31 dezembro 2013

2014



Retomando uma série interrompida.
Código da Estrada

As alterações apregoadas no Código da Estrada são mais um sintoma do desnorte que assola as mentes.
Fazem-se sucessivas alterações a um código sem que haja algo de substancial a rever.
Apregoa-se uma regulação diferente para a circulação em rotundas. Depois de anos a fio em que provavelmente se concluiu que regular o trânsito nas rotundas carece de uma caracterização prévia – não se pode aplicar a mesma regra a uma rotunda de grandes dimensões com três ou mais vias de trânsito e a uma outra onde mal se sabe se cabem dois carros a par – e que essa mesma regulação é um bico d’obra em qualquer dos casos.
Tenho, pois, alguma curiosidade em ver o texto.

30 dezembro 2013

Simples

Há um local onde os simples me são muito insuportáveis – a auto-estrada com três vias de trânsito.
Há uma fatia muito considerável deles que se mantém na faixa do meio porque sim.
Os simples da auto-estrada com três vias são mais simples do que os simples das ruas e ainda mais do que os simples das estradas secundárias.

25 dezembro 2013

Clic

Ou como cliques no cérebro são cada vez mais frequentes – desligam e voltam a ligar.
Estando eu a observar a imagem dos radares meteorológicos das 23:20 de ontem, resolvi clicar sobre um ponto que me pareceu de precipitação mais intensa dentro da faixa amarela do gráfico.
Este clique fi-lo numa aplicação que elaborei em tempos para me dar as coordenadas aproximadas e o nome do lugar sobre estes gráficos da Meteorologia.
O nome que apareceu é-me familiar. Muito familiar. Mas não fez clique. Quando abri depois o Google Maps e vi a imagem respectiva é que reconheci o meu solo.
A ver se desclico.

23 dezembro 2013

Previsto na Lei

De acordo com o ministro da Administração Interna estava previsto na Lei que os sírios vindos da Guiné e que se puseram a cavar fossem interceptados na fronteira.

20 dezembro 2013

Paradigma perdido

À porta da ervanária, a mulher debitava em alta voz certezas vegetarianas – uma vaca consome o mesmo alimento que cem pessoas – e com isso deixou-me nas datadas e pouco elaboradas páginas de Morin que me acompanham estes dias.
De certezinha.

Tenho o livro a meio. É mau de tragar.

18 dezembro 2013

Reivindicantes (II)

Uma pessoa que afirma que se partiram vidros, por acidente, enquanto neles se batia com as mãos e com os pés para fazer barulho, mostra que não está habilitada para a profissão docente. É q.b..
Reivindicantes

Uma pessoa que se apresenta, para fazer um exame de acesso à profissão docente, com um filho de um mês dentro de uma alcofa, mostra que não está habilitada para tal profissão. É q.b..

17 dezembro 2013

Pessoas

E depois há aquela gente, de vermelho vestida, que não nos desarma porque vamos dela ao encontro com uma flor.

14 dezembro 2013

Notícias do manicómio

Diz que o primeiro-ministro e o líder da oposição concordaram em discutir o que quer que seja.
Mas estas duas personagens não se encontram já há anos nos seus respectivos lugares?
O que é que aconteceu agora para chegarem a tal acordo?

11 dezembro 2013

Contas aos livros

Concursos

Já passaram mais de sete anos sobre o último cuíze da Brigada Anti-Lacoste. Um pessoal que, ao que me pareceu, frequentou como eu a casa amarela.
Em tempo-rede uma enormidade. Uma enormidade que convida a promover um concurso só com perguntas para cuja resposta seja inútil consultar a rede:
Quais eram os dois primeiros nomes da senhora que habitou, durante todo o ano de 2006, o segundo esquerdo do número seis da rua... ?

09 dezembro 2013

Outra tropa (diário íntimo)

A nossa tropa foi outra e deixou-me também laços de sangue.
Não ouso palpitar sobre os laços dos outros, dos que foram e vieram fardados de verde.
O que digo é que foi uma surpresa para mim – grande e valiosa surpresa – ter descoberto que houve pelo menos um mais que sobreviveu umas décadas.
A quarenta e dois anos de vista, far-me-ei à estrada em busca do companheiro de quarto.
Estava vivo em 2002. Aparentemente.

08 dezembro 2013

Ouvir

Tornou-se-me intragável a opinião dos que opinam nas televisões. Talvez pelo eclipse de alguns opinadores mais capazes, talvez por uma saturação minha.
Assim, prefiro divertir-me com os debates tripartidos da bola. Ali, já se sabe ao que se vai.
Uma delícia a troca de argumentos a propósito da assunção ou não da candidatura ao título por parte das equipas (o caso agora é o do Sporting). só comparável em absurdo ao pedido de maioria absoluta por parte de um partido.

07 dezembro 2013

01 dezembro 2013

Demarcação



A forma e a colocação dos marcos fronteiriços obedece naturalmente a critérios fixados em documento competente.
No meu critério, que apenas pretende ser racional, forjado na segunda metade do séc. XX, um marco assinala um ponto que pertence a uma linha de demarcação.
Quando a linha de demarcação é o talvegue de um rio ou a linha média entre margens, pode suceder que existam testemunhos nas margens para aferir, ao nível das águas, o lugar da fronteira.
O que não pode suceder é que estes testemunhos se confundam com marcos de limite fronteiriço.
Nas termas de Monfortinho, perto das quais a fronteira natural é o talvegue do rio Erges ou a linha média entre margens, aparece um marco fronteiriço ao fundo da alameda fronteira à porta do edifício do balneário. Cerca de 80 m para dentro da fronteira natural. É o 673 B, exactamente igual ao 673 C que está a meio da ponte que, perto de Segura, supera o rio Erges.
Alguma razão há-de ter existido para lá o plantarem. O que não pode suceder é que a sua forma e a sua designação sejam confundíveis com marcos de limite fronteiriço.
Mas sucede. É esta a gente que anda a mandar no país.

26 novembro 2013

Sem noção



Percebe-se que há uma faixa significativa dos reivindicantes que não assimilou o facto de o país estar sem dinheiro.
Impossível será fazê-los perceber tal coisa.

25 novembro 2013

Comentário político

No dia em que passam 38 anos sobre o 25 de Novembro, ocorrem-me muitíssimas notas. Porque li ou ouvi demasiadas coisas que me interessaram nas horas que o dia já leva. Atenho-me a três:
Sobre o General Ramalho Eanes, personalidade que me suscita emoções confusas e uma análise muito positiva do ponto de vista ético e fraca do ponto de vista político, a nota de agradecimento relativa aos acontecimentos de tal data.
Sobre os acontecimentos, a nota (para quem se lembra) retroactiva do que é (e do que foi) um país entregue ao desvario esquerdista pouco peado.
Sobre o ponto em que estamos, uma frase mal ouvida num tempo de antena – a de que vai haver escolas livres de violência no namoro. Que é uma nota que espicaça a minha sensação de que o animal racional vai, com o tempo, dando lugar ao animal irracional.

23 novembro 2013

Se é verdade

Se é verdade que o assassino de duas pessoas em 2008 se entregou à polícia pura e simplesmente, então este é mais um marco para a imagem da PJ.
Imagem que, por alguma razão obscura, foi durante algum tempo muito sobrevalorizada. Aparentemente, já não o é tanto.

21 novembro 2013

Fim de regime

A nova versão dos secos contra os molhados é apenas um dos muitos sintomas.
Não aposto um chavo neste regime. Cuja sepultura foi sempre cavada com maior empenho pelos seus mais ardentes defensores.

19 novembro 2013

Ginástica cueca

Passaram-lhe mesmo o alter do chão. E de que maneira o fizeram!
Lembrando frases d'outros tempos


(Fotografia de Tamara Saré para a Agência Pará)

Para quem também se lembra. Sim, Luísa.

17 novembro 2013

O móvel e o imóvel versão ano sabático


composição de duas imagens uma daqui, outra d'acolá

A tal fidelidade móvel e uma impossibilidade imóvel. Pois tais casas foram arrasadas, segundo parece.

16 novembro 2013

Leitura para estes dias



Tirei das estantes este livro. Era um dos que p’ra ali estava.
É uma espécie de relato jornalístico dos sucessos imediatamente anteriores a 22 de Novembro de 1963; desse dia e, calculo, dos dias seguintes. Uma leitura apropriada para o cinquentenário dos acontecimentos de Dallas.

Em Agosto desse ano, o Diário de Lisboa publicava este “recorte” sobre o automóvel que na altura havia sofrido algumas modificações depois de dois anos ao serviço do presidente dos E.U.A.:


(clicar para ampliar)

Lembro-me de que nessa noite a emissão da RTP foi interrompida pelo fatídico relógio da “Última Hora”. Calculo que tal tenha acontecido entre as oito e as nove.

15 novembro 2013

Cinzenta e nórdica

Como se percebe, a tarde passou para cinzenta e nórdica.
Curiosamente, o radar de Coruche do IPMA detectou de madrugada, em várias ocasiões, com destaque para as 5:00, a invasão apontada como um raio invertido sobre Lisboa.
Já o radar do Caldeirão detectou um feixe também invertido apontado a Tavira cerca das 7:40.
Atacam pelas alas.


imagens da página de radares atmosféricos do IPMA (clicar para ampliar)

14 novembro 2013

O móvel e o imóvel versão ano agrícola


composição de duas imagens uma daqui, outra d'acolá

Ou como há fidelidades. Sonhos fáceis e difíceis.

13 novembro 2013

Corrigenda

Em qualquer notícia dada por televisões, rádios ou jornais que inclua a expressão “o pior de sempre”, esta deverá ser substituída pela expressão “o pior desde que eu me lembro*” e em nota de rodapé o seguinte: * como a minha memória é curta, deve ser desde ontem à noite, para aí.

Há pouco no telejornal da RTP o naufrágio do Prestige foi considerado o pior desastre ambiental de sempre nas costas da Galiza.
A título de curiosidade, indico esta lista. Só com acidentes ocorridos de 1970 para cá. Qual será a escala para o grau de gravidade de um desastre ambiental?

11 novembro 2013

Stop this madness*

Não é possível. Não é possível parar com esta loucura.
Não é, porque o mundo está irracionalizado pela massificação da informação e é crente.
Acredita que é possível acabar com esta loucura. A dos elementos. A que sempre devastou a ecúmena e a anecúmena. Acredita que há uma culpa. Uma culpa.
E depois há os que querem ser compensados. Pela culpa que os outros têm nos males que os afligem.

* precatória feita pelo delegado das Filipinas na conferência COP19 em Varsóvia.
Designações

Uma coisa que não existe não carece de ser designada.
Isto para cá da ficção, das coisas inexistentes com nomes famosos.
Isto no diário dos povos, das terras.
Uma subida rápida do nível do mar em virtude de uma combinação de fortes e intensos ventos de fora (do mar) para dentro (para terra) e uma baixa abrupta de pressão atmosférica é coisa que não acontece por cá. Não há por isso uma designação para tal ocorrência.
Por não haver cá nem a coisa nem a designação é que para o comum dos jornalistas se tornou muito difícil entender o que se passou nas Filipinas. Ouvi alguns falar em onda outros em algo parecido com um maremoto (diziam tsunami). Mas sem acertarem no conceito.
Um fenómeno destes com estas proporções não é vulgar. Mas acontece. O mais famoso do último meio século ocorreu no antigo Paquistão Oriental, em 1970. E aparentemente foi bastante mais mortífero do que este.

adenda feita cerca das 14:45 de 12 Nov: quanto ao que cá existe de estudo da matéria, este documento serve de referência

10 novembro 2013

Jornalismo, clima e campanhas higiénicas (II)

O fito desta campanha – que tem como desígnio assinalado pôr fim às alterações climáticas, o que só por si é uma espécie de desidério milagroso – poderia ser o mesmo de sempre: manter confortável o habitat para os homens e demais seres vivos. Mas não é. Ou não é só isso.
E não é só isso nem pode ser só isso porque o Homem foi um caso de sucesso entre as espécies animais. Sucesso que se nota patente neste gráfico, ainda que mostre apenas uma ínfima parte da História:



E porque esse sucesso está a conduzir a passos largos a uma exaustão de recursos que será, ela sim, se vier a ocorrer, catastrófica, ou conseguiremos obter novos recursos ou formas de multiplicar os existentes, ou saíremos da Terra para colonizar planetas habitáveis ou chegaremos a um ponto em que, muito provavelmente, ocorrerá a catástrofe e o número de humanos baixará consideravelmente.
O facto de esta campanha já se desenhar sobre um pano de fundo de rejeição da obra humana pode significar que, inconscientemente, a espécie resigna.
Esse é o ponto.
Quanto ao resto, se andarmos a medir temperaturas à face do globo, que é onde andam as criaturas, sete, oito ou nove mil milhões de humanos vão de certeza influenciar mais a temperatura do que os três mil milhões estimados em 1960. Humanos e outros seres vivos, se a proporção do cômputo geral indicar um disparo semelhante.
Sobre se essa influência é muita, pouca ou insignificante que venha gente com hipóteses com cabeça, tronco e membros e as apresente.
Sobre se a influência acrescida das actividades humanas no aumento da temperatura média à superfície é muita, pouca ou insignificante, o mesmo. Que venha gente com hipóteses com cabeça, tronco e membros e as apresente.
O que é estultícia e da boa, é a construção de cenários – catastrofistas ou paradisíacos. Os mais empedernidos continuam e continuarão convencidos de que sabem exactamente o que se vai passar nos próximos anos com o clima.
Todo este diagnóstico e prognóstico se apresenta na imprensa como uma série de afirmações absolutamente verdadeiras (divinas) – o clima está a mudar, a culpa é dos homens e há uns iluminados que sabem exactamente o que vai acontecer se nada fôr feito e o que é preciso fazer para evitar que tal aconteça. É um dogma. E contra os dogmas... papas de linhaça!

Entretanto, tempestades como o tufão Yolanda que agora mesmo devastou as Filipinas serão tomadas à conta das tais alterações, embora sem o impacto noticioso que teriam se ocorressem na costa atlântica da América do Norte, ainda que venham a custar mais de uma dezena de milhar de mortos. O facto de este ano ter mais uma vez contrariado as previsões de grande actividade tempestuosa na costa leste dos Estados Unidos é pura e simplesmente ignorado. Naturalmente. Uns pontos adaptam-se à curva que o mentor tem na cabeça, entram para os cálculos; outros não se adaptam, são desprezados. É isto ciência?

A ver se não me esqueço de voltar à carga sobre as previsões que ditavam ser este ano um ano sem Verão aqui por estas bandas.

09 novembro 2013

Efemérides

A colecção das Ruas com Dias completou os dias de um mês, Julho. Foi o primeiro e, provavelmente, o último.
A ideia que preside à colecção é que as placas toponímicas se refiram explicitamente a uma data e se encontrem em território nacional.
Ora, pelos vistos e com a pesquisa já feita, o mês de Julho é o único que tem passados à pedra, ao azulejo, à chapa (ou no caso de autarquias mais bizarras, ao plástico – que as há que trocaram literalmente a pedra pelo plástico!!!) todos os seus trinta e um dias.
Pois de Janeiro faltam três (2, 19 e 30); de Fevereiro, quatro (6, 8, 11 e 29); de Março, outros quatro (14, 17, 22 e 24); de Abril ainda quatro (8, 21, 28 e 29); de Maio apenas um (7); de Junho, três (2, 3 e 12); de Agosto, outros tantos (7, 18 e 20); de Setembro, dois (10 e 30); de Outubro, um (26); de Novembro, três (4, 22 e 28) e de Dezembro também três (2, 3 e 5).
São ao todo trinta e um, até agora, os dias que parecem faltar na recordação pública. Um mês inteiro aos bocados.
Para completar a colecção, caso não existam mesmo as ruas, as praças, as avenidas, os largos, as pracetas, os cais, as quelhas, as escadas e escadinhas, as travessas, as alamedas, os becos ou os impasses com tais datas, resta chamar a atenção de algumas freguesias para factos históricos que lhes dizem respeito. Com tanto dinheiro público jogado à rua, talvez o preenchimento da caderneta e das trezentas e sessenta e seis datas do calendário não seja um bizantinice.
O problema maior será ainda assim, não querendo desbaptizar o que baptizado está, encontrar arruamentos novos para atribuir um nome, uma data.

05 novembro 2013

Numeração

"Eu não lhe pedi números e você fala-me em numeração!" *




* uma citação nada a propósito de um homem que não querendo números pretendia letras mais baixas.

03 novembro 2013

Bajo costo

Abstenho-me aqui de dar pormenores sobre o velho militar franquista que anunciou aos circunstantes que dentro de dias se deslocaria à Suiça, num voo de uma companhia aérea de bajo costo.
Apenas digo que as suas expressões fizeram escola durante a nossa excursão (minha e de amigos próximos) à costa valenciana – Ejército!!!
Ora isto é um nariz de cera. Autêntico. Nada a ver com Espanha, Franco e as forças armadas dos vizinhos.
Tem sim a ver com uma reportagem no telejormal da TVI que me entrou pelos tímpanos – diz que há umas senhoras com poder que usam roupas de marcas baratas. Se bem que baratas seja uma mistificação, mas pronto.
Ocorreu-me que, e afinal o velho militar franquista volta a terreiro, talvez não fosse dispararatado rotular algumas mulheres como mulheres de bajo costo. Isto nada tendo a ver com prostituição, naturalmente. Mas com o trem de vida a que cada uma é capaz de se adaptar.

01 novembro 2013

Jornalismo, clima e campanhas higiénicas (I)

A nova religião, os novos mandamentos, é, são ditados pela imprensa. Escrita, falada, mostrada.
No rol de novos mandamentos existe um subconjunto relacionado com as campanhas higiénicas que tem como motivação a luta contra as alterações climáticas (?!). Como se o clima (ou um conjunto de parâmetros agora medidos) tivesse sido uma constante até que se começaram a medir temperaturas, pressões, precipitações, horas de sol, direcções e velocidades do vento, etc, etc.
E como o clima ou a ponderação do tal conjunto de parâmetros não medidos apresentou no gráfico o aspecto de uma linha recta horizontal até ao ponto em que começaram as medições (!!!), decretou-se a alteração climática.
Para quem se recorda, o sistema hoje funciona exactamente ao contrário do que funcionava até aos anos 60, 70.
Nessa altura, face à ancestral e lapidar afirmação popular de que “o tempo já não é o que era” e até de uma outra mais de acordo com a época (anos 70) “desde que eles foram à Lua que isto já não é o que era”, havia uma resposta inequívoca: o clima não é o tempo que fez ontem, que faz hoje e que fará amanhã, é um conceito mais vasto e não há dados alguns que apontem para mudanças climáticas. Isto era a ciência dessa época, dada à estampa pelos meteorologistas de serviço. A corrente dominante. Os que se recordam, sabem que era assim. Aos outros, recomendo leituras desses anos.
A partir do momento em que se desencadeou a terceira fase do higienismo* com as grandes campanhas anti-poluição dos anos acima referidos – 60 e 70 do século passado, o comportamento humano passou a ser condicionado por desígnios como: a limpeza das terras, dos rios e dos mares, a pureza do ar. Conseguidos progressos nessa frente, avançou-se para a defesa da camada de ozono – nunca vi um estudo sério sobre as suas oscilações, nunca li nada sobre a presunção (a tal presunção) do que teriam sido tais oscilações antes de haver medições. E é um assunto morto ou quase morto. Agora estamos na fase das alterações climáticas. Que, a título de anedota, consagrou o ano de 2001 como o mais quente do terceiro milénio D.C..

(continua)


* na minha leitura, a primeira fase coincide com a preocupação com a saúde pública pós-revolução industrial e a segunda com as doutrinas que anunciavam o homem novo, eugénico e tudo.

31 outubro 2013

Lágrima de preta*

Um cozinheiro encartado, há pouco na RTP, à pergunta politicamente correcta feita pela jornalista se o cozinhado levava sal, desatou a encarecer a flor de sal, o sal marinho e o sal-gema e que isto e que aquilo e que era (qualquer deles?) isento de cloretos!
Este tipo de anedotas, hoje em dia triviais e com acolhimento em todas as televisões, rádios e jornais, num outro tempo incorporavam-se na tradição oral, por absurdo. E lá faziam o seu caminho. Hoje nem sequer são identificadas, tal é o grau de alienação.

* Tributo a António Gedeão

28 outubro 2013

Estação C.F. das Pias, 2011

Encierro

Ontem foi dia de encierro.
As bestas caminharam pelas ruas do Porto até serem encerradas no estádio.
Deixando o Porto (ou Pamplona?) de parte, que tal aquela ideia estúpida que aqui deixei há três anos e tal?
Burrice

Se um tipo diz num programa de televisão que o Gafetense é um clube talvez do Crato e, uma semana depois, pede desculpa para dizer que afinal é mesmo do Crato, isto quer dizer que o tipo é burro, muito burro, distraído ou muito distraído?
Para quem não sabe, o Gafetense é, naturalmente, de Gáfete. E, sim, Gáfete é uma vila do concelho do Crato. Mas não é o Crato.

26 outubro 2013

A minha aranha de estimação afinal vinha de fábrica

Voltou.
Fui ver ao Manual de Instruções.

25 outubro 2013

Não é loucura

Não é loucura, é mesmo debilidade mental.
Os loucos, por vezes, vêem longe. Estes desgraçados não divisam para além do nariz.
Taxa



Pagamos nós a taxa para que um conjunto de analfabetos confunda tromba d’água com tornado. E carga d’água com tromba d’água.
Quando vêem uma tromba d’água chamam-lhe tornado.
Quando cai uma imensa carga d’água algures, dizem que foi uma tromba d’água.
Qualquer que seja o valor da taxa, é alto demais.


Nota: esta coisa do YouTube é igual a internet. Não tem autoria. Se eu disser RTP não digo televisão em geral, digo que é alguém que trabalha para tal casa.
A imagem acima parece ter saído de um filme de José Luis Leal.
A minha aranha de estimação

Uma aranha é uma aranha. É a própria teia. É uma espécie de enredo em que nos metemos e do qual muito dificilmente saímos incólumes. Que gand’aranha! – exclamaria o meu velho M.O. para os seus botões ao passar por mim sem me cumprimentar e vice-versa. Incógnitos. Era disso que se tratava. De uma gand’aranha onde entrávamos todos ou cada um e da qual saíamos, ou nem sequer isso, chamuscados e mais vividos.

Uma aranha é repulsão. Insecto desprezível e exterminável nos sonhos mais duros.

Uma aranha diz que é dinheiro. Que quem mata tal bicharoco imita os chineses que apontam para fora, para a perdição.

Há alguns meses, dei-me conta de que existia uma teia de aranha no espelho retrovisor da porta do condutor do meu carro.
Como o carro é utilizado, achei estranha a coisa e limpei-a sem grandes detenças.
Surpreendeu-me, sim, que no dia seguinte lá estivesse outra teia.
E no outro. E no outro.
No dia em que me resolvi – o carro estava razoavelmente limpo – a passá-lo pelas mangueiras de alta pressão e fazer incidir o jacto nos arredores do espelho, julguei ter a coisa resolvida. Ledo engano. Não no dia seguinte mas na semana seguinte, teia. Aranha. Enredo. Todavia nunca havia visto o bicho. Só a irrevogável teia.
Foi mais ou menos por essa altura que decidi deixar de importunar a aranha e considerá-la, à revelia, animal de estimação*.
Quando começaram estes dias de chuva pensei que a minha companheira de viagens me abandonaria por outro lugar mais recatado.
Ora, ontem, tendo o carro coberto de folhas secas, mas molhadas, que a chuva projectou sobre ele, vislumbrei-a finalmente. Deslocava-se do lado esquerdo do vidro para o direito, mais ou menos a meio da tabela, entre a folhagem. Deixei-a passar antes de fazer rodar as escovas.
Hoje não mexi no carro. Sempre quero ver se, removendo a teia, ela voltará, irrevogável.


* hei-de contar a história do gato. Dos gatos.
Portugal fotografável

Na sua parte continental.



Cerca de 20% dos pontos estão colocados.
Só valem as fotografias posteriores à numbaro um.

23 outubro 2013

What?

When and where can you read the full: fool looming to steps the women who will win the lottery I’m lying low line below year so the year we cannot lot will await the league and singling rolls around around the mall coastal. – alguém que adivinhe o que ditei eu ao reconhecedor de voz do Word para sair tal período.

21 outubro 2013

Entrevistas

A entrevista a José Sócrates que o Expresso publicou só contém elementos que reforçam a minha apreciação do homem: intelectualmente muito fraco, com tendência para declinar autores e propenso a epifanias.
A entrevista de Maria Luís Albuquerque à SIC revela dela uma inconsciência social grave ao referir-se aos seus rendimentos e padrão de vida. Não tenho dado atenção à senhora ao ponto de dela ter uma imagem da sua capacidade. Apenas noto que ou não percebeu como vive a maioria dos portugueses ou acha que se pode comparar com essa maioria.
Sócrates passou, deixou estragos e espera-se que não volte.
Maria Luís Albuquerque faz parte de um governo cujos membros têm que perceber que têm que ter uma imagem de quase santidade para que o país acolha de boa mente a necessária revolução que é necessário fazer.
Não há dúvidas quanto ao caminho pedregoso que teremos pela frente. Só os simples, muito simples, clamarão por relva macia.
Não há dúvidas que guiar um povo por tal caminho pouco viável é tarefa para gente sem queixumes. Nem rabos de palha.
As grandes questões universais - episódio q+30


em diferido

20 outubro 2013

Um outro tempo

Os homens já escreveram sobre quase tudo o que importa. E o quase refere-se, em negativo, à insignificância que resta – os fenómenos que nunca antes se apresentaram como desafio, como prova. A história que contarei está pois farta de ser contada.
Os urbanos, a partir do momento em que as cidades proliferaram, não tiveram dificuldade em esquecer as regras que é necessário seguir para não lutar contra a corrente dos caprichos da Natureza.
No campo, não esquecendo tal, procurava-se domesticar o ambiente. Tendo talvez a ideia que tal domesticação era incerta.
Vem isto como introdução de uma pequena história que ouvi as vezes suficientes para a saber contar sem lhe acrescentar ou retirar muitos pontos:
O homem passava amiúde à porta do rapaz que se fazia encontrado a fim de que aquele lhe atirasse do cimo da montada uma ou mais moedas.
Tornaram-se com o tempo cúmplices daquele jogo. E de certo modo próximos.
Quando o rapaz, já regressado das sortes, caminhava com dois taipais, cada um em seu braço, a fim de dar início à empreita do adobe para a casa, foi surpreendido pelo velho que o desaconselhou – não comeces já que o tempo ainda não está seguro e ainda te leva as paredes numa chuvada.
O rapaz, determinado mas afinal atento ao que o velho lhe dizia, matutou e esperou. Dias depois veio uma carga d’água que provavelmente lhe teria atirado por terra parte do trabalho.
O valor desta história, igual a tantas outras, está no facto de o velhinho quase nonagenário ter bem presente a lição que aprendeu quando dava os primeiros passos da maturidade – ouvir os que mais devem saber e desconfiar da Natureza.
Os urbanos actuais, a que podemos chamar burgueses, e que herdaram de sucessivas gerações a ignorância das regras da Natureza, quando confrontados com um período longo de paz e de prosperidade, como é o caso agora, já não só ignoram tais regras como as negam.
Acham-se no direito de querer sempre mais e melhor. Um retrocesso é para eles coisa inconcebível e atentatória de um direito que se pretende divino a não andar para trás.
Há muito que se alhearam do jogo em que se perde e se ganha. Foi-lhes assegurada uma condição de vida em derivada monótona e positiva por aqueles, e são muitos, que perdem e que ganham consoante a monção.
Não conseguem já ver para lá da cortina que têm à frente dos olhos.

19 outubro 2013

Prélio do dia



Não passarão. Os de Braga. Em Gáfete.

Nota: forem jogar a Portalegre
Falsas memórias

Depois de me haver surpreendido com o efeito degenerescente que um aparelho de GPS pode exercer sobre o meu até então apurado sentido de orientação, surpreendo-me agora com outro efeito sobre o meu cérebro exercido pela observação de vistas do Google Street.
Já são duas surpresas em pouco tempo para um tipo que não está já em idade de se surpreender.
O facto é que a contemplação das vistas de rua e de estrada de locais que desconhecia gerou falsas memórias fotográficas reais. E, chegado aos sítios, esbateu em muito o deslumbramento que novas e interessantes vistas normalmente desencadeiam.


(clicar para ampliar)

18 outubro 2013

Livros de merda

Gostei de ler alguns livros de merda. Cheios de erros ortográficos, fartos de erros de sintaxe, com uma lógica argumentativa ao nível de um cretino.
Gostei de os ler como quem (calculo que assim seja) gosta de teatro de revista. Uma coisa primária, sem expectativas para além do menor (chamem-lhe mínimo admissível).
Gostei de facto de ler alguns livros de merda. Ainda que se encontrassem pontuados de asneiras e disparates factuais – fosse o caso de Dom Afonso Henriques ser filho de Nuno Álvares Pereira fosse o caso de o grande terramoto de Lisboa ter ocorrido no Algarve trinta e três anos antes de 1755 (ninguém cá estava para ver). Isto para citar alguns erros que não encontrei, tendo encontrado outros de igual calibre.
Gostei até bastante de ler alguns livros de merda. Os que, no meio dos erros gramaticais, dos erros de discorrimento, dos erros factuais e dos erros de discernimento que aqui não exemplifiquei, mostram uma decoração argumentativa que se assemelha, pictoricamente, à dos carrosséis de feira dos anos 60.
Isso – que é sua leitura - é bom para um fim de tarde num dia de Verão, no momento em que a mudança da brisa produz os seus efeitos.
Portugal, 2008