01/12/2008
30/11/2008
28/11/2008
27/11/2008
26/11/2008
Ainda me lembro das olimpíadas de Lake Placid
Designei o teu sorriso
Como sinal de bonança em invernias.
Dessas invernias que a lareira cimentava
E em que me apetecia recitar
Entre dois copos de bagaço
E em que me apetecia cantar
E descansar, no teu regaço!
Designei a tua voz como silêncio solene
Quebrado num templo escolhido.
E ouvia-te embalar-me como se ouve
A chuva cantarolar nas vidraças.
E o Inverno ria-se de nós,
Deixando-nos por ali a sós
No seu e nosso conchego.
A maravilha não é um dom de fadas
E de histórias infantis,
É um preceito do amor,
Que embora escondido,
Às vezes nos faz feliz!
1985
SG, "Dizeres do Sul", 1993
Desencantei um SG piegas para esta noite de frieza. Talvez ele não me perdoe. Até pela relativa incorrecção do título.
Designei o teu sorriso
Como sinal de bonança em invernias.
Dessas invernias que a lareira cimentava
E em que me apetecia recitar
Entre dois copos de bagaço
E em que me apetecia cantar
E descansar, no teu regaço!
Designei a tua voz como silêncio solene
Quebrado num templo escolhido.
E ouvia-te embalar-me como se ouve
A chuva cantarolar nas vidraças.
E o Inverno ria-se de nós,
Deixando-nos por ali a sós
No seu e nosso conchego.
A maravilha não é um dom de fadas
E de histórias infantis,
É um preceito do amor,
Que embora escondido,
Às vezes nos faz feliz!
1985
SG, "Dizeres do Sul", 1993
Desencantei um SG piegas para esta noite de frieza. Talvez ele não me perdoe. Até pela relativa incorrecção do título.
25/11/2008
Confusões
Não me dei conta de que alguém tivesse posto em causa, beliscasse sequer, a honestidade do Presidente da República.
Já o mesmo não posso dizer que não tivesse acontecido ao seu critério. Critério de escolha.
Não me dei conta de que alguém tivesse posto em causa, beliscasse sequer, a honestidade do Presidente da República.
Já o mesmo não posso dizer que não tivesse acontecido ao seu critério. Critério de escolha.
Chuva e frio
Pode a coisa avaliar-se através dos dados do IM, que infelizmente não estão à disposição do público sem pagamento como estão os do INAG, de que me socorro amiúde.
Mas sem avaliação que não seja a falível que me vem dos sentidos e da memória, direi que é a segunda vez em tempos recentes que vejo, que sinto a concomitância da chuva e do frio tal como a sentia há muitos, muitos anos.
Atrevo-me a dizer, com a mesma subjectividade e falibilidade que têm a memória e os sentidos, que durante décadas, aqui nestes arrabaldes de Lisboa, uma e outro não formaram par.
Pode a coisa avaliar-se através dos dados do IM, que infelizmente não estão à disposição do público sem pagamento como estão os do INAG, de que me socorro amiúde.
Mas sem avaliação que não seja a falível que me vem dos sentidos e da memória, direi que é a segunda vez em tempos recentes que vejo, que sinto a concomitância da chuva e do frio tal como a sentia há muitos, muitos anos.
Atrevo-me a dizer, com a mesma subjectividade e falibilidade que têm a memória e os sentidos, que durante décadas, aqui nestes arrabaldes de Lisboa, uma e outro não formaram par.
24/11/2008
Abracadabra
Captando o programa* da RTP “Cuidado com a Língua!”, ouço que a palavra ABRACADABRA era exibida em amuletos, da forma que segue em ilustração, para que pudesse ser lida em todos os sentidos.

Uma asneirola, em todos os sentidos!
Coisa ruim para quem pretende dar lições aos outros.
corrigenda: não é "em todos os sentidos", mas "em vários sentidos".
*por enquanto ainda só está disponível o programa da semana passada. Já lá está o programa de hoje. A parte mencionada começa a 1:18.
Captando o programa* da RTP “Cuidado com a Língua!”, ouço que a palavra ABRACADABRA era exibida em amuletos, da forma que segue em ilustração, para que pudesse ser lida em todos os sentidos.

Uma asneirola, em todos os sentidos!
Coisa ruim para quem pretende dar lições aos outros.
corrigenda: não é "em todos os sentidos", mas "em vários sentidos".
*
23/11/2008
O Google e a lista telefónica

imagem daqui
Li o interessante artigo de Nicholas Carr na revista “The Atlantic” de Julho / Agosto deste ano – “Is Google Making Us Stupid?”.
Há ali pano para mangas e tiros certeiros na identificação de algumas “patologias” mentais induzidas pelos tempos.
Mas o Google, embora para eles trabalhe, ainda está longe de responder a quem pega numa lista telefónica, a agarra e lhe diz, baixinho: “quero ver o número de telefone de Fulano de Tal”.

imagem daqui
Li o interessante artigo de Nicholas Carr na revista “The Atlantic” de Julho / Agosto deste ano – “Is Google Making Us Stupid?”.
Há ali pano para mangas e tiros certeiros na identificação de algumas “patologias” mentais induzidas pelos tempos.
Mas o Google, embora para eles trabalhe, ainda está longe de responder a quem pega numa lista telefónica, a agarra e lhe diz, baixinho: “quero ver o número de telefone de Fulano de Tal”.
22/11/2008
21/11/2008
As pontes de outro condado (III)
O colega do irmão, a namorada da colega do irmão que tinha uma casa nos pinhais do centro, o melhor amigo do rapaz, a mulher do melhor amigo do rapaz, a irmã do colega do irmão todos lhe comunicaram, não, não foi convite, foi notificação.
Podes conduzir sentado no banco de alcântara.
A casa do pinhal que tinha piscina, adega, salão de festas, sala de pingue-pongue, salão aquecido naquele Setembro de pinhas e cheiro de pinheiro.
E quartos de hóspedes que ficavam ao lado da piscina e uma campaínha de escola ligada ao telefone e não se ouvia nada de uns lados para os outros.
E já é dia. Daqui a pouco vêm chamar-nos para o pequeno almoço e para o café na vila que fica a dois quilómetros, depois de passar por debaixo da linha e de fazer aquelas duas curvas perigosas onde estava uma carcaça de um carro já ferrugenta.
E banhos. Churrascos. Vinho caseiro que à décima terceira garrafa enjeitada e depois de uma ter passado no teste de vinho abafado, se deitou no jarro que condizia com os armários amarelos.
Vamos mudar de roupa para o jantar e não voltamos logo. Eles que esperem.
E depois à noite, vamos para o salão que fica debaixo dos quartos dos hóspedes e passamos a noite a discutir geopolítica. Trivial Pursuit, Pictionary. E a garrafa de bolso que trouxeste cheia de medronho é que não.
E voltaremos para a semana, com a dona da casa e o meu irmão.
E as pontes? Posso fotografá-las?
Se houver tempo.
(continua)
Porque a RTP se lembrou disso.
Segue o que já foi dito.
O colega do irmão, a namorada da colega do irmão que tinha uma casa nos pinhais do centro, o melhor amigo do rapaz, a mulher do melhor amigo do rapaz, a irmã do colega do irmão todos lhe comunicaram, não, não foi convite, foi notificação.
Podes conduzir sentado no banco de alcântara.
A casa do pinhal que tinha piscina, adega, salão de festas, sala de pingue-pongue, salão aquecido naquele Setembro de pinhas e cheiro de pinheiro.
E quartos de hóspedes que ficavam ao lado da piscina e uma campaínha de escola ligada ao telefone e não se ouvia nada de uns lados para os outros.
E já é dia. Daqui a pouco vêm chamar-nos para o pequeno almoço e para o café na vila que fica a dois quilómetros, depois de passar por debaixo da linha e de fazer aquelas duas curvas perigosas onde estava uma carcaça de um carro já ferrugenta.
E banhos. Churrascos. Vinho caseiro que à décima terceira garrafa enjeitada e depois de uma ter passado no teste de vinho abafado, se deitou no jarro que condizia com os armários amarelos.
Vamos mudar de roupa para o jantar e não voltamos logo. Eles que esperem.
E depois à noite, vamos para o salão que fica debaixo dos quartos dos hóspedes e passamos a noite a discutir geopolítica. Trivial Pursuit, Pictionary. E a garrafa de bolso que trouxeste cheia de medronho é que não.
E voltaremos para a semana, com a dona da casa e o meu irmão.
E as pontes? Posso fotografá-las?
Se houver tempo.
(continua)
Porque a RTP se lembrou disso.
Segue o que já foi dito.
20/11/2008
E o burro sou eu?*
A verdade é que aquilo que aconteceu hoje em Gama se antevia desde o apuramento para o Europeu da Áustria e da Suiça.
Pode haver bons jogadores mas não há mais nada.
* por muito batida que esteja esta expressão, não me parece que haja melhor título.
A verdade é que aquilo que aconteceu hoje em Gama se antevia desde o apuramento para o Europeu da Áustria e da Suiça.
Pode haver bons jogadores mas não há mais nada.
* por muito batida que esteja esta expressão, não me parece que haja melhor título.
19/11/2008
As previsões
As previsões são úteis. Sempre o foram, desde que o homem percebeu que podia prever.
Mas também é útil ter a noção de que há momentos e circunstâncias em que a probabilidade de uma dada previsão ter algum valor é quase nula.
Esta coisa de andar sempre a corrigir o tiro parece-me insuficiência intelectual.
As previsões são úteis. Sempre o foram, desde que o homem percebeu que podia prever.
Mas também é útil ter a noção de que há momentos e circunstâncias em que a probabilidade de uma dada previsão ter algum valor é quase nula.
Esta coisa de andar sempre a corrigir o tiro parece-me insuficiência intelectual.
A lista telefónica
Há um certo número de coisas que desapareceu, mudou muito ou surgiu neste virar de século.
Em tempos, escrevi aqui algo sobre as minhas expectativas para o ano 2000. Mantendo o que então reduzi a escrito, não deixo de dar conta do que não ficou igual.
Já ninguém marca encontros à porta do café que fica mais perto da esquina sul do quarteirão, atento a quem sobe. Marca-se uma hora quando muito. Depois usa-se o telefone.
Já pouca gente se mete de mapa em riste – creio que isto dos mapas também nunca foi coisa corriqueira – à procura de um sítio. Vai buscar as coordenadas e enfia-as no GPS.
Raros não deixaram de trocar os ficheiros de bibliotecas e arquivos pelo Google e similares quando se trata de assunto que na rede encontra resposta.
Em todos estes casos, e outros haverá, a vida parece facilitada. Não sei se está se não está, mas parece facilitada.
Há pelo menos um em que ela se dificultou – a lista telefónica. À medida que vai diminuindo em espessura, aumenta a dificuldade em encontrar aquele tipo a quem se perdeu o rasto e a quem se dedicava uma tarde na estação dos Correios a procurar nas diversas listas do país pelo apelido. Se não ele, talvez um familiar naquela terra de que ele às vezes falava. Isso hoje é impraticável.
Ainda houve online umas listas de assinantes da rede móvel. Creio que os que pediam reserva de publicidade eram tantos que a coisa não se justificava. Se ainda existem essas listas, o erro é meu que não dei com elas.
Este ano foi o ano em que deixou de ser possível encontrar-me pela velha lista.
Há um certo número de coisas que desapareceu, mudou muito ou surgiu neste virar de século.
Em tempos, escrevi aqui algo sobre as minhas expectativas para o ano 2000. Mantendo o que então reduzi a escrito, não deixo de dar conta do que não ficou igual.
Já ninguém marca encontros à porta do café que fica mais perto da esquina sul do quarteirão, atento a quem sobe. Marca-se uma hora quando muito. Depois usa-se o telefone.
Já pouca gente se mete de mapa em riste – creio que isto dos mapas também nunca foi coisa corriqueira – à procura de um sítio. Vai buscar as coordenadas e enfia-as no GPS.
Raros não deixaram de trocar os ficheiros de bibliotecas e arquivos pelo Google e similares quando se trata de assunto que na rede encontra resposta.
Em todos estes casos, e outros haverá, a vida parece facilitada. Não sei se está se não está, mas parece facilitada.
Há pelo menos um em que ela se dificultou – a lista telefónica. À medida que vai diminuindo em espessura, aumenta a dificuldade em encontrar aquele tipo a quem se perdeu o rasto e a quem se dedicava uma tarde na estação dos Correios a procurar nas diversas listas do país pelo apelido. Se não ele, talvez um familiar naquela terra de que ele às vezes falava. Isso hoje é impraticável.
Ainda houve online umas listas de assinantes da rede móvel. Creio que os que pediam reserva de publicidade eram tantos que a coisa não se justificava. Se ainda existem essas listas, o erro é meu que não dei com elas.
Este ano foi o ano em que deixou de ser possível encontrar-me pela velha lista.
17/11/2008
O lixo
Continuo a achar que há formas de aproveitar a agressividade da juventude mentecapta. Por exemplo em tropas especiais, depois de bem enquadrados e domados.
O estado actual não é de aproveitamento. É de relativo controlo. Tê-los debaixo de olho, deixá-los usar umas bandeiras e dar uns gritos de guerra em manada.
E usar os bastões de vez em quando.
Parece-me pouco auspiciosa a situação.
Continuo a achar que há formas de aproveitar a agressividade da juventude mentecapta. Por exemplo em tropas especiais, depois de bem enquadrados e domados.
O estado actual não é de aproveitamento. É de relativo controlo. Tê-los debaixo de olho, deixá-los usar umas bandeiras e dar uns gritos de guerra em manada.
E usar os bastões de vez em quando.
Parece-me pouco auspiciosa a situação.
Reivindicações
Há muitos anos atrás, invoquei o direito de ser avaliado invidualmente por, estando internado num hospital, ter faltado um período inteiro às aulas.
Esse direito foi-me concedido a custo. Mas foi.
Cada qual reivindica o que mais lhe convém.
Há muitos anos atrás, invoquei o direito de ser avaliado invidualmente por, estando internado num hospital, ter faltado um período inteiro às aulas.
Esse direito foi-me concedido a custo. Mas foi.
Cada qual reivindica o que mais lhe convém.
16/11/2008
15/11/2008
14/11/2008
SMS
No meu tempo e no de muitos de vós, não havia SMS, telemóveis, nada que no instante nos levasse ao ajuntamento senão a voz, o megafone.
Sendo que eu não era – nunca fui nem sou – de ajuntamentos, ainda assim estive presente em alguns, poucos, casos. Sempre achei que o meu tempo era muito mais bem empregado em actividades como o bilhar, o pool, os matraquilhos, os vinhos e os petiscos. Quando a coisa chegou ao ponto que as imagens (guardadas por um colega) documentam, já eu tinha pegado no saco e ala a caminho do Sul até que recebesse nova ordem de marcha, assinalando uma precária normalidade lectiva.
Ovos? Isso era o grau zero da amotinação!
No meu tempo e no de muitos de vós, não havia SMS, telemóveis, nada que no instante nos levasse ao ajuntamento senão a voz, o megafone.
Sendo que eu não era – nunca fui nem sou – de ajuntamentos, ainda assim estive presente em alguns, poucos, casos. Sempre achei que o meu tempo era muito mais bem empregado em actividades como o bilhar, o pool, os matraquilhos, os vinhos e os petiscos. Quando a coisa chegou ao ponto que as imagens (guardadas por um colega) documentam, já eu tinha pegado no saco e ala a caminho do Sul até que recebesse nova ordem de marcha, assinalando uma precária normalidade lectiva.
Ovos? Isso era o grau zero da amotinação!
13/11/2008
Restos de colecção (69)
“Pela abolição das notas, exames e todas as medidas selectivas; avaliação colectiva dos conhecimentos pelos estudantes e professores, por turma.”
"Por uma escola socialista" – diz o panfleto da lista C, apoiada pela ASJ. Coisas de 75.
É o que dá guardar papéis. Vê-se como a História se repete.
(clicando em cada boneco, podem ler-se as quatro páginas do panfleto)




ASJ - Abandone a Sala, Já – foi a minha interpretação coetânea da coisa. Eu era então um perigosíssimo contra-revolucionário.
“Pela abolição das notas, exames e todas as medidas selectivas; avaliação colectiva dos conhecimentos pelos estudantes e professores, por turma.”
"Por uma escola socialista" – diz o panfleto da lista C, apoiada pela ASJ. Coisas de 75.
É o que dá guardar papéis. Vê-se como a História se repete.
(clicando em cada boneco, podem ler-se as quatro páginas do panfleto)




ASJ - Abandone a Sala, Já – foi a minha interpretação coetânea da coisa. Eu era então um perigosíssimo contra-revolucionário.
12/11/2008
A centésima milésima visitante
Tal como previsto, coincidira comigo em Barca d’Alva. Não no tempo mas no alvo.
Gratamente, foi a Mª Isabel, autora do Aguaceiro, um repositório de belíssimas fotografias suas.
É pois para a chuva que vai o livro.
Tal como previsto, coincidira comigo em Barca d’Alva. Não no tempo mas no alvo.
Gratamente, foi a Mª Isabel, autora do Aguaceiro, um repositório de belíssimas fotografias suas.
É pois para a chuva que vai o livro.
Dramas
Sou pouco de dramas, de perder tempo com as trevas e as injustiças do mundo tal como julgo que as entendemos nesta sociedade, nesta civilização, e tal como as entendo eu.
Mas há casos.
Este apareceu-me através da inevitável Sky News. Vi trechos da miúda a falar e depois li isto no Daily Mail.
Acho que a beleza tem aqui um papel decisivo. Aqui, na minha ponderação.
E há sempre as memórias, a porra das memórias.
Sou pouco de dramas, de perder tempo com as trevas e as injustiças do mundo tal como julgo que as entendemos nesta sociedade, nesta civilização, e tal como as entendo eu.
Mas há casos.
Este apareceu-me através da inevitável Sky News. Vi trechos da miúda a falar e depois li isto no Daily Mail.
Acho que a beleza tem aqui um papel decisivo. Aqui, na minha ponderação.
E há sempre as memórias, a porra das memórias.
11/11/2008
Às onze horas do dia onze do mês onze

imagem em http://www.bcafrance.org/strasbourg/spip.php?article21
Habituei-me a ver os veteranos ali aos Restauradores e a ver o seu número diminuir ano após ano.
No Reino Unido dizem que só há quatro sobreviventes.
Errata: onde se lê Restauradores deverá ler-se Avenida da Liberdade (por alturas da rua do Salitre) - coisas da idade estas falhas à jornalista.

imagem em http://www.bcafrance.org/strasbourg/spip.php?article21
Habituei-me a ver os veteranos ali aos Restauradores e a ver o seu número diminuir ano após ano.
No Reino Unido dizem que só há quatro sobreviventes.
Errata: onde se lê Restauradores deverá ler-se Avenida da Liberdade (por alturas da rua do Salitre) - coisas da idade estas falhas à jornalista.
O prémio é um livro

Não posso tecer considerações sobre ele, que nunca o li. Tenho um exemplar na pilha de espera para um destes dias.
Estou convencido de que o(a) vencedor(a) não terá dificuldade em fazer prova.
o e-mail deste blog é.
adenda: há uma presunção minha sobre a identidade da vencedora que coincide em Barca d'Alva - sim, é uma espécie de código.
Se o livro não fôr reclamado até ao meio-dia oficial de amanhã, fica sem efeito.

Não posso tecer considerações sobre ele, que nunca o li. Tenho um exemplar na pilha de espera para um destes dias.
Estou convencido de que o(a) vencedor(a) não terá dificuldade em fazer prova.
o e-mail deste blog é.
adenda: há uma presunção minha sobre a identidade da vencedora que coincide em Barca d'Alva - sim, é uma espécie de código.
Se o livro não fôr reclamado até ao meio-dia oficial de amanhã, fica sem efeito.
Dez à quinta
É hoje que o contador do Sitemeter vai acusar a visita com o número 100 000.
Curiosamente, um ano e um dia depois de o contador da Bravenet, mais antigo, ter passado esse número.
Apesar de este ter sido activado mês e meio antes e de eu ter congelado aquele uns bons tempos, há uma nítida diferença na malha da rede que justifica essa sim o desfasamento.
Seja como fôr, preparo-me para atribuir um prémio a quem faça prova inequívoca de que foi o visitante nº 100 000 e se disponha a dar uma morada para onde o possa enviar.
Esta coisa da base dez...
É hoje que o contador do Sitemeter vai acusar a visita com o número 100 000.
Curiosamente, um ano e um dia depois de o contador da Bravenet, mais antigo, ter passado esse número.
Apesar de este ter sido activado mês e meio antes e de eu ter congelado aquele uns bons tempos, há uma nítida diferença na malha da rede que justifica essa sim o desfasamento.
Seja como fôr, preparo-me para atribuir um prémio a quem faça prova inequívoca de que foi o visitante nº 100 000 e se disponha a dar uma morada para onde o possa enviar.
Esta coisa da base dez...
São Martinho
Só me dei conta da data quando encalhei com um expositor de castanhas e jeropiga ali no supermercado, já noite.
Isto é apenas uma amostra do meu alheamento ao calendário, às tradições, às festas.
Ao mundo, talvez.
De qualquer forma, arrelia-me a coisa da jeropiga (eu devia escrever geropiga pois é mais à minha moda e um dos meus dicionários de recurso aconselha-me a fazê-lo, tal como em 1912 – este dicionário é portanto da época da reforma ortográfica mas usa ainda as grafias anteriores). No meu tempo, era a água-pé, como bem indica a Dona T. neste post.
Comprei qualquer coisa de castanhas. Este ano, e quebrando um jejum de muito outonos, já havia comprado castanhas na rua. Em Santarém.
No entanto, as minhas recordações atiraram-me para um certo barracão ferroviário, um lata de conservas e cerveja ao litro.
Diz-se que este tempo é desequilibrante por remover em menos de uma vida os marcos da paisagem. É bem capaz disso.
E eu aqui a falar em memórias. Mais uma vez.
Agua-pé. E geropiga no fim, vá.

Diccionario Etymologico, Prosodico e Orthographico da Lingua Portugueza , J.T. da Silva Bastos, Parceria Antonio Maria Pereira, 1912
Dicionário da Língua Portuguesa, 5ª ed., Porto Editora
Só me dei conta da data quando encalhei com um expositor de castanhas e jeropiga ali no supermercado, já noite.
Isto é apenas uma amostra do meu alheamento ao calendário, às tradições, às festas.
Ao mundo, talvez.
De qualquer forma, arrelia-me a coisa da jeropiga (eu devia escrever geropiga pois é mais à minha moda e um dos meus dicionários de recurso aconselha-me a fazê-lo, tal como em 1912 – este dicionário é portanto da época da reforma ortográfica mas usa ainda as grafias anteriores). No meu tempo, era a água-pé, como bem indica a Dona T. neste post.
Comprei qualquer coisa de castanhas. Este ano, e quebrando um jejum de muito outonos, já havia comprado castanhas na rua. Em Santarém.
No entanto, as minhas recordações atiraram-me para um certo barracão ferroviário, um lata de conservas e cerveja ao litro.
Diz-se que este tempo é desequilibrante por remover em menos de uma vida os marcos da paisagem. É bem capaz disso.
E eu aqui a falar em memórias. Mais uma vez.
Agua-pé. E geropiga no fim, vá.

Diccionario Etymologico, Prosodico e Orthographico da Lingua Portugueza , J.T. da Silva Bastos, Parceria Antonio Maria Pereira, 1912
Dicionário da Língua Portuguesa, 5ª ed., Porto Editora
10/11/2008
Junkie
Caiu-me esta palavra no lugar do morto.
Saltou do livro de Duchaussois, lido há uma vida atrás.
Num cruzamento de Lisboa enquanto as probabilidades rodavam como dados.
Havia uns óculos, um cigarro enésimo e a inconfundível qualquer coisa que assusta.
Pode ser que o junkie seja eu, mas o das palavras.
Caiu-me esta palavra no lugar do morto.
Saltou do livro de Duchaussois, lido há uma vida atrás.
Num cruzamento de Lisboa enquanto as probabilidades rodavam como dados.
Havia uns óculos, um cigarro enésimo e a inconfundível qualquer coisa que assusta.
Pode ser que o junkie seja eu, mas o das palavras.
09/11/2008
08/11/2008
07/11/2008
Avaliar a qualidade do professor
Pertenço ao grupo dos que acham que o mérito – e dou de barato que não haja mérito algum em ter mérito – deve ser premiado. Se não é pelo mérito que há em ter mérito, é porque puxa para cima o sistema em que tal se pratica. Creio que a História vem em meu auxílio nesta argumentação.
Comparemos agora o ensino a uma grande máquina de fazer salsichas.
Nesta, o resultado final depende da qualidade da carne que lá se põe, dos condimentos, da tripa ou da película contentora e do funcionamento da dita máquina.
Não passa pela cabeça a ninguém culpar a máquina quando os ingredientes estão avariados ou, em contrário, a montante jogar fora a carne quando é a máquina que verte óleo e assim a contamina.
Dir-se-á que a complexidade do problema e do diagnóstico que se coloca frente à máquina de salsichas é muitas vezes menor do que a do sistema de ensino. De acordo, é.
Há, porém, lições que daqui se tiram. É que a única forma de saber se esta máquina é melhor do que outra é usar o mesmo lote de carne temperada para fazer salsichas numa e noutra.
No caso do ensino, a qualidade do ensino ministrado por um professor só se pode medir pelo maior ou menor progresso na aprendizagem de todos e de cada um dos seus alunos. Não há outra forma. E só se poderia comparar com outro professor se o mesmo lote de alunos, atenta a mesma matéria e circunstâncias, pudesse evoluir com o magistério deste. No final, haveria um sem número de testes que se poderiam fazer para aquilatar.
Ora a avaliação de professores tem inevitavelmente este carácter comparativo. Confesso que não sou capaz de engendrar uma forma justa de proceder a essa avaliação.
Dir-se-á que não há avaliação, comparação que não seja injusta. Concedo, não há.
O que me parece neste caso é que vai a máquina pagar pela carne e a carne pela máquina.
adenda sempre a tempo: não espero amanhã melhoras em relação ao que se passou em Março passado.
Pertenço ao grupo dos que acham que o mérito – e dou de barato que não haja mérito algum em ter mérito – deve ser premiado. Se não é pelo mérito que há em ter mérito, é porque puxa para cima o sistema em que tal se pratica. Creio que a História vem em meu auxílio nesta argumentação.
Comparemos agora o ensino a uma grande máquina de fazer salsichas.
Nesta, o resultado final depende da qualidade da carne que lá se põe, dos condimentos, da tripa ou da película contentora e do funcionamento da dita máquina.
Não passa pela cabeça a ninguém culpar a máquina quando os ingredientes estão avariados ou, em contrário, a montante jogar fora a carne quando é a máquina que verte óleo e assim a contamina.
Dir-se-á que a complexidade do problema e do diagnóstico que se coloca frente à máquina de salsichas é muitas vezes menor do que a do sistema de ensino. De acordo, é.
Há, porém, lições que daqui se tiram. É que a única forma de saber se esta máquina é melhor do que outra é usar o mesmo lote de carne temperada para fazer salsichas numa e noutra.
No caso do ensino, a qualidade do ensino ministrado por um professor só se pode medir pelo maior ou menor progresso na aprendizagem de todos e de cada um dos seus alunos. Não há outra forma. E só se poderia comparar com outro professor se o mesmo lote de alunos, atenta a mesma matéria e circunstâncias, pudesse evoluir com o magistério deste. No final, haveria um sem número de testes que se poderiam fazer para aquilatar.
Ora a avaliação de professores tem inevitavelmente este carácter comparativo. Confesso que não sou capaz de engendrar uma forma justa de proceder a essa avaliação.
Dir-se-á que não há avaliação, comparação que não seja injusta. Concedo, não há.
O que me parece neste caso é que vai a máquina pagar pela carne e a carne pela máquina.
adenda sempre a tempo: não espero amanhã melhoras em relação ao que se passou em Março passado.
06/11/2008
05/11/2008
Está a fazer agora mesmo 11 anos



imagens da RTP, SIC e TVI, respectivamente
Vieram à lembrança as lágrimas espelhadas.



imagens da RTP, SIC e TVI, respectivamente
Vieram à lembrança as lágrimas espelhadas.
04/11/2008
O presidente Obama
Não consigo dizer muita coisa sobre assuntos que nada me dizem a não ser pelas curiosidades estatísticas, coisas que me são caras seja qual fôr o assunto. Este assunto das eleições americanas é um deles.
Há, porém, duas coisas para mim relevantes nesta eleição.
A primeira é que, pela primeira vez, vão ter assento no Kremlin e na Casa Branca dois tipos mais novos do que eu. A coisa acontece num espaço de meses e isso é para mim um marco óbvio e que eclipsa todo o resto.
A outra tem a ver com mais uma intenção falhada. Contava hoje estar instalado numa certa residencial de província já que é Novembro e caem as folhas.
Não consigo dizer muita coisa sobre assuntos que nada me dizem a não ser pelas curiosidades estatísticas, coisas que me são caras seja qual fôr o assunto. Este assunto das eleições americanas é um deles.
Há, porém, duas coisas para mim relevantes nesta eleição.
A primeira é que, pela primeira vez, vão ter assento no Kremlin e na Casa Branca dois tipos mais novos do que eu. A coisa acontece num espaço de meses e isso é para mim um marco óbvio e que eclipsa todo o resto.
A outra tem a ver com mais uma intenção falhada. Contava hoje estar instalado numa certa residencial de província já que é Novembro e caem as folhas.
03/11/2008
Nota sobre um dos assuntos da moda

Sobre o porto de Lisboa, o receio que exprimi aqui há tempos, parece afinal ter alguma razão.

Sobre o porto de Lisboa, o receio que exprimi aqui há tempos, parece afinal ter alguma razão.
01/11/2008
31/10/2008
30/10/2008
Ponto, recta e plano

No meu entendimento, há poucas coisas mais simples do que a Geometria Descritiva.
Carece de um conhecimento mínimo convencionado para se poder dominar todo o seu edifício. Qualquer coisa que se aprende em meia-dúzia de minutos.
Depois é só usar a cabeça. Independe de língua e de cultura e de conhecimento prévio.
Este tipo de matérias em que o peso está quase todo do lado do raciocínio e em que os axiomas são escassos, constitui o grande obstáculo da escola moderna.
Se é verdade que o conhecimento baseado na leitura padece de mal considerável, este conhecimento baseado no raciocínio está moribundo no sistema português.
A probabilidade de tropeçarmos numa pessoa capaz de seguir um raciocínio sem falhas por três ou quatro passos sucessivos é ridiculamente baixa.
A probabilidade de manter uma conversação baseada na análise racional de qualquer assunto é desprezável. Se a igualarmos a zero estamos a cometer um erro negligenciável.
O que é comum é a discussão emotiva, sem regras, impulsiva, cega, sem balizas, objecto, fim. Uma torrente moldada por estados d’alma, incapaz de dissecar um tijolo burro.
Se o ensino pretende formar carneiros, estamos no bom caminho. Já não são analfabetos mas estão ainda mais vulneráveis, pois pensam que sabem.
Se, pelo contrário, é caso de descobrirmos e puxarmos para cima os melhores, venham eles de onde vierem, estejam eles onde estiverem, estamos a dar gigantescos passos. Para trás.

No meu entendimento, há poucas coisas mais simples do que a Geometria Descritiva.
Carece de um conhecimento mínimo convencionado para se poder dominar todo o seu edifício. Qualquer coisa que se aprende em meia-dúzia de minutos.
Depois é só usar a cabeça. Independe de língua e de cultura e de conhecimento prévio.
Este tipo de matérias em que o peso está quase todo do lado do raciocínio e em que os axiomas são escassos, constitui o grande obstáculo da escola moderna.
Se é verdade que o conhecimento baseado na leitura padece de mal considerável, este conhecimento baseado no raciocínio está moribundo no sistema português.
A probabilidade de tropeçarmos numa pessoa capaz de seguir um raciocínio sem falhas por três ou quatro passos sucessivos é ridiculamente baixa.
A probabilidade de manter uma conversação baseada na análise racional de qualquer assunto é desprezável. Se a igualarmos a zero estamos a cometer um erro negligenciável.
O que é comum é a discussão emotiva, sem regras, impulsiva, cega, sem balizas, objecto, fim. Uma torrente moldada por estados d’alma, incapaz de dissecar um tijolo burro.
Se o ensino pretende formar carneiros, estamos no bom caminho. Já não são analfabetos mas estão ainda mais vulneráveis, pois pensam que sabem.
Se, pelo contrário, é caso de descobrirmos e puxarmos para cima os melhores, venham eles de onde vierem, estejam eles onde estiverem, estamos a dar gigantescos passos. Para trás.
29/10/2008
28/10/2008
27/10/2008
26/10/2008
A portagem da ponte
Eu gostava de me lembrar ao cimo de que rua ouvi eu um destes dias um renhido argumento sobre a bondade das antigas portagens na Ponte Marechal Carmona, em Vila Franca de Xira.
Eram três homens e o que evocou tal passado tinha uma garrafa de gás na mão.
Eu gostava de me lembrar ao cimo de que rua ouvi eu um destes dias um renhido argumento sobre a bondade das antigas portagens na Ponte Marechal Carmona, em Vila Franca de Xira.
Eram três homens e o que evocou tal passado tinha uma garrafa de gás na mão.
Hora legal
Como é se designa a hora a que este post foi publicado?
A primeira vez que foi 1:46 de 26 de Outubro de 2008?
Se publicar outro daqui a uma hora é na segunda vez que foi 1:46 de 26 de Outubro de 2008?
Acho que nunca me tinha preocupado com tal.
(O Sapo e o Blogspot "respondem" a esta pergunta de formas diferentes: O Sapo recusa-se a publicar o post mas mostra-o nos posts já publicados na página de edição. O Blogspot coloca-o em banho-maria até daqui a uma hora!!!)
Como é se designa a hora a que este post foi publicado?
A primeira vez que foi 1:46 de 26 de Outubro de 2008?
Se publicar outro daqui a uma hora é na segunda vez que foi 1:46 de 26 de Outubro de 2008?
Acho que nunca me tinha preocupado com tal.
(O Sapo e o Blogspot "respondem" a esta pergunta de formas diferentes: O Sapo recusa-se a publicar o post mas mostra-o nos posts já publicados na página de edição. O Blogspot coloca-o em banho-maria até daqui a uma hora!!!)
25/10/2008
O livro preterido

Foram muitos anos, disso a tenho a certeza. Muitos anos em que este livro entrava para a bagagem de férias directamente da estante dos meus avós.
Media-se então (e suponho que ainda se meça) a intensidade dos verões pela percentagem de livros que voltavam por ler. No meu caso, era sempre muito alta.
Como disse, foram muitos anos a carregá-lo para férias. E de todas elas voltou virgem.
Recordo-me de, ao ter desmanchado a casa no início deste século, ter tido o cuidado de o poupar às caixas que iam para os montes, variante dessa espécie de antecâmara da morte dos objectos que são vulgarmente os sótãos, as arrecadações e as garagens urbanas.
O mistério perdeu-se em parte – está a perder-se neste preciso momento – ao ver o filme. Encontrei o livro há pouco.
Irá comigo nas próximas férias.

Foram muitos anos, disso a tenho a certeza. Muitos anos em que este livro entrava para a bagagem de férias directamente da estante dos meus avós.
Media-se então (e suponho que ainda se meça) a intensidade dos verões pela percentagem de livros que voltavam por ler. No meu caso, era sempre muito alta.
Como disse, foram muitos anos a carregá-lo para férias. E de todas elas voltou virgem.
Recordo-me de, ao ter desmanchado a casa no início deste século, ter tido o cuidado de o poupar às caixas que iam para os montes, variante dessa espécie de antecâmara da morte dos objectos que são vulgarmente os sótãos, as arrecadações e as garagens urbanas.
O mistério perdeu-se em parte – está a perder-se neste preciso momento – ao ver o filme. Encontrei o livro há pouco.
Irá comigo nas próximas férias.
Das coincidências
Andei hoje à procura de um livro em particular, uma edição francesa do Amante de Lady Chatterley com o qual livro mantenho um estranho litígio há décadas.
Lembrei-me dele hoje, vá lá saber-se por quê. E não é que tropeço quase de seguida, na programação da RTP2, com uma emissão de um dos filmes feitos a partir dele?!
Voltarei ao litígio com tal livro – que ainda não encontrei – um destes dias.
Andei hoje à procura de um livro em particular, uma edição francesa do Amante de Lady Chatterley com o qual livro mantenho um estranho litígio há décadas.
Lembrei-me dele hoje, vá lá saber-se por quê. E não é que tropeço quase de seguida, na programação da RTP2, com uma emissão de um dos filmes feitos a partir dele?!
Voltarei ao litígio com tal livro – que ainda não encontrei – um destes dias.
Os sites institucionais

Há uns anos, quando os computadores e as impressoras se vulgarizaram, as tabernas e afins começaram a ostentar, em vez dos tradicionais letreiros manuscritos, umas folhas A4, por vezes coloridas, em que em escrita rampante, em arco, floreada, gongórica, por vezes ideográfica se comunicava ao freguês a sande diversa, o caracol, a bifana.
Hoje, a evolução darwinista fez com que na maioria dos sites institucionais nos deparemos com o equivalente em versão ilustrada.
Umas animações desnecessárias e pesadas (desde há uns tempos já com o botão de “passar à frente”!!!), uns menus incompreensíveis, uma organização labiríntica que mostram que quem os concebeu está dentro das técnicas da animação, da criação de menus e de ligações, da introdução de texto e de imagem, mas não tem a menor noção das proporções, não está habituado a “dar informações” nem é capaz de se pôr no lugar do outro.
Como diria um velho amigo meu, agora a propósito da informação das estradas que “quem sabe o caminho, nunca se engana com estes sinais.”

Há uns anos, quando os computadores e as impressoras se vulgarizaram, as tabernas e afins começaram a ostentar, em vez dos tradicionais letreiros manuscritos, umas folhas A4, por vezes coloridas, em que em escrita rampante, em arco, floreada, gongórica, por vezes ideográfica se comunicava ao freguês a sande diversa, o caracol, a bifana.
Hoje, a evolução darwinista fez com que na maioria dos sites institucionais nos deparemos com o equivalente em versão ilustrada.
Umas animações desnecessárias e pesadas (desde há uns tempos já com o botão de “passar à frente”!!!), uns menus incompreensíveis, uma organização labiríntica que mostram que quem os concebeu está dentro das técnicas da animação, da criação de menus e de ligações, da introdução de texto e de imagem, mas não tem a menor noção das proporções, não está habituado a “dar informações” nem é capaz de se pôr no lugar do outro.
Como diria um velho amigo meu, agora a propósito da informação das estradas que “quem sabe o caminho, nunca se engana com estes sinais.”
24/10/2008
Até porque pode ser complexo
Não é raro ouvir-se o que acabei de ouvir na RTP N: [...] para deixarmos os números, até porque pode ser complexo para quem nos está a ver [...]
O problema é que quase sempre são os números que dão o valor às coisas. Se os deixamos, ficamos sem forma de valorizar seja o que fôr que se discuta.
As pessoas que se dão ao trabalho de assistir a certas discussões terão assim tanta dificuldade com a “complexidade” dos números? Ou é o jornalista que os acha complexos?
Não é raro ouvir-se o que acabei de ouvir na RTP N: [...] para deixarmos os números, até porque pode ser complexo para quem nos está a ver [...]
O problema é que quase sempre são os números que dão o valor às coisas. Se os deixamos, ficamos sem forma de valorizar seja o que fôr que se discuta.
As pessoas que se dão ao trabalho de assistir a certas discussões terão assim tanta dificuldade com a “complexidade” dos números? Ou é o jornalista que os acha complexos?
Organismo
Os acontecimentos dos últimos meses na economia mundial tiveram, entre muitas outras coisas, o mérito de mostrar mais uma vez que não há teoria que compreenda o funcionamento orgânico das sociedades, sejam elas governadas por que sistema forem.
Por maioria de razão, não há dogmas que se aguentem.
Os acontecimentos dos últimos meses na economia mundial tiveram, entre muitas outras coisas, o mérito de mostrar mais uma vez que não há teoria que compreenda o funcionamento orgânico das sociedades, sejam elas governadas por que sistema forem.
Por maioria de razão, não há dogmas que se aguentem.
Hapax legomenon
Não vou escrever aqui de novo a palavra, pois se o fizesse deixaria de o ser.
O certo é que, depois de um incerto googlador ter tropeçado numa descrição da casa dos meus avós, bisavós e trisavós, minha que foi pela posse e pelo uso, só depois disso me apercebi de que mais ninguém e em altura alguma a havia escrito aqui na rede.
A palavra é esta. Os alentejanos conhecem-na bem. Ou conheciam, já não sei.
Não vou escrever aqui de novo a palavra, pois se o fizesse deixaria de o ser.
O certo é que, depois de um incerto googlador ter tropeçado numa descrição da casa dos meus avós, bisavós e trisavós, minha que foi pela posse e pelo uso, só depois disso me apercebi de que mais ninguém e em altura alguma a havia escrito aqui na rede.
A palavra é esta. Os alentejanos conhecem-na bem. Ou conheciam, já não sei.
23/10/2008
De Inglaterra
A acusação de homicídio feita a um camionista português em Inglaterra não diz nada sobre a justeza das leis e das decisões judiciais por lá tomadas.
Mostra o ruído da imprensa que a coisa, para além das mortes de crianças, se prende mais com ser estrangeiro e português, ao serviço de uma empresa espanhola, do que com ser um simples com um volante nas mãos.
Mas esta acusação – que é apenas uma acusação – contrasta com a complacência do sistema português com os assassínios na estrada.
É um sistema que pune e bem os quase criminosos que, por excesso de velocidade e bebida a mais, se colocam em posição de potenciais matadores mas, inexplicavelmente, esquece os que matam deveras.
Só muito raramente os pune, como foi o caso do tipo que matou em contramão ao volante de um jipe Vodafone, lá para os arredores do Porto.
E que também excepcionalmente agora acusa uma condutora de matar dezasseis pessoas ao pé do Fratel. Isto porque, provavelmente, foram uma e outra coisas muito noticiadas.
Mas a regra é deixar passar, especialmente se é burrice o que está por trás da tragédia. Quando não há nem álcool nem velocidade a mais, só burrice e incapacidade.
Lembro-me sempre de uma senhora que se ia matando e a mais duas pessoas, a 10 à hora, não mais, nas curvinhas de acesso à praia de Sines.
Numa das curvas em gancho sobre o precicípio assustou-se. Já seguia muito devagar, mas ainda assim quis travar. Ao invés, acelerou. O carro embateu num muro de protecção e ficou preso com as rodas na frente no ar.
Os destroços do muro não esmagaram por acaso um casal que se encontrava sentado um pouco abaixo, apreciando a paisagem.
Não tinha bebido nada e não ia em excesso de velocidade...
Quantos acidentes com mortes se devem a situações similares, ainda que não tão caricaturais?
E esta gente não é punida por quê? Por ser simples?
A acusação de homicídio feita a um camionista português em Inglaterra não diz nada sobre a justeza das leis e das decisões judiciais por lá tomadas.
Mostra o ruído da imprensa que a coisa, para além das mortes de crianças, se prende mais com ser estrangeiro e português, ao serviço de uma empresa espanhola, do que com ser um simples com um volante nas mãos.
Mas esta acusação – que é apenas uma acusação – contrasta com a complacência do sistema português com os assassínios na estrada.
É um sistema que pune e bem os quase criminosos que, por excesso de velocidade e bebida a mais, se colocam em posição de potenciais matadores mas, inexplicavelmente, esquece os que matam deveras.
Só muito raramente os pune, como foi o caso do tipo que matou em contramão ao volante de um jipe Vodafone, lá para os arredores do Porto.
E que também excepcionalmente agora acusa uma condutora de matar dezasseis pessoas ao pé do Fratel. Isto porque, provavelmente, foram uma e outra coisas muito noticiadas.
Mas a regra é deixar passar, especialmente se é burrice o que está por trás da tragédia. Quando não há nem álcool nem velocidade a mais, só burrice e incapacidade.
Lembro-me sempre de uma senhora que se ia matando e a mais duas pessoas, a 10 à hora, não mais, nas curvinhas de acesso à praia de Sines.
Numa das curvas em gancho sobre o precicípio assustou-se. Já seguia muito devagar, mas ainda assim quis travar. Ao invés, acelerou. O carro embateu num muro de protecção e ficou preso com as rodas na frente no ar.
Os destroços do muro não esmagaram por acaso um casal que se encontrava sentado um pouco abaixo, apreciando a paisagem.
Não tinha bebido nada e não ia em excesso de velocidade...
Quantos acidentes com mortes se devem a situações similares, ainda que não tão caricaturais?
E esta gente não é punida por quê? Por ser simples?
22/10/2008
Coisas fora do anormal*
Em devido tempo, dirigi-me à bilheteira para reaver o dinheiro que gastara na compra de um ingresso para o grande espectáculo alienígena de 14 de Outubro, logrado que estava.
Porém, dois dias volvidos, ao quilómetro zero de uma das estradas nacionais do plano de 45, vi tal coisa:

Os mais optimistas asseveravam que a apoteose de 14 de Outubro se prolongaria por mais dois ou três dias. Fui tocado por ela, está visto.
*expressão do meu candidato ao prémio Capitão Moura, António de Balasar (aos 18 segundos deste vídeo)
Em devido tempo, dirigi-me à bilheteira para reaver o dinheiro que gastara na compra de um ingresso para o grande espectáculo alienígena de 14 de Outubro, logrado que estava.
Porém, dois dias volvidos, ao quilómetro zero de uma das estradas nacionais do plano de 45, vi tal coisa:

Os mais optimistas asseveravam que a apoteose de 14 de Outubro se prolongaria por mais dois ou três dias. Fui tocado por ela, está visto.
*expressão do meu candidato ao prémio Capitão Moura, António de Balasar (aos 18 segundos deste vídeo)
Velhice
É dar-me conta de que jamais abriria a boca num colectivo “oh!” ao saber que o Sporting e o Porto acasalaram no sorteio da Taça.
É dar-me conta de que jamais abriria a boca num colectivo “oh!” ao saber que o Sporting e o Porto acasalaram no sorteio da Taça.
Notícias
Quem tenha ouvido as notícias na RTP sobre a inauguração do LHC do CERN e esteja a leste da coisa, jamais terá pensado que se trata da mesmíssima instalação de onde há pouco mais de um mês se dizia poder vir o buraco negro que engoliria a Terra.
Quem tenha ouvido as notícias na RTP sobre a inauguração do LHC do CERN e esteja a leste da coisa, jamais terá pensado que se trata da mesmíssima instalação de onde há pouco mais de um mês se dizia poder vir o buraco negro que engoliria a Terra.
21/10/2008
Paga atrás
Os tempos que vivemos, pontuados pelo poder nas mãos de notórios e notáveis mentecaptos, são a materialização global do tradicional “paga atrás” das filas para o baile.
Não me lembro também de um tempo de paz e sem carência de ocupação do território em que se tenha promovido tanto a indulgência com os relapsos, transgressores e criminosos.
Conhecemos todos os que cumprem com todas as suas obrigações.
Fazem-no para se manterem verticais no seu próprio espelho, ainda que bombardeados com as notícias do sucesso daqueles que beneficiam com a indulgência dos dormentes, dos anestesiados e dos mentecaptos.
Esta tropa que não poderá nunca ter uma ideia da dimensão da sua própria estupidez, vai talvez acabar por ter dela notícia da pior forma.
A maior parte nunca ouviu falar no Dente d’Ouro.
Os tempos que vivemos, pontuados pelo poder nas mãos de notórios e notáveis mentecaptos, são a materialização global do tradicional “paga atrás” das filas para o baile.
Não me lembro também de um tempo de paz e sem carência de ocupação do território em que se tenha promovido tanto a indulgência com os relapsos, transgressores e criminosos.
Conhecemos todos os que cumprem com todas as suas obrigações.
Fazem-no para se manterem verticais no seu próprio espelho, ainda que bombardeados com as notícias do sucesso daqueles que beneficiam com a indulgência dos dormentes, dos anestesiados e dos mentecaptos.
Esta tropa que não poderá nunca ter uma ideia da dimensão da sua própria estupidez, vai talvez acabar por ter dela notícia da pior forma.
A maior parte nunca ouviu falar no Dente d’Ouro.
19/10/2008
18/10/2008
Respeito
Perdi hoje uma parte do respeito que tenho pela instituição que dá pelo nome de Instituto de Meteorologia.
Há uns tempos que tinha a sensação de que a página on-line do IM aos fins-de-semana era neglicenciada.
Há muita coisa que eu desconheço nos processos de aquisição de dados que são depois publicados.
Hoje depois de ter constatado que tinha uma trovoada por cima da cabeça fui lá ver quantas descargas estavam registadas entre as 13:30 e as 14:00 aqui na zona de Lisboa. Zero. Nada. Rigorosamente nada.
Daqui, uma de quatro:
Ou eu estou insano e já nem sei identificar uma trovoada,
Ou os intrumentos que registam estas coisas não estão dispostos para apanhar as descargas nos arredores de Lisboa,
Ou ao fim-de-semana, mesmo que haja descargas e sejam registadas nos aparelhos não há quem recolha os dados e os publique.
Ou qualquer outra coisa que me escape.
De qualquer forma, o alerta amarelo só apareceu depois da chuva.
Perdi hoje uma parte do respeito que tenho pela instituição que dá pelo nome de Instituto de Meteorologia.
Há uns tempos que tinha a sensação de que a página on-line do IM aos fins-de-semana era neglicenciada.
Há muita coisa que eu desconheço nos processos de aquisição de dados que são depois publicados.
Hoje depois de ter constatado que tinha uma trovoada por cima da cabeça fui lá ver quantas descargas estavam registadas entre as 13:30 e as 14:00 aqui na zona de Lisboa. Zero. Nada. Rigorosamente nada.
Daqui, uma de quatro:
Ou eu estou insano e já nem sei identificar uma trovoada,
Ou os intrumentos que registam estas coisas não estão dispostos para apanhar as descargas nos arredores de Lisboa,
Ou ao fim-de-semana, mesmo que haja descargas e sejam registadas nos aparelhos não há quem recolha os dados e os publique.
Ou qualquer outra coisa que me escape.
De qualquer forma, o alerta amarelo só apareceu depois da chuva.
E agora a pergunta de 1 000 000 000 000 000 000 000 000 de pacotes PSI-20*
Qual é a S.I.C. mais interessante da R.T.P.?
* 1 pacote PSI-20 é a soma do valores de fecho de cada acção integrante do índice multiplicados pela respectiva ponderação no mesmo, no dia do acerto na pergunta ou no dia útil imediatamente anterior, caso não tenha havido sessão.
Qual é a S.I.C. mais interessante da R.T.P.?
* 1 pacote PSI-20 é a soma do valores de fecho de cada acção integrante do índice multiplicados pela respectiva ponderação no mesmo, no dia do acerto na pergunta ou no dia útil imediatamente anterior, caso não tenha havido sessão.
13 minutos depois
Informação sobre acidente de avião na pista de Porto Santo (simulacro) leva treze minutos a chegar à protecção civil (da Madeira) – disse uma jornalista com o ar mais natural deste mundo.
Pode ser erro da notícia*, o que é o mais provável, tratando-se de um simulacro.
A ser verdade, o que é muito pouco provável, seria algo de impensável para um acidente que se dá na aterragem em tal pista. E sem explicação.
*(é a segunda notícia da segunda parte do Telejornal – cursor a 58% do total, frente sobre o segundo i de visualizar)
Informação sobre acidente de avião na pista de Porto Santo (simulacro) leva treze minutos a chegar à protecção civil (da Madeira) – disse uma jornalista com o ar mais natural deste mundo.
Pode ser erro da notícia*, o que é o mais provável, tratando-se de um simulacro.
A ser verdade, o que é muito pouco provável, seria algo de impensável para um acidente que se dá na aterragem em tal pista. E sem explicação.
*(é a segunda notícia da segunda parte do Telejornal – cursor a 58% do total, frente sobre o segundo i de visualizar)
17/10/2008
Trespasse
Escrevia eu aqui, há uns dias atrás, que "uma coisa de que me apercebi neste preciso momento é de que jamais, em toda a minha vida, alguém me interpelou a respeito de uma qualquer casa comercial das redondezas que estivesse para trespasse e sobre a qual quisesse saber se era estável, afreguesada, do agrado dos vizinhos, etc.".
Pois bem. Ontem, em pleno Porto e junto ao Estádio do Dragõue, uma formosa senhora munida de um microfone e um cavalheiro de câmara ao ombro interpelaram-me (off the record) ainda que em conjunto com os meus companheiros de viagem, sobre a minha relação com o clube da casa.
Fiquei depois a saber que o que pretendiam era um depoimento sobre a qualidade (talvez a avaliação do valor do trespasse) de um dado jogador de futebol.
Não sei se isto conta para passar um risco sobre o post que então escrevi.
Escrevia eu aqui, há uns dias atrás, que "uma coisa de que me apercebi neste preciso momento é de que jamais, em toda a minha vida, alguém me interpelou a respeito de uma qualquer casa comercial das redondezas que estivesse para trespasse e sobre a qual quisesse saber se era estável, afreguesada, do agrado dos vizinhos, etc.".
Pois bem. Ontem, em pleno Porto e junto ao Estádio do Dragõue, uma formosa senhora munida de um microfone e um cavalheiro de câmara ao ombro interpelaram-me (off the record) ainda que em conjunto com os meus companheiros de viagem, sobre a minha relação com o clube da casa.
Fiquei depois a saber que o que pretendiam era um depoimento sobre a qualidade (talvez a avaliação do valor do trespasse) de um dado jogador de futebol.
Não sei se isto conta para passar um risco sobre o post que então escrevi.
Ir ao Porto
Passei ontem a tarde no Porto. A passear pelas suas ruas. Apenas a.
Acho que, pela primeira vez em muitas visitas, me senti em casa. Em Portugal.
O Porto e mais nenhuma outra cidade portuguesa, o Porto e só o Porto dava-me a sensação de me encontrar no estrangeiro. Isso acabou ontem por algum factor que não consigo identificar. Como se estas coisas explicar se pudessem.
Passei ontem a tarde no Porto. A passear pelas suas ruas. Apenas a.
Acho que, pela primeira vez em muitas visitas, me senti em casa. Em Portugal.
O Porto e mais nenhuma outra cidade portuguesa, o Porto e só o Porto dava-me a sensação de me encontrar no estrangeiro. Isso acabou ontem por algum factor que não consigo identificar. Como se estas coisas explicar se pudessem.
15/10/2008
O atraso das mentes
Não é novidade nenhuma que esta gente que nos governa pouco ou nada vê à frente do nariz.
Basta ouvi-los, lê-los por mais de um minuto.
Uma coisa simples como um atraso na entrega do Orçamento que teria provavelmente as suas legítimas justificações transformou-se numa cena lamentável, com desculpas absurdas e ridículas, próprias de quem ou não percebe nada ou acha que os outros nada percebem.
Caramba, que são péssimos!
Não é novidade nenhuma que esta gente que nos governa pouco ou nada vê à frente do nariz.
Basta ouvi-los, lê-los por mais de um minuto.
Uma coisa simples como um atraso na entrega do Orçamento que teria provavelmente as suas legítimas justificações transformou-se numa cena lamentável, com desculpas absurdas e ridículas, próprias de quem ou não percebe nada ou acha que os outros nada percebem.
Caramba, que são péssimos!
14/10/2008
Especialistas
Há um conjunto de tontinhos que sabem ler uns gráficos – os que aqui estão bem descritos – e que normalmente “explicam” as causas das baixas e das altas nos mercados.
Nunca percebi, talvez por não conhecer nenhum de perto, se estão mesmo convencidos dos disparates que dizem ou se só têm pouca estima pela sua própria credibilidade.
Há pouco, ouvi esta coisa extraordinária, da boca de uma jornalista, quando perguntada sobre as razões da alta de hoje na bolsa de Lisboa – é que reflectiu os ganhos verificados pelos constituintes do PSI 20.
La Palisse não diria melhor, mesmo sem os gráficos em fundo.
Esta gente terá alguma coisa debaixo do chapéu?
Há um conjunto de tontinhos que sabem ler uns gráficos – os que aqui estão bem descritos – e que normalmente “explicam” as causas das baixas e das altas nos mercados.
Nunca percebi, talvez por não conhecer nenhum de perto, se estão mesmo convencidos dos disparates que dizem ou se só têm pouca estima pela sua própria credibilidade.
Há pouco, ouvi esta coisa extraordinária, da boca de uma jornalista, quando perguntada sobre as razões da alta de hoje na bolsa de Lisboa – é que reflectiu os ganhos verificados pelos constituintes do PSI 20.
La Palisse não diria melhor, mesmo sem os gráficos em fundo.
Esta gente terá alguma coisa debaixo do chapéu?
OVNI
Tomei conhecimento, já há uns meses, de que hoje haveria um encontro do 3º grau ou menor.
Foi através de buscas que caíram aqui* no H Gasolim e que alvejavam ocorrência tal.
Por algumas leituras que fiz, a partir de cadeias de links assim iniciadas, fiquei com a ideia de que o Homem (a parte da humanidade alheada da coisa) entraria hoje finalmente na Idade dos Outros, em que outras formas de vida, não terráqueas, dariam finalmente as caras ou o equivalente lá na sua morfologia.
Até agora, nada.
Acho que vou pedir o meu dinheiro de volta ali à bilheteira e já venho.
De quantas anunciações destas há notícia só nos séculos XX e XXI? É uma boa investigação para fazer, um dia destes.
* As pesquisas que deram à costa aqui foram em português. Em inglês, dá para perceber melhor a dimensão da coisa.
Corrigenda ainda a tempo: titular de OVNI um tal post é um perfeito disparate, já que se trata de algo muito bem identificado.
Tomei conhecimento, já há uns meses, de que hoje haveria um encontro do 3º grau ou menor.
Foi através de buscas que caíram aqui* no H Gasolim e que alvejavam ocorrência tal.
Por algumas leituras que fiz, a partir de cadeias de links assim iniciadas, fiquei com a ideia de que o Homem (a parte da humanidade alheada da coisa) entraria hoje finalmente na Idade dos Outros, em que outras formas de vida, não terráqueas, dariam finalmente as caras ou o equivalente lá na sua morfologia.
Até agora, nada.
Acho que vou pedir o meu dinheiro de volta ali à bilheteira e já venho.
De quantas anunciações destas há notícia só nos séculos XX e XXI? É uma boa investigação para fazer, um dia destes.
* As pesquisas que deram à costa aqui foram em português. Em inglês, dá para perceber melhor a dimensão da coisa.
Corrigenda ainda a tempo: titular de OVNI um tal post é um perfeito disparate, já que se trata de algo muito bem identificado.
13/10/2008
Barac bac bac
Já lá vão muitos anos – tantos como trinta – desde que um dos meus amigos me ensinou que barac bac bac era a fala dos porcos.
Fê-lo em circunstâncias tais que ainda hoje me lembro de todos os detalhes. Metia mulheres, pois claro. E copos.
Vínhamos de um tempo e de um modo em que não passaria pela cabeça a nenhum de nós discorrer sobre os suínos mais do que essas três palavras ditas de empreitada.
Havia, é claro, a sabedoria popular da trombada de porco que tanto atira para cima como para baixo. O que significa que o porco podia, pode ser o meio rápido da fortuna e de pronto o meio rápido da falência.
No final desta semana, alguns dos meus amigos reunir-se-ão em congresso. Lá para Ourique, no mesmo sítio onde tantas vezes bebemos até de manhã, ao som dos conjuntos mais esquecíveis, na companhia das mulheres mais inesquecíveis.
Será sobre o porco que falarão. Barac bac bac digo eu aqui de longe.
Irão gentes de toda a Ibéria e de quase todo o Alentejo, como diria ainda um dos ausentes que está de boa saúde.
Barac.
Já lá vão muitos anos – tantos como trinta – desde que um dos meus amigos me ensinou que barac bac bac era a fala dos porcos.
Fê-lo em circunstâncias tais que ainda hoje me lembro de todos os detalhes. Metia mulheres, pois claro. E copos.
Vínhamos de um tempo e de um modo em que não passaria pela cabeça a nenhum de nós discorrer sobre os suínos mais do que essas três palavras ditas de empreitada.
Havia, é claro, a sabedoria popular da trombada de porco que tanto atira para cima como para baixo. O que significa que o porco podia, pode ser o meio rápido da fortuna e de pronto o meio rápido da falência.
No final desta semana, alguns dos meus amigos reunir-se-ão em congresso. Lá para Ourique, no mesmo sítio onde tantas vezes bebemos até de manhã, ao som dos conjuntos mais esquecíveis, na companhia das mulheres mais inesquecíveis.
Será sobre o porco que falarão. Barac bac bac digo eu aqui de longe.
Irão gentes de toda a Ibéria e de quase todo o Alentejo, como diria ainda um dos ausentes que está de boa saúde.
Barac.
12/10/2008
O prémio Capitão Moura
O prémio Capitão Moura, do qual se pode dizer muita coisa e o seu contrário, serve, pelo menos, para mostrar a realidade. Para mostrar como o país é, a pretexto da bola e a uma escala de bairro ou dos pequenos aglomerados populacionais.
A maior parte das críticas que lhe vi serem feitas podiam ir direitinhas para qualquer outro programa que trate as pessoas com o realismo possível.
Não vejo diferença entre a lógica argumentativa dos candidatos ao prémio Capitão Moura e a da maioria das figuras que nos governam, bem como de todas as outras, por aí abaixo em responsabilidade, até voltarmos aos primeiros.
Haverá diferença de vocabulário, de articulação, de expressão. De essência é que não há.
Mas há uma diferença de facto.
Estas pessoas aparentemente não têm pretensões em enganar os outros, no sentido de se fazerem passar pelo que intelectualmente não são.
O homem de quem aqui falei certa vez era uma fusão do Visconde da Apúlia e do Sr. António de Balasar.
Entre muitas outras coisas, aprendi com ele a fazer como lá na “Auto-Critério”.
O prémio Capitão Moura, do qual se pode dizer muita coisa e o seu contrário, serve, pelo menos, para mostrar a realidade. Para mostrar como o país é, a pretexto da bola e a uma escala de bairro ou dos pequenos aglomerados populacionais.
A maior parte das críticas que lhe vi serem feitas podiam ir direitinhas para qualquer outro programa que trate as pessoas com o realismo possível.
Não vejo diferença entre a lógica argumentativa dos candidatos ao prémio Capitão Moura e a da maioria das figuras que nos governam, bem como de todas as outras, por aí abaixo em responsabilidade, até voltarmos aos primeiros.
Haverá diferença de vocabulário, de articulação, de expressão. De essência é que não há.
Mas há uma diferença de facto.
Estas pessoas aparentemente não têm pretensões em enganar os outros, no sentido de se fazerem passar pelo que intelectualmente não são.
O homem de quem aqui falei certa vez era uma fusão do Visconde da Apúlia e do Sr. António de Balasar.
Entre muitas outras coisas, aprendi com ele a fazer como lá na “Auto-Critério”.
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