30/10/2008

Ponto, recta e plano



No meu entendimento, há poucas coisas mais simples do que a Geometria Descritiva.
Carece de um conhecimento mínimo convencionado para se poder dominar todo o seu edifício. Qualquer coisa que se aprende em meia-dúzia de minutos.
Depois é só usar a cabeça. Independe de língua e de cultura e de conhecimento prévio.
Este tipo de matérias em que o peso está quase todo do lado do raciocínio e em que os axiomas são escassos, constitui o grande obstáculo da escola moderna.
Se é verdade que o conhecimento baseado na leitura padece de mal considerável, este conhecimento baseado no raciocínio está moribundo no sistema português.
A probabilidade de tropeçarmos numa pessoa capaz de seguir um raciocínio sem falhas por três ou quatro passos sucessivos é ridiculamente baixa.
A probabilidade de manter uma conversação baseada na análise racional de qualquer assunto é desprezável. Se a igualarmos a zero estamos a cometer um erro negligenciável.
O que é comum é a discussão emotiva, sem regras, impulsiva, cega, sem balizas, objecto, fim. Uma torrente moldada por estados d’alma, incapaz de dissecar um tijolo burro.
Se o ensino pretende formar carneiros, estamos no bom caminho. Já não são analfabetos mas estão ainda mais vulneráveis, pois pensam que sabem.
Se, pelo contrário, é caso de descobrirmos e puxarmos para cima os melhores, venham eles de onde vierem, estejam eles onde estiverem, estamos a dar gigantescos passos. Para trás.

27/10/2008

Não sei se estas duas árvores ainda estão de pé

Maldição

Com referência ao assunto em epígrafe (perdoai, mas aqui nos blogues a coisa funciona ao contrário), cumpre-me informar V.Exªs de que não foi rogada praga alguma ao fêquêpê no seu terreiro.



Se a partir da nossa visita só contam derrotas no Dragão, a coisa tem outra oriunção.

26/10/2008

A portagem da ponte

Eu gostava de me lembrar ao cimo de que rua ouvi eu um destes dias um renhido argumento sobre a bondade das antigas portagens na Ponte Marechal Carmona, em Vila Franca de Xira.
Eram três homens e o que evocou tal passado tinha uma garrafa de gás na mão.
Hora legal II

Há uma hora de diferença entre este post e o anterior, apesar do registo visível. Uma hora que nunca existiu afinal.
Perdem-se assim duas horas cada ano. A que não existe na verdade, quando os relógios dão o salto em frente e esta, que existindo a dobrar, é cortada.
Hora legal

Como é se designa a hora a que este post foi publicado?
A primeira vez que foi 1:46 de 26 de Outubro de 2008?
Se publicar outro daqui a uma hora é na segunda vez que foi 1:46 de 26 de Outubro de 2008?
Acho que nunca me tinha preocupado com tal.

(O Sapo e o Blogspot "respondem" a esta pergunta de formas diferentes: O Sapo recusa-se a publicar o post mas mostra-o nos posts já publicados na página de edição. O Blogspot coloca-o em banho-maria até daqui a uma hora!!!)

25/10/2008

O livro preterido



Foram muitos anos, disso a tenho a certeza. Muitos anos em que este livro entrava para a bagagem de férias directamente da estante dos meus avós.
Media-se então (e suponho que ainda se meça) a intensidade dos verões pela percentagem de livros que voltavam por ler. No meu caso, era sempre muito alta.
Como disse, foram muitos anos a carregá-lo para férias. E de todas elas voltou virgem.
Recordo-me de, ao ter desmanchado a casa no início deste século, ter tido o cuidado de o poupar às caixas que iam para os montes, variante dessa espécie de antecâmara da morte dos objectos que são vulgarmente os sótãos, as arrecadações e as garagens urbanas.
O mistério perdeu-se em parte – está a perder-se neste preciso momento – ao ver o filme. Encontrei o livro há pouco.
Irá comigo nas próximas férias.
Das coincidências

Andei hoje à procura de um livro em particular, uma edição francesa do Amante de Lady Chatterley com o qual livro mantenho um estranho litígio há décadas.
Lembrei-me dele hoje, vá lá saber-se por quê. E não é que tropeço quase de seguida, na programação da RTP2, com uma emissão de um dos filmes feitos a partir dele?!
Voltarei ao litígio com tal livro – que ainda não encontrei – um destes dias.
Os sites institucionais



Há uns anos, quando os computadores e as impressoras se vulgarizaram, as tabernas e afins começaram a ostentar, em vez dos tradicionais letreiros manuscritos, umas folhas A4, por vezes coloridas, em que em escrita rampante, em arco, floreada, gongórica, por vezes ideográfica se comunicava ao freguês a sande diversa, o caracol, a bifana.
Hoje, a evolução darwinista fez com que na maioria dos sites institucionais nos deparemos com o equivalente em versão ilustrada.
Umas animações desnecessárias e pesadas (desde há uns tempos já com o botão de “passar à frente”!!!), uns menus incompreensíveis, uma organização labiríntica que mostram que quem os concebeu está dentro das técnicas da animação, da criação de menus e de ligações, da introdução de texto e de imagem, mas não tem a menor noção das proporções, não está habituado a “dar informações” nem é capaz de se pôr no lugar do outro.
Como diria um velho amigo meu, agora a propósito da informação das estradas que “quem sabe o caminho, nunca se engana com estes sinais.”

24/10/2008

Até porque pode ser complexo

Não é raro ouvir-se o que acabei de ouvir na RTP N: [...] para deixarmos os números, até porque pode ser complexo para quem nos está a ver [...]
O problema é que quase sempre são os números que dão o valor às coisas. Se os deixamos, ficamos sem forma de valorizar seja o que fôr que se discuta.
As pessoas que se dão ao trabalho de assistir a certas discussões terão assim tanta dificuldade com a “complexidade” dos números? Ou é o jornalista que os acha complexos?
Organismo

Os acontecimentos dos últimos meses na economia mundial tiveram, entre muitas outras coisas, o mérito de mostrar mais uma vez que não há teoria que compreenda o funcionamento orgânico das sociedades, sejam elas governadas por que sistema forem.
Por maioria de razão, não há dogmas que se aguentem.
Hapax legomenon

Não vou escrever aqui de novo a palavra, pois se o fizesse deixaria de o ser.
O certo é que, depois de um incerto googlador ter tropeçado numa descrição da casa dos meus avós, bisavós e trisavós, minha que foi pela posse e pelo uso, só depois disso me apercebi de que mais ninguém e em altura alguma a havia escrito aqui na rede.
A palavra é esta. Os alentejanos conhecem-na bem. Ou conheciam, já não sei.
Vértice Geodésico Mama Sul, 2008

23/10/2008

De Inglaterra

A acusação de homicídio feita a um camionista português em Inglaterra não diz nada sobre a justeza das leis e das decisões judiciais por lá tomadas.
Mostra o ruído da imprensa que a coisa, para além das mortes de crianças, se prende mais com ser estrangeiro e português, ao serviço de uma empresa espanhola, do que com ser um simples com um volante nas mãos.
Mas esta acusação – que é apenas uma acusação – contrasta com a complacência do sistema português com os assassínios na estrada.
É um sistema que pune e bem os quase criminosos que, por excesso de velocidade e bebida a mais, se colocam em posição de potenciais matadores mas, inexplicavelmente, esquece os que matam deveras.
Só muito raramente os pune, como foi o caso do tipo que matou em contramão ao volante de um jipe Vodafone, lá para os arredores do Porto.
E que também excepcionalmente agora acusa uma condutora de matar dezasseis pessoas ao pé do Fratel. Isto porque, provavelmente, foram uma e outra coisas muito noticiadas.
Mas a regra é deixar passar, especialmente se é burrice o que está por trás da tragédia. Quando não há nem álcool nem velocidade a mais, só burrice e incapacidade.
Lembro-me sempre de uma senhora que se ia matando e a mais duas pessoas, a 10 à hora, não mais, nas curvinhas de acesso à praia de Sines.
Numa das curvas em gancho sobre o precicípio assustou-se. Já seguia muito devagar, mas ainda assim quis travar. Ao invés, acelerou. O carro embateu num muro de protecção e ficou preso com as rodas na frente no ar.
Os destroços do muro não esmagaram por acaso um casal que se encontrava sentado um pouco abaixo, apreciando a paisagem.
Não tinha bebido nada e não ia em excesso de velocidade...
Quantos acidentes com mortes se devem a situações similares, ainda que não tão caricaturais?
E esta gente não é punida por quê? Por ser simples?

22/10/2008

Coisas fora do anormal*

Em devido tempo, dirigi-me à bilheteira para reaver o dinheiro que gastara na compra de um ingresso para o grande espectáculo alienígena de 14 de Outubro, logrado que estava.
Porém, dois dias volvidos, ao quilómetro zero de uma das estradas nacionais do plano de 45, vi tal coisa:



Os mais optimistas asseveravam que a apoteose de 14 de Outubro se prolongaria por mais dois ou três dias. Fui tocado por ela, está visto.


*expressão do meu candidato ao prémio Capitão Moura, António de Balasar (aos 18 segundos deste vídeo)
Velhice

É dar-me conta de que jamais abriria a boca num colectivo “oh!” ao saber que o Sporting e o Porto acasalaram no sorteio da Taça.
Notícias

Quem tenha ouvido as notícias na RTP sobre a inauguração do LHC do CERN e esteja a leste da coisa, jamais terá pensado que se trata da mesmíssima instalação de onde há pouco mais de um mês se dizia poder vir o buraco negro que engoliria a Terra.

21/10/2008

Paga atrás

Os tempos que vivemos, pontuados pelo poder nas mãos de notórios e notáveis mentecaptos, são a materialização global do tradicional “paga atrás” das filas para o baile.
Não me lembro também de um tempo de paz e sem carência de ocupação do território em que se tenha promovido tanto a indulgência com os relapsos, transgressores e criminosos.
Conhecemos todos os que cumprem com todas as suas obrigações.
Fazem-no para se manterem verticais no seu próprio espelho, ainda que bombardeados com as notícias do sucesso daqueles que beneficiam com a indulgência dos dormentes, dos anestesiados e dos mentecaptos.
Esta tropa que não poderá nunca ter uma ideia da dimensão da sua própria estupidez, vai talvez acabar por ter dela notícia da pior forma.
A maior parte nunca ouviu falar no Dente d’Ouro.

18/10/2008

Portugal, esta tarde

Respeito

Perdi hoje uma parte do respeito que tenho pela instituição que dá pelo nome de Instituto de Meteorologia.
Há uns tempos que tinha a sensação de que a página on-line do IM aos fins-de-semana era neglicenciada.
Há muita coisa que eu desconheço nos processos de aquisição de dados que são depois publicados.
Hoje depois de ter constatado que tinha uma trovoada por cima da cabeça fui lá ver quantas descargas estavam registadas entre as 13:30 e as 14:00 aqui na zona de Lisboa. Zero. Nada. Rigorosamente nada.
Daqui, uma de quatro:
Ou eu estou insano e já nem sei identificar uma trovoada,
Ou os intrumentos que registam estas coisas não estão dispostos para apanhar as descargas nos arredores de Lisboa,
Ou ao fim-de-semana, mesmo que haja descargas e sejam registadas nos aparelhos não há quem recolha os dados e os publique.
Ou qualquer outra coisa que me escape.
De qualquer forma, o alerta amarelo só apareceu depois da chuva.
E agora a pergunta de 1 000 000 000 000 000 000 000 000 de pacotes PSI-20*

Qual é a S.I.C. mais interessante da R.T.P.?


* 1 pacote PSI-20 é a soma do valores de fecho de cada acção integrante do índice multiplicados pela respectiva ponderação no mesmo, no dia do acerto na pergunta ou no dia útil imediatamente anterior, caso não tenha havido sessão.
13 minutos depois

Informação sobre acidente de avião na pista de Porto Santo (simulacro) leva treze minutos a chegar à protecção civil (da Madeira) – disse uma jornalista com o ar mais natural deste mundo.
Pode ser erro da notícia*, o que é o mais provável, tratando-se de um simulacro.
A ser verdade, o que é muito pouco provável, seria algo de impensável para um acidente que se dá na aterragem em tal pista. E sem explicação.

*(é a segunda notícia da segunda parte do Telejornal – cursor a 58% do total, frente sobre o segundo i de visualizar)

17/10/2008

Trespasse

Escrevia eu aqui, há uns dias atrás, que "uma coisa de que me apercebi neste preciso momento é de que jamais, em toda a minha vida, alguém me interpelou a respeito de uma qualquer casa comercial das redondezas que estivesse para trespasse e sobre a qual quisesse saber se era estável, afreguesada, do agrado dos vizinhos, etc.".
Pois bem. Ontem, em pleno Porto e junto ao Estádio do Dragõue, uma formosa senhora munida de um microfone e um cavalheiro de câmara ao ombro interpelaram-me (off the record) ainda que em conjunto com os meus companheiros de viagem, sobre a minha relação com o clube da casa.
Fiquei depois a saber que o que pretendiam era um depoimento sobre a qualidade (talvez a avaliação do valor do trespasse) de um dado jogador de futebol.
Não sei se isto conta para passar um risco sobre o post que então escrevi.
Ir ao Porto

Passei ontem a tarde no Porto. A passear pelas suas ruas. Apenas a.
Acho que, pela primeira vez em muitas visitas, me senti em casa. Em Portugal.
O Porto e mais nenhuma outra cidade portuguesa, o Porto e só o Porto dava-me a sensação de me encontrar no estrangeiro. Isso acabou ontem por algum factor que não consigo identificar. Como se estas coisas explicar se pudessem.
Está bem e recomenda-se

A corrupção em Portugal – disse o engenheiro João Cravinho.
Não sou eu quem o vai contradizer.
Esteja aquela bem ou mal, a estupidez é em Portugal um problema bem mais grave do que a corrupção.
Esta coisa de andar na rua

E de enquanto por lá ando conseguir alinhar duas ideias seguidas e de ter a certeza de que, chegado a penates, de nada me lembrarei, é mortificante. Na realidade, é o oposto - é consequência de um processo tal.
Comprei eu um gravador minúsculo...
O Fascismo



Ouvi mais uma vez a costumeira ladaínha contra não sei o quê que querem fazer no Vimieiro, na casa que foi de Salazar.
Pergunto-me quantos dos ladaínhentos fazem ou, pior, já fizeram genuflexões à foice e ao martelo.

15/10/2008

Ir à bola com eles

Foi então para isto que o Estado Português reconheceu o Cosovo?
Nem com os albaneses a desistirem do jogo...
O atraso das mentes

Não é novidade nenhuma que esta gente que nos governa pouco ou nada vê à frente do nariz.
Basta ouvi-los, lê-los por mais de um minuto.
Uma coisa simples como um atraso na entrega do Orçamento que teria provavelmente as suas legítimas justificações transformou-se numa cena lamentável, com desculpas absurdas e ridículas, próprias de quem ou não percebe nada ou acha que os outros nada percebem.
Caramba, que são péssimos!

14/10/2008

Lisboa, 2008

Especialistas

Há um conjunto de tontinhos que sabem ler uns gráficos – os que aqui estão bem descritos – e que normalmente “explicam” as causas das baixas e das altas nos mercados.
Nunca percebi, talvez por não conhecer nenhum de perto, se estão mesmo convencidos dos disparates que dizem ou se só têm pouca estima pela sua própria credibilidade.
Há pouco, ouvi esta coisa extraordinária, da boca de uma jornalista, quando perguntada sobre as razões da alta de hoje na bolsa de Lisboa – é que reflectiu os ganhos verificados pelos constituintes do PSI 20.
La Palisse não diria melhor, mesmo sem os gráficos em fundo.
Esta gente terá alguma coisa debaixo do chapéu?
OVNI

Tomei conhecimento, já há uns meses, de que hoje haveria um encontro do 3º grau ou menor.
Foi através de buscas que caíram aqui* no H Gasolim e que alvejavam ocorrência tal.
Por algumas leituras que fiz, a partir de cadeias de links assim iniciadas, fiquei com a ideia de que o Homem (a parte da humanidade alheada da coisa) entraria hoje finalmente na Idade dos Outros, em que outras formas de vida, não terráqueas, dariam finalmente as caras ou o equivalente lá na sua morfologia.
Até agora, nada.
Acho que vou pedir o meu dinheiro de volta ali à bilheteira e já venho.
De quantas anunciações destas há notícia só nos séculos XX e XXI? É uma boa investigação para fazer, um dia destes.

* As pesquisas que deram à costa aqui foram em português. Em inglês, dá para perceber melhor a dimensão da coisa.

Corrigenda ainda a tempo: titular de OVNI um tal post é um perfeito disparate, já que se trata de algo muito bem identificado.

13/10/2008

Concursos

Uma coisa que é ilustrativa do tipo de exigência que anda pela RTP é a repetição de sessões de concursos.
Nem sequer se dão ao trabalho de assinalar como repetição.
Para quê?
A sessão que foi emitida hoje do Preço Certo é a mesma do dia 31 de Julho. E isto não é coisa nada rara.
Barac bac bac

Já lá vão muitos anos – tantos como trinta – desde que um dos meus amigos me ensinou que barac bac bac era a fala dos porcos.
Fê-lo em circunstâncias tais que ainda hoje me lembro de todos os detalhes. Metia mulheres, pois claro. E copos.
Vínhamos de um tempo e de um modo em que não passaria pela cabeça a nenhum de nós discorrer sobre os suínos mais do que essas três palavras ditas de empreitada.
Havia, é claro, a sabedoria popular da trombada de porco que tanto atira para cima como para baixo. O que significa que o porco podia, pode ser o meio rápido da fortuna e de pronto o meio rápido da falência.
No final desta semana, alguns dos meus amigos reunir-se-ão em congresso. Lá para Ourique, no mesmo sítio onde tantas vezes bebemos até de manhã, ao som dos conjuntos mais esquecíveis, na companhia das mulheres mais inesquecíveis.
Será sobre o porco que falarão. Barac bac bac digo eu aqui de longe.
Irão gentes de toda a Ibéria e de quase todo o Alentejo, como diria ainda um dos ausentes que está de boa saúde.
Barac.

12/10/2008

O prémio Capitão Moura

O prémio Capitão Moura, do qual se pode dizer muita coisa e o seu contrário, serve, pelo menos, para mostrar a realidade. Para mostrar como o país é, a pretexto da bola e a uma escala de bairro ou dos pequenos aglomerados populacionais.
A maior parte das críticas que lhe vi serem feitas podiam ir direitinhas para qualquer outro programa que trate as pessoas com o realismo possível.
Não vejo diferença entre a lógica argumentativa dos candidatos ao prémio Capitão Moura e a da maioria das figuras que nos governam, bem como de todas as outras, por aí abaixo em responsabilidade, até voltarmos aos primeiros.
Haverá diferença de vocabulário, de articulação, de expressão. De essência é que não há.
Mas há uma diferença de facto.
Estas pessoas aparentemente não têm pretensões em enganar os outros, no sentido de se fazerem passar pelo que intelectualmente não são.

O homem de quem aqui falei certa vez era uma fusão do Visconde da Apúlia e do Sr. António de Balasar.
Entre muitas outras coisas, aprendi com ele a fazer como lá na “Auto-Critério”.
Lisboa, 2008

11/10/2008

E por falar em Sendim

Sempre me intrigou aquela fotografia a meio da sala de jantar da Gabriela.
Ainda ontem lancei o desafio de lá ir olhar para ela.
Direito

No preciso momento em que ouço alguém levar o Direito Constitucional para o campo da ciência exacta deixo de levar a sério essa pessoa.
Uma situação pouco vulgar

Esta da água nos chegar de sueste. E em força. Veremos o que acontece.


imagem do IM (clicar sobre para ver a actualização respectiva)
???

Há uma pós-graduação em “gestão de fraude”?

09/10/2008

O desafio à medida

Aparecemos ali, eu e a corte, mais para ajuizarmos da veracidade dos boatos que circulavam sobre a utilização menos digna que as instalações do Estado tinham de noite do que para responder ao desafio que a Igreja lançara.
Ou talvez não tivesse sido a Igreja, talvez fosse coisa dos jornais, das vozes do mundo, um boato como o primeiro. Tratava-se de medir a altura do Cristo-Rei com um erro a menos de...
Sei que me vi lá dentro, visitante entre o furtivo e o assinalado. A grande estátua representava um Cristo de joelhos nus, um deles flectido, e estava aposta na fachada sul da torre.
Recordo-me de ter visto uma colecção de prelados de púrpura, reconheci até um deles, reunidos na mesma sala onde me encontrava, meio dissimulado atrás de uns reposteiros e de onde tinha acesso a um dos óculos que são as janelas do edifício. Local de onde podia proceder à triangulação.
Usei o joelho saliente e os dedos do pé da mesma perna da figura.
Das contas que fiz não houve notícia. Mas acertei e quebrei o feitiço da Esfinge, digo do Cristo-Rei.

07/10/2008

O pescador das arribas

Temo muita vez que as palavras dos políticos reflictam as suas verdadeiras convicções. Particularmente quando, como agora, há que dirigir o discurso para as massas.
Parecem-me o pescador que se arrisca, arriba abaixo, para junto do mar alteroso tentar a pesca.
É difícil distinguir entre o inconsciente e o temerário.
Cosovo

Em diplomacia, quase nunca há razões. Há interesses, todos o sabemos.
Gostava eu de saber quais são eles no caso do reconhecimento da independência do Cosovo que se anuncia na imprensa.
Fica-se com a ideia de que a relutância de ir a correr atrás dos outros afinal nada queria significar a não ser talvez o marcar de uma posição através do atraso em si mesmo.
Mas sem sabermos mais, pouco mais se pode dizer.

06/10/2008

Lisboa, 2008



Intriga-me o facto de me ver amiúde no Mundo de Alice.
Poesia

A misteriosa forma como funciona a mente humana gera por vezes estranhas formas poéticas.
O meu hábito, cada vez mais raro, de ainda ver de onde chegam as visitas a estas páginas, proporciona-me algumas surpresas dessas.
Alguém que aqui chegou à procura da origem dos comboios de antigamente também se interrogará sobre o seu destino? O dos comboios, claro.
Sudoeste

05/10/2008

E sim

A questão da atribuição das casas da Câmara de Lisboa mostra, pela forma ligeira como foi tratada por todos os partidos, o podre que a coisa está.
Esta tropa não sabe, não percebe, não alcança o grau de injustiça que uma coisa destas suscita.
Dá-me vontade de rir a expressão “dar casas a artistas”. Cheira-me logo a uma arte inqualificável. A de passar à frente dos outros. Que é uma arte, sans doute*.


* em francês, que é para se adequar a esta camarilha.
Outra coisa que me faz espécie

É esta de os cientistas envolvidos em missões espaciais e afins se referirem, quando entrevistados, à possibilidade da existência de vida sempre nos moldes terráqueos.
Ainda não ouvi um que fosse que admitisse a existência de vida para além desta que conhecemos agarrada a átomos de carbono.
Isto faz-me espécie. Já o disse aqui e repito-o agora que estou a ouvir um dos responsáveis pela missão Phoenix em Marte, o qual já recitou a cartilha.
Nos sapatos do fotógrafo enquanto jovem (cena 3)*



Lisboa, ruas Isidoro Viana e Chaby Pinheiro, 1988 e 2008

* as cenas 1 e 2 não foram numeradas então.

04/10/2008

Reflexo condicionável

Só pode ser isso. Qualquer coisa que Pavlov observou e relatou.
Que eu não conheço o homem nem nada sei da sua vida a não ser o que repetem os papagaios.
Mas ontem, a meio de uma também meia-sonolência, entrevi pela terceira ou quarta vez “a Torre do Inferno”, posto que se celebrava Paul Newman no écran.
A meio dela, da meia-sonolência, esperei que O. J. Simpson* sucumbisse ali às chamas. Ele, o próprio, o actor. Que como tal, tão bom tem sido afinal na dissimulação – dizem os papagaios.
Será o homem merecedor de uma morte macaca? Talvez. Eu é que nada sei sobre isso.
Mas lá que torci...


imagem da Sky News


* Não fazia então a menor ideia de que ele iria ser condenado por este outro caso.

03/10/2008

Lisboa

Há uma Lisboa de sobrancelha desenhada a lápis que espera às portas de ferro forjado também elas desenhadas a lápis e pintadas de verde oficial.
É uma Lisboa empoada que se despede de si própria, à porta de casa.
Lisboa, 2008

Lisboa, 2008

02/10/2008

Quinta-feira europeia

Repeti hoje uma experiência que não me permitia há uns séculos (um quarto de, vá, não exageremos).
Ouvir uma sucessão de relatos da bola.
Que ainda não acabou.
Será melancolia?
Trespasse

Uma coisa de que me apercebi neste preciso momento é de que jamais, em toda a minha vida, alguém me interpelou a respeito de uma qualquer casa comercial das redondezas que estivesse para trespasse e sobre a qual quisesse saber se era estável, afreguesada, do agrado dos vizinhos, etc.

01/10/2008

Os especialistas em –ólogo

Talvez seja preconceito meu, admito-o. E eu sofra assim do exactíssimo mesmo mal querendo ver uma coisa onde se vê outra.
O certo é que a maioria dos diplomados em –ólogo, sufixo que associo aqui às humanidades, me parece não pertencer à Ciência ainda que a ela diga pertencer.
Vejo-os sempre como idealistas. Como portadores de mensagem com a qual pretendem conformar o mundo e não como observadores e analisadores da realidade.
Está preso

O belga que fugiu com as filhas está em prisão preventiva!
Sentimo-nos assim todos muito mais seguros.
Isto é coisa de génio, caramba!
This is a country

This is a country, not a television channel – David Cameron, há pouco, em discurso na conferência do partido Conservador, referindo-se a Tony Blair e às suas medidas avulsas.
O estilo de Cameron e a sua argumentação fazem, no entanto, com que se pense que aquela afirmação é uma espécie de auto-balizamento.
Sempre o vi de resto como um espelho do próprio Blair.
Genericamente

aqui mencionei a questão absurda dos medicamentos genéricos.
Um assunto sem assunto que só gera assunto pelo ruído que traz associado.
Ouvi agora uma reportagem em que um jornalista que está completamente a leste do que são os medicamentos genéricos, interroga o povo.
E tece considerações.

30/09/2008

Certeza

Sim. A única. A que não sendo certeza inabalável nem sequer sendo algo que compreender se possa, é a mais terrível. Como se se pudessem compreender as coisas.
O tempo.
O tempo.
Ele que se permite deixar Setembro para trás. Deixar tudo (?) para trás.
A mais terrível das incalculáveis (inegáveis) certezas.
Quanto morremos em cada marco da estrada?
Teoria da conspiração

Sources said that the handling of the Opening Bell by the portuguese President can justify this week meltdown on Wall Street.*
Afinal ninguém os avisou.


imagem da SIC N e pot-pourri de primeiras páginas e outros títulos em jornais de hoje


* isto não é uma citação

28/09/2008

História de Portugal (o meu tempo – ep. 1)

Trinta e quatro anos depois.


imagem do sítio da Comissão Nacional de Eleições

Esta imagem sempre me fez espécie.
Quem a desenhou? Quem a escolheu? Com que propósito?
Água

Apercebi-me hoje de que as águas para consumo humano estão catalogadas por exemplo em “Água mineral natural” e “Água de nascente”.
Estas etiquetas mostram acima de tudo a qualidade de quem lhes deu o nome.
Não andamos longe da imaginação que rotulou os “produtos biológicos”.
Isto é dar-lhe com os Magalhães que eles aprendem a pensar.

27/09/2008

Notas soltas

Esta ideia ou impressão de que está para acontecer uma desgraça em Portugal. Coisa natural ou acidental.

Nada a ver com a sentença anterior, o céu lá fora estava lindamente ameaçador. Julguei divisar ao longe um raio. A hora seguinte fez-me acreditar que não me enganei.

O meu habitual fornecedor de totolotos admirou-se de eu não ter ainda verificado as minhas apostas.

Vi hoje o primeiro preto com um boné do Obama.

Recebi hoje provas de que ainda há gente competente, briosa e atenta do outro lado dos telefones, das cartas. Uma boa surpresa.

Vai haver um Benfica – Sporting daqui a bocado. Passam-me estas coisas quase completamente ao lado.
Lisboa, 2007

26/09/2008

Casablanca

E diz a Senhora que assistiu, por meados dos anos 40, ali à estrada de Benfica, à recriação do “Play it once, Sam!
Não menciona o filme vez alguma. Apenas se lhe treme a voz, denunciando a cumplicidade em histórias de amor alheias.
Ícaro e os chineses

Por estes dias, há novidades no ar.
Mais me interessa o Ícaro da Mancha do que os chineses astronautas.
Serão os segundos mais decisivos para a História do que o primeiro?

25/09/2008

As grandes questões universais – episódio q+7

Alguém na NYSE terá pedido a tradução da expressão “gato por lebre”?


imagem da SIC N
São Martinho

Noto que me vou esquecendo dos marcos temporais – da feira de São Martinho a marcar o fim do Verão, da feira de Castro a marcar o tempo das sementeiras.
Da abertura da caça entre ambas. Da caça que nunca pratiquei senão como espectador.
Passo para lá de um tempo em que estas marcas o eram. Passo por alguma marca como quem passa pelo equador no mar sem dar por isso. Dessa marca para cá, não há marcas que me ditem peregrinações.

Almoçageme, 2008

Rio Tejo, 2008

Razões

"I owe it to my family to start putting them first." (Ruth Kelly ao despedir-se do cargo de Ministra dos Transportes do Reino Unido) - é o tipo de argumento que homem ou mulher algum deve usar para se afastar da política.
É coisa de principiante, de aprendiz de feiticeiro.

24/09/2008

De rabo na boca

Há quanto tempo é que as tristes, incultas e débeis mentes parlamentárias e desgovernativas se entregam à troca de acusações de falta de autoridade moral sempre que se lhes toca no âmago?
Há por lá umas muito raras e honrosas excepções. Muito raras.
Mas o panorama geral é de uma falta de autoridade intelectual de dimensões absurdamente assustadoras.
Entrementes, o país afunda-se. Não por culpa daqueles intelectos, que não são capazes de mais nem de melhor, mas dos que viram as costas ou encolhem os ombros.
E agora, de novo, a pergunta de 1 000 000 000 000 000 000 000 000 bbl*

Qual é a S.I.C. mais interessante da R.T.P.?

* barris - o prémio inflou.
São Mamede de Janas, 2008

23/09/2008

Um Sócrates em cada esquina

Há uns anos, ouvimos o Primeiro-Ministro José Sócrates dizer que uma das razões que o levara a escolher a Universidade Independente fora a sua localização cerca do ISEL.
Isto a mim significava que o homem não sabia o caminho para mais lado nenhum. Só para aquela zona.
Hoje, apercebo-me de que se prepara a instalação de centros escolares (serão 388 mais x) onde o cidadão entra para a infantil e sai com o 12º ano.
Foi assim que noticiaram a coisa. Vá lá saber-se...
Se assim é, bate certo com Sócrates. Muito caminho e experiência diversa é coisa a evitar.
Ficaremos finalmente com um país à imagem do seu grande timoneiro. Queremos já a seguir um sócrates em cada esquina. De louça ou em retrato convenientemente emoldurado.
Viva!

22/09/2008

Sem carros



Há uns anos, num destes dias sem carros, observei uma mulher que pedalava quase em círculos num entroncamento de estradas onde ainda era possível circular de automóvel.
Fazia-o com um ar alienado, de jornada de luta.

Acho que a elegi como paradigma de duas coisas.
Do meu preconceito, ponto um.
Das pessoas a quem atribuiria de bom grado a faculdade de viverem no seu mundo ideal. Ponto dois.
Ficaria à espera de ver quantos dias suportavam nesse inferno.

Renovo os votos – expressos no editorial deste blogue – de que jamais o mundo seja feito de acordo com os meus desejos. Há neste voto um paradoxo mas paciência.
A imbecilidade ignorante (episódio Θ+4)


trecho (adaptado) de imagem de radar do IM

Há alguma relação entre as obras recentes em Albufeira e as inundações resultantes da precipitação da última madrugada?
Se há, isso tem alguma coisa a ver com o facto de insistirmos em diplomar qualificar imbecis?
O fascínio do ciclismo


imagens da TVE e do Eurosport

Um assunto sem assunto este fascínio que o ciclismo pela televisão exerce sobre mim.
Agora, só para o ano.
Que o Campeonato do Mundo não conta para este rosário.
Este não é o cão (de louça) do meu vizinho



Ou como eu tenho um problema qualquer com a essência dos cães.

21/09/2008

As grandes questões universais – episódio q+6

Não consigo perceber se o cão que tão insistentemente me fita da casa do vizinho é um cão de louça ou um cão empalhado.