17/11/2003

Deep Blue

Ignorância
Previsões meteorológicas
Xadrez contra a máquina

Lá para trás, houve um post que abordava a questão de cada gesto.
Cada gesto ser apenas a consequência das condições iniciais e do correr do tempo.
Sejam lá o que forem (foram) as condições iniciais e o tempo.
Se não há nada que contrarie esta hipótese, até à data, também não há forma de a provar.
A ignorância é total quando se tratam escalas desta ordem.



Há, no entanto, campos em que o homem teima em tentar encontrar uma chave que lhe permita prever a certo prazo o comportamento de um determinado universo.
É o caso das previsões meteorológicas, pelas quais me interesso, não deixando de ser um leigo com alguma curiosidade.
Se é certo que os avanços neste campo têm sido significativos, estamos muito longe de conhecer os mecanismos que regem a evolução das condições atmosféricas e as ditas condições iniciais relevantes. Sendo que aqui, a palavra iniciais representa as condições em t0, um momento determinado.
Não se conhecendo estas, não se conhecendo o mecanismo de evolução, resta testar modelos aproximados que coincidam num determinado intervalo com os dados reais, sendo certo que estes são por sua vez uma parte das variáveis.
O resultado é o que todos nós sabemos, há modelos que funcionam bem para um intervalo de dois a três dias e que se afastam da realidade à medida que o intervalo aumenta.

Mas tomemos o xadrez.
Que é uma invenção humana.



O xadrez, que é um universo finito, em que se conhecem integralmente as condições iniciais (32 peças ocupando 32 casas de um total de 64 possíveis, e em posições determinadas) e de que se conhece o mecanismo de evolução (as peças evoluem segundo regras simples e bem determinadas).
E o que é que acontece?
Acontece que com um universo tão insignificante, uma porção tão ínfima da complexidade das coisas, cujos estádios de evolução são em número finito (há um número finito de possibilidades de distribuição das peças sobre o tabuleiro), se atinge já um número astronómico de possibilidades finais.
De uma ordem de grandeza tal, que os computadores actuais ainda não conseguem computar integralmente.

O que é que isto nos diz?
Diz-nos que estamos longe, muito longe, de ter a capacidade de prever qualquer tipo de fenómenos naturais com o rigor absoluto.
Sejam eles os fenómenos atmosféricos ou outros quaisquer, sendo que ao entrar neste tipo de previsão absoluta, não há fronteiras.
Tal como a gaivota que passou a borboleta pode desencadear o furacão, tudo o resto o pode.
A cafeteira a ferver, a travagem brusca, a bola na rede, o tiro no escuro.

É necessário conhecer as condições iniciais, os mecanismos e ter a capacidade de computação.
Há então aqui um novo paradoxo.
Conhecida finalmente a previsão, ela própria se constitui num novo factor do jogo, alimentando com novos dados o estádio das coisas.
É necessário recalcular, recalcular...

Deep Blue era o nome de uma das máquinas da IBM com a qual se defrontou Garry Kasparov.
É também o azul profundo dos céus que vemos e ignoramos.
Bem sei que deep blue não se traduz por azul profundo. Mas eu traduzo.

tabuleiro de xadrez em
imagem de isobáricas em

16/11/2003

Sombrio

Há muitos anos, uma certa capa amarela, entre tantas, pois houve uma época em que as capas dos livros eram amarelas, despertou-me a curiosidade.
O nome, a preto, trazia-me a vaga recordação de uma batalha de que ouvira falar, talvez na escola, talvez em casa.
Lá o desarrumei da estante.
A descrição do monumento que vinha no fim do livro era esmagadora, concordante com o que acabara de ler nas avassaladoras páginas, já elas também amarelecidas pelo tempo.
Porque esse monumento paira na minha memória como uma obrigação de visita, não mais palavras



85 anos e 5 dias depois do Armistício

imagem em http://www.traveloutward.com/articles/europe/11-02_ww2_france.shtml

15/11/2003

Bizarrias

Quanto à descontinuidade territorial é certo que já tínhamos os concelhos do Montijo e de Vila Real de Santo António.
Mas depois há estas bizarrias inextricáveis:

A possuía um prédio misto (composto de parte urbana e parte rústica) como segue:



A certa altura, a freguesia onde se situava o dito prédio cindiu-se em duas.
O que é incompreensível é que a parte rústica do prédio tenha continuado a pertencer à parte da freguesia que manteve o nome e a tradição original e a parte urbana tenha passado a pertencer à nova freguesia.
Por mais voltas que dê a cabeça, não consigo encontrar um argumento válido para tal situação.
Alguém me esclarece?
Socialmente incorrecto

Projecto de lei para a criação da Região Demarcada da Mulher Norte-Alentejana (RDMNA) - Documento preparatório

Introdução

Considerando a excepcional qualidade dos exemplares femininos com origem na zona em análise, pretende-se balizar uma área sujeita a disposições especiais a definir em regulamento.

Limites



Pela circular exterior às muralhas da cidade de Évora
Pela E.N. 18 (IP 2) até ao entroncamento com a E.N. 254
Pela E.N. 254 até Viana do Alentejo
Pela E.N. 384 até Portel
Pela E.M. Portel - Amieira até à intersecção da projecção horizontal no terreno do eixo desta via com a curva de nível de pleno armazenamento da albufeira de Alqueva
Pela curva de nível de pleno armazenamento da albufeira de Alqueva para montante até que esta curva intersecte o talvegue do rio Degebe.
Por esta linha de talvegue até à intersecção da mesma com a projecção horizontal no terreno do eixo da E.N. 256
Pela E.N. 256 até Reguengos de Monsaraz
Pela E.N. 255 até ao Alandroal
Pela E.N. 373 até à intersecção da projecção horizontal no terreno do eixo desta via com a linha de talvegue da ribeira da Asseca
Pela linha de talvegue da ribeira da Asseca até a confluência desta com o rio Guadiana
Deste ponto, sem limites definidos em virtude da ocupação espanhola até retomar na confluência da ribeira de Olivença com o rio Guadiana e pela linha de fronteira internacionalmente reconhecida até ao ponto em que o limite norte do Parque Natural da Serra de São Mamede (Decreto-Lei n.°121/89 de 14 de Abril) diverge da referida fronteira, coincidindo com o dito limite até à primeira intersecção deste com a E.M. Castelo de Vide (prox.) - Póvoa e Meadas, seguindo por esta até Póvoa e Meadas.
Pela E.M. Nisa (prox.) - Póvoa e Meadas até à E.N.359.
Pela E.N. 359 até Nisa
Pela E.N. 18 até Alpalhão
Pela E.N. 118 até Gáfete
Pela E.M. Gáfete - Vale do Peso até Vale do Peso
Pela E.N. 245 até à variante de Estremoz
Pela variante de Estremoz até à E.N. 4
Pela E.N. 4 até ao entroncamento com a E.N. 18
Pela E.N. 18 até à circular exterior às muralhas de Évora

Garantias

Todos os indivíduos e entidades colectivas públicas e privadas com direitos sobre o território incluído na RDMNA manterão os referidos direitos sem excepção alguma.

13/11/2003

A-ver-o-mar


Tão certo como a feira de Castro

É o facto de, quando realmente existir uma verdadeira novidade, os jornalistas em geral não virem a aperceber-se disso.
A título de amostra, há sempre os quadros iniciais de uma catástrofe em que, regra geral, escapa ao arauto a verdadeira dimensão da coisa.
Por exemplo, a queda do tabuleiro da ponte de Entre-os-Rios foi inicialmente difundida como uma vulgar informação de trânsito.
Por outro lado, notícias mais ou menos esperadas, são lidas com grande alarido.
Hoje, na rádio, é anunciada com grande aparato, a notícia de pela primeira vez (???), se ter criado um vírus em laboratório. A vertigem da primeira vez, do único, é uma constante patética, grosseiramente analfabeta.
Depois, entrevistam um especialista português em criação de vírus...!!!???
A ignorância mais profunda sobre os meandros da manipulação viral grassa por aí!
Pior. É não ter sequer uma pálida noção de quais são as fronteiras actuais do conhecimento, do que a ciência permite ou não à técnica fazer.
Ora, a ser tomada à letra esta notícia, tratava-se da criação de vida em laboratório!
A verdadeira pedra filosofal!
Estamos ainda um bocadinho longe disso, embora seja difícil explicá-lo a certos entendidos.
Continuo sem saber quem é o indivíduo médio para quem falam os políticos e os jornalistas...

Desculpem-me a acidez. Eu prometo que me vou tratar



imagem em
Popularucho



ç os sonhos mais lindos... r

É verdade, de quando em vez, lá vem o apelo popularucho fazer das suas.
Acordei há uns dias atrás um tanto ou quanto incomodado com a minha imperícia.
Então não tinha deixado uma marca de bandoleira num imaculado vestido de noite de uma conhecida senhora...
O pior é que a marca não era de bandoleira, mas sim fruto da seiva de uma planta, que ela designou com um esgar gentil como sendo «as areias». Ora a dita planta constava de um bouquet que eu próprio confeccionara a partir de flores roubadas à beira do caminho, depois de me certificar de que tinham as raízes em terreno público.
E fi-lo apressadamente para não chegar de mãos a abanar, ao jantar para que fora convidado pela dita senhora.
É que o outro convidado, um bem conhecido trovador português, já badalava na mão uma garrafa de vinho com que contava apresentar-se.
Bem, a história não começa aqui.
Começa com a dona a regressar de algum lugar estrangeiro, com muitos repórteres a cobrir o acontecimento, com gritos de senhorinhas de janelas de sacada, num intervalo da apanha de alfinetes: "Chegou a tia, chegou a tia!"
Sucede que, por essa altura, estava eu preocupado com um assentamento nas fundações de um prédio onde às vezes habito e que se reflectira na queda de uma parte da platibanda que remata o topo das paredes exteriores, e que se manifestara também por um largo buraco no chão, junto às fundações, no alçado tardoz.
Tudo isto, motivara uma velha senhora que, sabe-se lá porquê, mudara do rés-do-chão para a cave a fazer uma espécie de cadeia humana a solo, transportando baldes de terra das traseiras para a frente do prédio, onde os despejava com a ajuda de um velho amigo meu sobre um monte de areia e lama que ali se encontrava desde o tempo em que alguém fizera umas obras.
Este meu amigo não se limitava a ajudar a senhora, também joeirava o tout-venant, parecendo deixar areia onde estava areia, lama onde estava lama e retirar as pedras para, de novo em baldes, as levar para mais longe.
É numa destas viagens que faço com ele que encontramos primeiro o cantor, já munido de sua garrafa, e logo após a senhora, aparentemente perdida numa rua de bairro social (creio que o cantor fez qualquer comentário comparando o estatuto da senhora com o dos moradores e que eu o secundei, mas de forma delicada).
E é talvez por isso que somos ambos convidados para o jantar de chegada da senhora.
O meu amigo, certamente discriminado por se encontrar com os baldes na mão, não foi contemplado com convite algum.
Ora aí, dividido entre a atenção que queria prestar à ocorrência telúrica e suas sequelas na estrutura do prédio e a que era devida à gentil anfitriã, consegui por breves momentos escapar-me e colher algumas flores que me pareceram as mais adequadas ao momento, olhando intermitentemente para os danos no prédio e, despeitado, para a garrafa de tinto que o outro trazia na mão.
Quando depois da poeira assentar, consegui finalmente dirigir-me ao restaurante, tive a infeliz ideia de cortar caminho, atravessando, da porta da frente para a das traseiras, um outro local de restauração e afins, de cariz popular.
E é então que, para meu espanto, uma criancinha dos seus sete ou oito anos, começa a gritar:
"Olhe, olhe, a minha mãe está aqui!"
Quando percebi que era comigo, parei. Olhei para a família, mãe e filha de frente para mim, pai virado de cabeça à banda, mirando-me de alto a baixo, filho indiferente comendo a sopa.
"Então, não conhece a minha mãe?"
O marido dividia-se entre expressões de incredulidade e de desconfiança, a mãe da criança olhava para mim com um ar igualmente espantado e repetia: "Tá calada, tá calada!"
"Então, não a conhece?"
Eu de facto não conhecia nenhum deles.
"Então, não se lembra? No outro dia, estava no café a falar da minha mãe com uma amiga sua!"
O marido levantou-se e já se preparava para interromper o senhor do cozido à portuguesa que ocupava a mesa que nos separava um do outro, quando eu retorqui:
"Não, menina, não conheço a tua mãe. Deves estar enganada."
"Não estou, não. Você disse que conhecia a filha do caseiro do Monte das Peeiras."
Fiquei um bocadinho atónito. De facto tinha dito isso uns dias atrás a uma amiga, à mesa de um café. Mas aquela mulher não era definitivamente a filha do tal homem a que eu me referira.
O pai da criança já conseguira convencer o parceiro de trás a suspender por momentos a garfada de couve e farinheira e a chegar-se à frente para lhe dar passagem. É então que eu caio em mim e digo: "Pois é, mas o monte das Peeiras de que eu falei, não é o do teu avô. É o que fica ao pé do Seixo Barrento. E o do teu avô não é para esses lados, pois não?"
E é nesse ponto que entra uma prima minha e consegue, por artes mágicas, desfazer o equívoco, depois de eu lhe explicar quem era a moça em causa.
Abandono de imediato o local, deixando a minha prima a conversar com a família e julgo ter ouvido o tal parceiro do cozido dizer entredentes: "Eu cá só conheço um Monte das Peeiras, e é ao pé do Seixo Barrento."
Fiquei mais descansado, afinal era uma testemunha a favor, mas também mais intrigado. Se não havia outro Monte das Peeiras, então que família era aquela e o que queriam de mim?
Mas pouco depois, já não me preocupava com isso.
Entrava no restaurante e divisava toda uma corte de senhoras em torno da recém-chegada. O meu companheiro das trovas antecedera-me e já fizera solene entrega do tinto que eu nunca percebi de onde era.
Hesitei entre distribuir uma flor a cada senhora e entregar todo o bouquet à raínha da festa.
Entreguei-lhe o bouquet.
Pouco depois, tendo sido abraçada por alguns amigos entretanto chegados e sem ter largado o bouquet, a tal marca de bandoleira foi notada pela convidada da direita baixa.
Foi aí que se gerou um ligeiro burburinho e que eu fiquei a saber que nódoa de areias não sai.
Argumentava eu para mim próprio que um vestido daqueles só servia para uma ocasião, sem cuidar que o jantar ainda não se iniciara e que era uma indelicadeza permitir que a senhora permanecesse maculada para o resto da noite... quando acordei.
Nem eu me lembrava desta



Não conheço as pessoas por detrás da coisa.
Não emito qualquer juízo.
Apenas lhes peço que vejam com os vossos olhos. E que participem no forum.

imagem de
Demonstração cartesiana

Não é fácil desbastar betão.
Se se pretende deixar uma superfície mais ou menos rugosa e fazer um desbaste com uma profundidade regular, a questão é melindrosa.
Não tanto pela impossibilidade, tudo se faz. Mas pelo rendimento do trabalho que, seja qual o fôr o método, é baixo.
Aqui chegados, e depois de muitas experiências com diferentes equipamentos, pediu-se mais uma demonstração de um equipamento novo a uma empresa especializada em ferramentas hardware.
Veio o habitual vendedor, de fato e gravata, e o demonstrador, em traje sport.
Encontravam-se já reunidos os representantes do dono da obra, do empreiteiro geral, da fiscalização, o costume.
O homem subiu ao andaime e zás, vá de aviar betão.
A coisa resulta, ar afirmativo dos presentes, é isto que se pretende. Muito bem.
O que eu ainda hoje não percebi é porque é que o homem, depois de sair do andaime, de arrumar o estojo, de se ir lavar, começou, muito chateado, a dizer que o Prof. Damásio é que tem razão, o cérebro humano funciona assim e assado, não leram o livro?


12/11/2003

Desmistificação

Se você
É algarvio
Emigrou para a Holanda
Tem (teve) um pára-sol patrocinado por uma empresa do Algarve no seu Ford Escort de matrícula holandesa
Estacionou o dito carro num dia de Janeiro de 1989 no parque de estacionamento de um supermercado em Roterdão
Encontrou entalado na porta um bilhete com um insulto inofensivo
E não sabe quem foi o brincalhão

Agora, já sabe ...
Não, não o conheço.



imagem de
Mais um dia

Em que nada de novo aconteceu, mas em que se insiste em dizer que há dados novos



em terras de cegos...
Horizontes

À espera de vistas mais largas


11/11/2003

Orientação



Gasolim não perde o norte.
É talvez uma das características meridionais que herdou.
Por isso, apesar de não usar bússolas, ignorar sol e estrelas, lá vai encontrando a rota pelos sinais.
Todavia, já se perdeu na antecâmara do quarto de dormir. Às escuras, é certo. Mas perdeu o sul, e não dava com a porta. Não fora o tique-taque do relógio de parede e teria que esperar pelo clarear para finalmente se recolher.
Quem manda não usar GPS?
BREAKING NEWS



Não se fala noutra coisa.
A polémica em torno de Albergaria dos Doze teve ontem um novo e decisivo episódio.
Com a publicação da "Carta Aberta ao Gasolim", Anarcka abre novos campos de luta e recentra a coisa mais para ocidente.
Ele é agora um percurso E.N. 109 - E.N. 111 recheado de perigos diversos. Pataniscas, carpaccios, rissotos, aguardentes, chás, pastéis de Tentúgal, todo um programa.



Fico-me assim nas covas, como diz o DN.
Logo eu, que lá para trás, nos estatutos, tinha jurado que não ia comentar a actualidade nem recomendar restaurantes.

A ver vamos do que sou capaz. Mais um post que promete qualquer coisa para amanhã.

com a devida vénia aos jornais e cadeia televisiva referidos

Algumas perguntas sem resposta

Hesitei antes de fazer as seguintes as perguntas, uma vez que esta é uma fórmula já muito repisada nos blogues.
Mas, dado o estado de necessidade, julguei legítimo alinhá-las. Aqui vão:

O que aconteceu ao dramaturgo Lu Isgui Lherme?
O que é feito dos médicos da boîte do cacête?
Ainda há alguém que venda açordas às quatro da manhã?
Se há, onde é que é? E cada comensal tem direito a ovo escalfado?
O que é feito dos Mehari e dos Mini-Moke?
O que é que aconteceu à Ford Thames das sardinhadas?
Porque é que ninguém se lembra do sumol de maçã?
Porque é que ninguém se lembra do sumol de limão?
Porque é que já não há cerveja Clok?

A bata e o nome

A data e o nome

10/11/2003

São Martinho

Podia ser Rosé Rosal, adamado com agulha.
Podia ser água-pé ou cerveja.
Podia ser um chouriço assado ou uma lata de conservas.
Podia ser uma sopa feita na barraca dos coelhos do avô do R.F.
Podia ser um petisco no velho abrigo do curto.
Haveria alguma conversa mística.
Procissões só de homens, livros de São Cipriano e outros devaneios.
Tantas noites de São Martinho e tantas aventuras.
O grande êxodo



Há episódios da história que, apagados da memória colectiva, só permanecem na memória de alguns elefantes, já aqui o disse.
Um dos mais impressionantes acontecimentos que presenciei, está hoje completamente esquecido.
Trata-se da fuga em massa que ocorreu no depois das cheias de Novembro de 67.
Os rumores começaram a espalhar-se rapidamente ao final da manhã.
Ia explodir a Fábrica da Pólvora. Com hora marcada, salvo o erro, duas da tarde.
Nas ruas já não se falava em outra coisa. Não considerando o absurdo da explosão com aviso e hora marcada e a distância de uma boa légua a que a Fábrica da Pólvora ficava, o pânico instalava-se.
As pessoas começavam a abandonar as suas casas sem destino pensado.
Fervilhavam as vozes assustadas e os apelos à fuga.
A certo passo, uma ambulância em marcha lenta de onde se via a manga de um bombeiro e um megafone fora da janela, aconselhava as pessoas a manterem a calma. Alguns viam nisso mais um sinal de confirmação.
Já não adiantava.
Da janela das traseiras, vasto panorama sobre o campo, avisto gente a correr à toa pelos terrenos enlameados, pelas ruas esburacadas, pelas estradas onde alguns carros concorrem com os fugitivos.
Eram milhares de pessoas errando em busca de uma bizarra salvação.
Nunca mais vi um espectáculo tão grandioso e tão triste.
E hoje não há quase memória desse êxodo. Será por vergonha da ignorância e dos medos que pôs a nu?

Não estava no Algarve em Agosto de 99, mas é possível que cenas semelhantes tenham ocorrido, aquando do famoso alerta de onda gigante.
Decerto mais um episódio para o esquecimento colectivo.

imagem do extinto Canal de Notícias de Lisboa
Agradecimento

Agradeço ao amigo ou amiga que aqui veio à procura de um apaelho.
Já está corrigida a gralha.

09/11/2003

Uma coisa boa dos blogues

é esta possibilidade de postergar.
Já lá vão uns quantos posts que remetem para o futuro.
Haja estofo!



Os extremos

Nos dois extremos da coisa, estão estas duas expressões: “Es-tú-pido!*” e “Ah, sim?”
O segredo de qualquer homem que se preze é conseguir encaixar a primeira a.s.a.p. e nunca ter de ouvir a segunda.
Mas todos sabemos que não é fácil.
Mais tarde desenvolverei o tema.

*as duas últimas sílabas devem ser pronunciadas de um fôlego e “Grande estúpido!” não é a mesma coisa.

08/11/2003

Trote-galope

Deve ter havido centauros.
Se não, como é que se explica que desde tenra idade, as criancinhas quando solicitadas a imitar um cavaleiro, não façam o gesto de se apoiarem nos estribos e arquearem as pernas mas sim o de marcarem passo, de fémur bem articulado com respectiva tíbia e perónio?

Bem sei que este tema já deve ter sido abordado e até escalpelizado anteriormente. Mas a minha mais do que proverbial ignorância leva-me a cometer estas audácias de pretensão. Julgo que me desculparão, uma vez que é da mais gritante utilidade este tipo de reflexão.

Como concluiriam muitos dos actuais fazedores de opinião (o que eu gosto deste conceito!): se houve centauros, então é certo que houve sereias.
Ora tendo havido sereias ou sirenes, muita coisa afinal se explica.

Mas deixarei isso para depois, por ora encontro-me em vias de me reunir com um amigo cretense que tem alguns elementos sobre o Minotauro com os quais conto para desenvolver novas e labirínticas teorias sobre a evolução.



imagem encontrada aqui

Gasolim e os restos do Paraíso


07/11/2003

Cavalos, auto-estradas e salvaguardas



A primeira vez que circulei em auto-estrada com o meu 2 cavalos, fui aparentemente escoltado com toda a cortesia.
Sim, saiu-me à frente um cavalo bem tratado embora sem arreios e sem cavaleiro.
Não terá dito o mesmo o condutor da Ford Transit que vi, pelo retrovisor, fazer meio-peão umas centenas de metros lá para trás.
Quando uns quilómetros à frente, avisei a portageira do tractor animal passeando-se a galope, esta não se surpreendeu, já estava avisada por outros condutores.
Não cheguei a saber o que aconteceu depois.

Uma das características mais bem vincadas do funcionário público é o espírito de salvaguarda.
Não se toma uma decisão sem que se esteja bem estribado e salvaguardado, ou por ordem emanada pelo chefe, ou por um papelinho qualquer que prevê a situação e recomenda a solução. Não se inventa nada.
A salvaguarda é tema de conversas em qualquer restaurante de esquina perto da repartição: "Olha lá, salvaguarda-te. Olha que isso pode dar confusão!"

Suponho assim que a referida portageira, embora não sendo uma funcionária pública, se salvaguardou, comunicando de imediato à chefia o ocorrido, alijando assim quaisquer responsabilidades indirectas em eventuais acidentes.

O que bate certo com os factos posteriores.
Sucede que, há uns dois ou três anos atrás, começaram a surgir em certos troços de auto-estrada os estranhos sinais hoje designados A19b, que antigamente surgiam sob o título de CAÇA GROSSA.
Da primeira vez que tal vi, incrédulo, preparei-me logo para enfrentar meia-dúzia de renas fugidas ao Pai Natal, uma peara brava de algum velho conhecido ou até a componente equídea da fanfarra da GNR, mas não aconteceu nada.
Depois caí em mim, não, não pode ser, vais numa auto-estrada, pagaste o serviço, não é suposto existir uma travessia de caça grossa, animais selvagens ou domésticos.
Foi então que me lembrei da portageira!
Afinal ela salvaguardou-se.
Doravante, qualquer hipopótamo que surja sobre o viaduto da ribeira da Marateca e cause algum acidente, verá a responsabilidade da dita atenuada pelo facto da sinalização respectiva se encontrar perfeitamente visível, ainda que uns bons 30 Km atrás.
Ainda que o referido hipopótamo veja mal.

O cigano Melquíades

Ou outro qualquer.
Todos os dias nos aparece no pequeno écran.
Vendendo velhas histórias como se fossem absolutas novidades.
Ficámos hoje a saber que ler continuadamente faz dor de cabeça.
...
Lembro-me de uma versão deste cigano a vender numa feira de Agosto dos idos de 74.
Segurando numa mão uma daquelas colchas de que nunca descobri a origem, mas que vagamente lembravam as Mil e Uma Noites, com os seus camelos, minaretes e árabes a preceito, gritava para os circunstantes:
“E aqui temos o Quartel do Carmo e o Capitão Maia à frente das suas tropas!”
Só custava um conto de réis e ainda ganhava um faqueiro e duas almofadas, é claro!



adaptado da pintura de http://www.labrache.com/jean-louis.htm
Tijolos na paisagem empedrada


06/11/2003

A propósito de erros de ortografia e de orçamento de Estado

QUÓRUM

É o que se lê no écran do sistema de controlo de presenças e votações do parlamento de Portugal.
É certo que eu sou um ignorante e por isso mesmo gostava de saber à luz de que acordo ortográfico é que esta grafia se justifica.
Meus caros

Como prometi, era aos brindes que viria explicar o post (a posta) anterior.
Sucede que me encontrais indignado com a garrafeira.
Ao contrário do que acontece com os meus bons amigos do Porto, que apesar da fama laborenta de que gozam, persistem no hábito das grandes almoçaradas regadas à medida (sei que são eles próprios que escolhem a garrafeira do recanto que os restaura), estou frente a um dilema assaz desagradável: ou escocês ou irlandês.
Logo eu, que sou mais adepto do napoleónico postre (não tem que ser Napoléon, basta que seja bom)...
Bem, encaro com a garrafeira do cisma (explico mais tarde) e verifico que não há nem uma medronheira de alambique não certificado, nem um Cognac, nem um Armagnac, nem sequer uma aguardente daquela que os meus amigos não tiveram outro remédio senão produzir, dado o excesso de uva lá na cooperativa, mas só coisas escocesas e irlandesas.
Há ainda umas coisas sul e centro-americanas que até não desdenho, mas só em outras ocasiões, não quando estou prestes a iniciar uma tarde produtiva.
Fica assim lavrado o meu protesto. Comunico que me rendi a uma bandeira verde-branca-laranja e que deixei em paz a cruz de Santo André.
Mais informo que não é meu hábito submeter-me às chamadas de Baco, como de resto podereis comprovar pelo histórico da coisa.
Adiante.
Quanto à posta anterior, o seguinte:
Como já disse jadis (perdoai-me a veia galicista), os sonhos são ignorantes e cheios de topete.
Ora, aqui a atrasado, tive um sonho que saiu um pouco da linha bizarra que me é peculiar, pois aludia a uma corrida de fórmula um em que participava este vosso criado conjuntamente com alguns corredores em voga nos anos oitenta do século pretérito.
A grelha de partida encontrava-se situada numa estrada nacional que esventra um dos terrenos de que é proprietária a minha progenitora e muito embora eu me encontrasse ao volante do finado Ford Escort, cedo me abeirei dos principais concorrentes à vitória final, mercê de uma série espectacular de ultrapassagens em terreno conhecido.
Onde não vislumbro correlação é no facto de, após o acidente ocorrido no entroncamento, nos encontrarmos todos, pilotos e demais comitiva, a almoçar num local perfeitamente identificável para mim, sob a direcção irrepreensível de minha bisavó que Deus guarde.
O staff era constituído pelas criadas lá de casa e a ementa que me apresentaram, entre os encontrões de um bi-campeão mundial da modalidade e de um eterno candidato era, mais ou menos, a constante da figura abaixo.
Só uma coisa me confunde: de onde vieram os erros de ortografia?
Horas de almoço



depois do dito, ou melhor, aos brindes explicarei tudo
Um dia em cheio

E de repente, uma resma de postas atafulha-me a cabeça.
Talvez inspiradas no debate do Orçamento de Estado a que estive a assistir.
A primeira nota é sobre a endognose parlamentar.
O que é que eu quero dizer com isto?
Quero dizer que há notoriamente no excesso de palavras e nas redundâncias de raciocínio um apelo à compreensão dos pares.
É necessário fazer uso intensivo de considerações e tergiversar sobre o essencial, porque se assim não fôr, há uma tradição que é quebrada e nasce a terrível dúvida sobre a eficácia do discurso.
Tal como aqui.
Aqui digo todos os dias coisas desnecessárias.
Se as não disser, fico com dúvidas sobre a razão de ter um assento nesta secretária que herdei dos meus antepassados.
A única diferença é que é suposto o meu discurso ser inconsequente.

05/11/2003

Efeméride

32 anos depois, ainda aqui ando. Dessa safei-me.
A assinatura



Tirou cuidadosamente da pasta de couro uma outra pasta de cartão.
Pousou-a calmamente sobre o balcão do notário.
Com os dedos finos e enrugados pelos anos, pegou na folha branca e virou-a, como se tivesse cima e baixo.
A empregada fitava-o com espanto: “O senhor, era para quê?”
“Bom dia, minha senhora, quero que reconheça a minha assinatura feita na sua presença.”
“Mas o senhor tem uma folha em branco...”
“Precisamente! Pois se ainda não assinei...”
“E que documento é este que consta de uma folha em branco?”
“Não é um documento por enquanto. Quero apenas que reconheça a minha assinatura feita nesta folha, na sua presença.”
“Mas isso é uma folha em branco... não posso reconhecer uma folha em branco!”
“Não estará em branco quando eu a assinar, minha senhora. Terá aposta a minha assinatura e será a minha assinatura e apenas a minha assinatura que a senhora deverá reconhecer.”
“O senhor não está a perceber, não posso reconhecer a sua assinatura numa folha em branco!”
“E porque não, minha senhora?”

O resto da história fica a vosso cargo.
Confissão



Este é um blogue incógnito.
Não tão incógnito que não haja leitores. Mas é incógnito.
Sei de um que é absolutamente incógnito, desde que lá coloquei o contador, nem umazinha visita.
Ora bem, é justamente para falar de um e de outro que serve esta posta.
O blogue incógnito, este, é feito às escondidas de toda a gente.
Por isso, não há aqui amigos a espiolhar ou outros interessados (nos negócios) e interessadas (no conhaque) a analizar os deslizes. Não há e é difícil que venha a haver. Mesmo com os motores de busca, a coisa não vai lá. Apesar dos sinais mais ou menos óbvios da minha identidade que por aí já ficaram, continuo a achar que é procurar uma agulha num palheiro.
Donde, os únicos conhecedores da coisa são os novos amigos virtuais. Excepção para...
A minha Mãe.
Claro, isso das mães saberem tudo a nosso respeito não é um mito. Descobriu logo.
E mais, exigiu o seu próprio blogue. Ora aí é que está a questão.
O tal blogue incógnito, o outro, de que só eu também sei, ainda não teve lá ninguém a espreitar.
Não, não vou dar aqui o endereço. É incógnito, pronto. Nunca se sabe o dia em que ela lá se lembrará de revelar ao mundo as minhas esquisitices.

Correcção a tempo: sabem ainda deste blogue e sabem quem eu sou mais duas pessoas - o rapaz citado na história abaixo e um professor de estatística de uma universidade grega. Nem um nem outro têm o hábito de aqui vir, um porque não se interessa, outro porque o seu português não chega a tanto.
Alegadamente

Os alegados agentes da autoridade interceptaram H G U ao volante do seu espada com doze anos.
Como o alegado condutor seguia a 38 Km/h na A 77 entre Vilarinho do Poço e a Póvoa de Cace de Baixo, foi presente a tribunal sete dias depois.
O juiz sentenciou uma medida de coacção de quinhentos mil réis a pagar alegadamente em estampilhas fiscais.

Esta notícia não saiu em lado nenhum, mas disparates destes dizem-se todos os dias. O último (ou o primeiro) ouvi-o há minutos.

Quem terá herdado o caderninho do meu tio?
Contributo para manter a fachada



esta imagem é propriedade de H Gasolim Ultramarino,
à semelhança de todas as outras sem indicação em contrário.
Gasolim à espreita

04/11/2003

Twilight zone



A estrada é agreste.
Há ainda algum caminho para fazer até ao destino, é talvez altura de parar e comer qualquer coisa.
O sítio é imponente, pedregoso, de vistas largas a bombordo.
Começam as casas da aldeia, um entroncamento à direita leva-nos para o maciço central.
Uma taberna quase na esquina, pode ser ali.
Procuro um lugar para estacionar e nenhum sítio me agrada, não há recantos e a estrada é estreita.
Continuo até à saida da povoação, faço meia-volta e quando dobro a esquina da taberna, avisto quase em frente um parque de estacionamento de uma daquelas coisas beira de estrada anos oitenta.
É para ali.
A companheira do lado diz-me, rindo: "Aqui?"
"Pois, então não é um restaurante?" - agora era sou eu que me rio da escolha.
Vamos lá ver.
O rapaz, no banco de trás, agita-se e dá um berro: "Um Diablo!!!"
É um quadro estranho, um Diablo aqui nestes confins, onde pouco mais há do que pedras...
Saímos. Ele logo para ver o carro.
A primeira porta é do restaurante. Tem ementa e está fechada.
Espreitamos para dentro e vimos gente. Tentamos outra porta, escondida por uns arbustos.
Entramos.
Depois de uma porta estilo faroeste, uma sala à média luz, com uma uma parede branca de projecção onde passa uma daquelas sequências de acidentes de competição automobilística.
No tecto, uma bola de espelhos.
Duas paredes pintadas com temas sobre azul forte.
Em frente, uma espécie de snack-bar, mais iluminado.
À esquerda a passagem para o restaurante, onde divisamos sentada a presumível cozinheira. Tudo isto envolto numa indescritível música de fundo uns decibéis acima do padrão.
Pergunto ao homem atrás do balcão se se arranjam umas sandes.
Ele diz que sim e pergunta se não nos queremos sentar.
Vamos para o fundo da sala azul e sentamo-nos nuns pufes adstritos a umas mesas baixas e vermelhas.
No balcão, quatro ou cinco homens pouco mais do que indiferentes à nossa chegada, começam a falar de qualquer coisa que tinha acontecido num baile.
O tema não é pacífico, envolve qualquer ameaça de pancadaria passada ou futura.
O pai deste, o cunhado daquele, o sobrinho do outro.
Estamos naquela situação em que os augúrios são de tempestade em câmara lenta.
Há conversa mansa mas de desafio.
A bola de espelhos reflecte tonalidades de acidentes em ovais americanas.
A companheira do lado ri-se quando eu a interrogo em silêncio se vamos ou não comer a outro lado.
Twilight zone - diz ela.
Ou Twin Peaks - acrescento.
Estamos em sintonia a desfrutar o clima.
Chegam as bifanas e a cerveja.
Atrás de mim, ouço um ronco poderosíssimo e ambos olhamos para a parede que está mesmo nas nossas costas, tendo a certeza que vai entrar um Lamborghini através dela.
O rapaz corre para a porta de vai-e-vem, passa para um compartimento onde mal se vê uma mesa de bilhar e debruça-se sobre o que parece uma balaustrada de madeira entre espelhos.
Volta entusiasmado e diz: "É que a garagem fica aqui ao lado!"

imagem encontrada aqui e tratada

03/11/2003

The milk van



Um estranho viajante que despreza monumentos e aglomerações de turistas, abriu a sua matinal janela londrina e viu tudo o que precisava:
A carrinha do leite a manobrar dois pisos abaixo.
Não tinha máquina fotográfica nem precisou de ter.

imagem montada a partir daqui e dali

Boris e eu



Falhámos a feira do Alvito.
Eu não comprei queijos, ele não farejou todos os odores.
Para o ano há mais feiras.


O velho do muro

Assim que viu o velho soube para onde ele ia.
Demorou-se um pouco mais por cerimónia.
Do largo, já o via sentado no muro.
Encostou-se à sua direita e perguntou-lhe:
Vieste buscar as palavras?
Não. Não busco palavras. As palavras não me servem. As palavras de nada servem.
As palavras usam-se.
Usam-se, é certo. Mas de nada servem.
Mas servem-nos!
Servem para ser desperdiçadas. Não é um serviço útil.
Não conheces a força das palavras?
Não. Conheço a força. A força serve-nos e serve-se de nós. As palavras nem sequer se servem de alguém.
Descrês?
De quê?
De tudo.
Não sei. Para descrer, precisava saber. E não sei.


02/11/2003

As coisas mais estranhas eu vi

Digam-me lá o que é que eu hei de pensar...
O meu fiel (per)seguidor ou outros idênticos (porque foram dois, só no dia de hoje) ainda que menos familiarizados com a nossa língua, entram aqui, pedem a tradução e ganham isto:

Therefore

Había Fidel Castro ganado la war the Fulgencio Baptista, entering triunfalmente en La Habana, mientras if rompía el wall of contención of la imprisoned of Vega de Tera, provoking la inundación del pueblo of Ribadelago.
Michel Debré eté nommé premier-gives.
Which is the translation for Portuguese of these two paragraphs?

To frighten the hunting

Vine with it in the dawn.
Of convoy.
It brought the full head of intentions and the aturdido heart.
The trip ran well.
It adormeceu with the first alvores and leaned the head to its shoulder.
"Beautiful" it thought.
Soon to follow, he looked at for the window and he exclamou: "He looks at the Hairdo"
She was sufficient it to wake up and to remove the head of its shoulder.
E to pass the hands for the hair.


entre muitas outras coisas.
Farão o quê em seguida?

(Old city in Algarve o what in followed?) - digo eu.
Em dia de

devoção e culto



a escala das coisas
BD



Não é todos os dias que se casam duas personagens Disney.
Muito mais raro é quando são nossos amigos.
Desenhei um quadro alusivo à ocasião, em que não faltava a bola de chumbo na ponta da grilheta, em cuja superfície se reflectia a tradicional janela apesar da cena se passar ao ar livre (mistérios da BD). Junto da bola de chumbo, a também costumeira e erecta minhoca pensativa (sim, com um ponto de interrogação no respectivo balão).
Para meu espanto, o quadro perdeu-se.
Dizem que não sabem o que lhe aconteceu...
Vocês acreditam?

imagem montada a partir de
http://www.museunostalgia.hpg.ig.com.br/revistalb-metralhas01.html
http://www.ucdb.br/gibiteca/Margarida/

Gasolim em ruínas

01/11/2003

Boas festas e prazos de validade

Uma coisa que sempre me intrigou é saber qual é o meu prazo de validade como cliente de uma organização qualquer.
Eu explico, se não adivinharam já:
Quando o alvo (que sou eu, com o devido sorriso alvar) compra um determinado bem ou serviço e paga o seu próprio cartão de boas-festas, é certo que o receberá nesse próximo natal.
O que já não é muito provável é que o receba de novo no natal seguinte.
Mas por vezes, ao fim de um lustro ainda recebe os votos de um próspero ano novo.
Estou convencido de que há uma fórmula secreta qualquer para calcular esse prazo.
Não, não tenho comprado coisas a prestações. Se assim fosse, eu ainda percebia que eles não se esquecessem de mim.
Uma das vezes até foi embaraçosa, porque os moços tinham lá o meu nome e a morada de uma antiga namorada e fizeram o obséquio de mandarem o cartãozinho para os pais dela. Fui interpelado na rua e lá expliquei porque é que uns tipos que alugavam apartamentos me tinham mandado as boas festas para a morada deles.
Mas há uma que me deixa perplexo:
Porque é que a minha mãe recebeu sete cartões exactamente iguais da mesma empresa, no natal passado?
Cada vez que me convenço mais que a tal fórmula é uma função da margem de lucro.

Um apoio habitual



E não se lembrou de que a única coisa que apoiava aquela pedra era o hábito.

Na noite manhã



Um concurso na rádio.
Sobre Portugal.
Perguntas para camionistas, que correm ceca e meca.
Primeira pergunta – Quais são os rios que confluem em Constância?
O Tejo. Essa sei eu.
Pois... e o outro qual é?
O outro? O Tejo sei, o outro? O outro?
Sim, são dois rios...
Outro rio?
Z... Z.... Zê....Zêze...
O Zêzere?
Claro.
Segunda pergunta (para outro concorrente) – Quantas ilhas tem o arquipélago dos Açores?
(Risos)
Para aí nunca fui.
(Mais risos)
E não sabe quantas são?
Não.
Bem, como já ajudei o outro... quem de dez tira um...
Nove.
Muito bem, vamos a outra (para o primeiro concorrente) – A que promontório está ligado o nome do Infante Dom Henrique?
....
Não sabe?
Se eu soubesse o que é um promontório...
Não sabe o que é um promontório?
Não.
E você (para outro concorrente)?
O outro sabia.

Há anos, ouvi alguém responder “O Mistério da Batalha”.

Há tanta coisa que eu também não sei.

imagem de http://www.tieh.fi/alk/english/kelikamerat/kamera-LZ.html

31/10/2003

Retábulo em quase dia de todos os santos

Quando encaixa



uma coisa na cabeça, o V.H. é lixado.
Perguntou-me hoje:
“Olha lá, quem é que disputou as eleições no Benfica com o Dr. Vilarinho?”
Vi logo que aquilo não era pergunta. Era um requerimento. Bastou-me olhar para a cara do parceiro que estava com ele a beber uns Favaios.
Não me deu tempo de responder. Olhando para o outro com um ar ameaçador, fingia dirigir-se a mim: “Foi o Bush, não foi?”
Gasolim e as passagens

30/10/2003

Pára-quedistas II

Mantendo-me nesta presunção de que sou seguido, monitorizado e me encontro prestes a defrontar-me com o sinistro agente galego, resta-me deixar aqui as pistas para que os meus amigos me possam vingar no caso do desenlace ser fatal.
Desde 12 de Outubro, em que surgiu ameaçador, levantando o véu sobre o local onde pretenderia levar a cabo a sua acção (túnel das Fontaínhas, em Setúbal), aconteceu o seguinte:

Do Brasil, a 20 deste mês, com a maior ausência entre contactos até agora, por certo devida ao meu alerta nestas páginas, faz uma ameaça digna de Joker:
- filme Disney de inundação
No dia seguinte, já em Portugal, referencia-me historicamente ao volante de um
- sado carro portugues
Reparem na sequência: Setúbal, inundação, Sado. Creio tratar-se de algum tipo de código que decerto escaparia à equipa de Turing.
E logo no outro dia, de volta ao Brasil não me dá um conselho, mas um concelho:
- concelho ultramarino
Se pudesse escolher, escolheria o de Mocimboa da Praia.
Mas fico-me nas covas, não é um concelho nem um conselho, é uma ameaça: Dou-te um conselho, Ultramarino!...
E lá está, Setúbal outra vez. Se isto não é um sinal, então não sei o que é.
Porque no mesmo dia, diz:
- postais antigos setubal
E um dia depois, repete-se e de novo em maiúsculas:
- SALSAPARRILHA
O que significa que salsaparrilha ou é algum tipo de senha, ou o vil disfarce de que pretende fazer uso, como já receava lá atrás.
Ainda nessa data, um enigmático:
- rapaz de olhos azul en braganca
Estávamos no rescaldo do disparate que todos sabem. E reparem num pequeno pormenor, enganou-se no en e não pôs cedilha, traindo assim a influência castelhana.
Dois dias depois, segue a mesma linha, já claramente identificado com o disparate da revista americana:
- rapaz semi nu fotos
Ou quem sabe querendo abrir outras frentes. Sai-lhe o tiro pela culatra.
E a 26, dia a seguir, talvez uma nova ameaça à Joker:
- imagens de sismos
A 28, mostra conhecer bem os meus interesses mais uma vez:
- história das pontes
Ficamos sem saber quais, é certo. Se são de hidrogénio, se de fim-de-semana. Mas acerta na mouche.
E a 29, com uma precisão cirúrgica. Não gosto nada desta expressão, mas já está, paciência:
- escaparates en los campos eliseos de paris
Se se derem ao trabalho de repetir a experiência, verão que esta página é a única em língua portuguesa que aguenta o embate. O estranho da coisa é que ele está então no Perú.
No mesmo dia, extraordinariamente, usa o Sapo:
- fornalhas velhas
Não acredito que seja uma ameaça de cremação, mas sim uma referência toponímica. Sabe que eu conheço, que já lá entrei nos cafés e mais do que isso, deve estar a par da célebre excursão das cabeças de borrego.
E logo depois, a 30, que é hoje, uma barragem. Primeiro, pede-me uma
- resenha ford
da minha história ao volante. Sabe então do Escort e dos outros que me passaram pelas mãos: as Transit, o Cortina, os Fiestas, etc. Fique à espera, sentado.
Depois, vulgariza-me:
- Zé Povinho
Não se sabe como, volta ao Brasil e Procurou? Zoom, achou. Outra vez, eu não digo?
- salsaparrilha
agora em minúsculas, para disfarçar.
Ainda no Brasil, retoma o mote revisteiro:
- amadora mulheres nuas
Talvez uma ameaça de tortura diferente. É possível. Quase me alicia para a boca do lobo.
Termina com isto:
- jantes porto
Ok, já não volto ao Porto sem me certificar que os parafusos das rodas estão bem apertados.
Mas será o porto de Setúbal?
Se eu não voltar aqui, já sabem o que têm a fazer.
Outro apontamento sobre a memória

No último post falei de um tempo em que não havia telemóveis. Foi uma força de expressão.
Já existia o Serviço Móvel Terrestre dos CTT. Havia carros com telefone, embora o sistema fosse outro.
O que é curioso é que ao procurar dados sobre isso, parece que tudo começou na década de 90.
Nem uma palavra sobre o antigo serviço.
As coisas parece que só existem ou existiram se houver delas registo. Se só estiverem na cabeça de meia-dúzia de elefantes, é porque nunca existiram.
Mas não haverá registos em algum lado deste serviço?
Quantos assinantes tinha em 1970?
Eu cá gostava de saber.
Também ninguém sabe "A Portuguesa" do princípio ao fim. Toda a gente conhece apenas um terço.
E, todavia, vinha nos livros da escola.
Tal como o indicativo do Serviço Móvel Terrestre vinha na lista telefónica.
Mistérios.
The serial trouble maker

Tudo começa por um acaso.
O primeiro que se lembrou de assar um porco, não se lembrou. Apanhou-o meio tostado das cinzas de um incêndio.
Ao nosso amigo B.S. aconteceu-lhe o mesmo.
Arranjou um trinta-e-um no casamento do irmão, com os carros (nesse tempo não havia telemóveis, é claro), que acabou por conduzi-lo à igreja numa carrinha do Gazcidla.
Um incidente assim tornou-o célebre. E ao casamento do irmão, também.
Então do que é que ele se lembrou?
De fazer vida disso. De fazer vida, não é bem. Ia-se divertindo.
Decidiu ser um criador de incidentes célebres.
Dizia ele que para um incidente ser célebre, tinham que se respeitar dois aspectos essenciais:
Fazê-lo numa data marcante, mas nunca num funeral, e torná-lo completamente inesperado.
Ora a coisa resumia-se a casamentos, baptizados, inaugurações e pouco mais.
E não havia ocasião dessas em que todos não estivessem de olho nele. O que lhe dificultava muito as coisas.
Respondia sempre com o ar superior que um infeliz acaso, lá para trás, lhe conferira: “Marcado é que a coisa se torna aliciante. Já viram algum bom avançado, que não seja bem marcado?”
Em matéria de casamentos, fez o que pode.
Foi o célebre grito de Fornos de Algodres, aos ouvidos dos pais da noiva: “Mas esta não é a Cristina!”
Foi o ter conduzido o fotógrafo a tirar uma foto da noiva ao lado de um chafariz onde se podia ler “Imprópria para consumo”.
Foi ainda ter trancado com correntes grossíssimas a garagem onde se guardava o carro de cerimónia.
Mas nada que lhe trouxesse a fama a que verdadeiramente aspirava.
Um dia, teve a sua oportunidade.
Um programa de rádio dispunha-se a felicitar aniversariantes, às primeiras horas do dia, desde que alguém das suas relações se dispusesse a entrar no ar e a acordar por telefone a pessoa em causa.
B.S. ligou para a rádio, deu os seus dados e disse que queria acordar a irmã, a qual não via há alguns anos, pois estava casada com um gajo americano cheio da massa e não passava cartão a pelintras. Não foi bem isto que ele disse, mas pronto.
A coisa ficou marcada para o aniversário da irmã, daí a umas semanas.
Uma semana depois, voltou a ligar para a rádio, choroso, a contar como os pais tinham falecido num desastre de viação.
Perguntaram-lhe se ainda assim, queria manter a chamada para a irmã.
Disse que sim, que afinal era uma forma de lhe mostrar afecto e que o cunhado até parecia ser bom tipo. Tinha-o visto pela primeira vez no dia do funeral.
No dia aprazado, o telefone tocou em directo na rádio. Era a chamada prévia para casa de B.S., para se estabelecer a ligação com a irmã.
Tocou, tocou, tocou.
Então ouviu-se uma voz rouca dizer: “It’s ok. The job is done, I’m out of here.”

a imagem utilizada tem uma origem que já não consigo identificar, mais uma vez as minhas desculpas

29/10/2003

Às vezes

as máquinas decidem saudar-nos



sem que saibamos porquê



Gasolim e as estradas



e o meu corcel de trabalho lá ao fundo
Ainda o Gasolim (não é narcisismo, não)

Quem fizer a pesquisa deste nome, encontra diversas entradas para o meu blogue; gentilezas de quem me citou; duas brincadeiras de garotos (uma delas, uma cópia de um post devidamente assinalada); o tal censo de 1870; uma ou duas gralhas que se percebem facilmente e um endereço .jp.
Ora aqui é que está o busílis da questão. Desde que tenho conta aberta no Hotmail como Gasolim que recebo um spam não em japonês, mas em coreano. Alguém me explica isto?

28/10/2003

Caramba, meus caros

Não é segredo nenhum que quando o indígena se dispõe a escrever aqui umas coisas, espera sempre que haja alguém algures que lhe aprecie a prosa.
E como, passe a imodéstia, les beaux esprits se rencontrent, ocorre que o indígena, sem favor algum, aprecia também os seus pares.
Ora porra, no espaço de dois dias, os meus amigos subterrâneos (a nossa anónima familiariedade andava pelos mails e pelo MSN) fazem-me a partida.
Primeiro, um prémio. Depois, um repto.
E agora, Gasolim?
Agora, o seguinte:
Quanto ao prémio, minha cara Lilian, fico à espera de mais. E mais, é mais escrita, mais impressões do outro lado do mar, de que ouço toda a gente falar e não conheço. Mais, é mais de um olhar sobre coisas que pressinto e nunca vi, de emoções de juventude que já lá vão e que podemos ler na vida dos outros, ainda que mal o façamos.
Quanto ao repto, meu caro Anarcka, fico à rasca. Lembro-me bem dos chícharos, do jantar de chícharos, com carne de porco. Diz a minha mãe que se semeavam lá na horta do monte, era produção própria. Nunca mais comi tal iguaria. A bem dizer, nem me lembro de os ver à venda.
E já que falamos disso, o que é feito da sopa de acelgas, da sopa de beldroegas com queijo de cabra, da sopa de poejo com talhadas de toucinho?
E dos agriões da ribeira?
E começou a nossa polémica com a cantada Albergaria dos Doze. Que grande desvantagem a minha, alentejano charnequeiro, face a quem é originário das redondezas!
Vá, continuem, não me deixem a falar sozinho.
Outonal

Gasolim C Walker

Já aqui referi a curiosidade de ter existido pelo menos um indivíduo com o nome que adoptei.
Só soube disso este ano, quando o nome me apareceu a primeira vez numa pesquisa.

Gasolim era aparentemente um empregado de um tal Waterman, em Mount Vernon, Illinois.
E teria nascido em 1848 ou 1849, filho de mãe estrangeira.
Tinha 21 anos à data do censo, em 1870.

O curioso do nome associa-se decerto à fabricação de gasolina. Ora, as referências que encontrei, a esta palavra, datam-na dos meados do século XIX, mas apontam para 1865.
Assim, levantam-se as seguintes dúvidas:

1 – O homem chamar-se-ia mesmo Gasolim?
2 – A chamar-se assim, seria por uma razão diferente da ligada ao aparecimento da gasolina?
3 – Terá esta designação surgido anteriormente à data apontada?
4 – Seria apenas uma alcunha, oficializada no censo?
5 – Haverá qualquer outra explicação? E precisa haver?

26/10/2003

What happened to

O leão de Rio Maior
O toureiro solitário
Os Campos Elíseos (do sopé de Monsanto)
Os programas de rádio para o mundo rural
A bola Nivea
A mira técnica
São Rústico

Nunca sei qual é o seu dia.
Falo do São Rústico, o decapitado, meu padroeiro. Por que ele parece que há outros.
Há uns anos, uma agenda apontava para 26 de Outubro, o dia de hoje.
Numa pesquisa Google, aparece para 2001, a data de 9 deste mês.
Não me interessa.
Não é todos os dias que um santo beija a própria cabeça depois de a apanhar do chão, para morrer em seguida aos pés de uma mulher.
Na imagem, no entanto, a dita senhora não figura. Só os mártires Dinis, Eleutério e Rústico e os seus algozes.



Tenho este em meu apoio e não consigo descobrir de onde é que tirei a iluminura, as minhas desculpas.
Assim

Vejo-me obrigado a divulgar mais uma lista de pesquisas pára-quedistas que aqui aterrou...
São adequadas no disparate ao lugar disparatado que este é.