05/03/2005

O primeiro burro



Há mistérios insondáveis. O que é que irá na cabeça de um cãozinho que vê pela primeira vez um burro? Ou que lhe sente o cheiro?
Este burro, que pasta tranquilamente à beira do caminho, foi o primeiro que o meu cão viu. Assustou-se com bicho tão diferente.

04/03/2005

03/03/2005

01/03/2005

Frio

Foi de rijeza a noite passada. Foi.
Mas aqui onde me encontro, com uma história de observações limitada a pouco mais de dois anos, não foi nada que se comparasse à madrugada de 15 de Janeiro de 2003.
Na manhã que se seguiu, já o sol ia alto, ainda havia gelo nos vidros dos carros.
Nada disso se viu hoje.
E essa não foi a única ocasião em que isso aconteceu por estas bandas, em sentido mais lato. Outras houve.
Ainda pela 2



(antiga ponte sobre o Douro da E.N. 2)
Hoje sim

Está uma rijeza das antigas.
Pela 2



E eu sem saber que o Rali este ano vai andar pelas minhas bandas

28/02/2005

A morte política do Zé Bastos

Auscultem-se as redacções, inquiram-se os políticos, sonde-se o povo, releiam-se os provérbios: Quem não aparece, esquece.
E a morte política de qualquer protagonista é a sua ausência das headlines, das intrigas, das conversas de cafés, dos cartazes, das pichagens nos muros.
Ora é mais deste último local, os muros da Pátria, que quase desapareceu Zé Bastos.
E é relevante porque era ali e nas carteiras de escola, liceu e faculdade e em muitos outros suportes que funcionavam como antecessores dos outdoors que a sua imagem preponderava.
Hoje é um ilustre desconhecido. Qualquer representação sua, a duas dimensões, é uma raridade.
Não admira pois que lhe preste singela homenagem, ao encontrá-lo desenhado a branco na valiosa pele de uma sobreira, um destes verões.

26/02/2005

Não tarda nada

Linhas

O Braga e o Farense

Relembrando um post de há séculos.
Por alguma razão obscura ou apenas porque a primeira vez que pus os pés em casa do M. a noite correu bem, afeiçoei-me ao lugar.
Em muitos anos, desde que ele lá comprou o apartamento nos inícios dos oitentas, não foram mais do que três ou quatro as visitas que lhe fiz. Mas todas elas muito aprazíveis. Descobri até que há poucos locais no mundo onde durma tão descansado como naquela casa. Acho que todos nós temos estas esquisitices com certos sítios, de encontrarmos uma estranha paz onde menos se espera e sem razão aparente. Adiante.
O que a seguir narro é no mínimo estranho. Pelo menos para a época em que os factos ocorreram.
E é-o porque, tendo isto se passado em meados da década de noventa, já era o Algarve dessa época do conhecimento generalizado dos portugueses. Pelo menos eu assim pensava.
Ora a casa do M. era e é muito perto do Estádio de São Luís, como verificou quem se deu ao trabalho de ler o post mencionado acima.
Nessa manhã tardia de domingo, depois de uma noitada das antigas, acordei com uma história insistente na cabeça. Uma história bem contada e muito nítida, dessas que se deixam escrever quase palavra a palavra. Saí para a rua, abri o carro, tirei de lá um bloco de notas e instalei-me num café ali perto, disposto a escrever. A conversa por lá era monotemática. Só se falava do sismo que ocorrera nessa manhã e do qual eu estava completamente a leste. Entre os relatos de susto, de loiças a bater, de candeeiros bandeantes e de corridas para a rua, lá consegui, coadjuvado pelo café quente, reduzir a escrito o que tinha a transbordar-me da cabeça. Por ali fiquei mais um tempo a fazer horas para qualquer coisa indefinida. Talvez para o almoço, talvez para o regresso do M. que tinha desaparecido com a família sem deixar rasto, apenas um bilhete. "Não te quisemos acordar".
Quando saí para a rua, havia autocarros estacionados por ali. Burburinho generalizado, alguns feirantes em preparos, músicas diversas gritando sabia-se lá de onde.
Percebi então que era pessoal de Braga. Daqueles que fazem jus à expressão "Não sou de cá. Vim só ver a bola."
Não sei por quê, misturei-me com eles. Talvez para desfrutar o sotaque minhoto mais de perto, em contrabalanço com o do Algarve.
Segui um grupo mais pândego para um outro café. Enquanto tomava mais um, os risos, as exclamações e as pequenas provocações incidiam sobre o nome que devia levar uma chávena pequena de café com leite.
Percebi então que a maioria daquelas pessoas nunca tinha posto os pés no Algarve. Trocavam rapidamente expressões designando bebidas e comidas com o dono do café. Faziam perguntas, gozavam com os indígenas. Tudo em ar galhofeiro, na santa paz.
Não sei o resultado do encontro de futebol.

25/02/2005

É já ali

O partido que não existe

O 25 de Abril apanhou-me com 15 anos. O clima desses dias somou-se à disponibilidade da juventude.
Mas nunca me enquadrei em nenhum rebanho. A primeira e a única vez em que o meu nome constou de uma lista foi para umas eleições para uma associação de estudantes e foi a rogo, quando me apanharam de baixa.
De qualquer forma, nunca existiu o partido que enquadrava essa lista. Que pagou os autocolantes, que fez as cópias. Nunca existiu como nunca existiram os partidos de que muitos outros se reclamaram. Basta ler o que se diz hoje do PSD, o que do PPD disseram os que dele se afastaram em cisões antigas, o que disseram do PS os que dele saíram e depois voltaram, e mais recentemente, o que disseram e dizem do PCP os que de lá saíram ou foram empurrados. E do CDS, os que foram saindo a pouco e pouco. Nunca existiu o partido dessas pessoas. O meu também não.
Mas coloquei a cruz no mesmo sítio. De há vinte e tal anos. Burro velho...
K será constante?



imagem em http://www.stape.pt/img_geral/bvoto75ac.jpg
K não é constante

E não é. Nós é que simplificamos. Alguns com mais convicção do que outros.
Veja-se o caso particular de c, que tanta gente defende com unhas e dentes que seja e tenha sido constante.
Mas não há constantes.
Vem isto a propósito de coisas bem mais comezinhas. E caras a todos os que se dedicam a linhas de código ou a meras folhas de cálculo.
Quantas vezes não incluímos já uma constante aqui ou ali que depois se verifica desactualizada?
Desde o ridículo 0,17 para o I.V.A. até ao 19 para as centenas de anos, passando pelo 13 para os jogos do totobola.
De algumas delas tínhamos a certeza que perderiam a validade e até sabíamos quando.
Com outras, foi o deixa andar, que depois se corrige, se ainda fizer falta. De outras ainda, não nos passava pela cabeça que se alterassem.
No entanto, bastava que em vez da constante se tivesse colocado uma variável para a coisa ficar logo mais definitiva.
A previsão é uma arte, mais do que uma ciência. Embora esta afirmação seja fortemente controversa, continuo a achar que ciência é captura de dados e estabelecimento de relações, de teorias. A previsão é a técnica, que encerra um nível considerável e artístico de incerteza, que se baseia nos dados que a ciência lhe fornece e na utilidade que lhe atribuímos.
Tanta conversa para dizer que onde coloquei uma constante devia ter posto logo uma variável.

22/02/2005

Sound bites

Ou até fragmentos de filmagem.
Vi há pouco a maldade que algum realizador de televisão fez aos líderes políticos que se dirigiam ao pano de fundo azul, com a rosa-dos-ventos da defesa atlântica, para se deixarem fotografar apertando a mão.
O cliché é velho, muito velho. Não é só desde que há fotografia, desde que há cinema, que os homens se dispõem a esta pose.
Já o faziam quando se apresentavam em público encenando actos. Já o faziam quando se pretendiam imortalizar na ponta de um pincel.
O problema do mundo actual é a banalização. A banalização de todas as coisas.
O fingimento é mais do que banal. Nas imagens, nas palavras. Seja nas populares fotos de um casamento num jardim qualquer, seja no boletim de voto supostamente VIP que fica dois minutos suspenso da ponta dos dedos à espera dos flashes.
Estamos todos fartos disso.
Das declarações de fugida quando o microfone cria a vertigem da palavra. Da oportunidade dos anónimos mostrarem a cara ao mundo.
Mas serve para quê esta encenação?
Para os arquivos encenados da história? Como o célebre e controverso beijo da mulher e do soldado? Não sei.
O que sei é que fazem falta alguns mais como o famoso engenheiro que disse para as câmaras, para os microfones:
"Agora não posso. Tenho que ir mijar!"

Nota: Não era soldado o homem do beijo de Doisneau. A minha memória juntou duas fotos. Uma da libertação de Paris e a do beijo de Doisneau. Baralhações da velhice.
Escolinha