Eu posso explicar
Esta página (
H Gasolim Ultramarino) terá sido uma grande desilusão para todos aqueles que aqui caíram por acaso, lançando-se ao mar em terror pânico, ao verem os motores de busca falharem por falta de comburente, que não de combustível.
Não encontraram nada do que pretendiam.
Mas eu posso explicar. E entretanto, explico a mim mesmo a razão de ser de tais visitas.
No dia 6 de Setembro, alguém quis "
corrigir sotaque português". Uma suspeita terrível me assolou.
Porque é que alguém haveria de querer semelhante coisa? E onde? Algum espião português, na melhor tradição da época seiscentista, quereria disfarçar o seu sotaque em terra inimiga? Mas aí, a escolha natural seria "disfarçar sotaque português".
Então estou enganado, trata-se de alguém que quer aperfeiçoar o seu sotaque. É um ataque à Pátria, um pérfido emissário de qualquer potência inimiga que se quer infiltrar insidiosamente entre os nossos, tentando que o olhemos como igual.
Um amigo meu, que às vezes dá palpites, disse-me que era outra coisa completamente diferente. Que eu só via conspirações em todo o lado.
Mas eu posso explicar ao espião do sotaque, que tudo não passa de um grande engano, que aqui não vai aprender nada a respeito.
Quando escrevi aquelas palavras referia-me a um amigo meu, nascido na Alemanha que é Polónia, educado em Portugal, vivendo nos Estados Unidos e casado com uma senhora brasileira.
Como é que ele conseguia manter o seu irrepreensível sotaque português?
Quero dizer, como é isso possível estando casado há tantos anos com uma senhora brasileira?
Mas eis que logo três dias depois, uma estranhíssima procura, lançada do Brasil, revistou este local.
"
H de homem" era a chave.
Tudo bem, pensei. Esta é uma página de um homem com H.
Mas isso não terá água no bico? Estará relacionado com o espião do sotaque? Então ele anda pelo Brasil? Quererá afinal disfarçar o seu sotaque português?
Quererá ele saber se o homem aqui, é adversário para ele?
O meu amigo continua a dizer-me que eu vejo muitos filmes.
Não sei porquê.
Eu posso explicar: H é de Gasolim. Homem sou eu. Nada mais a esclarecer. Não insista.
E passam dois dias, e a coisa começa a revestir-se de contornos preocupantes.
Agora é da Galiza. Uma búsqueda en Google com palavras portuguesas, só pode ser da Galiza.
E já se buscam fotografias. "
fotografias de gente de viana do bolo", mais precisamente.
Começa a fazer sentido.
Os galegos falam português, mas como a nossa língua foi reprimida por muitas décadas, o castelhano é uma espécie de pano de fundo, em algumas palavras e no sotaque.
Está cada vez mais claro. O nosso amigo é galego, quer corrigir o sotaque e por alguma razão pretende identificar alguém em Viana do Bolo.
Ou será já a contra-espionagem que tenta detectá-lo? Sabendo que ele anda pelos lados de São Cibrão.
Eu posso explicar: a gente é outra, é a gente que conhece certo homem dos telefones. E para ir a Viana do Bolo não precisei de fotografias que me chamassem.
E, de repente, uma manobra de diversão.
Ou uma ameaça.
Alguém, no dia 29 de Setembro, depois de uma ausência de 18 dias, finge procurar "
montijo na blogger".
Montijo, huuuuuum. O cerco aperta-se.
É uma pesquisa feita em Portugal, decerto o Montijo que se pretende é a Aldeia Galega.
Lá está. Tudo se relaciona.
O nosso amigo galego desceu em busca de contactos.
A esta hora ri-se de mim na área de serviço da ponte Vasco da Gama.
Começo a temer pela minha integridade física.
Eu posso explicar: Montijo é o destino da mulher que fala com o homem dos telefones. E Blogger não é da minha responsabilidade. É da responsabilidade de alguém que me quer pôr fora da circulação, não me deixa editar, nem postar...
E a 2 de Outubro, já do Brasil, usando o Cadê?, testa-me:
"
Porque existe diferença de alqueires? "
Acho que a coisa não podia ser mais directa.
Sabe bem que eu estou familiarizado com a pouca precisão desta medida.
Sabe até que em miúdo me acusavam de não ter "os sete alqueires bem medidos".
Eu posso explicar: Não sei na realidade porque existe tal diferença. É como nas léguas e nos tiros de espingarda ou de besta. É pensar nos tempos em que essas medidas surgiram e se difundiram, e não é difícil perceber que haja discrepâncias. Basta ver que aqui em Portugal, tal como em Cabo Verde, o alqueire é acima de tudo uma medida de volume ou capacidade, embora também se aplicasse a áreas (radicando na relação volume semeado ou produzido / área), enquanto no Brasil parece ser só de área.
No dia seguinte, vejam bem, sai-se com esta: "
SALSAPARRILHA FOTOS".
Ainda no Brasil e usando o Cadê?
Na certa, pretende disfarçar-se com ramos de salsaparrilha. Sabe que eu aqui de Portugal não tenho acesso à planta. Nem lhe conheço bem a fisionomia.
Por isso, usa o truque vil de se camuflar com ela. E enfatiza o facto, usando maiúsculas.
O meu amigo confidenciou-me, baixinho, que nada do que eu dizia fazia sentido.
Isso é lá com ele.
Eu posso explicar, ou melhor, me justificar: Que culpa tenho eu que o LP em «Palavras de Dom Goda» se entretenha com palavras difíceis?
E logo um dia depois, "
ilhadomel fotos". Já em Portugal.
Ilhadomel tudo pegado.
Ilhadomel tudo pegado é uma directoria do Terravista. Logo do Terravista, onde a minha password não funciona.
Não funciona a password, não consigo apagar o registo, não me posso registar com o mesmo e-mail.
Explica-se agora porquê. O nosso amigo infiltra-se e já vai longe o tempo em que precisava de corrigir o sotaque.
Eu posso explicar: o carro que o meu avô me deu, foi comprado a alguém que o fotografou e que, anos mais tarde, cedeu a foto a um site que está alojado no Terravista. Chega?
Deixou passar oito dias e ei-lo na Alemanha. Google Suche. "
hillman imp fotos".
Repararam na insistência nas fotos?
Um Hillman Imp? Da Germânia, a busca de um carro originariamente escocês?
Traz água no bico.
É que eu tive um fraquinho por duas proprietárias de tal viatura. Como tudo se sabe.
Eu posso explicar: o SG gosta de carros com classe, contaminou-me o site com essas referências nos seus poemas, não há (não havia) aqui nenhumas fotos de Hillmans.
No mesmo dia, 12 de Outubro, já de volta a Portugal: "
fontaínhas, setúbal".
A mensagem é clara.
Para quem não sabe, o comboio do sul passa pelo túnel das Fontaínhas, em Setúbal, de luzes apagadas nas carruagens. São as trevas por segundos inquietantes. É aí que ele vai perpetrar a sua ameaça. E não vacila ao avisar assim, em público.
Como era de esperar, não voltou a entrar aqui.
Eu posso explicar: é o medo do escuro.
Aqui chegados, devo dizer que o meu amigo já não sabe que mais dizer-me para me tirar estas ideias da cabeça.
Eu só lhe respondo:
Se ele não andasse a perseguir-me, tinha usado aspas em algumas das buscas, como "fotografias de gente de viana do bolo" ou "corrigir sotaque português" ou ainda "Porque existe diferença de alqueires?" o que o afastaria de mim, que nunca escrevi tais frases. Mas não. E repara bem, que sentido faz uma busca como Montijo na Blogger?
E já agora, porque é que esta página já não aparece nas buscas do Cadê?
Não me respondeu.
fotos em:
salsaparrilha: http://www.plantaservas.hpg.ig.com.br/arquivos/ervas1.htm
Hillman Imp: http://www.imps4ever.info/algemeen/birth.html