AtrasoDiz o Director-Geral da Saúde, pessoa pela qual tenho respeito intelectual, que se conseguiu atrasar a propagação da epidemia e com isso ganhar o tempo suficiente para se ter uma vacina em tempo útil.
Estou ciente de que o papel dele está num plano acima do científico, que é político e de controle da situação.
O mesmo reconheceu o Prof. Alexandre Quintanilha num
programa da RTP N para o qual convidou aquele.
Passemos adiante a questão da vacina vir ou não em tempo útil para o comum dos cidadãos, cujo risco de saúde não esteja identificado e que não seja considerado imprescindível lá por um certo critério (contrário ao dos cemitérios cheios de insubstituíveis).
Atentemos portanto apenas na afirmação de que se conseguiu atrasar a propagação.
Para termos um atraso, seja no que fôr, temos que ter antes de tudo um tempo-padrão. Uma referência.
Um comboio atrasa-se face ao horário de todos os dias.
Uma pessoa atrasa-se face ao combinado.
Um relógio atrasa-se face à hora legal.
Ora referência é justamente coisa que não temos.
Como em muitos aspectos da vida, há uma tendência para se pensar que há mais do que uma opção no caminho da vida, como se se pudesse percorrer um em opção, medir as consequências, voltar atrás, percorrer o outro, medir as consequências e comparar (pode ser um mero atraso).
E essa tendência nada tem de científico embora se possa usar em determinados papéis políticos porque de facto funciona como argumento.
É o caso aqui. Faz algum sentido que se digam coisas que confortem o público. Ainda que essas coisas não façam sentido nenhum. Mas isso é coisa de que o público raramente se apercebe.
Não havendo referência, não se sabendo de que forma e com que rapidez se propaga um vírus numa variante só identificada agora, apenas se pode pensar que algumas medidas tomadas, aqui e ali, poderiam em abstracto ter constituído obstáculo à propagação.
Mas quais? E tomadas onde?