09/03/2008
Irritações
Uma coisa que me irrita supinamente nos blogues é a música obrigatória.
Quase sempre aos berros.
Para quem, como eu, gosta de navegar à noite, ouvindo baixo e em fundo algum canal de televisão, é um sobressalto ter que desligar as colunas numa correria, quando estas coisas começam a berrar, porque é claro é mais rápido fazê-lo do que ir à procura do local onde se pode terminar o ruído.
Cada um sabe de si e do que quer propor aos outros.
A mim irrita-me a sério.
Uma coisa que me irrita supinamente nos blogues é a música obrigatória.
Quase sempre aos berros.
Para quem, como eu, gosta de navegar à noite, ouvindo baixo e em fundo algum canal de televisão, é um sobressalto ter que desligar as colunas numa correria, quando estas coisas começam a berrar, porque é claro é mais rápido fazê-lo do que ir à procura do local onde se pode terminar o ruído.
Cada um sabe de si e do que quer propor aos outros.
A mim irrita-me a sério.
08/03/2008
O corpo docente (II)
É claro que a selecção das entrevistas de rua pode ser feita de forma a dar esta ou aquela impressão a quem vê uma sequência delas.
Mas é também claro que existe um número de professores que parece não ter ou não saber que razões tem para se manifestar.
O facto de constituírem a esmagadora maioria dos entrevistados pode ter a ver com o que disse acima. Ou não.
Conto ainda desenvolver o tema da contagem do número dos que se manifestaram.
É claro que a selecção das entrevistas de rua pode ser feita de forma a dar esta ou aquela impressão a quem vê uma sequência delas.
Mas é também claro que existe um número de professores que parece não ter ou não saber que razões tem para se manifestar.
O facto de constituírem a esmagadora maioria dos entrevistados pode ter a ver com o que disse acima. Ou não.
Conto ainda desenvolver o tema da contagem do número dos que se manifestaram.
07/03/2008
06/03/2008
05/03/2008
04/03/2008
03/03/2008
02/03/2008
Dia de encierro

mapa do RAC
O mapa que escolhi este ano apontava para uma clara supremacia verde.
O palpite que me soava aos ouvidos era de fartura de golos.
Até agora, parecem furados os dois.
Quanto ao encierro, há muito que me pergunto se a agressividade da juventude mentecapta não poderia ser canalizada para fins mais úteis.

mapa do RAC
O mapa que escolhi este ano apontava para uma clara supremacia verde.
O palpite que me soava aos ouvidos era de fartura de golos.
Até agora, parecem furados os dois.
Quanto ao encierro, há muito que me pergunto se a agressividade da juventude mentecapta não poderia ser canalizada para fins mais úteis.
01/03/2008
Medvedev
Vi um destes dias uma peça em que se comparava a incapacidade da senhora Clinton de pronunciar o nome do futuro ocupante do Kremlin com a dos vulgares, entrevistados na rua.
Medvedev é um nome que ainda há uma década atrás era repetido nas páginas de desporto e nessa época não me recordo de existir esta impossibilidade de articulação.
O certo é que também não vi então entrevistas de rua pedindo que repetissem o nome ou a primeira-dama dos E.U.A. a comentar as actuações do tenista.
Estas coisas da televisão são assim mesmo. E a memória curta também.
Vi um destes dias uma peça em que se comparava a incapacidade da senhora Clinton de pronunciar o nome do futuro ocupante do Kremlin com a dos vulgares, entrevistados na rua.
Medvedev é um nome que ainda há uma década atrás era repetido nas páginas de desporto e nessa época não me recordo de existir esta impossibilidade de articulação.
O certo é que também não vi então entrevistas de rua pedindo que repetissem o nome ou a primeira-dama dos E.U.A. a comentar as actuações do tenista.
Estas coisas da televisão são assim mesmo. E a memória curta também.
29/02/2008
Do Google
Não são estas as pesquisas que mais me interessam.
As que mais me interessam são as que se assemelham a alguém agarrado a uma lista telefónica como se fosse um espelho, espelho seu e pede: dá-me o número de telefone do António que ia sair com a Manela.
No entanto, são curiosas:
o que sao folhas dactilografadas
o riso e a proporção directa
Coisas da última hora.
Não são estas as pesquisas que mais me interessam.
As que mais me interessam são as que se assemelham a alguém agarrado a uma lista telefónica como se fosse um espelho, espelho seu e pede: dá-me o número de telefone do António que ia sair com a Manela.
No entanto, são curiosas:
o que sao folhas dactilografadas
o riso e a proporção directa
Coisas da última hora.
Coitado do António
Sou dos que não consideram as vantagens de enviar e receber SMS. Devo receber uns dez por ano e enviar zero – a combinação cartão pré-histórico / telefone recente nem sequer me deixa fazê-lo.
Não sendo quase uma festa quando recebo um – que a coisa tende mais a ser um aborrecimento – não posso deixar de lhe prestar atenção, por ser coisa rara.
Hoje recebi o que passo a transcrever na íntegra, respeitando a grafia e os espaços:
OLA ANTONIO! DESCULPE, MAS NAO POSSO IR AO YAT BEN. TENHO KE FICAR ATE MAIS TARDE,AJUDAR MEU SOBRINHO NA CLINICA. GOSTAVA DE IR MAS... ELE PEDIU ME. VA E DIVIRTA-SE. 1 BEIJO DA MANELA
Juro que a primeira coisa que me ocorreu é que se tratava de má publicidade.
Mas não me cheira que seja, embora com o meu gesto, se eu estiver agora enganado, esteja a dar uma ajudinha à divulgação.
Coitado do António!
Sou dos que não consideram as vantagens de enviar e receber SMS. Devo receber uns dez por ano e enviar zero – a combinação cartão pré-histórico / telefone recente nem sequer me deixa fazê-lo.
Não sendo quase uma festa quando recebo um – que a coisa tende mais a ser um aborrecimento – não posso deixar de lhe prestar atenção, por ser coisa rara.
Hoje recebi o que passo a transcrever na íntegra, respeitando a grafia e os espaços:
OLA ANTONIO! DESCULPE, MAS NAO POSSO IR AO YAT BEN. TENHO KE FICAR ATE MAIS TARDE,AJUDAR MEU SOBRINHO NA CLINICA. GOSTAVA DE IR MAS... ELE PEDIU ME. VA E DIVIRTA-SE. 1 BEIJO DA MANELA
Juro que a primeira coisa que me ocorreu é que se tratava de má publicidade.
Mas não me cheira que seja, embora com o meu gesto, se eu estiver agora enganado, esteja a dar uma ajudinha à divulgação.
Coitado do António!
Ocasião perdida
Pelo que se ouve, pelo que se lê, perdi uma boa ocasião para me documentar.
Reconheço que há muito vou colhendo aqui e ali provas de competência ou de incompetência dos políticos que temos. Dos políticos e dos responsáveis do sistema judicial. E dos outros que, não sendo nem uma coisa nem outra, influem na marcha das coisas mais do que eu.
Baseio-me numa trivialidade: homens inteligentes jamais proferem certas afirmações, jamais concebem um silogismo absurdo, jamais dão provas de ignorância atrevida e sentenciosa; homens estúpidos jamais conseguem estribar-se em fundamentos e raciocinar habilmente a partir deles.
Basta, portanto, colher aqui ou ali uma prova de uma coisa ou de outra e catalogar o respectivo orador. Que feio que é catalogar as pessoas! Mas eu faço-o.
Pelos vistos, dizia, perdi hoje uma boa ocasião para me documentar.
Há tempos que a ARTv me anda a fazer erisipela. Mas, caramba, quando é assim tão mau – a acreditar no que dizem – até dispõe bem.
O amigo Bic Laranja refere-se a outro caso. Tudo a pedir Danny Kaye.
Pelo que se ouve, pelo que se lê, perdi uma boa ocasião para me documentar.
Reconheço que há muito vou colhendo aqui e ali provas de competência ou de incompetência dos políticos que temos. Dos políticos e dos responsáveis do sistema judicial. E dos outros que, não sendo nem uma coisa nem outra, influem na marcha das coisas mais do que eu.
Baseio-me numa trivialidade: homens inteligentes jamais proferem certas afirmações, jamais concebem um silogismo absurdo, jamais dão provas de ignorância atrevida e sentenciosa; homens estúpidos jamais conseguem estribar-se em fundamentos e raciocinar habilmente a partir deles.
Basta, portanto, colher aqui ou ali uma prova de uma coisa ou de outra e catalogar o respectivo orador. Que feio que é catalogar as pessoas! Mas eu faço-o.
Pelos vistos, dizia, perdi hoje uma boa ocasião para me documentar.
Há tempos que a ARTv me anda a fazer erisipela. Mas, caramba, quando é assim tão mau – a acreditar no que dizem – até dispõe bem.
O amigo Bic Laranja refere-se a outro caso. Tudo a pedir Danny Kaye.
28/02/2008
O cemitério de Carnide
Eu devo ser um tipo muito fora da norma: no mesmo dia, assisti a três enterros no cemitério de Carnide.
Fui acompanhar um dos mortos e vi, à porta da parada, dois cortejos em fila de espera.
Soube ontem que o local é impróprio para inumações e que os enterramentos ali estão praticamente suspensos.
Vi e ouvi na reportagem uma senhora dizer que “os antigos sabiam melhor do que nós escolher os locais para os cemitérios”.
Quanto a mim, casos destes só deixam duas hipóteses: uma profunda estupidez ou uma aldrabice qualquer.
Inclino-me sempre para a primeira hipótese. Sempre.
Notícias velhas sobre o caso:
No JN; no DN.
Eu devo ser um tipo muito fora da norma: no mesmo dia, assisti a três enterros no cemitério de Carnide.
Fui acompanhar um dos mortos e vi, à porta da parada, dois cortejos em fila de espera.
Soube ontem que o local é impróprio para inumações e que os enterramentos ali estão praticamente suspensos.
Vi e ouvi na reportagem uma senhora dizer que “os antigos sabiam melhor do que nós escolher os locais para os cemitérios”.
Quanto a mim, casos destes só deixam duas hipóteses: uma profunda estupidez ou uma aldrabice qualquer.
Inclino-me sempre para a primeira hipótese. Sempre.
Notícias velhas sobre o caso:
No JN; no DN.
27/02/2008
Restos de colecção (65)

clicar para ampliar
Há um porradão de anos já, quando estes horários começaram a desaparecer dos escaparates, encontrei por detrás da bilheteira um velho amigo.
Perguntei se os iam deitar fora. Deu-me um rolo deles em resposta. Daqui lhe agradeço, embora ele já não possa saber que o faço mais uma vez.

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Há um porradão de anos já, quando estes horários começaram a desaparecer dos escaparates, encontrei por detrás da bilheteira um velho amigo.
Perguntei se os iam deitar fora. Deu-me um rolo deles em resposta. Daqui lhe agradeço, embora ele já não possa saber que o faço mais uma vez.
26/02/2008
O muro da 117
Num dos lados da 117, o esquerdo*, há um muro desde que me conheço. Ali no troço entre Queluz e Belas.
A função do muro não é estrutural. É um muro de divisão, entre a estrada e o campo. Como o são a maior parte dos muros que existem por esse país fora.
No dia 18, a estrada inundou com a forte precipitação que se fez sentir.
Diz-se que havia uma fila de carros parados com receio de atravessar o lençol de água que se formara.
Diz-se que as pessoas presentes no local faziam o que podiam para evitar que os menos conscientes se metessem a atravessá-lo.
Uma coisa é certa, a pressão da água – da estrada para fora desta – arrastou o muro e com ele levou um carro que não devia estar a circular naquele momento naquele ponto.
Querer responsabilizar agora as autoridades pelo acontecido apenas pode ter um caminho – responsabilizá-las por não terem encerrado a estrada e com isso impedido os inconscientes de por ela se aventurarem. Com o risco de pagarem com a vida.
Mas não se deveria também responsabilizar as autoridades por darem licença de condução aos inconscientes?
Ou teremos que ter, afinal, um polícia a cada esquina?
*As estradas, como os rios, têm margem esquerda e direita. Porque têm um sentido, o da marcação quilométrica.
Num dos lados da 117, o esquerdo*, há um muro desde que me conheço. Ali no troço entre Queluz e Belas.
A função do muro não é estrutural. É um muro de divisão, entre a estrada e o campo. Como o são a maior parte dos muros que existem por esse país fora.
No dia 18, a estrada inundou com a forte precipitação que se fez sentir.
Diz-se que havia uma fila de carros parados com receio de atravessar o lençol de água que se formara.
Diz-se que as pessoas presentes no local faziam o que podiam para evitar que os menos conscientes se metessem a atravessá-lo.
Uma coisa é certa, a pressão da água – da estrada para fora desta – arrastou o muro e com ele levou um carro que não devia estar a circular naquele momento naquele ponto.
Querer responsabilizar agora as autoridades pelo acontecido apenas pode ter um caminho – responsabilizá-las por não terem encerrado a estrada e com isso impedido os inconscientes de por ela se aventurarem. Com o risco de pagarem com a vida.
Mas não se deveria também responsabilizar as autoridades por darem licença de condução aos inconscientes?
Ou teremos que ter, afinal, um polícia a cada esquina?
*As estradas, como os rios, têm margem esquerda e direita. Porque têm um sentido, o da marcação quilométrica.
25/02/2008
Conta-me como foi*
Sou apreciador da série da RTP, copiada da espanhola.
Como em tudo na vida, é-me difícil dizer o que me atrai ali.
Mas nunca poderia ser o facto de me identificar com o Carlitos – apesar da idade ser parelha – por a voz off me mostrar uma caricatura demasiado atrasada de uma mente com nove anos. Nove anos digo eu que era a minha idade em 68 (já vamos em 69, me parece) e pode bem ser a idade do Carlitos.
Ainda assim, apesar de haver ali mais caricatura do que realidade, sou fã.
Pode ser que hajam os habituais anacronismos, as chapas de matrícula em plástico quando no tempo elas eram ainda quase todas em metal e muita outra coisa que escapou aos aderecistas, como é costume.
Mas eu gosto de ver.
*título de série da RTP
Sou apreciador da série da RTP, copiada da espanhola.
Como em tudo na vida, é-me difícil dizer o que me atrai ali.
Mas nunca poderia ser o facto de me identificar com o Carlitos – apesar da idade ser parelha – por a voz off me mostrar uma caricatura demasiado atrasada de uma mente com nove anos. Nove anos digo eu que era a minha idade em 68 (já vamos em 69, me parece) e pode bem ser a idade do Carlitos.
Ainda assim, apesar de haver ali mais caricatura do que realidade, sou fã.
Pode ser que hajam os habituais anacronismos, as chapas de matrícula em plástico quando no tempo elas eram ainda quase todas em metal e muita outra coisa que escapou aos aderecistas, como é costume.
Mas eu gosto de ver.
*título de série da RTP
24/02/2008
22/02/2008
O mal estar difuso
O alerta da SEDES é apenas mais um.
Qualquer pessoa atenta aos sinais sabe do que se trata.
A reacção do PS é a que se previa. Diz que é exagero, tremendismo.
Será que já perceberam o mesmo do que toda a gente?
Isto não tem necessariamente a ver com o PS e o seu governo. Tem a ver com tudo o que está para trás desde Cavaco Silva e das suas maiorias de votos expressos.
Com a resma de incompetências, de burrices e de crimes que se mostraram e praticaram.
Está tudo farto disto.
A SEDES, para quem não se lembra, fez vários alertas antes de 74.
O alerta da SEDES é apenas mais um.
Qualquer pessoa atenta aos sinais sabe do que se trata.
A reacção do PS é a que se previa. Diz que é exagero, tremendismo.
Será que já perceberam o mesmo do que toda a gente?
Isto não tem necessariamente a ver com o PS e o seu governo. Tem a ver com tudo o que está para trás desde Cavaco Silva e das suas maiorias de votos expressos.
Com a resma de incompetências, de burrices e de crimes que se mostraram e praticaram.
Está tudo farto disto.
A SEDES, para quem não se lembra, fez vários alertas antes de 74.
21/02/2008
20/02/2008
A escola especial
Sem investigar muito o assunto – e correndo o risco de estar a ser injusto – apenas guiando-me pelo que oiço a certas figuras, temo que se não distinga entre crianças cegas, surdas, sem mobilidade e as outras cuja diminuta capacidade mental nunca lhes permitirá aprender grande coisa.
Temo que se misture tudo com grave prejuízo para os primeiros e para a Nação.
E sem benefício para ninguém.
Sem investigar muito o assunto – e correndo o risco de estar a ser injusto – apenas guiando-me pelo que oiço a certas figuras, temo que se não distinga entre crianças cegas, surdas, sem mobilidade e as outras cuja diminuta capacidade mental nunca lhes permitirá aprender grande coisa.
Temo que se misture tudo com grave prejuízo para os primeiros e para a Nação.
E sem benefício para ninguém.
19/02/2008
18/02/2008
Rio Jamor, esta tarde

Escombros das fundações de uma edificação derruída nas cheias de Novembro de 67.

Escombros das fundações de uma edificação derruída nas cheias de Novembro de 67.
Das coincidências
Poucas horas depois da conversa televisiva sobre cheias, eis que a precipitação em Lisboa atinge valores acima dos 50 mm em 8 horas*.
Não sendo um valor de catástrofe, já acordei ao som das sirenes de chamada.
E aqui mesmo ao lado morreu pelo menos uma pessoa**.

gráfico do IM
* mais de 100 mm em 24 horas, o que é um valor considerável.
** duas pessoas, afinal.
Poucas horas depois da conversa televisiva sobre cheias, eis que a precipitação em Lisboa atinge valores acima dos 50 mm em 8 horas*.
Não sendo um valor de catástrofe, já acordei ao som das sirenes de chamada.
E aqui mesmo ao lado morreu pelo menos uma pessoa**.

gráfico do IM
* mais de 100 mm em 24 horas, o que é um valor considerável.
** duas pessoas, afinal.
À toa - II
Uma coisa que é muito comum em Portugal é o disparate especializado.
Ouvi, mais uma vez, da boca de uma dita especialista que os mortos nas cheias de 97 no Alentejo foram em zonas recentemente construídas.
Isto é apenas ignorância atrevida. Mas especializada. Muito especializada no disparate.
Uma coisa que é muito comum em Portugal é o disparate especializado.
Ouvi, mais uma vez, da boca de uma dita especialista que os mortos nas cheias de 97 no Alentejo foram em zonas recentemente construídas.
Isto é apenas ignorância atrevida. Mas especializada. Muito especializada no disparate.
17/02/2008
À toa
Dizer que as cheias de 67 (como se disse no programa de Maria Elisa) são a segunda maior catástrofe natural – supõe-se que quanto ao número de mortos - em Portugal a seguir ao terramoto de 1755, sem se saber, como não se sabe, qual foi o número de baixas é uma afirmação gratuita.
Sem sabermos também, por exemplo, quais as baixas dos terramotos de 1531 e 1722 estamos com grande probabilidade em presença de fenómenos que causaram maior número de mortos do que as cheias desse ano.
misturar imagens das cheias de 97 no trecho respeitante às de 83 também é normal. É tudo à toa, como sempre.
Dizer que as cheias de 67 (como se disse no programa de Maria Elisa) são a segunda maior catástrofe natural – supõe-se que quanto ao número de mortos - em Portugal a seguir ao terramoto de 1755, sem se saber, como não se sabe, qual foi o número de baixas é uma afirmação gratuita.
Sem sabermos também, por exemplo, quais as baixas dos terramotos de 1531 e 1722 estamos com grande probabilidade em presença de fenómenos que causaram maior número de mortos do que as cheias desse ano.
misturar imagens das cheias de 97 no trecho respeitante às de 83 também é normal. É tudo à toa, como sempre.
16/02/2008
A roda da fortuna
Há neste caso ruidoso do Casino de Lisboa uma questão que é afinal a questão essencial e que anda completamente esquecida:
Um casino em Lisboa foi uma “ideia de génio” para devolver, à laia de chamariz, a afluência ao Parque Mayer.
Uma espécie de ovo de Colombo.
Vê-se agora que sim, que foi.
Há neste caso ruidoso do Casino de Lisboa uma questão que é afinal a questão essencial e que anda completamente esquecida:
Um casino em Lisboa foi uma “ideia de génio” para devolver, à laia de chamariz, a afluência ao Parque Mayer.
Uma espécie de ovo de Colombo.
Vê-se agora que sim, que foi.
A dissolução
Eu tenho perfeita inconsciência de que os profetas da desgraça estão presentes em todas as eras.
E tenho igual inconsciência de que as projecções a um tempo que não seja alcançável não valem absolutamente nada. Descontando alguns raríssimos casos de visionários que agora sabemos terem-no sido. Eles próprios é que não o puderam comprovar.
Há alguns anos, quase vinte, disse a uns quantos com quem discutia a então adivinhada guerra dos eslavos do sul com os seus vizinhos que talvez um dia ainda tivéssemos que agradecer aos sérvios por não se quererem submeter na sua própria terra.
Acabadas as guerras acesas naquela zona, acantonados os sérvios, o ocidente prepara-se para lhes ferir mais um golpe decisivo.
É o próprio ocidente que se fere a si próprio. A pouco e pouco, fere-se de morte. E não se apercebe de que o faz.
Eu tenho perfeita inconsciência de que os profetas da desgraça estão presentes em todas as eras.
E tenho igual inconsciência de que as projecções a um tempo que não seja alcançável não valem absolutamente nada. Descontando alguns raríssimos casos de visionários que agora sabemos terem-no sido. Eles próprios é que não o puderam comprovar.
Há alguns anos, quase vinte, disse a uns quantos com quem discutia a então adivinhada guerra dos eslavos do sul com os seus vizinhos que talvez um dia ainda tivéssemos que agradecer aos sérvios por não se quererem submeter na sua própria terra.
Acabadas as guerras acesas naquela zona, acantonados os sérvios, o ocidente prepara-se para lhes ferir mais um golpe decisivo.
É o próprio ocidente que se fere a si próprio. A pouco e pouco, fere-se de morte. E não se apercebe de que o faz.
Memória ferroviária
Haveria um sem fim de palavras se me pusesse a discorrer sobre as minhas memórias do túnel do Rossio.
Não as encontro.
Remeto-me (vos).
Haveria um sem fim de palavras se me pusesse a discorrer sobre as minhas memórias do túnel do Rossio.
Não as encontro.
Remeto-me (vos).
15/02/2008
E se...
Há quem efabule a partir de caminhos que a História não traçou. Fazendo comparações entre este e outro mundo, dito paralelo.
Nunca passei grande cartão a esses exercícios do “e se...”. Mas...
Mas interesso-me por coisas, objectos que não foram. Dos quais no entanto se conhece o sonho.
Tropecei ontem numa comunicação simposial – Consideração dos sismos no estudo dos novos edifícios para os Ministérios das Obras Públicas e das Comunicações (1) – da qual extraí indicações suficientes para me lançar a, com alguma fantasia, fazer esta fotomontagem.
Estão no documento as alturas de alguns corpos dos edifícios e a planta de implantação. O resto é aposta minha em cima de uma foto de Barao78 depositada na Wikimedia.

(1) – Engºs A. Bonneville Franco, F. Anjos Dinis, J. Cardoso de Lemos, L. Leal de Faria, Úlpio do Nascimento, G. Páscoa, D. Muralha, S. Fonseca e Ag. Técn. Engª. S. Pacheco, comunicação ao Simpósio sobre a acção de sismos e sua consideração no cálculo de construções in Boletim da Ordem dos Engenheiros, IV – 23 de 1-12-55, memória nº 120.
Há quem efabule a partir de caminhos que a História não traçou. Fazendo comparações entre este e outro mundo, dito paralelo.
Nunca passei grande cartão a esses exercícios do “e se...”. Mas...
Mas interesso-me por coisas, objectos que não foram. Dos quais no entanto se conhece o sonho.
Tropecei ontem numa comunicação simposial – Consideração dos sismos no estudo dos novos edifícios para os Ministérios das Obras Públicas e das Comunicações (1) – da qual extraí indicações suficientes para me lançar a, com alguma fantasia, fazer esta fotomontagem.
Estão no documento as alturas de alguns corpos dos edifícios e a planta de implantação. O resto é aposta minha em cima de uma foto de Barao78 depositada na Wikimedia.

(1) – Engºs A. Bonneville Franco, F. Anjos Dinis, J. Cardoso de Lemos, L. Leal de Faria, Úlpio do Nascimento, G. Páscoa, D. Muralha, S. Fonseca e Ag. Técn. Engª. S. Pacheco, comunicação ao Simpósio sobre a acção de sismos e sua consideração no cálculo de construções in Boletim da Ordem dos Engenheiros, IV – 23 de 1-12-55, memória nº 120.
13/02/2008
12/02/2008
Em busca de um deus
Vá lá saber-se quantos factores concorreram para que esta memória se reavivasse.
Um acaso talvez levou-me ontem (hoje) a escolher a foto da E.N. 373 (uma ampliação mázinha feita a partir de uma prova de contacto 24x36).
E um outro acaso fez com que rememoreasse os sucessos de uma data quatro anos anterior à foto.
Ao mesmo tempo, um aconchego a isso tudo. A companhia dessas andanças deu sinais de vida. Tudo isto junto...
Nesse dia de Abril de 91, andávamos em buscas de sinais de Endovélico, esse deus antigo como o são, ou devem ser, todos os deuses e que suscitava alguma curiosidade nessa época.
O certo é que o nosso useiro caracoroísmo de encruzilhadas nos levou àquele troço da 373.
Antes da ponte, um sinal à direita mandava-nos para a Mina do Bugalho. Obedecemos.
Mal virara o volante, o olhar perdeu-se no vale à esquerda e na estrutura que o vencia.
Qualquer coisa forte nos pregou àquele trecho de paisagem. É provável que tenhamos dispensado um ou dois cigarros à contemplação. Qualquer coisa nos venceu ali, numa batalha de que não tomámos conhecimento.
Seguimos para a Mina e da Mina para o Rosário, arrepiando parte do caminho.
E do santuário para Terena, por vaus quase secos e caminhos onde só os rústicos como eu fazem passar carros de cidade e estrada nova.
Aconteceu com esse episódio a curiosidade de o julgarmos imortalizado em foto e não o encontrarmos no rolo.
Passaram os tais quatro anos. Ou quase.
Um dia encalhei aqui numa estante num dossier pelo qual me lembrava vagamente de já ter passado os olhos.
Foi nesse momento que percebi que projecto era aquele, que ponte era aquela.
Tempos depois, bati esta foto aqui do post abaixo.
Ontem (hoje), pela primeira vez, percebi que a busca por Endovélico se nos apagou da mente naquele momento extático.
Acho tudo isto muito estranho.
Vá lá saber-se quantos factores concorreram para que esta memória se reavivasse.
Um acaso talvez levou-me ontem (hoje) a escolher a foto da E.N. 373 (uma ampliação mázinha feita a partir de uma prova de contacto 24x36).
E um outro acaso fez com que rememoreasse os sucessos de uma data quatro anos anterior à foto.
Ao mesmo tempo, um aconchego a isso tudo. A companhia dessas andanças deu sinais de vida. Tudo isto junto...
Nesse dia de Abril de 91, andávamos em buscas de sinais de Endovélico, esse deus antigo como o são, ou devem ser, todos os deuses e que suscitava alguma curiosidade nessa época.
O certo é que o nosso useiro caracoroísmo de encruzilhadas nos levou àquele troço da 373.
Antes da ponte, um sinal à direita mandava-nos para a Mina do Bugalho. Obedecemos.
Mal virara o volante, o olhar perdeu-se no vale à esquerda e na estrutura que o vencia.
Qualquer coisa forte nos pregou àquele trecho de paisagem. É provável que tenhamos dispensado um ou dois cigarros à contemplação. Qualquer coisa nos venceu ali, numa batalha de que não tomámos conhecimento.
Seguimos para a Mina e da Mina para o Rosário, arrepiando parte do caminho.
E do santuário para Terena, por vaus quase secos e caminhos onde só os rústicos como eu fazem passar carros de cidade e estrada nova.
Aconteceu com esse episódio a curiosidade de o julgarmos imortalizado em foto e não o encontrarmos no rolo.
Passaram os tais quatro anos. Ou quase.
Um dia encalhei aqui numa estante num dossier pelo qual me lembrava vagamente de já ter passado os olhos.
Foi nesse momento que percebi que projecto era aquele, que ponte era aquela.
Tempos depois, bati esta foto aqui do post abaixo.
Ontem (hoje), pela primeira vez, percebi que a busca por Endovélico se nos apagou da mente naquele momento extático.
Acho tudo isto muito estranho.
11/02/2008
10/02/2008
A moeda do Crato

imagem do BCE
Já passou mais de um mês e ainda não tenho um exemplar que seja desta moeda ou dos seus submúltiplos.
Ao trazer hoje isto à baila assinalo também uma efeméride.
Que agora é maré delas.
Aqui ou no Crato.

imagem do BCE
Já passou mais de um mês e ainda não tenho um exemplar que seja desta moeda ou dos seus submúltiplos.
Ao trazer hoje isto à baila assinalo também uma efeméride.
Que agora é maré delas.
Aqui ou no Crato.
09/02/2008
A questão das percentagens
A incapacidade para lidar com a matemática de uma esmagadora percentagem da população e de muita gente licenciada só por si não justifica a asneirola.
É preciso aquele quê de estupidez adicional que afiança ser a nossa ignorância coisa negligenciável.
Desta feita, foi ao ler Medina Ribeiro no Sorumbático que tomei conhecimento de mais estes dois fascinantes disparates.
Vão para a colecção das percentagens.
Eu um dia ainda hei-de dizer o que pode, de facto, desvalorizar 400%. Ou mais.
Alguém arrisca um palpite?
A incapacidade para lidar com a matemática de uma esmagadora percentagem da população e de muita gente licenciada só por si não justifica a asneirola.
É preciso aquele quê de estupidez adicional que afiança ser a nossa ignorância coisa negligenciável.
Desta feita, foi ao ler Medina Ribeiro no Sorumbático que tomei conhecimento de mais estes dois fascinantes disparates.
Vão para a colecção das percentagens.
Eu um dia ainda hei-de dizer o que pode, de facto, desvalorizar 400%. Ou mais.
Alguém arrisca um palpite?
Galardão
Agradeço à Dona T. a distinção que confere a estas páginas.
O galardão é, ainda por cima, bonito.
Não sei o que mais dizer. Não me sinto capaz de nomear outros cinco.
Agradeço à Dona T. a distinção que confere a estas páginas.
O galardão é, ainda por cima, bonito.
Não sei o que mais dizer. Não me sinto capaz de nomear outros cinco.
08/02/2008
Investimento e eficácia
À recentemente retomada discussão dos investimentos e da sua (in)eficácia no Portugal dos últimos séculos, há pouco ilustrei-a com o seguinte quadro:
Uma extensa fila de gente derramava-se da porta da papelaria aqui ao lado. Faltava quase nada para as 19 horas.
Quando lá entrei em busca da revista, depois da hora fatídica, não me contive – perguntei quantas pessoas tinham ficado de fora do sorteio.
A resposta foi que o número era incontável. Para eles que não viam muito para além da porta.
À recentemente retomada discussão dos investimentos e da sua (in)eficácia no Portugal dos últimos séculos, há pouco ilustrei-a com o seguinte quadro:
Uma extensa fila de gente derramava-se da porta da papelaria aqui ao lado. Faltava quase nada para as 19 horas.
Quando lá entrei em busca da revista, depois da hora fatídica, não me contive – perguntei quantas pessoas tinham ficado de fora do sorteio.
A resposta foi que o número era incontável. Para eles que não viam muito para além da porta.
Agitprop
Outro dos sintomas denunciadores da pseudo-intelectualidade, nacional e estrangeira, é a confusão entre ciência e propaganda.
Outro dos sintomas denunciadores da pseudo-intelectualidade, nacional e estrangeira, é a confusão entre ciência e propaganda.
06/02/2008
Quarta-feira de cinzento

Vejo agora que esta imagem me perseguiu estes anos todos, sem que eu desse por ela.
Era a minha companheira de imaginadas aventuras ao volante, vestida carnavalesca e empoadamente de madeirense, emoldurada na mesinha do telefone.
Ali, logo à vista de quem lhe entrava em casa.
Talvez que essa recordação se cimentasse pelo facto de eu pertencer a um subgrupo que não ostentava fotografias. Nem nas paredes, nem nas mesas nem em lado algum.
E que não andava por aí mascarado.

Vejo agora que esta imagem me perseguiu estes anos todos, sem que eu desse por ela.
Era a minha companheira de imaginadas aventuras ao volante, vestida carnavalesca e empoadamente de madeirense, emoldurada na mesinha do telefone.
Ali, logo à vista de quem lhe entrava em casa.
Talvez que essa recordação se cimentasse pelo facto de eu pertencer a um subgrupo que não ostentava fotografias. Nem nas paredes, nem nas mesas nem em lado algum.
E que não andava por aí mascarado.
05/02/2008
04/02/2008
Bater no ceguinho
É aproveitar agora que o ceguinho está de rastos.
Escrevi pouco aqui sobre o assunto McCann. Onze posts com este, se não me enganei a contar, escassas linhas de cada vez.
Mas escrevi mais do que a maioria dos blogues que costumo ler.
Significa isto que dei mais atenção ao caso do que acho se deveria dar, uma vez que escolho as minhas leituras pela capacidade dos seus autores e delas noto agora que tiro uma medida, que é afinal minha.
Não tenho nenhuma ideia sobre o caso a não ser a trivial de que a história está muito mal contada.
Quanto à acção da polícia e da investigação, dei vaga nota do desnorte de que a primeira conferência foi veículo.
Tratou-se de um lamentável espectáculo.
De forma ridícula e atabalhoada tentou copiar-se o aparato e o cerimonial das conferências de imprensa à inglesa e à americana, apresentando não sei quantas pessoas com intervenção no caso.
Hora e meia foi o lapso de tempo que decorreu entre a hora aprazada e o começo efectivo sem outra razão plausível que não fosse a de reunir o tal painel, uma vez que as declarações como se sabe foram vazias de conteúdo.
Desse primeiro passo à recente intervenção do Director Nacional, o caminho das declarações proferidas e dos actos públicos é conhecido e lamentável.
Não tomo em consideração notícias de jornal, apenas coisas que ouço directamente da boca dos responsáveis, ainda que obviamente veiculadas por rádios ou televisões.
O ceguinho não se levantou?
Há pouco mais de um mês, dei uma escassa e romântica nota sobre um misterioso episódio com o qual tive contacto há mais de dez anos.
Não sei sobre ele muito mais do que contei então.
Neste caso, faço tenção de me socorrer dos jornais para vos dar uma ideia do que se passou então e do que foi sucedendo depois, ao longo dos anos, sem que o mistério deixasse de o ser:
Expresso de 9 de Novembro de 2002 – I; II (cópias das notícias)
Correio da Manhã de 24 de Outubro de 2006
É aproveitar agora que o ceguinho está de rastos.
Escrevi pouco aqui sobre o assunto McCann. Onze posts com este, se não me enganei a contar, escassas linhas de cada vez.
Mas escrevi mais do que a maioria dos blogues que costumo ler.
Significa isto que dei mais atenção ao caso do que acho se deveria dar, uma vez que escolho as minhas leituras pela capacidade dos seus autores e delas noto agora que tiro uma medida, que é afinal minha.
Não tenho nenhuma ideia sobre o caso a não ser a trivial de que a história está muito mal contada.
Quanto à acção da polícia e da investigação, dei vaga nota do desnorte de que a primeira conferência foi veículo.
Tratou-se de um lamentável espectáculo.
De forma ridícula e atabalhoada tentou copiar-se o aparato e o cerimonial das conferências de imprensa à inglesa e à americana, apresentando não sei quantas pessoas com intervenção no caso.
Hora e meia foi o lapso de tempo que decorreu entre a hora aprazada e o começo efectivo sem outra razão plausível que não fosse a de reunir o tal painel, uma vez que as declarações como se sabe foram vazias de conteúdo.
Desse primeiro passo à recente intervenção do Director Nacional, o caminho das declarações proferidas e dos actos públicos é conhecido e lamentável.
Não tomo em consideração notícias de jornal, apenas coisas que ouço directamente da boca dos responsáveis, ainda que obviamente veiculadas por rádios ou televisões.
O ceguinho não se levantou?
Há pouco mais de um mês, dei uma escassa e romântica nota sobre um misterioso episódio com o qual tive contacto há mais de dez anos.
Não sei sobre ele muito mais do que contei então.
Neste caso, faço tenção de me socorrer dos jornais para vos dar uma ideia do que se passou então e do que foi sucedendo depois, ao longo dos anos, sem que o mistério deixasse de o ser:
Expresso de 9 de Novembro de 2002 – I; II (cópias das notícias)
Correio da Manhã de 24 de Outubro de 2006
A percepção da realidade
Não vale a pena entrar em caminhos de reflexão sobre o que é a realidade e o que é que tomamos por ela, antes e depois de a percebermos. Isso é problema com milénios de escrutínio que ainda não teve grandes soluções.
Adiante.
Mas no comezinho, na coisinha de trazer por casa, na vidinha dos dias uns atrás dos outros, em todos os outros inhos que nomear se possam para dar a ideia de vulgaridade, há alturas em que a realidade é suficientemente objectiva para dela se poder ter uma ideia utilitária capaz de ser passada e repassada aos outros.
Acho que foi com isso que chegámos aqui. A este ponto da História. Dizendo coisas uns aos outros. Umas vezes mais certas outras vezes mais erradas.
Uma coisa que (ainda) me custa é ver ou ouvir um jornalista que não percebe a notícia que está a dar ao mundo. Talvez porque é cada vez mais difícil assistir a um noticiário sem que tal aconteça.
A notícia desta noite, desta madrugada, é o caso das pessoas que estão em apuros lá para o Gerês.
A crer no que foi dito, algures entre a Portela do Homem e os Pitões das Júnias.
Ora a notícia refere sempre as pessoas como desaparecidas. E fala em buscas para as encontrar, ao mesmo tempo que nos diz que transmitiram, via telefone, as coordenadas do lugar em que se encontram.
Quem redigiu isto não percebeu várias coisas.
A primeira é que pessoas desaparecidas não costumam comunicar por telefone. É uma coisa que os desaparecidos têm, uma coisa lá deles, não gostam de dar notícias.
A segunda é que pessoas que comunicam a sua posição não carecem de ser encontradas, localizadas. Não é de uma busca que se trata, é de um resgate, de um salvamento.
Não perceber que se trata, pelo próprio teor da notícia, do resgate de gente que está em dificuldades e não de uma busca por desaparecidos parece-me apenas ser mais uma prova de que é mais fácil encontrar nos perfilados de qualquer paragem de autocarro um Q.I. médio superior ao dos alunos de alguns cursos de jornalismo do que o contrário.
Eu sei que estou a subsumir a partir deste e doutros casos. Mas apetece-me fazê-lo. Atão e agora?
Não vale a pena entrar em caminhos de reflexão sobre o que é a realidade e o que é que tomamos por ela, antes e depois de a percebermos. Isso é problema com milénios de escrutínio que ainda não teve grandes soluções.
Adiante.
Mas no comezinho, na coisinha de trazer por casa, na vidinha dos dias uns atrás dos outros, em todos os outros inhos que nomear se possam para dar a ideia de vulgaridade, há alturas em que a realidade é suficientemente objectiva para dela se poder ter uma ideia utilitária capaz de ser passada e repassada aos outros.
Acho que foi com isso que chegámos aqui. A este ponto da História. Dizendo coisas uns aos outros. Umas vezes mais certas outras vezes mais erradas.
Uma coisa que (ainda) me custa é ver ou ouvir um jornalista que não percebe a notícia que está a dar ao mundo. Talvez porque é cada vez mais difícil assistir a um noticiário sem que tal aconteça.
A notícia desta noite, desta madrugada, é o caso das pessoas que estão em apuros lá para o Gerês.
A crer no que foi dito, algures entre a Portela do Homem e os Pitões das Júnias.
Ora a notícia refere sempre as pessoas como desaparecidas. E fala em buscas para as encontrar, ao mesmo tempo que nos diz que transmitiram, via telefone, as coordenadas do lugar em que se encontram.
Quem redigiu isto não percebeu várias coisas.
A primeira é que pessoas desaparecidas não costumam comunicar por telefone. É uma coisa que os desaparecidos têm, uma coisa lá deles, não gostam de dar notícias.
A segunda é que pessoas que comunicam a sua posição não carecem de ser encontradas, localizadas. Não é de uma busca que se trata, é de um resgate, de um salvamento.
Não perceber que se trata, pelo próprio teor da notícia, do resgate de gente que está em dificuldades e não de uma busca por desaparecidos parece-me apenas ser mais uma prova de que é mais fácil encontrar nos perfilados de qualquer paragem de autocarro um Q.I. médio superior ao dos alunos de alguns cursos de jornalismo do que o contrário.
Eu sei que estou a subsumir a partir deste e doutros casos. Mas apetece-me fazê-lo. Atão e agora?
03/02/2008
02/02/2008
Imagens alheias

Praça Dom Pedro IV e Rua do Amparo - Fotografia de Armando Serôdio inscrita no Arquivo Municipal de Lisboa sob a cota AF\img71\A35496.jpg
Memórias pessoais.
Efeméride.

Praça Dom Pedro IV e Rua do Amparo - Fotografia de Armando Serôdio inscrita no Arquivo Municipal de Lisboa sob a cota AF\img71\A35496.jpg
Memórias pessoais.
Efeméride.
I & Mr. Teal
Acontece por vezes concorrer nas compras no supermercado aqui ao lado com Mr. Teal e seu chapéu.
Parece que os anos não passaram por ele.

Fotografia do actor Ivor Dean obtida em http://www.televisionheaven.co.uk/saint.htm
Acontece por vezes concorrer nas compras no supermercado aqui ao lado com Mr. Teal e seu chapéu.
Parece que os anos não passaram por ele.

Fotografia do actor Ivor Dean obtida em http://www.televisionheaven.co.uk/saint.htm
01/02/2008
O Regicídio
Sou republicano e considero o assassínio uma arma legítima em algumas circunstâncias, no actual estádio da evolução.
Sobre o Regicídio, depois de ter lido hoje muitas coisas com que concordo absolutamente, escritas pelos simpatizantes monárquicos e pelos que o condenaram, apenas registo que a actual situação, à excepção do Presidente da República, optou por um silêncio laudatório do assassinato político.
Um destes dias, criaturas capazes como são as da situação, virão decerto condenar toda e qualquer violência.
Sou republicano e considero o assassínio uma arma legítima em algumas circunstâncias, no actual estádio da evolução.
Sobre o Regicídio, depois de ter lido hoje muitas coisas com que concordo absolutamente, escritas pelos simpatizantes monárquicos e pelos que o condenaram, apenas registo que a actual situação, à excepção do Presidente da República, optou por um silêncio laudatório do assassinato político.
Um destes dias, criaturas capazes como são as da situação, virão decerto condenar toda e qualquer violência.
A cruz de Quintos

fotografia de João Espinho
Em tempos, encontrei esta foto no blogue do João Espinho – a Praça da República em Beja – e a sensação que me causou está lá hoje descrita, por gentileza dele que me chamou a integrar uma série de convidados semanais que escolhe e fala sobre uma das fotos que ele lá publicou.
Sem lisonja, acho a foto excepcional.
O facto de me ter suscitado memórias é apenas um complemento à submissão que ela me causa.
Socorro-me uma vez mais do meu velho SG, para acrescentar o que quer que seja ao que fica dito.
Sitiando a madrugada
Gastos os passos
Em tardes puídas de um inverno são.
Resta um pensamento enlutado
E uma estola de arminho pelada
Para desta janela te recordar viva.
Ainda ponho o jornal sobre o prato
E tu já não me fazes irritar.
Ah, levei o gato para casa de minha tia!
Vejo os pratos que empilho os dias todos
De semanas que prorrogam este lar
E desfaleço.
Volto a caminhar no mar de que tenho os mapas
E rotas há que só de noite me atrevo a percorrer,
Temor de azul que me fascina
Pelos perigos que se diriam simulados.
Chego ao porto.
Ancorado no velho sofá,
Preparo o tempo para um reveillon sempre adiado,
O sempre o mesmo smoking esfarrapado
Como as cordas das orquestras que se ouvem
Em sons de samba e bossa-nova.
Que aqui chegam ténues, os anos a passar (é meia-noite)
Sobre a tua campa.
1984
SG, "Dizeres do Sul", 1993

fotografia de João Espinho
Em tempos, encontrei esta foto no blogue do João Espinho – a Praça da República em Beja – e a sensação que me causou está lá hoje descrita, por gentileza dele que me chamou a integrar uma série de convidados semanais que escolhe e fala sobre uma das fotos que ele lá publicou.
Sem lisonja, acho a foto excepcional.
O facto de me ter suscitado memórias é apenas um complemento à submissão que ela me causa.
Socorro-me uma vez mais do meu velho SG, para acrescentar o que quer que seja ao que fica dito.
Sitiando a madrugada
Gastos os passos
Em tardes puídas de um inverno são.
Resta um pensamento enlutado
E uma estola de arminho pelada
Para desta janela te recordar viva.
Ainda ponho o jornal sobre o prato
E tu já não me fazes irritar.
Ah, levei o gato para casa de minha tia!
Vejo os pratos que empilho os dias todos
De semanas que prorrogam este lar
E desfaleço.
Volto a caminhar no mar de que tenho os mapas
E rotas há que só de noite me atrevo a percorrer,
Temor de azul que me fascina
Pelos perigos que se diriam simulados.
Chego ao porto.
Ancorado no velho sofá,
Preparo o tempo para um reveillon sempre adiado,
O sempre o mesmo smoking esfarrapado
Como as cordas das orquestras que se ouvem
Em sons de samba e bossa-nova.
Que aqui chegam ténues, os anos a passar (é meia-noite)
Sobre a tua campa.
1984
SG, "Dizeres do Sul", 1993
31/01/2008
30/01/2008
29/01/2008
Ora aí está
A minha ideia de Correia de Campos era a que aqui exprimi.
Um dos poucos com cabeça num governo acéfalo.
Não admira, pois, que saia.
Da ministra da Cultura, recordo apenas a sua figura, de capacete de protecção algo montagueano embora verde na cabeça e algures num descampado de Foz Coa, decerto receando que o céu lhe caísse em cima da cabeça. Que outra coisa não poderia ser.

imagem da RTP
post adendado e alindado com ilustração às 16:17
A minha ideia de Correia de Campos era a que aqui exprimi.
Um dos poucos com cabeça num governo acéfalo.
Não admira, pois, que saia.
Da ministra da Cultura, recordo apenas a sua figura, de capacete de protecção algo montagueano embora verde na cabeça e algures num descampado de Foz Coa, decerto receando que o céu lhe caísse em cima da cabeça. Que outra coisa não poderia ser.

imagem da RTP
post adendado e alindado com ilustração às 16:17
28/01/2008
A zona dos ribeirinhos
Quem é que pagámos*, quanto é que custou e para que é que serviu aquela apresentação musicada da frente ribeirinha de Lisboa, à qual uma empolgada jornalista chamou margem sul do Tejo?
* não é erro nem gralha, é mesmo preconceito.
** onde se ouve que "...será uma cidade mais vibrante, mais agradável!"
Quem é que pagámos*, quanto é que custou e para que é que serviu aquela apresentação musicada da frente ribeirinha de Lisboa, à qual uma empolgada jornalista chamou margem sul do Tejo?
* não é erro nem gralha, é mesmo preconceito.
** onde se ouve que "...será uma cidade mais vibrante, mais agradável!"
Os baleados da noite
Até agora, a sensação com que se fica a propósito da onda de mortes no Porto e destas duas últimas de Rio de Mouro é que não se perdeu nada.
Porém, isso só por si não justifica a impunidade com que estas coisas se vão repetindo. Com toda a gente a assobiar para o lado.
Nem isto começou com os casos do Porto nem se vê uma única medida eficaz para pôr na ordem o lúmpen.
Até agora, a sensação com que se fica a propósito da onda de mortes no Porto e destas duas últimas de Rio de Mouro é que não se perdeu nada.
Porém, isso só por si não justifica a impunidade com que estas coisas se vão repetindo. Com toda a gente a assobiar para o lado.
Nem isto começou com os casos do Porto nem se vê uma única medida eficaz para pôr na ordem o lúmpen.
Correcção de um erro
Disse aqui que os mapas que a Optimus e o Expresso oferecem há anos eram da responsabilidade - a julgar pelo verso dos ditos - do Guia Turístico do Norte, até 2005. E de 2006 em diante da Forways e que todos continham um erro de implantação da A2 na zona de Messejana.
Errei numa coisa e esse erro deve-se a ter presumido que o mapa de 2007 era igual aos de 2006 e 2008, por não o ter encontrado.
Não é. É da autoria da Turinta e está correcto na zona de Messejana.
O que torna ainda mais bizarro que o erro, depois de finalmente corrigido em 2007, regresse em 2008.
De qualquer forma penitencio-me pela precipitação e peço desculpa por isso.
Disse aqui que os mapas que a Optimus e o Expresso oferecem há anos eram da responsabilidade - a julgar pelo verso dos ditos - do Guia Turístico do Norte, até 2005. E de 2006 em diante da Forways e que todos continham um erro de implantação da A2 na zona de Messejana.
Errei numa coisa e esse erro deve-se a ter presumido que o mapa de 2007 era igual aos de 2006 e 2008, por não o ter encontrado.
Não é. É da autoria da Turinta e está correcto na zona de Messejana.
O que torna ainda mais bizarro que o erro, depois de finalmente corrigido em 2007, regresse em 2008.
De qualquer forma penitencio-me pela precipitação e peço desculpa por isso.
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