31 dezembro 2012

Pessoalmente*

Não tem isto nada a ver com a tropa fandanga que nos comandou e comanda – raras excepções assinaladas – e as consequências dos seus actos.
Só tem a ver comigo.
Sou incapaz de prosseguir a série de alusões ao futuro que tenho feito aqui ano a ano. Ainda que, impulsivamente, tenha construído o quadro.



Não apenas por ter sido particularmente certeiro no agoiro para 2012.
Diz-se assim, com propriedade, tornar descontínua a série. Porque há o desejo de a retomar mais à frente, se ainda fôr a tempo.

*Com a acepção que lhe dá o visconde da Apúlia aos 1:51 deste filme.

30 dezembro 2012

29 dezembro 2012

Senhora dos Cabos

Esta noite deste-me uma tareia moralista.
Uma tareia com textura de peixe cozido. Não deixou marcas mas tinha espinhas.
Fomos ainda ao terraço ver o mundo. Instruídos e invectivados pelo homem da posse.
Convenci-te a regressar no meu BMW 700. O SL estava cá, estacionado onde apenas experimentámos os bancos.
Não dizias a frase que eu esperava porque não querias trair a tua própria confiança.
Foi uma espécie de enfim, tu sabes que envolveu aquela esquina mal definida.
Até hoje. De manhã.

26 dezembro 2012

Mitos

Há mitos e mitos. Uns interessantes e inverificáveis, outros parvos e cuja falsidade é facilmente verificável.
Ouvi por estes dias a já mítica asserção de que há agora menos filas de trânsito em épocas de ponta porque os condutores sabem finalmente fasear as suas deslocações ao longo do dia.
Sendo que a própria frase é já uma má formulação. O que será fasear uma deslocação? Fazê-la por fases? Não é a isto que se refere quem papagueia esta frase. Pretende referir-se a uma espécie de acordo entre os condutores, partes tu às oito, abalo eu às dez. Vale a pena perder tempo a qualificar esta noção? Não vale.
Há ainda a ideia afirmada que é por via das muitas informações de trânsito que as pessoas fogem às filas.
Se há verdade nessa afirmação – um bloqueio de uma estrada ouvido na rádio leva com grande probabilidade os condutores a mudarem de percurso, também é preciso avaliar o impacto que tem nesses mesmos condutores ouvir que a estrada tal está desimpedida, circulando o tráfego com grande fluidez. Se houver muita gente a quem tal estrada sirva, não se irá acumular lá esse tráfego dirigido pelo ouvido?
É uma ciência cheia de falhas e com pouco ou nenhum estudo feito.
Mas uma frase destas há-de fazer bem a alguma coisa. Caso contrário não seria dita. Ou seria?

25 dezembro 2012

24 dezembro 2012

Restos de colecção (78)

3 números - 5$00.
Verso e lista de prémios do sorteio de Natal da Liga de Cegos João de Deus, em 1965 - aqui.


(clicar para ampliar)

23 dezembro 2012

Janela (Não vejo a Fernanda)

Desta janela
Não vejo Cacela.
Deste patamar
Não vejo o mar.
Desta altura
Não vejo a loucura
(E) desta varanda
Não vejo a Fernanda.
Deste postigo
Não vejo o umbigo.
Desta abertura
Não vejo a loucura
Deste local
Não vejo o Natal
(E) desta varanda
Não vejo a Fernanda.
Deste terraço
Não vejo um abraço
Deste telheiro
Não vejo dinheiro
Desta vidraça
Não vejo uma praça.
Desta bandeira
Não vejo uma eira
(E) desta varanda
Não vejo a Fernanda.


SG, inéditos, 1997

21 dezembro 2012

Equador pessoal* e rumos a laser


*(clicar na imagem para aceder à definição)

19 dezembro 2012

Coisas desagradáveis

Habituado que estava a consultar as efemérides no sítio do Observatório Astronómico de Lisboa, verifiquei hoje que a data e hora do solstício de Inverno não se conseguem saber.
O que aparece agora é uma aplicação do Google, com a habitual confusão de coisas em português e inglês. Tem carradas de palha e não tem o solstício.
De cavalo para burro, on y va.


NOTA MUITO IMPORTANTE: É falso o que aqui escrevi. Alertado que fui para o erro, aqui me penitencio. A informação está disponível onde sempre esteve. Eu é que vou minguando nas faculdades. É no almanaque e não nas efemérides, onde se acede à tal tabela do Google, dispensável, que a informação está e sempre esteve.
Agradeço a chamada de atenção e peço desculpa pelo erro. É a segunda vez em menos de um ano. Da outra, eu próprio dei pelo erro.
Série “coisas que me vêm à cabeça” – coisa primeira

O meu velho amigo Ziffel cantando esta moda enquanto comíamos linguiça assada nos abandonados grelhadores das esplanadas algarvias alta noite, horas nem por isso mortas.
Mesmo que se trate aqui da composição de duas memórias distintas.
Porque ele cantava esta canção antes e depois dos petiscos.
Porque assávamos linguiças nos grelhadores dos restaurantes, para acabar as noites.


postal publicado pela T lá nos Dias que Voam

18 dezembro 2012

Crise - disse a Terra

Desde dia 5 e com maior frequência desde dia 14, sexta-feira passada, que a terra treme num conflito entre os anjos e o inferno, ali perto de Jaén. Uma das muitas crises sísmicas que o ano nos trouxe e que os registos hoje nos revelam por estarem muito mais acessíveis do que no passado.



As marcas representam os epicentros e variam em diâmetro com a magnitude referida à escala de Richter. Dados (actualizados cerca das 21:00) e mapa do IGN de Espanha. (clicar para ampliar)

Estava capaz de apostar que 2013 nos trará um abanão significativo.
Em 2007 não considerei a aposta ganha.
Rigor

Ainda a propósito dos detalhes que desagregam a razão, quando esta se dedica à técnica (ou à ciência propriamente dita), li no Expresso de sábado passado que o laureado com o prémio Pessoa deste ano de 2012 vivia no Alentejo. Numa vila chamada Carrapateira.



Há no Alentejo algumas Carrapateiras. Disso não há a menor dúvida. Vilas não conheço, pode isso ser ignorância minha.
O que me faz espécie é que o laureado, Richard Zenith, viva no Alentejo e se faça fotografar na praia da Bordeira que fica logo ali ao pé de uma Carrapateira algarvia, que não é vila mas aldeia. E na praia do Amado que também é logo ali e muito perto da mesma Carrapateira.
Nada me leva a duvidar que o homem viva no Alentejo, como diz o Expresso, e que lhe tenha apetecido ser fotografado na praia da Bordeira, à Carrapateira. E na praia do Amado.
Mas se por um acaso se tratar de um erro situar esta Carrapateira no Alentejo é daqueles erros que arrasam um edifício racional. Na técnica (ou na ciência propriamente dita). No jornalismo, a ser erro, pode sempre ser considerado liberdade poética*. Nunca crassa ignorância. Num jornal dito de referência.
* é alem do Tejo, para quem está em Lisboa.
Santo Amaro de Oeiras, 2012

17 dezembro 2012

O detalhe

Uso o galicismo porque é o que mais convém para explicar a lentidão do raciocínio – o detalhe. O meu Pai, ainda que pertencendo a uma geração afrancesada, diria o gato.
Hoje é comum chamá-lo bug.
E foi um detalhe que, arruinando razões e implicações, me fez perder semanas para pôr em ordem uma insignificante aplicação que trabalha coordenadas esféricas.
O detalhe que afasta as letras das técnicas. Nas técnicas, um pequeno e insignificante (nada disso!) passo em falso deita o edifício por terra. Nas letras há sempre lugar para a poesia.
Nas técnicas, um sinal trocado é traço por cima.
Nas letras, uma perversão das regras pode, ao contrário, ser aplaudida.
O caso aqui é que levei semanas a pôr na ordem a função que andava à solta.
Coisa que em outro tempo faria numa hora. O caso típico em que as faculdades analíticas mostram o seu acentuado declínio.
Era, afinal, um detalhe.

16 dezembro 2012

Notícia com 36 anos

Ainda que o conceito de “mudança de vida” seja uma bizarria poética...


(em clicando, amplia)
do arquivo online do Diário de Lisboa do acervo da Fundação Mário Soares

15 dezembro 2012

Avaria ou o quê?

A cena repete-se. O sismómetro acusa uma série de pequenos abalos desde há dois ou três dias.
Estará avariado?

14 dezembro 2012

RTP

Ouvir na RTP que a NASA explica por que é que o mundo não vai acabar mostra claramente uma de duas coisas: o que é a RTP; o que é o pagode.

11 dezembro 2012

Memorandum

Para responder a mim próprio.



Entre Júlias, passará um livro que me parece apropriado ler por estes dias. Esperando que seja um episódio cómico entre tragédias, Ivone.
Eu abomino em geral as biografias. Talvez com a mesma intensidade com que excluo as pessoas das fotografias, coisa de que já fui acusado formalmente. Por isso nunca te fotografei.
E esta em particular, diz-me o preconceito, deve ser particularmente ruidosa de ler. Só vou à procura do temor milenar que me disseram estar lá depositado um pouco para além da manobra publicitária.

Não se trata de um livro hermético. Bem pelo contrário. É suficiente na clareza a descrever uma atitude.
Sem gastar dinheiro, lendo esta entrevista de 1998, tinha ficado a saber o mesmo. E o que fiquei a saber, interessa-me nada.
Admitamos que tal como no processo racional a maioria das mentes é incapaz de ver e assim verificar a veracidade de uma afirmação dentro de uma dada convenção, também para a maioria das mentes se encontra vedado o acesso a caminhos ditos de iniciação.
Admitindo tal, e aqui refém ou parceiro do jogo racional, afirmo a impossibilidade de argumentar racionalmente a partir de conceitos ou de formas que não se podem reduzir à razão. É um acto falhado. Como o de querer impôr a fé por argumentos.
Vistas as coisas, lido o livro, ao contrário do que eu supunha, por mero preconceito e por ter dado atenção ao que não devia, nada nele confirma as notícias que em 1999 se escreveram sobre o homem.
Horas perdidas - disse o grilo.

10 dezembro 2012

Falta um

Ao Sporting só falta um jogador assim.
Descontando o árbitro, vê-se toda a equipa do Benfica de roda dele, à excepção do guarda-redes.
Eu de memória diria que eram para aí uns sete. Não. São mesmo dez.


imagem de tv caçada na página da Bola

08 dezembro 2012

A lógica das redacções

A lógica que, regra geral, preside às afirmações das redacções pode ser reduzida à sua forma canónica assim:
a=b => 3=5
(com a e b à vontade do freguês)
É isto aceite de boa mente por uma falange significativa do público? Assim parece, dado que o mesmo tipo de construções lógicas se ouvem e lêem um pouco por todo o lado.
É isto usado no discurso político? É. Basta seguir um debate parlamentar.
Basta atentar na verborreia de noventa em cada cem dos nossos representantes. Hoje, por hoje ser, ainda dou o benefício a dez.
Tem isto consequências na nossa vida em sociedade? Tem.
Nem é preciso ir buscar o exemplo académico da ex-futura A26. E averiguar quanto é que nos custou e custará uma auto-estrada para a Senhora da Asneira.
Não é preciso dar muitos passos nem ler ou ouvir muita coisa. Basta apenas não ter ainda enlouquecido.

07 dezembro 2012

A letra J

Depois do I, Ivone, passa-se ao J.
Vamos então fazer a revisão da matéria. Passou-se pelo A, pelo C, pelo G, pelo I, pelo J, pelo L, pelo M, pelo O, pelo T. Mas isso (embora aqui vá ordenado) foi no tempo das séries malucas, tal como as matrículas de automóvel.
Agora, segue-se a ordem alfabética. E depois do I, Ivone, passa-se ao J.
Mas não te assustes, estamos apenas no plano literário e figurativo.
É que hoje foi-me apresentado o rosto de uma escritora. Chama-se Júlia, escreve em castelhano e descobri que tenho nas estantes um dos livros dela, cujo removi para a mesa de cabeceira, esperando dar-lhe uso daqui a uns dias.
A outra Júlia eram umas pernas prantadas numa capa do livro de Vargas que ainda não terminei.
Entre Júlias, passará um livro que me parece apropriado ler por estes dias. Esperando que seja um episódio cómico entre tragédias, Ivone.
Eu abomino em geral as biografias. Talvez com a mesma intensidade com que excluo as pessoas das fotografias, coisa de que já fui acusado formalmente. Por isso nunca te fotografei.
E esta em particular, diz-me o preconceito, deve ser particularmente ruidosa de ler. Só vou à procura do temor milenar que me disseram estar lá depositado um pouco para além da manobra publicitária.
A ver vamos. Voltarei ao I, Ivone.

05 dezembro 2012

Aposta

Antes que o Benfica faça um resultado que atice ou arrefeça a esperança dos lampiões, noto que ganhar 62,5% de juros em 5 meses me parece muito razoável.
Aposto que sim.


fonte: oddschecker

04 dezembro 2012

Regressão

Regressão? Não se trata disso. Regressão é suposto ser a evolução para um estádio passado.
Do que se trata é de uma evolução negativa. Para um ponto em que nunca tinha estado.
Nunca deixei de considerar que não há nada mais inútil do que uma opinião.
Até uma certa idade fui consequente. Não as dava. Por serem inúteis e por achar ainda que o processo de formação de uma opinião é uma sucessão de erros.
Com a idade, deixei-me levar por impulsos. Opino.
É o juízo que falece. Aos poucos.

02 dezembro 2012

Um acaso às pintinhas

Pousou em azuis indefiníveis.
Deixou rasto de oficina.
Luzes de chão em jardins de praia.
Moveu-se para norte, seguindo a estrela.
E logo, logo, logo ali, resolveu o teorema de Fermat
Da forma simples de que ele falava.

SG, inéditos, 2007

01 dezembro 2012

30 novembro 2012

A validação da História

A validação da História, na medida em que é comummente aceite, é uma coisa que me dá que fazer.
Os factos a passarem a opiniões, por mais despidas de subjectividade emocional, interesseira ou de paralaxe que sejam, dão-me esse trabalho todo.
Inútil.
Os obituários pessoais, intransmissíveis, nulos e sem efeito

Estou convencido – embora não tenha nenhum tipo de informação que apoie tal a não ser a de que o erro está em todo o lado - de que a grande maioria das pessoas constrói com erros a lista dos óbitos dos seus conhecidos, sejam eles dos que se cruzaram com elas na vida, sejam meras figuras que se tornaram notadas.
Com menos conversa, teria dito que matamos na nossa cabeça gente que está viva e de boa saúde.
No meu caso, quase sempre se verifica que só desmancho esses enganos quando é tarde de mais. A pessoa foi-se efectivamente. Deixa portanto de ser engano no dia em que dou por ele.

29 novembro 2012

Sempre a Geometria (analítica)

Se há coisa que ilustra o meu estado de espírito é a falta de paciência para chegar a expressões que definam filigranas.
Desafio que outrora era muito do meu agrado.

27 novembro 2012

Dos mistérios que se conhecem como tal



No dia 24 de Janeiro de 2005, atestam para meu governo as datas apostas, sete-títulos-sete indicam que me inclinava a escrever sobre o que se pode ver e nada escrevi.
Foi decerto um alinhavo para dias vindouros, um não-te-esqueças.
Para além de alguns títulos serem confusos e me soarem mal, de nada me recordo.
O que será uma fórmula arbitrária? Uma fórmula em que entra uma variável arbitrária?
A previsão dos analistas soa mal, está mal construído como título se se pretende falar das previsões que fazem os videntes vestidos de analistas mas já se aceita se se trata de prever o que vão fazer e dizer os analistas. Mas não é grande coisa como título.
E do todo se retira que há muito mais subjectividade do que objectividade subentendida na série.
O conteúdo nunca existiu. Os títulos não me agradam, embora não diga que não os venha a utilizar.
O mistério maior é ter alinhado tanta coisa num só dia. Porque não é costume.

25 novembro 2012

22 novembro 2012

Clarabóia

Vistas que estão as coisas, percorrido que está o livro de Saramago, conclui-se que não responde aos quesitos que enunciei – uma obra que retrate a vida dentro de um prédio de rendimento ao longo de 50 anos, em Lisboa ou arredores.
Nessa história haveria de haver muitos pontos de interacção entre vizinhos mas nenhum deles decisivo.
Já no livro de Saramago, que no fundo conta seis histórias sem grande ligação, os poucos pontos em que essa ligação existe são decisivos.
E abarca um período curto.

21 novembro 2012

Transformadas

As transformadas de algumas linhas notáveis do globo e da rota decisiva apresentam este aspecto:



A função que as transformou anda por aqui à solta.
Portugal, 2007

20 novembro 2012

Acabou o prazo

Para quem enveredou por um caminho escuso, pouco sujeito a encontros decisivos que não sejam finais, estando assim menos sujeito a influências humanas do que os que percorrem ruas apinhadas, e vai contemplando o que lhe aparece dos lados e à frente, ao longe e ao perto, o facto de constatar, nas estâncias povoadas do caminho, que outros pelos mesmos ou por diversos caminhos chegaram às mesmas conclusões é um banho de humildade que previne contra a pesporrência das ideias geniais ou apenas originais.
Banho que, numa escala mais comezinha, toma quem quer escrever sobre a descoberta do ponto P, onde as condições são as ideais – as condições ideais de toda a teoria com princípios – e descobre que já acabou o prazo.
É que outros, muitos outros, já o descobriram anteriormente.

19 novembro 2012

A Dona Iva e a sua polícia

A suspeita estava bem estribada - um dia inteirinho sem usar o cartão de débito ou o telefone móvel. Fora isso que conduzira à minha detenção.
Caso sonial de há meia-dúzia de anos que me preparou para a hipótese de ser detido numa das voltas da vida por não ter o meu número de contribuinte associado a facturas, como pagador e pagante da Dona Iva.
O último mail do senhor Pereira não o diz mas avisa-me.
IM

Acompanho diariamente a página do Instituto de Meteorologia há muitos anos. Desde a altura em que tomou forma.
O trabalho que ali transparece é meritório.
Há, no entanto, alguns reparos a fazer. Aparentemente, ao fim-de-semana a página funciona mais ou menos em piloto automático. Nota-se que em muitos casos, e este de sexta-feira passada no Algarve é um exemplo, ao fim-de-semana não há notas sobre o que sucede.
A respeito do caso de sexta-feira, e quando sobre o qual ainda não existe nenhum tipo de nota informativa, ouviu-se que só depois de uma deslocação ao local se poderia afirmar se se tratou de um tornado ou não.
A acreditarmos na veracidade de todas as imagens que se viram, existiu de facto um fenómeno semelhante a uma tromba d’água, embora mais difuso, bem visível da costa.
Pelos relatos e pelas imagens recolhidas pelas televisões, verificou-se em terra um fenómeno meteorológico que gerou rajadas de grande intensidade numa zona bem delimitada.
Se se tratou do mesmo fenómeno e se teve ou não as características que deve ter um tornado parece-me coisa que uma análise no local não vai agora esclarecer. Será apenas para lhe conhecerem o rasto?


imagem de autor não identificado passada na RTP
Costa ocidental portuguesa, 2012

18 novembro 2012

Geometria

A Geometria entra pelos olhos dentro. Não tem forma de ser apreendida por textos.
Quando deixa de entrar, não adianta mudar de óculos.
Ou uma aparente contradição com este anterior parágrafo.
Por texto lá escrito, entenda-se um conjunto de designações e proposições em linguagem matemática.

17 novembro 2012

Sintomas

Com um avanço de uma cabeça em relação a mim, a senhora assenhoreou-se da montra da farmácia.
Não chovia nem pingava mas a senhora usava a sombrinha (chapéus de chuva de mulheres são sempre sombrinhas) com eficácia. Escondia de mim o placard das farmácias de serviço.
Quando me resolvi a pedir que me deixasse também ver o placard, revelou o seu rosto cheio de interrogações, por detrás da calote azulada.
No fundo, o que ela queria era que o placard lhe dissesse onde ficavam as farmácias cuja morada estava bem explícita. Talvez ficasse mais meia hora à espera que o placard lhe ensinasse o caminho. Ou que eu...
Precisa decerto da medicação. Para amanhã. Disse-me que queria saber onde ficavam as que estão de serviço amanhã.

16 novembro 2012

A máquina do pensamento perpétuo

O que de facto me ocupa é o envólucro da máquina do pensamento perpétuo. Vejo-a pintada de escarlate.

14 novembro 2012

Oficial

Julgo estar em condições de ver reconhecida a minha vasta experiência em ascensores e transladores. Em sonhos.
Em sonhos, especializei-me em quase todos os tipos de ascensores e transladores existentes e em muitos dos tipos que ainda não existem.
Recordo-me até de ter pronunciado, perante vasto auditório, uma concisa apreciação das diversas formas de conceber os nós de ligação entre trajectos verticais e horizontais nos casos das máquinas mistas que tanto elevam e descem como deslocam à esquerda e à direita. Quase sempre em modelos de edifícios monumentais saídos dos primórdios da Escola de Chicago e aparentados com o megatério de Filipe Lobo.
Toda essa experiência, todo esse conhecimento são mais do que suficientes para que me reconheçam a categoria profissional de oficial de 3ª classe de concepção e operação de ascensores e transladores.

A talhe de faca, sempre digo que pois à minha frente no talho estava um homem que não queria um bife. Nem um antibife, feito de antiprotões e positrões.
O que ele queria e bem o explicou era que o magarefe lhe descrevesse o bife que estaria dois palmos à direita da ponta direita da peça talhada. De quem vê do lado de cá do balcão, explicou bem.
Para meu espanto, o magarefe descreveu com grande detalhe o bife que haveria de ter sido cortado da peça de vaca que ali faltava.
O homem, depois de empreender a meia-volta, passou por mim com um de ar contentamento pós-prandial patente no ricto.
E querem o quê?

13 novembro 2012

Cheiro a fim

O cheiro a fim desprende-se do orçamento para a segurança interna.
Alguma coisa eles percebem.

12 novembro 2012

Receptador

Pedro, aquela do receptador foi obra!
As assim não tão grandes questões universais

A propósito da correria do dia, à qual é dificílimo escapar e que provoca a tradicional erisipela, interroga-se o indígena que não conhece a língua alemã muito menos as particularidades dos seus nomes – por que raio a maior parte das vezes me soa Mér-que-le?
Mas isto tem algum interesse?

11 novembro 2012

Antevisão

Posto que seja improvável que o Ferrari vá de burro, antevê-se que o burro irá de Ferrari.

09 novembro 2012

Exmº Senhor
José António de Azevedo Pereira:


Talvez um destes dias desça ao nível da comunicação que me enviou e lhe responda, linha a linha.
Serei portanto sucinto.
Calculo que o senhor não tenha grande responsabilidade na escolha do caminho que nos trouxe ao abismo. É um funcionário.
Porém, um pouco mais de pudor seria bom quando se dirige aos que contribuem, a incentivá-los, segundo o senhor diz.
Não recebo incentivos de ninguém. Muito menos de quem, na qualidade de funcionário, representa um Estado desgovernado e sem princípios.

08 novembro 2012

Argamassando

Argamassando a cópia de disparates que a CNN emite quer como facto quer como opinião, pode legitimamente concluir-se que a eleição de Obama se ficou a dever às alterações climáticas.

07 novembro 2012

Resultados

1 – O rústico receio do desconhecido que evitou que ganhasse 20% de juros no overnight permanece. Decerto impossibilitará apostas futuras em que o caso se afigure dinheiro em caixa.
2 – O erro gralhento, de desatenção, escreveu 268 em vez de 272 nos votos que atribuía a Obama e escreveu 90 em vez de 86 nos votos a decidir. Os estados a azul no mapa totalizavam 272 votos, a mancha estava certa, a legenda não.
3 – Falhar os resultados em dois estados quando não se palpita sobre nove não é grande espingarda.

Sucede que dos nove sobre os quais não palpitei apenas dois constavam das variadas listas que consultei sobre swing states.
E, palpitando sobre onze dos que surgiram nessas listas, falhei os tais dois.

06 novembro 2012

Favas contáveis II

A minha aposta tem, para lá da fé, uma base pseudo-verificável. A qual é esta distribuição de mandatos no colégio eleitoral.
Nos casos em que o vencedor não leva todos os votos (Maine e Nebraska), assumi a totalidade dos grandes eleitores de acordo com o vencedor, por simplificação.

Sem mesa

Favas contáveis

A Paddy Power aceitava parece que ainda hoje apostas de 1/4 em Obama.
O estado actual é, porém, outro – 1/6 alinhado com muitas outras.
Nesta altura, as coisas estão, segundo o Oddschecker neste pé. O melhor que se consegue é 1/5. Estou quase capaz de apostar dinheiro no homem. O quase que falta é superar aquele rústico receio do desconhecido. Não a fé no resultado.


quadro da Oddschecker cerca das 14:30

05 novembro 2012

Demagogia demográfica

Que o mundo não pode manter por muito mais tempo taxas de crescimento populacional da ordem das que actualmente tem, sem que ocorra uma catástrofe que faça cair a população num intervalo mais ou menos curto parece coisa pacífica.
Significa isto que para evitar a catástrofe é preciso reduzir essas taxas. Talvez até para números negativos.
Em Portugal, os censos dizem que há uma estabilização da população à volta dos 10,5 milhões nos últimos dez anos.
Estamos portanto a fazer um trabalho meritório para impedir a sobrepopulação.
Ouvir gente a apelar ao aumento da taxa de natalidade é para mim um absurdo.
Apelam a tal em nome da subsistência do sistema de pensões e do combate ao envelhecimento da população.
Tomam a árvore e esquecem a floresta.
Esquecem que a população envelhecida é apenas um episódio na vida do país. Passará com o tempo.

03 novembro 2012

02 novembro 2012

Um rato

Não merece ser nomeado porque é um rato. Apenas isso.
Um rato que certa vez sacou deste blogue uma fotografia, numa fase em que ainda não tinha insistido na marca d’água e a publicou sem mais. Não dizia que era dele mas também não dizia de onde a tinha tirado.
O pior não foi isso. Foi a falta de vergonha que teve quando em resposta ao meu protesto foi a correr escrever um “foto d’aqui” e me enviou uma mensagem dizendo que não percebia o meu protesto porque a foto estava identificada. Um réptil, já não um rato.
Li hoje na galhofa um artigo do bicho escrito há dias e a perorar contra quem se apropria de conteúdos na net.
É preciso reptar bem e depressa.
E aqui se passou um quinto