31 dezembro 2009

2009

O acontecimento do ano foi a recombinação do H1N1.
E a imagem do ano a da molécula de pentaceno.
O resto é conversa. E cinquentenários, é claro.


© IBM Research – Zurich
Não há escapatória

29 dezembro 2009

1959

A dois dias do fim do cinquentenário, cumpre recordar.
Algumas das coisas que por cá apareceram ou se concluíram nesse ano:



O Metro é hoje o aniversariante. Nacionalismo e geracionismo muito à parte, um dos melhores que conheço. E conheço alguns.

imagens alheias a este blogue e recolhidas nos mais diversos sítios.
Trabalho escravo

É o que sempre me pareceu adequado aplicar a réus insolventes condenados a indemnizar as suas vítimas.
Consigo, sem esforço, encontrar meia-dúzia de questões escolhosas neste caminho.
Ainda assim, é o que me soa mais justo.

27 dezembro 2009

Perdidamente apaixonado

Foi preciso chegar quase ao 52º ano para cair de quatro por um carro. De três.


foto em http://www.pioneer-automobiles.co.uk/Resources/library/Berkeley%20T60.html

26 dezembro 2009

E o plástico?

No Expresso desta semana aparece uma lista de 50 invenções que talharam a História.
Assim de repente, e sem matutar muito, não vejo a escrita, o vidro, o transporte de energia (simbolizado no cabo eléctrico) e o plástico.
Cada um faz as suas listas, é claro. A mim, parecem-me estas indiscutíveis.
Mas fico sempre com a ideia de que não se usou a cabeça. Nem por um bocado. Nem por um saco de plástico.
Amesterdão, 2006


© João Sá Fernandes

25 dezembro 2009

A tradicional imbecilidade noticiosa

O Natal é tradição. E, embora não sendo natalício, deveria procurar respeitar o espírito da coisa e recuperar um certo atavismo cristão que estará na minha memória celular.
Todavia, a palavra tradição escorrega-me para as notícias. E peco.
Esforço-me. Mas não consigo evitar uma indignaçãozinha quando ouço repetidamente na RTP N anunciar o comboio de levitação magnética como uma novidade extraordinária.
É qualquer coisa que me faz saltar a tampa. Mesmo em dia de Natal.

24 dezembro 2009

TG 923 ou à procura de um tsunami



Ninguém não. Alguém haverá que trocaria de bom grado de lugar com ela.
Ela, que sei eu?, trocaria que condições e lugares por aquele assento incómodo dum 747 na hora que ora corre, com destino a nenhures?
A um tsunami improvável que torne a morte divisível, como certa vez me disse?
Ou a uma Índia sobrevoada, onde o passado reside escondido e irrecuperável?
Faço votos.

23 dezembro 2009

O túnel do comboio-fantasma

Aqui há umas semanas Rui Santos fez circular na rubrica que mantém na SIC a seguinte pergunta: Os relatórios das vistorias aos túneis realizadas pela Liga deveriam ser públicos?

Isto intrigou-me. Vistoria aos túneis? Haveria alguma questão estrutural nos ditos? Porém, só se ouvia falar em agressões e nada em fissuras, assentamentos, deformações nem sequer em infiltrações (de água, bem entendido) ...
Fez-se luz no túnel e concluí então que a vistoria recaía sobre eventuais transformações que os ditos houvessem sofrido de forma a, à imagem do comboio-fantasma da defunta Feira Popular, serem dotados não de esqueletos e fantasmas mas de umas quantas luvas de boxe na ponta de molas metálicas, susceptíveis de serem accionadas à passagem dos adversários, dos da casa, dos seguranças, dos polícias, dos árbitros, dos que nem sequer lá estavam (vá lá entender-se isto) e talvez dissimuladas atrás de uma pretensa porta de quadro eléctrico ou similar.
Percebo assim que sejam vistoriados. Já o segredo em que se admite na pergunta estar o caso...

21 dezembro 2009

Terra

Pelo que li sobre a cimeira de Copenhaga, descontando os tradicionais disparates da imprensa, fiquei com a ideia de que, ao contrário do que se espera de uma cimeira para resolver um problema, obter um tratado, em que há de facto um objecto de disputa e interesses antagónicos bem identificados, aqui cada um se propunha discutir uma questão diferente.
Uma espécie de reunião de condomínio em que um se queixa do frio que faz na rua, outro do barulho dos vizinhos do prédio em frente, um que quer comprar uns tapetes novos, outro que acha não se deve votar na lista de Fulano de Tal para a Junta de Freguesia. E cada um não prestando qualquer atenção ao que outros dizem.
Há um que discute um assunto que compete a todos resolver – o dos tapetes – todos os outros falham o alvo.
Foi esta a ideia com que fiquei. Quando cada um discute um assunto diferente, estamos na esfera da conversa de surdos.
Parece-me extraordinário o conceito de alterações climáticas, já aqui o disse.
E parece-me extraordinário que se consiga saber o que provoca as variações do clima quando não se consegue matar o jogo do xadrez. Não é extraordinário, é apenas estultícia e ausência de ciência. Um credo que se instalou como se instalaram muitos outros ao longo da História.
Já saber se existe um aquecimento global carece de uma definição do conceito.
É uma derivada positiva na esmagadora maioria das séries de registos de temperatura conhecidas? Ou é exactamente o quê?
Começarei a levar a sério esta tropa que por aí anda aos gritos contra as alterações climáticas e o aquecimento global quando os ouvir dizer que é preciso reduzir a população mundial.
Seja como fôr, ela não ultrapassará um certo limite. De uma forma ou de outra.

20 dezembro 2009

A tradicional imbecilidade noticiosa

Já ouvi repetidamente na RTP que os alentejanos estranham o frio por estarem habituados ao calor.
É difícil imaginar sentença mais imbecil sobre o clima no Alentejo.

18 dezembro 2009

Subjectivamente

Se alguma coisa de particular noto no clima ela é, sem dúvida, o retorno dos dias frios e com chuva aqui nestes arrabaldes de Lisboa.
Voltaram na segunda metade desta década. Depois de muitos anos de ausência.
Subjectivamente falando e sem qualquer consulta de dados.

17 dezembro 2009

Tremor de terra

Lembro-me de Pacheco Pereira ter, em Fevereiro de 2007, chamado a atenção para um facto que todos aqueles que se interessam por sismologia puderam então constatar – a completa e total incapacidade do sistema do IM para responder a um afluxo “normal” em caso de sismo.
Ao contrário do que disse então Pacheco Pereira, não me parece que a gravidade esteja no facto de não ser possível aceder a informação útil neste site. Em caso de catástrofe será preocupante isso sim que a Protecção Civil não tenha meios de fornecer essa tal informação por todos os meios expeditos para orientar a população. Um site é importante mas não é o prioritário. É muito mais importante uma estação de rádio.
O que me parece lamentável é que o sistema, por não ser capaz, abdique de receber a informação quanto à intensidade que o público com acesso a estes meios está disponível para fornecer.
Esta noite aconteceu a mesmíssima coisa.
Foi possível comunicar o facto ao USGS de imediato. Pouco depois, também com alguma demora, ao IGN de Espanha.
Só muito mais tarde foi possível fazê-lo para o IM.
Com erros constantes e páginas bloqueadas no entretanto.
Incapacidade. Numa só palavra.

14 dezembro 2009

Portugal, 2009



Nota: no dia em que o alojamento tradicional de imagens deste blogue deixou de funcionar. Tudo indica que de vez.

11 dezembro 2009

Dinastia Ming

Francisco Louçã referiu-se ontem no Parlamento a umas afirmações que alguém há tempo fez sobre como apanhar os que fogem aos impostos, declarando rendimentos minimalistas, por via do folhear de revistas cor-de-rosa.
Mencionou um vaso Ming, do século III.
Não me consigo recordar se com essa menção reproduz o disparate de alguém ou se, pelo contrário é ele o autor da coisa.
Sendo este último o caso, não ficaria nada bem a quem se quer tão rigoroso e exigente.
Ao volante

Soube-se anteontem que a condutora envolvida num dos mais graves acidentes de viação rodoviária – quanto ao número de mortos – de sempre das estradas portuguesas, foi condenada em primeira instância a quatro anos e quatro meses de prisão, com pena suspensa.
Sobre o caso em si apenas me interessa agora saber que utilidade encontrou o tribunal na reconstituição do acidente. É uma coisa que me intriga desde o primeiro momento.

Já em abstracto, não conhecendo de forma alguma quaisquer circunstâncias do acidente ou qualquer dos envolvidos, fico a pensar na hipótese, aplicável a um sem-número de acidentes de automóvel, de o seu causador ser não um criminoso negligente mas um impreparado, um inconsciente da sua incapacidade para dominar um veículo automóvel e, por conseguinte, de o manter de forma segura a circular na via pública.
Neste caso, a negligência é de quem o licenciou para conduzir.
Será todo e qualquer indivíduo capaz de guiar um automóvel em condições de não pôr em risco a sua própria vida ou a de terceiros?
E não o sendo, aqueles que o não são, terão todos disso consciência?
Sempre me pareceu que não, para além das exclusões óbvias.
Ainda em abstracto e não conhecendo o número, que de resto calculo seja escasso, de condutores reincidentes na culpa pela morte de terceiros, pergunto-me se se justifica permitir que uma pessoa que é responsável por mortes na estrada continue a conduzir na via pública.
É que, relembro, os fumadores não são proibidos de ir à maioria dos restaurantes. Não podem é lá fumar.
Não se retiraria a esta gente o direito de circular na estrada. Apenas a possibilidade de o fazer no banco do condutor.
Será que o fumo de cigarros alheios mata mais gente do que a estrada?

10 dezembro 2009

Assinando por cima

No caso, não é por baixo é por cima.
Uma belíssima e significativa fotografia do João Espinho que responde por mim.


© João Espinho

08 dezembro 2009

Negras memórias

É improvável que no mesmo dia passem 30 e 20 anos sobre negros sucessos entre si nada relacionados na vida de um homem.
O improvável aconteceu pois há 20 anos atrás.
Por aqui perto.

07 dezembro 2009

Oferta de Natal

Arredado que ando do alcatrão, ao invés do leitmotiv deste blogue, aprecio mais do que nunca as atenções.
Chegou-me hoje mais uma carteira de cromos de estradas enviada por DuVale.
Obrigado, amigo.

Alterações climáticas

Em seu tempo, para temperar o clima ou o ambiente usava um pé de poejo na lapela. Ou no bolso do lenço.
Frequentemente interpelado, teorizava longamente sobre os benefícios de tal atitude e sobre a maldade dos outros, que não usavam tal.
Ninguém me levava a sério. Era mesmo isso que eu pretendia das mulheres. Que não me levassem a sério.



imagem do site da cimeira

04 dezembro 2009

Brasil

Bem podia ter apostado.
Máquina do tempo

Ouvi há pouco uma referência a uma máquina de filmar que grava imagens em contínuo num intervalo de 3 segundos sem ordem humana.
O que significa que, quando apontada a um alvo escolhido, engloba na filmagem os três segundos anteriores ao toque no botão.
Foi designada, por piada, como máquina do tempo. Como a máquina que filma o passado.
Ponho-me a pensar que, com a publicidade adequada, não faltarão os candidatos à compra desta máquina que filma o passado.

E, agora, pensando no futuro, cheira-me a Brasil.

03 dezembro 2009

Restos de colecção (74)



Ouvi que tinha reaparecido nas bancas uma semana atrás a revista "O Volante".
Já depois disso tropecei neste exemplar de 1973, do 1º aniversário da 2ª série, no meio duma das minhas pilhas de recordações em papel. Data este da fase em que me esgueirava entre os chaparros ao volante do faruque.
Em formato de jornal, este título acompanhou-me pelas serras do país, conjuntamente com o Autosport, no tempo em que me deixava arrebatar pelo rugido das máquinas.
Calha bem aqui hoje. Não sei bem por quê.

01 dezembro 2009

Um Presidente acima


Copyright © Luc Van Braekel in Wikipedia

daqui por um mês.

28 novembro 2009

Justifica-se?

O país está em tal estado que se justifica que viaturas oficiais circulem (uma delas, pelo menos) na Avenida da Liberdade com velocidades que a energia necessária para desfazer dois robustos carros alemães revela?
Se se justifica, poder-se-á saber qual a razão?
Ou há apenas a inenarrável menoridade de sempre por detrás disto tudo, como parece decorrer das diferentes versões propagandeadas até ao momento?
Há qualquer coisa que me faz acreditar numa senhora que diz ter sido testemunha do acidente e contou* à SIC o que viu.


*assim que encontrar a reportagem de que falo, colocarei aqui o link.

27 novembro 2009

Agenda

Este pc não me deixa fazer grande coisa. Faz jus à sua designação inglesista.
Deixasse ele que eu escrevesse algo mais substancial e, mesmo não sendo um procurador de actualidades, ver-se-ia que a espuma dos últimos dias por certo se derramaria por incontáveis linhas.
Antes assim. Que não daria nada de bom.

26 novembro 2009

Ruas com datas



Porque as tragédias hão-de ser lembradas. E a desta terra foi terrível.

25 novembro 2009

Os três macacos


Copyright © 2003 David Monniaux in Wikipedia

Talvez o legislador tenha ido buscar aos três macacos sábios a proibição de a contactar com b.
Coisa que, no caso de b não querer ser contactado por a, considerar até isso uma ameaça, se percebe e em que se antevê até uma certa facilidade de ser feita prova de violação e com isso ver-se a condenado a uma qualquer pena.
No caso de existir a presunção de que tanto a como b têm interesse nesse contacto, sujeitar a essa disposição legal (alínea d do nº1 do art 200º do C.P.P.) um arguido é ou não é um rematado disparate?
Um dos macacos, como sabemos, nem quer ver!

21 novembro 2009

Lições



Ao fim de tantos anos de trabalho, a lição está mais do que aprendida.
Mas o desleixo de uma hora, de um dia, de uma semana...
Abençoados sejam estes senhores.

19 novembro 2009

Escalas



Não sei se me vou conseguir explicar a escala (há um erro óbvio na graduação) desta "Água Boa" de pH aí pelo 2 e que fazia (e faz) muito bem à pele.
É que um dos lados da escala é volúmico e o outro mássico.
E cada um deles é comparativo. Com água de pêras e água de maçãs. Ou sumo.
E ela usou-a nas pernas. Num varandim mal amanhado.

17 novembro 2009

Explicar as coisas

Há alturas em que a afirmação conveniente é um insulto intelectual.
Por se julgar que a afirmação razoável conduz ao caos.
Esta presunção é intestável. Seria necessária a velha história da ida por um caminho para medir as consequências e a volta atrás para seguir o caminho alternativo, medir as consequências e comparar.
E depois a História mostra-nos que o caos chega muitas vezes (quase sempre) por outras vias.

Esta coisa de se ir a correr dizer que não há uma relação causa-efeito quando nada se sabe sobre a causa, apenas sobre o "efeito" é o exemplo típico da afirmação presumidamente conveniente.
O politicamente correcto, afinal. Por enquanto.

16 novembro 2009

Flickr



Uma escolha é hoje assim, amanhã assado.
Até hoje, escolhi estas fotos para colocar no Flickr. Não me comovo com o resultado, já o disse há anos.
Mas é isto o que fui capaz de fazer, de escolher. Não me envaidece nem me envergonha. Sou eu e uma máquina.
Alcochete, 2005

15 novembro 2009

Tromba d'água

O que eu sempre conheci por tromba d'água é o que se pode ver neste filme de Alessandro Coelho, encontrado no blogue Papo de Meteoro.
Lembro-me de ter visto este fenómeno umas duas ou três vezes em toda a minha vida, ao longe no mar.
Uma chuvada forte e localizada é hoje designada da mesma maneira.
Só que lhe falta a tromba...
Intersecções


fotos de autores alheios a este blogue

Há muito que tinha assinalado as semelhanças.
Não exactamente com esta ou com aquela mas com a intersecção das duas.
Como se fosse neta de duas mulheres da sua idade e de avós placebos.
Esta fotomontagem é feita a partir de fotografias públicas que não são naturalmente da minha autoria.
Apenas me abstenho de revelar a origem para não tornar óbvio quem são as duas mulheres aqui fundidas.
Sem outra pretensão que não seja a de admirar o resultado.

13 novembro 2009

Interpretar o Direito

Ouvi o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça afirmar que fora reeleito praticamente com os mesmos votos da última eleição. Um décimo a menos, acrescentou. E cito de memória.
Ora é justamente no décimo a menos que está o busílis. A tal interpretação do Direito. E bem sei que as sentenças que o Presidente do STJ profere para os jornalistas não são exactamente aquilo a que se chama sentença judicial passível de ser interpretada assim ou assado.
Mas analisemos.
Trata-se de um décimo de quê?
Se estamos a tratar de uma votação, não se vê que possa ser outra coisa senão de um voto, do número total de votos ou até de um décimo percentual do mesmo número de votos.
Atentemos na primeira hipótese: É pouco crível que um ou mais conselheiros tenham votos com ponderação decimal. Mas suponhamos que um de entre eles em vez de um voto tem nove décimas de voto. E que tendo votado antes em outro candidato, votava agora no Presidente eleito, por troca com outro conselheiro que tendo votado anteriormente em Noronha do Nascimento optou agora por um dos outros candidatos ou pela abstenção. Lá vem a tal décima ou décimo de voto a menos. No entanto, estou em crer que a coisa funciona com um homem um voto e que esta lucubração é basto falaciosa.
A segunda hipótese é ser um décimo do número de votos. Mais coisa menos coisa que os votos, ao que dizem os jornais, foram 65. Isto dá 6 ou 7, consoante se queira arredondar para cima ou para baixo. É válida mas aparentemente contrária à asserção de insignificância dada pelo juiz.
A terceira hipótese encalha no mesmo problema da primeira. É que um décimo percentual, ou seja um por mil do número de votos que são, relembro, 65, dá 0,065 votos. Pior um pouco do que uma décima.
Restam duas hipóteses, não mencionadas: a de o juiz estar a ironizar, o que é também plausível, e uma outra que não identifico mas que é fácil de alcançar.

11 novembro 2009

Às onze e onze* do dia onze do mês onze

Há qualquer coisa que faz com que me sinta compelido a ir visitar este local.


imagem desta página


*os 11 minutos a mais foram acrescentados pela minha cabeça este ano.

10 novembro 2009

Paris, il y a vingt ans



O processo de "recuperação" desta fotografia de uma árvore de folha perene que estava mesmo em frente à janela do meu quarto, remete para as metáforas da memória de que a literatura e a poesia estão cheias.
Sou mais prosaico. Gostava de a recuperar em condições. Até à memória, afinal.

09 novembro 2009

Há 20 anos



Este jornal, comprado em Londres no início do ano, dava a ideia de que a História teria factos relevantes a curto trecho.
O final desse ano foi alucinante.
A tarde e a noite de 9 de Novembro fizemo-las, eu e um velho companheiro de lutas, entre Barcelona e Paris, com um rádio a pilhas pendurado no espelho de um Renault 5, a ouvir as notícias com imensa interferência, como se deve calcular.
Ainda nos passou pela cabeça virar à direita, mas sem passaportes, seria difícil - impossível - chegar à História.
Na noite de dia 10, São Martinho para quem o comemorasse e com festa na André de Gouveia, onde estávamos aquartelados, foi na Praça do Pigalle que sentimos o espírito da coisa.
O exemplar do "Le Monde" desse dia guardo-o em qualquer lado. Por aí.

07 novembro 2009

Pormenores

Ouvi ao fim da manhã a notícia de que um desabamento de um túnel em construção em Andorra tinha vitimado trabalhadores portugueses.
Imaginei a coisa - uma galeria a ser escavada que por qualquer razão se desmoronou.
Já de noite, depois de ter ouvido várias vezes falar em túnel e de gente encurralada no túnel, vi finalmente imagens da cedência de uma estrutura a céu aberto que estava a ser betonada, ao que parece.
É certo que se incluía, como estrutura anexa, na abertura de um túnel. Mas nada ali se passa dentro de um túnel. É ver as imagens.
Coisa vulgar esta. A de um jornalista não perceber uma imagem que tem à frente.
A responsabilidade e a culpa são de

Pessoas capazes como as que ouço neste momento na SICN:
Henrique Medina Carreira
João Duque
Nuno Crato
Que deviam empurrar o lixo intelectual que por aí anda para o sítio indicado.
É de gente desta que precisamos para ocupar o lugar dos incapazes que nos têm governado, com raras excepções, nas últimas décadas.
Ainda que o tom pessimista de Medina Carreira assuste muita gente. Sucede que diz verdades como punhos.
Se gente desta não se chegar à frente, continuaremos a ter primeiros-ministros que dizem na AR não haver problema porque as perdas do Estado são cobertas pelo... Estado!
É o clima


imagem adaptada do Google Maps

Andava com o Sporting atravessado na garganta das teclas há demasiado tempo.
Nem sequer a sondagem caça-moedas de há dias me fez rir.
Se há um problema com o relvado de Alvalade, e é claro que há; se há um problema com a desorientação da equipa, e é claro que há; se há, ou havia um problema que se revelava na expressão facial de Paulo Bento na maioria das vezes em que o focavam no banco, e era claro que havia.
Se há tudo isso, sendo claro que era (e será, para mal dos pecados dos sportinguistas) tudo isso verificável, alvitro que a questão é climática.
O centro de altas pressões que se instalou sobre o estádio, matou o relvado à míngua de água, actuou sobre as amígdalas cerebrais dos jogadores, comprimiu os pontos na respectiva tabela e, mais do que tudo, provocou a confusão lexical entre banco e banco. Entre reservas e reservas.
E, pelos vistos, dilatou o tempo. Ouvi falar em quatro meses.
Na minha opinião nada disto é novo. Infelizmente.
São exigidas alterações climáticas. Sem mais delongas.

06 novembro 2009

Quem é que irá entregar os presentes?


(com a devida vénia ao escultor Aureliano Aguiar)

A serem verdade os rumores que correm já há dias sobre a prisão preventiva do Pai Natal, quem irá distribuir os presentes nessa noite?

05 novembro 2009

No corredor de Juliette

E eis que o homem esperava.
Não que pudesse dizer que à sua frente tinha um corredor vazio. E uma porta para outro mundo lá no fim.
Havia um Eurico mais abatido, menos dono do lugar, acompanhado de sombras.
Como que inversamente proporcional à preocupação do homem, em função de Eurico.
E eis que ela surge, lá do fundo, macilenta e terrivelmente bela, de olhar quase cego.
O homem continuou a esperar.
Eurico II e as suas sombras internaram-se no corredor.
O homem continuou a esperar.
Deu-se conta de que ela estava ao balcão da secretaria. Nas suas costas.
Quis saber-lhe o nome, rever-lhe a face, saber que mal a trazia ali.
Tudo isso soube, enquanto esperava. Uma voz off encarregou-se de tal.
E viu, alarmado*, ela visá-lo numa entrevolta.
Afinal encontrou Juliette no dia aprazado. Longe de festivais de cinema.
Talvez à beira do fim.

*Compreendo o homem. Na minha bitola, Juliette é uma das mais sublimes fêmeas da espécie.

Nota acrescentada em 6 de Novembro, cerca das 10:15:
Confrontado com a leitura do post, o homem fez notar duas coisas:
Apesar de ter ouvido a publicidade ao Festival, ignorava que Juliette fizesse a sua aparição no dia 5.
Durante o tempo em que a cena se desenrolou conservava nas mãos um exemplar de "Viagem para além da morte" (The Fabulous Riverboat, de Philip José Farmer) e logo depois Sam Clemens - ele disse Mark Twain - avistava numa das margens a sua morta-viva-morta querida Livy.
Fez ainda saber que tinha lido aqui o parágrafo em que eu dizia há uns tempos que cada um constrói as coincidências que quer.
As minhas palavras foram outras mas o sentido é esse, de facto.

04 novembro 2009

Atraso

Diz o Director-Geral da Saúde, pessoa pela qual tenho respeito intelectual, que se conseguiu atrasar a propagação da epidemia e com isso ganhar o tempo suficiente para se ter uma vacina em tempo útil.
Estou ciente de que o papel dele está num plano acima do científico, que é político e de controle da situação.
O mesmo reconheceu o Prof. Alexandre Quintanilha num programa da RTP N para o qual convidou aquele.
Passemos adiante a questão da vacina vir ou não em tempo útil para o comum dos cidadãos, cujo risco de saúde não esteja identificado e que não seja considerado imprescindível lá por um certo critério (contrário ao dos cemitérios cheios de insubstituíveis).
Atentemos portanto apenas na afirmação de que se conseguiu atrasar a propagação.
Para termos um atraso, seja no que fôr, temos que ter antes de tudo um tempo-padrão. Uma referência.
Um comboio atrasa-se face ao horário de todos os dias.
Uma pessoa atrasa-se face ao combinado.
Um relógio atrasa-se face à hora legal.
Ora referência é justamente coisa que não temos.
Como em muitos aspectos da vida, há uma tendência para se pensar que há mais do que uma opção no caminho da vida, como se se pudesse percorrer um em opção, medir as consequências, voltar atrás, percorrer o outro, medir as consequências e comparar (pode ser um mero atraso).
E essa tendência nada tem de científico embora se possa usar em determinados papéis políticos porque de facto funciona como argumento.
É o caso aqui. Faz algum sentido que se digam coisas que confortem o público. Ainda que essas coisas não façam sentido nenhum. Mas isso é coisa de que o público raramente se apercebe.
Não havendo referência, não se sabendo de que forma e com que rapidez se propaga um vírus numa variante só identificada agora, apenas se pode pensar que algumas medidas tomadas, aqui e ali, poderiam em abstracto ter constituído obstáculo à propagação.
Mas quais? E tomadas onde?
E o que se finou foi...



O dito. E com ele o acesso a quase todo o software.
Estou assim com serviços mínimos, graças à opção dois discos, dois sistemas. Sendo que o disco de reserva tem muito pouca capacidade.
Naturalmente que o blogue vai sofrer algumas consequências do facto até haver novo disco. Um dia destes.

01 novembro 2009

Belfast, 2009


fotografia de Mr. Gaston Smith, correspondente do HGU no Ulster

29 outubro 2009

Moço da minha idade


desenho de Uderzo encontrado aqui.

Em tempos, dizia-se por aqui, vou ver se o Astérix está no sítio. Era uma maneira de se dizer que se ia dar uma volta ao bilhar grande.
Nesse tempo isto era a Gália. E nenhum de nós, nem mesmo ele, tinha 50 anos.