31 dezembro 2025
28 dezembro 2025
Estrangeiro à porta de casa
Na solução saturada o indígena (solvente) caminha e permanece entre alienígenas (soluto) desde a porta de casa até ao abastecimento diário e volta. Não há substituição de populações.
Na solução saturada o indígena (solvente) caminha e permanece entre alienígenas (soluto) desde a porta de casa até ao abastecimento diário e volta. Não há substituição de populações.
26 dezembro 2025
Notícias do manicómio
Faz parte da ganga este tipo de dislates: saber o que levou alguém que morreu a cometer um crime.
Faz parte da ganga este tipo de dislates: saber o que levou alguém que morreu a cometer um crime.
24 dezembro 2025
21 dezembro 2025
18 dezembro 2025
Boas Festas
Com a idade mudam-se hábitos. Se havia coisa que me passava sempre ao lado era a troca de votos de Boas Festas em cartão ou por telefone.
Pois de há uns anos para cá passei a dar uso ao WhatsApp para desejar boa saúde e boas festas aos amigos e conhecidos.
E disso retirei uma regra: a distância do Natal do dia em que formulamos tais votos é directamente proporcional ao grau de proximidade da pessoa a quem o fazemos: aos mais distantes, boas festas uma boa dezena de dias antes do Natal; aos próximos, naturalmente, uma ligação na véspera à tardinha ou um abraço na própria noite.
Confesso que na minha incapacidade de compreender as relações humanas, esta constatação não é muito antiga.
Com a idade mudam-se hábitos. Se havia coisa que me passava sempre ao lado era a troca de votos de Boas Festas em cartão ou por telefone.
Pois de há uns anos para cá passei a dar uso ao WhatsApp para desejar boa saúde e boas festas aos amigos e conhecidos.
E disso retirei uma regra: a distância do Natal do dia em que formulamos tais votos é directamente proporcional ao grau de proximidade da pessoa a quem o fazemos: aos mais distantes, boas festas uma boa dezena de dias antes do Natal; aos próximos, naturalmente, uma ligação na véspera à tardinha ou um abraço na própria noite.
Confesso que na minha incapacidade de compreender as relações humanas, esta constatação não é muito antiga.
17 dezembro 2025
16 dezembro 2025
15 dezembro 2025
Dissolução
À medida que o primado da Lei deixa de existir, e é isso que experimentamos a cada dia, aproximamo-nos de um qualquer abismo.
Só não vê isso quem vive na tal bolha, coisa que sucede com a maioria dos que nos desgovernam.
Estamos a ser engolidos pela selvajaria. Que não tem medo de ser selvagem, de desrespeitar tudo e todos pois nada lhe acontece.
Os cegos da bolha arranjam baldes e alguidares fantásticos para recolher a água das cada vez maiores goteiras e desmentem os que afirmam que o telhado está roto.
Um dia a casa cai.
À medida que o primado da Lei deixa de existir, e é isso que experimentamos a cada dia, aproximamo-nos de um qualquer abismo.
Só não vê isso quem vive na tal bolha, coisa que sucede com a maioria dos que nos desgovernam.
Estamos a ser engolidos pela selvajaria. Que não tem medo de ser selvagem, de desrespeitar tudo e todos pois nada lhe acontece.
Os cegos da bolha arranjam baldes e alguidares fantásticos para recolher a água das cada vez maiores goteiras e desmentem os que afirmam que o telhado está roto.
Um dia a casa cai.
13 dezembro 2025
12 dezembro 2025
Delírio
É realmente extraordinária a capacidade do ser irracional de produzir coisas parecidas com programação.
A página E-Lar, já referida abaixo, é um autêntico catálogo de burrices. Santos os que a programaram, é deles o reino dos céus (Mateus 5:3, 10).
É realmente extraordinária a capacidade do ser irracional de produzir coisas parecidas com programação.
A página E-Lar, já referida abaixo, é um autêntico catálogo de burrices. Santos os que a programaram, é deles o reino dos céus (Mateus 5:3, 10).
11 dezembro 2025
Delírio
É absolutamente delirante a programação da página do programa E-Lar.
Fica-se sempre na dúvida se se trata de estupidez pura e dura, coisa que se detecta em grande parte das páginas de serviço público, à excepção de meia-dúzia (Finanças, p.e.) ou se é apenas mais uma cova de lobo para arredar o povoléu.
A ser verdade que é só estupidez, quem serão as criaturas que programam tais coisas?
Decerto serão criaturas carimbadas, certificadas e sem dúvida alguma resilientes e responsáveis. Haja paciência para este manicómio!
É absolutamente delirante a programação da página do programa E-Lar.
Fica-se sempre na dúvida se se trata de estupidez pura e dura, coisa que se detecta em grande parte das páginas de serviço público, à excepção de meia-dúzia (Finanças, p.e.) ou se é apenas mais uma cova de lobo para arredar o povoléu.
A ser verdade que é só estupidez, quem serão as criaturas que programam tais coisas?
Decerto serão criaturas carimbadas, certificadas e sem dúvida alguma resilientes e responsáveis. Haja paciência para este manicómio!
10 dezembro 2025
07 dezembro 2025
06 dezembro 2025
Evangelização
Venho de uma época em que havia evangelização (sempre houve). Embora nesse tempo estivesse em declínio.
A essa seguiu-se uma época de assanhamento.
Quando a sanha passou entrámos numa fase de mansa evangelização. Mas os tempos actuais já não são de mansidão, são de evangelização a caminho de novo assanhamento.
Nisto, como sempre, há hordas de idiotas úteis que espalham a doutrina sem sequer saberem que o fazem.
Venho de uma época em que havia evangelização (sempre houve). Embora nesse tempo estivesse em declínio.
A essa seguiu-se uma época de assanhamento.
Quando a sanha passou entrámos numa fase de mansa evangelização. Mas os tempos actuais já não são de mansidão, são de evangelização a caminho de novo assanhamento.
Nisto, como sempre, há hordas de idiotas úteis que espalham a doutrina sem sequer saberem que o fazem.
03 dezembro 2025
Greve
A cara falante disse na RTP, citando a Liga de Clubes, que a provável greve dos árbitros "é incompreensível e provoca alarme social".
Coisa que me fez lembrar uma afirmação que ouvi algumas vezes na juventude: "Preocupação, preocupação será quando houver uma greve dos cauteleiros".
E coisa que me toca uma vez mais a tecla do ridículo quando vejo mencionar o "alarme social" a propósito de tudo e de nada.
Afinal o que é o alarme social para esta gente?
A cara falante disse na RTP, citando a Liga de Clubes, que a provável greve dos árbitros "é incompreensível e provoca alarme social".
Coisa que me fez lembrar uma afirmação que ouvi algumas vezes na juventude: "Preocupação, preocupação será quando houver uma greve dos cauteleiros".
E coisa que me toca uma vez mais a tecla do ridículo quando vejo mencionar o "alarme social" a propósito de tudo e de nada.
Afinal o que é o alarme social para esta gente?
01 dezembro 2025
Tribunal Constitucional
Assanham-se os ânimos com as propostas de nomes para o Tribunal Constitucional, entidade que seria suposto ater-se à verificação da conformidade das leis com a Constituição da República.
Numa composição anterior o Tribunal dividiu-se por proveniências de indicação dos seus membros a propósito da fixação de uma data. A data em que findava a sessão legislativa!
Assanham-se os ânimos com as propostas de nomes para o Tribunal Constitucional, entidade que seria suposto ater-se à verificação da conformidade das leis com a Constituição da República.
Numa composição anterior o Tribunal dividiu-se por proveniências de indicação dos seus membros a propósito da fixação de uma data. A data em que findava a sessão legislativa!
27 novembro 2025
26 novembro 2025
Chega
O lugar do Chega não é só o refúgio de figuras de almanaque. É uma espécie de compilação de aberrações.
Cada tiro, cada melro.
É lamentável, reitero, que o combate ao politicamente correcto seja abandonado nas mãos de tais figuras.
O lugar do Chega não é só o refúgio de figuras de almanaque. É uma espécie de compilação de aberrações.
Cada tiro, cada melro.
É lamentável, reitero, que o combate ao politicamente correcto seja abandonado nas mãos de tais figuras.
25 novembro 2025
18 novembro 2025
Zero mortos na estrada
Houve em tempos um lírico, alçado a ministro da segurança, que dizia que com as medidas que preconizava se iria chegar aos zero mortos na estrada.
Depois disso em tempos do outro senhor houve a campanha “Tolerância Zero / Segurança Máxima” com idênticos resultados. Isto tudo no século passado.
É certo que a sinistralidade e o número de vítimas entretanto decaiu. Já não estamos na boçalidade dos 2500 mortos por ano. Sabendo também que a segurança dos passageiros nas viaturas aumentou e muito.
O que também é certo, diz a ANSR, é que o número de acidentes aumentou do ano passado para este sem que se saiba se os quilómetros percorridos vezes veículos na estrada aumentou também.
Já na minha percepção, falível como todas o são, as alarvidades já não estão ao nível épico dos anos 80, dos tais 2500 mortos com provavelmente menos quilómetros percorridos vezes veículos do que hoje. Estão contudo a agravar-se a cada passo. E digo isto não pela proliferação de informação sobre acidentes rodoviários mas pela minha impressão ao volante.
Pode ser que esteja enganado mas começo a evitar de novo andar na estrada no meio dos ígnaros.
Houve em tempos um lírico, alçado a ministro da segurança, que dizia que com as medidas que preconizava se iria chegar aos zero mortos na estrada.
Depois disso em tempos do outro senhor houve a campanha “Tolerância Zero / Segurança Máxima” com idênticos resultados. Isto tudo no século passado.
É certo que a sinistralidade e o número de vítimas entretanto decaiu. Já não estamos na boçalidade dos 2500 mortos por ano. Sabendo também que a segurança dos passageiros nas viaturas aumentou e muito.
O que também é certo, diz a ANSR, é que o número de acidentes aumentou do ano passado para este sem que se saiba se os quilómetros percorridos vezes veículos na estrada aumentou também.
Já na minha percepção, falível como todas o são, as alarvidades já não estão ao nível épico dos anos 80, dos tais 2500 mortos com provavelmente menos quilómetros percorridos vezes veículos do que hoje. Estão contudo a agravar-se a cada passo. E digo isto não pela proliferação de informação sobre acidentes rodoviários mas pela minha impressão ao volante.
Pode ser que esteja enganado mas começo a evitar de novo andar na estrada no meio dos ígnaros.
15 novembro 2025
13 novembro 2025
Instinto
Será que a população urbana está mais distante do instinto animal de sobrevivência do que a rústica?
Será que a Natureza "ao dar-se conta" do fardo humano, lhe retira esse mesmo instinto, em ordem a alijar o fardo?
A cada dia que passa vejo mais gente a pôr desnecessariamente em risco a vida sem aparentemente se dar conta.
trecho de filme em Luso Meteo
Será que estes carros não estavam a circular?
Será que a população urbana está mais distante do instinto animal de sobrevivência do que a rústica?
Será que a Natureza "ao dar-se conta" do fardo humano, lhe retira esse mesmo instinto, em ordem a alijar o fardo?
A cada dia que passa vejo mais gente a pôr desnecessariamente em risco a vida sem aparentemente se dar conta.
trecho de filme em Luso Meteo
Será que estes carros não estavam a circular?
11 novembro 2025
Atraso
Estou a chegar atrasado ao pelotão dos que já desligaram a televisão, ignoraram os jornais e se mantiveram longe de arautos.
Mas estou a chegar. Qualquer papagaio a insistir na asneira politicamente correcta, qualquer pobrezinho a usar estrangeirismos escusadíssimos, qualquer comentador a dar mostras de que não usa o cérebro me fazem por ora mudar de canal. Depois de duas ou três tentativas de escutar o que dizem, com o mesmo desfecho, socorro-me dos canais que só emitem música.
Vou a caminho.
Estou a chegar atrasado ao pelotão dos que já desligaram a televisão, ignoraram os jornais e se mantiveram longe de arautos.
Mas estou a chegar. Qualquer papagaio a insistir na asneira politicamente correcta, qualquer pobrezinho a usar estrangeirismos escusadíssimos, qualquer comentador a dar mostras de que não usa o cérebro me fazem por ora mudar de canal. Depois de duas ou três tentativas de escutar o que dizem, com o mesmo desfecho, socorro-me dos canais que só emitem música.
Vou a caminho.
Investigação
Os jornalistas, classe quase anedótica na generalidade, ignoram amiúde o bom senso e a noção das proporções.
Pode até ser que se chame “investigação” nos meios judiciais a uma coisa em que nada haja a investigar. Pode. Mal, mas pode. O que não deve é o jornalismo usar essa designação num absurdo como este. Afinal, vão investigar exactamente o quê: Qual foi a tipografia que os fabricou? Quem deu a ordem para o fazer?
É o tal manicómio que nos rodeia.
Os jornalistas, classe quase anedótica na generalidade, ignoram amiúde o bom senso e a noção das proporções.
Pode até ser que se chame “investigação” nos meios judiciais a uma coisa em que nada haja a investigar. Pode. Mal, mas pode. O que não deve é o jornalismo usar essa designação num absurdo como este. Afinal, vão investigar exactamente o quê: Qual foi a tipografia que os fabricou? Quem deu a ordem para o fazer?
É o tal manicómio que nos rodeia.
05 novembro 2025
Trovão
Não sabendo eu se existe uma base de dados consistente sobre descargas eléctricas atmosféricas e desde quando, só me ocorre dizer que tenho a impressão que a trovoada é um fenómeno que se tornou mais raro com o tempo.
O que se tornou por outro lado menos raro é a má aplicação dos termos relâmpago, raio e trovão que embora se refiram ao mesmo fenómeno têm significados diferentes.
Se ninguém diz “relâmpagos o partam!” não faltam os que distorcem os significados que as diferentes velocidades de propagação conferem a termos como relâmpago e trovão.
imagem do IPMA
Não sabendo eu se existe uma base de dados consistente sobre descargas eléctricas atmosféricas e desde quando, só me ocorre dizer que tenho a impressão que a trovoada é um fenómeno que se tornou mais raro com o tempo.
O que se tornou por outro lado menos raro é a má aplicação dos termos relâmpago, raio e trovão que embora se refiram ao mesmo fenómeno têm significados diferentes.
Se ninguém diz “relâmpagos o partam!” não faltam os que distorcem os significados que as diferentes velocidades de propagação conferem a termos como relâmpago e trovão.
imagem do IPMA
04 novembro 2025
Ainda a memória
Há exactos 54 anos, contados portanto dia por dia, escrevi na minha memória um pequeno texto que só reduzi a escrito muitos e muitos anos depois.
Algures estará guardado. Talvez até gravado em disco duro que a imperícia me impede de encontrar.
Contudo, revejo calmamente as luzes azuis.
Há exactos 54 anos, contados portanto dia por dia, escrevi na minha memória um pequeno texto que só reduzi a escrito muitos e muitos anos depois.
Algures estará guardado. Talvez até gravado em disco duro que a imperícia me impede de encontrar.
Contudo, revejo calmamente as luzes azuis.
02 novembro 2025
31 outubro 2025
Cabeças
Um comentador militar encartado disse na televisão que "tudo o que havia para evoluir em termos de explosivos, já está".
A primeira vez que me lembro de ter ouvido tal disparate foi nos tempos do liceu, dito por um colega "iluminado" não propriamente a propósito de explosivos. Era mais generalista.
Um comentador militar encartado disse na televisão que "tudo o que havia para evoluir em termos de explosivos, já está".
A primeira vez que me lembro de ter ouvido tal disparate foi nos tempos do liceu, dito por um colega "iluminado" não propriamente a propósito de explosivos. Era mais generalista.
Ministra da Saúde
Para salvaguarda, como agora é moda iniciar qualquer peroração, devo dizer que me prende à senhora ministra um quê de simpatia por simpatia. Explicando: não excluo a hipótese de a senhora ministra ter sido integrante de um grupo de estudantes de Farmácia que em tempos alegrou os meus dias e os dos meus amigos.
A memória desses tempos, grata, é também confusa. Pode ter sido ou não, mas por simpatia, simpática assim se me tornou.
Depois deste nariz de cera, noto que a senhora ministra, sobre cujo desempenho não expresso aqui apreciação, é apontada como culpada de alguém ter chegado já sem sinais de vida (segundo a informação corrente) a uma urgência hospitalar.
É deste tipo de situações e do seu arremesso político por gente mentecapta que se faz a política destinada a agradar aos ígnaros.
Vamos no bom caminho! E segue! - como no lema do Grandella.
Para salvaguarda, como agora é moda iniciar qualquer peroração, devo dizer que me prende à senhora ministra um quê de simpatia por simpatia. Explicando: não excluo a hipótese de a senhora ministra ter sido integrante de um grupo de estudantes de Farmácia que em tempos alegrou os meus dias e os dos meus amigos.
A memória desses tempos, grata, é também confusa. Pode ter sido ou não, mas por simpatia, simpática assim se me tornou.
Depois deste nariz de cera, noto que a senhora ministra, sobre cujo desempenho não expresso aqui apreciação, é apontada como culpada de alguém ter chegado já sem sinais de vida (segundo a informação corrente) a uma urgência hospitalar.
É deste tipo de situações e do seu arremesso político por gente mentecapta que se faz a política destinada a agradar aos ígnaros.
Vamos no bom caminho! E segue! - como no lema do Grandella.
28 outubro 2025
Preso por arames
Passeiam-se em lanchas pelo Tejo e por lá têm estaleiro.
Passeiam-se em lanchas pelo Guadiana e talvez por lá tenham estaleiro.
Passeiam-se em lanchas pelo Minho e talvez por lá tenham estaleiro.
As armas de fogo aparecem amiúde na mão de todo o lixo social.
Ninguém tem medo das consequências. Um país preso por arames, fruto da tolerânciazinha mole dos timoratos.
Passeiam-se em lanchas pelo Tejo e por lá têm estaleiro.
Passeiam-se em lanchas pelo Guadiana e talvez por lá tenham estaleiro.
Passeiam-se em lanchas pelo Minho e talvez por lá tenham estaleiro.
As armas de fogo aparecem amiúde na mão de todo o lixo social.
Ninguém tem medo das consequências. Um país preso por arames, fruto da tolerânciazinha mole dos timoratos.
SG
SG veio e trouxe-me isto numa folha de carta das antigas.
Diz que anda a sonhar alto e que ditou o que segue para um gravador.
O Xenófobo
Há quem diga que o meu caso com a Xixa foi semelhante ao do Chico Esteves, uns anos antes. Eu, a bem dizer, acho que não. E achando que não, digo que a grande diferença foi o papel do Isidro. Ora o Isidro tinha uma filha. E quando a filha se lembrou de casar, foi com o filho do Lopes. Morava ali na outra ponta da vila.
O Isidro ficou muito chateado. Não queria nem por nada que a filha casasse com o filho do Lopes. E a razão era muito simples. Ele preferia cem vezes que a filha casasse com um moço de longe. De uma terra distante. Que ninguém soubesse de que família vinha. Queria que os seus filhos, aliás que os seus netos fossem conhecidos como os netos do Isidro. Os filhos da Isidra. Não suportava a ideia de ter netos que fossem conhecidos como Lopes. Netos do Lopes, filhos do Lopes, os Lopes. Essa ideia era-lhe absolutamente insuportável, ainda que nada tivesse contra os Lopes, pai e filho. O que deixava era de haver menção à sua família, à sua descendência. Passavam a ser de outra família os seus netos. Ao passo que se o rapaz viesse de longe, de um sítio que ninguém conhecesse, ninguém se iria pôr a dizer que eram os netos de alguém que não conhecia, de que nem sabia o nome.
Que o genro viesse pois de uma terra assim distante. E sempre se ia dizer que eram os netos do Isidro. Os Isidros, assim é que estava bem. Era assim que o Isidro queria. E por alguma razão, o Isidro descarregou essa ira. A razão, não sabemos muito bem qual foi, mas suponhamos que tem a ver com o facto de a filha o ter chamado xenófobo a propósito de ele não querer que ela casasse com o filho do Lopes...
Não sabendo ela que estava a aplicar tal palavra quase a dar o sentido exactamente contrário. Ora, talvez por transportar esta xenofobia de sinal contrário é que o Isidro tomou parte activa nos sucessos que vou descrever a seguir. Ora estes sucessos ocorreram uns anos depois do Chico Esteves ter tido o seu caso. Chico Esteves andava metido com uma vizinha, casada, casada como ele Chico, moça de belas pernas, como eu próprio tive ocasião de verificar. E um belo dia, meia dúzia de vizinhas desconfiadas de que algo de vergonhoso se passava no casarão do Chico plantaram-se-lhe ao portão.
Lá dentro estava o Chico deliciando-se com as primícias. Primícias, não. Deliciando-se com as prendas usadas da vizinha. E tinha o carro trancado na garagem. Funcionava a casa mais ou menos como um motel. Entrava com ela escondida dentro do carro, metia-a na garagem e o mesmo fazia à saída. Ora o que sucedeu nesse belo dia em que as vizinhas se lhe puseram à porta foi que ao sair com ela dentro do carro, escondida, pelo meio do ajuntamento, com grande azar uma ponta da saia dela ficou a aparecer entalada na porta, coisa que forçosamente suscitou grande indignação, grande alarido nas curiosas vizinhas.
Deu isto muitas e demoradas conversas no povo, muito diz que disse a toda a gente menos ao Isidro, que vá lá saber-se por que carga d’água sobre o assunto nada disse.
Já, quando anos mais tarde, eu me dedicava a aproveitar a beldade da Xixa num dos meus quartos, naquele mais secundário dos meus quartos, vi irromper pela casa, não sabendo muito bem como, uma turba muito significativa na qual se incluía um indignadíssimo Isidro.
Com ele trazia o carteiro, o leiteiro, o padeiro, o guarda-rios, o guarda-fios e um número indeterminado de mulheres, indignadíssimas, que me entraram pela casa e pelo quarto dentro. Ora a Xixa, mulher expedita, muito senhora da sua dignidade, ao aperceber-se do tumulto, ainda antes de eles entrarem dentro de casa, fez uma bela de uma trouxa comigo, com uns lençóis velhos, umas colchas e umas mantas de papa. E quando eles entraram no quarto, só a viram a ela assim um bocadinho descomposta junto da trouxa. Já não viram aquelas formas maravilhosas, destapadas, que agora só se adivinhavam.
Indignados, gritando, queriam saber onde é que eu estava para me dar um correctivo. Isto na minha casa!
Ora a Xixa trabalhava para mim e dormia lá em casa. Nada disto era assim tão extraordinário. Ela ser encontrada numa cama na minha casa, já que adultos ambos, éramos solteiríssimos. Mas fizeram disto trinta por uma linha e só não foi um escândalo tão grande como tinha sido uns anos antes o do Chico Esteves porque ficaram realmente sem grandes provas, sem evidências que lhes pudessem dar lenha para a fogueira.
Mas um dos piores de todos ao ponto de quase querer destruir a casa era o Isidro. O famoso Isidro que já tinha netos Lopes. Andava aziadíssimo com isso. E talvez fosse esse o caso, porque nos anos do Chico Esteves ainda ele não tinha netos. Ou porque eu e a Xixa éramos ambos da vila, endogamia que o Isidro deplorava por outras razões. Fica assim tudo por esclarecer no que diz respeito ao xenófobo Isidro.
E porque é que estes pequenos casos, que foram poucos e pouco significantes, face aos dias que decorreram entre uma coisa e outra, tiveram tanto espalhafato. É certo que muito mais ruído gerou o caso do Esteves, que durou, durou, durou na história. Muito menos o meu, que se extinguiu com uma vela, uma vez que eles ficaram sem saber muito bem se se tinha passado alguma coisa de pecaminoso. Havia até uma facção que desconfiava que não tinha havido nada. Que jamais eu me deitaria com a Xixa.
Nota acrescentada: talvez o termo perifobia fosse mais bem aplicado à aversão do Isidro do que aparentemente neste título.
SG veio e trouxe-me isto numa folha de carta das antigas.
Diz que anda a sonhar alto e que ditou o que segue para um gravador.
O Xenófobo
Há quem diga que o meu caso com a Xixa foi semelhante ao do Chico Esteves, uns anos antes. Eu, a bem dizer, acho que não. E achando que não, digo que a grande diferença foi o papel do Isidro. Ora o Isidro tinha uma filha. E quando a filha se lembrou de casar, foi com o filho do Lopes. Morava ali na outra ponta da vila.
O Isidro ficou muito chateado. Não queria nem por nada que a filha casasse com o filho do Lopes. E a razão era muito simples. Ele preferia cem vezes que a filha casasse com um moço de longe. De uma terra distante. Que ninguém soubesse de que família vinha. Queria que os seus filhos, aliás que os seus netos fossem conhecidos como os netos do Isidro. Os filhos da Isidra. Não suportava a ideia de ter netos que fossem conhecidos como Lopes. Netos do Lopes, filhos do Lopes, os Lopes. Essa ideia era-lhe absolutamente insuportável, ainda que nada tivesse contra os Lopes, pai e filho. O que deixava era de haver menção à sua família, à sua descendência. Passavam a ser de outra família os seus netos. Ao passo que se o rapaz viesse de longe, de um sítio que ninguém conhecesse, ninguém se iria pôr a dizer que eram os netos de alguém que não conhecia, de que nem sabia o nome.
Que o genro viesse pois de uma terra assim distante. E sempre se ia dizer que eram os netos do Isidro. Os Isidros, assim é que estava bem. Era assim que o Isidro queria. E por alguma razão, o Isidro descarregou essa ira. A razão, não sabemos muito bem qual foi, mas suponhamos que tem a ver com o facto de a filha o ter chamado xenófobo a propósito de ele não querer que ela casasse com o filho do Lopes...
Não sabendo ela que estava a aplicar tal palavra quase a dar o sentido exactamente contrário. Ora, talvez por transportar esta xenofobia de sinal contrário é que o Isidro tomou parte activa nos sucessos que vou descrever a seguir. Ora estes sucessos ocorreram uns anos depois do Chico Esteves ter tido o seu caso. Chico Esteves andava metido com uma vizinha, casada, casada como ele Chico, moça de belas pernas, como eu próprio tive ocasião de verificar. E um belo dia, meia dúzia de vizinhas desconfiadas de que algo de vergonhoso se passava no casarão do Chico plantaram-se-lhe ao portão.
Lá dentro estava o Chico deliciando-se com as primícias. Primícias, não. Deliciando-se com as prendas usadas da vizinha. E tinha o carro trancado na garagem. Funcionava a casa mais ou menos como um motel. Entrava com ela escondida dentro do carro, metia-a na garagem e o mesmo fazia à saída. Ora o que sucedeu nesse belo dia em que as vizinhas se lhe puseram à porta foi que ao sair com ela dentro do carro, escondida, pelo meio do ajuntamento, com grande azar uma ponta da saia dela ficou a aparecer entalada na porta, coisa que forçosamente suscitou grande indignação, grande alarido nas curiosas vizinhas.
Deu isto muitas e demoradas conversas no povo, muito diz que disse a toda a gente menos ao Isidro, que vá lá saber-se por que carga d’água sobre o assunto nada disse.
Já, quando anos mais tarde, eu me dedicava a aproveitar a beldade da Xixa num dos meus quartos, naquele mais secundário dos meus quartos, vi irromper pela casa, não sabendo muito bem como, uma turba muito significativa na qual se incluía um indignadíssimo Isidro.
Com ele trazia o carteiro, o leiteiro, o padeiro, o guarda-rios, o guarda-fios e um número indeterminado de mulheres, indignadíssimas, que me entraram pela casa e pelo quarto dentro. Ora a Xixa, mulher expedita, muito senhora da sua dignidade, ao aperceber-se do tumulto, ainda antes de eles entrarem dentro de casa, fez uma bela de uma trouxa comigo, com uns lençóis velhos, umas colchas e umas mantas de papa. E quando eles entraram no quarto, só a viram a ela assim um bocadinho descomposta junto da trouxa. Já não viram aquelas formas maravilhosas, destapadas, que agora só se adivinhavam.
Indignados, gritando, queriam saber onde é que eu estava para me dar um correctivo. Isto na minha casa!
Ora a Xixa trabalhava para mim e dormia lá em casa. Nada disto era assim tão extraordinário. Ela ser encontrada numa cama na minha casa, já que adultos ambos, éramos solteiríssimos. Mas fizeram disto trinta por uma linha e só não foi um escândalo tão grande como tinha sido uns anos antes o do Chico Esteves porque ficaram realmente sem grandes provas, sem evidências que lhes pudessem dar lenha para a fogueira.
Mas um dos piores de todos ao ponto de quase querer destruir a casa era o Isidro. O famoso Isidro que já tinha netos Lopes. Andava aziadíssimo com isso. E talvez fosse esse o caso, porque nos anos do Chico Esteves ainda ele não tinha netos. Ou porque eu e a Xixa éramos ambos da vila, endogamia que o Isidro deplorava por outras razões. Fica assim tudo por esclarecer no que diz respeito ao xenófobo Isidro.
E porque é que estes pequenos casos, que foram poucos e pouco significantes, face aos dias que decorreram entre uma coisa e outra, tiveram tanto espalhafato. É certo que muito mais ruído gerou o caso do Esteves, que durou, durou, durou na história. Muito menos o meu, que se extinguiu com uma vela, uma vez que eles ficaram sem saber muito bem se se tinha passado alguma coisa de pecaminoso. Havia até uma facção que desconfiava que não tinha havido nada. Que jamais eu me deitaria com a Xixa.
Nota acrescentada: talvez o termo perifobia fosse mais bem aplicado à aversão do Isidro do que aparentemente neste título.
25 outubro 2025
24 outubro 2025
22 outubro 2025
Um simples a fazer perguntas simples
Se o Estado tem vantagem em angariar fundos antecipadamente com as retenções majoradas do IRS e se, eventualmente - caso sujeito a referendo - os demais simples como eu (que não recebo ao mês) preferem ter um migalheiro* e receberem uma maquia lá pelo Verão, correspondente ao excesso de descontos, por que diabo não se faz o tal referendo, nem que seja em modo chamadas de valor acrescentável?
* migalheiro surgiu no meu léxico muito depois de mealheiro, razão pela qual ainda hoje estranho a palavra.
Se o Estado tem vantagem em angariar fundos antecipadamente com as retenções majoradas do IRS e se, eventualmente - caso sujeito a referendo - os demais simples como eu (que não recebo ao mês) preferem ter um migalheiro* e receberem uma maquia lá pelo Verão, correspondente ao excesso de descontos, por que diabo não se faz o tal referendo, nem que seja em modo chamadas de valor acrescentável?
* migalheiro surgiu no meu léxico muito depois de mealheiro, razão pela qual ainda hoje estranho a palavra.
20 outubro 2025
Bizarrias
Após alguns anos retomo a edição de colecções de cromos. Isto porque finalmente consegui um alojamento que me permite criar o meu próprio código para as páginas: https://neocities.org/
Assim, recupero as contribuições de amigos e de conhecidos da rede que tiveram a gentileza de me enviar fotografias para compor as colecções.
Acrescento uma incipiente caderneta de cromos de placas de ruas com nomes mais ou menos bizarros que entretanto fui colectando.
Carece ainda de aperfeiçoamento mas já se pode ver.
Após alguns anos retomo a edição de colecções de cromos. Isto porque finalmente consegui um alojamento que me permite criar o meu próprio código para as páginas: https://neocities.org/
Assim, recupero as contribuições de amigos e de conhecidos da rede que tiveram a gentileza de me enviar fotografias para compor as colecções.
Acrescento uma incipiente caderneta de cromos de placas de ruas com nomes mais ou menos bizarros que entretanto fui colectando.
Carece ainda de aperfeiçoamento mas já se pode ver.
17 outubro 2025
Caducas
Em todo o tempo houve leis bizarras e impossíveis de verem verificado e punido o seu incumprimento.
Alguns exemplos actuais de tal falta de racionalidade:
Proíbe-se o contacto entre pessoas cujo interesse em contactar entre si é grande, quando existem variadas formas de contacto incontroláveis. Acresce que, para pessoas em liberdade, o próprio contacto pessoal é indetectável, salvo se existir uma vigilância apertada.
Proibe-se a entrada no país quando não há controlo fronteiriço.
Da mesma forma se proíbe a saída.
Poderia enumerar mais uma remessa de leis cuja caducidade é óbvia. Mas que, no entanto, continuam a ser aplicadas por mera bizarria e falta de inteligência do legislador ou de quem as invoca.
Em todo o tempo houve leis bizarras e impossíveis de verem verificado e punido o seu incumprimento.
Alguns exemplos actuais de tal falta de racionalidade:
Proíbe-se o contacto entre pessoas cujo interesse em contactar entre si é grande, quando existem variadas formas de contacto incontroláveis. Acresce que, para pessoas em liberdade, o próprio contacto pessoal é indetectável, salvo se existir uma vigilância apertada.
Proibe-se a entrada no país quando não há controlo fronteiriço.
Da mesma forma se proíbe a saída.
Poderia enumerar mais uma remessa de leis cuja caducidade é óbvia. Mas que, no entanto, continuam a ser aplicadas por mera bizarria e falta de inteligência do legislador ou de quem as invoca.
15 outubro 2025
O Estado a que isto chegou
Observando a página do MAI com os resultados da eleição das autarquias locais chega-se à conclusão de que qualquer coisa não correu bem. Ou então que há justificações sibilinas para aquilo que parece só absurdo.
Assim, observa-se que há coligações entre os mesmos partidos que aparecem lançadas duas ou três vezes, ainda que os partidos se apresentem pela mesma ordem. Só varia o sinal +, o hífen ou o espaçamento. Há ainda duplicações de coligações dos mesmos partidos mas em casos em que estes não se apresentam pela mesma ordem, o que pode fazer algum sentido se isso reflectir uma ponderação.
Assim temos os seguintes aparecimentos:
Dá que pensar esta forma atabalhoada de organizar uma folha de resultados. Que mais asneiras sairão de onde saiu esta?
(clicando na imagem, se verá a lista completa)
Observando a página do MAI com os resultados da eleição das autarquias locais chega-se à conclusão de que qualquer coisa não correu bem. Ou então que há justificações sibilinas para aquilo que parece só absurdo.
Assim, observa-se que há coligações entre os mesmos partidos que aparecem lançadas duas ou três vezes, ainda que os partidos se apresentem pela mesma ordem. Só varia o sinal +, o hífen ou o espaçamento. Há ainda duplicações de coligações dos mesmos partidos mas em casos em que estes não se apresentam pela mesma ordem, o que pode fazer algum sentido se isso reflectir uma ponderação.
Assim temos os seguintes aparecimentos:
Dá que pensar esta forma atabalhoada de organizar uma folha de resultados. Que mais asneiras sairão de onde saiu esta?
(clicando na imagem, se verá a lista completa)
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fotografia de Hulton Archive/Getty Images via BBC






