09/03/2008

Rio Tejo, 2008

Irritações

Uma coisa que me irrita supinamente nos blogues é a música obrigatória.
Quase sempre aos berros.
Para quem, como eu, gosta de navegar à noite, ouvindo baixo e em fundo algum canal de televisão, é um sobressalto ter que desligar as colunas numa correria, quando estas coisas começam a berrar, porque é claro é mais rápido fazê-lo do que ir à procura do local onde se pode terminar o ruído.
Cada um sabe de si e do que quer propor aos outros.
A mim irrita-me a sério.

08/03/2008

O crime organizado

Mas quem é que se alarmou com o facto dos últimos crimes serem fruto de organizações criminosas, senhor Procurador?
O corpo docente (II)

É claro que a selecção das entrevistas de rua pode ser feita de forma a dar esta ou aquela impressão a quem vê uma sequência delas.
Mas é também claro que existe um número de professores que parece não ter ou não saber que razões tem para se manifestar.
O facto de constituírem a esmagadora maioria dos entrevistados pode ter a ver com o que disse acima. Ou não.

Conto ainda desenvolver o tema da contagem do número dos que se manifestaram.

05/03/2008

O corpo docente

Talvez por ter já pertencido à classe é que este protesto dos professores não me diz nada.
Bem sei que os segundos de tempo televisivo são o que são, ainda assim não se ouve ali uma ideia, uma razão.
É tudo muito porque não. Sem se assumir que se luta por interesses corporativos.
Falta de cabeça

Muito esforço, muito empenho, mas pouquíssima cabeça, logo pouca eficácia.
O Porto desta noite.
Há tempos que não via tantos minutos de um jogo de futebol.
Futebol Clube do Porto

Espero e acredito que o Porto vai continuar em frente na Liga dos Campeões.
Há muito que é o único clube português capaz de façanhas.
Portugal, 2006

A ver vamos

A ver vamos se é ou não.

04/03/2008

Restos de colecção (66)



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Má fé

Só mesmo de má fé se pode dizer que o país está em risco de ser atingido por uma série de asteróides.
Só vozes arregimentadas por interesses muito obscuros podem afirmar que nunca se viu uma praga de gafanhotos tão arrasadora como a que nos assola os campos.
Macedo de Cavaleiros, 1991

02/03/2008

Dia de encierro


mapa do RAC

O mapa que escolhi este ano apontava para uma clara supremacia verde.
O palpite que me soava aos ouvidos era de fartura de golos.
Até agora, parecem furados os dois.

Quanto ao encierro, há muito que me pergunto se a agressividade da juventude mentecapta não poderia ser canalizada para fins mais úteis.
Marketeer

Ouvi agora na SIC N um tipo chamar marketeer a Dom Afonso Henriques.
Ainda bem que ele não ouviu!
Portugal, 2006

01/03/2008

Tolerância

O burro enxota as moscas com o rabo e abanando as orelhas.
As sociedades em dissolução são tolerantes com os vermes que as destroem.
Medvedev

Vi um destes dias uma peça em que se comparava a incapacidade da senhora Clinton de pronunciar o nome do futuro ocupante do Kremlin com a dos vulgares, entrevistados na rua.
Medvedev é um nome que ainda há uma década atrás era repetido nas páginas de desporto e nessa época não me recordo de existir esta impossibilidade de articulação.
O certo é que também não vi então entrevistas de rua pedindo que repetissem o nome ou a primeira-dama dos E.U.A. a comentar as actuações do tenista.
Estas coisas da televisão são assim mesmo. E a memória curta também.
Queluz, 2008



Breaking news

29/02/2008

Do Google

Não são estas as pesquisas que mais me interessam.
As que mais me interessam são as que se assemelham a alguém agarrado a uma lista telefónica como se fosse um espelho, espelho seu e pede: dá-me o número de telefone do António que ia sair com a Manela.
No entanto, são curiosas:

o que sao folhas dactilografadas

o riso e a proporção directa

Coisas da última hora.
Coitado do António

Sou dos que não consideram as vantagens de enviar e receber SMS. Devo receber uns dez por ano e enviar zero – a combinação cartão pré-histórico / telefone recente nem sequer me deixa fazê-lo.
Não sendo quase uma festa quando recebo um – que a coisa tende mais a ser um aborrecimento – não posso deixar de lhe prestar atenção, por ser coisa rara.
Hoje recebi o que passo a transcrever na íntegra, respeitando a grafia e os espaços:

OLA ANTONIO! DESCULPE, MAS NAO POSSO IR AO YAT BEN. TENHO KE FICAR ATE MAIS TARDE,AJUDAR MEU SOBRINHO NA CLINICA. GOSTAVA DE IR MAS... ELE PEDIU ME. VA E DIVIRTA-SE. 1 BEIJO DA MANELA

Juro que a primeira coisa que me ocorreu é que se tratava de má publicidade.
Mas não me cheira que seja, embora com o meu gesto, se eu estiver agora enganado, esteja a dar uma ajudinha à divulgação.
Coitado do António!
Ocasião perdida

Pelo que se ouve, pelo que se , perdi uma boa ocasião para me documentar.
Reconheço que há muito vou colhendo aqui e ali provas de competência ou de incompetência dos políticos que temos. Dos políticos e dos responsáveis do sistema judicial. E dos outros que, não sendo nem uma coisa nem outra, influem na marcha das coisas mais do que eu.
Baseio-me numa trivialidade: homens inteligentes jamais proferem certas afirmações, jamais concebem um silogismo absurdo, jamais dão provas de ignorância atrevida e sentenciosa; homens estúpidos jamais conseguem estribar-se em fundamentos e raciocinar habilmente a partir deles.
Basta, portanto, colher aqui ou ali uma prova de uma coisa ou de outra e catalogar o respectivo orador. Que feio que é catalogar as pessoas! Mas eu faço-o.
Pelos vistos, dizia, perdi hoje uma boa ocasião para me documentar.
Há tempos que a ARTv me anda a fazer erisipela. Mas, caramba, quando é assim tão mau – a acreditar no que dizem – até dispõe bem.
O amigo Bic Laranja refere-se a outro caso. Tudo a pedir Danny Kaye.
Alfouvar, 2006

Perguntas que, às vezes, se fazem

Eu sei que sou um simplista.
Mas gostava de ter um conjunto de boas respostas para o facto do Estado português queimar drogas às toneladas, segundo o próprio anuncia, ufano, aos quatro ventos.
Que outros bens apreendidos também se incineram?

28/02/2008

A vitória

A vitória está nas nossas mãos e, sobretudo, nos vossos pés!

Luís Filipe Vieira, discursando hoje no aniversário do SLB.
O cemitério de Carnide

Eu devo ser um tipo muito fora da norma: no mesmo dia, assisti a três enterros no cemitério de Carnide.
Fui acompanhar um dos mortos e vi, à porta da parada, dois cortejos em fila de espera.
Soube ontem que o local é impróprio para inumações e que os enterramentos ali estão praticamente suspensos.
Vi e ouvi na reportagem uma senhora dizer que “os antigos sabiam melhor do que nós escolher os locais para os cemitérios”.
Quanto a mim, casos destes só deixam duas hipóteses: uma profunda estupidez ou uma aldrabice qualquer.
Inclino-me sempre para a primeira hipótese. Sempre.

Notícias velhas sobre o caso:
No JN; no DN.
Lisboa, 2006

27/02/2008

Restos de colecção (65)



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Há um porradão de anos já, quando estes horários começaram a desaparecer dos escaparates, encontrei por detrás da bilheteira um velho amigo.
Perguntei se os iam deitar fora. Deu-me um rolo deles em resposta. Daqui lhe agradeço, embora ele já não possa saber que o faço mais uma vez.

26/02/2008

O muro da 117

Num dos lados da 117, o esquerdo*, há um muro desde que me conheço. Ali no troço entre Queluz e Belas.
A função do muro não é estrutural. É um muro de divisão, entre a estrada e o campo. Como o são a maior parte dos muros que existem por esse país fora.
No dia 18, a estrada inundou com a forte precipitação que se fez sentir.
Diz-se que havia uma fila de carros parados com receio de atravessar o lençol de água que se formara.
Diz-se que as pessoas presentes no local faziam o que podiam para evitar que os menos conscientes se metessem a atravessá-lo.
Uma coisa é certa, a pressão da água – da estrada para fora desta – arrastou o muro e com ele levou um carro que não devia estar a circular naquele momento naquele ponto.
Querer responsabilizar agora as autoridades pelo acontecido apenas pode ter um caminho – responsabilizá-las por não terem encerrado a estrada e com isso impedido os inconscientes de por ela se aventurarem. Com o risco de pagarem com a vida.
Mas não se deveria também responsabilizar as autoridades por darem licença de condução aos inconscientes?
Ou teremos que ter, afinal, um polícia a cada esquina?


*As estradas, como os rios, têm margem esquerda e direita. Porque têm um sentido, o da marcação quilométrica.

25/02/2008

Conta-me como foi*

Sou apreciador da série da RTP, copiada da espanhola.
Como em tudo na vida, é-me difícil dizer o que me atrai ali.
Mas nunca poderia ser o facto de me identificar com o Carlitos – apesar da idade ser parelha – por a voz off me mostrar uma caricatura demasiado atrasada de uma mente com nove anos. Nove anos digo eu que era a minha idade em 68 (já vamos em 69, me parece) e pode bem ser a idade do Carlitos.
Ainda assim, apesar de haver ali mais caricatura do que realidade, sou fã.
Pode ser que hajam os habituais anacronismos, as chapas de matrícula em plástico quando no tempo elas eram ainda quase todas em metal e muita outra coisa que escapou aos aderecistas, como é costume.
Mas eu gosto de ver.


*título de série da RTP
Pinhel, 2000

22/02/2008

O mal estar difuso

O alerta da SEDES é apenas mais um.
Qualquer pessoa atenta aos sinais sabe do que se trata.
A reacção do PS é a que se previa. Diz que é exagero, tremendismo.
Será que já perceberam o mesmo do que toda a gente?
Isto não tem necessariamente a ver com o PS e o seu governo. Tem a ver com tudo o que está para trás desde Cavaco Silva e das suas maiorias de votos expressos.
Com a resma de incompetências, de burrices e de crimes que se mostraram e praticaram.
Está tudo farto disto.
A SEDES, para quem não se lembra, fez vários alertas antes de 74.

20/02/2008

Lapalissada

Atribuir a designação de ciência a qualquer campo que vagueie ao sabor de modas é apenas asneira. Nada mais do que isso.
Rio Jamor, 18 de Fevereiro de 2008

Pode ser que sim

Pode ser que o Toronto trate dos assuntos nos E.U.A..
Pode ser que sim.
Mas ouvir, como ouvi há pouco na RTP N que João Pinto tinha ido aos Estados Unidos negociar com o Toronto, cheira-me ao de sempre, ignorância pura e dura.
Pode ser que esteja outra vez a ser injusto.
A escola especial

Sem investigar muito o assunto – e correndo o risco de estar a ser injusto – apenas guiando-me pelo que oiço a certas figuras, temo que se não distinga entre crianças cegas, surdas, sem mobilidade e as outras cuja diminuta capacidade mental nunca lhes permitirá aprender grande coisa.
Temo que se misture tudo com grave prejuízo para os primeiros e para a Nação.
E sem benefício para ninguém.

19/02/2008

Fidel

Já faltava menos de um ano para o cinquentenário.
Cada vez mais frequentes

É já certo que as alterações climáticas vão tornar mais frequentes as ocorrências de jorgedâbliubuxes. Toca a meter medo às criancinhas!
A propaganda

A propaganda para-científica das mudanças climáticas tem de facto sido eficaz.
Os repetidores estão por todo o lado.
Não há nada como o megafone com imagens. Tudo é prova de.

18/02/2008

Rio Jamor, esta tarde



Escombros das fundações de uma edificação derruída nas cheias de Novembro de 67.
Das coincidências

Poucas horas depois da conversa televisiva sobre cheias, eis que a precipitação em Lisboa atinge valores acima dos 50 mm em 8 horas*.
Não sendo um valor de catástrofe, já acordei ao som das sirenes de chamada.
E aqui mesmo ao lado morreu pelo menos uma pessoa**.


gráfico do IM


* mais de 100 mm em 24 horas, o que é um valor considerável.
** duas pessoas, afinal.
Comemoração

Dia disso. Dia muito disso.
Coisas da base dez. E da forma como ela nos condiciona a mente, as emoções. Afinal é contagem, aritmética, matemática.
À toa - II

Uma coisa que é muito comum em Portugal é o disparate especializado.
Ouvi, mais uma vez, da boca de uma dita especialista que os mortos nas cheias de 97 no Alentejo foram em zonas recentemente construídas.
Isto é apenas ignorância atrevida. Mas especializada. Muito especializada no disparate.

17/02/2008

À toa

Dizer que as cheias de 67 (como se disse no programa de Maria Elisa) são a segunda maior catástrofe natural – supõe-se que quanto ao número de mortos - em Portugal a seguir ao terramoto de 1755, sem se saber, como não se sabe, qual foi o número de baixas é uma afirmação gratuita.
Sem sabermos também, por exemplo, quais as baixas dos terramotos de 1531 e 1722 estamos com grande probabilidade em presença de fenómenos que causaram maior número de mortos do que as cheias desse ano.


misturar imagens das cheias de 97 no trecho respeitante às de 83 também é normal. É tudo à toa, como sempre.
Estação C.F. de Muge, 2006

Nossa Senhora da Assunção entre vinhas, 1995

16/02/2008

A roda da fortuna

Há neste caso ruidoso do Casino de Lisboa uma questão que é afinal a questão essencial e que anda completamente esquecida:
Um casino em Lisboa foi uma “ideia de génio” para devolver, à laia de chamariz, a afluência ao Parque Mayer.
Uma espécie de ovo de Colombo.
Vê-se agora que sim, que foi.
A dissolução

Eu tenho perfeita inconsciência de que os profetas da desgraça estão presentes em todas as eras.
E tenho igual inconsciência de que as projecções a um tempo que não seja alcançável não valem absolutamente nada. Descontando alguns raríssimos casos de visionários que agora sabemos terem-no sido. Eles próprios é que não o puderam comprovar.
Há alguns anos, quase vinte, disse a uns quantos com quem discutia a então adivinhada guerra dos eslavos do sul com os seus vizinhos que talvez um dia ainda tivéssemos que agradecer aos sérvios por não se quererem submeter na sua própria terra.
Acabadas as guerras acesas naquela zona, acantonados os sérvios, o ocidente prepara-se para lhes ferir mais um golpe decisivo.
É o próprio ocidente que se fere a si próprio. A pouco e pouco, fere-se de morte. E não se apercebe de que o faz.
Memória ferroviária

Haveria um sem fim de palavras se me pusesse a discorrer sobre as minhas memórias do túnel do Rossio.
Não as encontro.
Remeto-me (vos).

15/02/2008

E se...

Há quem efabule a partir de caminhos que a História não traçou. Fazendo comparações entre este e outro mundo, dito paralelo.
Nunca passei grande cartão a esses exercícios do “e se...”. Mas...
Mas interesso-me por coisas, objectos que não foram. Dos quais no entanto se conhece o sonho.
Tropecei ontem numa comunicação simposial – Consideração dos sismos no estudo dos novos edifícios para os Ministérios das Obras Públicas e das Comunicações (1) – da qual extraí indicações suficientes para me lançar a, com alguma fantasia, fazer esta fotomontagem.
Estão no documento as alturas de alguns corpos dos edifícios e a planta de implantação. O resto é aposta minha em cima de uma foto de Barao78 depositada na Wikimedia.




(1) – Engºs A. Bonneville Franco, F. Anjos Dinis, J. Cardoso de Lemos, L. Leal de Faria, Úlpio do Nascimento, G. Páscoa, D. Muralha, S. Fonseca e Ag. Técn. Engª. S. Pacheco, comunicação ao Simpósio sobre a acção de sismos e sua consideração no cálculo de construções in Boletim da Ordem dos Engenheiros, IV – 23 de 1-12-55, memória nº 120.

12/02/2008

Em busca de um deus

Vá lá saber-se quantos factores concorreram para que esta memória se reavivasse.
Um acaso talvez levou-me ontem (hoje) a escolher a foto da E.N. 373 (uma ampliação mázinha feita a partir de uma prova de contacto 24x36).
E um outro acaso fez com que rememoreasse os sucessos de uma data quatro anos anterior à foto.
Ao mesmo tempo, um aconchego a isso tudo. A companhia dessas andanças deu sinais de vida. Tudo isto junto...
Nesse dia de Abril de 91, andávamos em buscas de sinais de Endovélico, esse deus antigo como o são, ou devem ser, todos os deuses e que suscitava alguma curiosidade nessa época.
O certo é que o nosso useiro caracoroísmo de encruzilhadas nos levou àquele troço da 373.
Antes da ponte, um sinal à direita mandava-nos para a Mina do Bugalho. Obedecemos.
Mal virara o volante, o olhar perdeu-se no vale à esquerda e na estrutura que o vencia.
Qualquer coisa forte nos pregou àquele trecho de paisagem. É provável que tenhamos dispensado um ou dois cigarros à contemplação. Qualquer coisa nos venceu ali, numa batalha de que não tomámos conhecimento.
Seguimos para a Mina e da Mina para o Rosário, arrepiando parte do caminho.
E do santuário para Terena, por vaus quase secos e caminhos onde só os rústicos como eu fazem passar carros de cidade e estrada nova.
Aconteceu com esse episódio a curiosidade de o julgarmos imortalizado em foto e não o encontrarmos no rolo.
Passaram os tais quatro anos. Ou quase.
Um dia encalhei aqui numa estante num dossier pelo qual me lembrava vagamente de já ter passado os olhos.
Foi nesse momento que percebi que projecto era aquele, que ponte era aquela.
Tempos depois, bati esta foto aqui do post abaixo.
Ontem (hoje), pela primeira vez, percebi que a busca por Endovélico se nos apagou da mente naquele momento extático.
Acho tudo isto muito estranho.
E.N. 373, 1995

11/02/2008

Espólio (29)

No betão.
É no betão que te comemoro hoje. 90 anos depois.
Numa folha das tuas a que deste forma de pedra. E que resiste.

10/02/2008

A moeda do Crato


imagem do BCE

Já passou mais de um mês e ainda não tenho um exemplar que seja desta moeda ou dos seus submúltiplos.
Ao trazer hoje isto à baila assinalo também uma efeméride.
Que agora é maré delas.
Aqui ou no Crato.

09/02/2008

Coisas que vale mesmo a pena ler

Este post no Fiapo de Jaca.
A questão das percentagens

A incapacidade para lidar com a matemática de uma esmagadora percentagem da população e de muita gente licenciada só por si não justifica a asneirola.
É preciso aquele quê de estupidez adicional que afiança ser a nossa ignorância coisa negligenciável.
Desta feita, foi ao ler Medina Ribeiro no Sorumbático que tomei conhecimento de mais estes dois fascinantes disparates.
Vão para a colecção das percentagens.

Eu um dia ainda hei-de dizer o que pode, de facto, desvalorizar 400%. Ou mais.
Alguém arrisca um palpite?
Galardão

Agradeço à Dona T. a distinção que confere a estas páginas.
O galardão é, ainda por cima, bonito.
Não sei o que mais dizer. Não me sinto capaz de nomear outros cinco.

Montalegre, 2001

08/02/2008

Investimento e eficácia

À recentemente retomada discussão dos investimentos e da sua (in)eficácia no Portugal dos últimos séculos, há pouco ilustrei-a com o seguinte quadro:
Uma extensa fila de gente derramava-se da porta da papelaria aqui ao lado. Faltava quase nada para as 19 horas.
Quando lá entrei em busca da revista, depois da hora fatídica, não me contive – perguntei quantas pessoas tinham ficado de fora do sorteio.
A resposta foi que o número era incontável. Para eles que não viam muito para além da porta.
Agitprop

Outro dos sintomas denunciadores da pseudo-intelectualidade, nacional e estrangeira, é a confusão entre ciência e propaganda.

07/02/2008

06/02/2008

Quarta-feira de cinzento



Vejo agora que esta imagem me perseguiu estes anos todos, sem que eu desse por ela.
Era a minha companheira de imaginadas aventuras ao volante, vestida carnavalesca e empoadamente de madeirense, emoldurada na mesinha do telefone.
Ali, logo à vista de quem lhe entrava em casa.
Talvez que essa recordação se cimentasse pelo facto de eu pertencer a um subgrupo que não ostentava fotografias. Nem nas paredes, nem nas mesas nem em lado algum.
E que não andava por aí mascarado.
E.N. 117, 2006

04/02/2008

Bater no ceguinho

É aproveitar agora que o ceguinho está de rastos.

Escrevi pouco aqui sobre o assunto McCann. Onze posts com este, se não me enganei a contar, escassas linhas de cada vez.
Mas escrevi mais do que a maioria dos blogues que costumo ler.
Significa isto que dei mais atenção ao caso do que acho se deveria dar, uma vez que escolho as minhas leituras pela capacidade dos seus autores e delas noto agora que tiro uma medida, que é afinal minha.
Não tenho nenhuma ideia sobre o caso a não ser a trivial de que a história está muito mal contada.
Quanto à acção da polícia e da investigação, dei vaga nota do desnorte de que a primeira conferência foi veículo.
Tratou-se de um lamentável espectáculo.
De forma ridícula e atabalhoada tentou copiar-se o aparato e o cerimonial das conferências de imprensa à inglesa e à americana, apresentando não sei quantas pessoas com intervenção no caso.
Hora e meia foi o lapso de tempo que decorreu entre a hora aprazada e o começo efectivo sem outra razão plausível que não fosse a de reunir o tal painel, uma vez que as declarações como se sabe foram vazias de conteúdo.
Desse primeiro passo à recente intervenção do Director Nacional, o caminho das declarações proferidas e dos actos públicos é conhecido e lamentável.
Não tomo em consideração notícias de jornal, apenas coisas que ouço directamente da boca dos responsáveis, ainda que obviamente veiculadas por rádios ou televisões.

O ceguinho não se levantou?

Há pouco mais de um mês, dei uma escassa e romântica nota sobre um misterioso episódio com o qual tive contacto há mais de dez anos.
Não sei sobre ele muito mais do que contei então.
Neste caso, faço tenção de me socorrer dos jornais para vos dar uma ideia do que se passou então e do que foi sucedendo depois, ao longo dos anos, sem que o mistério deixasse de o ser:

Expresso de 9 de Novembro de 2002 – I; II (cópias das notícias)
Correio da Manhã de 24 de Outubro de 2006
A percepção da realidade

Não vale a pena entrar em caminhos de reflexão sobre o que é a realidade e o que é que tomamos por ela, antes e depois de a percebermos. Isso é problema com milénios de escrutínio que ainda não teve grandes soluções.
Adiante.
Mas no comezinho, na coisinha de trazer por casa, na vidinha dos dias uns atrás dos outros, em todos os outros inhos que nomear se possam para dar a ideia de vulgaridade, há alturas em que a realidade é suficientemente objectiva para dela se poder ter uma ideia utilitária capaz de ser passada e repassada aos outros.
Acho que foi com isso que chegámos aqui. A este ponto da História. Dizendo coisas uns aos outros. Umas vezes mais certas outras vezes mais erradas.

Uma coisa que (ainda) me custa é ver ou ouvir um jornalista que não percebe a notícia que está a dar ao mundo. Talvez porque é cada vez mais difícil assistir a um noticiário sem que tal aconteça.

A notícia desta noite, desta madrugada, é o caso das pessoas que estão em apuros lá para o Gerês.
A crer no que foi dito, algures entre a Portela do Homem e os Pitões das Júnias.
Ora a notícia refere sempre as pessoas como desaparecidas. E fala em buscas para as encontrar, ao mesmo tempo que nos diz que transmitiram, via telefone, as coordenadas do lugar em que se encontram.
Quem redigiu isto não percebeu várias coisas.
A primeira é que pessoas desaparecidas não costumam comunicar por telefone. É uma coisa que os desaparecidos têm, uma coisa lá deles, não gostam de dar notícias.
A segunda é que pessoas que comunicam a sua posição não carecem de ser encontradas, localizadas. Não é de uma busca que se trata, é de um resgate, de um salvamento.
Não perceber que se trata, pelo próprio teor da notícia, do resgate de gente que está em dificuldades e não de uma busca por desaparecidos parece-me apenas ser mais uma prova de que é mais fácil encontrar nos perfilados de qualquer paragem de autocarro um Q.I. médio superior ao dos alunos de alguns cursos de jornalismo do que o contrário.
Eu sei que estou a subsumir a partir deste e doutros casos. Mas apetece-me fazê-lo. Atão e agora?

02/02/2008

Imagens alheias


Praça Dom Pedro IV e Rua do Amparo - Fotografia de Armando Serôdio inscrita no Arquivo Municipal de Lisboa sob a cota AF\img71\A35496.jpg

Memórias pessoais.
Efeméride.
Garvão, 1994

Intelectos

Um dos sintomas denunciadores da pseudo-intelectualidade nacional é o recorrente riso alvar que está nela associado à palavra Matemática.
I & Mr. Teal

Acontece por vezes concorrer nas compras no supermercado aqui ao lado com Mr. Teal e seu chapéu.
Parece que os anos não passaram por ele.




Fotografia do actor Ivor Dean obtida em http://www.televisionheaven.co.uk/saint.htm

01/02/2008

O Regicídio

Sou republicano e considero o assassínio uma arma legítima em algumas circunstâncias, no actual estádio da evolução.
Sobre o Regicídio, depois de ter lido hoje muitas coisas com que concordo absolutamente, escritas pelos simpatizantes monárquicos e pelos que o condenaram, apenas registo que a actual situação, à excepção do Presidente da República, optou por um silêncio laudatório do assassinato político.
Um destes dias, criaturas capazes como são as da situação, virão decerto condenar toda e qualquer violência.
A cruz de Quintos


fotografia de João Espinho

Em tempos, encontrei esta foto no blogue do João Espinho – a Praça da República em Beja – e a sensação que me causou está lá hoje descrita, por gentileza dele que me chamou a integrar uma série de convidados semanais que escolhe e fala sobre uma das fotos que ele lá publicou.
Sem lisonja, acho a foto excepcional.
O facto de me ter suscitado memórias é apenas um complemento à submissão que ela me causa.
Socorro-me uma vez mais do meu velho SG, para acrescentar o que quer que seja ao que fica dito.

Sitiando a madrugada

Gastos os passos
Em tardes puídas de um inverno são.
Resta um pensamento enlutado
E uma estola de arminho pelada
Para desta janela te recordar viva.
Ainda ponho o jornal sobre o prato
E tu já não me fazes irritar.
Ah, levei o gato para casa de minha tia!
Vejo os pratos que empilho os dias todos
De semanas que prorrogam este lar
E desfaleço.
Volto a caminhar no mar de que tenho os mapas
E rotas há que só de noite me atrevo a percorrer,
Temor de azul que me fascina
Pelos perigos que se diriam simulados.
Chego ao porto.
Ancorado no velho sofá,
Preparo o tempo para um reveillon sempre adiado,
O sempre o mesmo smoking esfarrapado
Como as cordas das orquestras que se ouvem
Em sons de samba e bossa-nova.
Que aqui chegam ténues, os anos a passar (é meia-noite)
Sobre a tua campa.


1984

SG, "Dizeres do Sul", 1993

31/01/2008

Santo Antão do Tojal, 2006

O lixo

Deixámos entrar o lixo, deixámos que se reproduzisse.
Agora mandamos a cavalaria patrulhar as ruas.
E é isto.
Já não falta muito para estourar a panela.

29/01/2008

Amoreiras-Gare, 2008

Ora aí está

A minha ideia de Correia de Campos era a que aqui exprimi.
Um dos poucos com cabeça num governo acéfalo.
Não admira, pois, que saia.

Da ministra da Cultura, recordo apenas a sua figura, de capacete de protecção algo montagueano embora verde na cabeça e algures num descampado de Foz Coa, decerto receando que o céu lhe caísse em cima da cabeça. Que outra coisa não poderia ser.


imagem da RTP


post adendado e alindado com ilustração às 16:17

28/01/2008

A zona dos ribeirinhos

Quem é que pagámos*, quanto é que custou e para que é que serviu aquela apresentação musicada da frente ribeirinha de Lisboa, à qual uma empolgada jornalista chamou margem sul do Tejo?


* não é erro nem gralha, é mesmo preconceito.
** onde se ouve que "...será uma cidade mais vibrante, mais agradável!"
Os baleados da noite

Até agora, a sensação com que se fica a propósito da onda de mortes no Porto e destas duas últimas de Rio de Mouro é que não se perdeu nada.
Porém, isso só por si não justifica a impunidade com que estas coisas se vão repetindo. Com toda a gente a assobiar para o lado.
Nem isto começou com os casos do Porto nem se vê uma única medida eficaz para pôr na ordem o lúmpen.
Correcção de um erro

Disse aqui que os mapas que a Optimus e o Expresso oferecem há anos eram da responsabilidade - a julgar pelo verso dos ditos - do Guia Turístico do Norte, até 2005. E de 2006 em diante da Forways e que todos continham um erro de implantação da A2 na zona de Messejana.
Errei numa coisa e esse erro deve-se a ter presumido que o mapa de 2007 era igual aos de 2006 e 2008, por não o ter encontrado.
Não é. É da autoria da Turinta e está correcto na zona de Messejana.
O que torna ainda mais bizarro que o erro, depois de finalmente corrigido em 2007, regresse em 2008.
De qualquer forma penitencio-me pela precipitação e peço desculpa por isso.
E.N. 263, 2008