23/10/2006
22/10/2006
21/10/2006
20/10/2006
19/10/2006
Amanhã, de uma outra margem de Entre-os-Rios
A minha consciência dita-me que esteja amanhã em Castelo de Paiva.
O circo que se espera afasta-me de tal lugar. E liberta-me de gestos simbólicos, inconsequentes.
A Memória dos que lá pereceram mereceria mais respeito do que o que se prevê em tal cenário.
Quanto ao resto, espera-se que a Engenharia portuguesa não tenha que prestar mais um serviço ao País - mostrar, pagando por isso, quão ruim é a sua justiça. E os seus políticos.
Outros posts sobre o assunto - 1 - 2
A minha consciência dita-me que esteja amanhã em Castelo de Paiva.
O circo que se espera afasta-me de tal lugar. E liberta-me de gestos simbólicos, inconsequentes.
A Memória dos que lá pereceram mereceria mais respeito do que o que se prevê em tal cenário.
Quanto ao resto, espera-se que a Engenharia portuguesa não tenha que prestar mais um serviço ao País - mostrar, pagando por isso, quão ruim é a sua justiça. E os seus políticos.
Outros posts sobre o assunto - 1 - 2
18/10/2006
16/10/2006
A memória é curta

Talvez para compôr ramalhete no dia em que apresenta o concurso entre portugueses vivos e mortos, a RTP ofereceu-nos "The Gathering Storm" com Finney e Redgrave. É de Churchill que se trata e foi ele que ganhou o concurso no Reino Unido.
Gostei do filme.
Gostei muito de Finney, mais uma vez. Gostei de Vanessa Redgrave, uma vez mais.
Vi-a, há uns tempos atrás, a atravessar a aerogare da Portela. Nem um olhar além do meu a perseguiu.
A memória é de facto curta.
Entretanto, já vejo a Rampling, na sessão contínua. Redgrave e Rampling sempre fizeram parelha nas minhas gavetas imaginárias.
imagem daqui

Talvez para compôr ramalhete no dia em que apresenta o concurso entre portugueses vivos e mortos, a RTP ofereceu-nos "The Gathering Storm" com Finney e Redgrave. É de Churchill que se trata e foi ele que ganhou o concurso no Reino Unido.
Gostei do filme.
Gostei muito de Finney, mais uma vez. Gostei de Vanessa Redgrave, uma vez mais.
Vi-a, há uns tempos atrás, a atravessar a aerogare da Portela. Nem um olhar além do meu a perseguiu.
A memória é de facto curta.
Entretanto, já vejo a Rampling, na sessão contínua. Redgrave e Rampling sempre fizeram parelha nas minhas gavetas imaginárias.
imagem daqui
14/10/2006
13/10/2006
12/10/2006
Pilar
Esqueceu-me este ano. Ao olhar agora a data, soaram jotas na Praça.
_______________________________________________
adenda: quem se interessar por jotas aragonesas, tem aqui du as páginas onde as pode ouvir ou gravar
Esqueceu-me este ano. Ao olhar agora a data, soaram jotas na Praça.
_______________________________________________
adenda: quem se interessar por jotas aragonesas, tem aqui du as páginas onde as pode ouvir ou gravar
O Popeye da mão

Não é fácil dizer se eras ou não a convidada de honra.
Mas lá estavas, ao lado da Isabel mesmo sem o antigo ministro.
Lá estavam ao todo uns vinte. E não se sabia muito bem qual era também a comemoração.
Inquiri-te durante a pièce e depois. Até comprei tabaco.
Sei que as mesas separadas - eram duas as mesas, distantes um recesso de parede - iam comunicando à sobremesa, entre corridas da miudagem.
Nesse entrementes, o teu filho.
Pediu-me que desenhasse um Popeye na tua mão. Não era um Popeye que ele queria - era um Smiley.
Saímos pela manga sem dar troco à pista de dança que já fervilhava.
Cá fora, sentámo-nos na borda do canteiro que delimitava o pátio coberto por uma lona vermelha.
O teu cabelo loiro e curto espigava aqui e acolá.
E tudo era uma impossibilidade - dizias.
O Smiley desdizia-te.
imagem montada a partir desta e destoutra

Não é fácil dizer se eras ou não a convidada de honra.
Mas lá estavas, ao lado da Isabel mesmo sem o antigo ministro.
Lá estavam ao todo uns vinte. E não se sabia muito bem qual era também a comemoração.
Inquiri-te durante a pièce e depois. Até comprei tabaco.
Sei que as mesas separadas - eram duas as mesas, distantes um recesso de parede - iam comunicando à sobremesa, entre corridas da miudagem.
Nesse entrementes, o teu filho.
Pediu-me que desenhasse um Popeye na tua mão. Não era um Popeye que ele queria - era um Smiley.
Saímos pela manga sem dar troco à pista de dança que já fervilhava.
Cá fora, sentámo-nos na borda do canteiro que delimitava o pátio coberto por uma lona vermelha.
O teu cabelo loiro e curto espigava aqui e acolá.
E tudo era uma impossibilidade - dizias.
O Smiley desdizia-te.
imagem montada a partir desta e destoutra
11/10/2006
O palácio dos dois zz

Se me perguntassem, nunca o diria.
Nunca diria que o palácio rosa-creme dos jardins de buxo ficava para os lados de Mafra. Na orla da Tapada. Nem me ocorreria que o seu nome fosse italiano e com dois zz.
E a verdade é que ainda tenho as minhas dúvidas.
Não obstante ter verificado hoje que a magnífica urbanização militar que se encontra novazinha a estrear está defronte dos edifícios outrora fronteiros ao tal palácio.
Isto pode significar que o palácio foi sacrificado às novas edificações ou que eu estou redondamente enganado.
O certo é que nas poucas vezes em que passeei pelos jardins à francesa, experimentei sempre aquela sensação magnífica de perfeição. Eu e a doutora. Coisas desse tempo.
Havia, se não me engano, no topo norte do jardim, um portão metálico e com rede, que dava acesso a uma zona onde existiam alguns campos de ténis. Depois de descer uma estreita vereda.
Eu sei que me disseram que o procurasse pelo nome na carta militar - era só meter os zz seguidos - ou que fosse ali para a zona da Venda do Pinheiro ou das Caldas da Raínha (atente-se no sinal ali em baixo), para experimentar as zonas mais prováveis onde crescem ou se dão palácios tais, rosa-creme com jardins ornados a buxo.
Mas ali as novas edificações também me impressionaram. Descontando o banco preto que não resistiu ao meu peso, havia a torre negra, imponente, militar, da orla sul. Havia os edifícios de nascente, de traços pouco vistos, onde parecia não habitar ainda ninguém.
Mas foi nos de poente e naquela torre imediatamente à esquerda que entrei.
A porta pareceu-me despropositadamente modesta para o conjunto. Parecia haver ali um café, do qual só se via uma ponta de um balcão, pela porta encostada e uma espécie de repartição onde uma amanuense se entregava às delícias da dactilografia.
Foi pois entrada por saída, como dizem alguns. Ainda vi através de uma vidraça de uma loja desocupada uma zona onde se amontoavam restos de obra. As inevitáveis tábuas, montanhas de areia, uma betoneira abandonada, ferro de duas ou três secções diferentes e muita lama.
Ao voltar para trás, distingui claramente distinguida uma cópia de empadas, pastéis de Chaves e similares ainda em cru que se encontrava dentro de uma espécie de corette junto à acima dita porta acanhada.
Mais de perto notei que entre eles e a minha gula havia uma porta transparente de forno.
Encolhi os ombros e saí. Verifiquei depois que estava a utilizar uma porta privativa do tal café. Ninguém deu por nada.
Transposta mais uma zona ainda por acabar, com cascalho amontoado e terra em moitões, desemboquei de novo na avenida.
O meu velho amigo capitão miliciano aguardava-me dentro do seu MG Magnette. Ao volante estava o Costa de São Brás de Alportel. E ainda havia mais uns quantos militares que tinham também ido ver ao antigo estádio José de Alvalade um jogo entre o Sporting e o "O Elvas".
Aproveitei a boleia pela avenida de Mafra, entre rotundas, trajecto no qual tivemos ensejo de ultrapassar várias relíquias automóveis, tão ou mais velhas do que o MG. Mas declinei o convite para regressar de carro. Disse-lhe que ou iria a pé ou de comboio. Apeei-me ali ao pé do Tribunal.
É certo que o ou ir a pé ou de comboio era uma espécie de catarse e de bolo.
Catarse face aos automóveis, no sentido de distanciação. Catarse face ao andar a pé, no sentido de alcançar uma certa purificação, de suor feita, já que as léguas de Mafra à estação que lhe leva o nome são mais do que suficientes para tal.
Bolo porque tudo isto era de facto um bolo de ideias, mal (arg)amassado.
Lá fui.
Antes de chegar à estação - que afinal era logo ali, ao lado do convento - tive que ousar atravessar uma passagem de nível onde o perigo eram não os comboios mas as bicicletas com estranhos motores de combustão. Inumeráveis as ditas, a surgir de uma curva no fim de um furadouro e ziguezagueando em seguida até a uma espécie de Largo da Estação.
Lá me apanhei na gare mas não dei com a bilheteira. Só via coisas que vendiam comida ou jornais e tabaco.
Palpitou-me que os tipos que andavam vestidos de carteiros, mas com mais vermelho e menos cinzento, eram da casa. Eram. Perguntei pela bilheteira a um deles que devia ser muito mais alto do que eu ou então eu estava sentado. É que o tipo olhava-me de alto, mas com um olhar perdido, e lá dizia: Ah, isso pois, os bilhetes - ria-se - é que isso é no comboio.
Mais ou menos nessa altura, entrou uma daquelas automotoras do metro de Mirandela, pelo lado noroeste da gare. Perguntei então qual era o destino. Loures. Loures - repetiu. Loures? E depois? Depois, pára no Cacém. Ah, ok.
Lá fui a correr, atravessando linhas, subindo e descendo plataformas.
Depois de fazer rewind aos últimos saltos da linha 5 para a linha 6, não fiquei a perceber se tinha ou não apanhado a automotora. Mas uma coisa eu sabia, a Estação de Pero Negro era para o outro lado. Embora isto fosse de facto irrelevante.

Se me perguntassem, nunca o diria.
Nunca diria que o palácio rosa-creme dos jardins de buxo ficava para os lados de Mafra. Na orla da Tapada. Nem me ocorreria que o seu nome fosse italiano e com dois zz.
E a verdade é que ainda tenho as minhas dúvidas.
Não obstante ter verificado hoje que a magnífica urbanização militar que se encontra novazinha a estrear está defronte dos edifícios outrora fronteiros ao tal palácio.
Isto pode significar que o palácio foi sacrificado às novas edificações ou que eu estou redondamente enganado.
O certo é que nas poucas vezes em que passeei pelos jardins à francesa, experimentei sempre aquela sensação magnífica de perfeição. Eu e a doutora. Coisas desse tempo.
Havia, se não me engano, no topo norte do jardim, um portão metálico e com rede, que dava acesso a uma zona onde existiam alguns campos de ténis. Depois de descer uma estreita vereda.
Eu sei que me disseram que o procurasse pelo nome na carta militar - era só meter os zz seguidos - ou que fosse ali para a zona da Venda do Pinheiro ou das Caldas da Raínha (atente-se no sinal ali em baixo), para experimentar as zonas mais prováveis onde crescem ou se dão palácios tais, rosa-creme com jardins ornados a buxo.
Mas ali as novas edificações também me impressionaram. Descontando o banco preto que não resistiu ao meu peso, havia a torre negra, imponente, militar, da orla sul. Havia os edifícios de nascente, de traços pouco vistos, onde parecia não habitar ainda ninguém.
Mas foi nos de poente e naquela torre imediatamente à esquerda que entrei.
A porta pareceu-me despropositadamente modesta para o conjunto. Parecia haver ali um café, do qual só se via uma ponta de um balcão, pela porta encostada e uma espécie de repartição onde uma amanuense se entregava às delícias da dactilografia.
Foi pois entrada por saída, como dizem alguns. Ainda vi através de uma vidraça de uma loja desocupada uma zona onde se amontoavam restos de obra. As inevitáveis tábuas, montanhas de areia, uma betoneira abandonada, ferro de duas ou três secções diferentes e muita lama.
Ao voltar para trás, distingui claramente distinguida uma cópia de empadas, pastéis de Chaves e similares ainda em cru que se encontrava dentro de uma espécie de corette junto à acima dita porta acanhada.
Mais de perto notei que entre eles e a minha gula havia uma porta transparente de forno.
Encolhi os ombros e saí. Verifiquei depois que estava a utilizar uma porta privativa do tal café. Ninguém deu por nada.
Transposta mais uma zona ainda por acabar, com cascalho amontoado e terra em moitões, desemboquei de novo na avenida.
O meu velho amigo capitão miliciano aguardava-me dentro do seu MG Magnette. Ao volante estava o Costa de São Brás de Alportel. E ainda havia mais uns quantos militares que tinham também ido ver ao antigo estádio José de Alvalade um jogo entre o Sporting e o "O Elvas".
Aproveitei a boleia pela avenida de Mafra, entre rotundas, trajecto no qual tivemos ensejo de ultrapassar várias relíquias automóveis, tão ou mais velhas do que o MG. Mas declinei o convite para regressar de carro. Disse-lhe que ou iria a pé ou de comboio. Apeei-me ali ao pé do Tribunal.
É certo que o ou ir a pé ou de comboio era uma espécie de catarse e de bolo.
Catarse face aos automóveis, no sentido de distanciação. Catarse face ao andar a pé, no sentido de alcançar uma certa purificação, de suor feita, já que as léguas de Mafra à estação que lhe leva o nome são mais do que suficientes para tal.
Bolo porque tudo isto era de facto um bolo de ideias, mal (arg)amassado.
Lá fui.
Antes de chegar à estação - que afinal era logo ali, ao lado do convento - tive que ousar atravessar uma passagem de nível onde o perigo eram não os comboios mas as bicicletas com estranhos motores de combustão. Inumeráveis as ditas, a surgir de uma curva no fim de um furadouro e ziguezagueando em seguida até a uma espécie de Largo da Estação.
Lá me apanhei na gare mas não dei com a bilheteira. Só via coisas que vendiam comida ou jornais e tabaco.
Palpitou-me que os tipos que andavam vestidos de carteiros, mas com mais vermelho e menos cinzento, eram da casa. Eram. Perguntei pela bilheteira a um deles que devia ser muito mais alto do que eu ou então eu estava sentado. É que o tipo olhava-me de alto, mas com um olhar perdido, e lá dizia: Ah, isso pois, os bilhetes - ria-se - é que isso é no comboio.
Mais ou menos nessa altura, entrou uma daquelas automotoras do metro de Mirandela, pelo lado noroeste da gare. Perguntei então qual era o destino. Loures. Loures - repetiu. Loures? E depois? Depois, pára no Cacém. Ah, ok.
Lá fui a correr, atravessando linhas, subindo e descendo plataformas.
Depois de fazer rewind aos últimos saltos da linha 5 para a linha 6, não fiquei a perceber se tinha ou não apanhado a automotora. Mas uma coisa eu sabia, a Estação de Pero Negro era para o outro lado. Embora isto fosse de facto irrelevante.
09/10/2006
Novas que toda a gente já sabe (I) - Outros bombos mais a sério
Então os moços sempre rebentaram a bomba.
4,2 Richter parece-me pouco.
Então os moços sempre rebentaram a bomba.
4,2 Richter parece-me pouco.
08/10/2006
É claro que
28 pontos (as tais 7 vitórias em casa e os tais 7 empates fora) não garantem apuramento algum.
Como diria o outro, é fazer a conta.
28 pontos (as tais 7 vitórias em casa e os tais 7 empates fora) não garantem apuramento algum.
Como diria o outro, é fazer a conta.
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Tan
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(cito de memória)
Quando me passarem a zoeira e os efeitos da tortura Doppler - quando eu pensava que se afastavam, havia outros logo atrás a aproximar-se, talvez eu escreva algo mais inteligível.
(e vêm mais outros)
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Tan
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06/10/2006
Os dez mais (II)
Há mais de dois anos que se sabia que a RTP andava a tramar um concurso entre os portugueses vivos e mortos.
Perdi-me nessa altura, como é de resto meu costume, nos aspectos secundários da coisa.
Não sabia então, embora devesse calculá-lo, dos pormenores.
Sendo uma votação aberta a todos e com campanha eleitoral, vai ser uma amostra, ainda que muito enviezada, da ideia que as massas fazem das personagens da sua História.
Seria talvez interessante renová-la, de tempos a tempos, para observar por exemplo o impacto que eventualmente terão filmes, novelas e outras divulgações às massas de alguns aspectos marcantes da nossa História e seus protagonistas, para não falar do peso dos que nessas alturas estiverem a dar cartas. E para não falar também nas listas de sugestões.
Não prometo não fazer campanha por este ou por aquele. E não me ocorre dar lugar a nenhum dos que viveram no século XX. A dá-lo seria a mim, é claro.
Dos que nomeei no post de há dois anos, afinal figuram todos no sugerido boletim de voto.
Há mais de dois anos que se sabia que a RTP andava a tramar um concurso entre os portugueses vivos e mortos.
Perdi-me nessa altura, como é de resto meu costume, nos aspectos secundários da coisa.
Não sabia então, embora devesse calculá-lo, dos pormenores.
Sendo uma votação aberta a todos e com campanha eleitoral, vai ser uma amostra, ainda que muito enviezada, da ideia que as massas fazem das personagens da sua História.
Seria talvez interessante renová-la, de tempos a tempos, para observar por exemplo o impacto que eventualmente terão filmes, novelas e outras divulgações às massas de alguns aspectos marcantes da nossa História e seus protagonistas, para não falar do peso dos que nessas alturas estiverem a dar cartas. E para não falar também nas listas de sugestões.
Não prometo não fazer campanha por este ou por aquele. E não me ocorre dar lugar a nenhum dos que viveram no século XX. A dá-lo seria a mim, é claro.
Dos que nomeei no post de há dois anos, afinal figuram todos no sugerido boletim de voto.
04/10/2006
03/10/2006
02/10/2006
Borrego à Brás e outros contos
Um títalo parece às vezes ser todo um programa, para usar o galicismo.
Outras, é apenas um grande logro.
As vezes em que é as duas coisas e em que não é nenhuma delas não as sei contar.
Mas sei que pode ser ou parecer ambas e nenhuma.
Neste caso, serve apenas para mencionar que acabei de comer um bacalhau à Brás que sabia a borrego.
Podia, para não lograr o leitor, desenvolver o tema. Explicar quem foi enganado com a falsa iguaria e quem o não foi. Explicar logo em seguida por que seria falsa a iguaria. E ir, por aí fora, de segunda em terceira derivada, de quarta em quinta.
Duvido, no entanto, chegado a este ponto, que seja de bom tom divulgar as listas dos manjares com que me bato e debato a cada dia.
Mais valia umas botas - diria, no mesmo ponto, um velho amigo.
Ora de bota em bota e não batendo com a perdigota, sempre vos comunico algo diferente, sabendo embora que a todos de entre vós que ao trabalho se dão de verem tal coisa, também se deparam bizarrias iguais ou piores:
Hoje, pelas 15:02, alguém aqui chegou assim: http://www.google.pt/search?q=Vendedores+de+colchoes&hl=pt-PT&lr=&start=10&sa=N
Quarenta e três minutos mais tarde, às 15:45 e pelo mesmo servidor, chegou um visitante assim: http://www.google.pt/search?q=comprei+colchao&hl=pt-PT&lr=&cr=countryPT&start=20&sa=N
Bate afinal a bota com a perdigota, contrariando o atrás dito.
Haja paciência para me aturar.
E não é hoje que lembro a razão pela qual há quem aqui venha a ver de colchões.
Um títalo parece às vezes ser todo um programa, para usar o galicismo.
Outras, é apenas um grande logro.
As vezes em que é as duas coisas e em que não é nenhuma delas não as sei contar.
Mas sei que pode ser ou parecer ambas e nenhuma.
Neste caso, serve apenas para mencionar que acabei de comer um bacalhau à Brás que sabia a borrego.
Podia, para não lograr o leitor, desenvolver o tema. Explicar quem foi enganado com a falsa iguaria e quem o não foi. Explicar logo em seguida por que seria falsa a iguaria. E ir, por aí fora, de segunda em terceira derivada, de quarta em quinta.
Duvido, no entanto, chegado a este ponto, que seja de bom tom divulgar as listas dos manjares com que me bato e debato a cada dia.
Mais valia umas botas - diria, no mesmo ponto, um velho amigo.
Ora de bota em bota e não batendo com a perdigota, sempre vos comunico algo diferente, sabendo embora que a todos de entre vós que ao trabalho se dão de verem tal coisa, também se deparam bizarrias iguais ou piores:
Hoje, pelas 15:02, alguém aqui chegou assim: http://www.google.pt/search?q=Vendedores+de+colchoes&hl=pt-PT&lr=&start=10&sa=N
Quarenta e três minutos mais tarde, às 15:45 e pelo mesmo servidor, chegou um visitante assim: http://www.google.pt/search?q=comprei+colchao&hl=pt-PT&lr=&cr=countryPT&start=20&sa=N
Bate afinal a bota com a perdigota, contrariando o atrás dito.
Haja paciência para me aturar.
E não é hoje que lembro a razão pela qual há quem aqui venha a ver de colchões.
30/09/2006
O IP 5 em autoestrada
Ficou hoje fechado, segundo dizem.
E eu fiquei com uma fotografia por tirar.
A dos camiões com contentores a subir o Alvendre, um em cada troço, projectados na rocha quase em sequência, vistos cá de baixo com o sol a dar-lhes, tais como os vi há um ano atrás. Que era fim de tarde e tudo seco.
Fotografarei Celorico-Gare e sua restauração. Será o prémio de consolação.
Ficou hoje fechado, segundo dizem.
E eu fiquei com uma fotografia por tirar.
A dos camiões com contentores a subir o Alvendre, um em cada troço, projectados na rocha quase em sequência, vistos cá de baixo com o sol a dar-lhes, tais como os vi há um ano atrás. Que era fim de tarde e tudo seco.
Fotografarei Celorico-Gare e sua restauração. Será o prémio de consolação.
29/09/2006
Este 1506

Descobriu o meu e-mail.
Não o que é de uso aqui no blogue ou outro qualquer que seja público.
Um onde não me chega spam de qualquer proveniência a menos que...
É esse a menos que que não consegui explicar a uma certa pessoa. O mal é meu que não consegui explicar.
Por que raio quereria esta criatura convencer-me a votar nele?

Descobriu o meu e-mail.
Não o que é de uso aqui no blogue ou outro qualquer que seja público.
Um onde não me chega spam de qualquer proveniência a menos que...
É esse a menos que que não consegui explicar a uma certa pessoa. O mal é meu que não consegui explicar.
Por que raio quereria esta criatura convencer-me a votar nele?
28/09/2006
O massacre dos três J
Não se conhecem grandes detalhes da operação. Mas sabe-se que foi um massacre inqualificável. A crer não nas provas que jamais apareceram mas na convicção dos polícias.
Os três J - Joaquim, Jorge e Zé - tê-lo-ão cometido num hospital-convento de Lisboa, a fim de encobrirem, eliminando as testemunhas, um roubo de peças valiosas, entre as quais muitas barras e moedas de ouro.
Sabe-se pouco disso, como disse atrás.
Mas sabe-se que um deles, depois de despir a roupa suja de sangue, e não tendo outra para a substituir, entrou de novo no convento, pela porta lateral da igreja. Aí, atrás de pesadissimos reposteiros e por naves laterais semelhantes a corredores de cinema, onde fumadores aguardavam a segunda parte do filme ou a continuação do velório, lá se foi aventurando.
Acabou por roubar um reposteiro mais pequeno e dele fez traje.
Resolveu-se depois por sair e voltar a entrar. Pela porta ao lado. Do cine-estúdio - catequese.
As catecúmenas lá vinham com os seus livros ao peito. Os matrimónios em preparação mais com folhetos.
Passou por uma leva de retirantes e apanhou os mais temporões do ciclo seguinte. Uma moça solitária e sem rosto perguntou-lhe se ia também para a catequese. Respondeu que não, que ia para velar um conhecido e que mesmo sabendo que as capelas mortuárias ficavam do outro lado, resolvera passar por ali. Ela disse Ah.
Assim que se apanhou numa dependência que se assemelhava a um anfiteatro mínimo com uma janela alta para o jardim, abancou. Pouco depois, chegaram os outros JJ com o saque.
Ali mesmo o catalogaram e avaliaram.
Saídos que foram pela pequena janela do alto, em pouco tempo estavam já no Fiat 600 D a caminho da Avenida.
Aí, naquele trecho da Barata Salgueiro que fica a nascente da Avenida, e no semáforo respectivo, J deu por falta da máquina fotográfica. Como se encontrava ao lado do condutor, espreitou para o porta-luvas e não a viu.
O J que conduzia e o J que estava no banco de trás, saíram lestos do carro e lá foram.
Passada mais de meia-hora, sem que os seus camaradas regressassem, resolveu pôr-se a milhas.
Já convencido de que tinha toda a polícia no encalço, rumou a sul. Por portas e travessas.
E foi assim que chegou a Alcácer do Sal.
Ali em Alcácer, entrou naquela rotunda que dizem existir e onde entroncam a nova e a velha entrada norte.
Já ia com ela fisgada depois de ter afinal encontrado a máquina fotográfica escondida por um mapa.
Lembrava-se da 120, o marco zero ali ao pé do rio. E da 5-1, ramal para a estação.
Foi a pensar pois nelas que parou o Fiat 600 D num larguinho, cá ao cimo da vila. Ou será da cidade?
Não se ficou a saber se havia algo combinado. O certo é que entrou numa casa onde estava J, o do banco de trás.
Este saiu, trazendo uma máquina de filmar das profissionais. Trocaram algumas palavras ininteligíveis e J pousou a câmara numa mesa de pedra, ao pé de um chafariz.
O outro perguntou-lhe se ele deixava ali material tão valioso. Ele respondeu que sim, que ninguém mexia em nada, que afinal até ele, J, tinha deixado as chaves do Fiat 600 D na ignição.
Desceram calmamente pelas ruas de Alcácer em direcção ao rio. Marcos da classe 10k apareciam fora de ordem. E ali, onde havia um pequeno afluente canalizado, entre dois renques, J perguntou se era aquele o rio Lis. J deu um berro - Rio Lis? Aqui em Alcácer do Sal? - e foi pouco depois que se sentiram cercados. Não ofereceram resistência.
Na casa com janelas sobre o dito rio, os polícias vasculhavam os pertences.
Os dois permaneciam calmíssimos.
Mas um dos que estava a vasculhar um portátil, teve uma ideia luminosa. Usar o utilitário que visualiza uma sequência dos últimos écrans.
E lá começou, clicando na seta de next.
Olhares cruzaram-se. J com J, que do outro J, o dono do carro, não havia notícia.
De repente, o polícia disse - é no CSS, no disco CSS que está a coisa. Mas isso é um DVD. E não está aqui. Temos que o caçar.
J olhou para J de novo. Quase se diria com um sorriso.
Mas talvez não fosse.
Depois de muitos next e previous, nada. Foram embora.
J disse a J que era melhor fugirem dali. A qualquer altura dariam com a coisa.
J notou que achava estranho aquelas imagens não terem aparecido. O outro riu-se.
J decidiu sair a pé. Dirigiu-se ao rio.
A certa altura, foi mandado parar por um polícia. Não parou.
Ouviu dizer que o Orlando o faria parar. Caminhou para a beira-rio, para um sítio onde um rochedo complicava a marcha pela margem. Já perto dele viu perfeitamente o círculo da ponta do cano, como se ampliado. Um aviso qualquer fê-lo desviar-se. A bala embateu-lhe no ombro direito.
J também ali estava. Dentro da cerca. Uma cerca de oliveiras onde parecia os iam executar.
J só comentou por que raio não o tinham logo morto. Lembrou-se de que Orlando falhara o tiro. Mas nada o teria impedido de o executar com um outro tiro, já no chão. Não disse mais nada.
Os tiros afinal começaram a seguir. J - o restante J - comandava o grupo. E estavam todos com ele.
Não foi preciso muito para dispersarem os algozes.
Lá se reagruparam e fugiram em direcção a qualquer sítio indefinido.
Mas resolveram os três sujeitar-se a julgamento certos de que nada lhes poderia acontecer.
De facto, no julgamento, as imagens da máquina de picar carne que ainda se conseguiram ver, não foram conclusivas. Não havendo corpos, não havia crime.
J aproveitou para processar o Orlando. Ganhou. E ainda lhe atirou à cara uns impropérios.
Quando começou a sentir o nervoso miudinho e as movimentações dos polícias à porta do Tribunal, foi saindo de fininho até à estação. Não havia já comboios nesse dia.
Um homem com um ar alucinado pedalava pelos carris numa bicicleta adaptada. J pediu-lhe boleia. Este disse-lhe que não, mas que tinha uma outra bicicleta parecida que lhe poderia ceder. Era um aparelho cujos pedais eram de curso. Uma cambota transformava depois o movimento. E foi, depois de combinar a devolução no balcão de volumes do Rossio, nesse aparelho que se fez à linha. Pelo lado de dentro, oriental, como se assim fosse mais resguardado de atiradores ao longo do rio ou do olhar das sádices. Lembra-se de ter saltado por cima de vigas de pontes metálicas. E de ter aportado à inexistente estação do Torrão. Por ali, desceu da bicicleta e foi dar ao encontro de pedra de uma ponte. Antes disso tinha bebido um café servido por alguém que usava um avental com os dizeres Gelo triste.
E já não pensava sequer no saque.
Não se conhecem grandes detalhes da operação. Mas sabe-se que foi um massacre inqualificável. A crer não nas provas que jamais apareceram mas na convicção dos polícias.
Os três J - Joaquim, Jorge e Zé - tê-lo-ão cometido num hospital-convento de Lisboa, a fim de encobrirem, eliminando as testemunhas, um roubo de peças valiosas, entre as quais muitas barras e moedas de ouro.
Sabe-se pouco disso, como disse atrás.
Mas sabe-se que um deles, depois de despir a roupa suja de sangue, e não tendo outra para a substituir, entrou de novo no convento, pela porta lateral da igreja. Aí, atrás de pesadissimos reposteiros e por naves laterais semelhantes a corredores de cinema, onde fumadores aguardavam a segunda parte do filme ou a continuação do velório, lá se foi aventurando.
Acabou por roubar um reposteiro mais pequeno e dele fez traje.
Resolveu-se depois por sair e voltar a entrar. Pela porta ao lado. Do cine-estúdio - catequese.
As catecúmenas lá vinham com os seus livros ao peito. Os matrimónios em preparação mais com folhetos.
Passou por uma leva de retirantes e apanhou os mais temporões do ciclo seguinte. Uma moça solitária e sem rosto perguntou-lhe se ia também para a catequese. Respondeu que não, que ia para velar um conhecido e que mesmo sabendo que as capelas mortuárias ficavam do outro lado, resolvera passar por ali. Ela disse Ah.
Assim que se apanhou numa dependência que se assemelhava a um anfiteatro mínimo com uma janela alta para o jardim, abancou. Pouco depois, chegaram os outros JJ com o saque.
Ali mesmo o catalogaram e avaliaram.
Saídos que foram pela pequena janela do alto, em pouco tempo estavam já no Fiat 600 D a caminho da Avenida.
Aí, naquele trecho da Barata Salgueiro que fica a nascente da Avenida, e no semáforo respectivo, J deu por falta da máquina fotográfica. Como se encontrava ao lado do condutor, espreitou para o porta-luvas e não a viu.
O J que conduzia e o J que estava no banco de trás, saíram lestos do carro e lá foram.
Passada mais de meia-hora, sem que os seus camaradas regressassem, resolveu pôr-se a milhas.
Já convencido de que tinha toda a polícia no encalço, rumou a sul. Por portas e travessas.
E foi assim que chegou a Alcácer do Sal.
Ali em Alcácer, entrou naquela rotunda que dizem existir e onde entroncam a nova e a velha entrada norte.
Já ia com ela fisgada depois de ter afinal encontrado a máquina fotográfica escondida por um mapa.
Lembrava-se da 120, o marco zero ali ao pé do rio. E da 5-1, ramal para a estação.
Foi a pensar pois nelas que parou o Fiat 600 D num larguinho, cá ao cimo da vila. Ou será da cidade?
Não se ficou a saber se havia algo combinado. O certo é que entrou numa casa onde estava J, o do banco de trás.
Este saiu, trazendo uma máquina de filmar das profissionais. Trocaram algumas palavras ininteligíveis e J pousou a câmara numa mesa de pedra, ao pé de um chafariz.
O outro perguntou-lhe se ele deixava ali material tão valioso. Ele respondeu que sim, que ninguém mexia em nada, que afinal até ele, J, tinha deixado as chaves do Fiat 600 D na ignição.
Desceram calmamente pelas ruas de Alcácer em direcção ao rio. Marcos da classe 10k apareciam fora de ordem. E ali, onde havia um pequeno afluente canalizado, entre dois renques, J perguntou se era aquele o rio Lis. J deu um berro - Rio Lis? Aqui em Alcácer do Sal? - e foi pouco depois que se sentiram cercados. Não ofereceram resistência.
Na casa com janelas sobre o dito rio, os polícias vasculhavam os pertences.
Os dois permaneciam calmíssimos.
Mas um dos que estava a vasculhar um portátil, teve uma ideia luminosa. Usar o utilitário que visualiza uma sequência dos últimos écrans.
E lá começou, clicando na seta de next.
Olhares cruzaram-se. J com J, que do outro J, o dono do carro, não havia notícia.
De repente, o polícia disse - é no CSS, no disco CSS que está a coisa. Mas isso é um DVD. E não está aqui. Temos que o caçar.
J olhou para J de novo. Quase se diria com um sorriso.
Mas talvez não fosse.
Depois de muitos next e previous, nada. Foram embora.
J disse a J que era melhor fugirem dali. A qualquer altura dariam com a coisa.
J notou que achava estranho aquelas imagens não terem aparecido. O outro riu-se.
J decidiu sair a pé. Dirigiu-se ao rio.
A certa altura, foi mandado parar por um polícia. Não parou.
Ouviu dizer que o Orlando o faria parar. Caminhou para a beira-rio, para um sítio onde um rochedo complicava a marcha pela margem. Já perto dele viu perfeitamente o círculo da ponta do cano, como se ampliado. Um aviso qualquer fê-lo desviar-se. A bala embateu-lhe no ombro direito.
J também ali estava. Dentro da cerca. Uma cerca de oliveiras onde parecia os iam executar.
J só comentou por que raio não o tinham logo morto. Lembrou-se de que Orlando falhara o tiro. Mas nada o teria impedido de o executar com um outro tiro, já no chão. Não disse mais nada.
Os tiros afinal começaram a seguir. J - o restante J - comandava o grupo. E estavam todos com ele.
Não foi preciso muito para dispersarem os algozes.
Lá se reagruparam e fugiram em direcção a qualquer sítio indefinido.
Mas resolveram os três sujeitar-se a julgamento certos de que nada lhes poderia acontecer.
De facto, no julgamento, as imagens da máquina de picar carne que ainda se conseguiram ver, não foram conclusivas. Não havendo corpos, não havia crime.
J aproveitou para processar o Orlando. Ganhou. E ainda lhe atirou à cara uns impropérios.
Quando começou a sentir o nervoso miudinho e as movimentações dos polícias à porta do Tribunal, foi saindo de fininho até à estação. Não havia já comboios nesse dia.
Um homem com um ar alucinado pedalava pelos carris numa bicicleta adaptada. J pediu-lhe boleia. Este disse-lhe que não, mas que tinha uma outra bicicleta parecida que lhe poderia ceder. Era um aparelho cujos pedais eram de curso. Uma cambota transformava depois o movimento. E foi, depois de combinar a devolução no balcão de volumes do Rossio, nesse aparelho que se fez à linha. Pelo lado de dentro, oriental, como se assim fosse mais resguardado de atiradores ao longo do rio ou do olhar das sádices. Lembra-se de ter saltado por cima de vigas de pontes metálicas. E de ter aportado à inexistente estação do Torrão. Por ali, desceu da bicicleta e foi dar ao encontro de pedra de uma ponte. Antes disso tinha bebido um café servido por alguém que usava um avental com os dizeres Gelo triste.
E já não pensava sequer no saque.
27/09/2006
26/09/2006
25/09/2006
23/09/2006
Volta, Acebes, estás perdoado
Sim, mentir em húngaro é seguramente menos censurável do que fazê-lo em castelhano. Por uma questão de cores, obviamente. Há a mentira vermelha e verde e a mentira azul e vermelha.
Mas deixando-nos de disparates ou, pelo contrário, insistindo neles, o que eu dava para ter à minha frente um interlocutor desses que sabe que Rajoy perdeu as eleições por causa das mentiras ou dos disparates daquele e de Aznar, depois dos atentados.
(este post já está um bocado retardado mas é assim...)
Sim, mentir em húngaro é seguramente menos censurável do que fazê-lo em castelhano. Por uma questão de cores, obviamente. Há a mentira vermelha e verde e a mentira azul e vermelha.
Mas deixando-nos de disparates ou, pelo contrário, insistindo neles, o que eu dava para ter à minha frente um interlocutor desses que sabe que Rajoy perdeu as eleições por causa das mentiras ou dos disparates daquele e de Aznar, depois dos atentados.
(este post já está um bocado retardado mas é assim...)
22/09/2006
21/09/2006
Temporal
Mais um que se baldou. Ameaçam, ameaçam e nada...
Já não há guerreiros como antigamente.

imagem do IM
Mais um que se baldou. Ameaçam, ameaçam e nada...
Já não há guerreiros como antigamente.

imagem do IM
17/09/2006
16/09/2006
Gordon What?
Será Gin ou tempestade? Brown não me cheira.
Mas lá que vem, vem.

imagem e mais pormenores aqui - http://www.nhc.noaa.gov/
Será Gin ou tempestade? Brown não me cheira.
Mas lá que vem, vem.

imagem e mais pormenores aqui - http://www.nhc.noaa.gov/
15/09/2006
11/09/2006
A ficha de Deus
Não me passava pela cabeça - e passava a alguém? - que as fichas de Deus (modelo de 2001) parecessem uma espécie de cromatografia.
Mas são. A que eu recebi comprova-o.
Havia no ar um ar de reconciliação. Parecendo perífrase, é-o mesmo.
Juntávamos partes do passado e pretendiamos fazê-lo à mesa, com os pais dela.
Porém, como quem quer colocar a carroça à frente dos bois, já preparávamos uma espécie de lua-de-mel no Algarve para os próximos dias.
A escolha do transporte foi ela que fez. Íamos na moto que ela deveria ter usado meia dúzia de vezes, não mais.
A ideia que eu tinha da dita era assim a da uma potente MZ, BSA ou Husqvarna fora de moda. Castanha. Num postal ilustrado que ela fizera em tempos, sentada na dita.
Vi-a atravessar a praceta em direcção ao prédio do topo. Segui-a.
Nesse rés-do-chão havia uma nave repleta de costureiras, umas a fazer mangas, outras o resto. O pai dela tinha ali uma espécie de escritório apagado, por detrás de uma porta sempre aberta, de onde saía às vezes acompanhado por dois adjuntos, um, uma espécie de feitor, o outro, de terceiro empregado bancário.
Mas a mãe é que era a dona do local.
Quando se perguntou onde é que estava a moto, alguém olhou para mim e disse: Tem que ser o senhor a tirá-la de lá que eu não tenho força.
Estava numa das prateleiras mais elevadas, daquelas onde - diz o bom senso - se guardam as coisas pouco utilizadas.
Com um pequeno esforço retirei-a.
Tal como no episódio da G3 de arame, tinha agora à minha frente um estranho veículo caricatural.
Era um quadriciclo movido a pedais que contava com um pequeníssimo motor eléctrico auxiliar que transmitia o movimento através de um anel de borracha implantado directamente sobre o veio a uma das rodas traseiras, borracha a borracha.
Foi para testar a possibilidade de empreender tal viagem que aproveitei a deixa e fui creio que ao Registo Civil na terrível maquineta.
É sabido que o dito Registo fica ao cimo de um misto de Calçada do Combro e Praça do Município da Covilhã. Não admirou pois que, vindo de cima, à procura de um lugar para estacionar, tudo corresse com a ajuda de Todos os Santos. O pior foi quando resolvi inverter a marcha e começar a subir. Nem o motor me safou. Prova dos nove.
A oficina antiga de motorizadas e bicicletas suscitou-me toda a confiança. A espécie de Gepeto - tal como o imagino - que se encontrava estranhamente em pose de sapateiro, com o regaço protegido por um cabedal e enterrado em peças soltas de alumínio e ferro, tinha um ar de idoneidade tal que não demorei um quilómetro-luz* a confiar-lhe o precioso bem - O senhor importa-se que eu pendure aqui no seu cabide a minha... hum... bicicleta a motor?
Não se importou.
No caminho para a repartição utilizei o célebre elevador que se sobe a pé, em rampas que se sucedem a ângulos rectos. Lá no alto, havia uma oferenda de bens similar a qualquer venda de rua. Podia levar-se o que estava exposto à óbvia excepção dos utensílios adjuvantes tais como as lupas com que se podiam escolher os selos e as filigranas. Pois foi uma destas que pus no bolso. Com a intenção de explorar os pormenores dos ex-libris de uma carrada de livros que comprara recentemente.
Saído do elevador e vias circundantes, entrei numa rua particular em calçada onde seis pessoas jogavam o ringue, presas por correntes de cão a postes e argolas de ferrro.
Procurei evitar interferir no jogo até que o quinto elemento - uma mulher jeitosa mas com ar de ter muito mau feitio - resolveu ser muito sobranceira e arrogante na réplica que fez a um comentário meu.
Na volta do correio, respondi-lhe que se deixasse ficar ali presa enquanto eu ia para o Algarve num raro e valioso quadriciclo, na companhia de uma mulher muitíssimo mais interessante do que ela.
Depois dos papéis tratados, já tive que entrar de gatas na oficina de motos, que o plácido patrão correra parcialmente a porta.
Lá identifiquei o veículo entre a tralha e agradeci, penhorado, a guarda.
No regresso à praceta, esperava-me um bilhete de avião para Nova Iorque. Um, não - dois. Ela quisera afinal pregar-me uma partida.
No dia seguinte, fui compar umas gusoleimas ali à pastelaria dos bolos (que há a pastelaria que não é dos bolos mesmo ao lado) para levar para o almoço tardio em casa dos pais dela.
Quando cheguei, não vi ninguém. Toquei à porta e nada.
Fui à oficina de costura e, da porta que ficava escondida pela porta aberta, saiu um dos ajudantes. Disse-me que não sabia do patrão.
Esperei ali num canto.
Quando chegou, trazia o rosto destroçado e a ficha de Deus na mão. Entregou-ma.

_______________________________________________________________
Quilómetro-luz: 3,3 milionésimos de segundo. Unidade erradamente referida por certo expert da bola como sendo de distância.
Não me passava pela cabeça - e passava a alguém? - que as fichas de Deus (modelo de 2001) parecessem uma espécie de cromatografia.
Mas são. A que eu recebi comprova-o.
Havia no ar um ar de reconciliação. Parecendo perífrase, é-o mesmo.
Juntávamos partes do passado e pretendiamos fazê-lo à mesa, com os pais dela.
Porém, como quem quer colocar a carroça à frente dos bois, já preparávamos uma espécie de lua-de-mel no Algarve para os próximos dias.
A escolha do transporte foi ela que fez. Íamos na moto que ela deveria ter usado meia dúzia de vezes, não mais.
A ideia que eu tinha da dita era assim a da uma potente MZ, BSA ou Husqvarna fora de moda. Castanha. Num postal ilustrado que ela fizera em tempos, sentada na dita.
Vi-a atravessar a praceta em direcção ao prédio do topo. Segui-a.
Nesse rés-do-chão havia uma nave repleta de costureiras, umas a fazer mangas, outras o resto. O pai dela tinha ali uma espécie de escritório apagado, por detrás de uma porta sempre aberta, de onde saía às vezes acompanhado por dois adjuntos, um, uma espécie de feitor, o outro, de terceiro empregado bancário.
Mas a mãe é que era a dona do local.
Quando se perguntou onde é que estava a moto, alguém olhou para mim e disse: Tem que ser o senhor a tirá-la de lá que eu não tenho força.
Estava numa das prateleiras mais elevadas, daquelas onde - diz o bom senso - se guardam as coisas pouco utilizadas.
Com um pequeno esforço retirei-a.
Tal como no episódio da G3 de arame, tinha agora à minha frente um estranho veículo caricatural.
Era um quadriciclo movido a pedais que contava com um pequeníssimo motor eléctrico auxiliar que transmitia o movimento através de um anel de borracha implantado directamente sobre o veio a uma das rodas traseiras, borracha a borracha.
Foi para testar a possibilidade de empreender tal viagem que aproveitei a deixa e fui creio que ao Registo Civil na terrível maquineta.
É sabido que o dito Registo fica ao cimo de um misto de Calçada do Combro e Praça do Município da Covilhã. Não admirou pois que, vindo de cima, à procura de um lugar para estacionar, tudo corresse com a ajuda de Todos os Santos. O pior foi quando resolvi inverter a marcha e começar a subir. Nem o motor me safou. Prova dos nove.
A oficina antiga de motorizadas e bicicletas suscitou-me toda a confiança. A espécie de Gepeto - tal como o imagino - que se encontrava estranhamente em pose de sapateiro, com o regaço protegido por um cabedal e enterrado em peças soltas de alumínio e ferro, tinha um ar de idoneidade tal que não demorei um quilómetro-luz* a confiar-lhe o precioso bem - O senhor importa-se que eu pendure aqui no seu cabide a minha... hum... bicicleta a motor?
Não se importou.
No caminho para a repartição utilizei o célebre elevador que se sobe a pé, em rampas que se sucedem a ângulos rectos. Lá no alto, havia uma oferenda de bens similar a qualquer venda de rua. Podia levar-se o que estava exposto à óbvia excepção dos utensílios adjuvantes tais como as lupas com que se podiam escolher os selos e as filigranas. Pois foi uma destas que pus no bolso. Com a intenção de explorar os pormenores dos ex-libris de uma carrada de livros que comprara recentemente.
Saído do elevador e vias circundantes, entrei numa rua particular em calçada onde seis pessoas jogavam o ringue, presas por correntes de cão a postes e argolas de ferrro.
Procurei evitar interferir no jogo até que o quinto elemento - uma mulher jeitosa mas com ar de ter muito mau feitio - resolveu ser muito sobranceira e arrogante na réplica que fez a um comentário meu.
Na volta do correio, respondi-lhe que se deixasse ficar ali presa enquanto eu ia para o Algarve num raro e valioso quadriciclo, na companhia de uma mulher muitíssimo mais interessante do que ela.
Depois dos papéis tratados, já tive que entrar de gatas na oficina de motos, que o plácido patrão correra parcialmente a porta.
Lá identifiquei o veículo entre a tralha e agradeci, penhorado, a guarda.
No regresso à praceta, esperava-me um bilhete de avião para Nova Iorque. Um, não - dois. Ela quisera afinal pregar-me uma partida.
No dia seguinte, fui compar umas gusoleimas ali à pastelaria dos bolos (que há a pastelaria que não é dos bolos mesmo ao lado) para levar para o almoço tardio em casa dos pais dela.
Quando cheguei, não vi ninguém. Toquei à porta e nada.
Fui à oficina de costura e, da porta que ficava escondida pela porta aberta, saiu um dos ajudantes. Disse-me que não sabia do patrão.
Esperei ali num canto.
Quando chegou, trazia o rosto destroçado e a ficha de Deus na mão. Entregou-ma.

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Quilómetro-luz: 3,3 milionésimos de segundo. Unidade erradamente referida por certo expert da bola como sendo de distância.
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