Avaliar a qualidade do professorPertenço ao grupo dos que acham que o mérito – e dou de barato que não haja mérito algum em ter mérito – deve ser premiado. Se não é pelo mérito que há em ter mérito, é porque puxa para cima o sistema em que tal se pratica. Creio que a História vem em meu auxílio nesta argumentação.
Comparemos agora o ensino a uma grande máquina de fazer salsichas.
Nesta, o resultado final depende da qualidade da carne que lá se põe, dos condimentos, da tripa ou da película contentora e do funcionamento da dita máquina.
Não passa pela cabeça a ninguém culpar a máquina quando os ingredientes estão avariados ou, em contrário, a montante jogar fora a carne quando é a máquina que verte óleo e assim a contamina.
Dir-se-á que a complexidade do problema e do diagnóstico que se coloca frente à máquina de salsichas é muitas vezes menor do que a do sistema de ensino. De acordo, é.
Há, porém, lições que daqui se tiram. É que a única forma de saber se esta máquina é melhor do que outra é usar o mesmo lote de carne temperada para fazer salsichas numa e noutra.
No caso do ensino, a qualidade do ensino ministrado por um professor só se pode medir pelo maior ou menor progresso na aprendizagem de todos e de cada um dos seus alunos. Não há outra forma. E só se poderia comparar com outro professor se o mesmo lote de alunos, atenta a mesma matéria e circunstâncias, pudesse evoluir com o magistério deste. No final, haveria um sem número de testes que se poderiam fazer para aquilatar.
Ora a avaliação de professores tem inevitavelmente este carácter comparativo. Confesso que não sou capaz de engendrar uma forma justa de proceder a essa avaliação.
Dir-se-á que não há avaliação, comparação que não seja injusta. Concedo, não há.
O que me parece neste caso é que vai a máquina pagar pela carne e a carne pela máquina.
adenda sempre a tempo: não espero amanhã melhoras em relação
ao que se passou em Março passado.