Ignorância
Previsões meteorológicas
Xadrez contra a máquina
Lá para trás, houve um post que abordava a questão de cada gesto.
Cada gesto ser apenas a consequência das condições iniciais e do correr do tempo.
Sejam lá o que forem (foram) as condições iniciais e o tempo.
Se não há nada que contrarie esta hipótese, até à data, também não há forma de a provar.
A ignorância é total quando se tratam escalas desta ordem.
Há, no entanto, campos em que o homem teima em tentar encontrar uma chave que lhe permita prever a certo prazo o comportamento de um determinado universo.
É o caso das previsões meteorológicas, pelas quais me interesso, não deixando de ser um leigo com alguma curiosidade.
Se é certo que os avanços neste campo têm sido significativos, estamos muito longe de conhecer os mecanismos que regem a evolução das condições atmosféricas e as ditas condições iniciais relevantes. Sendo que aqui, a palavra iniciais representa as condições em t0, um momento determinado.
Não se conhecendo estas, não se conhecendo o mecanismo de evolução, resta testar modelos aproximados que coincidam num determinado intervalo com os dados reais, sendo certo que estes são por sua vez uma parte das variáveis.
O resultado é o que todos nós sabemos, há modelos que funcionam bem para um intervalo de dois a três dias e que se afastam da realidade à medida que o intervalo aumenta.
Mas tomemos o xadrez.
Que é uma invenção humana.
O xadrez, que é um universo finito, em que se conhecem integralmente as condições iniciais (32 peças ocupando 32 casas de um total de 64 possíveis, e em posições determinadas) e de que se conhece o mecanismo de evolução (as peças evoluem segundo regras simples e bem determinadas).
E o que é que acontece?
Acontece que com um universo tão insignificante, uma porção tão ínfima da complexidade das coisas, cujos estádios de evolução são em número finito (há um número finito de possibilidades de distribuição das peças sobre o tabuleiro), se atinge já um número astronómico de possibilidades finais.
De uma ordem de grandeza tal, que os computadores actuais ainda não conseguem computar integralmente.
O que é que isto nos diz?
Diz-nos que estamos longe, muito longe, de ter a capacidade de prever qualquer tipo de fenómenos naturais com o rigor absoluto.
Sejam eles os fenómenos atmosféricos ou outros quaisquer, sendo que ao entrar neste tipo de previsão absoluta, não há fronteiras.
Tal como a gaivota que passou a borboleta pode desencadear o furacão, tudo o resto o pode.
A cafeteira a ferver, a travagem brusca, a bola na rede, o tiro no escuro.
É necessário conhecer as condições iniciais, os mecanismos e ter a capacidade de computação.
Há então aqui um novo paradoxo.
Conhecida finalmente a previsão, ela própria se constitui num novo factor do jogo, alimentando com novos dados o estádio das coisas.
É necessário recalcular, recalcular...
Deep Blue era o nome de uma das máquinas da IBM com a qual se defrontou Garry Kasparov.
É também o azul profundo dos céus que vemos e ignoramos.
Bem sei que deep blue não se traduz por azul profundo. Mas eu traduzo.
tabuleiro de xadrez em
imagem de isobáricas em
Um incidente assim tornou-o célebre. E ao casamento do irmão, também.