31 dezembro 2010

Nós fora, quatro

Do ano

O ano fechará daqui a pouco por estas paragens e a minha “previsão” de 22 de Fevereiro passado terá sido “aprovada”.
Ainda que dias depois tenha havido um enorme terramoto no Chile e que o Paquistão tenha sido mais tarde em parte submerso.
Ficam assim para o almanaque do mundo a catástrofe do Haiti e para o nosso as enxurradas na Madeira.
Este foi ainda o ano em que a Lei de Murphy foi desafiada e vencida, na sua acepção distorcida e vulgarizada que eu traduzo por “se alguma coisa pode correr mal, então alguma coisa vai correr mal”. Ainda que (alg)uma e (alg)outra coisa possam ser diferentes.
Não correu nenhuma significativa coisa mal das inúmeras que poderiam ter corrido mal no caso dos mineiros.
Há uma esmagadora maioria na imprensa a classificar a catástrofe haitiana e o resgate dos mineiros como acontecimentos do ano.
Parece-me rara esta maioria. Que só acontecimentos esmagadores – como o maremoto de 2004 – conseguem suscitar.
Ainda que esse tenha ocorrido quando muitos balanços já estavam feitos. Acabaram por ser implicitamente ultrapassados.
E continua o clima de pessimismo ocidental. Cada ano será pior do que o anterior.

30 dezembro 2010

Lula


imagem do site da Presidência do Brasil

Acabei* de verificar que o nome completo do Presidente da República Federativa (dos Estados Unidos) do Brasil é Luiz Inácio Lula da Silva.
Até hoje torcia o nariz a quem me afiançava que Lula não era nome de guerra mas sim apelido oficial. Sobrenome, à moda brasileira.
Parece que algures no tempo o homem acrescentou oficialmente a alcunha (afinal, o apelido) ao nome.
Claro que isso nada importa para o caso.
Lula vai deixar o cargo com altíssimos níveis de popularidade, ao que diz a imprensa. Ponto.
O que é que faz de um político um bom político? Entregar o país com nível modal de conforto superior ao que com que o recebeu. Seja lá como isso se mede. Mas decerto que se pode medir pela opinião que cada um dos cidadãos dele tem. Seja lá como isso se verifica.
Lula parece ter sido assim um bom político. A História dirá, ou não – por ela mesma a História ser o que é, a que ponto o foi.
Para me deixar de relativismos, apenas acrescentarei que lá pelos meados da década de oitenta, em que eu circulava em meios que tinham acesso a informação privilegiada em quase todo o panorama mundial, via diplomacia americana, se comentava que se alguma vez houvesse directas, Lula fosse candidato e ganhasse a presidência, haveria um levantamento militar.
Não houve.
O Brasil, em termos mundiais, ganhou peso. Se isso aconteceria independentemente de quem o governou, nunca se saberá.

*começado a escrever em 4 de Outubro de 2010

29 dezembro 2010

Violação de correspondência

Para além da incompleta morada, indicando que a destinatária é pessoa do conhecimento geral, atente-se no ano a que se referem os votos – 2010.
Não faço a menor ideia de como nem por quê isto me veio parar aqui.

28 dezembro 2010

Ninfetas

Agitado o dia, agitados os dias, ao lado ou entre uma Laura Ingalls que se entrevia fêmea e a própria imagem acabada do género.
Tudo afinal como se fosse a irmã mais nova, que nunca existiu, de um certo colega de escola primária.
O que me levou a rever alguns trechos da série.
Não há ali mistério nenhum. Tudo se confunde, apenas. Presente e futuro.


Melissa Gilbert em trecho da série encontrado aqui.

23 dezembro 2010

21 dezembro 2010

O paradoxo da percepção

Na minha experiência, tenho verificado que as pessoas que mais falam em “perceber as coisas” são as que menos tendem a procurar fazê-lo.
Comummente, pretendem encontrar explicações e relações de causa-efeito em aspectos insondáveis do universo.
São, em regra, avessas a explicações lineares dentro de uma convenção – as mais simples demonstrações matemáticas ou decorrências de leis básicas. E pouco dadas a entender o funcionamento de máquinas simples.
Em contrapartida, os que mais se detêm nestas basilares divagações do espírito – tentar perceber o que é perceptível, rudimentar - são os que mais encolhem os ombros quanto às relações de causa-efeito em sistemas complexos, tais como o comportamento dos humanos.
É apenas a minha amostra. Nada mais do que isso.

20 dezembro 2010

E duram...

É notável que o sotaque e a entoação PCP tenham sido transmitidos, de geração em geração, até hoje.
Já não falo do vocabulário. Nem da atávica defesa da Rússia, hoje capitalista.

19 dezembro 2010

A negação da tricotomia em ti

Eu perdi mais do que tu.
Tu perdeste mais do que eu.
Este é um jogo de soma infinita.

16 dezembro 2010

Caracol


21:00 de 16 Dez. 2010
(combinação de carta sinóptica e imagem de satélite das páginas do IM)
LP, onze mil e dezoito dias atrás



"O arco balseiro das esquálidas sensações extra-sensoriais não se demoveu de promover, pela segunda vez desde a execução de cinco de entre as térmites das influências cristãs da cristalização do décimo armão das hostes castelhanas, as hordas de vagabundos que pernoitariam.

No balseirismo indiferente das dimensões cinco, as imediatas conclusões que me aprouvem são de cariz temático, mais do que em milímetros, expressam-se em decâmetros de sociedades acabadas e de varandins de gladíolos em que debutam cortesãs.

A seriedade dos admoestadores só se equaciona em termos de deficiência aguda do funcionamento clitoriano em messes de oficiais. A suprema invocação de estes temas campestres, reveste-se quasi sempre dum carácter aperfeiçoado, já que Quasimodo, ele próprio, era corcunda ou propenso a ancilosar, já que por mais não seja, a sinusoidar.

Os preços por que me rejo são da tabela-mor de Fiscalizações e Fiscos e não dependem, por linha recta, de funções parágrafas ou de assimilações mais ou menos medianas. O efémero jantar d’anos remete, enfim, a população do pólo para exemplos bem mais remotos e dignificantes do que os que habitualmente fazem tábua rasa para tal gente."


LP, "Palavras de Dom Goda", 16 de Outubro de 1980



Ou como tudo isto me parece actual.

15 dezembro 2010

Dicionário dos sentidos

Roubando a palavra do dia ao Priberam

Objectos

Algures, devo ter visto algo assim. Ou não.



Entro na fase da confusão entre a memória e a desmemória.

13 dezembro 2010

Evolução social

Um indicador da evolução social dos últimos quase 38 anos pode ser o que a redacção do Expresso entendeu ao longo desse intervalo sobre quem era o seu leitor.
Na minha opinião, o Expresso destina-se hoje a um público muito menos culto, muito menos inteligente.
Seria interessante confrontar o conteúdo dos primeiros números com o dos últimos.
E também a forma como o jornal é publicitado. Aquela inenarrável campanha publicitária da entrevista a Rosa Casaco é um exemplo, ainda que pontual, da qualidade aonde se desceu.
Isto veio a propósito de eu ter ouvido há pouco aqui em fundo saiba o que 2011 lhe reserva, não seja apanhado desprevenido ou qualquer coisa do género.

12 dezembro 2010

Inaceitável

Inaceitável foi o adjectivo que disseram ter o primeiro-ministro sueco usado para qualificar o conjunto dos atentados de ontem em Estocolmo.
Calculo que o homem não tenha dito tal coisa.
O que ele disse (nesta declaração) que era inaceitável era a falha de segurança – que um homem andasse às voltas em Estocolmo com uma carrada de explosivos às costas.
Mas isso...

adenda cerca das 18:30 de 13 de Dezembro: não sei se o homem não disse mesmo isso, em sueco.
Mortes legais

As mortes na sociedade actual dividem-se entre mortes legais e mortes ilegais.
Tem sido assim nos últimos anos. Nos últimos dias fomos bem lembrados disso pelos casos do lar da Charneca de Caparica e do desabamento em Almalaguês.
As causas, as responsabilidades, isso pouco importa. O que interessa é a legalidade, a licença, o conforme.
É um mundo em que a doidice é tida como normal. Diria mesmo mais, legal. E certificada.

11 dezembro 2010

Aposta

Curto e grosso: aposto que Manuel Alegre fica abaixo dos 20,74%* obtidos nas presidenciais de 2006.
É haver alguém que queira terçar facas e garfos.

*nas minhas contas, tinha 20,72% tal como no STAPE - a fasquia é portanto essa. Mais do que isso pago eu o jantar. Não perco tempo a encontrar o gato.

10 dezembro 2010

3-0

Eu só perguntei à minha habitual fornecedora de mercearias se era mesmo verdade isso que para aí diziam do açúcar.
A senhora à minha frente, dos seus três pacotes para os meus nenhuns, justificava-se:
“Até nem gasto açúcar, mas como sempre vem aí o Natal...”

07 dezembro 2010

Notas do dia d’ontem

O dia d’ontem foi pródigo em coisas menores que deram à costa em catadupa.
Tivemos o desenterramento do caso Concorde, aparentemente consolidando a ideia há muito propagada de que as circunstâncias pesaram mais do lado do ambiente (a peça perdida na pista) do que do ente (o avião que levava três décadas de bons serviços, sem incidentes de maior).
O que leva a considerações sobre a bizarria da decisão de abate do Concorde, avião sem par na história da aviação comercial.
Um outro avião, qualquer que seja, quando submetido a determinadas condições adversas (não tem que ser uma determinada peça num determinado local da pista de onde levanta) não sofrerá danos que lhe causem o despenho?
Claro que sofre e claro que cai.
Depois, ainda no mesmo ramo, dos aviões, das peças e da bizarria, a queda de pedaços de um Boeing 777 da TAAG sobre Almada faz relembrar o banimento que a companhia sofreu dos céus da Europa, tempos atrás.
Pode não haver descaso gritante na manutenção – aquilo a que chamamos acidentes acontece – mas não deixa de suscitar de imediato essa dúvida preconceituosa.
Depois ainda chegaram os restos da polémica “a César o que é de César” mesmo que isso cause mal-estar geral.
Ou como aqueles que tanto brandem as bandeiras da “discriminação positiva” ficam com as costas à mostra.
Como se discriminar positivamente um sub-conjunto não fosse discriminar negativamente o sub-conjunto complementar.
Depois o caso da agenda.
Todas as estações de televisão descobriram o calendário de 2011 ao mesmo tempo! E fizeram-no com o habitual estrondo de quem descobre a pólvora.
Como se os feriados fixos não tivessem apenas sete dias para cair e os móveis não caíssem sempre no mesmo dia da semana!
Ninguém mencionou o facto, esse sim, notável de a Páscoa ser a 24 de Abril (a Páscoa oscila entre 22 de Março e 25 de Abril – estaremos para o ano quase no limite para o lado estival). Coisa essa que não acontecia desde 1859! Só a Páscoa a 22 de Março que não acontece desde 1818, é mais remota.
Quando era moço de escola, adverso que a ela sempre fui, um terceiro período curto trazia a certeza de um fim vizinho e a ilusão de um ano mais suportável.
Nem sei se ainda há períodos.
Depois ainda os ecos da fixação das taxas do IMI, relembrando que as câmaras têm muitas rotundas e alindamentos para fazer, muita t-shirt para mandar imprimir, muita porcaria e inutilidade em que gastar dinheiro.
O que mais destaquei no meu dia foi ter encontrado a porta da rua com o vidro embaciado do lado de fora.
Não só dando conta do valor da humidade relativa mas também do gradiente térmico entre o vestíbulo e o exterior. Estando naturalmente o exterior muito mais quente do que o vestíbulo.
Caso que nunca tinha presenciado aqui.
E que me levou a relembrar uma afirmação que aqui fiz há tempos – se há coisa que de facto dei conta de ter mudado no tempo foi o regresso nesta segunda metada da década dos dias frios com precipitação, que tinham andado arredados durante muito tempo.
É que vieram de novo este ano para logo a temperatura subir até me embaciar a porta!

06 dezembro 2010

Agenda

Calculo que as agendas para 2011 tenham estado hoje à venda pela primeira vez.
O que desmente os meus olhos, pois vi há uns dias um atado delas numa papelaria.
E calculo isto porque em todo o lado se fala dos feriados e dos dias da semana a que vão calhar.
Até descobriram que o Corpo de Deus calha à quinta-feira!!!
Não ouvi nada sobre a sexta-feira santa. Mas calculo que também calhe à sexta. E o carnaval à terça.
Triste gente esta que parece que é licenciada.
Para isto.

04 dezembro 2010

O sinal D9



Ouvi há pouco o Governador Civil da Guarda dizer que haveria que pensar em tornar obrigatório o uso de correntes nos pneus em determinados locais em determinadas condições.
Pergunto-me se não é possível fazê-lo já, de forma expedita, às autoridades competentes.
Terá sido revogado este decreto regulamentar?



Ou por não haver menção expressa no Código da Estrada a tal obrigação, o sinal regulamentado não se aplica?
Não está atribuída a competência para a sua colocação?
Seja qual fôr a razão, tudo isto tresanda a incompetência.

03 dezembro 2010

Não ver para além da cerca

"The definition of life has just expanded," said Ed Weiler, NASA's associate administrator for the Science Mission Directorate at the agency's Headquarters in Washington. "As we pursue our efforts to seek signs of life in the solar system, we have to think more broadly, more diversely and consider life as we do not know it."

O texto de onde foi extraída esta citação é todo ele um reconhecimento da profunda ignorância e cegueira que alastram onde menos deveriam alastrar.
Nada a que não me tenha referido anteriormente (por exemplo, aqui e acolá).
Só que desta vez o disparatado preconceito é assumido com todas as letras.

02 dezembro 2010

Ter sangue de escravo

Há quem o tenha.
Seja secundário, subalterno em tudo.
Principalmente na obra, nas ideias.
Copiar dos outros sem dizer que o fez. Furtando, sejamos precisos.
Escravos e cobardolas.
Dois exemplos de escravos a reter:
http://www.riomira.com/index.php?option=com_content&view=article&id=2263%3Adescarrilamento-de-1954&catid=8%3Asociedade-&Itemid=1
http://pravdailheu.blogs.sapo.pt/314622.html?view=735230#t735230

Descubra as diferenças.


Nota (cerca das 9:00 de 3 Dez.):
O link de cima leva agora à mesmíssima coisa, com a pequena diferença de que lá aparece (sem link) o endereço do post original.
Sem nome, sem qualquer outra indicação, sem pedido de desculpas.
Como se lá tivesse estado desde o início. Substancia isto ainda mais o que acima disse.
Nota (cerca das 12:30 de 3 Dez.):
O Pravda Ilhéu emendou a mão. E bem.
Palavras para quê?


Priberam, 2 Dez. 2010


"Judite degolando Holofernes", Caravaggio, c. 1598 in Galleria Nazionale d'Arte Antica, Roma
Sopas depois d'almoço

Não apareceu ninguém para apostar contra mim.

01 dezembro 2010

O sótão dos links

Um sótão, uma cave, um celeiro são, toda a gente o sabe, antecâmaras da morte de objectos.
Alguns têm a sorte de escapar à destruição lenta quando uma paixão esquecida se reacende ou um prosaico comprador de velharias passa à porta. Os outros seguem o seu destino insondável para além da morte do proprietário.
Tenho uma multitude de objectos nessas condições.
E também os tenho, como toda a gente, nos discos do computador.
Dei-me há uns tempos conta que, tal como a traça, o caruncho, a formiga branca, a água, os ratos e outros que tais dão conta dos objectos que espalhei por várias moradas também o defeito electrónico corrompe os que aqui vou depositando e esquecendo.
Na tentativa de reorganizar os links a que recorro com mais frequência, alarguei o campo das manobras e detive-me numa pasta que contém links antigos.
Muitos deles estavam corrompidos desde a febre que assolou o disco que se finou faz para aí um ano.
Não custa nada ver-me livre deles. Não levam já a lado nenhum.

29 novembro 2010

Concelho de Quarteira

Uma voz feminina disse há pouco na SICN que o concelho de Quarteira tinha sido muito afectado pelo sismo simulado hoje no Algarve.
Nada se ficou a saber em concreto sobre o concelho de Loulé.
Queixinhas ou como os segredos já nem estão em saldo

Quando as informações se tornam demasiado irrelevantes e deixam de poder ter utilidade e valor para merca, saldam-se como curiosidades.
Quando nem nos saldos há quem lhes pegue, oferecem-se.
Tanto barulho por nada.
Queixinhas ou como já não sou capaz de guardar um segredo

Sem receio de quebrar confidências, ocorre-me, sei lá por quê, que a queixa que ainda hoje elejo como a principal foi a de alguém que me dizia que os seus próprios pais se davam demasiado bem.
Fê-lo pelo menos duas vezes, com um intervalo de cerca de vinte anos.
A razão de queixa seria a de que a atenção que a pessoa julgava que merecia dos pais era afinal concentrada um no outro.
Ainda que tenha tido todo o respeito e todos os cuidados de higiene, alimentação, educação e instrução num grau muito acima da mediania.

28 novembro 2010

Paralelo 38

Entrementes, também sobre o paralelo 38 norte, mas em local muitíssimo mais pacífico...


imagem do Google Earth


Nota: lá pela infância, lembro-me de ouvir amiúde falar num afamado restaurante com o exacto nome de "Paralelo 38". Dou-me conta de que não seria sobre o dito. Nem sequer perto.
O que me leva a pensar que se referia mais à linha coreana e menos à proximidade geográfica.

27 novembro 2010

Bola

O campeonato está arrumado desde Setembro, disse-o aqui.
Por mérito do Porto – desde a época 95/96, por referência aos três pontos por vitória, que nunca esteve melhor do que este ano à 12ª jornada. Esteve em igualdade de circunstâncias por três vezes. Duas delas com mais quatro jornadas para o fim.
Por demérito de Sporting e Benfica.
O Sporting só esteve pior na época passada.
O Benfica, com menos um jogo, esteve pior em quatro épocas, igual em três e melhor nas restantes oito.
Concorrem portanto as duas circunstâncias: força do Porto e fraqueza de Sporting e Benfica.
Em 2008 aconteceu o mesmo.







a verde, os anos com piores classificações; a vermelho, com melhores; a branco, em igual aproveitamento
Bola

Tinha o palpite de que o Sporting ganharia o jogo. Acho que será furado.
Ao ver um bocado desta segunda parte, só me dá para comentar o seguinte:
Não se conseguindo ganhar a este Porto de cabeça perdida, não se ganhará a ninguém.

26 novembro 2010

Queluz, 2008

Vista tomada pouco mais de 40 anos depois da que está em baixo.
De um ponto fora da dita, à esquerda de quem vê, e pouco acima das linhas de fileira dos prédios.
Num dia de chuva intensa, em que voltou a morrer gente no rio Jamor.

Memória da noite de há 43 anos


fotografia de "O Século" depositada no CPF, in "Os anos de Salazar", Planeta deAgostini, 2008

Que aviva a da manhã seguinte.

25 novembro 2010

Que é feito da puericultura?

Imagens de gazelas, lolitas e marias-rapaz com cadernos enfeitados, forrados, dobrados ou riscados, com a palavra Puericultura escrita povoaram-me de um ar a memória.
Não saíram de sonho algum.
Saíram de uma gaveta igualzinha à que tem lá dentro o Júlio Isidro a exibir ripas de balsa e a montar modelos de aviões.
Que é feito?

24 novembro 2010

Grevista

O estatuto do grevista é um estatuto de subordinado, de dependente, que indica inferioridade.
Quem quer que se vista com tais vestes, reconhece essa inferioridade.
Quem quer que tenha funções subordinantes, desce do púlpito.
Vulgariza-se.

23 novembro 2010

Falta de

A maior parte da publicidade apela para tudo menos para a razão.
Não vale a pena determo-nos nisso.
O que é caso curioso é quando apela para a razão e o faz com um disparate de que qualquer criança se apercebe.
Como é o caso desta publicidade da Sony que descobriu que quando se fotografa nunca se apanha o universo completo mas não tirou daí as consequências dessa afirmação.
Às vezes, o disparate é intencional. Não creio que o seja neste caso. Presunção minha.


publicidade na Revista do Expresso de 20-11-2010
Desgraças no mar

20 novembro 2010

Pacifismo

Disse aqui há tempos que começaria a levar a sério uma certa tropa dita ambientalista no dia em que ela começasse a dizer que é preciso reduzir a população mundial.
Digo agora que começarei a levar a sério uma certa tropa dita pacifista no dia em que a ouvir dizer que é preciso exterminar a raça humana.

19 novembro 2010

Tradução instantânea

Estou aqui a ouvir Rasmussen e a intérprete de português cuja tradução soa em dois canais – SICN e TVI24.
Tenho a perfeita consciência da minha incapacidade para uma tal coisa.
Talvez por isso valorize mais quem o faz.
A intérprete tem sido irrepreensível, considerando a tarefa.
Lembrou-me a cimeira de 1996 da OSCE em Lisboa.
O intérprete que um canal de televisão lá colocou não fazia a menor ideia do que era tradução instantânea.
Depois de ter gaguejado, parado e quase chorado, disse algumas vezes “mas é impossível...”.
Foi substituído, ao fim de um dos mais longos períodos de bizarria televisiva, por alguém com a mesma desenvoltura da senhora de hoje.
A diferença entre os capazes e os incapazes é, afinal, fácil de traçar.

17 novembro 2010

Da bola (cont.)

Não estamos esquecidos das péssimas exibições da selecção nacional de futebol em tempos recentes.
Mas aqui vejo substanciada a minha opinião de que, nos últimos jogos oficiais, as equipas portuguesa e espanhola se equivaleram.
Portugal tem uma das melhores equipas de futebol de todo o mundo. Não é preciso o ranking da FIFA para sabermos isso.
Tal como no anúncio acho que do iogurte, faltou “um bocadinho assim” em algumas ocasiões, para trazermos a taça. Aos espanhóis não faltou nos dois últimos anos.

Hoje, porém, não faltou nada. Foi um olé a feijões.
As oportunidades nem sempre se repetem. Quando é a sério.

adenda da responsabilidade do jornal "Marca":
Da bola

Dos últimos jogos oficiais com a Espanha – 2004 e 2010 – ficou-me a ideia de que se o resultado fosse o inverso, ninguém ficaria escandalizado.
aqui o disse.
A ver vamos o que dá este amigável.
Do último (0-3 em Guimarães em 2003) não ficaram grandes recordações.
Nesse sim, o resultado espelhou bem o que se passou em campo.

16 novembro 2010

Teoria do campo onírico

E era neste comboio que eu dormia, no competente wagon-lit, algures na Linha de Sintra.



Talvez ainda venham a lume, a talhe de foice, as circunstâncias que aqui desembocaram.

15 novembro 2010

Futuro

Qual a altura da torre São Rafael (ou seria São Gabriel?) no Parque das Nações? – era a pergunta do concurso televisivo.
As respostas mais disparatadas foram 12 m e 1000 m.
Ambas foram dadas por professoras.
É este o futuro que se prepara para o país.


Correcção: calcular a altura de uma torre qualquer em 12 m não é um disparate. Só o é sabendo de que torre se trata. E saber de que torre se trata não é propriamente uma exigência para qualquer professor.
Já responder 1000 m é não ter a "noção das proporções", coisa que se requer em qualquer professor, de qualquer área.

14 novembro 2010

Da idade e das falhas de clarividência

Uma coisa que me assusta ou que me assustou e já não me assusta ou que me assusta cada vez menos é não ter a paciência, a concentração e a clarividência para, por exemplo, ao construir um algoritmo em que entra uma constante k (que é de cálculo simples), encontrar o seu valor pelo dito cálculo mas ir lá por iterações.
Uma espécie de bilhar à zona.

13 novembro 2010

Imagem do dia



E não. O carro não é meu.
E sim, foi a primeira vez que vi um carro novo com a matrícula errada na papelada.

12 novembro 2010

Câmbio

Quando ouço falar em propostas de regular câmbios entre diversas moedas – regular como, em favor de quem? – ocorre-me a velha história dos vizinhos em guerra que me foi contada lá na tenra idade em que era preciso perceber os paradoxos e testar a lógica:
Os carrapatenses estavam em guerra com os pulguícaros.
A moeda de Carrapatécia era o carrapato, claro. Enquanto a de Pulguícara era a pulga.
Abertas as hostilidades, o governo de Carrapatécia decidiu que a sua moeda, o carrapato, haveria de valer duas pulgas e não mais uma – que a paridade tinha sido frequente em tempo de paz.
Os pulguícaros, de imediato, retorquiram – a pulga passou a valer dois carrapatos.
Não tardou que os fronteiriços, arteiros no contrabando, iniciassem jornadas que tais:
Os de Carrapatécia muniam-se de mil carrapatos, que era muita massa, trocavam-nos na sua terra por duas mil pulgas e, cruzando a fronteira, aventuravam-se em país inimigo onde gastavam mil e quinhentas das duas mil pulgas e trocavam as restantes quinhentas por mil carrapatos.
Logo tornavam, a salto, ao país natal com os alforges cheios e o mesmo dinheiro com que tinham saído de casa. Tudo legal, excepto o contrabando e a violação da fronteira.
Os de Pulguícara haveriam de lhes ficar atrás?

11 novembro 2010

11 de Novembro



clicando, ouvirão a Madelon
imagem composta a partir de duas encontradas aqui e acolá

10 novembro 2010

Um número tipo-Erdős

Tenho a ideia de que a maioria das pessoas se deteve já a magicar sobre as redes de conhecimentos – sobre quem conheceriam os seus conhecidos e sobre quantas pessoas seriam precisas intercalar, partindo delas até se chegar a determinado indivíduo.
Alguém deu a esse número, com uma pequena diferença de conceito, a designação de número de Erdős.
Não se trata de nada mais do que do número de passos do caminho mais curto entre dois nós, numa dada rede.
As actuais redes sociais virtuais possibilitam a quem as gere obter uma boa aproximação sobre a moda desse número.
Ou seja: considerando, por exemplo, o universo do Facebook, qual será a moda do número mínimo de passos necessários para se ir de um indivíduo a outro, aleatoriamente escolhidos?
Qual será o número inteiro a partir do qual, temos apenas uma percentagem marginal de relações binárias indexadas a esse número e aos seus sucessores em ordem ascendente?
Qual será a correlação que existe entre uma amostra feita no Facebook e o mundo real?
Qual será o número tipo-Erdős mais frequente na ecúmena, considerando pessoas que se cumprimentaram pelo menos uma vez?


exemplo meramente ilustrativo e sem significado a partir de um mapa do Facebook
(clicar para ampliar)

09 novembro 2010

FCP



Desde a 6ª jornada que o Futebol Clube do Porto parece ter o titulo assegurado.
Isto por comparação com o que aconteceu nos últimos quinze anos.
Não há nenhum caso em que uma tal diferença de rendimento – 100% para o Porto contra 61 % de Académica, Braga e Guimarães que eram então os segundos classificados exaequo – tenha sido superada nos jogos restantes.
O Porto é portanto campeão no final de Setembro!

Não sou propriamente um apreciador das cores portistas. Não que não torça pelo Porto nas competições europeias, mas fico incomodado com o grupo de pessoas que, à volta dele, acendem uma certa raiva anti-lisboeta e anti-sulista.
Raiva essa que não se nota em mais clube nenhum, do norte ou do sul, do continente ou das ilhas. Raiva da qual acabam por ser vítimas, por ricochete.
Essa raiva, extravasada dos lindíssimos contornos do Estádio do Dragão, só tem algum paralelo recente nas declarações de alguns madeirenses.
Quanto ao clima cismático que pretende criar, excluindo os episódios madeirenses, só indo buscar a linha de Rio Maior em 1975 ou o nebuloso caso do movimento independentista algarvio se encontram similitudes. Num contexto completamente diferente.

O Futebol Clube do Porto, apesar de ou contando com esta singularidade, merece o crédito das suas façanhas futebolísticas.
Mas não cria simpatias entre os que hostiliza, directa ou indirectamente.

08 novembro 2010

Coordenadas

Então trata-se de encontrar os pontos estruturantes do desenho, em coordenadas esféricas.
Adaptadas aos hemisférios, e em proporção resultante da média de ambas (uma é rectangular, outra quadrada e a cruz tem nas duas proporções diferentes em relação à altura), de um lado, a bandeira da Cruz Vermelha, do outro a da Suiça.
Isto para ilustrar a bola que ressaltou nas cabeças dos que acompanhavam à última morada uma de duas pessoas.
Vista de um balão goodieariano, em trajectória ascendente, depois de uma justificada e indignada charutada desferida por um dos circunstantes.
A história é muito mais complicada do que os cálculos.


imagem adaptada do Google maps

04 novembro 2010

Os mercados



Vai para um quarto de século, ao balcão do banco onde fazia as minhas apostas na bolsa, um alpaca, acenando com um folheto, enumerava-me, de acordo com as tabelas constantes do dito folheto, as vantagens de ir a uma certa OPV.
Depois de o ouvir até ao fim, respondi-lhe que considerava esta coisa dos mercados mais como um reflexo do faro de alguns e menos como uma sólida consequência de uma conta de somar. A palavra que usei era uma derivada de psique, disso recordo-me.
E apesar de não ter a menor recordação da cara dele – ainda que considere ter uma razoável memória fotográfica – tenho a lembrança do tipo de morfologia indumental e do ricto que talvez significasse a distância benevolente face a um indivíduo mais novo e mais ignorante dos segredos da vida.
Passava-se esta cena no tempo fervilhante que antecedeu a noite do “gato por lebre”, única ocasião em que um político me fez sair da cama mais cedo. No dia seguinte, à primeira hora, dei ordem para vender tudo.
Talvez ao mesmo alpaca.
Muitas vezes até hoje me lembrei dele.
Por ter achado que ele estava convencido do que dizia, ao contrário do que sucede com o vulgar vendedor.
É isso que acho muitas vezes a propósito daqueles que, com responsabilidades, dizem não concordar (mais significativo do que não perceber) com a evolução dos mercados - que estão mesmo convencidos do que dizem.
Não digo que não seja um grosseiro erro meu. De avaliação.

03 novembro 2010

Os bois



Como é preciso arrumar os bois partidários em manjedouras (sempre a olhar para um palácio) admira-me que esta iniciativa para criar uma comissão ainda não tenha sido copiada cá.
Sem submissão a sufrágio, naturalmente, e com fundos do erário público.
Será por causa dos cortes na despesa?

02 novembro 2010

O obamismo

Gerou o Tea Party.
Equivalem-se em profundidade. Em substância.
Os que criaram o mito Obama, creram na mais velha das crenças: serem todos mais felizes, mais ricos, mais saudáveis, mais bonitos por causa de um só homem.
Os outros crêem na mais velha das crenças, antes daquela e vice-versa, que é tudo simples desde que reduzido ao canónico. Um argumento (crença) de rabo na boca, perto de La Palisse.
Por se equivalerem em profundidade e substância é que germinam (germinaram) a par, na mesma terra.
Uma soma de zeros dá zero.
Classificá-los, a uns e outros, com outros apodos é não atentar à soma.

As meninas do Tea Party fariam as delícias de um velho amigo. Que assevera haver um tom de voz que é inequívoco quanto à capacidade mental das mulheres e que gosta delas assim.
Quanto a mim, não estarei instalado na residencial das eleições americanas.
Ou seja, um sítio de eleição para os primeiros dias de Novembro.

01 novembro 2010

Terrorismo

Não faço a menor ideia se estes alertas para o terrorismo que volta e meia são substanciados por episódios mais ou menos rocambolescos são ou não legítimos.
Acho irrelevante que o sejam ou deixem de o ser.
O que é relevante e notável é que o mundo ocidental tenha estado a salvo de um atentado de grandes proporções desde Julho de 2005. Há mais de cinco anos.
Isto significa que tem sido feito muito bom trabalho de sapa. Não pode haver disso a menor dúvida.
O que não quer dizer que um dia destes não sejamos atacados em grande escala pelos nossos inimigos. Por uns inimigos que nem sabemos que temos.
É uma questão de tempo, apenas.
Classe média

Estou um bocado farto de ouvir a classe média queixar-se de que não pode trocar de carro, ir de férias para o estrangeiro, comprar uma televisão plana, ir ao cabeleireiro ou ao restaurante todas as semanas, etc. etc..
Os pobres não passam bem nos telejornais, é certo.

31 outubro 2010

Restos de colecção (73)


em clicando, ampliará
Tac tac bagatelas

Há-de haver uma razão maior para David Cameron ter recebido (para as objectivas) Angela Merkel, de mangas arregaçadas.
Ou não.
Das horas que são

Atentando às pretensões dos insatisfeitos com a mudança da hora, percebe-se que a maioria o que quer não é este ou aquele fuso horário, quer dias mais longos. É só isso. E não lhes fazem a vontade.

29 outubro 2010

Serão loiros ou ruivos?

Os Maomés ingleses e galeses.
Raoul’s umbrella*


© Disney / Cameron Mackintosh - imagem encontrada aqui

Confirma-se. Foi em 1994, pelo São Miguel, na feira de Ourique, a última vez que comprei um chapéu de chuva.
Um daqueles azuis, a sério. Que ostentei, alardeando a minha deambulação feiral com uma namorada improvável.
Esse outono e esse inverno e os do ano seguinte terão sido provavelmente os últimos em que me dotei de tal adereço para me abrigar da chuva.
Faço conta de ir hoje comprar um.
O que dá, se só andei duas invernias com o último, quinze anos. Mais perto de um terço da minha vida do que de um quarto.
Isto deve querer dizer qualquer coisa sobre:
A meteorologia dos últimos anos nos locais onde costumo hibernar.
Os meus hábitos de vida e de indumentária.

O cajado do de Ourique vai dar uma belíssima bengala.

*jogo de palavras enigmático.