31 dezembro 2011

E depois, ao fundo, à direita



De facto, as minhas expectativas para o ano que entrará são boas. Ao contrário do pessimismo e do sempremesmismo que antecedeu, na minha cabeça, os últimos anos.
E eles têm correspondido, regra geral, ao que deles espero.
Bom Ano Novo!

28 dezembro 2011

Energia atómica


imagem da CNN

Passaram nove meses e meio sobre o desastre no Japão e, aparentemente, não há razões para suspeitar que a destruição de instalações de produção de energia por desintegração nuclear tenha provocado ou venha a provocar danos consideráveis na saúde das populações circunvizinhas.
E dificilmente se consegue encontrar um quadro mais desfavorável do que o que ali ocorreu.
A imprensa oscila entre a omissão de tal constatação e a afirmação de que o grande risco da energia nuclear é público e notório tal como ali se vê.
O que significa que vê enormes riscos onde, até prova em contrário, se percebe que os mesmos são reduzidos.
E esta ideia, como muitas outras, é pousada como um véu mental por todo o orbe.
Afinal, é preciso acreditar em qualquer coisa.

27 dezembro 2011

Um traço por cima



Das injustiças que, sobranceiramente, me fizeram encolher os ombros ao longo da minha longuíssima carreira discente, recordo hoje uma não sei a que propósito:
Tratava-se de um trabalho de levantamento topográfico de uma zona rústica.
Algures existiam pinheiros agrupados.
Na legenda escrevi pinheiral. Pareceu-me naquele momento mais próprio do que pinhal, para os devidos efeitos.
Na volta do correio, que é como quem diz, quando recebi a classificação do dito, a designação pinheiral estava riscada.
Quando perguntei à assistente (passava-se isto no ensino universitário estatal) que razão havia para tal risco, respondeu-me secamente que tal palavra não existia.
Poderíamos estar aqui, ou eu lá com ela desde então até hoje, a tergiversar sobre a existência das palavras e sobre o conceito de consagração das ditas. Aqui seria um gosto se isto fosse um sítio para dizer e ouvir coisas.
Com ela pareceu-me então inútil, tanto que não argumentei.
Ficou para hoje, que ela não me lê e que eu sei lá por quê, me lembrei disto.

26 dezembro 2011

Factos e figuras do ano

Vamos lá então. Ainda que faltem cinco dias e tal.
A coisa não tem muito que se lhe diga.
No globo, o terramoto e maremoto no Japão e o Coronel Kadhafi são incontestáveis.
Por cá, a final da taça da Europa entre Porto e Braga e o Paulo Futre.
Disse.
Pelos vistos, isto agora é ano sim, ano não.

22 dezembro 2011

O ano em revista

Em estilo de televisão dita tablóide – isto dos formatos tratados pela semântica... – os acontecimentos do ano bem que poderiam ter sido uma mulher despeitada que rouba o gato a outra e uma criança de dois anos que agrediu outra um pouco mais velha.
Ainda estou indeciso entre a facilidade do mercado se surpreender com coisas triviais e a facilidade do mercado não se surpreender com coisas excepcionais.
Onde está mercado leia-se pagode dito evoluído e informado do século XXI, com muitos carimbos de competências certificadas.
Posto isto, resta-me dizer que gosto de ver a Sky News por ser um canal que pretende cobrir tudo e que por vezes consegue chegar onde os outros que aqui posso ver, não chegam. Em directo.
E no directo dispensa-se a intermediação do jornalista. Com a devida calibração de enquadramento.
Já me justifiquei de mais. Mas também me queixo de mais. Burramente.

21 dezembro 2011

Negar as evidências

Um tipo que nega ter acontecido algo a que não poderia ter assistido e do qual só tomou conhecimento por relatos de terceiros, vivos ou mortos, pode ser incriminado.
Um tipo que nega ter acontecido algo a que assistiu, é deixado em paz.
Num mundo de doidos, as coisas passam-se assim. Criminalizando afirmações descabidas ou não.
Ainda vai preso o Zé Pardal por desdizer o Manel Pardelha no caso da camisola nº2. Ou vice-versa. Ou, o mais certo, ambos.
E que 1+1≠2? Alguém se atreve?

19 dezembro 2011

A transferência dos sonhos

Sucedeu então que me dei conta retroactivamente da legitimidade do gesto.
Do gesto que eu entendera proibido.
As lolitas acabam invariavelmente por envelhecer, salvo as que alcançam a imortalidade.
Rejuvenescem, por vezes, nos sonhos dos homens que as deixaram passar.

18 dezembro 2011

Serviço público - o número da bola

Tal como ameaçado, a coisa está consumada.



E não se exclui a possibilidade de haver mais números da bola. Da bola de cá-de-chumbo, como diziam os eruditos.

17 dezembro 2011

Pensões de reforma

A parte inevitável no cálculo das futuras pensões de reforma é a redução do coeficiente a aplicar sobre o valor da contribuição global do pensionista enquanto activo. Serão mais baixas, ponto.
Lançar um tecto sobre as pensões já é mera politiquice.
E os argumentos para tal aduzidos são de uma escancarada indigência mental.

16 dezembro 2011

A torre do Aleixo

Com a primeira demolição com explosivos de uma das torres do bairro do Aleixo, vai mais do que um edifício devoluto. Vai a ideia já morta de armazenar o operariado em megatérios. Não a ideia materialista e prática de o fazer junto das fábricas, por economia de esforço. Mas a ideia romântica assente naquilo a que uns quantos chamam de ciência social, de que a forma adequada de armazenar os efectivos e potenciais moradores de bairros de lata era em torres destas.
Pseudociência e modismo. O porque sim, porque é o que a vanguarda artística decidiu propôr ou prepôr.
E assim cai.
À força de bombas.
E outra ideia poética travestida de científica se levanta. Se levantará.

adenda cerca das 10:00:

A RTP diz que há um condicionamento numa área de 8 km (aos 2:50 deste trecho noticioso).
O que será uma área de 8 km?
E onde é que foram buscar os 8 km?

15 dezembro 2011

O Natal dos hospitais

Há quarenta anos atrás, a dúvida surgiu-me - a quem se destinaria o Natal dos hospitais?
Depois de ter permanecido trinta e três dias em clausura, grande parte deles naquela letargia que dispensa companhia e focos de atenção, deparou-se-me tal ocorrência pouco tempo depois da alta.
Talvez a uns quantos miúdos numa fase mais saudável da doença. Desde que estivessem no hospital aprazado e com paciência para estarem sentados umas tantas horas.
Mas tudo aquilo me parecia descabido. Ainda hoje me parece.
Melhor dizendo, é um programa de televisão que faz lembrar aos sãos os que estão presos a uma cama.
Talvez por isso tenha afinal algum mérito.

12 dezembro 2011

Inconstitucionalissimamente

Ora aí está!
Uma vez em que esta bizarra palavra, que vem ad hoc das charadas, se afigura necessária para ilustrar o modo de pensar dos que julgam que considerar um limite para um deficit como palavra da Constituição tem algum tipo de relevância para a vida nos anos que temos pela frente. Ou para quaisquer outros, sendo que a ideia se refere aos que temos de imediato pela frente.
E é isto que esta gente anda a discutir!
Inconstitucionalissimamente e rematadissimamente...
Uma espécie de boletim

Há quem compre estações meteorológicas (é um dos meus sonhos de consumo) e quem se dedique voluntariamente a recolher dados de forma sistemática.
Dados esses assim recolhidos que informaram durante décadas os boletins oficiais.
E há quem faça coisas destas, com um método muito pouco científico, mais poético do que prosaico como conviria à precisão:


(clicar para ler, ende querendo)

10 dezembro 2011

O meu reino por uma macro

Há, cada vez mais, uma cópia de ocasiões em que suspiro por uma macro que me substitua em trabalho de escravo.
Os erros que cometo assustam-me.
Em matéria de coisas feitas aqui na máquina e susceptíveis de a ela serem ensinadas, prefiro perder tempo a ensiná-la a fazê-las do que a corrigir depois os erros deixados por mim.
A concentração a que a programação obriga, muito depressa se dilui no trabalho repetitivo.

06 dezembro 2011

No Dragão

Estou a ver um massacre. Sem mortos, sem golos, digo.
Vem aí a Ângela!

Parece-me que estou num pátio de um infantário onde um dos petizes convenceu os outros de que vinha aí a coca ou o velho do saco.
Verificou esse que todos os outros eram acagaçáveis.

05 dezembro 2011

Vamos à Lua!

Há uma vida atrás, numa tasca em plena Estrada de Benfica havia um magnífico quadro ou retábulo (não sei se lhe não hei-de chamar ex-voto) que consagrava o Grupo Almoçarista Fomos (ou Vamos, esta memória...) à Lua.
Era uma bela composição com as fotos dos baconautas e a competente nave alunada (estaria alunada?... esta memória...). E tinha uma data que a mesma memória que aqui já tanto pus em causa, situa nos finais dos anos 50, princípios de 60. Visionários, portanto.
Se quiser ser poético e simbolista, poderei dizer que acho que acabava por entrar lá mais vezes por causa do ex-voto do que pelo vinho ou pelos petiscos, dos quais não me ficou memória asseada.

Estava ali, num sítio já distante da recordada Estrada de Benfica, por detrás do balcão, e também já ilibado da cena de tiros ocorrida havia pouco e da qual um pedaço de chumbo torcido cravado na ombreira esquerda, de quem entra, da porta do corredor ainda era testemunho, quando me decidi a ligar um computador portátil que afinal nunca possuí e cuja posse pretendo postergar até que a tal seja obrigado.
Dessa ligação resultou uma outra, a uma rede social qualquer, e note-se que das redes sociais digo o mesmo do que dos computadores portáteis, que me informou em directo, simultâneo e a cores de que o carola cujas palavras estava lendo tinha acabado de fechar um negócio da China. Da China, não sei, agora todos sabemos como são os negócios dos chineses mas dos da China estamos menos bem informados.
Adiante. O que homem queria dizer, a mim e aos outros da simultânea, era que tinha acabado de comprar o negócio montado pela Virgin para a ida à Lua.
Os da Virgin, sabe-se lá por quê, depois das voltinhas à volta da Terra tinham decidido ir à Lua e depois não.
E era nesse não que se agarrava o nosso carola, eu próprio, e uns quantos mais, mal dormidos na certa. Ou mal deitados, que vem quase a dar no mesmo.
Ao nosso carola só lhe faltava uma coisa – o dinheiro. Por isso começara naquele mesmo momento atrás referido ou um pouco depois uma subscrição para o arranjar.
Já tinha na página um local, como nos cartazes das festas das nossas aldeias, em que se iam somando logotipos de empresas nacionais, adiante se verá a razão de serem e só serem nacionais, e o não menos competente contador de euros que, surpreendentemente ou não, deixava antever que, àquele ritmo, descontando é claro a tesão do mijo, chegaria a bom porto ou neste caso à mala para entregar aos da Virgin até ao fim do mês. Mais do que dentro do prazo de não sei quantos dias (não sei mesmo, não foi a memória que aqui me traiu) que a Virgin tinha estabelecido para fechar o negócio.
Eu, atrás do balcão, tinha deixado de prestar atenção aos pedidos dos clientes e apenas os convencia das maravilhas que uma tal empresa aportava à Pátria, já que o carola fazia questão, sabe-se lá como poderia ele certificar-se de tal, de só aceitar contributos lusos, agindo assim eu como agente empenhadíssimo de tal indústria.


Não é preciso dizer que acordei tarde e a más horas.

04 dezembro 2011

Serviço público

Um destes dias, será prestado um serviço egoísta à comunidade.
As Ruas Com Dias resolveram colocar uma placa a dizer “Rua Cinco de Fevereiro” num local onde tal placa não existe e deveria existir.
Dota-se assim a caderneta de cromos de uma espécie de número da bola, do tal cromo carimbado que dava direito a uma bola de futebol.
Falta o gosto a rebuçado na boca. Daqueles rebuçados.

03 dezembro 2011

No doubt

“No doubt the universe is unfolding as it should”
Trecho do poema “Desiderata” de Max Ehrmann, celebrizado por Les Crane

Um exemplo exemplar de certezas certas.
Das mesmas com que nos confrontamos diariamente.

02 dezembro 2011

1959 - O ano em que as águas se soltaram


imagens colhidas aqui e acolá

O ano de 1959 começou e terminou com duas catástrofes semelhantes.
A primeira ocorreu em terras de Zamora, Espanha. Interessei-me por ela por ter coincidido quase com a hora em que nasci.
A segunda ocorreu junto ao Mediterrâneo, na Riviera francesa e só dela soube há alguns meses.
Distantes no espaço cerca de 1100 km e no tempo de 327 dias. De 9 de Janeiro a 2 de Dezembro.
Em ambos os casos, a ruptura de barragens mal projectadas ou mal construídas fez com que as águas sepultassem centenas de pessoas. Cerca de centena e meia em Espanha e mais de quatrocentas em França.
Faz portanto hoje 52 anos que ocorreu a segunda.
Aqui fica a nota e algumas ligações para imagens de televisão (de Espanha, a vermelho; de França, a azul):




Cresci com uma profecia até hoje falhada de que em Portugal sucederia o mesmo.
Boa nova

A Nação também se faz destas alegrias.
E o cimento de que ela se faz tem um categoria directamente proporcional ao grau destas emoções.

01 dezembro 2011

Argumentário inútil

Pela Pátria não se argumenta.
Pela Família não se argumenta.
Erguem-se, constroem-se, defendem-se. Mas não com palavras.

30 novembro 2011

Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença sétima ou corruptela

A fideputa da vida, de dias é um par e o carnaval é terno.

28 novembro 2011

Inseguro é o Estádio Nacional (II)

É claro que há algum tempo lá puseram cadeiras estilhaçáveis e combustíveis. Era preciso fazê-lo para o tornarem mais “seguro”.
Quanto aos cro-magnons do costume, a técnica do aproveitamento piezoeléctrico de energia já existe e está experimentada.
Não é preciso deixá-los atear fogos.


fotografia de Patrícia Melo Moreira / AFP in JN

27 novembro 2011

Curiosidades

Estava capaz de apostar que a bordo do MSL (Laboratório científico marciano) lançado há menos de 24 horas se encontra uma aplicação capaz de implantar o fado como canção nacional no planeta vermelho.
Afinal não era esse o desígnio de Alfredo Marciano e do seu inseparável Miltinho Neném?

26 novembro 2011

Expresso

Naquela linha que aqui referi há algum tempo, o Expresso ofereceu há uns meses e publicitou largamente a oferta, umas biografias de célebres.
Nessa publicitação e na capa ou lombada nem uma única menção ao autor. Nem sempre era sequer referido na contracapa. Quem se relevava era quem tinha escrito o prefácio.
Só aparecia o nome depois que se abria o livro.
Voltou o Expresso a oferecer e publicitar biografias de célebres. Desta feita, na capa vem o nome do autor.
Ainda que com menor destaque do que o do autor do prefácio, esse sempre publicitado. Bizarros critérios. Apontados para certo tipo de mentalidades.
Pode sempre dizer-se que uma biografia é escrita pelo biografado a cada dia.
Mas, caramba, alguém compilou as coisas e as escreveu. Bem ou mal. E um prefácio, excepções raras, é palha.

A cavalo dado não se deveria olhar o dente.
E ninguém me manda comprar o Expresso desde sempre. Mas são coisas que chateiam.
E eu que nem passo cartão a biografias.


(clicar para ampliar)

25 novembro 2011

O esquecido terramoto de 25 de Novembro de 1941



No dia 25 de Novembro de 1941, pouco depois das seis da tarde, um violentíssimo terramoto ocorreu no mar a cerca de 460 milhas do Cabo da Roca e a uma distância quase igual das ilhas da Madeira e Santa Maria, nos Açores – cerca de 290 milhas de cada.



Este terramoto foi graduado na escala de Richter entre 7,9 e 8,4 e, de acordo com os dados que consultei, terá sido o sismo registado de maior magnitude no território nacional e mar adjacente.
Com esta magnitude elevada, apesar da distância, foi bem sentido em Lisboa.
No entanto hoje não figura nas habituais listas de sismos a que a imprensa deita mão. É um daqueles eventos apagados da memória colectiva a que só os especialistas se referem.
Desse ano de 1941 relembra-se o ciclone e a guerra.
É por isso que aqui deixo estes recortes de imprensa, a título de setenta anos contados:




(clicar para ampliar)

Diário de Lisboa, 26 de Novembro de 1941
Diário de Lisboa, 27 de Novembro de 1941
ABC Madrid, 26 de Novembro de 1941
ABC Sevilha, 26 de Novembro de 1941
La Vanguardia, 26 de Novembro de 1941

Fontes: Fundação Mário Soares (DL online) e hemerotecas de ABC e La Vanguardia

24 novembro 2011

Deleite

Camaradas, é sempre um deleite ouvir o Doutor Carvalho da Silva.
Feriado e mal pago


com a devida vénia ao Ephemera, ao Incertitudes e à CGTP e STAL.

Não sei se o dia 24 de Novembro não terá tendência a demorar-se como dia de Greve Geral. Dizem que não há duas sem três e depois de três seguidas há razão para se considerar uma série.
Devia o governo considerar esta hipótese.
É feriado, como pretende o trabalhador, e não é pago, como pretende o patrão.
Sendo feriado, dá aos trabalhadores algum descanso excepto aos que se dedicarem aos piquetes, impondo o feriado aos renitentes.
Não sendo pago, tem impacto sobre a produção mas não sobre a produtividade (hum).
E para além de tudo o mais faz bem aos fígados dos que se manifestam, gritando os seus impropérios e clamando por desiderata.
Claro que prejudica uns quantos desgraçados que precisam de se transportar ou de se tratar, por exemplo.
Mas nada que não se resolva.
Mais feriados destes resolviam em parte a questão que ora se debate se se há-de extinguir ou não o feriado de 7 de Junho.
Por mim extingue-se.

23 novembro 2011

Referências

Uma das coisas que eu calculava possível mas não sabia ao meu alcance era esbarrar literal e materialmente com um paralelo.
Foi o que aconteceu no momento em que tirava esta fotografia. Como se pode estimar pela presumida posição do ponteiro do velocímetro, a colisão foi a baixíssima velocidade.

22 novembro 2011

Praça pública

Ouvi uma jornalista referir que alguém teria dito que preferia que um certo processo judicial fosse discutido no tribunal e não na praça pública (coisa que me parece ser repetida amiúde).
A verdade é que não se pode impedir que a praça pública discuta a vida alheia. Tenha ela consequências sobre as vidas dos discutidores ou não.
Faz parte do mundo. As coisas são assim.
Ainda que se lamente que a imprensa, de uma maneira geral, discuta os processos em curso como os discutiriam duas ignaras comadres, é disso mesmo que se trata – de um lamento.
E os lamentos de pouco servem.
Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença sexta

Uma surpresa é o choque com a realidade mal percebida.

21 novembro 2011

É automático!

Aquela rábula de não pensar como é que se faz o café porque é automático compete em imbecilidade com aqueloutra em que se dizia “Se elas [as árvores] andassem, como é que tinhas sombra?”
Será que a coisa foi estudada para um público-alvo, perdão, alvar?

20 novembro 2011

Espanha

Se Rajoy chegar, como dizem os heraldos, a presidente do governo de Espanha, a Espanha terá literalmente um governante que caiu do céu.
Não acredito que isso modifique seja o que fôr na linha de rumo que ali se segue há décadas em paralelo com Portugal. Mais PS menos PSOE, mais PP menos PSD, tudo desagua onde se vê.
Rimou.

19 novembro 2011

Proibições



Não haverá ninguém que ache ridícula e inútil uma proibição de alguém contactar outrem quando ambos têm interesse nesse contacto?

18 novembro 2011

O Fado

O fado do Fado é ser Fado. Nada mais do que isso, creio eu.
A campanha que vai agora em procissão de tornar o Fado em património da humanidade é, aos meus olhos, uma recidiva de menor engenho do que a saga que Herman José protagonizou, com o seu fadista afamado e o companheiro Miltinho Neném, de tentar implantar em outro planeta o fado como canção nacional.
Se a memória não me pregou a partida era disso que tratava a saga (não encontrei nada na net). E era muitíssimo bem escrita e dita.
Esta campanha de agora, ao contrário daquela, que me proporcionou excelentes momentos de humor, é pífia e nada acrescenta a coisa alguma.
Esta coisa das coisas serem património da humanidade traz que benefícios? Fama? É difícil a fama brotar onde nada há que distinga uma entre tantas. É quase como o símbolo de material reciclável numa embalagem. Como dizia um velho amigo, se não há cão nem gato que não seja reciclável faz sentido é que se assinalem os que o não são.
Trará dinheiro? Ao fado em geral? Onde é que o fado tem os bolsos?
Desejo-lhes boa sorte e que se entretenham enquanto a coisa dura.

17 novembro 2011

Justiça e jornalismo

A maioria dos jornalistas que ouvi hoje a propósito do caso do rapaz desaparecido há 13 anos, afirma que se espera que se descubra o seu paradeiro ou o que é que lhe aconteceu através do julgamento que hoje se inicia de um acusado de implicação no caso.
O próprio advogado da família o afirma.
Estranha presunção num caso que se arrasta há tantos anos.
Presunção que em mim acentua a sensação de que o racionalismo atirado para o cesto dos papéis é coisa que se propaga vertiginosamente.

corrigenda ainda a tempo: talvez devesse ter escrito racionalidade em vez de racionalismo.

16 novembro 2011

Falhanços

Também de falhanços se faz o indígena.
Desta feita, junto logo dois e peço quitação de tal encargo.
Nem a selecção ficou afastada do Euro nem o número de furacões de grau igual ou maior do que 3 foi superior ao do ano passado.

Em 2010:

4 Danielle
4 Earl
4 Igor
4 Julia
3 Karl

Em 2011:

4 Irene
4 Katia
4 Ophelia
3 Rina

É preciso reconhecer os palpites errados e pagar logo as apostas para se ser assanhado, digo eu.

15 novembro 2011

Tântalo

Há, nos líderes europeus actuais, uma propensão para pensarem que os seus súbditos se submeterão ad aeternum ao suplício de Tântalo.
Outros que não eles vão ter nas mãos a resposta a tal presunção.


Alciato, “Livro dos Emblemas”, encontrada aqui

14 novembro 2011

13 novembro 2011

Meridianos dias

Aqui há tempos defini aqui o equador pessoal.
Hoje represento-o. Válido, com este erro, para mim e para mais uns quantos.
Há dias que, de tão meridianos na essência, no simbolismo, suscitam estas alegorias.


traçado sobre o Google Earth

11 novembro 2011

Richter 10



Chegou-me há dias este livro. Estava para o comprar há uma catrefa de tempo mas só agora é que calhou.
Estou numa fase da leitura, ainda incipiente, em que se preparam os protagonistas para ir para debaixo do vulcão.
A coincidência do passo da obra com os desenvolvimentos recentes em El Hierro é uma fabricação minha como o são a maioria das coincidências. Elas estão em toda a parte, a todo o momento, só temos que as escolher e elaborar à nossa maneira, como quem colhe frutos de uma árvore e os descasca antes de os comer.


gráfico elaborado a partir dos dados do IGN de Espanha

A crise sísmica em El Hierro a que tenho dado atenção é, entre muitas outras coisas, também uma, mais uma, chamada de atenção para a imprevisibilidade dos fenómenos naturais.