14/10/2007
O PSD
A única coisa que me ocorreu ao ver trechos deste congresso do PSD e particularmente ao ver Santana Lopes e Menezes lado a lado, é que ambos deveriam ter lá a sua nostalgia de não terem sido eleitos na antiga luta de moções que ali por vezes se processava com o aparato que sabemos.
Pode parecer paradoxal esta sensação que tive, dadas as circunstâncias da história que se conhece, mas que a tive...
A única coisa que me ocorreu ao ver trechos deste congresso do PSD e particularmente ao ver Santana Lopes e Menezes lado a lado, é que ambos deveriam ter lá a sua nostalgia de não terem sido eleitos na antiga luta de moções que ali por vezes se processava com o aparato que sabemos.
Pode parecer paradoxal esta sensação que tive, dadas as circunstâncias da história que se conhece, mas que a tive...
12/10/2007
Rever em baixa
Num tempo de eufemismos, de falsa ciência e de moles de papagaios pavões, a insuportável expressão rever em baixa corresponde à que aprendi do meu Pai, oficial miliciano de artilharia ao tempo das manobras de Pegões – corrigir o tiro.
Quanto a mim, aproveito o ensejo para rever mais uma vez em baixa a mediana do QI dos nossos governantes. O mau tiro inicial foi meu. Alto de mais.
Num tempo de eufemismos, de falsa ciência e de moles de papagaios pavões, a insuportável expressão rever em baixa corresponde à que aprendi do meu Pai, oficial miliciano de artilharia ao tempo das manobras de Pegões – corrigir o tiro.
Quanto a mim, aproveito o ensejo para rever mais uma vez em baixa a mediana do QI dos nossos governantes. O mau tiro inicial foi meu. Alto de mais.
A minha ponte de Glienecke

Esperando sob as suas vigas as páginas soltas de um livro lançado avulso da janela do comboio.
Ao fundo do quintal.

Esperando sob as suas vigas as páginas soltas de um livro lançado avulso da janela do comboio.
Ao fundo do quintal.
10/10/2007
09/10/2007
Os pés pelas mãos
É o que mete a polícia inglesa, o sistema judicial e o Estado britânico no caso de Jean Charles de Menezes.
Tanta imbecilidade reiterada quase excede as expectativas. E obviamente que não me refiro ao que dizem os jornalistas.
É o que mete a polícia inglesa, o sistema judicial e o Estado britânico no caso de Jean Charles de Menezes.
Tanta imbecilidade reiterada quase excede as expectativas. E obviamente que não me refiro ao que dizem os jornalistas.
O homem dos sestércios
Era talvez dos que conheci, o mais Homem das Arábias.
A única vez em que lhe adentrei as portas, vi-me num museu.
Era um tipo invulgar, de facto. Da aparência, estranha mas nada exuberante, aos interesses.
Alguns deles coincidentes com os meus. As moedas, o totobola, o aroma feminino que ele me caracterizou certa vez em curta máxima.
Um dia, o álcool forçou-o a oferecer-me um punhado de sestércios. Logo, já eram moedas de ouro. Naturalmente, recusei a oferta quase correndo o risco de o ofender.
Anos mais tarde, vindo de um coincidência feminil e geográfica com as suas origens, fui encontrá-lo no habitual despacho de esplanada e ofereci-lhe, por isso, a “Orla Marítima” que acabara de comprar.
Lá estará no seu espólio com a nota da coincidência desse dia.
Era talvez dos que conheci, o mais Homem das Arábias.
A única vez em que lhe adentrei as portas, vi-me num museu.
Era um tipo invulgar, de facto. Da aparência, estranha mas nada exuberante, aos interesses.
Alguns deles coincidentes com os meus. As moedas, o totobola, o aroma feminino que ele me caracterizou certa vez em curta máxima.
Um dia, o álcool forçou-o a oferecer-me um punhado de sestércios. Logo, já eram moedas de ouro. Naturalmente, recusei a oferta quase correndo o risco de o ofender.
Anos mais tarde, vindo de um coincidência feminil e geográfica com as suas origens, fui encontrá-lo no habitual despacho de esplanada e ofereci-lhe, por isso, a “Orla Marítima” que acabara de comprar.
Lá estará no seu espólio com a nota da coincidência desse dia.
07/10/2007
Insondáveis mistérios da mente humana (m+1)
Os contadores e registadores de visitas são um manancial inesgotável destes mistérios:
fotos da casa dos meus sonhos
Os contadores e registadores de visitas são um manancial inesgotável destes mistérios:
fotos da casa dos meus sonhos
05/10/2007
O palestiniano armado
Em me dando a velhice, vem a coscuvilhice.
Eu que nunca mas nunca quis saber da vida alheia e tinha raiva de quem queria.
Há pouco perguntei ali no café: “O que é feito de Fulano de Tal?”
“Ah, esse! Fugiu. Armado. Não dava assistência em casa. Era contador dia e noite.”
Eu na altura não escrevi que ele se dizia nascido na Palestina.
Em me dando a velhice, vem a coscuvilhice.
Eu que nunca mas nunca quis saber da vida alheia e tinha raiva de quem queria.
Há pouco perguntei ali no café: “O que é feito de Fulano de Tal?”
“Ah, esse! Fugiu. Armado. Não dava assistência em casa. Era contador dia e noite.”
Eu na altura não escrevi que ele se dizia nascido na Palestina.
Argumentário
Uma das técnicas de argumentação hoje muito em voga baseia-se em retirar conclusões absurdas ou impossíveis do discurso do contendor.
E depois ir por redução ao absurdo, “demonstrando” assim a invalidade das ideias contrárias.
Isto parece resultar em função da ressonância que tem na imprensa, sempre mal preparada e sempre adsorvente.
Uma das técnicas de argumentação hoje muito em voga baseia-se em retirar conclusões absurdas ou impossíveis do discurso do contendor.
E depois ir por redução ao absurdo, “demonstrando” assim a invalidade das ideias contrárias.
Isto parece resultar em função da ressonância que tem na imprensa, sempre mal preparada e sempre adsorvente.
04/10/2007
03/10/2007
O ponto mais a noroeste (continuação)
A hipótese que apresento para a definição de um ponto (ou pontos) mais a noroeste, nordeste, sudoeste ou sueste de um dado território é a seguinte:
Determinem-se os pontos mais a norte (N), a sul (S), a este (E) e a oeste (O) desse território.
Considerem-se os dois paralelos e os dois meridianos que contêm estes pontos.
Da intersecção de cada paralelo com cada meridiano resultam dois pontos. Apenas nos interessa o ponto mais próximo do território em questão.
Obtemos assim quatro pontos, na intersecção próxima de cada meridiano com cada paralelo.
Pela posição relativa de cada um, serão designados de noroeste virtual (NO'), nordeste virtual (NE'), sudoeste virtual (SO') e sueste (SE') virtual.
O ponto do território que mais próximo estiver de cada um destes “pólos” virtuais, será o seu ponto mais a noroeste, a nordeste, a sudoeste ou a sueste, respectivamente.

adenda:
Nestas condições, em Portugal continental os pontos serão em três casos os quase óbvios e noutro, a nordeste, menos fácil de identificar, os seguintes:
NO – Ínsua do Forte da dita, em Caminha
NE – No sítio das Gândaras, a este das minas de Guadramil, em Bragança, cerca de 248 m a NNO do marco fronteiriço nº 413 (ver trecho da carta militar)
SO – Cabo de São Vicente, em Vila do Bispo
SE – Ponta de Santo António, em Vila Real de Santo António
A hipótese que apresento para a definição de um ponto (ou pontos) mais a noroeste, nordeste, sudoeste ou sueste de um dado território é a seguinte:
Determinem-se os pontos mais a norte (N), a sul (S), a este (E) e a oeste (O) desse território.
Considerem-se os dois paralelos e os dois meridianos que contêm estes pontos.
Da intersecção de cada paralelo com cada meridiano resultam dois pontos. Apenas nos interessa o ponto mais próximo do território em questão.
Obtemos assim quatro pontos, na intersecção próxima de cada meridiano com cada paralelo.
Pela posição relativa de cada um, serão designados de noroeste virtual (NO'), nordeste virtual (NE'), sudoeste virtual (SO') e sueste (SE') virtual.
O ponto do território que mais próximo estiver de cada um destes “pólos” virtuais, será o seu ponto mais a noroeste, a nordeste, a sudoeste ou a sueste, respectivamente.

adenda:
Nestas condições, em Portugal continental os pontos serão em três casos os quase óbvios e noutro, a nordeste, menos fácil de identificar, os seguintes:
NO – Ínsua do Forte da dita, em Caminha
NE – No sítio das Gândaras, a este das minas de Guadramil, em Bragança, cerca de 248 m a NNO do marco fronteiriço nº 413 (ver trecho da carta militar)
SO – Cabo de São Vicente, em Vila do Bispo
SE – Ponta de Santo António, em Vila Real de Santo António
02/10/2007
O ponto mais a noroeste
Qual será a definição do ponto (ou pontos) mais a noroeste de um dado território?
Eu tenho uma hipótese para tal definição.
A verdade é que depois de andar com esta ideia na cabeça há alguns séculos, lembrei-me hoje de verificar que referências haveria a um ponto tal.
Há inúmeras na rede. De todas as que consultei, a definição de um ponto mais a noroeste (northwesternmost point - já que estas coisas procuro-as sempre em inglês) parece ser algo de óbvio, como o ponto mais ocidental ou o ponto mais setentrional. Não é, de facto.
Há por aí alguém que tenha uma hipótese também?
P.S. Júlia, O Sporting ganhou!
Qual será a definição do ponto (ou pontos) mais a noroeste de um dado território?
Eu tenho uma hipótese para tal definição.
A verdade é que depois de andar com esta ideia na cabeça há alguns séculos, lembrei-me hoje de verificar que referências haveria a um ponto tal.
Há inúmeras na rede. De todas as que consultei, a definição de um ponto mais a noroeste (northwesternmost point - já que estas coisas procuro-as sempre em inglês) parece ser algo de óbvio, como o ponto mais ocidental ou o ponto mais setentrional. Não é, de facto.
Há por aí alguém que tenha uma hipótese também?
P.S. Júlia, O Sporting ganhou!
01/10/2007
30/09/2007
O mês das descobertas
O mês que ora finda desvelou três dos quatro pontos encobertos que atravessaram a escrita deste blogue.
Em primeiro lugar, o livro. Encontrar e arrematar um exemplar da “Terra não é esférica” era uma aspiração antiga que se tornou mais intensa desde que a trouxe para aqui, falando nela. Resolveu-se este mês.
Depois, o “Cigano do Amor”. Descubro neste mesmo mês que há uma versão cantada pelo Clemente. Não é a mesma coisa do que o Cauby ou o Petrónio mas deu para matar as saudades, mesmo que não tivesse sido ouvida andando de disco voador.
E, por último, notícias do acidente dito do “Rápido do Algarve”. Descobri uma ponta da meada sem me levantar da secretária. Resta-me partir para as hemerotecas e arquivos de jornal. Um dia destes, haverá uma notícia aqui.
Continua envolto em bruma o mistério do macaréu de Santo André. Mas lá chegarei.
!!!!!!!!! - Já depois de ter escrito este post, descobri o “Cigano do Amor” cantado pelo Francisco Petrónio!
O mês que ora finda desvelou três dos quatro pontos encobertos que atravessaram a escrita deste blogue.
Em primeiro lugar, o livro. Encontrar e arrematar um exemplar da “Terra não é esférica” era uma aspiração antiga que se tornou mais intensa desde que a trouxe para aqui, falando nela. Resolveu-se este mês.
Depois, o “Cigano do Amor”. Descubro neste mesmo mês que há uma versão cantada pelo Clemente. Não é a mesma coisa do que o Cauby ou o Petrónio mas deu para matar as saudades, mesmo que não tivesse sido ouvida andando de disco voador.
E, por último, notícias do acidente dito do “Rápido do Algarve”. Descobri uma ponta da meada sem me levantar da secretária. Resta-me partir para as hemerotecas e arquivos de jornal. Um dia destes, haverá uma notícia aqui.
Continua envolto em bruma o mistério do macaréu de Santo André. Mas lá chegarei.
!!!!!!!!! - Já depois de ter escrito este post, descobri o “Cigano do Amor” cantado pelo Francisco Petrónio!
29/09/2007
O truque das cartas
Não pude deixar de espreitar.
O homem, todo encafuado num preparo para enfrentar a chuva, estava rodeado de crianças.
O íman era um baralho de cartas.
Sendo pouco provável que com tal público se preparasse uma vermelhinha, haveria de haver qualquer magia por ali.
Foi há pouco, aqui ao pé da porta, ao abrigo do temporal.

William Roberts, The Card Trick (óleo sobre tela), c. 1968
© The Estate of John David Roberts
Queria ilustrar isto com outro truque de cartas, mas estranhamente não o encontrei.
Não pude deixar de espreitar.
O homem, todo encafuado num preparo para enfrentar a chuva, estava rodeado de crianças.
O íman era um baralho de cartas.
Sendo pouco provável que com tal público se preparasse uma vermelhinha, haveria de haver qualquer magia por ali.
Foi há pouco, aqui ao pé da porta, ao abrigo do temporal.

William Roberts, The Card Trick (óleo sobre tela), c. 1968
© The Estate of John David Roberts
Queria ilustrar isto com outro truque de cartas, mas estranhamente não o encontrei.
28/09/2007
27/09/2007
La mort e outras personagens
Muito raramente ando de transportes públicos. Já houve tempo em que o fazia todos os dias.
Por isso hoje reconheci no comboio uma série de personagens – o cego adormecido, a mulher do pokémon, a do livro empinado, as secundárias de qualquer noite de estroinice e mais umas quantas de menor importância.
Mas a que mais se destacou foi a moça com cara de morte.
Era ela mesmo, num qualquer filme francês, ali mesmo à minha frente.
Olhei-a nos olhos. Se dúvidas houvesse...
Muito raramente ando de transportes públicos. Já houve tempo em que o fazia todos os dias.
Por isso hoje reconheci no comboio uma série de personagens – o cego adormecido, a mulher do pokémon, a do livro empinado, as secundárias de qualquer noite de estroinice e mais umas quantas de menor importância.
Mas a que mais se destacou foi a moça com cara de morte.
Era ela mesmo, num qualquer filme francês, ali mesmo à minha frente.
Olhei-a nos olhos. Se dúvidas houvesse...
26/09/2007
O homem que imergia em champagne e que há pouco morreu por engano
Fui lá a negócios. A casa do homem. Ou ao seu despacho.
Não tinha muito que saber a sala do dito.
Uma banheira com grades tipo cama de criança cheia de champagne. O próprio lá dentro, irrepreensivelmente vestido, de flor na botoeira.
Ao lado apenas uma caixa de cartão, encetada, talvez de meia dúzia. Um pouco atrás um pequeno frigorífico de onde retirava gelo e baldes arrefecidos. Mais afastada, a pilha de baldes usados e um número de garrafas vazias fazia notar a ausência de empregados.
Depois de tratada a nossa questão e era intrincada a coisa, embora resolvida num ápice, contemplou-me com uma garrafa nova. Os gestos que fez, de dentro do berço, pareceram-me naturalmente maquinais. Torceu à direita alta, abriu a porta do frigorífico, tirou um balde, abriu o congelador, tirou gelo, inclinou-se a bombordo e fez mais um rasgão no cartão da caixa. Retirou a garrafa e colocou-a no balde. Depois fez o improvável, semi-mergulhou o balde no leito da cama, deixando entrar champagne do molho para dentro dele, balde.
Acendeu um charuto que tirou juntamente com os fósforos de onde não percebi e deixou-se ficar à espera da minha pergunta.
E eu fi-la. Pedindo desculpa por ser indiscreto após a formalidade do nosso acordo, perguntei quantas garrafas bebia por dia, sem me referir às que gastaria com o caldo.
Ah, umas quatro a cinco caixas por semana – respondeu-me displicente.
Fiz as contas rapidamente. Se as caixas fossem como esta, de seis garrafas, dava um número entre vinte e quatro e trinta garrafas por semana. A dividir por sete... achei pouco.
Saindo da banheira, explicou-me a forma como era tratado pelo fornecedor francês, era uma coisa quase just in time, sem falha alguma desde o começo.
Face ao que me acabara de dizer e isto referia-se à parte da conversa que aqui não posso mencionar, perguntei-lhe se nada temia.
Mostrou-se tão ou mais displicente do que ao servir-me ou ao dar-me o número de caixas – Não!
Foi nessa altura que julguei ver no olhar que alvejava ao meu lado esquerdo, para lá da janela que estava nas minhas costas, um ligeiro estremecimento.
Virei-me. Divisei, quase escondidos pelo altíssimo muro do pátio, dois helicópteros ao longe. A um longe de meio minuto talvez.
Os helicópteros! – exclamei. Não pareceu ser isso o que o incomodava.
Acerquei-me da janela. No pátio, avistei um Fiat 127 que tinha um cão na chapeleira. Era um cão a sério, de carne e osso, que me fitava, embora eu estivesse uns bons cinco andares acima.
O tipo que estava ao volante iniciou uma manobra de saída do carro mas ficou a meia haste, com parte do corpo de fora mas a cabeça dentro, talvez dando ordens ao cão.
Divisei ainda uns outros tipos suspeitos, uma espécie de TP21 da Polícia e ao voltar-me vi que o homem se tinha transfigurado. Estava assustado, enfim.
Reparei então que a porta que dava para o exterior não tinha nenhum tipo de fecho. Era apenas a mola que a mantinha encostada.
Precipitei-me para ela, ainda pensando no que haveria de usar para a trancar.
Ainda não a tinha atingido quando ela abriu, ligeiramente. Com pouca força impedi que abrisse. Olhei pela fresta e vi uma cara de rapazola com cabelo espesso que me interpelava. Queria falar com o boss e eu não o deixava. Porquê?
Está aqui um rapaz que lhe quer falar, disse.
Ele, já reconhecendo a voz, disse que a mandasse entrar. Era afinal uma mulher. Ginândrica e com voz rouca, de homem.
Entabularam rápida conversação e eu percebi que ela não estava a par do perigo.
Saímos. O meu guarda-costas aguardava-me ao fundo de uma rampa.
Fomos para uma espécie de varanda de onde avistávamos os remates circulares das coberturas das varandas do Ritz. Recordo-me de ter enquadrado com as mãos a 90 graus, o céu azulíssimo e estes círculos de betão amarelecido, pairantes.
Depois de esperarmos algum tempo, fui ver se alguém se aproximara do escritório. Nada.
Resolvemos então sair em direcção às garagens. Optámos por fazê-lo pela nave central que era em planta um rectângulo vazado de vértices arredondados. Em cada piso havia uma galeria a toda a volta, com cerca de dois metros de largo e que comunicava com os pisos restantes por uma esbelta rampa da mesma largura e que era lançada a meio dos lados menores da projecção em rectângulo, de um para o outro.
Assim que me debrucei, vi imediatamente os homens que corriam pelas laterais.
O meu guarda-costas surgiu com uma espécie de carro eléctrico de bagagens das estações ferroviárias e fez-nos subir aos três.
Das várias peripécias que se seguiram até eu perceber que os homens estavam no encalço de outrem não há nem conta nem espaço para as narrar, apenas que o boss e a moça com ar de rapazola se precipitaram no vazio, mortos por engano.
Os verdadeiros caçadores chegaram depois.
E eu já só tinha uma bala no carregador. Usei-a bem.
E ainda fiz melhor, canalizando uma energia domada através das paredes para derrubar o segundo contendor. Eram só dois, afinal.
Fui lá a negócios. A casa do homem. Ou ao seu despacho.
Não tinha muito que saber a sala do dito.
Uma banheira com grades tipo cama de criança cheia de champagne. O próprio lá dentro, irrepreensivelmente vestido, de flor na botoeira.
Ao lado apenas uma caixa de cartão, encetada, talvez de meia dúzia. Um pouco atrás um pequeno frigorífico de onde retirava gelo e baldes arrefecidos. Mais afastada, a pilha de baldes usados e um número de garrafas vazias fazia notar a ausência de empregados.
Depois de tratada a nossa questão e era intrincada a coisa, embora resolvida num ápice, contemplou-me com uma garrafa nova. Os gestos que fez, de dentro do berço, pareceram-me naturalmente maquinais. Torceu à direita alta, abriu a porta do frigorífico, tirou um balde, abriu o congelador, tirou gelo, inclinou-se a bombordo e fez mais um rasgão no cartão da caixa. Retirou a garrafa e colocou-a no balde. Depois fez o improvável, semi-mergulhou o balde no leito da cama, deixando entrar champagne do molho para dentro dele, balde.
Acendeu um charuto que tirou juntamente com os fósforos de onde não percebi e deixou-se ficar à espera da minha pergunta.
E eu fi-la. Pedindo desculpa por ser indiscreto após a formalidade do nosso acordo, perguntei quantas garrafas bebia por dia, sem me referir às que gastaria com o caldo.
Ah, umas quatro a cinco caixas por semana – respondeu-me displicente.
Fiz as contas rapidamente. Se as caixas fossem como esta, de seis garrafas, dava um número entre vinte e quatro e trinta garrafas por semana. A dividir por sete... achei pouco.
Saindo da banheira, explicou-me a forma como era tratado pelo fornecedor francês, era uma coisa quase just in time, sem falha alguma desde o começo.
Face ao que me acabara de dizer e isto referia-se à parte da conversa que aqui não posso mencionar, perguntei-lhe se nada temia.
Mostrou-se tão ou mais displicente do que ao servir-me ou ao dar-me o número de caixas – Não!
Foi nessa altura que julguei ver no olhar que alvejava ao meu lado esquerdo, para lá da janela que estava nas minhas costas, um ligeiro estremecimento.
Virei-me. Divisei, quase escondidos pelo altíssimo muro do pátio, dois helicópteros ao longe. A um longe de meio minuto talvez.
Os helicópteros! – exclamei. Não pareceu ser isso o que o incomodava.
Acerquei-me da janela. No pátio, avistei um Fiat 127 que tinha um cão na chapeleira. Era um cão a sério, de carne e osso, que me fitava, embora eu estivesse uns bons cinco andares acima.
O tipo que estava ao volante iniciou uma manobra de saída do carro mas ficou a meia haste, com parte do corpo de fora mas a cabeça dentro, talvez dando ordens ao cão.
Divisei ainda uns outros tipos suspeitos, uma espécie de TP21 da Polícia e ao voltar-me vi que o homem se tinha transfigurado. Estava assustado, enfim.
Reparei então que a porta que dava para o exterior não tinha nenhum tipo de fecho. Era apenas a mola que a mantinha encostada.
Precipitei-me para ela, ainda pensando no que haveria de usar para a trancar.
Ainda não a tinha atingido quando ela abriu, ligeiramente. Com pouca força impedi que abrisse. Olhei pela fresta e vi uma cara de rapazola com cabelo espesso que me interpelava. Queria falar com o boss e eu não o deixava. Porquê?
Está aqui um rapaz que lhe quer falar, disse.
Ele, já reconhecendo a voz, disse que a mandasse entrar. Era afinal uma mulher. Ginândrica e com voz rouca, de homem.
Entabularam rápida conversação e eu percebi que ela não estava a par do perigo.
Saímos. O meu guarda-costas aguardava-me ao fundo de uma rampa.
Fomos para uma espécie de varanda de onde avistávamos os remates circulares das coberturas das varandas do Ritz. Recordo-me de ter enquadrado com as mãos a 90 graus, o céu azulíssimo e estes círculos de betão amarelecido, pairantes.
Depois de esperarmos algum tempo, fui ver se alguém se aproximara do escritório. Nada.
Resolvemos então sair em direcção às garagens. Optámos por fazê-lo pela nave central que era em planta um rectângulo vazado de vértices arredondados. Em cada piso havia uma galeria a toda a volta, com cerca de dois metros de largo e que comunicava com os pisos restantes por uma esbelta rampa da mesma largura e que era lançada a meio dos lados menores da projecção em rectângulo, de um para o outro.
Assim que me debrucei, vi imediatamente os homens que corriam pelas laterais.
O meu guarda-costas surgiu com uma espécie de carro eléctrico de bagagens das estações ferroviárias e fez-nos subir aos três.
Das várias peripécias que se seguiram até eu perceber que os homens estavam no encalço de outrem não há nem conta nem espaço para as narrar, apenas que o boss e a moça com ar de rapazola se precipitaram no vazio, mortos por engano.
Os verdadeiros caçadores chegaram depois.
E eu já só tinha uma bala no carregador. Usei-a bem.
E ainda fiz melhor, canalizando uma energia domada através das paredes para derrubar o segundo contendor. Eram só dois, afinal.
24/09/2007
23/09/2007
22/09/2007
A dignidade do Estado
O conceito de dignidade do Estado é como todos os outros conceitos subjectivos. Varia com os tempos e com as circunstâncias e com a mentalidade de cada um.
Coisas absolutamente impensáveis numa época passam a ser modais em outra.
Deparei-me com esta imagem há dias atrás.
Impressionou-me por ser, na minha medida, uma triste condescendência à indignidade do dito Estado e da sua autoridade.

Não adianta o argumento de que há muitas coisas com que nos preocuparmos.
Esta parece tão simples de resolver e cuidar.
Ainda assim não me abstenho de a divulgar. Talvez o faça com a mesma inconsciência que a tornou possível.
O conceito de dignidade do Estado é como todos os outros conceitos subjectivos. Varia com os tempos e com as circunstâncias e com a mentalidade de cada um.
Coisas absolutamente impensáveis numa época passam a ser modais em outra.
Deparei-me com esta imagem há dias atrás.
Impressionou-me por ser, na minha medida, uma triste condescendência à indignidade do dito Estado e da sua autoridade.

Não adianta o argumento de que há muitas coisas com que nos preocuparmos.
Esta parece tão simples de resolver e cuidar.
Ainda assim não me abstenho de a divulgar. Talvez o faça com a mesma inconsciência que a tornou possível.
21/09/2007
A sentinela
A primeira coisa que vi, que vimos, quando o carro dobrou a esquina foi a posição de à-vontade da sentinela.
Destacava-se na linha do edificado do espaço-canal, para usar uns termos dos livros.
Havia uma certa convexidade na pose que lhe acentuava interesse.
Demorámo-nos a inspeccionar o fim da rua. Vimos o que restou da indústria pesada, entrámos no café onde dormitava o dono e onde os poucos clientes aproveitaram a nossa presença para pedirem mais cerveja sem se responsabilizarem pelo sobressalto do justo.
Demorámo-nos a ver mais coisas. O J.J. dizia que nunca tinha andado por aquela Lisboa.
Foi assim que, já esquecidos das formas que víramos ao virar, nos encaminhámos para a estação.
O soldado de guarda era um soldado da Guarda. Era cabrito e bonito, o soldado.
Quando passei por ele, soldado, dei pela primeira vez na vida as boas tardes a uma sentinela.
O soldado bonito fez um sorriso desarmante, deu um passo à frente, bateu os tacões, fez continência e retribuiu-me o voto.
Após uma ligeira vénia, continuei rua abaixo.
O J.J. tinha ficado para trás, apreciando qualquer coisa.
Esperei que se reunisse a mim e censurei-o – então não deste as boas tardes à senhora?
Eu?! Ela tinha cara de poucos amigos!
Talvez, meu caro. E talvez eu seja um desses poucos.
E prosseguimos, já com a mira na estação de caminho-de-ferro.
A primeira coisa que vi, que vimos, quando o carro dobrou a esquina foi a posição de à-vontade da sentinela.
Destacava-se na linha do edificado do espaço-canal, para usar uns termos dos livros.
Havia uma certa convexidade na pose que lhe acentuava interesse.
Demorámo-nos a inspeccionar o fim da rua. Vimos o que restou da indústria pesada, entrámos no café onde dormitava o dono e onde os poucos clientes aproveitaram a nossa presença para pedirem mais cerveja sem se responsabilizarem pelo sobressalto do justo.
Demorámo-nos a ver mais coisas. O J.J. dizia que nunca tinha andado por aquela Lisboa.
Foi assim que, já esquecidos das formas que víramos ao virar, nos encaminhámos para a estação.
O soldado de guarda era um soldado da Guarda. Era cabrito e bonito, o soldado.
Quando passei por ele, soldado, dei pela primeira vez na vida as boas tardes a uma sentinela.
O soldado bonito fez um sorriso desarmante, deu um passo à frente, bateu os tacões, fez continência e retribuiu-me o voto.
Após uma ligeira vénia, continuei rua abaixo.
O J.J. tinha ficado para trás, apreciando qualquer coisa.
Esperei que se reunisse a mim e censurei-o – então não deste as boas tardes à senhora?
Eu?! Ela tinha cara de poucos amigos!
Talvez, meu caro. E talvez eu seja um desses poucos.
E prosseguimos, já com a mira na estação de caminho-de-ferro.
20/09/2007
Isto não é publicidade
É antes uma amostra das minhas incapacidades.
Eu sei o que é o sudoku. Não faço ideia há quantos anos as pessoas se entretêm com tal coisa, mas sei que jogos – diria passatempos – semelhantes são coisa velha e relha.
Eu próprio não sendo um aficionado deste tipo de coisas, gostava particularmente de resolver alguns do género.
Surpreendi-me foi com o ar de novidade que a coisa teve aqui há poucos anos. Como se fosse caso de me surpreender com a surpresa dos outros face à sua própria ignorância.
Mas chega.
A incapacidade aqui é minha. Eu explico:
Há uns dias atrás, folheando alheado um suplemento do Expresso, pensei ter visto uma espécie de sudoku numa das páginas. Mas por achar que tinha qualquer coisa de estranho, vi com mais atenção.
Era a figura que postei ontem aqui.
E postei-a tal e qual com o rótulo de passatempo, na esperança de ver se o mesmo tipo de engano sucedia a algum dos meus leitores.
Cometi aqui mais dois erros. O primeiro, dispenso-me de o mencionar, por ser óbvio. O segundo foi não ter percebido que esse tipo de ilusão é fácil de acontecer quando se manuseia distantemente um jornal mas pouco provável face a um écran de computador.
Dito isto, anuncio aqui a perspicácia do João Espinho que acertou em cheio e a ironia iluminada do Bic Laranja que acertou no conceito subjacente, em cenário alternativo.
Trata-se da planta da Interpescas, que decorrerá de hoje até domingo, em Aveiro.
E isto não é publicidade.

Encontrei no dito suplemento para além desta imagem, um fio de meada. Para outras memórias.
É antes uma amostra das minhas incapacidades.
Eu sei o que é o sudoku. Não faço ideia há quantos anos as pessoas se entretêm com tal coisa, mas sei que jogos – diria passatempos – semelhantes são coisa velha e relha.
Eu próprio não sendo um aficionado deste tipo de coisas, gostava particularmente de resolver alguns do género.
Surpreendi-me foi com o ar de novidade que a coisa teve aqui há poucos anos. Como se fosse caso de me surpreender com a surpresa dos outros face à sua própria ignorância.
Mas chega.
A incapacidade aqui é minha. Eu explico:
Há uns dias atrás, folheando alheado um suplemento do Expresso, pensei ter visto uma espécie de sudoku numa das páginas. Mas por achar que tinha qualquer coisa de estranho, vi com mais atenção.
Era a figura que postei ontem aqui.
E postei-a tal e qual com o rótulo de passatempo, na esperança de ver se o mesmo tipo de engano sucedia a algum dos meus leitores.
Cometi aqui mais dois erros. O primeiro, dispenso-me de o mencionar, por ser óbvio. O segundo foi não ter percebido que esse tipo de ilusão é fácil de acontecer quando se manuseia distantemente um jornal mas pouco provável face a um écran de computador.
Dito isto, anuncio aqui a perspicácia do João Espinho que acertou em cheio e a ironia iluminada do Bic Laranja que acertou no conceito subjacente, em cenário alternativo.
Trata-se da planta da Interpescas, que decorrerá de hoje até domingo, em Aveiro.
E isto não é publicidade.

Encontrei no dito suplemento para além desta imagem, um fio de meada. Para outras memórias.
19/09/2007
17/09/2007
Entrada em vigor
Os papagaios repetem-se uns aos outros, naturalmente.
Mas em que medida em que é importante a data da entrada em vigor quando uma Lei foi mal parida ou mal alterada?
Além de se adiarem as dores de cabeça, há mais alguma razão?
Ouço dizer que são precisos cerca de seis meses para se discutirem e perceberem as consequências...
Os papagaios repetem-se uns aos outros, naturalmente.
Mas em que medida em que é importante a data da entrada em vigor quando uma Lei foi mal parida ou mal alterada?
Além de se adiarem as dores de cabeça, há mais alguma razão?
Ouço dizer que são precisos cerca de seis meses para se discutirem e perceberem as consequências...
O acordar da desgraça
Se há casos em que é impossível determinar uma causa para um movimento, uma acção, hoje aconteceu isso quando chegámos à porta do homem.
Por que raio o meu velho J. d’. se teria lembrado de fazer uma visita àquela figura? Nada do que se seguiu mostrou fazer luz sobre a coisa.
A um ou dois gritos fora de portas com o nome do sitiado embebido, seguiu-se o seu aparecimento apaziguador da mais do que fingida ferocidade dos cães de guarda.
Trazia no rosto as marcas do suor de sesta, condicentes com o odor a mofo de casas clandestinas que se pressentia nas manchas da parede.
Cumprimentou-nos por detrás das grades do portão, enfiando o braço.
Só depois de se aperceber que o meu amigo estava para conversa, acedeu a sair.
Ali na rua mostrou o caso. Das dificuldades em resolver a legalização de casas, ter arruamentos decentes, iluminação pública.
Uma das feras aproximou-se de mim, já a jeito de mimo. O abanar vertiginoso da cauda assim que lhe toquei no cachaço desmontou a ideia de fortaleza que as grades ainda transmitiam.
O homem continuava a preencher os vazios de quatro ou cinco anos sem falar ao J. d’. Desgraças e venturas e pombos-correio.
Suava das desgraças passadas como quem acorda da sesta.
O mofo era agora de recantos sombrios.
E sem causa aparente, despedimo-nos dele.
Esta tarde.
É para poder escrever estas coisas que não revelo este blogue aos conhecidos.
Se há casos em que é impossível determinar uma causa para um movimento, uma acção, hoje aconteceu isso quando chegámos à porta do homem.
Por que raio o meu velho J. d’. se teria lembrado de fazer uma visita àquela figura? Nada do que se seguiu mostrou fazer luz sobre a coisa.
A um ou dois gritos fora de portas com o nome do sitiado embebido, seguiu-se o seu aparecimento apaziguador da mais do que fingida ferocidade dos cães de guarda.
Trazia no rosto as marcas do suor de sesta, condicentes com o odor a mofo de casas clandestinas que se pressentia nas manchas da parede.
Cumprimentou-nos por detrás das grades do portão, enfiando o braço.
Só depois de se aperceber que o meu amigo estava para conversa, acedeu a sair.
Ali na rua mostrou o caso. Das dificuldades em resolver a legalização de casas, ter arruamentos decentes, iluminação pública.
Uma das feras aproximou-se de mim, já a jeito de mimo. O abanar vertiginoso da cauda assim que lhe toquei no cachaço desmontou a ideia de fortaleza que as grades ainda transmitiam.
O homem continuava a preencher os vazios de quatro ou cinco anos sem falar ao J. d’. Desgraças e venturas e pombos-correio.
Suava das desgraças passadas como quem acorda da sesta.
O mofo era agora de recantos sombrios.
E sem causa aparente, despedimo-nos dele.
Esta tarde.
É para poder escrever estas coisas que não revelo este blogue aos conhecidos.
16/09/2007
As alterações no Processo Penal
Não li. Não sei. Não conheço.
Ocorre-me apenas o célebre teorema do macaco dactilógrafo sempre que ouço falar em novas leis, alterações das anteriores, etc.
Há uma probabilidade...
Não li. Não sei. Não conheço.
Ocorre-me apenas o célebre teorema do macaco dactilógrafo sempre que ouço falar em novas leis, alterações das anteriores, etc.
Há uma probabilidade...
Sr. Luís, venha cá já!
Não sei quantos Srs. Luíses há por essas empresas e por essas repartições do Estado. Mas creio que muitos, tão velha é a fama e o proveito de tais figuras.
O que eu conheci chegou a levar sonoros estalos à minha frente. Numa autêntica violação dos mais elementares direitos do trabalhador, do Homem.
Quantas vezes não o recriminei eu próprio, em voz alta, por erros e omissões.
O certo é que só muito raramente não era ele o responsável pelas asneiras que por lá aconteciam, não admirando assim que tão enxovalhado fosse.
Nunca se conseguiu reciclar o Sr. Luís, essa é que é essa. Sempre foi impermeável a novos ensinamentos, impermeabilidade essa que justificava a mísera retribuição que recebia. Era um simples que tudo acatava com a devida vénia, sem se desculpar.
Por lá ficou até hoje, mesmo sendo tantas vezes referido como a pedra na engrenagem, tantas vezes chamado rispida e explicitamente à pedra a meio de uma conversa telefónica com algum cliente ou fornecedor reclamante.
O Sr. Luís, como calculam, nunca existiu.
Não sei quantos Srs. Luíses há por essas empresas e por essas repartições do Estado. Mas creio que muitos, tão velha é a fama e o proveito de tais figuras.
O que eu conheci chegou a levar sonoros estalos à minha frente. Numa autêntica violação dos mais elementares direitos do trabalhador, do Homem.
Quantas vezes não o recriminei eu próprio, em voz alta, por erros e omissões.
O certo é que só muito raramente não era ele o responsável pelas asneiras que por lá aconteciam, não admirando assim que tão enxovalhado fosse.
Nunca se conseguiu reciclar o Sr. Luís, essa é que é essa. Sempre foi impermeável a novos ensinamentos, impermeabilidade essa que justificava a mísera retribuição que recebia. Era um simples que tudo acatava com a devida vénia, sem se desculpar.
Por lá ficou até hoje, mesmo sendo tantas vezes referido como a pedra na engrenagem, tantas vezes chamado rispida e explicitamente à pedra a meio de uma conversa telefónica com algum cliente ou fornecedor reclamante.
O Sr. Luís, como calculam, nunca existiu.
15/09/2007
14/09/2007
A Terra não é esférica

Este livro figurava numa estante em casa de uns tios-avós.
Não foram poucas as vezes que, em menino, o retirava de lá e me punha a folheá-lo, tentando entender o fio das razões ali expendidas.
Era uma espécie de íman inconsequente, do qual me livrava ao fim de pouco tempo.
E sobre o qual ouvi a minha tia discorrer, afirmando que era obra de um amigo do meu tio, que assinara com um pseudónimo.
Suponho que em adulto terei dado nula importância ao facto de o ter ali à mão. Ou talvez o tempo que me demorava lá por casa fosse cada vez menor, não sei.
Sei que apenas soube do desfecho que disse respeito ao recheio da casa, mortos os tios-avós, e da certeza de estar entregue a gente pouco mais do que analfabeta, a única coisa que me ocorreu resgatar foi o livro – este livro e não outro qualquer.
O facto de a memória me ter traído em certa medida, rotulando a obra com um redonda onde haveria de ser esférica, fez-me perder o norte quando me dediquei a procurá-lo, há alguns anos.
Recentemente, por um acaso qualquer, ocorreu-me tentar variações e acabei por escrevê-lo direitinho na pesquisa do Google. Hélas!
Fui cair na Livraria Hesperia em Saragoça, depois de passar pela Flat Earth Society.
E verifiquei que também existe na BN. O que seria de esperar, é claro.
Lá o arrematei.
Chegou a hora de apanhar de novo o fio à meada. E de comparar as nossas crenças actuais com as do autor.
Creio que terei matéria para uns quantos posts.
Do cheiro que sai das páginas, libertam-se falsas memórias.
Vejo de novo o cenário de tantas recordações agradáveis.

Este livro figurava numa estante em casa de uns tios-avós.
Não foram poucas as vezes que, em menino, o retirava de lá e me punha a folheá-lo, tentando entender o fio das razões ali expendidas.
Era uma espécie de íman inconsequente, do qual me livrava ao fim de pouco tempo.
E sobre o qual ouvi a minha tia discorrer, afirmando que era obra de um amigo do meu tio, que assinara com um pseudónimo.
Suponho que em adulto terei dado nula importância ao facto de o ter ali à mão. Ou talvez o tempo que me demorava lá por casa fosse cada vez menor, não sei.
Sei que apenas soube do desfecho que disse respeito ao recheio da casa, mortos os tios-avós, e da certeza de estar entregue a gente pouco mais do que analfabeta, a única coisa que me ocorreu resgatar foi o livro – este livro e não outro qualquer.
O facto de a memória me ter traído em certa medida, rotulando a obra com um redonda onde haveria de ser esférica, fez-me perder o norte quando me dediquei a procurá-lo, há alguns anos.
Recentemente, por um acaso qualquer, ocorreu-me tentar variações e acabei por escrevê-lo direitinho na pesquisa do Google. Hélas!
Fui cair na Livraria Hesperia em Saragoça, depois de passar pela Flat Earth Society.
E verifiquei que também existe na BN. O que seria de esperar, é claro.
Lá o arrematei.
Chegou a hora de apanhar de novo o fio à meada. E de comparar as nossas crenças actuais com as do autor.
Creio que terei matéria para uns quantos posts.
Do cheiro que sai das páginas, libertam-se falsas memórias.
Vejo de novo o cenário de tantas recordações agradáveis.
E se...
Este livro que acabei de receber, vindo lá das bandas do reino de Aragão, dali de ao pé da Virgem do Pilar, dos bares onde me encharcava em licores e cucarachas, fosse o mesmo?
Há qualquer coisa neste cheiro das folhas... Há mesmo qualquer coisa. Qualquer coisa de estranho.
Ando a ficar muito sujeito à subjectividade...
Hoje é um dia notável. É mesmo.
Este livro que acabei de receber, vindo lá das bandas do reino de Aragão, dali de ao pé da Virgem do Pilar, dos bares onde me encharcava em licores e cucarachas, fosse o mesmo?
Há qualquer coisa neste cheiro das folhas... Há mesmo qualquer coisa. Qualquer coisa de estranho.
Ando a ficar muito sujeito à subjectividade...
Hoje é um dia notável. É mesmo.
13/09/2007
O murro canhoto
Sobre a agressão ou tentativa dela de Scolari a um sérvio, apenas me ocorre repetir o que disse várias vezes a quem estava comigo a ver o jogo, muito antes do golo da Sérvia:
Por que raio está o homem com tão má cara, se até está a ganhar o jogo?
As imagens da RTP serão a esse respeito eloquentes.
Sobre a agressão ou tentativa dela de Scolari a um sérvio, apenas me ocorre repetir o que disse várias vezes a quem estava comigo a ver o jogo, muito antes do golo da Sérvia:
Por que raio está o homem com tão má cara, se até está a ganhar o jogo?
As imagens da RTP serão a esse respeito eloquentes.
12/09/2007
Efeméride
Hoje são 30 anos que passam.
E lembro-me da mesa de pedra, do leitão pendurado, das palavras do teu Pai, da taberna da estação em que eu estagiara tantos verões antes, com garrafas de Bussaco e presunto às talhadas.
Lembro-me de um alterado cheiro a cortiça que vinha de uns painéis no tecto e de talvez já o ter nas narinas antes disso, anos sim. Anos em que a tua casa era apenas um local onde se ia por outros casos.
E lembro-me do regresso sem luz. Da estrada de luar*.
Da vertigem desse Setembro. Talvez o mais famoso de sempre.
Eras tão novinha. E éramos tantos à volta uns dos outros. Mais de trinta. Como os anos que hoje passam.
Adenda às 21:52 - * Fui ver as fases da Lua. Nesse dia era quase Lua Nova.
Hoje são 30 anos que passam.
E lembro-me da mesa de pedra, do leitão pendurado, das palavras do teu Pai, da taberna da estação em que eu estagiara tantos verões antes, com garrafas de Bussaco e presunto às talhadas.
Lembro-me de um alterado cheiro a cortiça que vinha de uns painéis no tecto e de talvez já o ter nas narinas antes disso, anos sim. Anos em que a tua casa era apenas um local onde se ia por outros casos.
E lembro-me do regresso sem luz. Da estrada de luar*.
Da vertigem desse Setembro. Talvez o mais famoso de sempre.
Eras tão novinha. E éramos tantos à volta uns dos outros. Mais de trinta. Como os anos que hoje passam.
Adenda às 21:52 - * Fui ver as fases da Lua. Nesse dia era quase Lua Nova.
11/09/2007
Era imoral se o fizesse...
[a PJ considerasse os McCann imediatamente suspeitos]
Ontem, julguei ter ouvido isto da boca do director nacional da PJ.
Achei a barbaridade tão grande que pensei ter ouvido mal.
Hoje, reouvindo, verifiquei que não me enganara.
Há frases que dizem tudo sobre a capacidade de quem as profere.
Pensava eu que pagávamos à polícia para não eliminar ninguém à partida.
E que a moral não era chamada para estas coisas. Afinal...
Não quero dizer com isto que ache seja seja o que fôr sobre quem fez o quê.
Acho apenas o que disse acima. E só isso.
[a PJ considerasse os McCann imediatamente suspeitos]
Ontem, julguei ter ouvido isto da boca do director nacional da PJ.
Achei a barbaridade tão grande que pensei ter ouvido mal.
Hoje, reouvindo, verifiquei que não me enganara.
Há frases que dizem tudo sobre a capacidade de quem as profere.
Pensava eu que pagávamos à polícia para não eliminar ninguém à partida.
E que a moral não era chamada para estas coisas. Afinal...
Não quero dizer com isto que ache seja seja o que fôr sobre quem fez o quê.
Acho apenas o que disse acima. E só isso.
ADN
Muita desta gente que tanto fala de ADN não faz a menor ideia do que é que está a dizer.
Começando por aquela senhora que foi para a Tailândia em 2004 ou 2005, após o grande maremoto, segundo ela, ajudar a reconhecer os corpos dos portugueses.
A todos eles faria talvez falta um bocadinho mais de Matemática na cabeça.
De lógica e cálculo combinatório. Isso já ajudava a não se produzirem tantas asneiras.
Mas sem bom senso...
Muita desta gente que tanto fala de ADN não faz a menor ideia do que é que está a dizer.
Começando por aquela senhora que foi para a Tailândia em 2004 ou 2005, após o grande maremoto, segundo ela, ajudar a reconhecer os corpos dos portugueses.
A todos eles faria talvez falta um bocadinho mais de Matemática na cabeça.
De lógica e cálculo combinatório. Isso já ajudava a não se produzirem tantas asneiras.
Mas sem bom senso...
10/09/2007
Nova Iorque, grelhadores e autoclismos
Há um adágio que diz guarda o que não te faz falta, terás sempre o que precisas.
Faz por estes dias quarenta e cinco anos que escutei da boca do meu Pai, as suas impressões da sociedade de consumo recolhidas em Nova Iorque. Dizia que pelo lixo encontrado nas ruas se podia fazer uma ideia do que era.
Essas palavras não mais as esqueci. Talvez pela tenra idade que tinha na altura e pela novidade que encerravam.
Não sou propriamente incapaz de me livrar das inutilidades, dos objectos avariados ou partidos, das coisas obsoletas, dos papéis amarelecidos. Mas guardo muita coisa.
Um destes dias, desfiz-me de parte de um grelhador eléctrico. Guardei o que me pareceu não me fazer falta.
Ontem, reparei um autoclismo de usar e deitar fora com peças desse grelhador. Uma delas era mesmo o que eu precisava.
Quarenta e cinco anos depois.
Há um adágio que diz guarda o que não te faz falta, terás sempre o que precisas.
Faz por estes dias quarenta e cinco anos que escutei da boca do meu Pai, as suas impressões da sociedade de consumo recolhidas em Nova Iorque. Dizia que pelo lixo encontrado nas ruas se podia fazer uma ideia do que era.
Essas palavras não mais as esqueci. Talvez pela tenra idade que tinha na altura e pela novidade que encerravam.
Não sou propriamente incapaz de me livrar das inutilidades, dos objectos avariados ou partidos, das coisas obsoletas, dos papéis amarelecidos. Mas guardo muita coisa.
Um destes dias, desfiz-me de parte de um grelhador eléctrico. Guardei o que me pareceu não me fazer falta.
Ontem, reparei um autoclismo de usar e deitar fora com peças desse grelhador. Uma delas era mesmo o que eu precisava.
Quarenta e cinco anos depois.
09/09/2007
O burro carregadíssimo de livros
Eu gosto de livros. Não sei de que tempo vem esse gosto. Se da BD do tempo em que só lia as maiúsculas de imprensa, se de um pouco mais tarde quando já decifrara as minúsculas tipográficas. Mas vem de longe.
Gosto de livros mas gosto mais da estrada. Suponho que terá sido nela, por via dos sinais ali em cima representados*, que aprendi as tais maiúsculas de imprensa e, com elas, a ler.
Gosto da estrada. É nela que me sinto a realizar o sonho de criança – o que é que eu queria ser em adulto? – ajudante de camionista, daqueles que viajavam na caixa de carga, de preferência em pé.
Gosto da estrada. É nela que deixo o mundo entrar-me pelos olhos. É nela que percebo as diferenças que há por trás dos montes, após um grande rio ou para lá de grandes planícies.
Gosto da estrada. É por ela que chego à fala com pessoas que me contam maravilhas ou que me dizem do comezinho. Mas do comezinho alheio.
Gosto da estrada. É por ela que chego a cores e a cheiros. É por ela que chego a frios e a calores.
Gosto da estrada. É nela que enfrento às vezes a desgraça, a morte. A violência dos elementos e a miséria humana.
Gosto da estrada. É nela que aprendo mais do que nos livros.
Mas eu gosto de livros. E, se é mais do que provável que nunca chegue a ler todos os livros que juntei, também é certo que levarei a minha conta das estradas dos outros para a cova.
Ou das estradas que os outros inventaram a partir das estradas que percorreram. Mesmo sem terem saído de um mesmo local.
Nunca confundirei a sabedoria com o tamanho da biblioteca ou com o rol de livros na cabeça.
O que não falta são burros carregadíssimos de livros e de citações.
Aprecio antes a simplicidade do raciocínio e a depuração de argumentos. A brutalidade da luz, sem rodeios. Se acaso ela vem cheia de estrada, percorrida ou lida, tanto melhor.
*no cabeçalho da versão deste blogue no Sapo
Eu gosto de livros. Não sei de que tempo vem esse gosto. Se da BD do tempo em que só lia as maiúsculas de imprensa, se de um pouco mais tarde quando já decifrara as minúsculas tipográficas. Mas vem de longe.
Gosto de livros mas gosto mais da estrada. Suponho que terá sido nela, por via dos sinais ali em cima representados*, que aprendi as tais maiúsculas de imprensa e, com elas, a ler.
Gosto da estrada. É nela que me sinto a realizar o sonho de criança – o que é que eu queria ser em adulto? – ajudante de camionista, daqueles que viajavam na caixa de carga, de preferência em pé.
Gosto da estrada. É nela que deixo o mundo entrar-me pelos olhos. É nela que percebo as diferenças que há por trás dos montes, após um grande rio ou para lá de grandes planícies.
Gosto da estrada. É por ela que chego à fala com pessoas que me contam maravilhas ou que me dizem do comezinho. Mas do comezinho alheio.
Gosto da estrada. É por ela que chego a cores e a cheiros. É por ela que chego a frios e a calores.
Gosto da estrada. É nela que enfrento às vezes a desgraça, a morte. A violência dos elementos e a miséria humana.
Gosto da estrada. É nela que aprendo mais do que nos livros.
Mas eu gosto de livros. E, se é mais do que provável que nunca chegue a ler todos os livros que juntei, também é certo que levarei a minha conta das estradas dos outros para a cova.
Ou das estradas que os outros inventaram a partir das estradas que percorreram. Mesmo sem terem saído de um mesmo local.
Nunca confundirei a sabedoria com o tamanho da biblioteca ou com o rol de livros na cabeça.
O que não falta são burros carregadíssimos de livros e de citações.
Aprecio antes a simplicidade do raciocínio e a depuração de argumentos. A brutalidade da luz, sem rodeios. Se acaso ela vem cheia de estrada, percorrida ou lida, tanto melhor.
*no cabeçalho da versão deste blogue no Sapo
08/09/2007
07/09/2007
O incidente diplomático
A ser verdade que o caso da menina evolui da forma que os jornalistas preconizam, já não há escapatória.
Seja qual fôr o desfecho, um grave incidente diplomático avizinha-se.
O caso é simples.
Se a PJ tem material suficiente para conseguir uma acusação e depois uma condenação, há um ror de créditos a seu favor, do Estado Português e até de outros estados, incluindo o Vaticano.
Veremos como reage a isso o Reino Unido e de que forma mete a viola no saco.
Se, pelo contrário, não consegue uma condenação – basta não descobrir o corpo, a condenação no caso da Joana sabemos todos a que se deveu – cai-lhe em cima e em cima do Estado Português, por tabela, o Carmo e a Trindade mais o Big Ben e a Torre de Londres.
Não me parece que exista já terceira via. Esperemos é que haja sensatez a mais e bronca a menos.
Duvido no entanto que não haja um aumento das altercações lá pelo Algarve.
A ser verdade que o caso da menina evolui da forma que os jornalistas preconizam, já não há escapatória.
Seja qual fôr o desfecho, um grave incidente diplomático avizinha-se.
O caso é simples.
Se a PJ tem material suficiente para conseguir uma acusação e depois uma condenação, há um ror de créditos a seu favor, do Estado Português e até de outros estados, incluindo o Vaticano.
Veremos como reage a isso o Reino Unido e de que forma mete a viola no saco.
Se, pelo contrário, não consegue uma condenação – basta não descobrir o corpo, a condenação no caso da Joana sabemos todos a que se deveu – cai-lhe em cima e em cima do Estado Português, por tabela, o Carmo e a Trindade mais o Big Ben e a Torre de Londres.
Não me parece que exista já terceira via. Esperemos é que haja sensatez a mais e bronca a menos.
Duvido no entanto que não haja um aumento das altercações lá pelo Algarve.
Alcatrão

Recordei-me agora do cheiro.
A madrugada passada tivera-o a incomodar-me o sono.
No vai não vai dos sentidos, lá identificara o alcatrão.
E nesse esvair da mente, não consegui perceber por que raio haveria de o ter dentro do quarto, comigo na cama.
Voltou, insidioso.
Mas, vigil, não me deixei ficar na ignorância.
É corte de via direita e central, para obras de manutenção.
Antes isso que alguém a querer tingir-me de preto, pela calada.

Foto de livreto do MOP (trabalhada a carvão) - já aqui publicada em Restos de colecção (22)

Recordei-me agora do cheiro.
A madrugada passada tivera-o a incomodar-me o sono.
No vai não vai dos sentidos, lá identificara o alcatrão.
E nesse esvair da mente, não consegui perceber por que raio haveria de o ter dentro do quarto, comigo na cama.
Voltou, insidioso.
Mas, vigil, não me deixei ficar na ignorância.
É corte de via direita e central, para obras de manutenção.
Antes isso que alguém a querer tingir-me de preto, pela calada.

Foto de livreto do MOP (trabalhada a carvão) - já aqui publicada em Restos de colecção (22)
06/09/2007
Dissecação
Quando chegar ao fim – e se chegar a um desfecho que seja aceitável, plausível – este caso da menina desaparecida no Algarve deixará, pelo menos, uma coisa para entretenga dos que se interessam pela manipulação da opinião pública: tentar descobrir a origem, a intenção ou ausência dela dos milhentos boatos e notícias trânsfugas, a partir desse conhecimento presumivelmente cabal.
É uma entretenga essa dissecação. Jamais poderia ser qualquer coisa de mais sério.
Quando chegar ao fim – e se chegar a um desfecho que seja aceitável, plausível – este caso da menina desaparecida no Algarve deixará, pelo menos, uma coisa para entretenga dos que se interessam pela manipulação da opinião pública: tentar descobrir a origem, a intenção ou ausência dela dos milhentos boatos e notícias trânsfugas, a partir desse conhecimento presumivelmente cabal.
É uma entretenga essa dissecação. Jamais poderia ser qualquer coisa de mais sério.
05/09/2007
04/09/2007
O que é que esta gente tem na cabeça?
Um tipo qualquer da governança a falar de um serviço via net destinado a regularizar automóveis, creio, diz que este mesmo serviço só está disponível para quem tenha cartão de cidadão.
Até aqui, nada de mais. É o costume e aceita-se, se o cartão de cidadão estiver a ponto de se consagrar, vulgarizando-se.
A burrice aparece logo a seguir. Quando ele diz que é para ter a certeza de quem está do outro lado.
Não terá assessores este? Ou serão todos do gabarito do do outro, do blogue tipo almanaque?
É esta gente, com esta inteligência, que nos governa!
Um tipo qualquer da governança a falar de um serviço via net destinado a regularizar automóveis, creio, diz que este mesmo serviço só está disponível para quem tenha cartão de cidadão.
Até aqui, nada de mais. É o costume e aceita-se, se o cartão de cidadão estiver a ponto de se consagrar, vulgarizando-se.
A burrice aparece logo a seguir. Quando ele diz que é para ter a certeza de quem está do outro lado.
Não terá assessores este? Ou serão todos do gabarito do do outro, do blogue tipo almanaque?
É esta gente, com esta inteligência, que nos governa!
Os circunscritos
Eu não acredito que haja um só dos caçados dentro do cerco policial.
A ser verdade que o perímetro se alargou, não sou só eu quem não acredita.
Pode ser que me engane.
Pode muito bem ser que me tenham enganado. Que não exista cerco algum, o que é de resto o mais provável, mas apenas homens espalhados pelo campo.
Eu não acredito que haja um só dos caçados dentro do cerco policial.
A ser verdade que o perímetro se alargou, não sou só eu quem não acredita.
Pode ser que me engane.
Pode muito bem ser que me tenham enganado. Que não exista cerco algum, o que é de resto o mais provável, mas apenas homens espalhados pelo campo.
Do Cabo Espichel ao Cabo Raso

A embocadura do nosso rio.
A Roca mais além.
E no entre mentes, um cabo onírico – o Cabo Verdeão.
Tive hoje a certeza de que ele existia.
Um cabo fluvial, algures a jusante do Ginjal, do Olho de Boi, da Arialva.

Embora os cabos que contam, nas minhas conhecenças, sejam a Roca e o Espichel.
Este é o entre tanto.
Sei lá eu como esta certeza se colou às paredes da mente.
Adaptações da Carta costeira de Jacob Robyn (do cabo Finisterra ao cabo de São Vicente) e da Carta Militar de Portugal do IGEOE.

A embocadura do nosso rio.
A Roca mais além.
E no entre mentes, um cabo onírico – o Cabo Verdeão.
Tive hoje a certeza de que ele existia.
Um cabo fluvial, algures a jusante do Ginjal, do Olho de Boi, da Arialva.

Embora os cabos que contam, nas minhas conhecenças, sejam a Roca e o Espichel.
Este é o entre tanto.
Sei lá eu como esta certeza se colou às paredes da mente.
Adaptações da Carta costeira de Jacob Robyn (do cabo Finisterra ao cabo de São Vicente) e da Carta Militar de Portugal do IGEOE.
03/09/2007
02/09/2007
O Verão ainda não acabou
É certo que ainda faltam três semanas.
Mas ver cair as previsões catastróficas todas de forma ruidosa - ruidosa do barulho que eles e os papagaios que arregimentam jamais ouvirão – elas que estavam prenhes de vagas de calor e dias de brasa como nunca igual acontecera, é obra.
E certo é também que essa tropa não aprende sequer com os próprios erros.
Que isso de aprender com eles é coisa própria de outros animais irracionais.
É certo que ainda faltam três semanas.
Mas ver cair as previsões catastróficas todas de forma ruidosa - ruidosa do barulho que eles e os papagaios que arregimentam jamais ouvirão – elas que estavam prenhes de vagas de calor e dias de brasa como nunca igual acontecera, é obra.
E certo é também que essa tropa não aprende sequer com os próprios erros.
Que isso de aprender com eles é coisa própria de outros animais irracionais.
Miss Teen
Diz que a rapariga é Miss Teen da Carolina do Sul em 2007.
Não sei se é se não é. Se é caricatura ou realidade.
O que sei é que não vejo diferença entre ela e grande parte dos jornalistas.
Os mesmos que a glosam.
Afinal que culpa têm todos eles de ser assim?
Diz que a rapariga é Miss Teen da Carolina do Sul em 2007.
Não sei se é se não é. Se é caricatura ou realidade.
O que sei é que não vejo diferença entre ela e grande parte dos jornalistas.
Os mesmos que a glosam.
Afinal que culpa têm todos eles de ser assim?
31/08/2007
30/08/2007
O livro
E eis que, da mental bruma, procede uma luz!
Ainda que ténue e ao fundo de uma vereda de dificuldades.
Mas encontrei a prateleira onde, em segunda fila, ele se escondeu.
Não sei se ainda lá está.
E eis que, da mental bruma, procede uma luz!
Ainda que ténue e ao fundo de uma vereda de dificuldades.
Mas encontrei a prateleira onde, em segunda fila, ele se escondeu.
Não sei se ainda lá está.
29/08/2007
28/08/2007
E de repente
Vem-me à cabeça que as coisas desimportantes saem da nossa vida pela direita baixa.
E que tornam um dia. No meio de um sonho, de uma recordação.
Hoje, ocorreu-me que havia um tempo em que se descascavam ervilhas. E que era obra encontrar nove delas numa só vagem.
Fui ver. Havia pelo menos uma referência a isso aqui na rede. Vá lá!
Vem-me à cabeça que as coisas desimportantes saem da nossa vida pela direita baixa.
E que tornam um dia. No meio de um sonho, de uma recordação.
Hoje, ocorreu-me que havia um tempo em que se descascavam ervilhas. E que era obra encontrar nove delas numa só vagem.
Fui ver. Havia pelo menos uma referência a isso aqui na rede. Vá lá!
27/08/2007
26/08/2007
Restos de colecção (63)

Ou como me vejo já um homem proto-histórico.
encontrei uma caixa com coisas desta época e seguintes

Ou como me vejo já um homem proto-histórico.
encontrei uma caixa com coisas desta época e seguintes
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