06/09/2007
05/09/2007
04/09/2007
O que é que esta gente tem na cabeça?
Um tipo qualquer da governança a falar de um serviço via net destinado a regularizar automóveis, creio, diz que este mesmo serviço só está disponível para quem tenha cartão de cidadão.
Até aqui, nada de mais. É o costume e aceita-se, se o cartão de cidadão estiver a ponto de se consagrar, vulgarizando-se.
A burrice aparece logo a seguir. Quando ele diz que é para ter a certeza de quem está do outro lado.
Não terá assessores este? Ou serão todos do gabarito do do outro, do blogue tipo almanaque?
É esta gente, com esta inteligência, que nos governa!
Um tipo qualquer da governança a falar de um serviço via net destinado a regularizar automóveis, creio, diz que este mesmo serviço só está disponível para quem tenha cartão de cidadão.
Até aqui, nada de mais. É o costume e aceita-se, se o cartão de cidadão estiver a ponto de se consagrar, vulgarizando-se.
A burrice aparece logo a seguir. Quando ele diz que é para ter a certeza de quem está do outro lado.
Não terá assessores este? Ou serão todos do gabarito do do outro, do blogue tipo almanaque?
É esta gente, com esta inteligência, que nos governa!
Os circunscritos
Eu não acredito que haja um só dos caçados dentro do cerco policial.
A ser verdade que o perímetro se alargou, não sou só eu quem não acredita.
Pode ser que me engane.
Pode muito bem ser que me tenham enganado. Que não exista cerco algum, o que é de resto o mais provável, mas apenas homens espalhados pelo campo.
Eu não acredito que haja um só dos caçados dentro do cerco policial.
A ser verdade que o perímetro se alargou, não sou só eu quem não acredita.
Pode ser que me engane.
Pode muito bem ser que me tenham enganado. Que não exista cerco algum, o que é de resto o mais provável, mas apenas homens espalhados pelo campo.
Do Cabo Espichel ao Cabo Raso

A embocadura do nosso rio.
A Roca mais além.
E no entre mentes, um cabo onírico – o Cabo Verdeão.
Tive hoje a certeza de que ele existia.
Um cabo fluvial, algures a jusante do Ginjal, do Olho de Boi, da Arialva.

Embora os cabos que contam, nas minhas conhecenças, sejam a Roca e o Espichel.
Este é o entre tanto.
Sei lá eu como esta certeza se colou às paredes da mente.
Adaptações da Carta costeira de Jacob Robyn (do cabo Finisterra ao cabo de São Vicente) e da Carta Militar de Portugal do IGEOE.

A embocadura do nosso rio.
A Roca mais além.
E no entre mentes, um cabo onírico – o Cabo Verdeão.
Tive hoje a certeza de que ele existia.
Um cabo fluvial, algures a jusante do Ginjal, do Olho de Boi, da Arialva.

Embora os cabos que contam, nas minhas conhecenças, sejam a Roca e o Espichel.
Este é o entre tanto.
Sei lá eu como esta certeza se colou às paredes da mente.
Adaptações da Carta costeira de Jacob Robyn (do cabo Finisterra ao cabo de São Vicente) e da Carta Militar de Portugal do IGEOE.
03/09/2007
02/09/2007
O Verão ainda não acabou
É certo que ainda faltam três semanas.
Mas ver cair as previsões catastróficas todas de forma ruidosa - ruidosa do barulho que eles e os papagaios que arregimentam jamais ouvirão – elas que estavam prenhes de vagas de calor e dias de brasa como nunca igual acontecera, é obra.
E certo é também que essa tropa não aprende sequer com os próprios erros.
Que isso de aprender com eles é coisa própria de outros animais irracionais.
É certo que ainda faltam três semanas.
Mas ver cair as previsões catastróficas todas de forma ruidosa - ruidosa do barulho que eles e os papagaios que arregimentam jamais ouvirão – elas que estavam prenhes de vagas de calor e dias de brasa como nunca igual acontecera, é obra.
E certo é também que essa tropa não aprende sequer com os próprios erros.
Que isso de aprender com eles é coisa própria de outros animais irracionais.
Miss Teen
Diz que a rapariga é Miss Teen da Carolina do Sul em 2007.
Não sei se é se não é. Se é caricatura ou realidade.
O que sei é que não vejo diferença entre ela e grande parte dos jornalistas.
Os mesmos que a glosam.
Afinal que culpa têm todos eles de ser assim?
Diz que a rapariga é Miss Teen da Carolina do Sul em 2007.
Não sei se é se não é. Se é caricatura ou realidade.
O que sei é que não vejo diferença entre ela e grande parte dos jornalistas.
Os mesmos que a glosam.
Afinal que culpa têm todos eles de ser assim?
31/08/2007
30/08/2007
O livro
E eis que, da mental bruma, procede uma luz!
Ainda que ténue e ao fundo de uma vereda de dificuldades.
Mas encontrei a prateleira onde, em segunda fila, ele se escondeu.
Não sei se ainda lá está.
E eis que, da mental bruma, procede uma luz!
Ainda que ténue e ao fundo de uma vereda de dificuldades.
Mas encontrei a prateleira onde, em segunda fila, ele se escondeu.
Não sei se ainda lá está.
29/08/2007
28/08/2007
E de repente
Vem-me à cabeça que as coisas desimportantes saem da nossa vida pela direita baixa.
E que tornam um dia. No meio de um sonho, de uma recordação.
Hoje, ocorreu-me que havia um tempo em que se descascavam ervilhas. E que era obra encontrar nove delas numa só vagem.
Fui ver. Havia pelo menos uma referência a isso aqui na rede. Vá lá!
Vem-me à cabeça que as coisas desimportantes saem da nossa vida pela direita baixa.
E que tornam um dia. No meio de um sonho, de uma recordação.
Hoje, ocorreu-me que havia um tempo em que se descascavam ervilhas. E que era obra encontrar nove delas numa só vagem.
Fui ver. Havia pelo menos uma referência a isso aqui na rede. Vá lá!
27/08/2007
26/08/2007
Restos de colecção (63)

Ou como me vejo já um homem proto-histórico.
encontrei uma caixa com coisas desta época e seguintes

Ou como me vejo já um homem proto-histórico.
encontrei uma caixa com coisas desta época e seguintes
25/08/2007
Os electrónicos alfaiates de serrote
Já me tinha apercebido da coisa há algum tempo.
Agora mesmo enquanto via em cinema mudo, ali ao canto, imagens de Raymond Barre, me ocorreu naturalmente que era de óbito que se tratava.
Pois bastou-me entrar na Wikipedia e lá estava já a data da morte. Conferia.
Há tipos que, embora prestando um serviço aos demais, devem ter um prazer especial em atestar um passamento ao mundo exterior.
Já me tinha apercebido da coisa há algum tempo.
Agora mesmo enquanto via em cinema mudo, ali ao canto, imagens de Raymond Barre, me ocorreu naturalmente que era de óbito que se tratava.
Pois bastou-me entrar na Wikipedia e lá estava já a data da morte. Conferia.
Há tipos que, embora prestando um serviço aos demais, devem ter um prazer especial em atestar um passamento ao mundo exterior.
As coisas que aqui vêm parar pelo Google
As simples (serão mesmo simples?):
a vida...
é a vida/
E as complicadas (sê-lo-ão mesmo?):
o padeiro tambem nao estava l E o guarda no saiu para prender
que acertam em cheio
As simples (serão mesmo simples?):
a vida...
é a vida/
E as complicadas (sê-lo-ão mesmo?):
o padeiro tambem nao estava l E o guarda no saiu para prender
que acertam em cheio
23/08/2007
O homem que chegou de comboio - Portugal anónimo, três décadas atrás
Não sei já situar esta história no tempo. Mas é seguramente do final dos anos 70 ou primeira metade dos anos 80.
Devo ter chegado de comboio à vila. Acho que esse facto me identificou mais com o episódio.
Ainda havia no ar os restos dele quando entrei no café. Restos velhos de alguns dias.
O homem chegara então de comboio. Não me recordo se alguém sabia da forma como ele depois alcançou a vila. Se teria sido a pé ou não.
O que me contaram é que deram por ele já empoleirado num telhado.
De onde arrancou e lançou algumas telhas.
E que foi passando, na correnteza da Rua Direita, de um telhado a outro, lançando telhas talvez já aos que se aglomeravam em baixo.
O homem era desconhecido por aquelas paragens e o impasse – como se diz agora – durou umas quantas horas.
Quando chegou a tal hora, a hora dele, lá de cima se lançou.
Não sei se há muita gente que ainda se lembre deste homem a quem eu nunca vi, vivo ou morto.
Não sei já situar esta história no tempo. Mas é seguramente do final dos anos 70 ou primeira metade dos anos 80.
Devo ter chegado de comboio à vila. Acho que esse facto me identificou mais com o episódio.
Ainda havia no ar os restos dele quando entrei no café. Restos velhos de alguns dias.
O homem chegara então de comboio. Não me recordo se alguém sabia da forma como ele depois alcançou a vila. Se teria sido a pé ou não.
O que me contaram é que deram por ele já empoleirado num telhado.
De onde arrancou e lançou algumas telhas.
E que foi passando, na correnteza da Rua Direita, de um telhado a outro, lançando telhas talvez já aos que se aglomeravam em baixo.
O homem era desconhecido por aquelas paragens e o impasse – como se diz agora – durou umas quantas horas.
Quando chegou a tal hora, a hora dele, lá de cima se lançou.
Não sei se há muita gente que ainda se lembre deste homem a quem eu nunca vi, vivo ou morto.
22/08/2007
O 112
A ser verdade o que se diz por aí sobre o erro de uma funcionária do CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes), não me surpreende.
Diz-se que este centro é formado por “médicos e operadores de central com formação específica para efectuar o atendimento, triagem, aconselhamento de pré-socorro e selecção e accionamento dos meios de socorro mais adequados a cada ocorrência, preparando a recepção hospitalar dos doentes”.
Não me pronuncio sobre a capacidade de avaliação médica destes operadores. Suponho que os médicos presentes assegurarão essa parte.
Agora sobre a capacidade de orientar as viaturas de socorro posso dizer algumas coisas.
Não é a primeira vez que há notícias de veículos enviados para a Senhora da Asneira por estes funcionários.
Tão importante é uma boa – dentro do possível - avaliação médica à distância como a rapidez do resgate. Ora esta pode ser seriamente comprometida por gente incapaz de determinar com rigor a localização do doente.
E isto não é tarefa para qualquer um. Sabemos todos que não há manual de procedimentos ou curso de formação que dê a quem não o tenha, sentido de orientação. E nisto incluo a capacidade de apontar num mapa de Portugal ou de uma região em particular, um sítio, uma localidade, a partir muitas vezes de indicações mal dadas, fornecidas por alguém que não é capaz de o fazer melhor ou não o faz porque está em estado de ansiedade. Sabemos todos isso.
É porque insistimos em não avaliar capacidades específicas de cada um que temos quase sempre a peça inadequada na engrenagem.
Uma questão de organização, afinal. Que nos faz estar tanto tempo de serviço e ser tão pouco eficazes.
No meu caso particular, apenas uma vez liguei para o antigo 115. O toque de chamada ficou largos minutos do outro lado. Desisti. O dono da casa de onde efectuei a chamada deu-me de pronto o número local dos bombeiros. Em menos tempo do que levei a voltar ao local do acidente, já eles estavam ao pé de mim.
Sou um admirador dos bombeiros. Sobre o 112, não tenho opinião favorável.
A ser verdade o que se diz por aí sobre o erro de uma funcionária do CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes), não me surpreende.
Diz-se que este centro é formado por “médicos e operadores de central com formação específica para efectuar o atendimento, triagem, aconselhamento de pré-socorro e selecção e accionamento dos meios de socorro mais adequados a cada ocorrência, preparando a recepção hospitalar dos doentes”.
Não me pronuncio sobre a capacidade de avaliação médica destes operadores. Suponho que os médicos presentes assegurarão essa parte.
Agora sobre a capacidade de orientar as viaturas de socorro posso dizer algumas coisas.
Não é a primeira vez que há notícias de veículos enviados para a Senhora da Asneira por estes funcionários.
Tão importante é uma boa – dentro do possível - avaliação médica à distância como a rapidez do resgate. Ora esta pode ser seriamente comprometida por gente incapaz de determinar com rigor a localização do doente.
E isto não é tarefa para qualquer um. Sabemos todos que não há manual de procedimentos ou curso de formação que dê a quem não o tenha, sentido de orientação. E nisto incluo a capacidade de apontar num mapa de Portugal ou de uma região em particular, um sítio, uma localidade, a partir muitas vezes de indicações mal dadas, fornecidas por alguém que não é capaz de o fazer melhor ou não o faz porque está em estado de ansiedade. Sabemos todos isso.
É porque insistimos em não avaliar capacidades específicas de cada um que temos quase sempre a peça inadequada na engrenagem.
Uma questão de organização, afinal. Que nos faz estar tanto tempo de serviço e ser tão pouco eficazes.
No meu caso particular, apenas uma vez liguei para o antigo 115. O toque de chamada ficou largos minutos do outro lado. Desisti. O dono da casa de onde efectuei a chamada deu-me de pronto o número local dos bombeiros. Em menos tempo do que levei a voltar ao local do acidente, já eles estavam ao pé de mim.
Sou um admirador dos bombeiros. Sobre o 112, não tenho opinião favorável.
21/08/2007
Os incêndios
Eu não sei se os bombeiros consideram todos o mesmo significado da palavra circunscrito.
Creio bem que não.
Mas sei que muitos jornalistas acham que é sinónimo de extinto.
A verdade é que ainda não percebi o que é que significa circunscrito e controlado, quando ouço estas palavras em época de incêndios.
Para mim, circunscrito é um fogo que se sabe ou prevê não sair já de determinadas balizas no terreno, embora se admita que possa aumentar de intensidade.
Controlado será um fogo que se encontra irremediavelmente a caminho da extinção, diminuindo sucessivamente de intensidade? Não sei se é.
A folha informativa do CNOS, sendo um melhoramento em relação a anos anteriores, mostra através dos registos e dos mapas muita incipiência e desconhecimento.
Os mesmos que entrevi, em directo na televisão, na noite de 5 para 6 de Novembro de 1997. Já lá vão dez anos.
Um dos mapas mostra agora um fogo exactamente numa casa que bem conheço, dos traços no papel aos acabamentos. Não acredito que esteja a arder.
Eu não sei se os bombeiros consideram todos o mesmo significado da palavra circunscrito.
Creio bem que não.
Mas sei que muitos jornalistas acham que é sinónimo de extinto.
A verdade é que ainda não percebi o que é que significa circunscrito e controlado, quando ouço estas palavras em época de incêndios.
Para mim, circunscrito é um fogo que se sabe ou prevê não sair já de determinadas balizas no terreno, embora se admita que possa aumentar de intensidade.
Controlado será um fogo que se encontra irremediavelmente a caminho da extinção, diminuindo sucessivamente de intensidade? Não sei se é.
A folha informativa do CNOS, sendo um melhoramento em relação a anos anteriores, mostra através dos registos e dos mapas muita incipiência e desconhecimento.
Os mesmos que entrevi, em directo na televisão, na noite de 5 para 6 de Novembro de 1997. Já lá vão dez anos.
Um dos mapas mostra agora um fogo exactamente numa casa que bem conheço, dos traços no papel aos acabamentos. Não acredito que esteja a arder.
19/08/2007
18/08/2007
16/08/2007
30 anos depois
Parece que, na América, toda a gente sabe onde se encontrava quando teve a notícia de que Elvis Presley tinha morrido.
Eu também sei. Estava no Club Disco Zebra, em Vilamoura. Ali mesmo ao pé do Casino.
No entanto, recordo-me disso mais pelo insólito da coisa, por a música ter parado de repente, creio, e alguém ter anunciado o decesso ao microfone.
Não tinha de Elvis grandes recordações como não tenho de ninguém em especial que não faça ou tenha feito parte do meu círculo íntimo. Nunca fui de celebrar autores mas sim obras.
No caso nem sequer era apreciador da obra. Sabia apenas que existia.
E, depois desse momento, é claro que a dose de Elvis que se seguiu nos fez sair mais cedo do local.
Presumo que talvez nos tenhamos dedicado mais demoradamente aos aquecimentos à Vitória de Setúbal, nos relvados adjacentes. Como fazíamos quase todas as noites antes de dar à chave no R12.
As moças não gostavam especialmente dessa parte.
As saudades que eu tenho da Zebra!
Ou de ter 18 anos.
Diz que o Elvis ainda anda por aí.
Parece que, na América, toda a gente sabe onde se encontrava quando teve a notícia de que Elvis Presley tinha morrido.
Eu também sei. Estava no Club Disco Zebra, em Vilamoura. Ali mesmo ao pé do Casino.
No entanto, recordo-me disso mais pelo insólito da coisa, por a música ter parado de repente, creio, e alguém ter anunciado o decesso ao microfone.
Não tinha de Elvis grandes recordações como não tenho de ninguém em especial que não faça ou tenha feito parte do meu círculo íntimo. Nunca fui de celebrar autores mas sim obras.
No caso nem sequer era apreciador da obra. Sabia apenas que existia.
E, depois desse momento, é claro que a dose de Elvis que se seguiu nos fez sair mais cedo do local.
Presumo que talvez nos tenhamos dedicado mais demoradamente aos aquecimentos à Vitória de Setúbal, nos relvados adjacentes. Como fazíamos quase todas as noites antes de dar à chave no R12.
As moças não gostavam especialmente dessa parte.
As saudades que eu tenho da Zebra!
Ou de ter 18 anos.
Diz que o Elvis ainda anda por aí.
O livro semi-virgem
Não é a primeira vez que me sucede tirar um livro das prateleiras e verificar que tem algumas páginas coladas. Não que seja coisa frequente mas não é coisa única.
O que me surpreendeu desta vez foi verificar que a partir de páginas 209, o livro estava virgem. Mais ou menos a meio d’“A alegria de viver” de Zola.
A primeira coisa que me vem à cabeça é que me estou, sem que tivesse disso a menor intenção, a colocar no lugar da pessoa que interrompeu ali a leitura. Se é que o fez.
Depois, ocorre-me que poderá alguém ter começado a abrir o livro com o competente corta-papel e, por alguma razão, ter interrompido o trabalho. E nunca mais o retomou, talvez nem tendo sequer iniciado a leitura do livro.
Depois ainda, e atendendo ao facto de algumas páginas até aqui estarem mal cortadas, vem-me à cabeça algo ainda mais bizarro.
Em miúdo, tinha o hábito de me munir de uma lâmina de plástico afiado e abrir livros que encontrava intactos, tendo sido repreendido algumas vezes por o fazer e por fazê-lo descuidadamente.
Terei sido eu o autor da coisa?
Seja como fôr, ninguém leu este livro até ao fim.
Não é a primeira vez que me sucede tirar um livro das prateleiras e verificar que tem algumas páginas coladas. Não que seja coisa frequente mas não é coisa única.
O que me surpreendeu desta vez foi verificar que a partir de páginas 209, o livro estava virgem. Mais ou menos a meio d’“A alegria de viver” de Zola.
A primeira coisa que me vem à cabeça é que me estou, sem que tivesse disso a menor intenção, a colocar no lugar da pessoa que interrompeu ali a leitura. Se é que o fez.
Depois, ocorre-me que poderá alguém ter começado a abrir o livro com o competente corta-papel e, por alguma razão, ter interrompido o trabalho. E nunca mais o retomou, talvez nem tendo sequer iniciado a leitura do livro.
Depois ainda, e atendendo ao facto de algumas páginas até aqui estarem mal cortadas, vem-me à cabeça algo ainda mais bizarro.
Em miúdo, tinha o hábito de me munir de uma lâmina de plástico afiado e abrir livros que encontrava intactos, tendo sido repreendido algumas vezes por o fazer e por fazê-lo descuidadamente.
Terei sido eu o autor da coisa?
Seja como fôr, ninguém leu este livro até ao fim.
Efeméride
Ao entrar no quinto ano deste blogue – faz hoje exactamente quatro anos que a coisa começou – ocorre-me que, atendendo à vaga que se originou nesse verão de 2003 e aos inúmeros que já ficaram pelo caminho, a plêiade de resistentes em que se inclui acabará por ter algum papel na História.
Desse papel, um átomo há-de lhe dizer respeito.
E posso dizer que isso é para mim, que o escrevo, motivo de satisfação.
Quando comecei a escrevê-lo não tinha uma ideia assente sobre o tempo em que o faria. Nem se muito nem se pouco. Sendo certo que sabia que não era uma ideia para abandonar no dia seguinte, à primeira dificuldade ou ao primo enjoo. Isso sabia. Mas não saberia responder se ao fim de quatro anos ainda aqui andaria ou não.
Pois bem, se alguma coisa se pode dizer de concreto, é que aos quatro anos chegou. Veremos se chegará a fazer um lustro.
Às perguntas que me faço, se espero e acho que lá chega, respondo a ambas que sim.
Ao entrar no quinto ano deste blogue – faz hoje exactamente quatro anos que a coisa começou – ocorre-me que, atendendo à vaga que se originou nesse verão de 2003 e aos inúmeros que já ficaram pelo caminho, a plêiade de resistentes em que se inclui acabará por ter algum papel na História.
Desse papel, um átomo há-de lhe dizer respeito.
E posso dizer que isso é para mim, que o escrevo, motivo de satisfação.
Quando comecei a escrevê-lo não tinha uma ideia assente sobre o tempo em que o faria. Nem se muito nem se pouco. Sendo certo que sabia que não era uma ideia para abandonar no dia seguinte, à primeira dificuldade ou ao primo enjoo. Isso sabia. Mas não saberia responder se ao fim de quatro anos ainda aqui andaria ou não.
Pois bem, se alguma coisa se pode dizer de concreto, é que aos quatro anos chegou. Veremos se chegará a fazer um lustro.
Às perguntas que me faço, se espero e acho que lá chega, respondo a ambas que sim.
15/08/2007
A senha A 752
Sabia claro de cor o meu número – A 774.
A estação estava com uma afluência muito acima do habitual e a numeração ainda nos 721. Ali à porta estava um tipo que fingia que não me via e a quem eu retribuía passando os olhos de fugida sobre a zona.
Quando o painel se aproximou dos 750, aproveitei o recanto vago que dava uma belíssima e desimpedida diagonal de observação, sem estar a torcer o pescoço e ainda proporcionava apoio de braços num balcão deserto.
Foi já depois de ter teorizado sobre a forma como a carga do corpo se distribui por um ou mais apoios nestas circunstâncias, que vi em cima do balcão fora de serviço, uma senha.
Era a A 752.
No painel, o 750.
Não me passou pela cabeça dar o golpe, essa é que é a verdade.
Apanhei-a, dobrei-a em quatro como dizem se deve fazer aos votos e guardei-a no bolso.
Quando o 752 apareceu a vermelho, estive quase, quase para dizer uma laracha. Mas calei-me. Um tipo avançou para a competente parte do balcão enquanto remexia nos bolsos. É claro que vi logo que era o mesmo que libertara a grande diagonal.
Imaginei então o que teria acontecido se eu me tivesse apresentado de senha na mão.
Quando chegou a minha vez, cumprimentei o tipo da porta que não me queria falar e arremeti.
Foi então que não descobri a minha senha.
Sabia claro de cor o meu número – A 774.
A estação estava com uma afluência muito acima do habitual e a numeração ainda nos 721. Ali à porta estava um tipo que fingia que não me via e a quem eu retribuía passando os olhos de fugida sobre a zona.
Quando o painel se aproximou dos 750, aproveitei o recanto vago que dava uma belíssima e desimpedida diagonal de observação, sem estar a torcer o pescoço e ainda proporcionava apoio de braços num balcão deserto.
Foi já depois de ter teorizado sobre a forma como a carga do corpo se distribui por um ou mais apoios nestas circunstâncias, que vi em cima do balcão fora de serviço, uma senha.
Era a A 752.
No painel, o 750.
Não me passou pela cabeça dar o golpe, essa é que é a verdade.
Apanhei-a, dobrei-a em quatro como dizem se deve fazer aos votos e guardei-a no bolso.
Quando o 752 apareceu a vermelho, estive quase, quase para dizer uma laracha. Mas calei-me. Um tipo avançou para a competente parte do balcão enquanto remexia nos bolsos. É claro que vi logo que era o mesmo que libertara a grande diagonal.
Imaginei então o que teria acontecido se eu me tivesse apresentado de senha na mão.
Quando chegou a minha vez, cumprimentei o tipo da porta que não me queria falar e arremeti.
Foi então que não descobri a minha senha.
13/08/2007
12/08/2007
O calor dos velocípedes e o som dos motociclos
Há, em pacífica oposição na nossa mente, duas - digamos - apreciações.
Uma, presunçosa, dita que há certas coisas de que jamais sentiremos a falta.
Outra, mais avisada e calejada do tempo, observa que certas memórias, ainda que menos agradáveis, remexem na terra e extraem dela odores que nos lembram a dita molhada de fresco.
Ontem pela madrugada ouvi longe-perto o som de uma motorizada daquelas rústicas.
Zunia e aqui e acolá dava o seu traque combustivo.
Deixei-me embalar por esse som como se estivesse na minha cama do Largo a ouvir um fim mais fim de festa do que o meu. Dos que desaparecendo montados na napa quente ou fria – creio que não havia meio termo – o faziam já depois do meu encosto à boxe.
Ou como se nas manhãs houvesse um peixe recém-chegado de Sines, anunciado em buzina de apertar – fica agora decidido que, a seguir ao Cristo-Rei de plástico, será essa a minha próxima compra.
Ou como se nas madrugadas de caça, me pusesse a adivinhar pelo afastar do ruído a qual dos sítios iam primeiro os que, sabendo-me neutro, me confidenciavam os sítios das perdizes e das lebres agachadas.
E nisso, ocorre-me.
Este som tantas vezes irritante, tantas vezes amaldiçoado por não me deixar dormir, a que talvez sacrificasse um reino para o apagar dos tímpanos naquele lusco-fusco da mente que nos deixa supormo-nos assim tão poderosos.
Este mesmo som a que rangi os dentes e fiz caretas sem número.
Este som embalava-me. E agora já não me tirava o sono. Só me trazia o cheiro da terra e o calor das noites ao relento.
Cheguei a desejar ouvir os potentíssimos urros das sete-e-meio dos inícios de setenta a roubarem-me o sono na terra de Vasco de Gama.
Ali, na avenida Marquês de Pombal a qualquer hora dita da manhã.
Mas esse não ouvi.
Há, em pacífica oposição na nossa mente, duas - digamos - apreciações.
Uma, presunçosa, dita que há certas coisas de que jamais sentiremos a falta.
Outra, mais avisada e calejada do tempo, observa que certas memórias, ainda que menos agradáveis, remexem na terra e extraem dela odores que nos lembram a dita molhada de fresco.
Ontem pela madrugada ouvi longe-perto o som de uma motorizada daquelas rústicas.
Zunia e aqui e acolá dava o seu traque combustivo.
Deixei-me embalar por esse som como se estivesse na minha cama do Largo a ouvir um fim mais fim de festa do que o meu. Dos que desaparecendo montados na napa quente ou fria – creio que não havia meio termo – o faziam já depois do meu encosto à boxe.
Ou como se nas manhãs houvesse um peixe recém-chegado de Sines, anunciado em buzina de apertar – fica agora decidido que, a seguir ao Cristo-Rei de plástico, será essa a minha próxima compra.
Ou como se nas madrugadas de caça, me pusesse a adivinhar pelo afastar do ruído a qual dos sítios iam primeiro os que, sabendo-me neutro, me confidenciavam os sítios das perdizes e das lebres agachadas.
E nisso, ocorre-me.
Este som tantas vezes irritante, tantas vezes amaldiçoado por não me deixar dormir, a que talvez sacrificasse um reino para o apagar dos tímpanos naquele lusco-fusco da mente que nos deixa supormo-nos assim tão poderosos.
Este mesmo som a que rangi os dentes e fiz caretas sem número.
Este som embalava-me. E agora já não me tirava o sono. Só me trazia o cheiro da terra e o calor das noites ao relento.
Cheguei a desejar ouvir os potentíssimos urros das sete-e-meio dos inícios de setenta a roubarem-me o sono na terra de Vasco de Gama.
Ali, na avenida Marquês de Pombal a qualquer hora dita da manhã.
Mas esse não ouvi.
10/08/2007
Código de conduta do banhista
Três mil e setecentos anos depois. O código.
“Preserve os sons naturais. Evite o ruído.”
“Pratique desporto apenas nas áreas determinadas para o efeito. Não incomode, nem ponha em perigo a sua vida e a dos outros.”
Estes intrigantes parágrafos, pérolas nas mãos de juristas sedentos de interpretações dúplices, quase arremedam aqueloutro que diz:
“É vedado o acesso a quem penetrar nas áreas de acesso vedado.”

Dá-se o caso de o ter apanhado na companhia do meu velho J. d’, a quem ofereci um exemplar, relembrando que no nosso tempo uma publicação tal, investida da força da lei, estaria decerto sempre nos nossos bolsos, para o caso de ser necessário ler os direitos, digo os deveres a alguma.
O código de conduta do banhista da Câmara Municipal de Cascais tem no rosto um baldinho e uma pá.
Três mil e setecentos anos depois. O código.
“Preserve os sons naturais. Evite o ruído.”
“Pratique desporto apenas nas áreas determinadas para o efeito. Não incomode, nem ponha em perigo a sua vida e a dos outros.”
Estes intrigantes parágrafos, pérolas nas mãos de juristas sedentos de interpretações dúplices, quase arremedam aqueloutro que diz:
“É vedado o acesso a quem penetrar nas áreas de acesso vedado.”

Dá-se o caso de o ter apanhado na companhia do meu velho J. d’, a quem ofereci um exemplar, relembrando que no nosso tempo uma publicação tal, investida da força da lei, estaria decerto sempre nos nossos bolsos, para o caso de ser necessário ler os direitos, digo os deveres a alguma.
O código de conduta do banhista da Câmara Municipal de Cascais tem no rosto um baldinho e uma pá.
09/08/2007
08/08/2007
OVNI
Quando ouço aquela cretina pergunta do “acredita em OVNI?”, apesar de perceber que o que o perguntador quer saber é outra coisa, quer saber se o perguntado acredita que existam naves tripuladas por seres vivos oriundos de outros locais do Universo que, por vezes, dão as caras, apesar de saber isso, espero sempre que a resposta seja dada ao que foi perguntado.
E o que foi perguntado, como é óbvio, não tem resposta. Porque é uma pergunta destituída de sentido. E é pois essa a curiosidade que me povoa – como é que alguém responde a essa pergunta, mostrando elegantemente que não faz sentido algum formulá-la.
Ao perguntar-se a alguém se acredita em objectos voadores não identificados, há um pressuposto, deveria talvez escrever preconceito – levando a pergunta à letra – que todos os objectos voadores deveriam ser e são identificáveis e identificados, coisa que sabemos ser disparatada. E que só os crentes acreditariam que os há inidentificados.
Aplicando-se isto obviamente aos objectos voadores da mesma forma que se aplicaria aos rastejantes ou aos saltitantes bem como aos navegantes.
Não faz sentido porque todos os dias e a todas as horas há alguém que vê algo que não reconhece. E não precisa de ser crente para tal acontecer. Crente em quê, afinal? Na sua própria incapacidade de tudo (re)conhecer?
A mim, tocou-me numa noite de verão de 1979.
Já narrei aqui os sucessos dessa data, dizendo erradamente ser de Agosto. Mas foi de Julho.
E falhando no mês, admitia então que se tivesse tratado de um meteoro, já que datava a coisa do tempo mais intenso das Perseidas.
Não é de excluir mesmo assim que tenha sido tal.
A verdade é que eu não vi nada a voar.
Apenas vi uma luz muitíssimo intensa de origem desconhecida. Eu e mais uns quantos (registo de 15 de Julho de 1979 e tem música de fundo). Muitos quantos, pelos vistos.
Luz essa que até hoje está por identificar. E assim ficará.
Serei um crente?
Quando ouço aquela cretina pergunta do “acredita em OVNI?”, apesar de perceber que o que o perguntador quer saber é outra coisa, quer saber se o perguntado acredita que existam naves tripuladas por seres vivos oriundos de outros locais do Universo que, por vezes, dão as caras, apesar de saber isso, espero sempre que a resposta seja dada ao que foi perguntado.
E o que foi perguntado, como é óbvio, não tem resposta. Porque é uma pergunta destituída de sentido. E é pois essa a curiosidade que me povoa – como é que alguém responde a essa pergunta, mostrando elegantemente que não faz sentido algum formulá-la.
Ao perguntar-se a alguém se acredita em objectos voadores não identificados, há um pressuposto, deveria talvez escrever preconceito – levando a pergunta à letra – que todos os objectos voadores deveriam ser e são identificáveis e identificados, coisa que sabemos ser disparatada. E que só os crentes acreditariam que os há inidentificados.
Aplicando-se isto obviamente aos objectos voadores da mesma forma que se aplicaria aos rastejantes ou aos saltitantes bem como aos navegantes.
Não faz sentido porque todos os dias e a todas as horas há alguém que vê algo que não reconhece. E não precisa de ser crente para tal acontecer. Crente em quê, afinal? Na sua própria incapacidade de tudo (re)conhecer?
A mim, tocou-me numa noite de verão de 1979.
Já narrei aqui os sucessos dessa data, dizendo erradamente ser de Agosto. Mas foi de Julho.
E falhando no mês, admitia então que se tivesse tratado de um meteoro, já que datava a coisa do tempo mais intenso das Perseidas.
Não é de excluir mesmo assim que tenha sido tal.
A verdade é que eu não vi nada a voar.
Apenas vi uma luz muitíssimo intensa de origem desconhecida. Eu e mais uns quantos (registo de 15 de Julho de 1979 e tem música de fundo). Muitos quantos, pelos vistos.
Luz essa que até hoje está por identificar. E assim ficará.
Serei um crente?
07/08/2007
É a vida!

Há os que têm alguma coisa para dizer ou para mostrar.
E há os que mostram aquilo que os outros fizeram ou disseram.
É uma mentalidade servil e pouco equipada, para não dizer outra coisa. Claro que não têm culpa de ser assim. Foi assim que nasceram. A única coisa que podemos fazer é tentar pô-los em sentido. Pode ser que lhes sirva de alguma coisa.
Este indivíduo é reincidente. Da primeira vez, foi lesto a esconder a coisa quando se deu por ela e foi avisado. Infantil.
Agora, e mais uma vez pelo amigo Bic Laranja, fui alertado para uma recidiva.
Lá está esta foto minha, caçada aqui, no blogue dele, sem a menor indicação.
Para que vejam enquanto ele não a apaga.
Se repararem bem, no post anterior a este onde coloca a minha foto, indigna-se contra quem, segundo ele, não tem vergonha na cara.
É preciso acrescentar mais alguma coisa?
É a vida, não é?

Há os que têm alguma coisa para dizer ou para mostrar.
E há os que mostram aquilo que os outros fizeram ou disseram.
É uma mentalidade servil e pouco equipada, para não dizer outra coisa. Claro que não têm culpa de ser assim. Foi assim que nasceram. A única coisa que podemos fazer é tentar pô-los em sentido. Pode ser que lhes sirva de alguma coisa.
Este indivíduo é reincidente. Da primeira vez, foi lesto a esconder a coisa quando se deu por ela e foi avisado. Infantil.
Agora, e mais uma vez pelo amigo Bic Laranja, fui alertado para uma recidiva.
Lá está esta foto minha, caçada aqui, no blogue dele, sem a menor indicação.
Para que vejam enquanto ele não a apaga.
Se repararem bem, no post anterior a este onde coloca a minha foto, indigna-se contra quem, segundo ele, não tem vergonha na cara.
É preciso acrescentar mais alguma coisa?
É a vida, não é?
06/08/2007
À atenção do homem da quarta
No dia em que passaram 41 anos sobre a inauguração da 10ª ponte construída sobre o Tejo em território nacional, cumpre informar que

in "A ponte Salazar", GPST, Lx, Julho de 1966
para além de uma barragem já construída nesta época - Belver, 1952 - ainda se construíram mais uma outra barragem e quatro pontes até chegarmos à quarta travessia do homem, a saber:
Barragem do Fratel, 1973
Nova ponte Raínha Dona Amélia, 1987
Ponte de Alvega (acesso rodo-ferroviário à central do Pego), 1992
Ponte Vasco da Gama, 1998
Ponte Salgueiro Maia, 2000
Isto sem falar em pontes de barcas*, sobre as quais falarei a despropósito, como é meu timbre.
*e outras
Santa Estupidez: então não datei a Vasco da Gama de 1988?
No dia em que passaram 41 anos sobre a inauguração da 10ª ponte construída sobre o Tejo em território nacional, cumpre informar que

in "A ponte Salazar", GPST, Lx, Julho de 1966
para além de uma barragem já construída nesta época - Belver, 1952 - ainda se construíram mais uma outra barragem e quatro pontes até chegarmos à quarta travessia do homem, a saber:
Barragem do Fratel, 1973
Nova ponte Raínha Dona Amélia, 1987
Ponte de Alvega (acesso rodo-ferroviário à central do Pego), 1992
Ponte Vasco da Gama, 1998
Ponte Salgueiro Maia, 2000
Isto sem falar em pontes de barcas*, sobre as quais falarei a despropósito, como é meu timbre.
*e outras
Santa Estupidez: então não datei a Vasco da Gama de 1988?
04/08/2007
Tempo & resultado
Ainda há quem faça relatos da bola. E ainda há quem introduza o colega de reportagem com um sonoro e pausado “tempo e resultado?”
Soou-me bem.
Soou-me bem. A mim, que nunca fui de futebóis mas cheguei a ser de relatos. Nas épicas quartas-feiras europeias de depois de almoço à noite cerrada. Em que os sons roufenhos da bola em rádios ocasionais exerciam uma atracção a ponto do “quantos há?"
Soou-me bem, que foi golo do Sporting.
Soou-me bem, que algumas inflexões de voz do relator me fizeram lembrar o logro que eu não perdoava àqueles vizinhos de toldo que levavam o tijolo para ouvir o Benfica ou outro idêntico.
Era tiro e queda. Eles a ouvir um ramerrento relato e de repente, no rádio do lado, que era apenas um jornal megafonicamente enrolado, ouvia-se um vibrante golo, somando logo aquela pausa engasgável entre o golo – gooolo e o inevitável gooooooooooolo. Era vê-los a mexer no botanito, naquilo que hoje se celebraria como zapping. Na primeira jornada era fatal.
Vejo agora que indo por aqui vou dar a uma dupla de atacantes que dava pelos nomes de Carapau e Peixeiro.
É melhor deixar a parte d’”A Bola” para outro dia.
Ainda há quem faça relatos da bola. E ainda há quem introduza o colega de reportagem com um sonoro e pausado “tempo e resultado?”
Soou-me bem.
Soou-me bem. A mim, que nunca fui de futebóis mas cheguei a ser de relatos. Nas épicas quartas-feiras europeias de depois de almoço à noite cerrada. Em que os sons roufenhos da bola em rádios ocasionais exerciam uma atracção a ponto do “quantos há?"
Soou-me bem, que foi golo do Sporting.
Soou-me bem, que algumas inflexões de voz do relator me fizeram lembrar o logro que eu não perdoava àqueles vizinhos de toldo que levavam o tijolo para ouvir o Benfica ou outro idêntico.
Era tiro e queda. Eles a ouvir um ramerrento relato e de repente, no rádio do lado, que era apenas um jornal megafonicamente enrolado, ouvia-se um vibrante golo, somando logo aquela pausa engasgável entre o golo – gooolo e o inevitável gooooooooooolo. Era vê-los a mexer no botanito, naquilo que hoje se celebraria como zapping. Na primeira jornada era fatal.
Vejo agora que indo por aqui vou dar a uma dupla de atacantes que dava pelos nomes de Carapau e Peixeiro.
É melhor deixar a parte d’”A Bola” para outro dia.
03/08/2007
A Volta

imagem do site respectivo
Era por aqui que se me dava ver passar a caravana:
1ª etapa – Ponte sobre a ribeira do Vascão (ver percurso)
2ª etapa – Cruzamento de Alpalhão (ver percurso)
3ª etapa – Entroncamento do Terreiro das Bruxas (ver percurso)
4ª etapa – Curva da Ponte do Abade (ver percurso)
5ª etapa – Ponte dita da Caniçada - a que é sobre o rio Cávado (ver percurso)
6ª etapa – Ponte de Cavez (ver percurso)
7ª etapa – Ponte sobre o rio Sardoura (ver percurso)
8ª etapa – Ponte sobre o rio Águeda (ver percurso)
9ª etapa – Ponte das Três Entradas (ver percurso)
Mas é certo que não estarei por lá.

imagem do site respectivo
Era por aqui que se me dava ver passar a caravana:
1ª etapa – Ponte sobre a ribeira do Vascão (ver percurso)
2ª etapa – Cruzamento de Alpalhão (ver percurso)
3ª etapa – Entroncamento do Terreiro das Bruxas (ver percurso)
4ª etapa – Curva da Ponte do Abade (ver percurso)
5ª etapa – Ponte dita da Caniçada - a que é sobre o rio Cávado (ver percurso)
6ª etapa – Ponte de Cavez (ver percurso)
7ª etapa – Ponte sobre o rio Sardoura (ver percurso)
8ª etapa – Ponte sobre o rio Águeda (ver percurso)
9ª etapa – Ponte das Três Entradas (ver percurso)
Mas é certo que não estarei por lá.
01/08/2007
A Zambujeira
Nunca fui um adepto da Zambujeira.
Ou melhor, nunca fui adepto da praia da Zambujeira.
A minha família materna passou lá férias antes da minha chegada mas já se tinham mudado há muito para Vila Nova.
Havia os amigos que por lá se detinham nos anos 60. E era lá e ao Porto Covo que íamos mais pelo marisco do que por outra coisa qualquer.
Suponho que, por junto e atacado, terei molhado os pés ao pé do Palheirão uma ou duas vezes. Não mais. Dizia-se que era um mar muito perigoso em comparação com os outros da zona.
Por falar em perigos, também me recordo de um acidente grave que por lá se deu com um autocarro de gente que ia ao 29. Na rampa da praia, nesse tempo um caminho de terra e areia. Terá perdido os travões, diziam. E lá foi parar ao fundo.
Depois houve a época do Clube da Praia. Anos 80. E as carradas que se traziam de volta.
Mas era só de noite que lá ia.
E resume-se a isso e a mais uns quantos episódios dignos de Rocambole a minha ligação a tal praça.
Assisti pois de longe à transformação do lugarejo que o meu Avô fotografou em 1932, podendo na foto contar-se, uma a uma, todas as casas, na actual estância de férias e em pólo de atracção festivaleiro.
Certo ano, ainda lá fui levar e buscar quem se atrevesse ao pó das canções. Vi de perto a grandiosidade da coisa. Com paragem no Encalho.
Estou a ficar velho. E gosto dos James, que me deixaram de um outro ano belas recordações.

(pormenor de foto publicada aqui)
Que Oeste será este? O do Alentejo, é certo que é!
Nunca fui um adepto da Zambujeira.
Ou melhor, nunca fui adepto da praia da Zambujeira.
A minha família materna passou lá férias antes da minha chegada mas já se tinham mudado há muito para Vila Nova.
Havia os amigos que por lá se detinham nos anos 60. E era lá e ao Porto Covo que íamos mais pelo marisco do que por outra coisa qualquer.
Suponho que, por junto e atacado, terei molhado os pés ao pé do Palheirão uma ou duas vezes. Não mais. Dizia-se que era um mar muito perigoso em comparação com os outros da zona.
Por falar em perigos, também me recordo de um acidente grave que por lá se deu com um autocarro de gente que ia ao 29. Na rampa da praia, nesse tempo um caminho de terra e areia. Terá perdido os travões, diziam. E lá foi parar ao fundo.
Depois houve a época do Clube da Praia. Anos 80. E as carradas que se traziam de volta.
Mas era só de noite que lá ia.
E resume-se a isso e a mais uns quantos episódios dignos de Rocambole a minha ligação a tal praça.
Assisti pois de longe à transformação do lugarejo que o meu Avô fotografou em 1932, podendo na foto contar-se, uma a uma, todas as casas, na actual estância de férias e em pólo de atracção festivaleiro.
Certo ano, ainda lá fui levar e buscar quem se atrevesse ao pó das canções. Vi de perto a grandiosidade da coisa. Com paragem no Encalho.
Estou a ficar velho. E gosto dos James, que me deixaram de um outro ano belas recordações.

(pormenor de foto publicada aqui)
Que Oeste será este? O do Alentejo, é certo que é!
Circulação arterial

Por via d’O Céu sobre Lisboa, deparei com esta actualização da página de história da JAE / IEP / EP.
Dois vídeos, um de 13 minutos, comentado e outro de 25 minutos, só com música de fundo.
A história da circulação arterial em Portugal continental desde 1927.
Valem bem a pena para quem gosta do tema. Pontes e estradas.

imagem da JAE
Pela parte que me toca, também lá revi parte da minha própria história.

Por via d’O Céu sobre Lisboa, deparei com esta actualização da página de história da JAE / IEP / EP.
Dois vídeos, um de 13 minutos, comentado e outro de 25 minutos, só com música de fundo.
A história da circulação arterial em Portugal continental desde 1927.
Valem bem a pena para quem gosta do tema. Pontes e estradas.

imagem da JAE
Pela parte que me toca, também lá revi parte da minha própria história.
31/07/2007
Valorizações morais e ciência
Se a moral é qualquer coisa que varia com as sociedades e que emana valores que são mais ou menos partilhados, a ciência é, em todas as sociedades sem excepção, a busca do conhecimento. Ponto.
É com base nisto que não aceito que um cientista, qualquer que ele seja, introduza valores morais na argumentação científica.
Se a moral é qualquer coisa que varia com as sociedades e que emana valores que são mais ou menos partilhados, a ciência é, em todas as sociedades sem excepção, a busca do conhecimento. Ponto.
É com base nisto que não aceito que um cientista, qualquer que ele seja, introduza valores morais na argumentação científica.
30/07/2007
Alfa pendular
Diz um responsável da CP que não é possível regular o ar condicionado dos Fiat do serviço Alfa para valores de conforto quando a temperatura exterior é muito elevada, acima dos 35º.
Digo eu que estas afirmações e o ar natural com que são feitas me faz lembrar a velha anedota dos armários para esquis em projectos importados de escolas para o meridião.
Diz um responsável da CP que não é possível regular o ar condicionado dos Fiat do serviço Alfa para valores de conforto quando a temperatura exterior é muito elevada, acima dos 35º.
Digo eu que estas afirmações e o ar natural com que são feitas me faz lembrar a velha anedota dos armários para esquis em projectos importados de escolas para o meridião.
As sandalinhas de plástico
Num dia de calma idêntico ao de hoje – que a temperatura neste escritório citadino não desce dos 30º e a Lua lá fora (quanto lá fora? muito ou pouco?) está cheia e parece ajudar, reflectindo as ondas, à festa – num dia de calma idêntico ao de hoje, um insuspeito comprador de cortiça sentenciou para quem o quis ouvir que já ninguém se lembrava da revolução do plástico.
Ao ouvi-lo dizer tal, passaram-me pela memória os vendedores de alguidares, de jarros, de vasos, montados nas suas Austin A 40, Ford Anglia ou Thames.
Ao escrever agora isto, também me vem à cabeça que quase nada resta da indústria automóvel britânica, um pouco à medida da British Ever Ready Export Co..
Adiante.
Atrás. Ao plástico. Ao plástico e à calma. A noite vai de altas pressões.
E nenhumas altas pressões, calor algum me fazia andar na rua de sandálias. Impossível.
Inadequável. Jogar à bola de sandálias?
Mesmo aquelas coisas mais ou menos fechadas à frente mas que se afivelavam e deixavam os lombos dos pés à mostra, mesmo essas, a custo aceitava calçar.
Quantos pares de sapatos terei desgraçado com o futebol-pedra? E com a travagem dos carros de rolamentos, rua abaixo? E biqueirando o chão para fazer piras e matas? Isso lá era possível de sandalinhas?
Ao plástico? Pois era do plástico que falava.
Às sandálias de plástico, seja (as voltas que este tipo dá para chegar a uma coisa tão óbvia como umas sandálias de plástico).
Não sei bem em que ano quase me converti a tal coisa. Uma coisa deve ser certa, devia estar longe da minha trupe e perto das minhas primas. Com elas, seria pouco provável que se desenrolasse um muda aos cinco, acaba aos dez a qualquer altura.
Nessa óptica, talvez me tenha rendido a experimentar as coisas. Afinal era só para chegar à praia. Lá, poderia de novo chutar a bola sózinho mas de pés nus.
Mas a rendição não terá sido incondicional, creio. Parecia-me aquilo coisa de mulheres.
E depois fazia-me roeduras nos dedos, ali onde encaixava nos ditos.
Era razão mais do que suficiente para preferir calçado mais másculo. Sapatos, pois.
E assim foi, até um dia.
Um dia qualquer, em que a minha masculinidade já não seria posta em causa por um calçado duvidoso, ainda que cor-de-rosa ou assim, deixei que ela me comprasse uns.
E a coisa estranha foi que não me fizeram mal aos dedos.
Devo ter ganhado calo.
Já era pois mais do que altura para me esquecer da bola e da dificuldade que era correr à frente da polícia com tais coisas nos pés.
Dispensei-me de lhe contar das minhas reticências a tal tipo de solas auxiliares e comecei a olhar com um certo carinho para as sandálias de plástico.
No verão seguinte, dado não as ter transportado na bagagem, comprei outras. De cor diferente.
E no outro, idem.
Para aí ao terceiro ou quarto verão - se fosse no terceiro tinha sido na linha de cima, não façam caso, mas terceiro a contar do quê? - fazendo a habitual paragem de meio do caminho na casa da vila, vi no meu quarto um par a olhar-me assim que suplicantemente. Leva-nos lá para a praia. Não fomos feitas para o sequeiro. E, dando-lhes razão, carreguei-as comigo.
Mas não resisti a mudar de cor, uma vez mais. E lá juntei um novo par.
Desde então, juntei umas quantas cores diferentes. Depois deixei de ver tal calçado à venda. Falo daquelas mesmo oficiais. Que imitações e apegreides é o que não falta para aí.
Deixei de ir à praia. Ou quase. Penso se terá o caso a ver com a falta de sandálias de uma cor nova. Talvez.
As penúltimas que comprei eram dessas já especiais de corrida. Pretas e com o arco-íris nas fitas. Arco-íris? Pois! Nesse tempo longínquo era apenas um arco-íris, a luz visível.
As últimas, foram há dias atrás. São amarelas, de fita cor-de-laranja.
E têm um saúrio, unzinho só, assim à maneira do Escher.
Tem que estar muito calor aqui (fui ver – estão 29º) para eu escrever tanto disparate.
E publicá-lo. Coisa que vou fazer a seguir, mesmo que não faça sentido dizê-lo assim, depois de já terem lido (corajosos!).
É do calor, acreditem.
Num dia de calma idêntico ao de hoje – que a temperatura neste escritório citadino não desce dos 30º e a Lua lá fora (quanto lá fora? muito ou pouco?) está cheia e parece ajudar, reflectindo as ondas, à festa – num dia de calma idêntico ao de hoje, um insuspeito comprador de cortiça sentenciou para quem o quis ouvir que já ninguém se lembrava da revolução do plástico.
Ao ouvi-lo dizer tal, passaram-me pela memória os vendedores de alguidares, de jarros, de vasos, montados nas suas Austin A 40, Ford Anglia ou Thames.
Ao escrever agora isto, também me vem à cabeça que quase nada resta da indústria automóvel britânica, um pouco à medida da British Ever Ready Export Co..
Adiante.
Atrás. Ao plástico. Ao plástico e à calma. A noite vai de altas pressões.
E nenhumas altas pressões, calor algum me fazia andar na rua de sandálias. Impossível.
Inadequável. Jogar à bola de sandálias?
Mesmo aquelas coisas mais ou menos fechadas à frente mas que se afivelavam e deixavam os lombos dos pés à mostra, mesmo essas, a custo aceitava calçar.
Quantos pares de sapatos terei desgraçado com o futebol-pedra? E com a travagem dos carros de rolamentos, rua abaixo? E biqueirando o chão para fazer piras e matas? Isso lá era possível de sandalinhas?
Ao plástico? Pois era do plástico que falava.
Às sandálias de plástico, seja (as voltas que este tipo dá para chegar a uma coisa tão óbvia como umas sandálias de plástico).
Não sei bem em que ano quase me converti a tal coisa. Uma coisa deve ser certa, devia estar longe da minha trupe e perto das minhas primas. Com elas, seria pouco provável que se desenrolasse um muda aos cinco, acaba aos dez a qualquer altura.
Nessa óptica, talvez me tenha rendido a experimentar as coisas. Afinal era só para chegar à praia. Lá, poderia de novo chutar a bola sózinho mas de pés nus.
Mas a rendição não terá sido incondicional, creio. Parecia-me aquilo coisa de mulheres.
E depois fazia-me roeduras nos dedos, ali onde encaixava nos ditos.
Era razão mais do que suficiente para preferir calçado mais másculo. Sapatos, pois.
E assim foi, até um dia.
Um dia qualquer, em que a minha masculinidade já não seria posta em causa por um calçado duvidoso, ainda que cor-de-rosa ou assim, deixei que ela me comprasse uns.
E a coisa estranha foi que não me fizeram mal aos dedos.
Devo ter ganhado calo.
Já era pois mais do que altura para me esquecer da bola e da dificuldade que era correr à frente da polícia com tais coisas nos pés.
Dispensei-me de lhe contar das minhas reticências a tal tipo de solas auxiliares e comecei a olhar com um certo carinho para as sandálias de plástico.
No verão seguinte, dado não as ter transportado na bagagem, comprei outras. De cor diferente.
E no outro, idem.
Para aí ao terceiro ou quarto verão - se fosse no terceiro tinha sido na linha de cima, não façam caso, mas terceiro a contar do quê? - fazendo a habitual paragem de meio do caminho na casa da vila, vi no meu quarto um par a olhar-me assim que suplicantemente. Leva-nos lá para a praia. Não fomos feitas para o sequeiro. E, dando-lhes razão, carreguei-as comigo.
Mas não resisti a mudar de cor, uma vez mais. E lá juntei um novo par.
Desde então, juntei umas quantas cores diferentes. Depois deixei de ver tal calçado à venda. Falo daquelas mesmo oficiais. Que imitações e apegreides é o que não falta para aí.
Deixei de ir à praia. Ou quase. Penso se terá o caso a ver com a falta de sandálias de uma cor nova. Talvez.
As penúltimas que comprei eram dessas já especiais de corrida. Pretas e com o arco-íris nas fitas. Arco-íris? Pois! Nesse tempo longínquo era apenas um arco-íris, a luz visível.
As últimas, foram há dias atrás. São amarelas, de fita cor-de-laranja.
E têm um saúrio, unzinho só, assim à maneira do Escher.
Tem que estar muito calor aqui (fui ver – estão 29º) para eu escrever tanto disparate.
E publicá-lo. Coisa que vou fazer a seguir, mesmo que não faça sentido dizê-lo assim, depois de já terem lido (corajosos!).
É do calor, acreditem.
29/07/2007
Coisas assim
Aquilo que ouvi hoje em dois canais distintos de televisão, em línguas distintas, ilustra bem o estado a que chegámos no que respeita a informação, a jornalismo.
Para quem não sabe, houve na sexta-feira em Phoenix uma colisão entre dois helicópteros ao serviço de televisões, que se dedicavam a seguir um tipo que fugia, de carro, à polícia. Morreram quatro pessoas.
Já todos vimos essas perseguições filmadas do ar. Se bem que sem acidentes de helicóptero.
O que me deixou de ouvido à banda foi a informação de que o caçado – que o foi mesmo – pode ser acusado por responsabilidade na morte destas quatro pessoas.
Haja ou não um fundo de verdade nesta afirmação, o resultado é igualmente absurdo e muito ilustrativo. E já agora, exemplar. Não sei é de quê, mais uma vez.
Aquilo que ouvi hoje em dois canais distintos de televisão, em línguas distintas, ilustra bem o estado a que chegámos no que respeita a informação, a jornalismo.
Para quem não sabe, houve na sexta-feira em Phoenix uma colisão entre dois helicópteros ao serviço de televisões, que se dedicavam a seguir um tipo que fugia, de carro, à polícia. Morreram quatro pessoas.
Já todos vimos essas perseguições filmadas do ar. Se bem que sem acidentes de helicóptero.
O que me deixou de ouvido à banda foi a informação de que o caçado – que o foi mesmo – pode ser acusado por responsabilidade na morte destas quatro pessoas.
Haja ou não um fundo de verdade nesta afirmação, o resultado é igualmente absurdo e muito ilustrativo. E já agora, exemplar. Não sei é de quê, mais uma vez.
28/07/2007
Portugal, 2005
Assim, à segunda vista, não há nada de invulgar neste bedouro, como se diz lá para as minhas bandas.
Falta-lhe a torneira em cima ou o constante repuxo, pelo que está inutilizado.
E, aproveitando a canalização, lá está uma torneirinha para a rega, como se subentende pela mangueira anexa.
Não se pode é dizer, dadas as circunstâncias, que não pareça, de repente, uma construção digna da lógica reinante.
Assim, à segunda vista, não há nada de invulgar neste bedouro, como se diz lá para as minhas bandas.
Falta-lhe a torneira em cima ou o constante repuxo, pelo que está inutilizado.
E, aproveitando a canalização, lá está uma torneirinha para a rega, como se subentende pela mangueira anexa.
Não se pode é dizer, dadas as circunstâncias, que não pareça, de repente, uma construção digna da lógica reinante.
27/07/2007
26/07/2007
Le tour de France
Há uma espécie de falso pudor virginal nesta história à volta da volta à França e do ciclismo em geral.
Mas afinal desde quando é que andaram todos os que agora parecem surpreendidos, a enterrar a cabeça na areia?
Eu continuo a gostar de ciclismo da mesma forma e com a mesma admiração, desde a ribeira do Vascão.
Mas não confundo ciclismo com desporto, tal como não confundo com desporto a grande parte das actividades que como tal são designadas, o futebol por exemplo.
Há uma espécie de falso pudor virginal nesta história à volta da volta à França e do ciclismo em geral.
Mas afinal desde quando é que andaram todos os que agora parecem surpreendidos, a enterrar a cabeça na areia?
Eu continuo a gostar de ciclismo da mesma forma e com a mesma admiração, desde a ribeira do Vascão.
Mas não confundo ciclismo com desporto, tal como não confundo com desporto a grande parte das actividades que como tal são designadas, o futebol por exemplo.
25/07/2007
A morte dos mapas em papel
Sei lá quando começou esta minha paixão pela cartografia, pelos mapas do estado das estradas, pela navegação de carta no colo.
Certa vez, vi-me comparado ao patriarca de Macondo, fechado num quarto com mapas portugueses.
Percebi ao longo da vida que esta minha paixão era abstrusa para a maioria.
E que para essa maioria, um mapa era uma coisa estranha, difícil de interpretar e de utilidade mais do que duvidosa.
Apercebi-me que esse era um dos factores que fazia com que o rebanho se encaminhasse todo para os mesmos percursos, deixando livres e desimpedidos valiosos caminhos secundários, de norte a sul.
Hoje, alguém entrou no H Gasolim Ultramarino através desta pesquisa:
lisboa a vila nova de milfontes estradas
E, apesar de, lá conseguiu a dica que se encontra em primeiro lugar nos resultados.
Isto fez lembrar-me de um episódio que faz parte da lenda, melhor dizendo do anedotário familiar.
No tempo em que a ida a banhos se fazia em comboio de tracção animal, contemplando carro com bagagem para três meses e até carrada de lenha. Coisa anterior ao maquedame que haveria de justificar a compra de automóveis, anos mais tarde.
Numa dessas idas, que eram de muitas e muitas horas até Vila Nova, falhou qualquer coisa. O navegador habitual estava impedido por qualquer razão e como a primeira parte da viagem era feita na calada da noite, sucedeu que a antemanhã os surpreendeu à vista da vila, posto que tinham circumnavegado.
Conheci alguns almocreves que foram lá do monte. Nenhum deles admitiu estar nessa caravana, lá pelo final dos anos 30.

trecho do Plano Rodoviário de 1945 (JAE)
Ah, os mapas em papel.
Pois parece que têm os dias contados.
Sei lá quando começou esta minha paixão pela cartografia, pelos mapas do estado das estradas, pela navegação de carta no colo.
Certa vez, vi-me comparado ao patriarca de Macondo, fechado num quarto com mapas portugueses.
Percebi ao longo da vida que esta minha paixão era abstrusa para a maioria.
E que para essa maioria, um mapa era uma coisa estranha, difícil de interpretar e de utilidade mais do que duvidosa.
Apercebi-me que esse era um dos factores que fazia com que o rebanho se encaminhasse todo para os mesmos percursos, deixando livres e desimpedidos valiosos caminhos secundários, de norte a sul.
Hoje, alguém entrou no H Gasolim Ultramarino através desta pesquisa:
lisboa a vila nova de milfontes estradas
E, apesar de, lá conseguiu a dica que se encontra em primeiro lugar nos resultados.
Isto fez lembrar-me de um episódio que faz parte da lenda, melhor dizendo do anedotário familiar.
No tempo em que a ida a banhos se fazia em comboio de tracção animal, contemplando carro com bagagem para três meses e até carrada de lenha. Coisa anterior ao maquedame que haveria de justificar a compra de automóveis, anos mais tarde.
Numa dessas idas, que eram de muitas e muitas horas até Vila Nova, falhou qualquer coisa. O navegador habitual estava impedido por qualquer razão e como a primeira parte da viagem era feita na calada da noite, sucedeu que a antemanhã os surpreendeu à vista da vila, posto que tinham circumnavegado.
Conheci alguns almocreves que foram lá do monte. Nenhum deles admitiu estar nessa caravana, lá pelo final dos anos 30.

trecho do Plano Rodoviário de 1945 (JAE)
Ah, os mapas em papel.
Pois parece que têm os dias contados.
24/07/2007
Um homem chamado Governo
Já aqui citei a história ao de leve.
Mas hoje vem a propósito da data.
Conta Luz Soriano, na História da Guerra Civil, que na manhã de 24 de Julho de 1833, um homem chamado António Joaquim Governo terá resolvido por sua iniciativa o impasse da guerra:
“Rebentára pois a manhã do citado dia 24 de julho, quando, seriam então quatro horas, um homem do povo, chamado Antonio Joaquim Governo, de profissão alfaiate, e primeiro sargento da oitava companhia do segundo batalhão do regimento de ordenanças da côrte, arrebatado dos desejos de fazer apparecer a insurreição, se dirigiu ao caes do Sodré, onde achou em contestações junto do mesmo caes os catraeiros, que já ali se achavam, por causa de um d’elles haver levado a bordo da Mixeriqueira alguem que d’este navio pretendia passar ao Porto. Antonio Joaquim metteu-se entre os ditos catraeiros, a pretexto de os accommodar, e quando os julgou dispostos já a seu favor, tomou a resolução de romper em vivas e acclamações a sua magestade, a rainha D.Maria II, e à carta constitucional, tendo por si a fortuna de ser logo seguido por varios dos circumstantes, a que depois se reuniram alguns dos operarios, que vinham para os seus trabalhos do arsenal da marinha.
Este facto, presenciado de Cacilhas e Almada pela divisão constitucional do duque da Terceira, fez-lhe logo suppor, que algum movimento revolucionario se achava em começo em Lisboa, pensando nós também que este mesmo facto fôra um dos motivos, que levára o governador, e a guarnição do castello de Almada, a entregar-se ao referido duque, o que varios dos seus defensores fizeram, fugindo outros para a Trafaria, como já vimos. Alcançado assim este triumpho, o mesmo Antonio Joaquim Governo, enthusiasmado por elle, passou do caes do Sodré ao largo do Corpo Santo, acompanhado já por bastantes individuos da sua classe, e sentimentos iguaes aos seus. No referido largo encontrou elle alguns soldados, que com as bagagens dos seus respectivos corpos, se dirigiam para o Campo Grande, para lá se reunirem a elles. Governo e os seus companheiros lançaram-se atrevidamente aos referidos soldados, tendo a fortuna de os desarmar, sem haverem soffrido incommodo algum.
Do largo do Corpo Santo passaram depois ao do Pelourinho, e encarando com o arsenal da marinha, onde estavam de guarda alguns voluntarios realistas, tomaram os amotinados a resolução de se lhes apoderarem das armas, que por um dos postigos, que estava aberto na porta principal, viram encostadas a um dos pilares do telheiro fronteiro à capella de S. Roque. Foi o mesmo Antonio Joaquim Governo o que lhes deu o exemplo para esta façanha, que os levou a assenhorearem-se das referidas armas, sem que alguem se atrevesse a embaraçar-lhes o passo, pois que elle Governo, depois de as ter assabarcado todas a si, bem como as respectivas patronas e cartuchame, que dentro d’ellas havia, fez de todas estas cousas franca distribuição pelos seus associados. Eis-aqui pois como appareceu em publico armada e municiada a primeira porção dos amotinados em favor da causa liberal. A ella principiaram depois a reunir-se na cidade baixa outras porções de povo, visto não haver auctoridade alguma miguelista, que lhes impedisse o seu agrupamento, ou procurasse dominar a revolução. Da dita cidade baixa passaram os revolucionarios ao Limoeiro, onde soltaram os presos, seguindo-se-lhe depois todos os mais actos, que pozeram a revolução em caminho plano para o seu triumpho.
Antonio Joaquim Governo era um grande fallador, com a monomania de ter sido elle o auctor da revolução liberal, rebentada em Lisboa em 24 de julho de 1833. Arrastado por esta crença, veiu uma vez procurar-me a minha casa, para me confiar um documento passado em julgado, baseando-se a respectiva sentença, no depoimento unanime das testemunhas que apresentou, para provar os seus allegados serviços, exigindo tambem que eu os consignasse na minha historia, o que agora faço, convencido de que este homem já morreu ha muitos annos. Entretanto é um facto, que pelos seus ditos serviços foi nomeado, em 1 de Julho de 1835, continuo addido á repartição do ajudante general, d’onde depois passou para o ministerio da guerra, quando se extinguiu o estado maior general, e o commando em chefe do exercito, achando-se em outubro de 1867 em primeiro continuo da respectiva secretaria d’estado, tendo já sido preterido para o logar de porteiro por um outro individuo, que tendo menos serviços, é provavel que tivesse por si maiores empenhos, porque emfim, já muito antes de 1867, o ter por si bons serviços á causa constitucional, despidos de protecções clubisticas, eleitoraes e partidarias, embora taes serviços fossem prestados em arriscada epocha, de pouco, ou nada serviam para conseguir empregos. Nenhum liberal de boa fé pensou jamais até 1834, ou 1835, que o systema liberal, havia de facto ser o que desde então até hoje todos temos visto. Todavia, parece-nos tambem que Antonio Joaquim Governo, semi-doido como era, não estava no caso de ser nomeado porteiro, emprego que exige já mais alguma coisa de juizo e merito do que este homem tinha, ou mostrava ter, sendo por fim reformado no lugar de continuo.”
Esta história, tendo ou não o seu fundo de verdade, faz lembrar que muitos desenlaces se dão de forma similar, fruto daquilo a que se costuma chamar acaso, custando por isso muitas vezes aturar o certezismo causa-efeito de alguns historiadores.
Luz Soriano, Simão José da; “Historia da Guerra Civil e do estabelecimento do governo parlamentar em Portugal”, 3ª época - tomo IV, Imprensa Nacional, Lisboa, 1884, pp. 389 a 391.
fac simile na BND – pp. 389 390 391
Já aqui citei a história ao de leve.
Mas hoje vem a propósito da data.
Conta Luz Soriano, na História da Guerra Civil, que na manhã de 24 de Julho de 1833, um homem chamado António Joaquim Governo terá resolvido por sua iniciativa o impasse da guerra:
“Rebentára pois a manhã do citado dia 24 de julho, quando, seriam então quatro horas, um homem do povo, chamado Antonio Joaquim Governo, de profissão alfaiate, e primeiro sargento da oitava companhia do segundo batalhão do regimento de ordenanças da côrte, arrebatado dos desejos de fazer apparecer a insurreição, se dirigiu ao caes do Sodré, onde achou em contestações junto do mesmo caes os catraeiros, que já ali se achavam, por causa de um d’elles haver levado a bordo da Mixeriqueira alguem que d’este navio pretendia passar ao Porto. Antonio Joaquim metteu-se entre os ditos catraeiros, a pretexto de os accommodar, e quando os julgou dispostos já a seu favor, tomou a resolução de romper em vivas e acclamações a sua magestade, a rainha D.Maria II, e à carta constitucional, tendo por si a fortuna de ser logo seguido por varios dos circumstantes, a que depois se reuniram alguns dos operarios, que vinham para os seus trabalhos do arsenal da marinha.
Este facto, presenciado de Cacilhas e Almada pela divisão constitucional do duque da Terceira, fez-lhe logo suppor, que algum movimento revolucionario se achava em começo em Lisboa, pensando nós também que este mesmo facto fôra um dos motivos, que levára o governador, e a guarnição do castello de Almada, a entregar-se ao referido duque, o que varios dos seus defensores fizeram, fugindo outros para a Trafaria, como já vimos. Alcançado assim este triumpho, o mesmo Antonio Joaquim Governo, enthusiasmado por elle, passou do caes do Sodré ao largo do Corpo Santo, acompanhado já por bastantes individuos da sua classe, e sentimentos iguaes aos seus. No referido largo encontrou elle alguns soldados, que com as bagagens dos seus respectivos corpos, se dirigiam para o Campo Grande, para lá se reunirem a elles. Governo e os seus companheiros lançaram-se atrevidamente aos referidos soldados, tendo a fortuna de os desarmar, sem haverem soffrido incommodo algum.
Do largo do Corpo Santo passaram depois ao do Pelourinho, e encarando com o arsenal da marinha, onde estavam de guarda alguns voluntarios realistas, tomaram os amotinados a resolução de se lhes apoderarem das armas, que por um dos postigos, que estava aberto na porta principal, viram encostadas a um dos pilares do telheiro fronteiro à capella de S. Roque. Foi o mesmo Antonio Joaquim Governo o que lhes deu o exemplo para esta façanha, que os levou a assenhorearem-se das referidas armas, sem que alguem se atrevesse a embaraçar-lhes o passo, pois que elle Governo, depois de as ter assabarcado todas a si, bem como as respectivas patronas e cartuchame, que dentro d’ellas havia, fez de todas estas cousas franca distribuição pelos seus associados. Eis-aqui pois como appareceu em publico armada e municiada a primeira porção dos amotinados em favor da causa liberal. A ella principiaram depois a reunir-se na cidade baixa outras porções de povo, visto não haver auctoridade alguma miguelista, que lhes impedisse o seu agrupamento, ou procurasse dominar a revolução. Da dita cidade baixa passaram os revolucionarios ao Limoeiro, onde soltaram os presos, seguindo-se-lhe depois todos os mais actos, que pozeram a revolução em caminho plano para o seu triumpho.
Antonio Joaquim Governo era um grande fallador, com a monomania de ter sido elle o auctor da revolução liberal, rebentada em Lisboa em 24 de julho de 1833. Arrastado por esta crença, veiu uma vez procurar-me a minha casa, para me confiar um documento passado em julgado, baseando-se a respectiva sentença, no depoimento unanime das testemunhas que apresentou, para provar os seus allegados serviços, exigindo tambem que eu os consignasse na minha historia, o que agora faço, convencido de que este homem já morreu ha muitos annos. Entretanto é um facto, que pelos seus ditos serviços foi nomeado, em 1 de Julho de 1835, continuo addido á repartição do ajudante general, d’onde depois passou para o ministerio da guerra, quando se extinguiu o estado maior general, e o commando em chefe do exercito, achando-se em outubro de 1867 em primeiro continuo da respectiva secretaria d’estado, tendo já sido preterido para o logar de porteiro por um outro individuo, que tendo menos serviços, é provavel que tivesse por si maiores empenhos, porque emfim, já muito antes de 1867, o ter por si bons serviços á causa constitucional, despidos de protecções clubisticas, eleitoraes e partidarias, embora taes serviços fossem prestados em arriscada epocha, de pouco, ou nada serviam para conseguir empregos. Nenhum liberal de boa fé pensou jamais até 1834, ou 1835, que o systema liberal, havia de facto ser o que desde então até hoje todos temos visto. Todavia, parece-nos tambem que Antonio Joaquim Governo, semi-doido como era, não estava no caso de ser nomeado porteiro, emprego que exige já mais alguma coisa de juizo e merito do que este homem tinha, ou mostrava ter, sendo por fim reformado no lugar de continuo.”
Esta história, tendo ou não o seu fundo de verdade, faz lembrar que muitos desenlaces se dão de forma similar, fruto daquilo a que se costuma chamar acaso, custando por isso muitas vezes aturar o certezismo causa-efeito de alguns historiadores.
Luz Soriano, Simão José da; “Historia da Guerra Civil e do estabelecimento do governo parlamentar em Portugal”, 3ª época - tomo IV, Imprensa Nacional, Lisboa, 1884, pp. 389 a 391.
fac simile na BND – pp. 389 390 391
23/07/2007
Uma questão de mantissa
Era assim que eu exemplificava a relação entre massa e altura, nos homens.
Fazia-me forte enquanto ela se contorcia sob o véu branco da túnica e exibia os seios em toda a grandeza e esplendor, para usar o mais comum dos lugares, que era o meu.
Alguém tinha dito que eu a abandonara, horas ou minutos antes, na mesa do antigo presidente da câmara.
Entretanto não se passava em lado nenhum. As chuvadas de verão tinham enchido os barrancos e transformado em lamaçais intransponíveis os caminhos nas portelas, nos corgos e nas várzeas.
Só com tractores de rasto – dizia um.
Ela fazia-me esquecer a impossibilidade de ir ao monte.
Deitava-se algures com a luz por trás.
E eu saía para a praia. Logo ali ao começo do caminho, verificava que a maré cheia a desfazia por completo. Nem um assomo de areia, à excepção do acesso onde me encontrava.
Metia a viola no saco e voltava.
Ela estava sentada na mesa do antigo presidente da câmara. Sem o dito.
Só com crianças, praticando o magistério.
Ergueu os olhos, quando entrei no café. Terminou a lição e disse que era hora de tomar indecisões.
Era assim que eu exemplificava a relação entre massa e altura, nos homens.
Fazia-me forte enquanto ela se contorcia sob o véu branco da túnica e exibia os seios em toda a grandeza e esplendor, para usar o mais comum dos lugares, que era o meu.
Alguém tinha dito que eu a abandonara, horas ou minutos antes, na mesa do antigo presidente da câmara.
Entretanto não se passava em lado nenhum. As chuvadas de verão tinham enchido os barrancos e transformado em lamaçais intransponíveis os caminhos nas portelas, nos corgos e nas várzeas.
Só com tractores de rasto – dizia um.
Ela fazia-me esquecer a impossibilidade de ir ao monte.
Deitava-se algures com a luz por trás.
E eu saía para a praia. Logo ali ao começo do caminho, verificava que a maré cheia a desfazia por completo. Nem um assomo de areia, à excepção do acesso onde me encontrava.
Metia a viola no saco e voltava.
Ela estava sentada na mesa do antigo presidente da câmara. Sem o dito.
Só com crianças, praticando o magistério.
Ergueu os olhos, quando entrei no café. Terminou a lição e disse que era hora de tomar indecisões.
A barquinha voadora do Professor Pardal
O sonho de uma vida.
Ter um veículo voador descapotável, meio termo entre o carro anfíbio e o disco voador, similar a uma das muitas versões da barquinha voadora do Professor Pardal.
Vermelho e com estofos canelados, é claro.

Este, a bem dizer, não se parece muito.
Apenas o suficiente para eu também querer ter um.
Esta parte da história da aeronáutica tem objectos curiosos.
O sonho de uma vida.
Ter um veículo voador descapotável, meio termo entre o carro anfíbio e o disco voador, similar a uma das muitas versões da barquinha voadora do Professor Pardal.
Vermelho e com estofos canelados, é claro.

Este, a bem dizer, não se parece muito.
Apenas o suficiente para eu também querer ter um.
Esta parte da história da aeronáutica tem objectos curiosos.
22/07/2007
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