Jornalismo, clima e campanhas higiénicas (II)
O fito desta campanha – que tem como desígnio assinalado pôr fim às alterações climáticas, o que só por si é uma espécie de desidério milagroso – poderia ser o mesmo de sempre: manter confortável o habitat para os homens e demais seres vivos. Mas não é. Ou não é só isso.
E não é só isso nem pode ser só isso porque o Homem foi um caso de sucesso entre as espécies animais. Sucesso que se nota patente neste gráfico, ainda que mostre apenas uma ínfima parte da História:
E porque esse sucesso está a conduzir a passos largos a uma exaustão de recursos que será, ela sim, se vier a ocorrer, catastrófica, ou conseguiremos obter novos recursos ou formas de multiplicar os existentes, ou saíremos da Terra para colonizar planetas habitáveis ou chegaremos a um ponto em que, muito provavelmente, ocorrerá a catástrofe e o número de humanos baixará consideravelmente.
O facto de esta campanha já se desenhar sobre um pano de fundo de rejeição da obra humana pode significar que, inconscientemente, a espécie resigna.
Esse é o ponto.
Quanto ao resto, se andarmos a medir temperaturas à face do globo, que é onde andam as criaturas, sete, oito ou nove mil milhões de humanos vão de certeza influenciar mais a temperatura do que os três mil milhões estimados em 1960. Humanos e outros seres vivos, se a proporção do cômputo geral indicar um disparo semelhante.
Sobre se essa influência é muita, pouca ou insignificante que venha gente com hipóteses com cabeça, tronco e membros e as apresente.
Sobre se a influência acrescida das actividades humanas no aumento da temperatura média à superfície é muita, pouca ou insignificante, o mesmo. Que venha gente com hipóteses com cabeça, tronco e membros e as apresente.
O que é estultícia e da boa, é a construção de cenários – catastrofistas ou paradisíacos. Os mais empedernidos continuam e continuarão convencidos de que sabem exactamente o que se vai passar nos próximos anos com o clima.
Todo este diagnóstico e prognóstico se apresenta na imprensa como uma série de afirmações absolutamente verdadeiras (divinas) – o clima está a mudar, a culpa é dos homens e há uns iluminados que sabem exactamente o que vai acontecer se nada fôr feito e o que é preciso fazer para evitar que tal aconteça. É um dogma. E contra os dogmas... papas de linhaça!
Entretanto, tempestades como o tufão Yolanda que agora mesmo devastou as Filipinas serão tomadas à conta das tais alterações, embora sem o impacto noticioso que teriam se ocorressem na costa atlântica da América do Norte, ainda que venham a custar mais de uma dezena de milhar de mortos. O facto de este ano ter mais uma vez contrariado as previsões de grande actividade tempestuosa na costa leste dos Estados Unidos é pura e simplesmente ignorado. Naturalmente. Uns pontos adaptam-se à curva que o mentor tem na cabeça, entram para os cálculos; outros não se adaptam, são desprezados. É isto ciência?
A ver se não me esqueço de voltar à carga
sobre as previsões que ditavam ser este ano um ano sem Verão aqui por estas bandas.