Gota d'água
Não me parece que tenha sido. Não foi. Não foi a gota d'água final.
Mas foi decerto uma gota d'água inesquecível.
Metáfora de lavagens d'alma, de travessias, de alvores.
Gota d'água, verão e inverno.
Princesa.
11/09/2004
10/09/2004
Um imenso .jpg
Fazendo fé nas palavras azuis do mago profeta, chegará o dia em que os aromas acompanharão os sons e as imagens nas suas peripécias viajantes.
Se esse dia fosse o de hoje, haveria decerto uns ficheiros com extensão .pfm (os americanos iam lá deixar de usar o galicismo...) que se poderiam combinar com sons, texto e imagem, de forma a melhorar o conteúdo da informação aqui exposta.
Não o sendo, resta-nos a combinação de imagem e texto, já que quanto aos sons é outra história e fica para o fim.
A batalha entre imagens e palavras ia em <1/1000 da última vez que ouvi falar nela. Não deve esta proporção ser actualmente majorante, a julgar pelo tamanho dos ficheiros de texto e de imagem que aqui tenho. Mas adiante.
Supondo que haveria que escolher entre texto e imagem para traçar a minha autobiografia, o que é que faria? Um texto longo e entediante ou uma imagem que tudo resumisse? Que a sequência de imagens também não me agrada.
Decido-me então por um imenso .jpg.
Voltando aos sons, meti-me em boa.
Sendo uma reconhecida e notória nulidade no que à música toca, não é que me deu para reconstruir a banda sonora do meu filme (do meu .jpg)? Só a parte musical, claro. Os outros sons do mundo ficaram de fora.
A coisa não está fácil.
Descobrir a que canção e a que artista corresponde um certo som é uma tarefa hoje para mim possível graças a São Google. Um extracto da letra e a coisa acha-se. Mas em outros tempos, seria condenada ao fracasso. Trauteasse eu qualquer coisinha a ouvidos de entendedor e decerto assistiria a uma fuga desesperada. Nada menos do que isso.
Mas assim, já vai em mais de um 1GB e segue por bom caminho como o Grandella.
Ninguém me manda ser parvo.
É mesmo melhor dedicar-me à parte gráfica.
Fazendo fé nas palavras azuis do mago profeta, chegará o dia em que os aromas acompanharão os sons e as imagens nas suas peripécias viajantes.
Se esse dia fosse o de hoje, haveria decerto uns ficheiros com extensão .pfm (os americanos iam lá deixar de usar o galicismo...) que se poderiam combinar com sons, texto e imagem, de forma a melhorar o conteúdo da informação aqui exposta.
Não o sendo, resta-nos a combinação de imagem e texto, já que quanto aos sons é outra história e fica para o fim.
A batalha entre imagens e palavras ia em <1/1000 da última vez que ouvi falar nela. Não deve esta proporção ser actualmente majorante, a julgar pelo tamanho dos ficheiros de texto e de imagem que aqui tenho. Mas adiante.
Supondo que haveria que escolher entre texto e imagem para traçar a minha autobiografia, o que é que faria? Um texto longo e entediante ou uma imagem que tudo resumisse? Que a sequência de imagens também não me agrada.
Decido-me então por um imenso .jpg.
Voltando aos sons, meti-me em boa.
Sendo uma reconhecida e notória nulidade no que à música toca, não é que me deu para reconstruir a banda sonora do meu filme (do meu .jpg)? Só a parte musical, claro. Os outros sons do mundo ficaram de fora.
A coisa não está fácil.
Descobrir a que canção e a que artista corresponde um certo som é uma tarefa hoje para mim possível graças a São Google. Um extracto da letra e a coisa acha-se. Mas em outros tempos, seria condenada ao fracasso. Trauteasse eu qualquer coisinha a ouvidos de entendedor e decerto assistiria a uma fuga desesperada. Nada menos do que isso.
Mas assim, já vai em mais de um 1GB e segue por bom caminho como o Grandella.
Ninguém me manda ser parvo.
É mesmo melhor dedicar-me à parte gráfica.
08/09/2004
Notas
Santuário da Senhora da Cola - imagem do IPPAR
Várias, enquanto me deixam.
O material tem sempre razão - é a máxima que tomada à letra demonstra o desfasamento entre o que as coisas são e o que pensamos que elas são.
Se é que as coisas são alguma coisa.
Neste caso concreto, é de um problemazinho chato aqui na maquineta que se trata. A que se junta a falta de paciência para grandes averiguações.
Nem a Senhora da Cola me vale. Mais uma noite de copos e de romaria em que me marcaram falta.
Quando finalmente (...) o Sol desce à terra! Do alto da minha pouca informação, parece-me que é um feito pouco significativo. Não faltaram oportunidades anteriores para se fazer tal recolha. E será que não se recolheram já amostras, em outras condições? Não faço ideia.
Perdidas.
Perdidas por vós todas as coisas e todas as mulheres.
O estranho não é que alguém tenha aqui vindo, através do Google, à procura de "Encontrei-a mais tarde". É que apenas aqui neste blogue isso aconteceu. Isso de encontrá-la mais tarde. Porventura, vós não tereis perdido coisa nem mulher nenhuma.
Por último, um desejo. Um desejo, não. Um pedido ao Deus de todos os ateus:
Deus me livre de o Mundo ser feito à medida dos meus desejos.
Decerto que muitos outros o terão formulado antes de mim. Não espero ser original nessa prece.
Mas em altura em que tanta gente tem e apregoa ideias para o Mundo, é o que de melhor me ocorre.
E não é grande coisa. Mas é com convicção.
Logo eu, que tanta graça acho aos homens com convicções...
Santuário da Senhora da Cola - imagem do IPPAR
Várias, enquanto me deixam.
O material tem sempre razão - é a máxima que tomada à letra demonstra o desfasamento entre o que as coisas são e o que pensamos que elas são.
Se é que as coisas são alguma coisa.
Neste caso concreto, é de um problemazinho chato aqui na maquineta que se trata. A que se junta a falta de paciência para grandes averiguações.
Nem a Senhora da Cola me vale. Mais uma noite de copos e de romaria em que me marcaram falta.
Quando finalmente (...) o Sol desce à terra! Do alto da minha pouca informação, parece-me que é um feito pouco significativo. Não faltaram oportunidades anteriores para se fazer tal recolha. E será que não se recolheram já amostras, em outras condições? Não faço ideia.
Perdidas.
Perdidas por vós todas as coisas e todas as mulheres.
O estranho não é que alguém tenha aqui vindo, através do Google, à procura de "Encontrei-a mais tarde". É que apenas aqui neste blogue isso aconteceu. Isso de encontrá-la mais tarde. Porventura, vós não tereis perdido coisa nem mulher nenhuma.
Por último, um desejo. Um desejo, não. Um pedido ao Deus de todos os ateus:
Deus me livre de o Mundo ser feito à medida dos meus desejos.
Decerto que muitos outros o terão formulado antes de mim. Não espero ser original nessa prece.
Mas em altura em que tanta gente tem e apregoa ideias para o Mundo, é o que de melhor me ocorre.
E não é grande coisa. Mas é com convicção.
Logo eu, que tanta graça acho aos homens com convicções...
06/09/2004
05/09/2004
Quanto mais leio
Mais sono tenho.
"Andas a ler as coisas erradas." - disse-me ela, com os olhos postos no cinzeiro.
"Só conheço os erros nas convenções." - foi a minha resposta pouco calculada.
"Questão de palavras, meu caro. Digamos desadequadas." - já levantava os olhos da mesa e do cinzeiro, que entretanto se enchera.
"Também tu tiras os olhos da cinza."
A conversa ficou por ali. Ou talvez não.
imagem adaptada daqui
Mais sono tenho.
"Andas a ler as coisas erradas." - disse-me ela, com os olhos postos no cinzeiro.
"Só conheço os erros nas convenções." - foi a minha resposta pouco calculada.
"Questão de palavras, meu caro. Digamos desadequadas." - já levantava os olhos da mesa e do cinzeiro, que entretanto se enchera.
"Também tu tiras os olhos da cinza."
A conversa ficou por ali. Ou talvez não.
imagem adaptada daqui
04/09/2004
Não
Não. Não há algo de novo na barbárie.
Nem na barbárie maciça, nem na fragmentária.
Nem na dos números às centenas, nem na do um de cada vez.
Nem na morte de crianças, nem na guerra.
O que há de novo é que, nesta civilização do meio da Europa para cá, com os seus prolongamentos a outros continentes, desde a Segunda Guerra Mundial, que não se vê coisa assim.
Não que não tenha já acontecido aqui, em outras épocas.
Não que não tenha acontecido bem depois disso nesta mesma Europa, mas na outra.
Não que não tenha acontecido no seio da nossa civilização mas em lugares outros.
Mas aconteceu e aconteceu vezes e vezes.
E acontecerá.
Estamos muito longe de deixarmos as armas, se é que alguma vez isso irá acontecer.
Estamos muito longe de não disputarmos territórios, palmo a palmo, vida a vida.
Quando estas imagens nos entram pelas casas a dentro, o pior que podemos fazer é acreditar que o mundo se resume e se resumiu ao que vimos na televisão.
Há umas guerras, uma guerra, lá fora. E o lá fora pode ser ao virar da esquina.
E não há botão de Cancel.
Não. Não há algo de novo na barbárie.
Nem na barbárie maciça, nem na fragmentária.
Nem na dos números às centenas, nem na do um de cada vez.
Nem na morte de crianças, nem na guerra.
O que há de novo é que, nesta civilização do meio da Europa para cá, com os seus prolongamentos a outros continentes, desde a Segunda Guerra Mundial, que não se vê coisa assim.
Não que não tenha já acontecido aqui, em outras épocas.
Não que não tenha acontecido bem depois disso nesta mesma Europa, mas na outra.
Não que não tenha acontecido no seio da nossa civilização mas em lugares outros.
Mas aconteceu e aconteceu vezes e vezes.
E acontecerá.
Estamos muito longe de deixarmos as armas, se é que alguma vez isso irá acontecer.
Estamos muito longe de não disputarmos territórios, palmo a palmo, vida a vida.
Quando estas imagens nos entram pelas casas a dentro, o pior que podemos fazer é acreditar que o mundo se resume e se resumiu ao que vimos na televisão.
Há umas guerras, uma guerra, lá fora. E o lá fora pode ser ao virar da esquina.
E não há botão de Cancel.
O Mago
Já há cinco dias consecutivos que me surgia à frente sempre na mesma curva do túnel do Metro.
Via-se que seguia com passo determinado, com alguma tarefa urgente para realizar.
Estatelou-se, depois de chocar contra o meu ombro.
Bateu com a cabeça nos mosaicos de vidro. Sangrava.
Não há rede - gritava o homem da pasta, secundado pela mulher dos cabelos falsamente ruivos.
Não houve recriminações. Fora um acidente.
O rapaz com ar de estudante disse que já conseguira ligar.
Um quarto de hora depois, depois de dois lenços ensopados em sangue, ouviu-se a sirene na boca do Metro.
Os socorristas fizeram o seu trabalho, levaram o homem.
Por ali caído no chão estava um cartão:
Guardei-o, sem que ninguém percebesse que não me pertencia.
Corri todos os hospitais, pedi todas as informações ao 112, ninguém me soube dizer onde estava o Mago.
O cartão não tinha qualquer número de telefone.
Já há cinco dias consecutivos que me surgia à frente sempre na mesma curva do túnel do Metro.
Via-se que seguia com passo determinado, com alguma tarefa urgente para realizar.
Estatelou-se, depois de chocar contra o meu ombro.
Bateu com a cabeça nos mosaicos de vidro. Sangrava.
Não há rede - gritava o homem da pasta, secundado pela mulher dos cabelos falsamente ruivos.
Não houve recriminações. Fora um acidente.
O rapaz com ar de estudante disse que já conseguira ligar.
Um quarto de hora depois, depois de dois lenços ensopados em sangue, ouviu-se a sirene na boca do Metro.
Os socorristas fizeram o seu trabalho, levaram o homem.
Por ali caído no chão estava um cartão:
Guardei-o, sem que ninguém percebesse que não me pertencia.
Corri todos os hospitais, pedi todas as informações ao 112, ninguém me soube dizer onde estava o Mago.
O cartão não tinha qualquer número de telefone.
Pós-Homem
Não me satisfazem a maior parte das ficções prospectivas.
Não que eu tenha a veleidade de saber como hei-de julgar as criações de cada um.
Mais porque, na maioria dos casos, não há homens diversos dos que conhecemos.
E lá num futuro longínquo, a nossa espécie será tão diferente do que conhecemos como o é daquilo que supomos ter sido um Australopithecus.
Podemos deitar-nos a adivinhar quais serão os aspectos mais diferenciados daquilo que é o Homem de hoje. Será sempre em vão. Mas supor que será o mesmo Homem é um crasso erro.
Não me satisfazem a maior parte das ficções prospectivas.
Não que eu tenha a veleidade de saber como hei-de julgar as criações de cada um.
Mais porque, na maioria dos casos, não há homens diversos dos que conhecemos.
E lá num futuro longínquo, a nossa espécie será tão diferente do que conhecemos como o é daquilo que supomos ter sido um Australopithecus.
Podemos deitar-nos a adivinhar quais serão os aspectos mais diferenciados daquilo que é o Homem de hoje. Será sempre em vão. Mas supor que será o mesmo Homem é um crasso erro.
03/09/2004
01/09/2004
31/08/2004
30/08/2004
Falando de cor (as décadas)
Claro que me lembrei. Foi há dez anos.
30 de Agosto de 1994. 17:00. O sítio é que poderia suscitar algumas dúvidas. Resolveram rasgar com alcatrão as dunas onde fizemos a promessa.
Esta minha velha mania de que os outros não se lembram...
Nesse dia, ainda olhei de lado para as chaves do carro. Ia até lá só para poder depois dizer com propriedade que vocês se esqueceram.
Quando acabar de escrever este post terão passado trinta anos sobre a nossa combinação. A que eu falhei há exactamente dez anos.
E de que vocês também se lembraram. Mas pensaram como eu. Não pensamos todos?
Se não tivéssemos então a certeza de que jamais nos voltaríamos a ver, teríamos feito tal promessa?
Claro que me lembrei. Foi há dez anos.
30 de Agosto de 1994. 17:00. O sítio é que poderia suscitar algumas dúvidas. Resolveram rasgar com alcatrão as dunas onde fizemos a promessa.
Esta minha velha mania de que os outros não se lembram...
Nesse dia, ainda olhei de lado para as chaves do carro. Ia até lá só para poder depois dizer com propriedade que vocês se esqueceram.
Quando acabar de escrever este post terão passado trinta anos sobre a nossa combinação. A que eu falhei há exactamente dez anos.
E de que vocês também se lembraram. Mas pensaram como eu. Não pensamos todos?
Se não tivéssemos então a certeza de que jamais nos voltaríamos a ver, teríamos feito tal promessa?
29/08/2004
Vale por nove
O banho do 29.
Por quem raramente faz referências a livros, aqui vai um interessante trabalho de António Martins Quaresma sobre a Vila Nova dos anos 60.
Disponível em pdf.
Não se limita a Vila Nova de Milfontes, e aborda aspectos de anos mais longínquos.
Nas entrelinhas, lá está o autor deste blogue, entre canas, polvos a secar, estradas de areia e candeeiros a petróleo.
O banho do 29.
Por quem raramente faz referências a livros, aqui vai um interessante trabalho de António Martins Quaresma sobre a Vila Nova dos anos 60.
Disponível em pdf.
Não se limita a Vila Nova de Milfontes, e aborda aspectos de anos mais longínquos.
Nas entrelinhas, lá está o autor deste blogue, entre canas, polvos a secar, estradas de areia e candeeiros a petróleo.
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