31 dezembro 2022

Ruído

Aprendi, lá pelos idos de 60, ou melhor fui avisado de que os tempos vindouros seriam de aumento constante do ruído informativo, até este se tornar ensurdecedor.
Pois bem, quem assim me avisou acertou em cheio.
Tão em cheio que por estes dias ensurdeci.
Bom ano de 2023

30 dezembro 2022

Serviços do Estado

Poderia talvez a ANSR ter solicitado a alguém mais capaz a elaboração da fotomontagem alusiva à passagem de ano. Dei conta disto através da página igualmente trágica da Direcção-Geral de Saúde, onde se têm acumulado os mais extraordinários disparates.


imagem da página de Facebook da ANSR

Modéstia à parte, um amador sem salário ou avença, faria muito melhor.

Pelo caminho das pedras em 2019

28 dezembro 2022

Nota solta e pessoal

A página da Multicare via Fidelidade é absolutamente péssima.
Bad engineering” – diria um velho conhecido.
TAP

Resta saber se esta notícia-bomba que saiu no sábado teve ou não o propósito de criar na opinião pública um clima favorável à venda da TAP.

27 dezembro 2022

Marcelo

Gosto particularmente de ouvir Marcelo dizer que não comenta casos específicos.
300 anos

Passam hoje 300 anos sobre o terramoto que assolou o Algarve, num prenúncio do que viria 33 anos depois. Terá havido quem tenha assistido a ambos os eventos e vivido para os contar.

26 dezembro 2022

Ao lado

A senhora secretária de Estado respondeu ao lado.
Não seria de esperar outra coisa.
Incapacidade

A dizedora da CNN não conhecia José Carlos de Vasconcelos e ninguém lhe explicou quem ele é. Talvez ninguém por ali soubesse. Ia ouvi-lo sobre o falecimento de Mega Ferreira.
Chamou-lhe João ao apresentá-lo, o que o próprio corrigiu a seu tempo.
A dizedora da CNN fechou a intervenção do jornalista com um sonoro "João Carlos de Vasconcelos".
Achar que esta gente tem o mesmo estatuto profissional quer de José Carlos de Vasconcelos quer de António Mega Ferreira só tem uma justificação: a consideração de que a geração a que a dizedora pertence é a mais qualificada de sempre.
Mais gente com carimbos, sem dúvida.
Muito mais gente sem pés nem cabeça a palrar, sem dúvida também.
E que ainda por cima nem prestam atenção ao que ouvem.

25 dezembro 2022

Portugal, 2013

Uma semana que fosse

Calhava que houvesse uma semana em que não déssemos real conta de que andamos às voltas no Pinhal da Azambuja à mercê dos salteadores e capitaneados, nós, por um grupo de mentecaptos.

23 dezembro 2022

Solução saturada

Talvez fosse interessante ensinar aos sociólogos e afins o que é uma solução saturada.
Paris

A ouvir uns quantos admirados com o motim que decorre em Paris, calculo que o mesmo seja uma decorrência das alterações climáticas, uma vez que nunca existiram motins em Paris.

22 dezembro 2022

Governo e oposição

Costa é o que é. Não dá mais do que isto.
Existe um líder no PSD?

21 dezembro 2022

A III Guerra Mundial já começou?

Sabe-se agora que em 1976 quando este livro foi publicado a III Guerra Mundial não tinha começado ainda.

Lagoa de Albufeira, 2018

19 dezembro 2022

Designações

A expressão “as pessoas lá em casa” comummente pronunciada nas televisões é substituída aqui no blogue pel’“os simples”.

18 dezembro 2022

Improviso

Uma das limitações dos aprendizes de locutores, ditos jornalistas, que apresentam as notícias é a incapacidade de improviso.
Uma vez escrita uma notícia e esta plasmada à frente deles, repetem-na tal e qual vezes sem conta, ainda que sejam desmentidos no instante seguinte ou até no anterior pelos repórteres no local quanto à própria localização, descrição, causa, etc. do acontecimento em apreço.
Ontem foi a insistência (na CNN) de que um naufrágio ocorrera na Figueira da Foz quando o jornalista no local repetira já inúmeras vezes que se encontrava na praia do Pedrógão, local do sucedido.
Não conseguem fazer uma correcção em directo.

16 dezembro 2022

Inconciliação

Se há dias aqui dei conta de um sotaque amigável, venho agora afirmar que o sotaque escondeu a incompetência ou o ardilismo, diga-se assim.
O caso é que tudo o que foi dito e afirmado nunca aconteceu, segundo a fabulosa empresa que me presta serviços de comunicações.
Uma espécie de pequeno furto teve lugar entretanto, por via desse expediente.
Os call centers, covas de lobo como já os qualifiquei são uma espécie de grande fosso defensivo das grandes empresas empestado não por répteis mas por outros seres igualmente irracionais.

15 dezembro 2022

Natal dos Hospitais

Dou-me conta de que pela primeira vez estou a assistir ao Natal dos Hospitais com a atenção de um geronte.
Faço-o desde manhã.
Cheias e jornalismo

"Acha que se poderia ter evitado esta inundação?" - ou existe um protocolo que faz com que se ouça esta pergunta da boca dos mais diversos repórteres ou eles copiam-se uns aos outros, talvez na expectativa de obterem não só um sim, podia, mas também a indicação do responsável pela acção ou omissão que não evitou a cheia.
São Pedro, George W. Bush, Donald Trump, entre outros são candidatos óbvios à responsabilidade pelos danos causados pela água. Não será difícil estabelecer uma cadeia retrógrada de efeito-causa que conduza à porta de tais figuras.
Os mesmos repórteres que faltaram à escola no dia em que foi ensinado que o mundo não começou quando eles abriram os olhos, ainda que assim pareça.
Ao kg

Uma entrevistada por um canal de televisão achava que as pessoas não teriam que se preocupar muito com o aumento do preço dos produtos na praça, porque os ditos aumentos são no preço do quilo e, no geral, as pessoas compram menos de um quilo.
Galhofeira ou crente, ficou a dúvida no ar, que a jormalista não desfez.

13 dezembro 2022

Cheias

Há dezasseis anos, escrevi em post scriptum o seguinte:
Sugiro que se elabore uma fórmula, com base nos períodos de retorno, que dê enquadramento às indemnizações que o Estado paga a quem se queixa de ter bens destruídos por inundações. É um roubo de igreja que alguém, cuja casa se inunda todos os anos pares, venha reclamar do Estado uma compensação.


Aceito que o Estado, que administra o dinheiro que é de todos, ajude quem se vê confrontado com excepcionais manifestações da Natureza. Particularmente nos casos em que as companhias de seguros não estão dispostas a aceitar o risco.
Como em tudo na vida, o busílis está em estabelecer os limites.
O que não aceito é que expondo-se conscientemente ao risco, estabelecendo-se as pessoas em leito de cheia porque tal lhes é conveniente, venham depois reclamar da comunidade o auxílio necessário quando a cheia ocorre.
Há também quem se sujeite a riscos sem disso ter consciência. Nesses casos, cabe à mesma comunidade, através dos órgãos do Estado, dar os avisos necessários e impor as devidas interdições.

12 dezembro 2022

Ver os aviões

Sexagenário, jamais havia visto um avião esvanecer-se no ar.
Foi uma sublimação rápida que aconteceu sobre o meu pára-brisas.
Fosse eu um observador de pássaros de ferro...
Pôr a carteira onde se põe a boca

Palpitando sobre os semi-finalistas de 2022, a aposta foi como segue:



Há, claro, um critério para o apuramento do vencedor, que colherá os frutos em géneros, passe a redundância.

10 dezembro 2022

Entrar com a bola dentro da baliza

Uma coisa que nunca será explicada pelos entendidos da bola é a razão pela qual uma equipa que conte com muitos jogadores bons a fintar, em vez de utilizar o tradicional “chuveirinho” quando está em desespero não se remete a tentar entrar com a bola dominada dentro da baliza, marcando golo ou sofrendo penalti.

09 dezembro 2022

Coisas importantes que não podem ficar ao critério de amadores

No jogo contra a Croácia, os números das camisolas do Brasil são imperceptíveis a alguma distância por ausência de contraste com a cor do equipamento.
A vexilologia explica há séculos como fazer bem feito.

08 dezembro 2022

Inundações

Sem embargo de ter havido cheias em alguns locais e por isso haver razão para notícia - até morreu uma pessoa - o que vi ontem como sinal de alarme dado por uma estação de televisão era um lençol de água pelo qual os carros passavam sem novidade.
Dito isto, para os habituais observadores sem memória é claro que nunca choveu assim na zona de Lisboa. Só as alterações climáticas justificam um caso como este.
Há ainda uma dúvida que me assola quanto às alterações comportamentais da mole: será que ao mesmo tempo que o alarmismo campeia nas gerações mais novas também, e neste caso paradoxalmente, a sujeição (in)consciente a riscos desnecessários se acentua, sendo disso exemplo de hoje as diversas situações que se observaram nas televisões de gente a atravessar com carros zonas inundadas com não pouca água, tendo resultado daí a imobilização dos veiculos?

07 dezembro 2022

O tal diferendo entre gerações

O diferendo entre gerações é hoje muito patente no alarmismo. Talvez mais do que em qualquer outro factor.
Acabei de ver na televisão umas vulgaríssimas imagens de um lençol de água na estrada que pelos vistos suscitaram o alarme nas redacções.

Adenda sempre a tempo: segundo a jornalista de serviço, a água chegava aos pneus dos automóveis!
A senhora da Europa



Não tem a ver com o cargo que ocupa nem com o seu desempenho.
Nem com o estatuto que lhe foi atribuído pela Forbes.
Tem a ver isso sim com a sua figura de mulher. Sou apreciador.
Ou

Ou são os russos a enviarem mísseis desmaterializados ou é uma bela de uma travoada aqui nas costas de Sintra.
Onde chove e onde não chove

06 dezembro 2022

Excesso de precaução?

Partindo do princípio que os explosivos usados nas cartas anónimas chegadas a diversos pontos de Espanha são pouco mais ou menos aquilo que se pode comprar numa loja do chinês como fogo de artifício, justificar-se-ia na hipótese de caso idêntico ter ocorrido em Lisboa, haver cortes de ruas?
Não será um acentuado excesso de precaução?

04 dezembro 2022

Wrong news

Aquilo que antigamente eram boatos, aldrabices, efabulações, mentiras descaradas é hoje designado pelos novos ricos da linguagem importada por "fake news".
O que não tem ainda designação importada é o chorrilho de asneiras e imprecisões que são ditas de boa-fé mas com a maior das incompetências e de que é recente paradigma o caso do porta-aviões voador.
É difícil calcular qual dos dois blocos - aldrabices ou disparates - tem maior peso no lixo das notícias. O que sabemos sem grande dúvida é que, juntos, têm maioria absoluta.

02 dezembro 2022

A velhice não é afinal um posto

Vimos ontem Lukaku desperdiçar oportunidades de golo que em outra altura não falharia. A idade não perdoa. Tornou-se afinal menos um na selecção da Bélgica.
Ronaldo caminha para esse estatuto. Vezes sem conta desposicionado, falhando e fazendo esgares de autodesagrado.
Talvez jogue pela suposta ameaça que representa para os adversários.
A selecção sem Ronaldo também não melhorou, é um facto.

30 novembro 2022

E as contas da bola

Falta de TPC ou incapacidade de executar cálculos básicos determinam a constante dificuldade dos jornalistas desportivos acertarem nas possibilidades ou impossibilidades de qualificação de uma equipa num grupo de apuramento.
O milagre das contas

Ainda a EDP Comercial.
Num texto cheio de justificações e lugares comuns como é comum entre os marqueteiros, a EDP Comercial estima em 3% o aumento da conta da electricidade para 2023.
Depois, no quadro já publicado anteriormente temos preços para o kwh que aumentam 75% nas horas de “vazio” e 56% nas horas de “cheio”, isto para quem tem tarifa bi-horária.
Deverá existir um milagre qualquer que faça com que a factura apenas aumente um míseros 3%.
O milagre da razão marqueteira.

29 novembro 2022

Três, dos quais quatro

A proliferação de agentes irracionais nas comunicações das principais companhias de prestação de serviços é patentíssima nos apoios telefónicos e escritos, embora estes últimos sejam evitados por estas instituições.
Este é um exemplo de que não há uma cabeça racional a verificar a comunicação emitida pelos néscios.
É da EDP Comercial.

25 novembro 2022

Jornalismo

Segundo a cara falante da CMTV, no 25 de Novembro triunfou a Ala Moderna das Forças Armadas.

24 novembro 2022

Jornalismo

Diz a peixeira algarvia:
Agora vendo para aí 10kg de peixe quando no Verão chegam a ser 50kg.
Conclusão da pé-de-microfone*:
Este Mundial é atípico.

* tal como diz o amigo Bic Laranja
Orientação

A palavra orientação é discriminatória. Prefere o Oriente a qualquer outra direcção.
Eu, que sou um feliz contemplado com a orientação para sul, sinto-me discriminado.
Não me revejo no conceito unilateral de oriente e ergo aqui as minhas teclas em prol de uma nova designação para a direcção da bússola.
Uma designação que não discrimine os que se voltam para Sul, Norte e Oeste. Para não falar nos pontos colaterais e sub-colaterais.

22 novembro 2022

Planeta B

A senhora ministra vive no planeta B mas estranhamente faz parte do governo aqui na Terra.

21 novembro 2022

Sotaque amigável

Ainda há poucos dias aqui reiterei a minha aversão a call centers.
Pois bem, hoje que fui de novo obrigado a estabelecer uma ligação por tal canal, deparei-me com um sotaque tão amigável que provavelmente toldou a minha má experiência. Assunto resolvido a contento e uma pergunta indiscreta final da minha parte: esse sotaque é de onde eu penso que é? Não era. Mas não haverá dúvidas que se confundia. E, sim, era uma senhora.

20 novembro 2022

Catar e o resto

Os figurões do orbe deram-se agora conta de que o Catar não é politicamente correcto.
Vai daí, fazem cara de nojo depois de terem compactuado com a escolha daquele local para o Campeonato do Mundo sem tugir nem mugir.
Ali não muito longe, no Egipto, confirmou-se o esperado – é tudo uma questão de dinheiro para lá ou para cá, tal como no futebol.
O mundo é isto. Nunca foi coisa diferente.
Não sei pois porque me dou ao trabalho de escrever isto.

15 novembro 2022

8 x 109

11 anos bastaram para, mais dia menos dia, mais milhar menos milhar, adicionarmos 1000 milhões de criaturas ao rebanho humano.

Qual será a percentagem de jornalistas que ao afirmarem que a população mundial atingiu hoje o número de 8 mil milhões se apercebem de que se trata de um dia simbólico em que um algoritmo qualquer atribui esse valor aos habitantes da ecúmena?
Vi até uns que afirmaram que tal tinha acontecido pouco depois do meio dia!

Ainda que a curva da população pareça estar a crescer com uma derivada com tendência decrescente, não é decerto menos preocupante esse crescimento.
A exaustão de recursos, o estrago no habitat e a pressão das migrações de zonas superpopuladas e de fracos recursos para o mundo mais desenvolvido prometem um cenário muito pouco agradável se o travão ao crescimento não for accionado com alguma força.
Não se vislumbram grandes preocupações a respeito, antes se apela para o crescimento.

14 novembro 2022

Telefonemas

Cada vez mais é improvável conseguir-se junto dos prestadores de serviços um canal escrito – e-mail por exemplo – sem duvidosas limitações de caracteres mas com intrincados passos até que se lá chegue. Talvez por haver grandes limitações na escrita de quem seria suposto responder-nos – especulo.
O certo é que a maioria das respostas que se obtêm por escrito destas instituições são chapassete – um somatório de banalidades e de conselhos pueris mesclados com pouca informação relevante, as mais das vezes repetindo passo a passo a nossa reclamação.
Fujo dos denominados call center como o diabo da cruz.
A probabilidade de ter que dialogar com um ser irracional é tremendamente grande.
Há pouco, obrigado que acabei por ser a tal, encontrei uma criatura que não sabia ou não queria entender a diferença entre condições contratuais gerais e consições contratuais particulares.
Alegava em contrapartida que me ia enviar um estafeta – era esta a sua argumentação.

11 novembro 2022

COP 27

Não há coisa alguma que ocorra debaixo do Sol que não seja fruto das alterações climáticas.
Os povos do deserto e os povos da tundra glaciar decerto merecerão grossas indemnizações, de acordo com os critérios politicamente correctos.
Notícias do manicómio.
Vá lá

Mais vale tarde do que nunca.
umas figuras de almanaque que acham que não é boa altura. Como se estas coisas tivessem altura para ser postas em prática.

08 novembro 2022

Oposição

Terá existido algum momento em que a oposição em Portugal depois de 1975, tenha tido um programa, uma alternativa ao governo?

07 novembro 2022

COP 27

Será de esperar alguma coisa mais do que decidir quem haveria de pagar o quê e quem haveria de receber o tal? Sempre no condicional.
Nos documentos da última COP pode ler-se ainda esta pérola do politicamente correcto:


(clicar para aceder ao documento)

05 novembro 2022

Um quarto de século

E assim de repente, passaram vinte e cinco anos desde as últimas grandes cheias no Alentejo.


imagem do IM

01 novembro 2022

Sismos

Em 1985, levando à risca uma regra inventada que contava 230 anos entre o sismo de Lisboa de 1531 e o de 1755 (foram na realidade 224) e que daí em diante o ciclo se repetiria, o governo de então achou por bem dotar grande parte dos edifícios públicos de avisos sobre o que fazer em caso de terramoto.
Com esse cálculo e essa regra inventada nem lhes ocorreu que o ciclo se tiivesse eventualmente completado em 1969, 214 anos após 1755.
O certo é que passou um modismo nesses dias que não teve qualquer continuidade.
É certo que há, de vez em quando, uns exercícios de simulacro para aferir qualquer coisa e que também de vez em quando se lembram de instruir as crianças para uma tal eventualidade, muitas vezes de forma contraditória, aconselhando hoje o que desaconselhavam ontem.
Estamos sediados sobre falhas sísmicas. Mais dia, menos dia teremos novas disso.
Não vejo grande atenção ao caso, a não ser por repelões.



imagem de Sinalux

31 outubro 2022

A bem da Nação

No Estado Novo não havia ofício que não fosse exarado a bem da Nação.
Nos dias actuais, sem ditames oficiais, não há discurso nem propaganda que não inclua as palavras sustentável e resiliente.
O Estado Novo orgulhar-se-ia decerto destes discípulos obedientes.

30 outubro 2022

Pobreza confrangedora

É a qualificação que faço das intervenções dos intelectuais brasileiros de serviço às televisões portuguesas.
A sua argumentação, embora mais polida, está ao nível do povão mais recôndito. E bate certo com a qualidade de ambos os candidatos.
Nada ali cola com a razão.
Empate técnico entre os dois lados da barricada.

29 outubro 2022

A senhora da gadanha

Estava sentada no cadeirão às quatro da bússola. Só dei por ela, vestida de negro como nunca a tinha visto, e eu já a vira decerto algumas vezes, quando me virei para trás.
Começou por uma conversa eclesiástica. Disse qualquer coisa sobre três mil e duzentas comunhões, creio que em simultâneo.
Depois o discurso descambou para uma espécie de prognóstico médico feito a compasso. Foi este evoluindo com trejeitos do vestido negro no cadeirão até que o seu olhar se fixou no meu e me disse que o prazo estava a acabar.
Percebi então que estava por horas. Que não veria o dia de Domingo.
Não deve ter sido calmamente que a escoltei até à porta da rua e me despedi dela.
Geração mais qualificada de sempre

Uma senhora legendada como professora universitária proferiu por duas vezes a palavra órbitra.
Incidente federal

Um jornalista americano usou o adjectivo “federal” para classificar o pisoteio de centenas de pessoas em Seul.
Um cabal exemplo de cabeça formatada.
Noves fora, nada


imagens de páginas das respectivas campanhas

28 outubro 2022

Путин

Há, nas afirmações de Putin e de acordo com as traduções ouvidas e lidas, algo que subscrevo: o mundo ocidental está demente.
A sanha do politicamente correcto em esmagar a ciência, em negá-la a cada passo, impondo modelos acordantes com uma mentalidade doentia esmagou por ora a razão.
Nisso ele tem razão.

27 outubro 2022

Neo-surrealismo prático

Na estética surrealista uma afirmação do tipo a+b=verde seria uma manifestação artística e nada mais. Afastar-se da razão faria toda o sentido como atitude.
O que se verifica hoje entre as camadas mais jovens, ainda que supostamente cultas, é a utilização no quotidiano prático da afirmação a+b=verde para regular as suas acções.
Não há ali pinga de lógica que se detecte.
Não faltam na publicidade emitida nas televisões alguns exemplos desse ilogismo prático de premissas disparatadas.
Resta saber se essa irracionalidade abraça quem não faz uso diário da razão e da lógica se, pelo contrário, se destina a impressionar pela negativa quem ainda raciocina: E dar com isso destaque à marca.
É um mistério para mim.

26 outubro 2022

Gente incapaz

Há demasiada gente incapaz a reivindicar como se o país fosse rico.
Gente incapaz com carimbos e certificações que ou se rende ao corporativismo reivindicativo cego e surdo ou se encontra sediada numa utopia da qual não se apercebe.

24 outubro 2022

Jornalismo

Na RTP, para ilustrar a morte de Carlos Melancia colocaram uma imagem de Rocha Vieira.
Não é preciso muito para perceber que se trata de um erro básico de um novato sem cabeça em que a televisão é pródiga.

Gasodutos e afins

Já se percebeu que nenhum dos oradores sobre a história do gasoduto e das ligações de energia sabe coisa alguma sobre o assunto e sequer é capaz de raciocinar, o que de resto não espanta.
Costa disse-o mas esqueceu-se de se ver ao espelho.
Vila Nova, 2022

23 outubro 2022

Uma espécie de paradoxo

O transporte colectivo é em grande parte preterido pelo individual por uma questão de comodismo e privacidade.
Isto nos centros onde coexistem. Há uma boa porção de território em que tal não acontece.
O ódio que grande parte da ecúmena nutre pela outra parte e que é exacerbado pela ausência de contacto directo, resulta em grandes doses de irritação no trânsito quotidiano e é, por via da presença próxima do outro, mitigado no transporte colectivo.
Resulta assim numa certa redução da comodidade do transporte individual.
Uma espécie de paradoxo.
Gasoduto

Uma exigência que se não pode fazer é a Rangel que explique a história da derrota de Portugal no caso do gasoduto Barcelona - Marselha.
Rangel é mais um iludido com as potencialidades de Sines para o interesse europeu.

22 outubro 2022

Intervalo de tempo

Liz Truss terá sido a primeira-ministra com menor tempo de serviço no Reino Unido. Por ironia do destino, nesse ínterim conheceu dois monarcas.
Minudências do cosmos.

21 outubro 2022

Estupidamente “correcto”

Alguém decretou que o hidrogénio doravante terá cor e será verde.
Para além disso, parece que a ideia de Sines ser o tal único porto do mundo e arredores continua na ordem do dia.

20 outubro 2022

A malga e o Estado (II)

A história é velha, já aqui a mencionei mas não desenvolvi.

Dois homens compraram a meias uma pipa de vinho com a intenção de a venderem, a tostão cada malga, na feira da vila.
Instalados na tenda, e à escassez de fregueses, um deles interpelou o outro:
“E se eu bebesse uma malga? Pagava-te meio tostão, já que metade da pipa é minha.”
O outro anuiu e cedo resolveu ser ele a beber uma pinga, passando o meio tostão ao sócio.
Conta-se que não tendo aparecido um único cliente terão bebido a pipa, tendo ficado o meio tostão no mesmo bolso de onde saíra inicialmente.




O Estado somos nós. O Estado subsidia-nos. O Estado colecta-nos.
No fim da história, o dinheiro foi e veio e acabou-se o vinho.
Bem sei que esta é uma visão simplista. Mas é uma caricatura do que acontece na realidade contrariando a mistificação de que o dinheiro cai do céu.
Onde chove e onde não chove

Com pouca esperança

Com pouca esperança de ver as colunas emergentes a ganhar forma.

19 outubro 2022

Uma depressão

É apenas mais uma depressão.
Esperemos que deite sobre o território água em barda.
Mas temo que seja mais um falhanço.


Imagem do ECMWF, via IPMA

18 outubro 2022

Alerta

Fui alertado pela CNN Portugal de que o disparo na inflação atinge mais fortemente os mais pobres. Isto numa demorada reportagem.
Jornalismo de excelência. Suponho que seja um jornalismo resiliente, responsável, sustentável, verde e azul. Não o será?

16 outubro 2022

Mais certo do que a Feira de Castro

E de facto, alguns acontecimentos foram mais certos do que a Feira de Castro em 2020 e em 2021.
Não faço ideia de quantos interregnos teve tal feira desde a sua fundação mas o facto de ter servido na voz do povo como padrão de regularidade decerto significa que não terão sido muitos. Assim, 2020 e 2021 entram para a história de tal evento pela porta pequena.
Quanto a mim, a última visita foi na canícula do dia tremendo de 15 de Outubro de 2017. Vindo da margem esquerda do Guadiana, esbraseado, não fiz mais do que circundá-la.
E não foi este ano que cumpri a velha tradição, que sempre apreciei.

Fotografia da Feira de Castro em 2016

15 outubro 2022

Interlocutores

Há, basicamente, duas espécies de interlocutores na Administração Pública: os capazes e os incapazes.
Aos capazes podemos dar conta do nosso caso por extenso. Interpretarão as nossas dúvidas e as nossas pretensões sem dificuldade e orientar-nos-ão para a solução.
Aos incapazes só podemos dar conta parcial e muito limitada das dúvidas e pretensões, talvez até ocultando as dúvidas para não atrapalhar e sempre nessa limitação orientados para as tarefas rotineiras do interlocutor. Da soma de procedimentos tais, tantos quantos os serviços envolvidos, talvez possamos chegar a bom porto, o que não é garantido.
A dificuldade está em identificar logo no cedo as capacidades de quem nos atende.

12 outubro 2022

O fantástico carro eléctrico

Há mais de um século os carros eléctricos começaram a perder a corrida que agora querem de novo liderar.
A escassa evolução da capacidade das baterias e da velocidade de carregamento associada aos elevados custos da substituição das mesmas tem aparentemente travado a ultrapassagem.
Há ainda a questão da absurda dependência na fonte dos mesmíssimos combustíveis de origem fóssil cujo uso se quer eliminar.
Não é raro ver uma geringonça qualquer movida por energia eléctrica proveniente de um gerador que trabalha a gasóleo, simbolizando o tal absurdo das centrais eléctricas.
Tudo isto é acompanhado de uma propaganda que promove o fantástico carro eléctrico como uma exigência moderna dos seres ditos de vanguarda.


da última factura da EDP

06 outubro 2022

A trapalhada dos carros da TAP

Ok. O povo serenará num ano e depois veremos – foi mais ou menos isto que a comunicação marqueteira da TAP quis dizer, segundo os órgãos de informação que a divulgaram.
Não poderia a administração da TAP perder os pergaminhos e aceder a adquirir viaturas de custo muito inferior. Não o podendo, vai empurrando o problema com a barriga, que é o que a TAP faz há tempo na sua gestão.
Covas de lobo

A dificuldade existente em ter acesso a uma conta de e-mail para onde, talvez na vã esperança de alcançar alguém competente, se consiga fundamentar com pés e cabeça uma qualquer reclamação junto de organismos públicos e outros que prestem serviço público, leva a que nos confrontemos em caso de necessidade com as tais covas de lobo que aqui referi vai para uns anos.
Alguém despreparado, com um manual de procedimentos inúteis à frente, atende-nos do outro lado do telefone. Começa aí a inenarrável aventura nos chamados call center.
Renault Clio

Há uns dez anos cirandou por aí a ideia de que um vulto político teria rejeitado andar de Renault Clio em funções oficiais.
Não faço ideia se foi assim ou se não foi. Mas o certo é que deu brado.
Agora temos a novela dos BMW da TAP.
Ciranda igualmente por aí a história de que a TAP reagiu às críticas que soaram de todo o lado com o arrazoado de que a operação de substituição dos veículos iria gerar poupanças com a frota automóvel.
Isto é o que se chama responder ao lado, coisa habitual em quem é falaz mas irracional.
O que está em questão é a escolha de veículos de gama alta, quando a companhia está a viver do erário público há demasiados anos, não é se vão pagar menos do que pagavam.
Diz o roto ao nu

De facto é difícil imaginar organismo menos apropriado pelas suas inúmeras fífias digitais do que a DGS para propagandear a boa utilização dos meios informáticos.
Mas é o que temos.


da página do Facebook da DGS

02 outubro 2022

Minuteman

Não sei quando a palavra Minuteman entrou no meu léxico. Sei, no entanto, que a associei desde o início a aniquilação total.
As notícias dos últimos dias dão a entender que estamos num pico de tensão. Podem os catastrofistas dizer agora que desde 1962 não há uma crise igual. Já ninguém se lembra da crise dos euromísseis nem da Guerra das Estrelas (IDE).


imagem em https://www.military.com/base-guide/f-e-warren-air-force-base

01 outubro 2022

Uma espécie de efeito Mpemba



Dar-se-á com a apreciação das mulheres feita pelos homens.
Quanto maior a apreciação, maior a velocidade com que a depreciação ocorre.
Sendo o efeito Mpemba uma duvidosa tese, também esta o é. E interroga-me numa medida em que o dito efeito interrogou aparentemente tanta gente.
Às vezes acho exactamente o contrário.

30 setembro 2022

Mortalidade diária

Número de óbitos em 2022, comparados com a média de 2009 a 2021. Dados do SICO - Sistema de Informação dos Certificados de Óbito.

Maria vai com as outras

Os ditos populares pela sua natureza são em regra certeiros e intemporais. No entanto, há épocas e épocas. Nesta em que ora vivemos, o “Maria vai com as outras” e o “macaquinho de imitação” estão muito adequados.
Por via da massificação e da facilidade de comunicação entre os simples.

29 setembro 2022

Simplex

Há-de haver uma razão, que não histórica, para que no séc.XXI não exista ainda integração do Registo Predial com o Registo Fiscal.

28 setembro 2022

Furacão

Hoje, os especialistas em alterações climáticas têm o espectáculo de que precisam. Há um furacão a assolar a Florida.
A informação é hoje mero espectáculo. Talvez o tenha sido sempre mas hoje é com muito mais facilidade que se espalha por toda a parte.
Sublinhar estes acontecimentos cíclicos é a missão da propaganda em prol das ideias poliitcamente correctas.

27 setembro 2022

Um par de estalos

Ouvi uma história que, a ser verdade, era sobre uns miúdos que não deixaram dormir o ciclista país-baixense Mathieu van der Poel na véspera do campeonato do Mundo de estrada e que terão por isso sido agredidos pelo dito.
Ao ouvir tal, achei que um par de estalos não teria sido mal dado. Sem saber se se tratara ou não de um par de estalos.
O que mudou a minha opinião foi ter lido depois que se tratava de duas miúdas. Nas senhoras não se bate.
Também eu fiz traquinices na meninice e, talvez por sorte, escapei sempre ao tal par de estalos. Creio que não me teria caído mal em algumas circunstâncias.

25 setembro 2022

Jornalismo

Um avião de carga teve um acidente. Nenhum passageiro ficou ferido.” – diz a cara falante na televisão.

24 setembro 2022

Comparação

Gráficos onde se pode comparar a situação actual com a do Verão de 2020 onde as restrições eram significativas.





Dados da DGS relativos a casos e óbitos por semana.

23 setembro 2022

Publicidade irritante

Imagino que também ensinem os marqueteiros nas respectivas escolas de que há muitas formas de uma campanha publicitária se voltar contra o anunciante. Uma delas é ser irritante.

21 setembro 2022

H2O

Há quem, já depois de velho, ainda acredite no Pai Natal, de resto uma criação bem espigada de uma marca de refrigerantes.
Do Pai Natal aos refrigerantes e dos refrigerantes à água, há quem acredite que vamos ter para sempre a torneira aberta do lado espanhol.
Outrora (vai para mais de 17 anos) escrevi por aqui o seguinte: “A agravar-se a falta de água, é lirismo puro contar com a água que vem de Espanha.”
As notícias destes últimos dias falam de manifestações em Espanha a reivindicar o fecho das torneiras. Não chova ele e veremos quanto tempo demorará até termos secos os rios que de lá vêm.

20 setembro 2022

Cemitério

A primeira e única pessoa a quem ouvi dizer que umas imagens de Izium mostravam um cemitério, ainda que improvisado – viam-se cruzes e nomes escritos em placas de madeira – foi o Maj.-Gen. Agostinho Costa.
Todos os outros que até então comentavam acriticamente aquelas imagens diziam tratar-se de umas valas comuns descobertas agora.
Não perceber o que se vê é um dos apanágios do jormalismo actual.

15 setembro 2022

Notícias do manicómio

Ouvi há pouco a Drª Manuela Ferreira Leite dizer que há um filme publicitário patrocinado pelo Estado que manda as pessoas correrem em sentido oposto ao da propagação de um fogo.
Como não tenho razão para duvidar da senhora, apenas me interrogo sobre o seguinte: Há ou não gente a quem este tipo de mensagens é destinada?
Se há, isto são mesmo notícias do manicómio. Se não há, é o habitual disparate das mentes despreparadas que comandam o país.

14 setembro 2022

Elegia prosaica das tabernas

A assoberbante e cenográfica taberna da Malveira, ao pé da Estação e com o competente cheiro a cominhos, e a cave retumbante de petiscos do Sr. Manuel da Damaia.
Defuntas ambas.
Menção também para o Cartaxeiro em Caneças, que hoje nada tem de taberna.
E uma outra quase ao lado da Câmara de Sintra, que depois também deu em fina.

13 setembro 2022

Falta de autoridade

A falta de autoridade está bem patente no número de vezes em que o lixo social saca da pistola para resolver os seus conflitos.
Num país em que os cidadãos idóneos são fortemente desencorajados a não possuírem armas de defesa pessoal.
Já fui testemunha ocular de uma dessas situações.

Godard

Talvez tenha sido o realizador que mais me encheu as medidas.


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