04/12/2008

Os naipes orquestrados



Trinta anos.
Trinta anos desde a leitura da frase ilustrada acima.
Quantos deles esquecido do contexto próximo que a enleava.
Suponho que quem leu o mesmo livro, não pode deixar de saber que baralho ilustrei eu.
A culpa dos homens

A culpa talvez não possa não ser senão dos homens.
Porque são eles e só eles que sabem o que é a culpa.
Há quem defenda que outros animais – os cães são os mais nomeados, parece-me – também a conhecem.
Como ainda não conseguimos trocar ideias e conceitos com eles ou com qualquer outra espécie de ser vivo, animal ou vegetal, ficamos sós e a sós com ela.
Estão os clássicos e os menos clássicos cheios de alusões à culpa. Ou estarão, que a minha ignorância enciclopédica não me permite ser assertivo. Ainda assim, atrevo-me a colocar mais uma interrogação sobre o assunto: se a culpa é sempre, só e irrevogavelmente, dos homens por que raio se anda a perder tanto tempo com essa questão quando se fala das ditas mudanças climáticas?
Há, afinal, alguma culpa que não seja dos homens?

03/12/2008

Check-in ou coisa que eu ainda não tinha visto embora não deva ser singular

A farmácia estava prestes a fechar - mirei primeiro o ponteiro dos minutos antes de empurrar a porta - e dei com ela cheia de bagagens que três mulheres tentavam manipular.
Inquiriram-me do balcão sobre as minhas necessidades ao que repliquei estarem as senhoras à minha frente.
Percebi pelo sorriso que afinal estavam ali apenas para pesar a bagagem - uma das malas deu duas arrobas bem pesadas.

30/11/2008

Os simples

A fácies da boçalidade para as câmaras de televisão.
Pondo absurda e desnecessariamente em risco a vida dos outros.
Não será possível educar, instruir os simples?

Afinal, foi apenas um nevão.
Um destes dias morre gente. Por inaptidão pura e simples. É afinal a selecção natural. Darwiniana.
Porto, 2008

27/11/2008

Esforço, Dedicação, Devoção e Glória!



Quando não há nenhuma glória e eventualmente pouco dos outros três.
Sempre Sporting!

26/11/2008

C.M. 1098 de Torres Vedras, 2005

Ainda me lembro das olimpíadas de Lake Placid

Designei o teu sorriso
Como sinal de bonança em invernias.
Dessas invernias que a lareira cimentava
E em que me apetecia recitar
Entre dois copos de bagaço
E em que me apetecia cantar
E descansar, no teu regaço!
Designei a tua voz como silêncio solene
Quebrado num templo escolhido.
E ouvia-te embalar-me como se ouve
A chuva cantarolar nas vidraças.
E o Inverno ria-se de nós,
Deixando-nos por ali a sós
No seu e nosso conchego.
A maravilha não é um dom de fadas
E de histórias infantis,
É um preceito do amor,
Que embora escondido,
Às vezes nos faz feliz!


1985

SG, "Dizeres do Sul", 1993


Desencantei um SG piegas para esta noite de frieza. Talvez ele não me perdoe. Até pela relativa incorrecção do título.

25/11/2008

Confusões

Não me dei conta de que alguém tivesse posto em causa, beliscasse sequer, a honestidade do Presidente da República.
Já o mesmo não posso dizer que não tivesse acontecido ao seu critério. Critério de escolha.
Chuva e frio

Pode a coisa avaliar-se através dos dados do IM, que infelizmente não estão à disposição do público sem pagamento como estão os do INAG, de que me socorro amiúde.
Mas sem avaliação que não seja a falível que me vem dos sentidos e da memória, direi que é a segunda vez em tempos recentes que vejo, que sinto a concomitância da chuva e do frio tal como a sentia há muitos, muitos anos.
Atrevo-me a dizer, com a mesma subjectividade e falibilidade que têm a memória e os sentidos, que durante décadas, aqui nestes arrabaldes de Lisboa, uma e outro não formaram par.

24/11/2008

Abracadabra

Captando o programa* da RTP “Cuidado com a Língua!”, ouço que a palavra ABRACADABRA era exibida em amuletos, da forma que segue em ilustração, para que pudesse ser lida em todos os sentidos.



Uma asneirola, em todos os sentidos!
Coisa ruim para quem pretende dar lições aos outros.


corrigenda: não é "em todos os sentidos", mas "em vários sentidos".

* por enquanto ainda só está disponível o programa da semana passada. Já lá está o programa de hoje. A parte mencionada começa a 1:18.
Azenhas do Mar, 2008

23/11/2008

O Google e a lista telefónica


imagem daqui

Li o interessante artigo de Nicholas Carr na revista “The Atlantic” de Julho / Agosto deste ano – “Is Google Making Us Stupid?”.
Há ali pano para mangas e tiros certeiros na identificação de algumas “patologias” mentais induzidas pelos tempos.
Mas o Google, embora para eles trabalhe, ainda está longe de responder a quem pega numa lista telefónica, a agarra e lhe diz, baixinho: “quero ver o número de telefone de Fulano de Tal”.

21/11/2008

As pontes de outro condado (III)

O colega do irmão, a namorada da colega do irmão que tinha uma casa nos pinhais do centro, o melhor amigo do rapaz, a mulher do melhor amigo do rapaz, a irmã do colega do irmão todos lhe comunicaram, não, não foi convite, foi notificação.
Podes conduzir sentado no banco de alcântara.

A casa do pinhal que tinha piscina, adega, salão de festas, sala de pingue-pongue, salão aquecido naquele Setembro de pinhas e cheiro de pinheiro.
E quartos de hóspedes que ficavam ao lado da piscina e uma campaínha de escola ligada ao telefone e não se ouvia nada de uns lados para os outros.
E já é dia. Daqui a pouco vêm chamar-nos para o pequeno almoço e para o café na vila que fica a dois quilómetros, depois de passar por debaixo da linha e de fazer aquelas duas curvas perigosas onde estava uma carcaça de um carro já ferrugenta.
E banhos. Churrascos. Vinho caseiro que à décima terceira garrafa enjeitada e depois de uma ter passado no teste de vinho abafado, se deitou no jarro que condizia com os armários amarelos.
Vamos mudar de roupa para o jantar e não voltamos logo. Eles que esperem.
E depois à noite, vamos para o salão que fica debaixo dos quartos dos hóspedes e passamos a noite a discutir geopolítica. Trivial Pursuit, Pictionary. E a garrafa de bolso que trouxeste cheia de medronho é que não.

E voltaremos para a semana, com a dona da casa e o meu irmão.
E as pontes? Posso fotografá-las?
Se houver tempo.

(continua)


Porque a RTP se lembrou disso.
Segue o que já foi dito.

20/11/2008

Ilibações

A única conclusão que legitimamente se tira dos factos desta noite é que entre aqueles que neste regime foram escolhidos para cargos governativos há gente que não está acima de qualquer suspeita.
Os professores

Foi pena não ter sido possível ouvir hoje Mário Nogueira sobre a derrota de ontem ali um pouco abaixo da ponta da asa sul e Carlos Queirós sobre o recuo do Ministério.
Talvez isso sim tivesse alguma utilidade.
E o burro sou eu?*

A verdade é que aquilo que aconteceu hoje em Gama se antevia desde o apuramento para o Europeu da Áustria e da Suiça.
Pode haver bons jogadores mas não há mais nada.


* por muito batida que esteja esta expressão, não me parece que haja melhor título.

19/11/2008

As previsões

As previsões são úteis. Sempre o foram, desde que o homem percebeu que podia prever.
Mas também é útil ter a noção de que há momentos e circunstâncias em que a probabilidade de uma dada previsão ter algum valor é quase nula.
Esta coisa de andar sempre a corrigir o tiro parece-me insuficiência intelectual.
A lista telefónica

Há um certo número de coisas que desapareceu, mudou muito ou surgiu neste virar de século.
Em tempos, escrevi aqui algo sobre as minhas expectativas para o ano 2000. Mantendo o que então reduzi a escrito, não deixo de dar conta do que não ficou igual.
Já ninguém marca encontros à porta do café que fica mais perto da esquina sul do quarteirão, atento a quem sobe. Marca-se uma hora quando muito. Depois usa-se o telefone.
Já pouca gente se mete de mapa em riste – creio que isto dos mapas também nunca foi coisa corriqueira – à procura de um sítio. Vai buscar as coordenadas e enfia-as no GPS.
Raros não deixaram de trocar os ficheiros de bibliotecas e arquivos pelo Google e similares quando se trata de assunto que na rede encontra resposta.
Em todos estes casos, e outros haverá, a vida parece facilitada. Não sei se está se não está, mas parece facilitada.
Há pelo menos um em que ela se dificultou – a lista telefónica. À medida que vai diminuindo em espessura, aumenta a dificuldade em encontrar aquele tipo a quem se perdeu o rasto e a quem se dedicava uma tarde na estação dos Correios a procurar nas diversas listas do país pelo apelido. Se não ele, talvez um familiar naquela terra de que ele às vezes falava. Isso hoje é impraticável.
Ainda houve online umas listas de assinantes da rede móvel. Creio que os que pediam reserva de publicidade eram tantos que a coisa não se justificava. Se ainda existem essas listas, o erro é meu que não dei com elas.
Este ano foi o ano em que deixou de ser possível encontrar-me pela velha lista.

17/11/2008

O lixo

Continuo a achar que há formas de aproveitar a agressividade da juventude mentecapta. Por exemplo em tropas especiais, depois de bem enquadrados e domados.
O estado actual não é de aproveitamento. É de relativo controlo. Tê-los debaixo de olho, deixá-los usar umas bandeiras e dar uns gritos de guerra em manada.
E usar os bastões de vez em quando.
Parece-me pouco auspiciosa a situação.
Reivindicações

Há muitos anos atrás, invoquei o direito de ser avaliado invidualmente por, estando internado num hospital, ter faltado um período inteiro às aulas.
Esse direito foi-me concedido a custo. Mas foi.

Cada qual reivindica o que mais lhe convém.
Cabo Espichel, 2006

15/11/2008

Falta de ligação


imagem da RTP

Também eu aguardo. A ligação.

De repente, fiquei com a sensação de que há muito não via tal mensagem num écran.

14/11/2008

SMS

No meu tempo e no de muitos de vós, não havia SMS, telemóveis, nada que no instante nos levasse ao ajuntamento senão a voz, o megafone.
Sendo que eu não era – nunca fui nem sou – de ajuntamentos, ainda assim estive presente em alguns, poucos, casos. Sempre achei que o meu tempo era muito mais bem empregado em actividades como o bilhar, o pool, os matraquilhos, os vinhos e os petiscos. Quando a coisa chegou ao ponto que as imagens (guardadas por um colega) documentam, já eu tinha pegado no saco e ala a caminho do Sul até que recebesse nova ordem de marcha, assinalando uma precária normalidade lectiva.
Ovos? Isso era o grau zero da amotinação!

13/11/2008

As compras de Natal

Estava aqui a ouvir um destes programas de opinião pública sobre as compras de Natal.
Pertenço ao grupo dos que gastam, ano após ano, sempre a mesma quantia. Nem mais um tostão nem menos um tostão – é sempre zero.
Restos de colecção (69)

“Pela abolição das notas, exames e todas as medidas selectivas; avaliação colectiva dos conhecimentos pelos estudantes e professores, por turma.”

"Por uma escola socialista" – diz o panfleto da lista C, apoiada pela ASJ. Coisas de 75.
É o que dá guardar papéis. Vê-se como a História se repete.

(clicando em cada boneco, podem ler-se as quatro páginas do panfleto)



ASJ - Abandone a Sala, Já – foi a minha interpretação coetânea da coisa. Eu era então um perigosíssimo contra-revolucionário.

12/11/2008

A centésima milésima visitante

Tal como previsto, coincidira comigo em Barca d’Alva. Não no tempo mas no alvo.
Gratamente, foi a Mª Isabel, autora do Aguaceiro, um repositório de belíssimas fotografias suas.
É pois para a chuva que vai o livro.

Dramas

Sou pouco de dramas, de perder tempo com as trevas e as injustiças do mundo tal como julgo que as entendemos nesta sociedade, nesta civilização, e tal como as entendo eu.
Mas há casos.
Este apareceu-me através da inevitável Sky News. Vi trechos da miúda a falar e depois li isto no Daily Mail.
Acho que a beleza tem aqui um papel decisivo. Aqui, na minha ponderação.
E há sempre as memórias, a porra das memórias.
TV

E aqui estou, a esta hora que abaixo acusa, a ver (a ouvir) o Canal Parlamento.
Bizarria?

11/11/2008

Às onze horas do dia onze do mês onze



imagem em http://www.bcafrance.org/strasbourg/spip.php?article21

Habituei-me a ver os veteranos ali aos Restauradores e a ver o seu número diminuir ano após ano.
No Reino Unido dizem que só há quatro sobreviventes.

Errata: onde se lê Restauradores deverá ler-se Avenida da Liberdade (por alturas da rua do Salitre) - coisas da idade estas falhas à jornalista.
O prémio é um livro



Não posso tecer considerações sobre ele, que nunca o li. Tenho um exemplar na pilha de espera para um destes dias.
Estou convencido de que o(a) vencedor(a) não terá dificuldade em fazer prova.

o e-mail deste blog é.
adenda: há uma presunção minha sobre a identidade da vencedora que coincide em Barca d'Alva - sim, é uma espécie de código.
Se o livro não fôr reclamado até ao meio-dia oficial de amanhã, fica sem efeito.
99 999

Quando abri isto.
Dez à quinta

É hoje que o contador do Sitemeter vai acusar a visita com o número 100 000.
Curiosamente, um ano e um dia depois de o contador da Bravenet, mais antigo, ter passado esse número.
Apesar de este ter sido activado mês e meio antes e de eu ter congelado aquele uns bons tempos, há uma nítida diferença na malha da rede que justifica essa sim o desfasamento.
Seja como fôr, preparo-me para atribuir um prémio a quem faça prova inequívoca de que foi o visitante nº 100 000 e se disponha a dar uma morada para onde o possa enviar.
Esta coisa da base dez...
São Martinho

Só me dei conta da data quando encalhei com um expositor de castanhas e jeropiga ali no supermercado, já noite.
Isto é apenas uma amostra do meu alheamento ao calendário, às tradições, às festas.
Ao mundo, talvez.
De qualquer forma, arrelia-me a coisa da jeropiga (eu devia escrever geropiga pois é mais à minha moda e um dos meus dicionários de recurso aconselha-me a fazê-lo, tal como em 1912 – este dicionário é portanto da época da reforma ortográfica mas usa ainda as grafias anteriores). No meu tempo, era a água-pé, como bem indica a Dona T. neste post.
Comprei qualquer coisa de castanhas. Este ano, e quebrando um jejum de muito outonos, já havia comprado castanhas na rua. Em Santarém.
No entanto, as minhas recordações atiraram-me para um certo barracão ferroviário, um lata de conservas e cerveja ao litro.
Diz-se que este tempo é desequilibrante por remover em menos de uma vida os marcos da paisagem. É bem capaz disso.
E eu aqui a falar em memórias. Mais uma vez.
Agua-pé. E geropiga no fim, vá.




Diccionario Etymologico, Prosodico e Orthographico da Lingua Portugueza , J.T. da Silva Bastos, Parceria Antonio Maria Pereira, 1912
Dicionário da Língua Portuguesa, 5ª ed., Porto Editora

10/11/2008

Junkie

Caiu-me esta palavra no lugar do morto.
Saltou do livro de Duchaussois, lido há uma vida atrás.
Num cruzamento de Lisboa enquanto as probabilidades rodavam como dados.
Havia uns óculos, um cigarro enésimo e a inconfundível qualquer coisa que assusta.
Pode ser que o junkie seja eu, mas o das palavras.

09/11/2008

Vai para 19 anos

Aquela viagem de Barcelona a Paris em que o volante me queria fugir para Leste. Para Berlim. Como se fosse possível lá chegar a tempo de entrar para a História.

08/11/2008

Mais uma vez

Não percebi nada da manifestação dos professores.
Desta vez foram quantos?
PUB



Do frio e das coisas simples. Mesmo não fazendo assim tanto frio. Mesmo que as coisas simples raramente se juntem. Simplesmente.
Histórias invulgares

Esta é uma delas.
Alugava

Uma gripe, por três dias.
Como o verbo alugar é sempre duvidoso quanto a quem está de que lado, digamos que neste caso seria eu o enfiteuta.
Pode ser uma aspiração estúpida mas o facto é que é uma aspiração que mantenho há tempos, nos dias mais frios.

07/11/2008

Avaliar a qualidade do professor

Pertenço ao grupo dos que acham que o mérito – e dou de barato que não haja mérito algum em ter mérito – deve ser premiado. Se não é pelo mérito que há em ter mérito, é porque puxa para cima o sistema em que tal se pratica. Creio que a História vem em meu auxílio nesta argumentação.
Comparemos agora o ensino a uma grande máquina de fazer salsichas.
Nesta, o resultado final depende da qualidade da carne que lá se põe, dos condimentos, da tripa ou da película contentora e do funcionamento da dita máquina.
Não passa pela cabeça a ninguém culpar a máquina quando os ingredientes estão avariados ou, em contrário, a montante jogar fora a carne quando é a máquina que verte óleo e assim a contamina.
Dir-se-á que a complexidade do problema e do diagnóstico que se coloca frente à máquina de salsichas é muitas vezes menor do que a do sistema de ensino. De acordo, é.
Há, porém, lições que daqui se tiram. É que a única forma de saber se esta máquina é melhor do que outra é usar o mesmo lote de carne temperada para fazer salsichas numa e noutra.
No caso do ensino, a qualidade do ensino ministrado por um professor só se pode medir pelo maior ou menor progresso na aprendizagem de todos e de cada um dos seus alunos. Não há outra forma. E só se poderia comparar com outro professor se o mesmo lote de alunos, atenta a mesma matéria e circunstâncias, pudesse evoluir com o magistério deste. No final, haveria um sem número de testes que se poderiam fazer para aquilatar.
Ora a avaliação de professores tem inevitavelmente este carácter comparativo. Confesso que não sou capaz de engendrar uma forma justa de proceder a essa avaliação.
Dir-se-á que não há avaliação, comparação que não seja injusta. Concedo, não há.
O que me parece neste caso é que vai a máquina pagar pela carne e a carne pela máquina.

adenda sempre a tempo: não espero amanhã melhoras em relação ao que se passou em Março passado.

05/11/2008

Está a fazer agora mesmo 11 anos






imagens da RTP, SIC e TVI, respectivamente

Vieram à lembrança as lágrimas espelhadas.
Ouvindo e vendo trechos do debate orçamental

Se é verdade que, segundo diversas opiniões circulantes, Sócrates é um homem inteligente, então é também um magnífico actor.
A parte em que o Estado cobre os seus próprios prejuízos é de eleição!
Tenho dito.
Contas fechadas

Obama está eleito. Digo eu.
A2, 2008

04/11/2008

O presidente Obama

Não consigo dizer muita coisa sobre assuntos que nada me dizem a não ser pelas curiosidades estatísticas, coisas que me são caras seja qual fôr o assunto. Este assunto das eleições americanas é um deles.
Há, porém, duas coisas para mim relevantes nesta eleição.
A primeira é que, pela primeira vez, vão ter assento no Kremlin e na Casa Branca dois tipos mais novos do que eu. A coisa acontece num espaço de meses e isso é para mim um marco óbvio e que eclipsa todo o resto.
A outra tem a ver com mais uma intenção falhada. Contava hoje estar instalado numa certa residencial de província já que é Novembro e caem as folhas.

30/10/2008

Ponto, recta e plano



No meu entendimento, há poucas coisas mais simples do que a Geometria Descritiva.
Carece de um conhecimento mínimo convencionado para se poder dominar todo o seu edifício. Qualquer coisa que se aprende em meia-dúzia de minutos.
Depois é só usar a cabeça. Independe de língua e de cultura e de conhecimento prévio.
Este tipo de matérias em que o peso está quase todo do lado do raciocínio e em que os axiomas são escassos, constitui o grande obstáculo da escola moderna.
Se é verdade que o conhecimento baseado na leitura padece de mal considerável, este conhecimento baseado no raciocínio está moribundo no sistema português.
A probabilidade de tropeçarmos numa pessoa capaz de seguir um raciocínio sem falhas por três ou quatro passos sucessivos é ridiculamente baixa.
A probabilidade de manter uma conversação baseada na análise racional de qualquer assunto é desprezável. Se a igualarmos a zero estamos a cometer um erro negligenciável.
O que é comum é a discussão emotiva, sem regras, impulsiva, cega, sem balizas, objecto, fim. Uma torrente moldada por estados d’alma, incapaz de dissecar um tijolo burro.
Se o ensino pretende formar carneiros, estamos no bom caminho. Já não são analfabetos mas estão ainda mais vulneráveis, pois pensam que sabem.
Se, pelo contrário, é caso de descobrirmos e puxarmos para cima os melhores, venham eles de onde vierem, estejam eles onde estiverem, estamos a dar gigantescos passos. Para trás.

27/10/2008

Não sei se estas duas árvores ainda estão de pé

Maldição

Com referência ao assunto em epígrafe (perdoai, mas aqui nos blogues a coisa funciona ao contrário), cumpre-me informar V.Exªs de que não foi rogada praga alguma ao fêquêpê no seu terreiro.



Se a partir da nossa visita só contam derrotas no Dragão, a coisa tem outra oriunção.

26/10/2008

A portagem da ponte

Eu gostava de me lembrar ao cimo de que rua ouvi eu um destes dias um renhido argumento sobre a bondade das antigas portagens na Ponte Marechal Carmona, em Vila Franca de Xira.
Eram três homens e o que evocou tal passado tinha uma garrafa de gás na mão.
Hora legal II

Há uma hora de diferença entre este post e o anterior, apesar do registo visível. Uma hora que nunca existiu afinal.
Perdem-se assim duas horas cada ano. A que não existe na verdade, quando os relógios dão o salto em frente e esta, que existindo a dobrar, é cortada.
Hora legal

Como é se designa a hora a que este post foi publicado?
A primeira vez que foi 1:46 de 26 de Outubro de 2008?
Se publicar outro daqui a uma hora é na segunda vez que foi 1:46 de 26 de Outubro de 2008?
Acho que nunca me tinha preocupado com tal.

(O Sapo e o Blogspot "respondem" a esta pergunta de formas diferentes: O Sapo recusa-se a publicar o post mas mostra-o nos posts já publicados na página de edição. O Blogspot coloca-o em banho-maria até daqui a uma hora!!!)

25/10/2008

O livro preterido



Foram muitos anos, disso a tenho a certeza. Muitos anos em que este livro entrava para a bagagem de férias directamente da estante dos meus avós.
Media-se então (e suponho que ainda se meça) a intensidade dos verões pela percentagem de livros que voltavam por ler. No meu caso, era sempre muito alta.
Como disse, foram muitos anos a carregá-lo para férias. E de todas elas voltou virgem.
Recordo-me de, ao ter desmanchado a casa no início deste século, ter tido o cuidado de o poupar às caixas que iam para os montes, variante dessa espécie de antecâmara da morte dos objectos que são vulgarmente os sótãos, as arrecadações e as garagens urbanas.
O mistério perdeu-se em parte – está a perder-se neste preciso momento – ao ver o filme. Encontrei o livro há pouco.
Irá comigo nas próximas férias.
Das coincidências

Andei hoje à procura de um livro em particular, uma edição francesa do Amante de Lady Chatterley com o qual livro mantenho um estranho litígio há décadas.
Lembrei-me dele hoje, vá lá saber-se por quê. E não é que tropeço quase de seguida, na programação da RTP2, com uma emissão de um dos filmes feitos a partir dele?!
Voltarei ao litígio com tal livro – que ainda não encontrei – um destes dias.
Os sites institucionais



Há uns anos, quando os computadores e as impressoras se vulgarizaram, as tabernas e afins começaram a ostentar, em vez dos tradicionais letreiros manuscritos, umas folhas A4, por vezes coloridas, em que em escrita rampante, em arco, floreada, gongórica, por vezes ideográfica se comunicava ao freguês a sande diversa, o caracol, a bifana.
Hoje, a evolução darwinista fez com que na maioria dos sites institucionais nos deparemos com o equivalente em versão ilustrada.
Umas animações desnecessárias e pesadas (desde há uns tempos já com o botão de “passar à frente”!!!), uns menus incompreensíveis, uma organização labiríntica que mostram que quem os concebeu está dentro das técnicas da animação, da criação de menus e de ligações, da introdução de texto e de imagem, mas não tem a menor noção das proporções, não está habituado a “dar informações” nem é capaz de se pôr no lugar do outro.
Como diria um velho amigo meu, agora a propósito da informação das estradas que “quem sabe o caminho, nunca se engana com estes sinais.”

24/10/2008

Até porque pode ser complexo

Não é raro ouvir-se o que acabei de ouvir na RTP N: [...] para deixarmos os números, até porque pode ser complexo para quem nos está a ver [...]
O problema é que quase sempre são os números que dão o valor às coisas. Se os deixamos, ficamos sem forma de valorizar seja o que fôr que se discuta.
As pessoas que se dão ao trabalho de assistir a certas discussões terão assim tanta dificuldade com a “complexidade” dos números? Ou é o jornalista que os acha complexos?
Organismo

Os acontecimentos dos últimos meses na economia mundial tiveram, entre muitas outras coisas, o mérito de mostrar mais uma vez que não há teoria que compreenda o funcionamento orgânico das sociedades, sejam elas governadas por que sistema forem.
Por maioria de razão, não há dogmas que se aguentem.
Hapax legomenon

Não vou escrever aqui de novo a palavra, pois se o fizesse deixaria de o ser.
O certo é que, depois de um incerto googlador ter tropeçado numa descrição da casa dos meus avós, bisavós e trisavós, minha que foi pela posse e pelo uso, só depois disso me apercebi de que mais ninguém e em altura alguma a havia escrito aqui na rede.
A palavra é esta. Os alentejanos conhecem-na bem. Ou conheciam, já não sei.
Vértice Geodésico Mama Sul, 2008

23/10/2008

De Inglaterra

A acusação de homicídio feita a um camionista português em Inglaterra não diz nada sobre a justeza das leis e das decisões judiciais por lá tomadas.
Mostra o ruído da imprensa que a coisa, para além das mortes de crianças, se prende mais com ser estrangeiro e português, ao serviço de uma empresa espanhola, do que com ser um simples com um volante nas mãos.
Mas esta acusação – que é apenas uma acusação – contrasta com a complacência do sistema português com os assassínios na estrada.
É um sistema que pune e bem os quase criminosos que, por excesso de velocidade e bebida a mais, se colocam em posição de potenciais matadores mas, inexplicavelmente, esquece os que matam deveras.
Só muito raramente os pune, como foi o caso do tipo que matou em contramão ao volante de um jipe Vodafone, lá para os arredores do Porto.
E que também excepcionalmente agora acusa uma condutora de matar dezasseis pessoas ao pé do Fratel. Isto porque, provavelmente, foram uma e outra coisas muito noticiadas.
Mas a regra é deixar passar, especialmente se é burrice o que está por trás da tragédia. Quando não há nem álcool nem velocidade a mais, só burrice e incapacidade.
Lembro-me sempre de uma senhora que se ia matando e a mais duas pessoas, a 10 à hora, não mais, nas curvinhas de acesso à praia de Sines.
Numa das curvas em gancho sobre o precicípio assustou-se. Já seguia muito devagar, mas ainda assim quis travar. Ao invés, acelerou. O carro embateu num muro de protecção e ficou preso com as rodas na frente no ar.
Os destroços do muro não esmagaram por acaso um casal que se encontrava sentado um pouco abaixo, apreciando a paisagem.
Não tinha bebido nada e não ia em excesso de velocidade...
Quantos acidentes com mortes se devem a situações similares, ainda que não tão caricaturais?
E esta gente não é punida por quê? Por ser simples?

22/10/2008

Coisas fora do anormal*

Em devido tempo, dirigi-me à bilheteira para reaver o dinheiro que gastara na compra de um ingresso para o grande espectáculo alienígena de 14 de Outubro, logrado que estava.
Porém, dois dias volvidos, ao quilómetro zero de uma das estradas nacionais do plano de 45, vi tal coisa:



Os mais optimistas asseveravam que a apoteose de 14 de Outubro se prolongaria por mais dois ou três dias. Fui tocado por ela, está visto.


*expressão do meu candidato ao prémio Capitão Moura, António de Balasar (aos 18 segundos deste vídeo)
Velhice

É dar-me conta de que jamais abriria a boca num colectivo “oh!” ao saber que o Sporting e o Porto acasalaram no sorteio da Taça.
Notícias

Quem tenha ouvido as notícias na RTP sobre a inauguração do LHC do CERN e esteja a leste da coisa, jamais terá pensado que se trata da mesmíssima instalação de onde há pouco mais de um mês se dizia poder vir o buraco negro que engoliria a Terra.

21/10/2008

Paga atrás

Os tempos que vivemos, pontuados pelo poder nas mãos de notórios e notáveis mentecaptos, são a materialização global do tradicional “paga atrás” das filas para o baile.
Não me lembro também de um tempo de paz e sem carência de ocupação do território em que se tenha promovido tanto a indulgência com os relapsos, transgressores e criminosos.
Conhecemos todos os que cumprem com todas as suas obrigações.
Fazem-no para se manterem verticais no seu próprio espelho, ainda que bombardeados com as notícias do sucesso daqueles que beneficiam com a indulgência dos dormentes, dos anestesiados e dos mentecaptos.
Esta tropa que não poderá nunca ter uma ideia da dimensão da sua própria estupidez, vai talvez acabar por ter dela notícia da pior forma.
A maior parte nunca ouviu falar no Dente d’Ouro.