30 dezembro 2007

Os simples ao volante

Quando ouço um simples dizer, com a maior naturalidade, que não conseguiu parar, no meio do nevoeiro, e embateu assim nos que já lá estavam, ocorre-me logo se não será um dos tais que tanto aplaudem a nova lei do tabaco.
Os simples são simples e nenhuma culpa têm de o ser.
Talvez a legislação é que não seja a mais adequada neste caso. O que nos leva a outros simples, é claro.
Será que morre mais gente por fumar os cigarros alheios do que na estrada, às mãos dos simples como estes que ouvi há pouco nos telejornais?
E, todavia, permite a lei que conduzam, após terem matado ou estropiado, com a boçalidade que lhes é característica.

29 dezembro 2007

Os sinos, os sinais e a morte d’homem

Pertenço a uma geração que ainda sabe distinguir o toque de sinais dos outros toques sineiros.
Na verdade, pertenço a uma sub-espécie dessa geração que quase só ouviu sinais e se recorda, já adulta, de ter ouvido o primeiro e estranho toque de missa.
Os sinais – esses toques ladaínhentos anunciadores da morte – quando de primeira hora, entravam-me pelo quarto a dentro quase simultâneos com a minha Avó, que me ordenava o abandono do decúbito lateral em respeito por ela, a morte.

Pertenço igualmente a uma geração que convivia, na infância, com sinais muito diversos no campo e nos arrabaldes da cidade.
Assim, os sons das sirenes dos bombeiros, das ambulâncias, vulgares por cá, eram um raríssimo mau presságio lá na vila.
E digo raríssimo porque o era de facto. Não me recordo em toda a minha vida de ter visto um carro de bombeiros por lá antes do outono desse ano de 1997.
E quanto a ambulâncias, contam-se pelos dedos as vezes que aconteceu tal, já incluindo a debatida aquisição da ambulância da Junta de Freguesia, embora essa a soubesse guardada em certa garagem.

Nessa manhã estival de há dez anos, dormelento e só na casa ancestral, julguei ouvir primeiro o som de uma ambulância, calculando pelo doppler que passara sem se deter pela vila.
Pouco mais tarde, o toque dos sinais fez-me respeitar uma recordação de infância – ergui-me.
Era uma manhã que anunciava infernos augustinos e para a qual tinha programada uma saída para oeste, para o mar.
Assim fiz. Ainda não tinha percorrido uma légua quando vi o carro. Calcinado, uns bons metros fora da estrada. Sem sinais de embate.
Estava muito longe de imaginar o intrincado mistério que representava aquele quadro, para além de me ter devolvido os antigos sinais, talvez pela última vez.


Adaptação de ficheiro sonoro da autoria de acclivity em freesound.iua.upf.edu

28 dezembro 2007

Os acontecimentos do ano

A febre da antecipacão que há muito se apossou dos homens faz com que se fechem as contas antes das contas estarem de facto fechadas, passe o absurdo da frase.
Há dois dias, quando escrevi um post sobre o jogo das damas era para ter começado justamente por uma introdução que mostrasse o contra-senso de antecipar o balanço do ano.
É que, por vezes, lembrava-me de 2004, o acontecimento marcante vem depois do balanço feito.
Quantos não terão sido os analistas que então reviram as suas escolhas e quantos não o farão este ano?
A questão da resolução do jogo das damas era por si tão importante no seu campo que a probabilidade de ser ofuscada por qualquer outra era diminuta. E continua a ser.
Mas como lá disse, o ano ainda não tinha acabado e ainda não acabou.
Anda hoje nas notícias uma outra revelação importante, embora num campo onde os graus de certeza não se aproximam de 1, como no caso das damas. E cuja importância, podendo ser decisiva, não ultrapassa em “períodos de retorno” a anterior.
Fala-se, embora a Organização Mundial de Saúde na sua página, não o diga, que há, pela primeira vez fortes suspeitas do vírus H5N1 se ter transmitido de homem para homem.
É este “primeira vez” que é sempre espectacular e suspeito. Nada nos garante que não tenha já acontecido. O vírus parece ser conhecido desde 1959. Nada nos garante que antes de ser identificada esta estirpe, ela não tinha saltado de humano para humano nem nada nos garante que depois de identificada não o tenha feito, à revelia da ciência.
Estamos ainda na infância da arte neste e noutros campos com ele relacionados.
E, como indica ainda – na altura em que escrevo esta exacta linha – a página da OMS, nada nos garante que tal transmissão tenha ocorrido.
Uma praga – a que poderemos chamar genericamente peste – é algo a que a humanidade está exposta de tempos a tempos. Estamos há cerca de 90 anos sem nos debatermos com uma. É natural que apareça um destes dias. Provavelmente não será por via deste vírus, será por via de um outro que ainda nem sequer conhecemos.
A morte teórica do jogo das damas – embora imperfeita – mostra-nos que estamos com uma capacidade de combate suficiente para enfrentar desafios de descoberta impensáveis há pouco mais de meio século. Essa capacidade dar-nos-á talvez meios de suplantar em tempo útil uma epidemia quase qualquer que seja. Faltará o quase, como sempre.
Mas há que, independentemente de todo o ruído e de todas as vulgares campanhas que andam por uma pequena parte da ecúmena, atentar na curva da população mundial.
Essa é que é a luta decisiva. Essa é que é a questão que se coloca e nenhuma outra.
Talvez as máquinas devessem falhar e não nos dar a solução para enfrentar uma epidemia.
Mas isso é uma questão de valores e valores interessam-me pouco.
O que sei, sabemos todos, é que não poderemos continuar a reproduzir-nos ao mesmo ritmo sem que encontremos territórios novos para colonizar.
Como os vírus, exactamente como os vírus.

27 dezembro 2007

Infinitesimãos

Roucas.
Apontando gestos em paredes de cal.
Um ar de pedras lavadas pelo mar.
Remessas de ser.
Ali encostado ao olhar perdente.
Azul ao longe.

SG, inéditos, 2007

26 dezembro 2007

O jogo das damas

Dizer que o jogo das damas foi, no ano de 2007, finalmente resolvido, descoberto, posto a nu e que dá sempre empate desde que... pode levar às interpretações mais românticas.
Na verdade, o jogo das damas de carne e osso para com os cavalheiros da mesma massa, esse está longe de se ver resolvido, reduzido a algoritmos actuando em potentes e capazes máquinas. Lá chegaremos.



Mas este, o das 24 peças no tabuleiro de 8 por 8, foi finalmente escrutinado por tais algoritmos, mostrando que a capacidade do engenho humano em avançar na resolução de problemas que esse mesmo engenho criou, séculos atrás, e que resistiram ao abrigo de uma grossa camada de zeros, contados em expoente de 10, está agora dotada de meios para vencer essas camadas de complexidade em tempo menor do que o de uma vida – este desafio durou 18 anos.
Sabendo da curva parabólica que representa a evolução no tempo da capacidade e da velocidade de processamento das máquinas, e admitindo que poderão existir pontos de catástrofe nessa curva que façam disparar ainda mais essa evolução, parece plausível que já existam as pessoas que irão ver a resolução do xadrez.
Até hoje, este foi para mim o acontecimento do ano.
Mas o ano ainda não acabou...

25 dezembro 2007

Campo de Ourique, dia de Natal de 1993



É Natal,
Cheira a lenha e a linguiça
Em Alcácer do Sal.

SG, inéditos, 1993

24 dezembro 2007

Restos de colecção (64)



O mais perto que consegui chegar do Pai Natal hoje aos alvores.

23 dezembro 2007

Ligações

Enquanto assistia a uma reportagem sobre a manifestação para pôr termo aos acidentes mortais que ocorrem no cruzamento da 124 com a 264, em São Bartolomeu de Messines, à memória veio-me uma outra morte que relacionei de imediato com tal cruzamento.
E essa relação, a única relação que há entre essa morte e o cruzamento é de banda sonora.
De estar por ele a passar enquanto a rádio a anunciava. Isto há mais de dez anos.
Não haveria razão para me lembrar desta morte em particular – de uma figura pública – mas o facto é que me ficou agarrada àquele cruzamento.
Fiz uma pequena investigação para saber qual a data de tal passagem, para ter a certeza de que não se tratava de uma falsa memória.
Na data em que essa pessoa morreu passei de facto por aquele local.

21 dezembro 2007

Cabo Espichel, 1990

O grande problema

Eu sei que me repito.
Mas quando ouço também repetidamente debater o sistema judicial português e quando ouço o que se diz nesses debates (agora mesmo é na RTP N), mais me apetece outra vez repetir que o grande problema desse sistema é a falta de inteligência, como se pode ver todos os dias ou quase todos, vá lá.
E é, por isso, irremediável. Fazer o quê?

Claro que há por lá as excepções. Que de nada servem.

17 dezembro 2007

As músicas do castelo de Sines

Nesse final da gloriosa década de sessenta e nos alvores da seguinte, a minha escassa apetência para o mundo da música era espicaçada pelo mundo sonoro do meu primo J..
Dava-me prelecções sobre solos de bateria entrecortadas pelo relato de aventuras amorosas com as mais cobiçadas fêmeas a banhos.
Devo-lhe grande parte da minha iniciação musical e pouca da minha iniciação d’homme à femmes. Apesar dos exemplos franceses que também me dava. E da belíssima prima dele, meu primo.
Mas como era, e ainda é, um aventureiro e um narrador de primeira água, sentava-me na areia a ouvi-lo. Ao fim e ao cabo, a prima dele estava por perto, a tiro.
Um certo dia relatou os sucessos de uma fuga à Guarda, noitalta, que o levou a ele e a outros a não terem tempo nem pouso para cozinhar a galinha roubada que estava na base do caso.
Foi com base num pormenor da narração, que fiquei a saber que em certa dependência do Castelo estavam acantonados uns amigos dele com a parafernália própria dos conjuntos musicais.
Uns dias após, lá me levou.
Ainda hoje ouço o som do solo de bateria que afinal ninguém tocou.


Castelo de Sines, 1995

15 dezembro 2007

Pelourinho do Ano – categoria Nacional – grau Bronze



Em primeiro lugar, agradecer ao João Espinho a atribuição do galardão.
Nunca conheci o João, apesar de nos termos decerto cruzado em Beja algumas vezes.
O facto é que Beja, embora sendo a cidade capital do meu Baixo Alentejo foi sempre um destino algo longínquo e pouco frequentado por quem repartia como eu o tempo entre os arrabaldes de Lisboa e o extremo sul do Reino de Portugal, ali nas faldas das serranias onde se entrelê a fronteira com o Algarve de Aquém.
Não obstante, tenho dela uma imagem, imagens de tempos bem passados. Não me queixo de nada que por lá me tenha acontecido, apesar de nem sempre ser de festa o motivo da minha deslocação.
Recordo, porque passam exactamente trinta anos sobre o facto – mais dia menos dia, talvez até sejam trinta certos - uma noite daquelas com que Beja contempla os forasteiros não habituados ao barbeiro. Não é o meu caso, nunca foi, que alentejano que se preze sabe o que é um geadão a sério e uma calorina de derreter alcatrões antigos, quando as caricas nele se embutiam à porta das vendas e dos cafés.
Essa noite de vela, passada ao relento do Largo do Carmo, cigarros e samarras espantando a rijeza, contrariada também por umas voltas de carro, com o calor da máquina a ajudar ao desentorpecimento que culminou com um outro carro alheio que havia zumbido toda a noite, cima e baixo, espetado numa parede ali para os lados da estação.

Porque hoje em Beja há-de estar uma noite igual e porque o João me dá, lá na sua Praça, as novas da cidade que raramente vejo mas onde se entroncam memórias próprias, de familiares e de amigos, e belas imagens que ele faz ou que nos dá a conhecer de outras feituras, aqui vai com umas fotos alusivas, este discurso de agradecimento parar.


da Cidade para o termo em 1981


do termo para a Cidade em 2005

14 dezembro 2007

Outra vez o macaco

Ao fim de infinitas vezes, acerta. Acaba por. É inevitável.
Importa repetir que é só ao fim de infinitas vezes.



Já aqui disse que pertenço ao grupo dos que consideram que a classe política é e deve talvez ser sempre de extracção mediana em termos intelectuais.
Não cabem nela grandes intelectos, figuras excepcionais. Só o medíocre e o médio.
O que não invalida que se lhe peça que tenha, por isso mesmo, uma prestação equivalente. De medíocre a médio, entre o 8 e o 13, em dias de festa.
A actual não descola do mau.
É de uma craveira intelectual baixíssima, com uma ou outra excepção que confirma a regra. Basta ouvi-los discorrer mais de um minuto para perceber do que são capazes. Ou do que não são capazes.
Ainda não li o Tratado. Nada do que lá esteja escrito abala esta argumentação.

O macaco acaba por acertar, mesmo sem disso se dar conta. No infinito.
Segundo a CNN


imagem da CNN

Tanta coisa para dar este nome a um tratado...
E.N. 11, 2006

12 dezembro 2007

A E.N. 2 ali em Beja

A quase totalidade dos noticiários e informações de trânsito que não se referem às corriqueiras estradas engarrafadas são erradas.
Sâo erradas porque o número da dita estrada está sempre errado.
É um dos muitos exemplos da capacidade desta gente da informação.
Outros estarão atentos a outros disparates em outros campos, eu dou por eles neste.
Há pouco mandavam apanhar a E.N. 2 em Beja.
Bastava um mapa do ACP. Só isso.


trecho da Carta Militar de Portugal - Série 1501A, escala (original) 1/250 000

Eu avistei um marco não regulamentar da 2-8 perto de Évora. Mas foi em sonhos, um dia destes, com o levitador amarelo* nas mãos.


*ainda hei-de falar sobre isso.
Ora bem

Lá se deu o que me faltava lá para os lados da Ferradura.

11 dezembro 2007

Bem me parecia

Que estávamos com deficit de sismos.
Na verdade, ontem estranhei o baixo número de ocorrências dos últimos dias (dizê-lo agora...).
Ainda falta qualquer coisa lá para o Gorringe e além.
Vacina

Não é que tenha muita relevância pois trata-se de mais um atropelo num mar de disparates quotidianos. E a mim mais incomodam os ilogismos e a incapacidade de raciocínio seguidos da ignorância atrevida.
No entanto, “vacina contra o colo do útero” parece ser mesmo uma metáfora de uma civilização suicidária.
Há pouco, na SIC N.

08 dezembro 2007

Um dia de datas

Dia de maus presságios difíceis de acertar. Porém, certeiros. E de más notícias difíceis de aceitar. Como nos filmes.
Um dia de ruins efemérides.
A coreografia infantil

Tropecei no genérico do Festival Eurovisão da Canção Júnior 2007.
E vi uns miúdos de capuz na cabeça a ensaiarem uma coreografia qualquer.
Fiquei absorto a observar as imagens.
Relembraram-me, de uma forma estranhamente muito acentuada, a minha aversão infantil a carneiradas, a circo e a folclore.
Avesso a todos os tipos de ordem unida, escrita, dançada, ginasticada ou cantada sempre fui.
Incapaz de admirar coreografias de qualquer sorte, grupais ou singulares.
Apenas apostado em integrar equipas da bola, sempre sem disciplina, sempre de extremos.
À avançada ou à baliza.
Um lobo solitário no meio de uma extensa alcateia.
Conversa entre linhas

07 dezembro 2007

A Europa e a África

Estou com os que consideram que o grande paradoxo nas declarações europeias sobre a África é que qualquer intervenção é paternalista e todos os discursos anexos de igualdade são incompatíveis com a ideia inicial.
A incompatibilidade de argumentos em política é, porém, vulgaríssima.

06 dezembro 2007

Os postos da PVT*

Por causa deste post do João Espinho, lembrei-me de ir ver aqui aos arquivos de fotos deles. Aí estão três.

Foram semeados na fase final do Estado Novo nas principais encruzilhadas ou "portos secos" dos itinerários da época.
Eram e são umas construções curiosas, agradáveis à minha vista, mas pouco "habitáveis".
Esse facto fez com que a sua utilização fosse efémera, estando em grande parte abandonados por esse país fora.
Mesmo a sua adaptação a outros usos parece impraticável, como decorre de dois destes exemplos, se não se alterarem aspectos de conforto térmico.


Lisboa, Portas de Benfica, E.N. 6** / E.N. 249, 2006


Torres Vedras, E.N. 8 / E.N. 9, 2006


Sacavém, E.N. 10, 2007


*Polícia de Viação e Trânsito, antecessora da Brigada de Trânsito da Guarda Nacional Republicana.
**A parte inicial da E.N.6 correspondia, no plano de 45, à circular exterior de Lisboa, vulgo Estrada Militar, de Moscavide a Algés.
O Carmo e a Trindade

O homem dizia que não. Que sendo em Salónica, cairia a Torre Branca.
Se fosse no Porto, então sim, é que era o Carmo e a Trindade.
Há pouco, na SIC.

É claro que há uma Igreja do Carmo e uma Igreja da Trindade no Porto. E haverá até por lá outros locais com esse nome associado.
E é também claro que os aforismos se perdem a maior parte das vezes na neblina ancestral.
E é ainda mais claro que certezas nisto...
Mas nunca me passou pela cabeça que “o Carmo e a Trindade” se referissem ao Porto.
Pode, no entanto, ser que me engane.
A certificação do blogue

Já que o post que tinha engendrado para dar entrada ao processo de certificação deste blogue fica eternamente prejudicado por este outro oportuníssimo do amigo Bic Laranja, resta-me distribuir os tó-colantes...

05 dezembro 2007

O gang do Multibanco

Ouvi há pouco na RTPN e li depois aqui que o gang do Multibanco estava a começar a ser julgado.
E eu que pensava que o já tinha sido há muito. E condenados os seus membros.
Por vários crimes, incluindo o do homicídio e ocultação do cadáver da infeliz rapariga a quem o povão insistia como sempre em ver, depois de morta, em estações de serviço, restaurantes, passeando em Espanha, etc.
Afinal não.
Este é outro. É um, de vários, de tipos que se dedicavam a arrancar caixas multibanco das paredes e do chão, ao que parece. E que mataram também um homem.

Ora, sendo que a expressão “gang do Multibanco” ficou tristemente associada à matilha que operava a partir da outra banda (margem sul do Tejo, para quem não sabe), parece-me impróprio que se designe do mesmo modo esta outra cáfila.

Um caso idêntico e mais evidente ocorreu com a designação Guerra do Golfo.
De 1980 a 1988, todos os telejornais da RTP (não havia outra), todos os jornais se referiam assim ao conflito entre o Irão e o Iraque. Ainda que por vezes usassem a expressão atrás.
Em 1991, referiam-se à guerra de então como a invasão do Koweit (em 90), depois a invasão do Iraque e operação Tempestade do Deserto.
Já em 2003, se referiam à 2ª Guerra do Golfo. Sendo que a 1ª não era de 80-88 mas a de 91.
Mentalidades!

Um destes dias, talvez apanhem o Zé do Telhado!

P.S. - Ou julguem o Cagote!

04 dezembro 2007

Os estranhos objectos da misteriosa área A 13



Reeditando velhas aparições.

03 dezembro 2007

A estrada



Decorridos quatro anos sobre a minha sugestão, os painéis de sinalização vão começar a passar mensagens alusivas aos mortos e estropiados da estrada.
Não vai servir de nada, como sabemos.
A boçalidade não tem cura nem mitigação.

01 dezembro 2007

Herdei-o, comprei-o e conquistei-o

Dizem que o segundo dos Filipes de Áustria terá proferido tal frase nos finais do séc. XVI.
Podemos hoje, quatro séculos e tal depois, pensar qual dos verbos não poderão hoje os de Castela conjugar a respeito da nossa Pátria.

30 novembro 2007

20,03%

Não há ninguém que chame a atenção a quem debita 20,03%, para o disparate nos algarismos significativos?
É esta a qualidade de quem nos governa.
Com gente desta, até apetece apoiar greves e grevistas.
A sindi-Gioconda

Há ou não uma Gioconda no sindicalismo português?
O ângulo inverso*



Bate sempre certo:

Se
β = π/2 – α

então
sen2 β + sen2 α = 1


imagem da RTP

*inverso só por incorrecção de linguagem – é o ângulo complementar

28 novembro 2007

Vai ser então aqui

La pluie

Muita gente se deve interrogar em França sobre a inconstitucionalidade de decretar noites chuvosas.
São Rústico não ajuda Sarkozy. Está mais do que visto.

27 novembro 2007

O morto “B” da Golegã

A culpa disto tudo é dos tipos que desenharam os bordos das moedas de dois euros.
Quem diz dois euros diz qualquer outra moeda passada ou futura, de bordos com inscrições não sobreponíveis à sua imagem rodada de 180º.
Ou seja, moedas cuja cunhagem dê origem a duas versões. Uma com a legenda do bordo orientada de uma determinada forma quando se observa o anverso para cima e outra, com a mesma legenda rodada de 180º, observada a mesma orientação do anverso.
Ora deu isto que nas moedas de dois euros cujo bordo tem uma série de 2 e de estrelas, observando o anverso para cima, a estrela imediatamente à direita de um 2 direito, terá uma ponta para cima ou para baixo.
Convencionou-se que quando uma ponta da estrela à direita do 2 direito está para cima, se trata do tipo A; se por outro lado, uma ponta da estrela à direita do 2 direito está para baixo, se trata do tipo B.



Exposto o anterior para quem está menos familiarizado com estas coisas, ocorre que certo dia marquei um almoço na Golegã.
A pessoa com quem me ia encontrar, indagando do meu conhecimento da localidade, e verificando que era escasso, expeditamente mandou-me seguir para a Igreja Matriz.
Ora, sucede que mesmo à entrada da Golegã, avistei um carro funerário. Lá dentro, coberto pela tradicional veste preta com motivos dourados, ia um caixão.
Calculei que se dirigisse à igreja e resolvi segui-lo.
Foi então que reparei que a estrela dourada do pano da cobertura que mais se destacava centralmente, tinha a ponta para baixo.
De imediato me ocorreu que o morto era um morto “B”.

26 novembro 2007

A mineração do cobre

Pode ou não estabelecer-se uma relação entre a quantidade de cobre roubada na rede de transporte e a percentagem de população Cro-Magnon na população total?
Mesmo que haja anacronismo na coisa.


imagem da imitação de caveira encontrada aqui

25 novembro 2007

24 novembro 2007

22 novembro 2007

E.N. 4, 2007

Scolari

Relembro, depois de ter visto e ouvido ontem o treinador da selecção portuguesa de futebol, a sua atitude desvairada ao longo do jogo contra a Sérvia.
Antes, muito antes, do caso do quase murro.
O que é que se passa com o homem?

21 novembro 2007

Um post já antigo



À procura nos cadernos de capa preta do rascunho da imagem acima e das recordações que à sua memória descritiva estão associadas, tropecei num post escrito umas páginas adiante.
Já nesse tempo, as três e muito da manhã eram uma hora sem comboios.
Nessa noite de 16 de Fevereiro de 1998 – na qual a temperatura parece ter sido amêndoa*, de acordo com os registos que pude consultar, dado que o post a isso não faz referência – aproximando-me das linhas e julgando-me sózinho na ecúmena, ouvi um berro.
Foi no rastreio que fiz a seguir, que vi o que parecia ser um saci-pererê.
Pois o homem era negro e só tinha uma perna.
Apoiado em duas muletas, tocava guitarra em pé.
Quando eu passei perto dele, começou a cantar em coro com uma ave que, ali perto numa árvore altaneira, tinha já por costume fazê-lo naquelas madrugadas. Havia talvez meses que ouvia cantar a ave (era para escrever a árvore) sempre que atravessava a linha.
Mais adiante e para me trazer de volta ao realismo, afastado do cantor, esperando por um comboio improvável, estava um casal em amena conversação.

Nunca mais vi tal personagem, posso dizê-lo agora.


*ver a nota de rodapé deste post

20 novembro 2007

Explicar

Outra coisa que é impossível explicar às massas é o que é um automóvel e como se conduz.
Sabemos isso sempre nestes dias de primeiras águas e nos outros todos do ano.
A boçalidade em estado puro.
Seixal, 2007

19 novembro 2007

As chamadas falsas para o INEM

Alguém acha que é possível explicar a quem as faz, as consequências dos seus actos?
Quem diz isto, diz muitas outras coisas.
Estreiando passagens, coleccionando rios, sôbolos



Reeditando ideias

18 novembro 2007

17 novembro 2007

16 novembro 2007

Capri à beira da E.N. 10

Há qualquer coisa que me persegue e perseguirá neste quadro de Pousão.
Já o referi aqui algumas vezes.
Um destes dias, andando numa romagem pelos arredores de Setúbal, dei com este recanto.
Não foram só as figueiras-da-Índia que me evocaram Pousão. Parece não haver mais nada de comum, no entanto...

15 novembro 2007

Não há melhoras

A temperatura amêndoa*

Se me perguntarem, direi que a noite de ontem foi a primeira do ano (os anos começam depois da cortiça, toda a gente sabe) em que senti algum frio.
Já na de anteontem, eu e os companheiros gozávamos do ar tépido da meia-noite, em plena cidade de Lisboa.
Esse facto fez suscitar memórias. Que é curta, a da maioria. Que até omite o facto de haver verões de São Martinho.
À minha, veio por exemplo a da noite de 12 para 13 de Novembro de 1994. Quando em plena várzea do Sado (e se ela é fria) petiscávamos ao ar livre e à luz do petromax até quase de madrugada.
Veio também um certo natal dos anos 70, acho que o de 74. Em que nos sentávamos nos poiais do café, noite a dentro, gozando a mornice, falando de tempo de terramotos e tabaqueando a coisa.

Diz que há um aquecimento global.

Se me perguntarem, direi que no meu tempo de reparar nestas coisas, dou pelo escurecimento. Pode ser ilusório, pois que os dados que conheço parecem dizer que não é muito perceptível, mas é uma sensação que experimento.
Quanto ao aquecimento, não dou por ele.
Nos registos que compilei a partir da base de dados do INAG, também não dei por nada que pudesse ter algum tipo de significado.
Haverá quem tenha outros dados.


*A temperatura amêndoa é ( toda a gente sabe) a que se pode medir (ou a que mede um homem muito bem acompanhado) na maior parte (em uma que seja) das noites de verão ali onde a E.N. 241-1 entronca na E.N. 244. Há lá um sinal que demonstra isso mesmo.

14 novembro 2007

O debate público

Ainda estou à espera de ouvir o que pensa da localização do aeroporto o contínuo escolhido do Ministério determinado.
Esta coisa de as entidades e das empresas públicas se porem em bicos de pés a dar palpites sobre assuntos deste calibre, passando por cima e atropelando quem deve pronunciar-se, é o que me faz esperar. Ouvir o contínuo. Será porventura mais sensato.
E faz-me lembrar mais. Faz-me lembrar o chorrilho de asneiras que antecedeu e seguiu aquela frase “vamos pôr as gravuras a voar”.
Um tal quadro que foi bem patente na altura da decisão de Foz Coa – estávamos no final do cavaquisimo - e que agora volta a desenhar-se, apenas mostra uma coisa – falta de autoridade, desierarquização. Desgoverno.
Nada que me surpreenda, afinal.
Mostra, por outro lado, que vigora a versão televisiva e educada dos berros das regateiras que chamavam a atenção do burgo para o que lhes parecia mal. Vigora e obtém resultados.
Lisboa, 1993

13 novembro 2007

Isto dos acidentes

O homem chamou-me como sempre da montra, entre a carrinha cinzenta e o carrão preto. Ambos naturalmente metalizados.
E chamou-me com um ar preocupado.
Lá me dirigi ao stand e imediatamente se revelou a urgência dele em recolher o meu parecer, dado que figuro, muito erradamente embora, como entendido na matéria, aos seus olhos.
Lá dobrámos a esquina do supermercado e descemos a rampa da oficina.
Desta vez o carro em questão era um Daewoo Matiz ou equivalente. Claro que era cinzento metalizado.
Estava todo escaqueirado a estibordo.
O homem olhava para os estragos e dizia-me:
Ela diz-me que isto foi defeito do computador. Que ia a andar normalmente em recta quando o carro começou a atravessar-se e a andar de lado.
Bateu mais à frente num que estava parado.
O que é que tu achas? Achas que o computador pode ter causado isto?
Eu estava céptico. Apesar de saber assim em sonhos que quando os computadores querem ou quando por outro lado falham, as surpresas são inúmeras.
Encolhi os ombros e disse-lhe que não fazia ideia. Mas que podia bem ser uma maneira airosa de ela se sair ainda mais airosamente de um acidente tal, visto o carro estar na garantia. E perguntei-lhe que tipo de ela era ela.
Ele não me respondeu.
Estavámos quase silentemente entendidos quanto à causa deste e de todos os outros acidentes com elas do tipo dela ao volante, pensava eu, quando ele me fez um gesto chamando-me para observar a dianteira do carro.
Estava igualmente amachucada.
Encolheu agora ele os ombros e disse-me:
O computador não deve estar mesmo bom. Isto fui eu que bati há bocado quando o fui experimentar.


imagem roubada aqui e amachucada devido ao computador

11 novembro 2007

Três-a-ó

É muito desagradável perceber que o Sporting é facilmente derrotável.
É, pelo menos, essa a imagem que dá há algum tempo, tal é a fragilidade do seu jogo.


sei lá eu de onde veio este gif

Viva o Sporting!