ApostinhasTenho pouca paciência para teimosias. Já me basta a minha.
Quando se trata de um qualquer irredutível a proferir disparates sobre matéria de facto, não mexo os lábios a não ser para dizer: "Vai uma apostinha?"
Se pegar, pegou. Sempre se ganha qualquer coisa. Se não pegar, acabou a disputa.
Mas não aposto só pela certa. Coisa que há quem ache que não é de bom tom.
Aposto também quando tenho palpites estapafúrdios, como daquela vez que apostei em Outubro - sei até que foi no dia 18, porque essa aposta teve lugar enquanto almoçávamos e passavam na televisão as imagens do terramoto em São Francisco, ocorrido no dia anterior - que o Benfica ia chegar à final da Taça dos Campeões Europeus e perdia. Não ganhei uma pipa de massa porque estranhamente não encontrei muitos mais apostadores convencidos do contrário(!).
Ou quando as coisas me parecem, como quando Mário Soares andava pelos 8% nas sondagens e eu apostava, apenas secundado por mais dois, contra um café inteiro que ele iria ser o próximo presidente da República.
E também aposto na completa escuridão. Qualquer coisa que mereça uma boa aposta. E há sempre milhões de coisas susceptíveis de serem apostáveis sobre as quais um grupo não tem o menor controlo ou previsão.
Ora isto leva-me ao seguinte ponto: por que raio é que não há-de haver outro tipo de apostas, já que há o totobola, o totoloto e outros? Não é com toda a certeza por não serem legais ou legítimas, uma vez que sendo legítimo apostar no resultado de um jogo de futebol não se adivinham impedimentos a que se aposte na classificação final, no número de pontos somados por todos os clubes ou outra coisa qualquer.
Da mesma forma, se é legítimo o aproveitamento da ingenuidade alheia nos diversos votos SMS promovidos pelas televisões, por que raio não há-de esse bolo ser disputado como aposta?
Não faltam inquéritos desses que podiam ser assim transformados.
E para além disso, abria-se um campo à imaginação. Não faltam por aí moços e moças capazes de conceber as mais mirabolantes hipóteses apostivas.
E, ao mesmo tempo, baixava-se o bedame a muito arauto que mete a viola no saco quando dá palpites errados.
Pois, é isso mesmo, devia ser obrigatório para certos analistas quando se deitam a adivinhar, uma linhazinha no final da crónica:
Apostei 4:1 nesta hipótese - enterrei 1500 euros. A ver vamos.
Ah, e para quem pense que sou profissional destas coisas e que me farto de ganhar dinheiro: a grade de cervejas é que é a unidade-padrão das apostas (por enquanto).
Ah ainda - há depois outras coisas que já não se podem considerar apostas. Mas que também dão lucro. Um destes dias direi quais são.