09/07/2008

Cães de guarda

Ainda há uma certa dificuldade em aceitar que os cães de guarda mal treinados podem morder o dono.
Mas se são cães de guarda...

08/07/2008

A nostalgia do jaquinzinho

Ou a saudade.
Dos tempos de os comer na mesa do dominó, derrubando um agarrafão a poder de carrinhos de linhas.
Ao lado da cabine de madeira.
Tanto fazia que cá fora fosse inverno ou inferno.
Talvez o poeta viesse vender umas “lindas quadras” em papel bíblia ou similar.
Divórcio

Foi no dia em que morreu Amália Rodrigues. Tinham acabado de o noticiar na rádio.
Ainda me lembro do aspecto deles.
Vinham sorridentes e amarrados de olhares.
Quando passaram por mim, nos corredores do Tribunal, ele com inconfundível sotaque alentejano, perguntou-lhe:
Então? Está tudo? Já estamos divorciados? Não há mais nada para assinar?
Ela confirmou as negativas com um sorriso malandro.
Já posso então casar-me com a...
Ela riu-se e empurrou-o no ombro, como só as mulheres sabem fazer. Ou melhor, como só o elas o fazem.
Continuava ele a cantar as alegrias do divórcio, gesticulando e falando alto, quando os vi enlaçarem-se, beijarem-se e desaparecerem dentro de um carro, a caminho do Sol Posto e de São Luís.

04/07/2008

Estrela, 2000



Na realidade, são 1993. Ao cimo da Rua dos Mercadores.
Cheeseburger and fries

Dizem os papagaios das agências que os americanos resgatados na selva colombiana a primeira coisa que pediram para comer foi “cheeseburger and fries”.
Independentemente de ser verdade ou mentira, independentemente da coisa ser atribuída a todos, em vez de a um ou a outro, independentemente do nenhum interesse para a história deste caso que um tal pormenor tem, há uma coisa que me fica.
E essa coisa é justamente o que é que leva um organismo humano formado num determinado habitat, depois de um tempo prolongado de sujeição a condições muito diversas daquele, a ter necessidade de satisfazer este ou aquele impulso, de retorno às condições primitivas?
O que é que há aqui para além da bioquímica? Se é que há alguma coisa para além dela. E se não há, o que é que acontece à luz dela, bioquímica?
Faltará muito para sabermos estas e outras respostas do género? Ou nunca lá chegaremos?
Recado aos burros

Num tempo em que o erro se propaga a uma velocidade nunca vista, em que a asneira sai em borbotões evitando que as moscas entrem em quase todas as bocas, num tempo assim, há pouco a fazer ou a dizer para mostrar que isto ou aquilo é um disparate, um erro de palmatória.



Calhou, sabe-se lá por que carga d’água que um burro qualquer se tivesse encantado com uma fotografia que tirei no Largo da Escola em 1981 e da qual já falei aqui.
No post em que a publiquei inicialmente, lá estava o ano. Lisboa, 1981. O burro ou não soube copiar, ou terá pensado que, se alterasse a data, podia publicar a foto como sua que ninguém dava por nada.
O burro não sabia, é claro, que em 1964, a Toyota ainda não fabricava o Corolla que é o carro em primeiro plano (já da segunda geração, salvo o erro). Só o lançou dois anos depois.
O burro não sabia, é claro, que em 1964, a Citroën ainda não fabricava o GS. Só o passou a fazer em 1970. Que é o carro (GS ou GSA) a seguir ao Toyota.
O burro não sabia que há na fotografia cem outras coisas que tornam impossível que tivesse sido tirada em 1964. O burro não sabia que mesmo existindo essas cem, basta uma, só uma, para mostrar que é impossível.
O burro e os burros todos que se encarregaram e ainda encarregam de propagar o erro, difundindo-o desta ou daquela forma, pois circula por aí em milhentos embrulhos e aparece quando menos se espera, acompanhada de um séquito de outras fotografias sem que haja a mínima menção de autoria, de referência, etc.. Quando não, aparece em posts de tipos cheios de imaginação.
É claro que me irrita a fotografia ser minha.
Mas cada vez tenho também menos paciência para os burros e para a burrice que a tudo sobrepuja.
E se isto é coisa velha em mim, muito velha, também é facto que vai azedando com a idade.
Este blogue está a converter-se numa praça azeda. Tenho disso consciência. Azeda como eu.

E, modéstia à parte, sabendo que os meus leitores habituais nada têm a ver com esta catilinária, a eles peço desculpa.
E.N. 370, 1997

02/07/2008

The flying circus*

Era para participar o roubo de um carro.
Roubo, não, furto.

O graduado, educadíssimo, prestimosíssimo e eloquente, explicou a diferença entre participar ali, face a um simples fax e participar acolá, face a moderníssimos meios informáticos, depois da breve prelecção sobre os roubos de carros a duas, a quatro e as mais mãos armadas.
Fê-lo com a voz bem colocada, marcial e com toda a diligência que se impunha.
A parte “flying circus” começou quando ele se demorou, talvez com trejeitos de pescoço, a enumerar as diferenças uma a uma, enquanto já ensaiávamos passos de retirada.
Quase me fez pensar que era mesmo por necessidade de falar. Estaria também sózinho na esquadra?

Duas horas, no mínimo – disse o sentinela invisível à primeira, consentindo assim pela sua má colocação o adentrar da esquadra a três elementos com cara de poucos amigos. Dois, não três, porque eu fiquei-me à porta depois de ter gritado “Paulinho! Estamos a chegar aos cinquenta! A ver se nos juntamos todos um dia destes!” para o meu velho amigo e colega da 1ª classe.
Deveria ter desconfiado quando o vi ali, à porta, do lado de fora, que seriam duas horas no mínimo.
E do lado de fora, como ele estava, também à espera que os moderníssimos meios informáticos o escutassem nas suas queixas.

Acho que a parte “flying circus” ainda não acabou.


*roubado ou, melhor dizendo, furtado aos Monty Python
Espólio (30)


espólio Campos Vilhena, fotos de MSG

Vila Nova de Milfontes, fim dos anos 50 / início dos anos 60.
Desentranhadas estas fotos do processo por causa deste postal de Elsinore.
Há mais de três anos.

01/07/2008

I rest my case


imagem da SIC N, manchete do JN

É a velha história do ar. Não existe porque não se vê.

30/06/2008

No Allgarve

Em Portugal y compris o Reino do Algarve, não existe uma Estrada Nacional 127.
Já no Allgarve, de acordo com o seu Guia de Eventos para 2008...

é clicar!


(clicando no rectângulo vermelho, vê-se a coisa)

29/06/2008

Para a próxima


imagem da Marca


Ganha a equipa do país do senhor da direita de quem vê daqui.
É o único palpite (a única certeza) compatível com a pseudo-ciência instalada por aí.
Olhando para dois pontos medidos de qualquer coisa de que se poderia ter medido mais infinitos pontos (não é o caso aqui), olhando apenas para esses dois, de imediato se estabelece a curva. Se houver (como aqui há) uma boa intenção para que a curva seja assim e não assado, então não há que enganar.
É aquilo a que hoje o vulgo chama ciência.
E.N. 18, passagem superior à Linha do Alentejo (antiga Linha do Sul), 2000

28/06/2008

Na Praça Dom Pedro V

A jornalista da SIC N está na Praça Dom Pedro V, em Lisboa – disse e repetiu já três vezes.
Deve ser mais uma vez uma questão de fusos horários de avô para neto, como do Marquês para o Saldanha.
No estúdio, disseram Rossio.
Carvalho da Silva

Quando ouço falar Carvalho da Silva, ocorre-me de há tempos* para cá: este homem é um doutor por extenso!


* Há menos de um ano, pelos vistos. Eu diria que o é desde sempre.
Costa ocidental, 2007

27/06/2008

Investir na inteligência

Não nos esqueçamos de que, na base deste caso do Tribunal da Feira, independentemente das ínvias relações de causa-efeito com agressões a magistrados que se queiram estabelecer, está um edifício ou mal projectado, mal calculado ou mal construído.
O investimento que aqui falta é na inteligência.

Depois, é claro, e com isso, temos o estado a que aquilo a que teimamos em chamar justiça chegou.

25/06/2008

Caldas de Monchique, 1989

Olho de Boi, 2008

Morfeu e eu

Havia um tipo em que eu reconhecia um familiar em forma ainda que não em conteúdo que me dizia: “A ti, só te interessam os homens da tua família quando, com a idade, se tornam sábios.”
Eu acho que lhe dei razão, como se dá nos sonhos, sem abrir a boca, sem fazer um gesto.

23/06/2008

Investir nas auto-estradas

Não sei há quantos anos é que não se investe na inteligência em Portugal.
Há sempre aquela suspeita de que os burros que mandam não vêem com bons olhos o aproveitamento dos mais capazes.
Este caso repetido dos últimos dias do facilitismo nos exames de Matemática não é bem sinal disso. É sinal de outra coisa que lhe anda associada, é sinal verde para os incapazes lograrem chegar onde não devem e ao mesmo tempo distorcer as estatísticas do aproveitamento escolar.
Deparar com um licenciado incapaz de qualquer tipo de raciocínio mais ou menos complexo é trivial hoje em dia.
É quase um “Foge, estupor, que te fazem doutor!”
Ao mesmo tempo, e isso era o meu ponto, o aproveitamento dos alunos fora de série é negligenciado. Não há nenhum tipo de programa apontado para seleccionar, separar e instruir os muito capazes. E aproveitá-los por cá.
Isso é mesmo impensável. O que queremos mesmo é a mediocridade. É a ela que cantamos loas todos os dias.
Lisboa, 2008

19/06/2008

A falta de eficácia

Nada de surpresas, portanto.
A tradicional falta de eficácia que, mesmo com os alemães de rastos e nas lonas, não deu a volta.
Continua a ser uma das melhores selecções do mundo a portuguesa. Se fosse mais racional, poderia ser campeã de qualquer coisa.
Sem surpresa (vol. 2)

Qualquer dos posts que escrevi nos finais das primeiras partes dos jogos que vi se aplicaria agora.
Apenas acrescentando que há adversários que são paredes para nós. E são quase sempre os mesmos.
O facto de a coisa se repetir por três vezes deve querer dizer que há uma certa regularidade.
Talvez Ronaldo passe a bola na segunda parte.
Em busca de coisas perdidas

Nesta coisa de causa-efeito, é estultícia atrevermo-nos a estabelecer essa relação muito para além das convenções. E mesmo dentro delas...
Já aqui me demorei a esse propósito.
Por isso, não sei a causa mas conheço o efeito. E o efeito é que aqui há uns tempos, me dei conta de que almejava possuir um Cristo-Rei de plástico. Daqueles que se viam antigamente, já sem um braço, por essas prateleiras da vida.
Também sem causa de mim conhecida, aquela coisa de certa vez querer buscar o Cabo Verdeão.
Quis matar ontem ambas as instâncias.
E, se ao Cabo Verdeão ainda foi possível entrever naquele vislumbre que é característico das visões verdes – como o famoso raio crepuscular, já do adereço plástico não houve pista nem rasto.
Um dia, quem sabe, encontro um já reformado.
E talvez passe já à bexiga sonora.

Rio Tejo, 2008

17/06/2008

A faixa do meio

Estou convencido de que, se perguntássemos, aos tipos que usam a faixa do meio da auto-estrada com três faixas, quando a da direita está desimpedidíssima, qual a razão por que o fazem, não saberiam responder.
Estou convencido de que, se perguntássemos, aos tipos que têm blogues que pesam mais do que 25MB, qual a razão de tanta informação junta, não saberiam responder.
Estou ainda convencido de que a ambos escapa as consequências de uma e de outra coisa. Grave a primeira, insignificante ainda que chata a segunda.
Não me perguntem como cheguei eu a convencer-me de tal. Escapa-me essa razão.
A tabuada e os protestos

Ao contrário da recitação da tabuada, em que o que conta é a letra, nos protestos populares o relevante é a música. A letra é desprezável.
Quimeras da juventude

Quando comecei a interessar-me por política, andava a coisa para ser o fim do regime marcelista.
Discutíamos às noitadas, à porta do café, de que lado viria o golpe fatal. Como toda a gente fazia, decerto, em outros lugares e em outras circunstâncias.
Mais tarde, quando a revolução deixou o país à deriva, e a necessitar de tratamento de choque, a minha preocupação era não a de ver melhorias mas a de perceber sinais que apontassem para o estabelecimento de uma base firme a partir da qual, fosse possível construir uma economia, desenvolver o país. Nem que para isso as coisas tivessem então que piorar ainda mais.
Nunca tive, como já aqui disse, a quimera de mudar o mundo, ideais fantásticos ou coisas do género. Limitava-me a coisas mais banais, a de fundar as coisas em terra firme.
Vejo agora que a minha quimera era igual à dos idealistas.
E vejo mais, que ainda persiste.
Ainda hoje tenho esperança de ver alguém pôr isto com os pés na terra. Nem que a coisa tenha que piorar mais um bom bocado.
Ericeira, 2006

15/06/2008

Lx

Há uma relação entre civilização e cheiro a mijo.
Enquanto não conseguimos – os homens, a ciência e a técnica - estabelecer a objectividade do que disse acima, talvez através da comparação de diversas épocas, lugares e odores, avanço com a comparação subjectiva da Lisboa que fedia nos anos 60 da minha infância e que depois se foi lavando pelos 70 e 80 para piorar muito na década passada.
Lisboa fede em dias como o de hoje. Está urinada em todas as esquinas.
Passo por um troço do caminho de sempre, desse sempre sessentista, depois de render homenagem a uma memória com apenas dez anos.

Na Feira, tratam-me por senhor doutor. E ponho-me a pensar o que haverá na minha presença física que leve alguém a graduar-me. Talvez não seja no porte nem no atavio, mas na folha A4 onde apontei livros a comprar. Senhor doutor, esse livro foi retirado porque estava cheio de gralhas. Compre a 3ª edição.
Não faço ideia da revolução que sofreu a revisão dos livros. Verifico que há editoras em que gralhas e erros de palmatória são presença obrigatória de há uns tempos para cá.
Recentemente, ofereceram-me um livro que abria com um troço da árvore genealógica da Casa Real de Portugal. Tinha tanta asneira que logo ali pensei terminar a leitura.

A temperatura está amêndoa. Magnífica. Apetece andar pelo parque, independentemente dos livros. Cruzo-me com dois pares de olhos. Voltarei mais tarde ao primeiro par.
Há um cheiro bom aqui. Qualquer coisa que me faz andar com o radar às voltas. Vejo enfim a fila para a tenda. E sopeso a hipótese de me render também. Resisto, porque me digo o que realmente me apetece comer.

Depois de devidamente carregado, empreendo a retirada. A temperatura, a luz, os aromas do parque dificultam a empresa. Mas passo pelo pindérico falo e encaro, pela primeira vez, com olhos de ver, as edificações que nasceram nas laterais do parque, a norte. Encolho os ombros para dentro e volto a encarar as artérias mijadas onde não há vivalma. Tal é a raridade que acabo por cumprimentar um polícia de guarda a instalações do Estado.

Na gare, sento-me no banco contrário ao cais que me interessa. Observo o absurdo da decoração e ocorre-me a máxima de Loos no meio de outras discussões que travo comigo sobre os constrangimentos que um projecto sofre em função do mijo. Do cheiro a mijo. Como projectar para quem mija na rua. Lembro-me agora, enquanto escrevo isto, de uma chapa que certa vez vi o meu Pai mandar soldar numa ponte. Não impede que mijem, mas estorva muito – dizia-me.

É mais ou menos nesta altura que vejo a moça vistosa – assim capa de revista e tal, que trava e se senta ao meu lado. Quando divisei bem a que a perseguia, ocorreu-me um jogo de palavras. A primeira era deslumbrante e vistosa. A segunda, discreta, era o sonho em pessoa.
123. Foi o número que me ocorreu. Mas depois vi que era absurdamente grande. Talvez 17 seja mais realista como o número de mulheres absolutamente divinas com que nos cruzamos na vida. É aqui que entra outra vez o par de olhos lá de trás. Podia ser que me desmentisse, dado significar assim dois avistamentos num só dia. Mas não. Nem o par de olhos se pode incluir nesse círculo essencial das visões da tentação nem o acaso de, a incluir-se, num só dia acontecer uma carambola extraordinária deita por terra a curteza do número.
Talvez um dia consigamos – os homens, a ciência e a técnica - estabelecer a objectividade do que disse acima. Agora aqui em cima. Saber o que é uma feminil tentação divina e quantas vezes um homem a experimentou, em média, em cada época, local e meio social.

Afinal interpelam-me. Se era aquele o cais para Alverca.
Eu, que andava ocupado em arquitecturas do mijo e que me sentara num banco do cais que não me interessava, é que haveria de saber!
Acho que me tomaram pelo homem que via passar os comboios, visto ali ter permanecido, à chegada do cavalo de ferro.
Ou por um burro carregado de livros.

Os comboios suburbanos são hoje de novo uma experiência neo-realista. Como o foram no tempo em que havia cachos de passageiros pendurados nas portas, há vinte anos.

13/06/2008

UE

A Europa é, ela mesma, uma excepção. Desde os tempos remotos (há quase quarenta anos) em que havia tipos que colavam nos carros, ao pé da matrícula, uma oval a dizer EU.



Já a democracia é, a bem dizer, como o anti-racismo. Quanto mais democratas, menos se deve ouvir as massas.
UE

Seguir-se-á mais uma volta ao bilhar.
Dentro em breve, haverá outro documento para assinar, outro almoço na cocheira.

Nem Santo António valeu ao Tratado de Lisboa!
Talvez porque esta situação se assemelha não a um casamento, a uma união, mas a uma relação em que não se leva para casa da namorada mais do que um saco de roupa.


imagem da Sky News
Lisboa, 2008

12/06/2008

Das divisões do Mundo (episódios n+5 e n+6)

Uma das linhas mais visíveis das que dividem as elites das massas passa pelos pontos onde se deixa de poder falar de tudo, de analisar tudo, de pôr tudo em questão.

Há uma linha que divide a sociedade portuguesa e é visível nestes dias.
De um lado estão os que sabem o que é a baderna, ainda se lembram bem do que é a malta à solta.
Do outro, os que não têm memória de tal e ainda não sabem do que a malta é capaz.

11/06/2008

Sócrates

Este, o que nos governa, parece ser o tipo de pessoa que não se apercebe sequer do que o rodeia, do que está prestes a acontecer. A acontecer-lhe.
Em 2004 tivemos Santana Lopes apenas como intróito antes da entrada do seu opositor de balcão televisivo.
Se algumas dúvidas houvesse de que se equivaliam...
Ganhar à Chéquia

No último europeu, mencionei a famosa moça que não chegou a dançar com o anfitrião.
Sabe-se o desfecho da coisa.
A equipa checa que apareceu neste campeonato é inferior à de 2004. Viu-se isso contra a Suiça e viu-se também hoje.
Ainda assim, ganhar-lhe é um feito. Que mostra que a selecção portuguesa, quando quer, é uma das melhores do mundo.
É preciso notar a forma física dos nossos jogadores. Mérito do sobrinho do mestre.
Sem surpresa

Com uma equipa de alto nível, as coisas não estão a correr mal nem bem.
Vê-se que falta aquele que manda no meio-campo.
Para a segunda parte, talvez mais do mesmo. Talvez Ronaldo passe a bola como fez na segunda parte do último jogo.
Como o jogo está, qualquer resultado é igualmente provável.

Dava jeito um bloqueio de camiões à frente da baliza.
Ou alguém a distribuir abonos de família acrescentados na linha da frente.

10/06/2008

A baderna

O uso da força bruta tem os seus perigos. Volta e meia vira-se o feitiço contra o feiticeiro.
Um país governado por gente muito pouco inteligente tem sempre um problema a mais para resolver.
Lisboa, 2008

Lisboa, 2008

Saudades da baderna

Se há coisa de que eu não sinto a mínima saudade é da baderna e dos baderneiros.
E da sua lógica imbatível. Melhor, daquela coisa a que eles chamam lógica com toda a convicção.

09/06/2008

Da memória de elefante

Há coisas que não devemos fazer.
Relembrar factos a quem não se lembra deles ou não tem, porque não deveria ter, memória directa deles mas apenas por ouvir dizer a poderia ter.
Há coisas que não devemos fazer.
Relembrar factos que estejam dependentes de uma determinada sequência aparente de causa-efeito a quem não é capaz de a estabelecer.
É um erro crasso que cai em cima de quem o comete.
Portugal, esta noite

07/06/2008

E o resto

A segunda parte - Ronaldo a passar a bola - deu para ganhar.
Não jogaram mal.
A defesa

A defesa, Ricardo incluído, com destaque para Ricardo Carvalho e Bosingwa.
João Moutinho e Simão Sabrosa.
Os turcos na mó de baixo.
Mas não chega para ganhar o jogo.
Lisboa, 2008

06/06/2008

Nariz

Independentemente do que diz a literatura, digo eu que, na dobra do meio-século, o que mais me aviva a memória é o cheiro.
Mesmo agora entrou-me aqui pela janela do escritório um cheiro a maresia.
Mas não uma maresia qualquer. Uma maresia antiga, de casas com quintais divididos a canas. Com polvos a secar nas ditas secas e nada de energia eléctrica.

04/06/2008

Covas de lobo

Há algum tempo fiz aqui referência à aversão ou ao temor que me suscitavam os call centers.
Tive recentemente uma experiência inenarrável com a ZON TvCabo. Experiência essa que eles fazem questão em prolongar no tempo, mesmo depois de eu a ter dado por encerrada, com anedotas atrás de anedotas.
Substanciei assim o meu processo contra os ditos. De uma forma que me leva a suspeitar que, para além das notas que pude ler numa revista (Sábado, 213, 29/05/08, p.110) um destes dias a propósito das óbvias filtragens e endereçamento que sofrem as chamadas que lá chegam, em função da origem, há um tecto para o Q.I. dos atendedores. E é, salve-se a linguagem aeronáutica, um tecto baixo. Muito baixo.
A utilização destes idiotas na linha da frente funciona assim à laia de covas de lobo. Quem neles cai, dificilmente progride. É uma táctica como outra qualquer.
Resulta. Resultou eficaz comigo.
Nunca mais ligarei para tais sítios.
Barac bac bac

É a fala do dia.
Estação C.F. de Beja, 2005

01/06/2008

E a falta do resto

Esta história da bancada que ruiu em Santiago e a forma como invariavelmente os jornalistas não percebem a notícia que estão a dar ou são incapazes de dela extrair o relevante é demonstrativa da falta de tarola com que nos debatemos e nos leva para baixo. Muito para baixo. Com o inominável ensino a ajudar.
Os jornalistas preocuparam-se como sempre em saber se o espectáculo estava licenciado. Parece que não estava, ouvi-os dizer. Como se isso fosse determinante ou até importante para o desfecho.
Ninguém – que eu ouvisse - aflorou o óbvio. Uma bancada, qualquer que ela seja, seja em que sítio e para que propósito fôr, deve estar calculada para suportar muito mais do que o peso dos humanos que comporta em sobrelotação – é aquela coisa básica da engenharia. É claro que se lá puserem resmas de papel ela pode vir abaixo. Mas estará calculada para pessoas, ainda que penduradas umas nas outras, que é o seu propósito.
E pode estar bem calculada e mal montada. Carece da supervisão de quem sabe uma montagem tal. Mais uma vez o óbvio.
Posto isto, há acidentes. Claro que há. Às vezes quase improváveis. Não me parece que tenha sido o caso aqui.
Depois, há aquela ideia com que fiquei – ainda que o caso não tenha sido grave – da investigação. Pode ser que esteja enganado e que tenha sido enganado pelos jornalistas, mais uma vez. Mas uns quantos guardas republicanos a tirar fotografias à coisa, antes de a removerem do local parece-me ridículo. Para não dizer o que penso.
Estação C.F. do Oriente, 2007

31/05/2008

A falta de autoridade

O caso de Matosinhos é mais um – apenas mais um – sintoma da falta de autoridade.
Quando toda a gente percebe que vai haver violação da lei, os responsáveis assobiam para o lado.
São tão maus, tão maus, estes protagonistas.
Estação C.F. de Campolide, 2008

30/05/2008

A ortogonia do tempo

Depois de ter apreciado a forma como o mobiliário de sequeiro reage às agruras da humidade quase de maresia e depois de me ter havido com o eco das badaladas agora em mísero pé-direito urbano, de gavetinhas de betão, urgia acertar as horas.
Um exercício que seria talvez bom (e talvez tenha sido corriqueiro) para os estudantes do secundário quando aprendem (se é que aprendem) o movimento pendular.
No fundo é acertar o espaço-tempo à nossa medida. Aparafusadamente.

27/05/2008

Uma razão

Há alguma razão forte para que se possam divulgar na imprensa as identidades das pessoas que faleceram no atropelamento no Terreiro do Paço em Novembro do ano passado e não se possa divulgar a identidade de quem as matou?
Se por um acaso, há uma razão relacionada com a segurança dessa pessoa, duas questões se levantam:
Porquê com esta pessoa em particular e não com todas as outras que matam?
A não divulgação na imprensa impede que quem se sinta ofendido pela criatura possa eventualmente localizá-la?
E a questão final: Há alguma razão para que quem morreu de tal forma na via pública tenha o seu nome nas notícias? Qual é ela?
As grandes questões universais – episódio q+5

Para que QI estará apontada a telenovela que passa à hora do almoço na RTP? Muitos graus abaixo de cão, é certo que é.

26/05/2008

Maio, Marte e os crentes

Este tempo de Maio é uma espinha cravada no pensamento dos simples.
Nos simples que para tudo invocam as alterações climáticas e a culpa do Homem.
A culpa do Homem pecador (vide os supostos novos pecados vaticanais e a sua apressada divulgação acrítica).
Este tempo fresco que contraria as vontades dos terroristas do ambiente.

A Marte, rapidamente e em força.
Quando andamos por aí a explorar as vizinhanças mais ou menos próximas, o primo objecto não é a procura de vida, é a angariação de um local onde possamos continuar.
É o δ entre o tempo em que a vida humana entra aqui no limiar da extinção e o tempo em que encontrarmos tal lugar que está em causa.
Uma equação cuja solução nos escapa neste instante.

Os crentes. Os mesmos crentes que acreditam numa coisa, numas coisas, pois devem ser coisas no plural, chamadas de alterações climáticas – como se houvesse um perene climático de repente posto em causa – serão ou não os que acreditam que hoje chegou a Marte uma nave tripulada à distância?
Quanto à primeira crença, o que se põe em questão é a existência do tal perene climático que justificaria nomear uma ou mais alterações agora a ocorrer.
Toda a nossa informação – a acreditada e a observada – nos diz que não há perenes.
Quanto à segunda: quantas serão no mundo as pessoas que têm a informação suficiente para afirmar que sim ou não, pousou uma nave em Marte hoje, à primeira hora de Portugal continental?
Quando

Quando não se consegue que o Primeiro-Ministro entenda uma coisa, é porque está mal explicado*.


*O já aqui citado Edgar Cardoso dizia nas aulas que Duarte Pacheco dizia nas aulas que quando não se consegue explicar uma coisa a um polícia é porque está mal explicado.
Catástrofes

Na História Universal, se fosse possível estabelecer tal coisa, identificar-se-ia em todas as épocas e em cada civilização, em cada sociedade, em cada instante, uma ideia modal sobre o futuro próximo.
Identificadas essas ideias prospectivas, imaginemos que haveria uma forma de quantificar o desvio entre elas e a realidade conhecida dos anos seguintes.
Sendo isto possível, nos pontos de catástrofe esse desvio atingiria os seus máximos.
Ocorre-me que estamos em época em que o desvio se aproxima de um desses máximos.
Ocorre-me que o mundo de daqui a menos de dez anos será algo que hoje nos escapa.
O nível da charlatanice

Há-de haver uma relação entre o nível intelectual de uma sociedade e a quantidade de tempo de antena pago pelos contribuintes que é concedido aos charlatães e aos destituídos.
A velha pescadinha de rabo na boca.
Motivos para deserdar alguém (mais um da série de)

Ouvi-lo pronunciar uma de duas palavras: gourmet e degustação.

25/05/2008

Ficha crítica

Fui ontem ao Museu do Oriente.
Deram-me uma folha para preencher com a minha opinião em cruzinhas, sobre alguns aspectos da coisa.
O relevante das minhas queixas não se encontrava contemplado lá. Não a entreguei no fim.
Mas há quatro aspectos que me chamaram a atenção.
O primeiro, ainda na rua, foi o estranho arranjo que esconde parcialmente a porta do museu e proporciona águas estagnadas e fétidas.
O segundo, no átrio, foi a desmesurada fila de espera para os bilhetes que me pareceu desligada do controle do número de visitantes em cada momento.
O terceiro foi a deficientíssima iluminação das legendas.
O quarto foi o tamanho da letra escolhido para as ditas legendas em alguns casos.
O Museu tem algumas peças interessantes e a entrada não é cara. Corrigir tudo isto parece fácil.