casávamos na minha terra.

23/07/2006

22/07/2006

O peixinho das alvíssaras

A bifana sabia-lhe a memória.
A memória de sons de estrada. De motor, de atrito de pneus, de ar pelas janelas abertas, de vozes como só elas soavam dentro de um carro em andamento.
As paredes do restaurante, indefinidas entre a madeira e o tijolo como se num sonho indistintas, rescendiam a essa memória misturada nos sentidos.
Julgava poder afirmar que jamais entrara naquele local. Não enquanto se lembrasse de tal.
Mas tinha a memória povoada de avistamentos daquela conhecença. Centenas de vezes passara naquela estrada, olhara aquela bizarra construção, quase sempre guardada por uma escolta de camiões abandonados na berma.

J. veio à porta, contemplou o parque de estacionamento agora quase vazio onde se destacavam as letras NU no flanco do jipe, iluminadas por uma solitária lâmpada exterior.
Reviu, na sua já toldada apreciação, os acontecimentos do dia.

A chegada alvoroçada de R., as mamas oliudescas da secretária de direcção, o magnífico petisco na cave manhosa. Reviu e adjectivou cada passo.

De como se tinha montado a missão a Ceuta, imprimido e colado no jipe as folhas com as letras, desencantado os capacetes azuis no fundo do armazém e de como havia mal escolhido a parte que lhe cabia da tripulação, de tudo isto fazia uma sopa que acompanhava na memória o paladar mostardento da bifana.
Talvez tivesse feito um esgar para rasgar a febra com os dentes.
Olhava o poeirento terreiro tentando adivinhar a leste os primeiros alvores.
Nada naquele momento, sequer a aventura que os outros três desmontavam em cavaqueira uns metros ao lado, propondo-se ainda desagravar o Infante Santo, lhe sugeria a possibilidade do peixe das alvíssaras.

Só uns anos depois, sentado na esplanada dos grelhados, enquanto o patrão se afadigava com a travessa, de mesa em mesa, é que juntou as duas coisas.
A missão a Ceuta borregara ali ao km 49 da E.N.10.
O peixinho das alvíssaras idem aspas.


imagem adaptada de http://www.autonavigator.ru/

20/07/2006

LP

Não sei se era ele. Mas pareceu-me que sim.
Apareceu pela manhã e soltou primeiramente as suas habituais imprecações.
Poupo-vos às enormidades que pronunciou.
Depois sentou-se, acalmou, fumou uns quantos cigarros, oferecendo-me sempre o maço, esperando que eu declinasse, já que sabe que eu há pouco mais de um ano mandei o vício ao tapete mais uma vez, e disse:
Foda-se, não percebes nada disto!
Isto é assim - disse, com todas as certezas deste mundo debaixo do braço - tu queres escrever quatro posts em um mas falta-te a arte.
Então vejamos. Os pontos são os seguintes: a moça persegue-te nos sonhos.
Persegue, sim.
Pois, mas no final é à Costa dos Esqueletos que aportas.
Claro. Querias o quê, LP?
Que não fosses parvo, Manel. Às vezes - e ria-se - és uma besta!
Ok, ok, deixa-te de comentários.
Então, diz-me lá, que história é essa da moça não te deixar dormir?
Não me deixa - não! É, antes pelo contrário, nos sonhos que me assola.
Huuuuuu - estou a ver, uma fixaçãozinha.
Talvez, sei lá, já não digo nada. Ontem apareceu como irmã do Espanhol, hoje como a viandante. De feições diferentes.
É o Diabo, companheiro, tenta-te com quantas caras tem.
O Diabo, o cara..., é mas é uma fixação com uma mulher, pá!
E sabes com quem?
Sei. Uma mistura da moça de beige com a selecção feminina do Resto do Mundo.
É pouco para uma definição por compreensão. E pouco é para uma identificação.
Será!
Tens a certeza de que não queres usar um dos meus textos para encher chouriços?
'Péra aí, pá. Isto ainda não chegou a esse ponto. Respeito quem aqui costuma vir ler o que escrevo, ver o que fotografo.
Ah, agora os meus textos são uma falta de respeito! Belo!

Mas diz lá, isso da G3 e da moça. Conta lá.
Ui, é uma longa história. Posso começar pelo primeiro caso. Aparentemente não relacionado.
Ela apareceu com um fulano alourado. E outro casal. Vinham num carro pequeno e andavam de companha comigo e com uma prima.
Nesse dia, eu tinha comprado uma carrinha Ford Escort mk III, azul escura [1].
E claro que ela aparecia estacionada em todo o lado a que eu chegava com o meu carro velho. Para ter a oportunidade de mudar de veículo em plena fuga.
E apesar das tentativas para a convidar para me acompanhar, ela seguia sempre o louro embora logo estivesse a meu lado, enlevadíssima. Era dada aqui como sendo irmã do Espanhol. Mas eu que conheci as irmãs dele Espanhol sei que não era nenhuma delas. Mesmo assim, relatei-lhe a vez que lá estive em casa e a forma como havia conhecido o pai dela.
Mas já te digo, pá, que o pior veio a seguir.

Estás a ver um editor de imagem em que combinas, com uma certa transparência, três imagens diferentes?
Pois bem, a acção decorria num atelier de um antigo alfaiate leiriense, na garagem do último piso daquela banda de prédios que a gente sabe e num certo bar de ingleses no Algarve - tudo num só ambiente.
Aí, havia um frenesi de abalada. Era para irmos não sei onde, em bando.
Lembro-me de ter telefonado à primeira das forasteiras a dizer que não ia. Ela respondeu-me que nesse caso também não saía de casa.
Não me recordo foi se telefonei à forasteira-dois. O certo é que, se tentei, não o consegui. Isso fez com que ela aparecesse, como combinado.
A primeira coisa que lhe disse foi: A forasteira-um não vai nunca acreditar que eu não fiz de propósito.

O facto de entrementes ter entrado no comboio-autocarro, armado conspicuamente de G3 [2], reforçando a segurança do Presidente e ostentando os meus galões, é despiciendo.
A seguir é que sim, desembarcado que fui à porta do café e logo a discutir com os demais as questões de segurança que eles levantavam tal como a ouvir as indicações que me forneciam, cheguei ao ponto de me resolver a levar a forasteira-dois (doravante referida como "a moça") a sentar-se comigo na mesma mesa do Manel onde ocorreu o episódio da Idade da Glaciação, e a ter com ela demorada entrevista.
Aqui sim desenvolveu-se um acentuada ternura pela moça.
A G3 encostada à parede do fundo, completamente desarmado, ouvi longamente a sua exposição, alheado dos acontecimentos que se desenrolavam em redor.
Este desarmamento desarmou-me. Fixei-me nela.
Quando finalmente nos levantámos e que ela pediu a outra das minhas primas permissão para ir a casa dela mudar de roupa, um dos anciãos veio por um conselho e convidei-o a sentar-se comigo na mesma mesa. Foi quando não vi a espingarda.
Eu sabia que naquela parede [3] em particular as G3 desenvolviam a camuflagem ao ponto de se tornarem intangíveis, mas cri que era antes coisa do Manel. Acertei.
Deu a sua habitual justificação e entregou-me a arma. Já eu me retirava - ignorando o ancião - quando reparei que a arma que ele me entregara era uma espécie de caricatura de G3 feita de arame grosso [4].
Com toda a calma, expliquei-lhe que se tratava de uma arma e não de um brinquedo.
Ele voltou à casa de banho, de onde retirara a primeira, e mostrou-me uma G3 sem cano e sem carregador. Eu ri-me e disse-lhe para procurar melhor. À terceira foi de vez, devolveu-me a arma.
Saindo para a rua, tropecei na moça, já de roupa nova.
De volta ao balcão do Manel, entre duas bicas, ela disse-me:
Fazes bem em procurar os tais olhos. Eu faria o mesmo.

LP sorriu, desenhou uma pirueta e, puxando do enésimo cigarro, disse. Quais disse? Escreveu:

Sou, então, desde que caldeus e visigodos se reuniram em torno da caldeirada penicheira, bacharel em pernas de donzela e meus meio-inimigos não mais me perdoarão por ter denunciado a solicitude com que o benjamim de entre eles se ofereceu para restaurar a veleidade pagã no seio da hipocondríaca nação a que todos estamos ligados.
Viro-me pois para a heresia descontente das sabatinas ao sol-pôr e já não apelo para o Supremo Tribunal porque tal não me diz nada.

(30-4-80)

Eu repliquei - julgo que de viva voz.
Duas coisas, meu Caro, duas coisas. Esta noite foi um ver-se-te-avias de abrir e fechar portas de cafés-museus ali para a zona de Belém. Ver de plano alto uma ampla zona a sudoeste onde se identificava um edifício que trazia um certo desgosto. E sair da tal praça de onde se só se podia sair sendo-se mimo. E tentar entrar no tal beco completamente preenchido pelo camião-escavadora cuja articulação se conformava com a topologia do sítio.
E esta tarde, no mundo de Alice, uma segunda versão de La Nuit. Parecida, muito parecida, com uma pessoa que não conheço. Mas em bom. Em muito bom. Até me passou a mão pelo pelo, no primeiro round.
E ele disse qualquer coisa que me pareceu I rest my case. Achei estranho. Sei que não é muito de línguas estrangeiras.

18/07/2006

17/07/2006

A Operação Cratos


imagem da Sky News

O caso, velho de quase um ano, da morte do electricista Jean Charles de Menezes é exemplar do que é meter os pés pelas mãos e não saber sair com um mínimo de dignidade de um lamentável caso de erro policial.
É que um caso destes tem todas as características para poder ser exemplar no bom sentido, não obstante a tragédia que envolve.
Bastava para tanto que assim estabelecido o erro e o mau procedimento policial, de imediato se passasse, em nome de toda a comunidade, a encontrar uma forma de ressarcir, tanto quanto isso é possível, os familiares da vítima. E a explicar-lhes que ninguém seria processado por tal erro. E a dar a isso e à indesmentível inocência do desgraçado electricista o devido destaque. Com todos os custos que isso pudesse ter. Sempre em nome da Nação e da sua defesa. Um caso de Estado.
Tudo isto deveria pois ter sido encarado como um lamentável erro decorrente de uma situação-limite, em que estavam em jogo muitas mais vidas humanas. E que, obviamente, tratando-se de um erro não poria em causa nem a necessidade de adoptar procedimentos semelhantes no futuro nem a preparação da polícia para situações tais.
Pois foi exactamente o contrário que fizeram.
Às primeiras horas, ainda insistiam que o homem era um terrorista.
Depois questionaram, vezes sem conta, todo o procedimento (admite-se e requer-se mesmo que o façam na reserva das instituições respectivas e que identifiquem procedimentos incorrectos e elementos policiais incompetentes).
Permitiu-se até criar um espírito contrário a acções semelhantes.
O imbecil fardado que apareceu a dizer, em directo, na TV que as ordens não eram para disparar a matar mas sim para incapacitar de imediato, sempre que possível com tiros na cabeça, apenas mostrou nos limites do absurdo, e perante a incredulidade do jornalista, o nível que a coisa assumiu e a qualidade dos protagonistas.
Chegaram agora à conclusão de que não vão processar criminalmente ninguém! Um ano depois decidem algo que era suposto ter sido dito de imediato.
Pior, vão abrir um processo absurdo por uma espécie de violação de garantias de segurança.
É a mentalidadezinha dos novos tempos.
A incapacidade de chamar os bois pelos nomes.
A terceira via.
A parte mais estúpida

A parte mais estúpida deste conflito de décadas (para contar só desde a criação de Israel) no Próximo Oriente são os absurdos apelos à paz.
Já não há pachorra.


imagem adaptada de http://www.swannysmodels.com/images/S199/boxart.jpg

Esta imagem do Spitfire e do Messerschmitt é, por outro lado, tragicamente irónica. Ou não será?

16/07/2006

Fogo

Querem ver que foi este ano que decidiram (quem e como?) deixar de alimentar o fogo nas televisões?
Se assim é, parece-me bem.

15/07/2006

Santa Terrinha

A notícia é que naquela povoação não há nomes para as ruas nem números para as portas.
É uma peça com o carteiro.

Mas as frases que ficam são a de uma habitante e a do homem que é identificado como Presidente da Junta.
Ela gostava que houvessem.
"Quando vamos ao hospital, sentimo-nos inferiorizados. As pessoas não acreditam que não há nem uma coisa nem outra."
Ele acha que não.
"Já viu que com os números, se viesse para aqui um terrorista, a gente não sabia quem ele era? Com o número e com o terrorismo que há agora! A gente gosta de saber quem cá está."

Citei de memória.
Talvez passe hoje no telejornal da RTP. Se não passou já.
Saudades de David Duffield

Gosto de ver ciclismo.
Ao vivo e na televisão.
Mas sem os comentários saborosos de David Duffield, o que fica do que por lá se diz, mete dó.
É de facto, muito mas muito pior do que no futebol a clarividência dos entendidos na matéria.
Inúmeras vezes não percebem o que está a acontecer, depois surpreendem-se de repente, logo dão palpites e a seguir enganam-se nas contas. É extraordinário.

Valem as magníficas imagens, como estas:






imagens do canal Eurosport durante a Volta a Itália deste ano

14/07/2006

Dias na História

Esta sensação de que o dia 14 de Julho de 2006 é mais um marco.
Com sinais vindos de várias partes do Mundo ao mesmo tempo.
Não começou nada, não acabou nada, mas uma linha qualquer foi ultrapassada algures.
Cá estaremos para ver. Ou não.

A estrada de Damasco não está para conversões.
Carimbadela

Muito gostava eu de saber o que significa este carimbo:



Será do Totta?
A estrada de Damasco


Gen. Moshe Dayan - imagem em http://www.mfa.gov.il/MFAHeb/Mfa/Departments/foreign_ministers

Não sei por quê, mas talvez desconfie, esta noite veio-me à ideia uma certa frase deste homem.
Dizia ele que a estrada que trazia de Damasco a Telavive era a mesma que levava de Telavive a Damasco.
Viagem ao princípio do mundo*



*d'après Manuel de Oliveira

13/07/2006

Lisboa-Rossio, 1988

O Sandokan de quintal

Vi-me, sem saber ler nem escrever, dentro do clã.
O chefe, meu sogro, era uma figura terrível e temível, cuja autoridade ninguém parecia poder enfrentar.
Era fisicamente semelhante a um Kabir Bedi de Mompracém. Ou talvez mesmo do Cacém, sabe-se lá. E tinha um herdeiro em tudo parecido.
Da remessa de filhos contava-se um quase Pauleta, sempre envergando a camisola da selecção e treinando com outros numa espécie de picadeiro, e uma mocinha loira, muito bonita, que contrastavam com as características dos demais, kabirbedientas.
Da minha consorte, nem um vislumbre. Só a absurda dependência dos desejos e das ordens do chefe.
A coisa começou a azedar quando pai e filho apareceram com braçadeiras com as letras NSDAP em tipo romano. Eu nunca fui com movimentos de massas. E foi a tal ponto que terei mesmo alvejado o putativo herdeiro, meu cunhado à face da Lei.
Não se sabe como escapei com vida nas horas seguintes e ainda tive ensejo para os safar à prisão por um grupo organizado que os combatia.
Do reconhecimento que tiveram por tal gesto, resultou a minha libertação do seu jugo e do meu velho quintal onde quase toda a acção se passara. Entre a casinha e as oliveiras centenárias.
Da roseira às ameixeiras.
E vi-me, quase acto contínuo, em Timor...
Sem saber ler nem escrever, é claro. É com' áqui.

11/07/2006

O quilómetro falsificado

O mais preocupante foi a sensação estranha que o quilómetro falsificado me suscitou.
Uma mistura de déjà vu - e claro que eu já tinha visto outros quilómetros de cimento - com a quase certeza de que aquele em particular não podia deixar de ser falso.
Um certo arrepio, pois.
Como se as minhas esquadrinhações da carta militar já o houvessem revelado.



Os marcos miliários são de ordinário em pedra.
Alguém se lembrou entretanto de os fazer em cimento e tijolo. Como se uma falsificação tal passasse facilmente despercebida.

09/07/2006

E...

Scolari, cidadão italiano, lá viu o seu país ser campeão mundial do ludopédio
Final do Mundial

É da de 1998 que me lembro melhor. Não devo ter visto mais do que um minuto. Numa televisão do Aleixo. Aqui:


Santuário da Senhora da Cola - imagem do IPPAR
Infelizmente

A ironia do post anterior já deu lugar à tragédia.


foto MOP - imagem de um post de 19 de Dezembro de 2004
E pronto

Podemos voltar-nos para os incêndios.

E para outros fait divers mais divertidos:

Na SIC:
imagem:
o autocarro da selecção na E.N. 6-3 - que é o ramal que liga a E.N. 6 (Estrada Marginal) à A5, à CREL e a Queijas - ali entre a antiga bomba da Galp e o portão de acesso à tribuna do Estádio Nacional
comentário:
[...] o autocarro já está na zona de Miraflores... aliás, de Algés.

Na RTP:
notícia:
os mísseis da Coreia do Norte
leitura:
[...] Kim Yong Dois

06/07/2006

O caso de Dom Afonso Henriques

Uma maldade que não se pode fazer é perguntar a quem se propôs exumar o cadáver de Afonso de Borgonha, que tipo de resultados pretendia obter dessa exumação.

Todo o quadro revelado é, mais uma vez, e pela voz dos próprios, de uma ignorância atroz.

uns anos que tenho um post relacionado no prelo. Ainda não saiu. É sobre o Ötzi.

05/07/2006

Estoril, 2006

Das divisões do Mundo

O Mundo também se divide entre os que tratam com as crianças como se estas foram perfeitos imbecis e os outros.
Bons exemplos que retratam os primeiros são alguns anúncios que passaram e ainda passam na televisão.

E claro que o Mundo se divide também entre os que dizem Milfontes e os que dizem Vila Nova.
Anda a apetecer-me um banho entre as rochas. Ali para os lados da dita dos Pretos.

04/07/2006

1=2

O mesmo jornalista, na mesma reportagem, umas linhas entre as duas afirmações: o Metro de Valência é de última geração e é obsoleto.
A burrice é generalizada e é assim mesmo - atroz.

P.S. As afirmações referiam-se, é claro, ao mesmo elemento: as composições.
DR

Em 4 de Fevereiro de 2004, escrevi:
"[...] pode ser falha minha, mas não consegui encontrar o conjunto de alterações ao Código da Estrada que, suponho, estão em vigor desde dia 1 de Fevereiro. Com tanto dinheiro mal gasto, não seria uma boa ideia termos acesso rápido e bem conhecido às leis que nos regem? São as receitas da INCM que estão em causa? O que é que isso significa em euros?"

Hoje aplaudo a medida anunciada.

03/07/2006

Cilicisom

O futebol e as conversas à sua volta são um belíssimo exemplo da incapacidade de olhar e analisar um fenómeno.
O penalty é sempre penalty a nosso favor e nunca a favor dos outros.
A equipa é sempre maravilhosa quando ganha e merdosa quando perde.
Tudo isto é certo e sabido e não tem nada de novo.
É também um campo, entre muitos, onde campeia a ignorância, o disparate, a crendice e onde, como se vê, quem tem um olho é rei.
O interessante da coisa é que se pode ver, nestas épocas de grande excitação e de acumulação copiosa de dislates, nessa verdadeira compilação de absurdos e de incoerências, um espelho de tudo o resto.
Está ali a política que não existe, a educação que se desconhece, a instrução que falece, uma espécie de grande montra de aberrações circenses que, vistas mais de perto, são afinal o nosso retrato mais fiel. E triste.

A cilicisom apanha-me dentro do chapitô.

01/07/2006

Memorandum

Eu de facto tenho pouca paciência para os posts que repetem o que toda a gente já sabe.
Que aconteceu isto, que aconteceu aquilo, o raio que os parta. Parece muitas vezes que aos seus autores falta o que ninguém lhes poderia dar. Ou vender.
Mas, dito isto, faço exactamente o mesmo.
Dizem que é hoje que o Sporting faz 100 anos! Cáspite! É hora de postar sobre tal.

Eu não faço a menor ideia da causa que produziu este efeito: ser eu Sportinguista.
Posso sempre estabelecer as minhas conjecturas. Que foi por ser do contra, por ser contra a populaça benfiquista dos inícios dos sessentas. O facto é que não sei.
Mas sou e sempre serei Sportinguista. Leão, lagarto, o que quiserem chamar-me.
É pois mister que aqui dê arras pelo meu Clube. E dou.
Viva o Sporting!


imagem do site do SCP

29/06/2006

E.N. 257, 1996

O chá de superioridade

Sintonize-se o canal que dá pelo nome de AR TV.
Ouça-se a produção de que os intelectos ali presentes são capazes. De uma ponta à outra. Passando pela bancada que faz face ao chamado hemiciclo.
Descanse-se sobre isso. Se capaz se fôr.

O debate de hoje era (é) vagamente sobre a Saúde. Já passa das 5.

28/06/2006

E.N. 9, 2006

Arcos de triunfo


Espólio Campos Vilhena - foto de MSS?

Já se sabe que é assim, que os triunfos embotam a razão.
Já se sabe que há poucas coisas que não interfiram com a razão, seja lá ela o que fôr.
Já se sabe tudo isto mas repeti-lo às vezes não é inútil. Há sempre gente a chegar.

26/06/2006

O nó de Canhestros


trecho do Plano Rodoviário de 1945 - JAE

Não fazia a menor ideia de que Canhestros tinha ficado para o fim na distribuição de informação em banda larga. É o que dizem.
O nome da terra é, pois, simbólico.

Como já o era no tempo em que a rede em causa era a de estradas.
E no do fatídico nó da E.N. 121 com a E.N. 383.
A típica situação de duas longas rectas que se intersectavam sem grande notícia prévia.

Já nesse tempo os choques eram tecnológicos.
Restos de colecção (52)

Siga a música!

Ao continuar nas minhas demoradas arrumações, identificando desenhos disto e daquilo, dou por um pedaço de papel que serve de atilho a um canudo.
É uma fracção de uma cópia heliográfica. Por ser facilmente identificável o propósito que servia e parecer ser de um tempo já longínquo (que diabo, não o é assim tanto) aqui vo-la mostro, cuidando que o autor do original não há-de ficar muito aborrecido se acaso a descobrir aqui.


(clique para ampliar)

25/06/2006

Post scriptum

O Sr. Gauss, como sabeis, era alemão*. Está tudo dito.

actualizado e aditado: recuperados os acentos
*passe a incorrecção histórica
Memorandum

Descobri hoje, pela primeira vez e por quase acaso, um blogue de um familiar. Pelo Google, pois.

O Sr. Gauss e os resultados que dizem (site da FIFA) que aconteceram entre Portugal e a Holanda não auguram nada de bom. Não houve nem um jogo antes de 1990?
A paisagem fabricada

Por artes não se sabe de quem, fui parar a uma varanda vagamente em Beja.
Dela avistavam-se naves industriais, hangares, parques pavimentados, courelas semeadas, renques de oliveiras, alqueves e algum, pouco, alcatrão.
A varanda era vagamente particular, vagamente pública.
Por ali se encontravam mais caras desconhecidas do que familiares.
O que não obstou a que o meu amigo me aparecesse com uma gravata vagamente preta vagamente vermelha anunciando o óbito de um corpo com 270 kg.
E não obstou à bebida vagamente em café vagamente em cerveja.
Uma outra cara conhecida e zás.
Na oficina do defunto, talvez do defunto, um chiste.
Um chiste a propósito de alguma memória comum ou de algum motivo de calendário de parede.
E espreitei para onde devia estar o túnel que liga a Linha do Sul à tal estação terminal que fica por detrás do barranco.
Lá estava, mesmo em frente à porta da oficina e embutida na parede do túnel, uma construção que eu nunca tinha visto.
Um misto de Gaudí e Manini.
Quis explorá-la e rondei a belíssima porta, entre duas torretas semicilíndricas em cujas pequenas aberturas se distinguia breu dentro do breu.
Entrei. Alguém conhecido guiava-me, subindo sucessivos lanços de escada que desembocavam, numa mal amanhada espécie de construção escheriana, do lado de fora dos corrimões do lanço seguinte.
Lá em cima não percebi quem era quem.
Só me recordava da paisagem fabricada que se avistava da varanda.

Degraus

23/06/2006

O Verão psicológico

À medida que nos afastamos da terra e dos seus ciclos produtivos, à medida até que os transformamos e adaptamos, a divisão do ano em estações tal como existe faz cada vez menos sentido.
Basta atentar nas vezes em que se disse e escreveu, desde que o calor apertou em finais do mês passado, que já estávamos no Verão. É frequente haver esse tipo de confusões tanto nesta época como com as chuvadas ditas de Inverno em Outubro e Novembro.
Seja lá qual tenha sido a razão que levou a simplificar as coisas, atribuindo nomes aos intervalos de tempo entre equinócios e solstícios e tendo com isso estendido implicitamente a essas fracções as características fundamentais da Natureza agrícola: sementeira, germinação, crescimento aéreo e colheita, essa razão é hoje insuficiente para explicar as características meteorológicas comuns de cada um desses períodos. Que na realidade não existem.
Ora o Verão é, para a maioria de nós, o tempo em que andamos com menos roupa. O tempo em que nos sentamos nas esplanadas. O tempo em que nos apetece com mais frequência bebidas frescas. O tempo em que procuramos as praias, que nos estendemos nas piscinas. Resumindo, o tempo quente.
Este Verão começou em finais de Maio. Toda a gente sabe disso. Quando acabará, não se sabe.
Os meus verões na praia Vasco da Gama acabavam sempre nas tardes de 30 de Setembro. Melhor dizendo, prolongavam-se ainda, para além desse tempo balnear, até à abertura da caça. E das aulas.
O Verão de facto.

22/06/2006

Talvez

Hoje mais tarde fale sobre o Verão psicológico.
Por enquanto, a única coisa que me ocorre é que os dias vão começar a minguar.
É aquela absurda perspectiva de futuros negros, aqui e agora.

Mudando de assunto, lá vai a praia Vasco da Gama, tal como a vi num mês de Setembro. Depois dos Setembros d'outrora. Muito depois. Em Sines.

21/06/2006

Emoções

Na minha juventude, julgo que como muitos outros, elegia no Verão uma música. Deixava que ela se entranhasse, da mesma forma que deixava entranhar as paixões.
Dei-me conta de que este ano devo à França as minhas paixões quarentãs.

Um rosto e uma canção(audio - ficheiro ram).

Uma entrevista por grande acaso, outra escutada bastantes vezes num anúncio. Na janela de televisão. Aqui no PC.
É Verão.

20/06/2006

19/06/2006

Ericeira, 2006

Avaria

A avaria que não me deixava postar mais do que duas ou três linhas, alterar os templates, enviar correio, saber se recebia ou não todas as mensagens e aceder a alguns sítios, foi-se como veio.
Pelo pouco que percebi, foi coisa na Netcabo.

Aqui em baixo fica o post que consegui postar na Globo.
Jerónimo a 60° de latitude norte

Ou talvez na foz do Tejo.

Cá em casa, nunca foi hábito encadernar ou forrar os livros. Ficam como estão. E assim se vão gastando.
Àquele exemplar andava há algum tempo a tomá-lo por um livro emprestado em tempos a uma pessoa que o devolveu forrado.
Foi pois com alguma surpresa que vi que me enganara.
Tratava-se da obra premiada em 1927 com o prémio Goncourt e não do que eu pensava.
Quando resolvi desforrá-lo, a surpresa foi outra. Na tela - pois era em tela o forro - do lado de dentro, havia um mapa pintado.
Julgo tratar-se de uma margem do rio Tejo, pois as letras T E J vêem-se bem. Como bem se vê a legenda "Nacional", que eu talvez por deformação tomo como estrada. E como se identifica uma linha de caminho de ferro de duas vias.
Tudo isto não dá para grandes alternativas, dado o desenho e apesar das alterações que possa ter havido.
Mas o certo é que ainda não descobri onde isto é.
Nem por que carga d'água é que alguém desenhou este mapa em tela.
Muito menos por que é que forrou com ela um livro.
As últimas duas nunca saberei, claro.


(clique para ampliar)

E Jerónimo já está a 60º de latitude norte. Foi de barco.

(post publicado no Blogger da Globo em 16.06.06)

17/06/2006

Avaria

Uma avaria algures, algo que ainda não entendi, não me deixa colocar aqui as coisas que pretendo. Só uma ou duas linhas e vá lá.
Podem ver o(s) último(s) post(s) em http://www.gasolim4.blogger.com.br/