24/04/2009
23/04/2009
O homem desmembrado
Parece que o concurso das personagens que aqui mencionei não se tornou necessário aos investigadores ingleses.
We’ll see.
Parece que o concurso das personagens que aqui mencionei não se tornou necessário aos investigadores ingleses.
We’ll see.
23 de Abril de 1909
A esta hora já se contavam os mortos, já se cuidavam os feridos.
A terra haveria de tremer perceptivelmente por cerca de um ano mais, como acontece normalmente nestes casos.

Fotografia do atelier Benoliel, depositada no Arquivo Municipal de Lisboa.
Ver aqui recortes da imprensa da época, compilados pela T. et al.
A esta hora já se contavam os mortos, já se cuidavam os feridos.
A terra haveria de tremer perceptivelmente por cerca de um ano mais, como acontece normalmente nestes casos.

Fotografia do atelier Benoliel, depositada no Arquivo Municipal de Lisboa.
Ver aqui recortes da imprensa da época, compilados pela T. et al.
As canas e o espadanal
No conto geral das coisas, há sempre aquelas parcelas que consideramos mais perto estiveram de desequilibrar o balanço ou mesmo a balança. Ainda que não se tenha dado por isso em devido tempo.
Por via do mundo dos sonhos, estes dias procurei uma pessoa cujo rasto tinha perdido há cerca de vinte anos, depois de um fugaz reencontro a talvez dez anos de vista.
São ao todo assim cerca de trinta anos a separar uma época de furtivos rendez-vous da presença sonhada.
Pertenço ao grupo dos que, nestas alturas, ainda que por breves momentos se põem a fantasiar sobre as vidas paralelas, como se o cosmos tal como o entrevemos, fosse susceptível de facultar mais do que uma via aos mortais. À matéria.
Juntando a com b, chego à conclusão que o caminho se fez paralelo às canas, ao espadanal.
No conto geral das coisas, há sempre aquelas parcelas que consideramos mais perto estiveram de desequilibrar o balanço ou mesmo a balança. Ainda que não se tenha dado por isso em devido tempo.
Por via do mundo dos sonhos, estes dias procurei uma pessoa cujo rasto tinha perdido há cerca de vinte anos, depois de um fugaz reencontro a talvez dez anos de vista.
São ao todo assim cerca de trinta anos a separar uma época de furtivos rendez-vous da presença sonhada.
Pertenço ao grupo dos que, nestas alturas, ainda que por breves momentos se põem a fantasiar sobre as vidas paralelas, como se o cosmos tal como o entrevemos, fosse susceptível de facultar mais do que uma via aos mortais. À matéria.
Juntando a com b, chego à conclusão que o caminho se fez paralelo às canas, ao espadanal.
22/04/2009
21/04/2009
Na terra do atraso mental
Já aqui disse o que penso sobre o caso Freeport.
A cada dia que passa apenas se cimenta a ideia de que apenas a profunda estupidez de um grupo de opositores do Primeiro-Ministro justifica esta campanha.
Qualquer criança em idade pré-escolar é capaz de entender que, havendo algum tipo de rabo de palha do homem no caso vertente, há muito que teria sido fervido em azeite.
Só pois a profunda estupidez desta gente consegue justificar o arrastar desta campanha.
Hoje, chegou-se ao ponto de confundir defesa da honra com atentado à liberdade de expressão.
É a terra do atraso mental.
Já aqui disse o que penso sobre o caso Freeport.
A cada dia que passa apenas se cimenta a ideia de que apenas a profunda estupidez de um grupo de opositores do Primeiro-Ministro justifica esta campanha.
Qualquer criança em idade pré-escolar é capaz de entender que, havendo algum tipo de rabo de palha do homem no caso vertente, há muito que teria sido fervido em azeite.
Só pois a profunda estupidez desta gente consegue justificar o arrastar desta campanha.
Hoje, chegou-se ao ponto de confundir defesa da honra com atentado à liberdade de expressão.
É a terra do atraso mental.
20/04/2009
18/04/2009
Conto policial

Sir Henry Merrivale, Hercule Poirot, Miss Marple, Lord Peter Wimsey, Sherlock Holmes e alguns outros não escarneceriam deste mistério, se lhes fosse apresentado por alguma improvável visita num fim de tarde outonal.
Um homem que é desmembrado e cujos bocados são espalhados por locais do Hertfordshire e Leicertershire, de forma a serem descobertos com alguma facilidade é, de facto, um aliciante desafio às mentes esquadrinhadoras.
Ainda não se encontraram as mãos.
trecho deste mapa.

Sir Henry Merrivale, Hercule Poirot, Miss Marple, Lord Peter Wimsey, Sherlock Holmes e alguns outros não escarneceriam deste mistério, se lhes fosse apresentado por alguma improvável visita num fim de tarde outonal.
Um homem que é desmembrado e cujos bocados são espalhados por locais do Hertfordshire e Leicertershire, de forma a serem descobertos com alguma facilidade é, de facto, um aliciante desafio às mentes esquadrinhadoras.
Ainda não se encontraram as mãos.
trecho deste mapa.
17/04/2009
15/04/2009
Matemática
Faz bem o Presidente da República em chamar a atenção para esta matéria.
Antes da Matemática, antes da sua aprendizagem, é preciso que exista capacidade de raciocínio.
Esta não está presente em todos os cérebros. É inútil tentar ensinar Matemática a quem é incapaz de raciocinar.
Mas é útil, necessário e urgente que se consigam escrutinar os capazes e dar-lhes o melhor ensino possível. Tanto nesta como noutras matérias.
Portugal não se pode dar ao luxo de desperdiçar massa cinzenta. Fá-lo, porém, todos os dias.
Com a classe política que se conhece.
Com os resultados que se conhecem.
Faz bem o Presidente da República em chamar a atenção para esta matéria.
Antes da Matemática, antes da sua aprendizagem, é preciso que exista capacidade de raciocínio.
Esta não está presente em todos os cérebros. É inútil tentar ensinar Matemática a quem é incapaz de raciocinar.
Mas é útil, necessário e urgente que se consigam escrutinar os capazes e dar-lhes o melhor ensino possível. Tanto nesta como noutras matérias.
Portugal não se pode dar ao luxo de desperdiçar massa cinzenta. Fá-lo, porém, todos os dias.
Com a classe política que se conhece.
Com os resultados que se conhecem.
14/04/2009
Tabacaria

A Tabacaria de Fernando Pessoa para mim é o poema em que a cruz está na porta da dita.
Hoje, isso veio-me à cabeça por uma razão simples.
Há pessoas das quais não contamos saber que morreram. Por inúmeras razões, uma das quais será a de que nessa data já nem sequer nos lembramos de que existiram, de que se cruzaram connosco no tempo e no espaço.
E isso confere-lhes uma certa imortalidade.
Há também pessoas cujo estatuto, de forma inexplicável, lhes confere uma baixa probabilidade de desaparecerem. Talvez fosse o caso do Alves, da tabacaria.
Hoje dei-me conta de que há pessoas que podem reunir as duas condições. E mesmo assim morrem. E mesmo assim sabemos disso.

A Tabacaria de Fernando Pessoa para mim é o poema em que a cruz está na porta da dita.
Hoje, isso veio-me à cabeça por uma razão simples.
Há pessoas das quais não contamos saber que morreram. Por inúmeras razões, uma das quais será a de que nessa data já nem sequer nos lembramos de que existiram, de que se cruzaram connosco no tempo e no espaço.
E isso confere-lhes uma certa imortalidade.
Há também pessoas cujo estatuto, de forma inexplicável, lhes confere uma baixa probabilidade de desaparecerem. Talvez fosse o caso do Alves, da tabacaria.
Hoje dei-me conta de que há pessoas que podem reunir as duas condições. E mesmo assim morrem. E mesmo assim sabemos disso.
13/04/2009
12/04/2009
11/04/2009
10/04/2009
09/04/2009
07/04/2009
Os genéricos
Quantas serão as perguntas a respeito dos genéricos que não se podem fazer?
Há alguma coisa que faça sentido nas argumentações a respeito de tal coisa?
Quantas serão as perguntas a respeito dos genéricos que não se podem fazer?
Há alguma coisa que faça sentido nas argumentações a respeito de tal coisa?
06/04/2009
05/04/2009
03/04/2009
02/04/2009
01/04/2009
31/03/2009
30/03/2009
29/03/2009
28/03/2009
27/03/2009
26/03/2009
22/03/2009
21/03/2009
20/03/2009
19/03/2009
A Dama-da-noite

fotografia de James Henderson em http://www.ranger146.com/N_Leighton_Drive/pics/Cestrum_nocturnum.jpg

fotografia de James Henderson em http://www.ranger146.com/N_Leighton_Drive/pics/Cestrum_nocturnum.jpg
18/03/2009
17/03/2009
O pai de um
Só assisti à segunda parte do prélio.
O simples que fez, durante esse tempo e ali atrás da baliza, o inverso da trajectória solar gastou desse mesmo tempo a primeira metade a dar ordens aos jogadores. A segunda, ocupou-a ele a percorrer, por mor do árbitro, o insultuário próprio, cujo rol era de resto escasso, o que o fez repetir-se.
No campo, os jogadores não tinham mais do que onze anos.
E eu não sabia muito bem o que fazia ali.
Agora, vendo a coisa à distância de uma semana, acho que poderia ter sido muito pior. Devo ter tido sorte com o calendário.
Só assisti à segunda parte do prélio.
O simples que fez, durante esse tempo e ali atrás da baliza, o inverso da trajectória solar gastou desse mesmo tempo a primeira metade a dar ordens aos jogadores. A segunda, ocupou-a ele a percorrer, por mor do árbitro, o insultuário próprio, cujo rol era de resto escasso, o que o fez repetir-se.
No campo, os jogadores não tinham mais do que onze anos.
E eu não sabia muito bem o que fazia ali.
Agora, vendo a coisa à distância de uma semana, acho que poderia ter sido muito pior. Devo ter tido sorte com o calendário.
16/03/2009
14/03/2009
13/03/2009
Teores
Interrogo-me sobre o que será mais prejudicial ao País: se o teor (excessivo) de sal no pão se o quociente (defeituoso) de inteligência dos titulares de órgãos de soberania.
Interrogo-me sobre o que será mais prejudicial ao País: se o teor (excessivo) de sal no pão se o quociente (defeituoso) de inteligência dos titulares de órgãos de soberania.
Contos do vigário
Nos antigos contos do vigário, o vigarizado, quase sempre atraído ao logro por uma cenoura apontada à sua própria ganância, sentia-se pouco confortável a denunciar a coisa.
Nos actuais, os vigarizados ou são mais estúpidos, dados a acreditar piamente que há gente a oferecer dinheiro nas esquinas, ou menos propensos a desconfortos.
Nos antigos contos do vigário, o vigarizado, quase sempre atraído ao logro por uma cenoura apontada à sua própria ganância, sentia-se pouco confortável a denunciar a coisa.
Nos actuais, os vigarizados ou são mais estúpidos, dados a acreditar piamente que há gente a oferecer dinheiro nas esquinas, ou menos propensos a desconfortos.
12/03/2009
11/03/2009
09/03/2009
07/03/2009
O espaço lá fora
Há quase dois anos, escrevi aqui e retomando uma preocupação antiga, a propósito do então cantado e já naturalmente esquecido Gliese 581c:
Perturba que se repitam os habituais lugares comuns sobre a existência de vida extraterrestre, como se fosse obrigatório que ela exista nos mesmos moldes atómicos, moleculares, celulares da nossa. Não é antropocentrismo. É estupidez pura e dura.
Outra coisa é a visão antropocêntrica da coisa. Biocêntrica, diga-se. Esta saga não tem nada a ver com vida extraterrestre. Tem a ver com a nossa. Tem a ver com a nossa necessidade de passar à frente, de ocupar novos territórios, de forma a garantir a continuidade. A nossa e a de outras espécies. As que pudermos levar na Arca. Sabe-se lá por que instinto, nosso, da própria vida em sentido lato, o fazemos.
Por uma daquelas circunstâncias em que o acaso é fértil, desde que delas nos apercebamos, há dois ou três dias recordei o tema em conversa com alguém que se interessa pelos mistérios insondáveis do Universo.
Ontem, apercebi-me de que a NASA consagrou a Kepler uma missão destinada a descobrir planetas terrestres.
E, mais uma vez, a notícia é dada como a tentativa de descoberta de vida extraterrestre.
Nem Kepler lhes vale na sua miopia.
Há quase dois anos, escrevi aqui e retomando uma preocupação antiga, a propósito do então cantado e já naturalmente esquecido Gliese 581c:
Perturba que se repitam os habituais lugares comuns sobre a existência de vida extraterrestre, como se fosse obrigatório que ela exista nos mesmos moldes atómicos, moleculares, celulares da nossa. Não é antropocentrismo. É estupidez pura e dura.
Outra coisa é a visão antropocêntrica da coisa. Biocêntrica, diga-se. Esta saga não tem nada a ver com vida extraterrestre. Tem a ver com a nossa. Tem a ver com a nossa necessidade de passar à frente, de ocupar novos territórios, de forma a garantir a continuidade. A nossa e a de outras espécies. As que pudermos levar na Arca. Sabe-se lá por que instinto, nosso, da própria vida em sentido lato, o fazemos.
Por uma daquelas circunstâncias em que o acaso é fértil, desde que delas nos apercebamos, há dois ou três dias recordei o tema em conversa com alguém que se interessa pelos mistérios insondáveis do Universo.
Ontem, apercebi-me de que a NASA consagrou a Kepler uma missão destinada a descobrir planetas terrestres.
E, mais uma vez, a notícia é dada como a tentativa de descoberta de vida extraterrestre.
Nem Kepler lhes vale na sua miopia.
05/03/2009
04/03/2009
Eleições

Não sei qual foi a razão invocada para alterar a data das eleições autárquicas em 2005.
Não me recordo de a ter ouvido e não a descobri agora.
O facto é que estas eleições ocorreram até então sempre – em sete ocasiões - no quinquagésimo domingo do ano, à excepção de 1989 em que ocorreram no quinquagésimo primeiro.
Já as legislativas, descontando as datas simbólicas iniciais em 1975 (Assembleia Constituinte) e 1976 e todas as intercalares e antecipadas, ocorreram quatro vezes no quadragésimo domingo e uma no quadragésimo primeiro – estas as últimas em final de legislatura, no ano de 1999.
Ora as autárquicas em 2005 foram marcadas para o quadragésimo primeiro domingo do ano.
Foi portanto em 2005 que se resolveu aparentemente escolher como domingo eleitoral, para todas as causas, o quadragésimo primeiro. Talvez com opção pelo quadragésimo, consagrado que está por quatro eleições legislativas.
Se este ano se optar por separar as duas datas – coisa que aparentemente sucederá porque a democracia é o regime em que o povo é estúpido às segundas, quartas e sextas e inteligente às terças, quintas e sábados, sendo os domingos uma questão de caracoroísmo, e como tal se teme que este ano a um domingo ele possa ser estúpido e inteligente ao mesmo tempo – fica apenas demonstrado que, qualquer que tivesse sido a razão pela qual se anteciparam as autárquicas de 2005, foi essa uma ideia absurda.
O povo continuará a ser sempre, para quem isso está em questão, ou esperto ou imbecil aos domingos. Às vezes concomitantemente.

Não sei qual foi a razão invocada para alterar a data das eleições autárquicas em 2005.
Não me recordo de a ter ouvido e não a descobri agora.
O facto é que estas eleições ocorreram até então sempre – em sete ocasiões - no quinquagésimo domingo do ano, à excepção de 1989 em que ocorreram no quinquagésimo primeiro.
Já as legislativas, descontando as datas simbólicas iniciais em 1975 (Assembleia Constituinte) e 1976 e todas as intercalares e antecipadas, ocorreram quatro vezes no quadragésimo domingo e uma no quadragésimo primeiro – estas as últimas em final de legislatura, no ano de 1999.
Ora as autárquicas em 2005 foram marcadas para o quadragésimo primeiro domingo do ano.
Foi portanto em 2005 que se resolveu aparentemente escolher como domingo eleitoral, para todas as causas, o quadragésimo primeiro. Talvez com opção pelo quadragésimo, consagrado que está por quatro eleições legislativas.
Se este ano se optar por separar as duas datas – coisa que aparentemente sucederá porque a democracia é o regime em que o povo é estúpido às segundas, quartas e sextas e inteligente às terças, quintas e sábados, sendo os domingos uma questão de caracoroísmo, e como tal se teme que este ano a um domingo ele possa ser estúpido e inteligente ao mesmo tempo – fica apenas demonstrado que, qualquer que tivesse sido a razão pela qual se anteciparam as autárquicas de 2005, foi essa uma ideia absurda.
O povo continuará a ser sempre, para quem isso está em questão, ou esperto ou imbecil aos domingos. Às vezes concomitantemente.
03/03/2009
Os canibais de luxo
Não sei se se tratava ou não do jantar anual do Partido numa versão alargada a umas miúdas com idade para serem nossas filhas.
Os sete contados à porta eram portanto apenas os membros permanentes.
Subimos a escada mal iluminada e entrámos no famosíssimo salão.
Tratava-se mesmo talvez do mais afamado dos restaurantes portugueses. Senão do mais caro.
Olhando em redor, as frugalíssimas e austeras mesas apenas mostravam gente comendo o tradicional frango. Não havia toalhas ou guardanapos. Apenas os pratos sobre a madeira. Sequer copos se viam.
Este frango à casa era uma espécie de frango de borracha, não depenado, dotado de bico e de crista e que se dizia ser uma especialidade indescritível.
Pedimos o supra-sumo da casa.
Não demorando, veio para a mesa. Numa urna de madeira de cerejeira e tampo de pau preto.
Quando abrimos o esquife, ouviu-se uma manifestação ruidosa – ohhhhhhhhhh. Adivinhava-se um cabelo branco, de homem.
Foi então que ele se levantou do decúbito e, tornando o torso, nos encarou. Era um homem de raça indiana, com óculos de massa, sobrancelhas espessas, usando um casaco de malha cinzento claro.
Não percebi a razão pela qual o correrio se desencadeou então.
Nem sequer a razão de alguém comentar que não tínhamos escolhido um restaurante indiano mas sim chinês, o que era obviamente falso.
Depois de sairmos ordeiramente escoltados por um grupo de ajudantes de cozinha, escadas abaixo, demos connosco a trocar presentes em forma de metade-de-meio-litro de vinho verde.
Num largo que semelhava ao de São Pedro, em Sintra.
Não sei se se tratava ou não do jantar anual do Partido numa versão alargada a umas miúdas com idade para serem nossas filhas.
Os sete contados à porta eram portanto apenas os membros permanentes.
Subimos a escada mal iluminada e entrámos no famosíssimo salão.
Tratava-se mesmo talvez do mais afamado dos restaurantes portugueses. Senão do mais caro.
Olhando em redor, as frugalíssimas e austeras mesas apenas mostravam gente comendo o tradicional frango. Não havia toalhas ou guardanapos. Apenas os pratos sobre a madeira. Sequer copos se viam.
Este frango à casa era uma espécie de frango de borracha, não depenado, dotado de bico e de crista e que se dizia ser uma especialidade indescritível.
Pedimos o supra-sumo da casa.
Não demorando, veio para a mesa. Numa urna de madeira de cerejeira e tampo de pau preto.
Quando abrimos o esquife, ouviu-se uma manifestação ruidosa – ohhhhhhhhhh. Adivinhava-se um cabelo branco, de homem.
Foi então que ele se levantou do decúbito e, tornando o torso, nos encarou. Era um homem de raça indiana, com óculos de massa, sobrancelhas espessas, usando um casaco de malha cinzento claro.
Não percebi a razão pela qual o correrio se desencadeou então.
Nem sequer a razão de alguém comentar que não tínhamos escolhido um restaurante indiano mas sim chinês, o que era obviamente falso.
Depois de sairmos ordeiramente escoltados por um grupo de ajudantes de cozinha, escadas abaixo, demos connosco a trocar presentes em forma de metade-de-meio-litro de vinho verde.
Num largo que semelhava ao de São Pedro, em Sintra.
02/03/2009
01/03/2009
Azul
“A razão do azul é essa: uma maior participação, uma maior envolvência” – disse alguém aparentemente encarregado de tratar da encenação do congresso do PS.
A razão hoje em dia, para as massas, é qualquer coisa. Desde que soe bem aos ouvidos dos próprios marqueteiros. Eles próprios parte exemplaríssima dos ignaros.
“A razão do azul é essa: uma maior participação, uma maior envolvência” – disse alguém aparentemente encarregado de tratar da encenação do congresso do PS.
A razão hoje em dia, para as massas, é qualquer coisa. Desde que soe bem aos ouvidos dos próprios marqueteiros. Eles próprios parte exemplaríssima dos ignaros.
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