23/05/2006

Há muito que também me parece

Que um dos dados do problema do jornalismo é o Q.I..
Temos que viver todos com isso.

Entre a estupidez e a cupidez, vejo sempre a primeira como mais vasta. Muito mais vasta. Os exemplos atropelam-se como numa escada com excesso de afluência.
IC 18, 2006

20/05/2006

Estrada

Dos ramais começados por três, o mais a norte dos a sul.
Talvez onde um dia pouse uma casa junto aos choupos, talvez mais para lá, mais para sul, o teu nome.
Na pedra.
Doze e meio por cento dessa estrada.
E.N. 102, 2005

18/05/2006

Campo Pequeno


imagem da TVI

O Cabo do Grupo de Forcados Amadores de Lisboa, José Luís Gomes, pega o terceiro da noite
Barulho

Só uma sociedade intelectualmente muito débil se envolve em aceso debate a propósito de um livro ou de um filme.
Praia da Adraga, 2006

15/05/2006

Ó diabo!

Será alguém a verificar se se cumpriu uma profecia?
Nomenclaturas

Isto de se ouvir dizer que é a "abertura oficial da época de incêndios" é o que a gente sabe.
Há uma tendência, se bem que se possa dizer recessiva mas que ainda existe, para utilizar o adjectivo oficial a propósito de coisas que sendo pois de ofício e de oficiais, delas se quer dizer que agora é que é, vai ser a valer.
Mesmo com a habitual dificuldade de encontrar nos sítios competentes a nomenclatura apropriada, percebo que hoje começa a fase B(ravo) do combate aos incêndios no campo. Sejam na floresta, no mato ou nos restolhos.
O preocupante não é obviamente a nomenclatura. É ver a luta de galos, as questões de pelouro, a incapacidade que transparece de afirmações absurdas, infantis.
Isso é que é preocupante. Nada indica que as coisas estejam sequer em condições de melhorar.
Quem vai ditar, mais uma vez, as sortes é São Pedro. Para quem acredita nele.
Eu, assim como assim, prefiro o de Sintra. Tem a feira, os restaurantes e a tab(v)erna do Fernando. É tudo mais fresco. E verde.
Tempo

Há, no entanto, coisas que não mudam assim tanto.



32 anos separam estas fotos - uma de 1972, outra de 2004.
Convocatória

É já certo que A, B ou C serão hoje convocados para o Mundial. D, E ou F ficam pois de fora.

11/05/2006

Gasolim - ano XXX

mais uns quantos desde que cheguei aos pedais, e estes são os que me lembro que me passaram pelas mãos



composição feita a partir de fotografias alheias (nem todas) cuja proveniência me abstenho de nomear.
(acrescentada à medida que à memória acorrem outros volantes)

10/05/2006

Falta de espelhos

Não os há em São Bento. Nem na casa de cima nem no palácio de baixo.
Podiam de facto ser um bocadinho menos maus os protagonistas da peça.
E continuo a achar que um destes dias apanham um cagaço. Dos grandes.
Cabo da Roca, 2006



Em dia de várias efemérides, boas e más, ocorreu-me uma finisterra onde certo dia foi escolhida a mais ocidental das mulheres sitas no continente euroasiático.
O padrão está no sítio e os japoneses continuam a correr atrás das máquinas fotográficas. Quartel-General em Abrantes, digo Quartel na Serra. Viva o Trono e o Altar e El-Rei D. Miguel Nosso Senhor.

09/05/2006

Clarões e o seu contrário

Não será muito próprio dizer que um clarão é o contrário de um apagão. Não é.
Sendo que faz hoje, mais daqui a bocado, seis anos que aconteceu o tal apagão de que todos nos lembramos, também fez hoje exactamente zero anos que aconteceu algo estranho.
É que hoje, pelos alvores, ainda o sol estava longe de iluminar directamente o que quer que fosse aqui nas vizinhanças, embora o fizesse já ao longe, lá bem ao longe - sim, estou num buraco - hoje, por essa hora, algo de muito brilhante embora fugaz, iluminou a minha janela a poente, a minha secretária de onde controlo os equinócios.
Foi um brilho rápido como um relâmpago. Que já desaparecera quando o quis ver de frente. Vira-o sim pelo canto do olho.
A única explicação que encontro para tal brilho, dado que é pouco provável que se trate de descarga atmosférica, uma vez que o céu não se mostrava conforme, o IM não o assinala e o som, ainda que distante, não se fez ouvir, é a de um reflexo vadio da luz solar em algum vidro ou chapa que se houvesse movimentado lá longe, lá muito longe, de forma a produzi-lo aos meus olhos. Não é incomum. Mas há, havia qualquer coisa de mais intenso naquele brilho do que sugere tal explicação. Fiquei sem ela, a explicação. Como o fiquei na noite de 15 de Julho de 1979, em Cascais, quando vi a luz do dia perto das três da manhã. Dessa vez, porém, uns milhares mais viram o mesmo que eu. E ainda hoje estamos à espera de saber o que foi.
Há mais histórias destas narradas por gente em que acredito.
Sintra, 2005





Lembrando o belo trajecto de Bic Laranja com Raúl Proença, Madureira e Passaporte, entre outros.
(assim à primeira pareceu-me um Ford Popular o que está estacionado à frente, mas não é)
(actualizando: parece um Fiat 500 ou Simca 5, mais conhecido por Topolino)

03/05/2006

Espalhafato

De cada vez que há qualquer coisa que depende de um intervalo de tempo mais ou menos curto, é mostrada à saciedade a ignorância e a incapacidade de raciocínio da maioria dos jornalistas.
É o caso do alerta de tsunami desta tarde. Horas depois de ter sido cancelado, por ter passado o tempo devido mais as margens de segurança, ainda estarão excitados ao microfone.

Recordo-me do dia em que ocorreu a tragédia nas costas do sudeste asiático. Quando ouvi a primeira informação que dava conta de que uma onda atingira zonas tão afastadas como a costa indiana e tailandesa, percebi pelo tom nesse caso pouco excitado que ninguém que tivesse posto os olhos em tal despacho tinha tido a noção do que representava tal coisa. Viu-se logo a seguir que não. E vi também, nos minutos seguintes, que em algumas cadeias internacionais de notícias, já havia quem tivesse a noção das proporções. Nesse caso, tal como agora, parece que não se ouvem uns aos outros ou não percebem o que ouvem, o que é relativamente frequente ou então a necessidade de serem artistas de qualquer coisa faz com que o espectáculo tome conta dos telejornais. O que sabemos também é frequente.
O apagão da cegonha

Quando se apagou a luz na barraca dos petiscos, já o meu velho amigo tinha entrado a cavalo e, sem desmontar, bebido a sua cerveja.
Já a coisa estava como se viu e verá, calma.
O facto de a luz se ter apagado foi inicialmente atribuído a uma quebra de gerador.
Mas alguém reparou que se fizera escuridão total nas ruas da vila. Que não nos nos iludíssemos com os faróis dos poucos carros que manobravam em retirada.
Já não me recordo é quem foi que deu o alarme mais a sério ali no recinto. Mas foi evidentemente o primeiro que recebeu ou fez um telefonema, que as antenas de telecomunicações estavam operacionais.
Ficámos então a saber que em Faro não havia luz.
Pouco depois soubemos de Lisboa. E também de Crestuma, pois de lá disseram-nos que uma zona estava também sem energia.
Ora a situação era assim desastrosa. Havia já até os palpites catastrofistas do costume.
Na meia hora seguinte já se reunia, por via da GNR, informação bastante. Beja, Sines, Santiago, Setúbal, tudo à d'escuras.
A ideia pois iluminante surgiu logo após.
Foi quase como juntar um mais um.
O presidente da câmara ouvia mais um relatório do comandante do posto.
E foi só chegar a mecha:
"Vá, homem, 'bora lá derrubar mais um ministro!"
Não passaram dez segundos.
Ele virou-se para a direita e disse ao adjunto:
"Ligue-me já para o Governo Civil!"
Cada um fugiu para seu lado.
A energia só voltou já a gente vinha para os lados de Alcácer. O ministro não caiu dessa vez. E como é sabido quem pagou as favas foi a dita ave (pág.11).
Está a fazer seis anos não tarda nada.

02/05/2006

Santa Estupidez

Não há desculpa quando nem copiar se sabe. E já não é a primeira vez que acontece.
A verdade é que o cantado Compal Morango é uma edição especial e não uma edição limitada.
Eu é que nem copiar sei.
Já não me apetece roubar a coisa.

28/04/2006

Esse-(i)-ele-bê



Mantenho o que disse no antepenúltimo parágrafo deste longínquo post.
Quanto ao que lá está escrito no início, os números diziam este ano, apesar da intromissão na estatística de um campeonato como o do ano passado, que o Porto assegurara o título na mesma 15ª jornada. Quando o Nacional era segundo, o Setúbal terceiro, o Braga quarto, o Benfica quinto e o Sporting ganhou à Naval.

26/04/2006

Manias

E anteontem, só me apeteceu roubar, de cima do balcão do café onde vou todos os dias, a amostra de Compal Morango - edição limitada, deixando lá o cestinho.
Isto porque não vislumbro edições que não sejam limitadas.
Os tachos e as panelas

O que me parece é que quando os tachos e as panelas saírem à rua, esta malta vai ser apanhada de surpresa. Repito, é o que me parece.
O homem do segredo

19/04/2006

A ponte

Pontuei a efeméride em devido tempo.
E por ser pouco usual tratar aqui de actualidades e por gozar este blogue de um certo grau de anonimato, seria decerto esperável que o assunto estivesse encerrado e que não se manifestasse aqui a preocupação que de facto me vai na alma.
Mas não posso deixar de dizer, face ao chorrilho de asneiras, aos disparates, às distorções da História e das histórias, que me preocupo com a sanha persecutória que se antevê.
O natural, para mim, seria que o processo tivesse tido o rumo traçado pelo Juiz de Instrução. Pela razão simples de que os responsáveis, a existirem, seriam de facto outros.
Leia-se o relatório dos peritos, atente-se no que de facto se passou.
Ouvir hoje os habituais papagaios de microfone na mão não é nada de novo. É o trivial.
Mas é também o sinal de onde sopra o vento. E o lado de onde sopra não anuncia nada de bom.
E.N. 261, 1992

Melanie (See U)

Estranha é a sensação que me assola depois de me ter lembrado de Melanie e de ter encontrado na rede uma foto de grupo em que supostamente ela está. É o tamanho da foto e a sua resolução que, juntos, dão as tonalidades à sensação que me assola.
Não se chama Udson, claro.

18/04/2006

Melanie (Miss U)

Posso dizer que a primeira vez que ouvi falar no VE Udson foi no dia a seguir à sua morte. Mas, de facto, sabia vagamente da sua existência através de uns mapas que fotocopiara uns dias antes. A suposta falta do H chamara-me a atenção.
Não era normal que um VE chegasse a Portugal sem eu o detectar. Logo se havia de dar com o Sr. Udson.

Horas mais tarde, um recibo de ordenado escrito em inglês foi quanto bastou, mostrado de relance, para alcançarmos, eu e a minha colega, a zona internacional do aeroporto.
Já lá estava a vice-cônsul.
Posso acrescentar que, apesar da hora, meia-hora bastou para que eu considerasse seriamente uma ou várias deslocações ao consulado. Certo de ser muito bem recebido.

Mas tudo isso se esvaneceu de pronto quando ela se dirigiu a mim, que era o que ostentava a folha de papel onde a minha colega insistira que eu colocasse um ponto no I maíusculo - "M?SS UDSON".
Foi um abraço, claro. Mas o mais estranho foi a espécie de cumplicidade que se seguiu. Eu, a bem dizer, sabia pouco o que fazer em circunstâncias tais. Mas ela procurava-me com o olhar de cada vez que algo lhe era dito e lhe suscitava algumas dúvidas.
Nessa altura, já eu sabia que não era possível arranjar-lhe um lugar para o Porto num avião ainda nessa tarde. Possível talvez fosse, como tudo o é, mas uma secreta esperança de a conduzir ao Porto deve ter feito com que não usasse mais nenhum truque ou até talvez a influência que a vice-cônsul poderia pôr a funcionar.

A minha colega mandou fazer uma reserva no comboio. Eu próprio lá fui depositar Melanie, certificando-me de que a viagem correria da melhor forma possível. E fiquei no cais, como se jamais acenasse.

Quando cheguei ao escritório, já a minha colega falara com o director mais uma vez. E fez-me uma pergunta. Por que raio não tinha eu levado Miss Udson ao Porto de carro?
I.C. 18, 2006

Vila Nova de Milfontes, 1994